Mostrando postagens com marcador Auden. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Auden. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, março 22, 2019

AUDEN, GOETHE, HEISENBERG, SIMONE SAPIENZA & O ENTERRO VOLTANDO


NA HORAGÁ O ENTERRO TAMBÉM VOLTA! – Quando Dalcidônio teve um piripaque e bateu as botas, foi um alvoroço: filhos e parentes armados até os dentes na maior quebra de braço para ver quem levaria o cofre de todas as suas posses. Apareceram uns tantos enteados malquistos e afilhados até de um olho só para empiorar a discórdia. Cada um que se dissesse dono da coisa. Quantos deserdados entre consaguineos indesejáveis e bastardos amaldiçoados, tudo tratado aos bregues, murros e pontapés por ele enquanto vivo. Agora que esticou as canelas, não havia quem não quisesse revidar tomando pra si o que era dele, muito embora nenhum soubesse, nem mulher, nem filhos, sabiam como ele enricou da noite pro dia, uns cinquenta anos atrás, ou quase isso, por aí. Só os linguarudos tinham a história como certa e amiudada assim: era quase esmoléu até um dia desses, não tinha onde cair morto, nem carregava uma quenza magra pelo rabo, sequer. De repente, ajeitou-se nas costas dum baitola enrolão que era vendedor de lotes lá pras bandas de Caixa Pregos, negócio a crediário, riscado e apalavrado, só, e o povo tudinho, preço bom, hora certa, deixava os pagamentos semanais arrecadados pelo Donho, que sequer dava recibos, garantindo a quitação com o cabelo do bigode. Para esses era prestativo, guardava feira e posses, sempre devolvendo aos seus donos; providenciando compras antecipadas, ajeitados pra lá e pra cá, até condução pros requerentes, senão médicos e enfermeiros, botijões de gás levado em casa quando precisassem, tudo na maior confiança de pariceiros. Acontece que depois de anos, toda semana amortizando a dívida, chegava um dos pagantes para pedir a escritura: Pronto, seu Donho, acho que já liquidei aqui nas minhas contas, certo? Aí ele ia ao caderninho que sacava do bolso, perguntava o nome do distinto e dizia, depois de conferir a lista, que não havia pagamento algum a respeito ali anotado. Cadê o recibo? Nâo me deu, a gente é amigo. Ah, negócios lá, amizade cá, papel assinado, coisa certa. Mas, mas. Não tem mas, mas, ou traz o recibo ou nada! Mas toda semana eu lhe pagava, o senhor sabe disso? Dei recibo?Não. Então. Aí era salto de banda, pinote de todo jeito, encrencas e bufados por parte dos revoltados que, de enfrentá-lo quase em brigas esfoladas, para juras de morte ameaçaram para todo o lado. Foi por causa disso que adotou o costume de andar só de preto, com dois revolveres calibrados nos coldres da cintura, fechou a cara montado no bigodão, óculos escuros dos grandes em cima do pau da venta, arrotando brabeza e oferecendo dinheiro por empréstimo para liquidação da dívida se o queixoso quisesse, alegando ser ele alma boa de não necessitar de se apossar de nada de ninguém. Ah, é? É. Destá. Prevendo tempo ruim, virou baba-ovo de autoridades, intimo da cozinha deles, conseguindo tornar-se até araque de polícia e faz tudo para o que fosse necessário para atendê-los em cima da bucha. Todo folgado, passou a tramar das suas, um e outro dos então algozes morrendo do coração com as inventadas denúncias que ele armava para cima dos coitados com polícia na porta e tudo. Não demorou muito, só de cruzeta e sem dar um tiro sequer, removeu todos os obstáculos, tornando-se um dos homens mais ricos do lugar, a ponto de viver somente de alugueis, agiotagem e de agradar delegados, juízes, promotores e prefeitos, tudo no bolso dele. Não perdia viagem. Depois de rico, virou carrasco com os filhos e a parentalha toda, vivendo maritalmente com a esposa que era cega, muda e surda, coitada. Tinha uns quebra-galhos que ele emprenhava invariavelmente, e com o embuchamento ameaçava de morte se abrisse o bico. Blefe, só. Passou-se o tempo e ele arrotando riqueza e tirando proveito de abestalhados que o tinham por cabra certo e direito. Pois bem, na hora da pendenga judicial do espólio, o juiz tomou ciência de tudo, justiça seja feita: devolveu cada um dos bens e créditos aos seus legítimos donos, não sobrando nada para a viúva e os herdeiros, afora a casa própria que morava por ter sido herança do finado que ele se emancebara na juventude. Pois é, a justiça demora que só a peste, mas um dia lá, não sei quando, vai saber, ela vinga de uma forma ou de outra. Destá, digo eu agora. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Porque a fala, e com ela, indiretamente, o pensamento, é uma habilidade que, em contraste com todas as outras aptidões físicas, não se desenvolve nos indivíduos, mas entre os indivíduos. É com os outros que aprendemos a falar. A linguagem, por assim dizer, é uma rede aberta entre as pessoas, uma rede em que nossos pensamentos estão inextricavelmente presos. [...] a linguagem é obrigada a se apoiar em alguma ligação com a realidade. [...] nossa realidade depende da estrutura de nossa consciência; só podemos tornar objetiva uma pequena parcela de nosso mundo. [...] Admito que, às vezes, o campo subjetivo de um indivíduo, tal como o de uma nação, pode ficar num estado de confusão. Os demônios podem soltar-se e causar inúmeros danos, ou, para dizê-lo mais cientificamente, as ordens parciais que se separam da ordem central, ou que não se enquadram nela, pode assumir o comando. Mas, em última análise, a ordem central, ou o “uno”, como era costume chamá-la, e com a qual comungamos na linguagem da religião, tem que prevalecer. Quando as pessoas buscam valores, é provável que estejam à procura daqueles atos que se harmonizam com a ordem central e que, como tais, estão livres das confusões provenientes das ordens parciais divididas. [...] É nesse contexto que minha idéia da verdade relaciona-se com o conteúdo efetivo da experiência religiosa. [...] O caos sempre cede lugar à ordem. [...]. A parte e o todo: encontros e conversas sobre física, filosofia, religião e política (Contraponto, 1996),
do físico e Prêmio Nobel de 1932, Werner Heisenberg (1901-1976). Veja mais aquiaqui e aqui.

