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sábado, novembro 01, 2025

ISABELLE STENGERS, JACKIE KAY, SAMANTHA SHANNON & VAL MARGARIDA

 Imagem: Acervo ArtLAM.

A cor muda com cada modulação, mas a cor dominante é a da tonalidade em que a peça é escrita. Não acontece sempre que tocas ou ouves música e não ajuda necessariamente a memorizar a música, mas é, no entanto, uma coisa bonita de experimentar...

Pensamento ao som do álbum Water (Deutsche Grammophon, 2016), da pianista francesa, Hélène Grimaud (Hélène Rose Paule Grimaud), com peças de piano de autores como Berio, Ravel, Liszt, Debussy, Fauré, Albéniz, Janácek, Toru Takemitsu, Nitin Sawhney, entre outros. Ela é fundadora do Wolf Conservation Center, de New York, e autora dos livros Variations sauvages (Robert Laffont, 2003), Leçons particulières (Robert Laffont, 2005) e Retour à Salem (Albin Michel, 2013). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

Pavoa real, o arco-íris de plumas... - Céu azul de muitas nuvens na brisa da tarde e a lua quarto crescente na boca da mata: era a ilha de João Ubaldo. O arco-íris de Rubem Braga em confronto na relva: a Pavoa diante de uma cobra-de-veado sibilando freneticamente. A réptil poiquilotérmica armou-se como uma naja, tal atroz inimiga atiçando-a sarcástica, como na fábula de La Fontaine das queixas à Juno Hera. A insolência da rastejante fê-la inchar o papo colorido proeminente do Anambé-preto, com o canto grave do grande Pavó, no pescoço vermelho do Jacu-touro, no bico azul-claro do Jacupiranga. E assim invocava os poderes mágicos do sagrado Pavão Celestial para enfrentar todos os monstros míticos, todos os dilemas éticos, rios caudalosos, florestas densas e montanhas magistrais. A ave vaidosa deixou-se envolver pela sinistra, enroscando-se pelas escamas grossas de suas patas, como se olvidasse Paracelso: a ousada venenosa era seu alimento predileto, ofiófaga – não sabia dela o anjo Melek Taus, que criou todas as coisas e disso se arrependeu a chorar por 7 mil anos, para que suas lágrimas enchessem 7 jarras na extinção do inferno; muito menos de Tawûsê Melek, dos presentes de Salomão e de Oxum. A serpente agarrou-se ao tronco dela, quem perdoaria a picada e o pecado mortal do golpe píton. A emplumada bípede então piou de novo e os italianos disseram: era a voz do demônio na plumagem de anjo. E inflou incorporando em si o que era azul indiano, o verde asiático, o congolês, o Spalding, o leucístico, o papa-moscas do Pará, o arlequim, o dos ombros negros, brancos e albinos, até o de Taubaté. Assim abriu a cauda grave, recolorida e, penas arqueadas, suas garras longas e afiadas, velozes e ágeis, por trás da cabeça da víbora, a sacudí-la vigorosamente e cada bicada a dilacerá-la, até matá-la e digeri-la. Assim, um homem mata outro e quantos predadores devoram suas presas. A cena se repetia, a mesma de zis outras, revistas, repassadas. E quem testemunha sonhou como num filme em cartaz, deleite da plateia, divertido passatempo. Mas quem incrédulo presenciou o triunfo de vê-la ao Natyadharmi, guardando os seus 100 olhos de Argos Panoptes num poema de Ovídio. Viu-me ali e abriu o coração com o mantra da compaixão do Bodisatva: Om mani padme hū, Avalokiteshvara. Fez o ritual do acasalamento na dança de Krishna, enquanto transmudava na guerreira Kaumari, girando para mostrar-se deusa Santoshi, e sucessivamente era Yashumin, era Lakshmi, enfim Iemanjá com a sua paz de jardim do éden. Aproximou-se para me levar sonâmbulo à Cachoeira dos Andrades, no Vale do Mucuri. Chegando lá me levou à formosa Pedra do Lambuza e já era mais de meia noite, lua cheia de sexta pela Lagoa do Come Calado, pulsante refulgia e o ser alado levitava ao meu lado. Acomodou-me no seu privado valhacouto, com a profusão de seus insondáveis abismos na dignidade do silêncio e em mim fez um mundo povoado de lembranças secretas. Até mais ver.