CANÇÃO DE OUTONO, DE W. H. AUDEN
As folhas tombam bem depressa agora,
Nem o copo-de-leite se demora,
Amas de leite estão no campo-santo,
Mas carros de bebê seguem rolando.
Cicios de vizinho, esquerda, direita,
Roubando-nos àquilo que deleita,
Mãos hábeis a gelar no exílio forçado
De seus joelhos desacompanhados.
Seguindo perto o nosso rastro, a voz
De morto aos centos grita Ai de nós,
Braços erguidos em censura, a opor-
Se-nos com seus falsos gestos de amor.
Ossudos, pela mata revolvida
Correm trolls gritando por comida.
Rouxinol e coruja estão silentes
E o anjo, certo, vai primar por ausente.
Erguer-se clara e inescalável desde
Os longes a Cordilheira do Em-vez-de
De cujos frios ribeiros tão risonhos
Ninguém pode beber, exceto em sonhos.
Poema do poeta, dramaturgo e editor britânico Wystan Hugh Auden (1907-1973). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista urbana e muralista Simone Sapienza, a Siss. Veja mais aquiaqui.
&
A obra do poeta, filósofo e cientista alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


segunda-feira, junho 04, 2018

KAFKA, AUDEN, PAULINA CHIZIANE, HERMETO, LUKÁCS, ALAIN RESNAIS, FLÁVIO DE CARVALHO & VITAL CORRÊA DE ARAÚJO


É CADA UMA QUE DÁ DEZ – Imagem: arte do arquiteto, pintor, teatrólogo e escritor Flávio de Carvalho (1899-1973). - Toda madrugada na janela eu converso com ela, a estrela libertária que me guia e ouve, falo pelos cotovelos todos os meus ais e paradoxos. Foi ela quem me ensinou a rir da minha loucura e admirar a dos outros, escondida – cada um esconde como pode; eu escancaro das tripas, coração. Daqui dá pra vê-la a me mostrar o pêndulo das pessoas no agito das vitrines e vidraças, rolês e danças, rodoviárias e aeroportos; ah, sou levado pros invisíveis nos antros dos guetos, abrigos, hospitais, presídios, quanta devastação e o meu coração dói. Vivemos, quer queira quer não, pelo apreço e sofrimento do que tenha ou não, do querem às mãos, braços dados e o que possa a imaginação dos quereres, quanta calamidade nos sentimentos arrebatados. Ninguém é poupado, vassalos da poção do amor na inquietude da paixão e o álibi luzente, as armadilhas dos amantes ancestrais e a vida é a vida, nada e nada mais. Do inopinado sempre o desaviso: o alerta dos sentidos no flerte e o prelúdio, tudo se mistura entre a mira e o alvo, prevalece o frêmito carnal, a chama eletrizante que pulsa na pele e veias, carecimentos e dissipações, clamores e entregas. Nesse torvelinho a razão é o estorvo, seja lá o que Deus quiser, príncipes encantados e donzelas imaculadas que sempre estiveram à espera do amor, o verdadeiro; e o sorvedouro idílico vai na valsa onírica de rosas e nuvens, nada pras ameaças que assomam tácitas entre passos e piruetas. No desfecho, quase impossível sobreviver à provação, quase se morre de tão obcecado e rendido. E em cada um os seus tenebrosos porões e sótãos, entre o que enobrece e o que aflige, o que ama e odeia. Até que a fera ruge, a luz se apaga no coração, quanta fúria e crueldade de sobra e por troco. Aprendi a domar meus monstros com as palavras suaves: o segredo da poesia. Ninguém merece nossos esturros, somos nós mesmos que pagamos o pato, ora. Isso eu sei, guardo comigo. Conquanto, soluções de plantão: é só passar a bronca pro outro, pronto, livrou-se, lavou as mãos, resolvido. No final, luzes e sombras, o casulo se esvai no escuro da solidão e silêncio. Contudo, quem aprende a lição, hem, na verdade olvida, como eu: fazendo uma merda atrás da outra. Porquanto tenha só abusado da sorte na areia da praia, lazer domingueiro ou de feriadão, o castelo de areia, lá vem o mar subindo manso, a maré e não, a onda, não, lá vem, não, pelo amor de Deus não, a água nem aí, não, acabou-se o que era doce. Pra quem vive na corda bamba qualquer sopapo é crucial e haja catabi entrando pela perna de pinto e saindo pela perna de pato. É a vida e lá se vão os ventos omnidirecionais com seus encantos e desamores no fortuito embalo das paixões. É cada uma que dá dez! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do compositor e multi-instrumentista Hermeto Pascoal: Live in Montreaux, Zumbumbê bum-á, Slave Mass, Cérebro Magnético, Natureza Universal ao Vivo & Live in Jazz Sous Les Pommiers; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Ah, aprende-se o que é preciso que de aprenda! Aprende-se quando se quer uma saída; aprende-se a qualquer custo. Fiscaliza-se a si mesmo com o chicote; à menor resistência flagela-se a própria carne. A natureza do macaco escapou de mim frenética, dando cambalhotas, de tal modo que com isso meu primeiro professor quase se tornou ele próprio um símio, teve de renunciar às aulas e ser internado em um sanatório. Felizmente saiu logo de lá. [...] Seja como for, no conjunto eu alcanço o que queria alcançar. Não se diga que o esforço não valeu a pena. No mais, não quero nenhum julgamento dos homens, quero apenas difundir conhecimentos; [...]. Pensamentos extraídos de Um relatório para uma Academia (Companhia das Letras, 1999), do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924). Veja mais aqui.

ONTOLOGIA – [...] No trabalho estão contidas in nuce todas as determinações que, como veremos, constituem a essência do novo dentro do ser social. O trabalho pode ser considerado, pois, como fenômeno originário [Urphänomen], como modelo do ser social; o esclarecimento destas determinações proporciona já, portanto, uma imagem tão clara acerca de suas características essenciais, que parece metodologicamente vantajoso começar com sua análise [...] A posição do fim se origina numa necessidade humano-social; mas, a fim de que chegue a uma posição autêntica do fim, a investigação dos meios (isto é, o conhecimento da natureza) deve ter alcançado um determinado nível, coerente com esses meios; se esse nível ainda não foi alcançado, a posição do fim permanece como projeto meramente utópico, uma espécie de sonho [...]. O ponto, pois, no qual o trabalho se relaciona, desde o ponto de vista da ontologia do ser social, com o surgimento do pensamento científico e sua evolução, é precisamente o âmbito por nós denominado investigação dos meios [...] quando os resultados do reflexo não existente se cristalizam numa práxis estruturada em termos de alternativa, a partir daquilo que existe somente de maneira natural, pode surgir algo existente no marco do ser social – por exemplo, uma faca ou um machado –, isto é, surge uma forma de objetividade desse ser existente total e radicalmente nova. Pois, a pedra, na sua existência e em seu ser-em-si natural, nada tem a ver com a faca ou o machado [...] Enquanto ser biológico, o ser humano é um produto da evolução natural. Com sua autorrealização, que, naturalmente, também nele mesmo pode significar um retrocesso dos limites naturais, mas nunca o desaparecimento, a plena superação desses limites, o ser humano ingressa num novo ser e por ele mesmo fundado: o ser social [...] todas as representações ontológicas dos seres humanos, independentemente do grau de consciência em que isso ocorre, são amplamente influenciadas pela sociedade, e não vem ao caso se o componente dominante é o da vida cotidiana, o da fé religiosa etc. Essas representações cumprem um papel extremamente influente na práxis social dos seres humanos, condensando-se com frequência em um poder social real [...] superação da mudez meramente orgânica do gênero, sua continuação no gênero articulado, em desenvolvimento, do ser humano que se forma enquanto ente social, é – considerada desde um ponto de vista ontológico-genético – o mesmo ato que o do surgimento da liberdade [...]. Trechos extraídos da obra Ontología del ser social: el trabajo (Herramienta, 2004), do filósofo, crítico literário e teórico marxista húngaro Georg Lukács (1885-1971). Veja mais aqui e aqui.

BALADA DE AMOR AO VENTO - [...] Meu pai, minha mãe, meus avós e todos os defuntos. Aceitei esta oferta, esta humilhação, que é o testemunho da minha partida. Vou agora pertencer à outra família, mas ficam estas vacas que me substituem1. Que estas vacas lobolem mais almas, que aumentem o número da nossa família, que tragam esposas para este lar, de modo que nunca falte água, nem milho, nem lume [...] É como vos digo, cada mundo tem a sua beleza. No campo é mais belo o rosto queimado de sol. São belas as pernas fortes e musculosas, os calcanhares rachados que galgam quilómetros para que em casa nunca falte água, nem milho, nem lume. São mais belas as mãos calosas, os corpos que lutam ao lado do sol, do vento e da chuva para fazer da natureza o milagre de parir a felicidade e a fortuna [...] venceu-me a carne, venceu-me o coração, sou apenas a escrava do sentimento que é mais forte do que eu [...]. Trechos extraídos da obra Balada de amor ao vento (Ndjira, 2010), da escritora moçambicana Paulina Chiziane. Veja mais aqui e aqui.

DOS POEMAS BREVES E DOS POEMAS BREVES - I - Receio haja muitos caixa-d’óculos filisteus / que preferem o museu Britânico ao próprio Deus. II - Honremos, como ideal, / o homem vertical, / embora valorizemos / só o horizontal, mesmo. III - Rostos particulares em lugares públicos / É coisa mais gentil e mais sensata / Do que, em lugares particulares, rostos públicos. IV - a esperança de um poeta: ser, / Como os queijos de certos vales, / Local, mas estimado alhures. V - Quem poderá jamais imaginar / Calvino, Pascal ou Nietzsche / Como um róseo garoto rechonchudo? VI - sem mãe capaz de amá-lo / Descartes divorciou / a mente da matéria. Poemas do poeta, dramaturgo e editor britânico Wystan Hugh Auden (1907-1973). Veja mais aqui.

A ARTE DE ALAIN RESNAIS
Já destaquei aqui On connaît la chanson (Amores Parisienses, 1997) e o premiado documentário Noite e Neblina (Nuit et brouillard, 1955), do cineasta francês Alain Resnais (1922-2014). Poderia ter muitos outros destaques, a exemplo do polêmico e belíssimo drama-romance Hiroshima mon amour (1959), com roteiro da Marguerita Duras; o drama romântico Mélo (Melodia infiel, 1986), baseado na peça homônima de Henri Bernstein de 1929; o drama ficção científica Je t’aime, je t’aime (Eu te amo, eu te amo, 1968), contando uma viagem no tempo de um suicida que pode reviver; e o drama Muriel ou o Tempo de um Regresso (1963), e muitos tantos outros da lavra. Veja mais aqui e aqui.


O livro Ora pro nobis Scania Vabis, de Vital Corrêa de Araújo & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do arquiteto, pintor, teatrólogo e escritor Flávio de Carvalho (1899-1973).
Veja mais aqui.
&
Devoção de amor, a literatura de Philip Roth, o teatro de Maria Clara Machado & a arte de Luciah Lopez aqui.
 

segunda-feira, maio 14, 2018

JUNG, AUDEN, JOAN HALIFAX, GUIOMAR DE GRAMMONT, FÁBIO STACHI, JORGE CABALLERO & ANA VIDOVIC

FESTA, GOLES E CACHIMBADAS – Imagem: Arte do fotógrafo e designer Fábio Stachi. - Biritoaldo andava piongo, sorumbático. A sua vida andava às tontas, errática. Para um sujeito como ele, nada de diferente, assim fora toda sua inútil existência. Não era pra menos, viu o abatimento de Tolinho e Bestinha, tolos iguais a ele, cegos às barroadas e no meio de um tiroteio. Que coisa! Lembrava todas as suas trepidantes e inexitosas relações platônicas: Varnilza avexada e resmungante, Ximênia seminua nos afazeres domésticos, Vera – Ave, Maria! - rebolante e inacessível, a paixão obcecada pela inatingível Rebel Wilson, os ardores desenfreados pela póstuma Amy Winehouse, ah, um amantético desajeitado, sucumbente nos esgotos dos idílios. Ah, deixa pra lá. E assim, à toa, deu de cara com um entra e sai de Afredo e tanta gente num salão: Que é que é isso? A festa da Fraternidade! Eita, nem se lembrava, e nem queria mesmo, afinal não simpatizava muito com os ariscos Penisvaldo e Rolivânio, promotores do evento, com suas coisas às escondidas, cheios de pantins. Oxe! Lá estava toda patota: Robimagaiver, Mamão, Zé Bilola, Doro, Peiúdo, Marquito Ladeira, a trupe toda. Pensou: Fudido por um, fudido por mil. Por que não? Invadiu o salão bastante movimentado, mesas com uma penca de redomas e garrafas, castiçais e travessas, ponches e incensos. Serviu-se da bebida, de um só gole. Pegou outro drinque, virou o copo. Mais outro e mais, pegou um cachimbo que lhe serviram, deu bafarodas repetidas, saiu zanzando no meio da fumaça de suas próprias tragadas, cumprimentava uns e outros, deu voltas, acenos para credores, olhares censores, contas vencidas, aporrinhações, ah, tudo pro beleleu! Nem se deu conta que já estava numa onírica estrada de tijolos amarelos e, lá longe, jovens lúbricas acenando pra ele aos gritos e gargalhadas. Vem, vem! Eita! É pra lá que eu vou. Apressou o passo, tonteava resfolegante, simbora, ora. Contornou, correu, e quanto mais andava, mais parecia distante a farra daquelas beldades. Ao chegar ao topo onde elas estavam, avistou um imenso lago, cadê-las? Virou-se pros lados, à cata, e ao girar em torno de si, estava diante de um imenso espelho no qual se via destamaínho. Danou-se! Apertou as vistas, dedos esfregando os olhos, lá estava ele mesmo, minúsculo e bem distante no centro do cenário. Dirigiu-se ao seu próprio encontro, menor ficava. Teve a sensação de ouvir alguém perguntar-lhe: Você está bem? Ignorou a voz, não lhe parecia amigável nem reconhecível, seguia determinado, queria o alvo, ver-se de perto. Você está bem? E repetidas vezes a pergunta às suas ouças, chô pra lá. De repente, próximo de alcançar seu intento, tudo desaparece e ele viu-se sozinho no vazio. Fez a volta em torno de si, não havia nada, apenas a voz insistente: Vê está bem? Que porra é essa? Ah, relaxa, nunca estive melhor. Realmente, estava sobrecarregado de satisfação. Não se continha dentro de si, pela primeira a felicidade era íntima e ele renunciou sair daquele estado. Você está bem? Sai pra lá, não me enche o saco! Agora é a minha vez, pago pra ver. Nunca mais miséria, desgraça, tristeza! Estou feliz e é assim que estou agora e sou. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violonista peruano Jorge Caballero: Pictures Mussorgsky, Symphonie 9 Dvorak & Fantasia Cromática/Fuga Bach; da violonista croata Ana Vidovic: Suite castelhana, Guitar Recital & Intoduction/Variações Mozart; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Sim, eu posso ver todos os trabalhos da grande civilização, mas por que não posso encontrar pessoas civilizadas? Eu apenas encontrei especialistas, artistas que não conheciam sobre ciência; cientistas que não sabiam sobre arte; filósofos que não se interessavam por Deus; padres que não entendiam de política, e políticos que apenas conheciam outros políticos. [...]. Pensamento extraído da obra O caráter das especialidades (Zahar, 1981), do poeta, dramaturgo e editor britânico Wystan Hugh Auden (1907-1973). Veja mais aqui.

HÁ MUITO TEMPO, É OU NÃO É - [...] De qualquer forma, importa compreender que longe de estarem fechadas pelo monopólio colonial. As colônias-americanas revelam uma extrema vitalidade criativa pela circulação de conhecimentos tão ou mais dinâmicos do que a troca de riquezas materiais. Nesse mundo de privilégio e hierarquias, a arte servia a ostentação, portanto, os saberes técnicos-artísticos eram uma das mercadorias mais valiosas e procuradas. [...] Trecho extraído da obra Aleijadinho e o aeroplano: o paraíso barroco e a construção do herói colonial (Civilização Brasileira, 2008), da escritora, filósofa, historiadora, dramaturga e curador Guiomar de Grammont, na qual ela expressa que: [...] Para os pesquisadores que admitiam a existência de Aleijadinho – é claro que devidamente colocado no pódio como o maior artista do período colonial no Brasil, talvez de todos os tempos – um dos mais apaixonantes problemas, passou a ser a “originalidade”. A questão se encontra intimamente relacionada ao tema do autodidatismo do artífice e no fato realmente da concentração de tantas obras em um tempo tão exíguo, num lugar com outras dificuldades de acesso como as Minas Gerais do século XVIII. [...].

A VIDA SIMBÓLICA – [...] Isso pode ser o futuro histórico. Mas eu não estou absolutamente interessado num futuro histórico, nem um pouco. O que me interessa é a realização daquela vontade que vive em cada pessoa. Minha história é somente a história daquelas pessoas que irão realizar suas hipóteses. Este é todo o problema: este é o problema dos fieis índios Pueblo: fazer hoje todo o necessário para que meu Pai possa surgir no horizonte. Este é o meu ponto de vista. [...]. Trecho extraído da obra A vida simbólica (Vozes, 1997), do psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung (1875-1961). Veja mais aqui.

MARIA SABINASou mulher como a grande água / sou mulher como o sariguê / sou mulher como o lobo / sou mulher como o cão de caça / eu lhes mostrarei meu poder / sou um santo / sou mulher de espirito puro / e quebrarei o feitiço / homem que se ergue na superfície / é raiz feminina sob a água sou eu / mulher que gira / no redemoinho de ar sou eu / sou canto / e um homem santo diz (o fungo) / e uma mulher santa, diz (o fungo). Extraído da obra Shamanic voices:A Survey of Visionary Narratives (Arkana, 1991), da antropóloga, ecologista, ativista de direitos civis e professora zen-budista estadunidense Joan Halifax, que nessa obra expressa: [...] Eu sou Maria Sabina? A mulher que espera o momento adequado, a mulher que explora, a mulher da vitória; a mulher do pensamento, a mulher que cria, a mulher lua, a mulher que interpreta... O fungo sagrado me leva ao mundo onde tudo se sabe... o fugo é como alma. Além, onde deseja ir, ela te levará. [...].

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo e designer Fábio Stachi.
Veja mais aqui.


XII Encontro Estadual de História & muito mais na Agenda aqui.
&
Proezas do Biritoaldo aqui e aqui.
&
O amor de curumim & cunhantã, O amor de Teophrastus Paracelso, a música de Gonzaguinha & a arte de Luciah Lopez aqui.
&
Atire a primeira pedra quem estiver livre de boato e cabuetagem, Escarafunchando Perls, o teatro de August Strindberg & a arte de Jan Saudec aqui.
 

terça-feira, fevereiro 20, 2018

AUDEN, PEARL BUCK, HÖLDERLIN, O’NEILL, CHRISTIAN LAVERNIER, LINDSEY STIRLING, ANSEL ADAMS & NEUROEDUCAÇÃO

NEUROEDUCAÇÃO & ENSINO CRIATIVO - Imagem: arte do fotógrafo estadunidense Ansel Adams (1902-1984). - A partir de 2005 comecei a participar de debates, cursos, seminários e congressos sobre Neuroeducação, procedendo ao andamento nos mais de 20 anos de estudos educacionais embasados nas ideias de Paulo Freire e sua articulação com as minhas atividades artísticas, na militância pelo teatro, música e literatura. Foi por essa ocasião que tomei conhecimento do trabalho desenvolvido pelo neurocientista Ph.D em Biologia Molecular, Joe Z. Tsien, que realizou uma curiosa experiência científica envolvendo camundongos inteligentes encerrados numa caixa de ferramentas versátil, com o objetivo de investigar as relações complexas entre genes, circuitos neurais e comportamentos. Durante esses experimentos, um outro surgiu na equipe neurocientífica, envolvendo camundongos emburrecidos que, ao serem submetidos ao mesmo processo, desenvolveram atividades neurais recuperando a memória. Foi por essa época que tomei conhecimento do Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI - Feuerstein's Instrumental Enrichment -FIE), desenvolvido pelo psicólogo e professor Reuven Feuerstein, servindo de modelo para o apoio cognitivo de indivíduos com dificuldades de aprendizagem, consistindo de instrumental com variadas tarefas para ações pedagógicas. Essas pesquisas me fizeram escrever o artigo acadêmico intitulado Neuroedução e, por conta da manutenção desses estudos, fui diretamente para o curso de Psicologia e, por consequência, às atividades do Grupo de Pesquisa de Neurofilosofia & Neurocîencia Cognitiva, proporcionando a realização de uma pesquisa de campo que embasou as palestras que apresentei como resultado do estudo denominado de Contribuições da Neuroeducação no processode ensino-aprendizagem da escola pública de Maceió. Igualmente esclarecedora foi a leitura à época da crônica Casas que emburrecem, do eminente educador e psicanalista Rubem Alves, mencionando as experiências de Tsien e Feuerstein, para embasar a sua tese de que os ambientes residenciais são emburrecedores, apesar delas serem projetadas por arquitetos, ricas, decoradas por profissionais e cheias de objetos de arte, tornando-se a casa da ordem perfeita, em que nada possa ser mexido nem tirado do lugar onde se encontram. Inclusive, nessa crônica ele sugere aos psicopedagogos que diante da ocorrência de terem que lidar com uma criança supostamente burrinha, efetuem investigação da casa em que ela vive. Essa mênção me levou imediatamente a imaginar as salas de aula e todo ambiente escolar, locais sobrecarregados de disciplina e medidas corretoras. O que ficou evidenciado com as pesquisas dos neurocientistas, a crônica do Rubem e os resultados das minhas pesquisas nas escolas de Maceió, é que o ambiente escolar é tão emburrecedor quanto as residências suntuosas em que nada pode estar fora do lugar, dando a ideia de que tudo é tão certinho e, só por isso, é possível viver e estudar. Na conclusão disso tudo, o que falta às residências e às escolas é a criatividade e a inovação, possibilitando que cada ambiente seja reinventado, tocado, manipulado, explorado, refeito e mudado a cada momento em que seja possível oportunizar um momento de interação e, consequentemente, aprendizagem nas relações interpessoais e o ambiente. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o guitarrista e compositor italiano Christian Lavernier: Improvvisa Azione, Thailand International Guitar Festival & Concierto Aranjuez; a violinista, dançarina, cantora e compositora estadunidense Lindsey Stirling: Live From London, The Secret London Show & Praha; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIAO homem é um deus quando sonha e um mendigo quando pensa. Pensamento do poeta lírico e romancista alemão Joham Hölderlin (1770-1843). Veja mais aqui.

LITERATURA, ENSINO & EDUCAÇÃO - [...] a literatura é o espaço da diversidade cultural. O texto literário traz representada a cultura local, mas também as culturas longínquas; a cultura contemporânea, mas também a remota, já quase perdida no tempo. Mundo de seres muito próximos de nós e de seres completamente diferentes, monstruosos, malvados, demonizados ou altamente benevolentes, até mesmo santificados. A literatura trata de todo e qualquer tema: amor, guerra, conflitos, sexo, opressão, maldade, ciúme, etc. As restrições escolares que aos conteúdos da literatura devem, por isso, ser discutidas pelos professores, sem colocar em rsco a liberdade que a caracteriza e a constitui. A literatura, muitas vezes, mais do que apresentar uma situação controversa, problematiza uma forma de conduta, ao representá-la literariamente, podendo fazer render muitas discussões que nos levem a sermos homens e mulheres melhores do que somos. Trecho do artigo acadêmico Literatura no ensino fundamental: uma formação para o estético, dos professores doutores Maria Zélia Versiani Machado e Hércules Toledo Corrêa, extraído da obra Explorando ensino: língua portuguesa – ensino fundamental (MEC/SEB, 2010), coordenado por Egon de Oliveira Rangel e Roxane Helena Rodrigues Rojo.

A EXILADA – [...] Creio que Carie teria considerado a sua vida um fracasso se a tivesse julgado na medida do que desejara que ela significasse. [...] Se, porém, ela considerava sua vida fracassada, para nós, que com ela convivemos, que na vida foi a sua! Não creio que nenhum de nós cuidasse em chamá-la uma santa. Ela era por demais prática, por demais viva e apaixonada, muito cheia de amor, de variedade e de impulsos para isso. Foi a criatura mais humana que jamais conhecemos, a mais complexa na sua instantânea compaixão, em seu gosto por diversões, em suas súbitas impaciências. Foi a nossa melhor amiga e companheira. [...] Para marujos exilados, para os soldados e para todos os homens e mulheres brancos que ela acolheu em casa com o seu carinho generoso e a sua pronta amizade, Carie representava a América num país estranho. A seus filhos, mesmo entre as névoas do mais remoto e exótico cenário, ela sabia proporcionar, muitas vezes com que custo, um ambiente americano, tornando-os legítimos cidadãos em seu país, e incutindo-lhes no coração um amor que seria imortal. Para todos nós que a conhecemos, aquela mulher era, realmente, a própria América. Trechos extraídos da obra A exilada (Delta, 1966), da escritora e sinologista, Prêmio Nobel de Literatura de 1938, Pearl Buck (1892-1973). Veja mais aqui.

TRÊS POEMAS - O ESCUDO DE AQUILES: Ela olhava por sobre os ombros / à procura de vinhas e olivais / mármores e cidades bem governadas / e navios no mar escuro, de vinho. / Mas ali no metal brilhante, / às mãos dele ao invés colocaram / um deserto artificial/ e um céu de chumbo. / Uma planície sem futuro, nua e escura, / nenhuma folha de grama, nem sinal de vizinhança, / Nada para comer nem um lugar para sentar. / Todavia congregados nessa desolação / um milhão de olhos, um milhão de botas, em linha, / sem expressão, à espera de um sinal. / Do ar uma voz sem face / provava pela estatística que alguma causa era justa / em tons são secos e rasos como aquele lugar. / Ninguém foi aclamado e nada foi discutido. / Coluna por coluna, numa nuvem em pó, / para longe marchava, conduzindo, para lamentar algures, / a crença que a lógica lhes trouxera. / Ela olhava por sobre os ombros / à procura de piedades rituais, / novilhas com grinaldas de brancas flores, / libação e sacrifícios. / Todavia ali no metal brilhante, / onde deveria estar o altar, / viu, à luz vacilante da sua forja, / uma cena diferente: / o arame farpado cercava um local arbitrário / onde oficiais amolados espreguiçavam (um deles dizia uma piada). / E as sentinelas transpiravam, porque o dia estava quente. / Uma multidão de pessoas comuns e decentes / espiava de fora e ninguém se movia ou falava, / enquanto três postes implantados verticalmente no solo. / A massa e a majestade deste mundo. / Tudo o que possui peso e sempre pesa o mesmo / repousa nas mãos dos outros. / Eles eram pequenos e não podiam esperar por socorro / e não veio qualquer socorro. / O que os seus inimigos pretendiam fazer foi feito; / sua vergonha era tudo de pior que podiam desejar: / perderam o orgulho próprio e morreram como homens / antes que seus corpos morressem. / Ela olhou por sobre os ombros / à procura de atletas nos seus jogos, / mulheres e homens a dançar, / movendo os doces membros, / rápidos, rápidos, com a música. / As mãos dele não prepararam um palco de dança / um garoto maltrapilho, sem destino e solitário, / vagabundeava nesse vazio. Um pássaro voou por segurança, / com medo das suas pedradas certeiras. / Que uma jovem fosse violada, que dois rapazes esfaqueassem um terceiro, / para ele eram axiomas, ele que nunca ouvira falar / de nenhum mundo onde as promessas fossem cumpridas, / ou onde um poderia chorar porque um outro chora. / O escudeiro de lábios finos, / Hephaestos, se foi claudicando, / Thetis, a dos seios brilhantes, / gritou assombrada / com o que Deus forjou / para agradar a seu filho, o forte Aqules, / de coração de ferro e matador de homens / que não haveria de viver muito. O CIDADÃO DESCONHECIDO: Segundo apurou o Instituto de Estatística, / Contra ele nunca existiu qualquer queixa oficial, / E todos os relatórios sobre a sua conduta confirmaram: / No moderno sentido de uma palavra velha, ele era um santo, / Pois em tudo o que fez serviu a Grande Comunidade. / Com excepção da Guerra e até ao dia da reforma, / Trabalhou numa fábrica e nunca foi despedido;sempre satisfez os seus patrões, Máquinas Fraude, Ltda. / Mas não era fura-greves nem tinha opiniões estranhas, / Pois o Sindicato informa que sempre pagou as quotas / (E o seu Sindicato tem a nossa confiança), / E o nosso pessoal de Psicologia Social descobriu / Que ele era popular entre os colegas e gostava de um copo. / A Imprensa não duvida de que comprava um jornal por dia / E que as reacções à publicidade eram cem por cento normais. / Apólices tiradas em seu nome provam que tinha todos os seguros, / E o Boletim de Saúde mostra que esteve uma vez no hospital e saiu curado. / Tanto o Gabinete de Estudos dos Produtores como o da Qualidade de Vida declaram / Que estava plenamente sensibilizado para as vantagens da Compra a Prestações / E tinha tudo o que é preciso ao Homem Moderno: / Um gira-discos, um rádio, um carro e um frigorífico. / Os nossos inquiridores da Opinião Pública alegraram-se / Por ter as opiniões certas para a época do ano; / Quando havia paz, era pela paz, quando havia guerra, ele ia, / Era casado e aumentou com cinco filhos a população, / O que, diz o nosso Eugenista, era o número certo para um pai da sua geração, / E os nossos professores informam que nunca interferiu com a sua educação. / Era livre? Era feliz? A pergunta é absurda: / Se algo estivesse errado, com certeza teríamos sabido. FUNERAL BLUES: Que parem os relógios, cale o telefone, / jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais, / que emudeça o piano e que o tambor sancione / a vinda do caixão com seu cortejo atrás. / Que os aviões, gemendo acima em alvoroço, / escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu. / Que as pombas guardem luto — um laço no pescoço — / e os guardas usem finas luvas cor-de-breu. / Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto / v veu, meus dias úteis, meu fim-de-semana, / meu meio-dia, meia-noite, fala e canto; / quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana. / É hora de apagar estrelas — são molestas — / guardar a lua, desmontar o sol brilhante, / de despejar o mar, jogar fora as florestas, / pois nada mais há de dar certo doravante. Poemas do poeta, dramaturgo e editor britânico Wystan Hugh Auden (1907-1973). Veja mais aqui e aqui.

DESEJO, EUGENE O’NEILL
[...] ABBIE: Quando entrei aqui, no escuro, parece que havia alguém. EBEN (simplesmente): Mamãe. ABBIE: Ainda sinto a sua presença. EBEN: É mamãe. ABBIE: No princípio fiquei com medo. Tive ímpeto de gritar e sair correndo. Mas agora que você chegou, parece que sinto uma doçura me envolver. (Dirigindo-se para o ar, estranhamente). ObrIgada. EBEN: Mamãe sempre gostou de mim. ABBIE: Talvez ela saiba que eu também gosto de você. Talvez por isso ela esteja sendo boa para mim. [...] ABBIE: (Depois de uma pausa, com uma terrível intensidade fria – lentamente) Se foi isso o que a vinda dele me trouxe... a morte do seu amor... a partida para longe... de você que é toda a minha alegria... a única alegria que eu jamais conheci... o paraíso para mim... então eu também o odeio, mesmo sendo mãe dele! [...]
A peça teatral Desejo. (Desire under the elms - Bloch, 1970), do escritor e dramaturgo estadunidense Eugene O’Neill (1888-1053), Prêmio Nóbel de 1936, propõe uma versão moderna da tragédia clássica que gira em torno de uma família de fazendeiros no interior dos Estados Unidos,  demonstrando que o amor invade as habitações para levá-los à ruínam traduzindo as questões sociais por meio de personagens mais próximas do cotidiano. Veja mais aqui.

Veja mais:
O que era mata atlântica quando asfalto que mata, a poesia de António Salvado, a música de João Parahyba, Todo dia é dia da mulher, a arte de Don Dixon & Nini Theiladetheilade aqui.
O viúvo do padre aqui.
Max Weber & Norah Jones aqui.
John Keats & Bárbara Lia aqui.
Mario Quintana, Wang Tu, Tácita, Eduardo Souto Neto, Carlito Lima, Mike Leight & Vera Drake, Suzan Kaminga & Ansel Adams aqui.
Humanismo e a Educação Humanista aqui.
Yoram Kaniuk, Thelonious Monk, Robert E. Daniels, Eugene de Blaas, Meir Zarchi,, Luciana Vendramini, Camille Keaton, Tono Stano, Eliane Auer, Prefeituras do Brasil, Juizados Especiais & Responsabilidade civil das instituições bancárias aqui.
Crepúsculo dos Ídolos de Nietzsche & Projeto Tataritaritatá aqui.
Dicionário Tataritaritatá aqui.
O mal-estar na civilização de Freud & Coisas de antonte e dantanho aqui.
Nomes-do-pai de Lacan & BBB & Outras tacadas no toitiço do momento aqui.
A ilusão da alma de Eduardo Giannetti & A poesia veio dos deuses aqui.
Troço bulindo nas catracas do quengo, Fernando Fiorese & Abel Fraga aqui.
O mistério da consciência de Antonio Damásio &Nó na Garganta de Eduardo Proffa & Jan Claudio aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo estadunidense Ansel Adams (1902-1984).
Veja mais aqui.
 

SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...