 

Cecília Meireles: Adestrei-me com o vento e minha festa é a tempestade... Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Anne Sexton: Cuidado com o intelecto, porque ele sabe tanto que não sabe nada e te deixa de cabeça para baixo, balbuciando conhecimento enquanto seu coração cai da sua boca... Aproxime o ouvido da sua alma e ouça com atenção... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Erika Mann: As ações podem ser julgadas de acordo com o tempo e o lugar, e seus valores podem mudar; mas o estilo e a linguagem (além do conteúdo) são cristalizados no momento em que são criados... Veja mais aqui & aqui.

 

DELA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Já me falaram dela. \ Como ela sempre, sempre. \ Como ela nunca, nunca. \ Eu observei e ouvi, \ mas ainda assim me apaixonei por ela, \ como ela sempre, sempre. \ Como ela nunca, nunca. \ Na pequena noite corajosa, seus lábios, momentos de borboleta. \ Tentei pegá-la e ela riu uma gargalhada tão alta \ que me partiu em duas, \ mas então me contaram sobre ela, \ como ela sempre, sempre. \ Como ela nunca, nunca. \ Nós duas ouvimos o vento. \ Nós duas galopamos a passos largos. \ Nós duas, para cima e para longe, \ para longe, para longe. \ E agora ela se foi, como disse que iria. \ Mas então me falaram sobre ela \ – como ela sempre, sempre iria.

Poema extraído da obra Life Mask (Bloodaxe, 2005), da escritora e dramaturga britânica Jackie Kay (Jacqueline Margaret Kay), autora de obras como Other Lovers (1993), Trumpet (1998) e Red Dust Road (2011). Veja mais aqui.

 

O PRIORADO DA ÁRVORE LARANJA - [...] Podemos ser pequenos e jovens, mas abalaremos o mundo por nossas crenças. [...] Não consigo dormir porque tenho medo não só dos monstros que estão à minha porta, mas também dos monstros que a minha própria mente consegue criar. Aqueles que vivem dentro de mim. [...] Quando a história não consegue esclarecer a verdade, o mito cria a sua própria versão. [...] Algumas verdades são mais seguras quando enterradas. Alguns castelos são melhores quando permanecem no céu. Há esperança em histórias que ainda não foram contadas. [...] Mas quando o coração fica muito cheio, ele transborda. E o meu, inevitavelmente, transborda para uma página. [...]. Trechos extraídos da obra The Priory of the Orange Tree (Bloomsbury Publishing , 2020), da escritora inglesa Samantha Shannon, autora de obras como The Song Rising (2017), The Mime Order (2015) e The Bone Season (2013).

 

EM TEMPOS CATASTRÓFICOS: RESISTINDO À BARBÁRIE QUE SE APROXIMA - [...] Ao escrever este livro, situo-me entre aqueles que querem ser herdeiros de uma história de lutas travadas contra o estado de guerra perpétuo que o capitalismo impõe. É a questão de como herdar essa história hoje que me faz escrever. […] Esse ato primordial que torna o homem genuinamente ele mesmo precede todas as ações individuais; mas imediatamente após ser posto em liberdade exuberante, esse ato afunda na noite da inconsciência. Não se trata de um ato que possa acontecer uma vez e depois cessar; é um ato permanente, um ato sem fim e, consequentemente, nunca mais poderá ser trazido à consciência. Para que o homem conheça esse ato, a própria consciência teria que retornar ao nada, à liberdade ilimitada, e deixaria de ser consciência. Esse ato ocorre uma vez e imediatamente afunda novamente nas profundezas insondáveis; e a natureza adquire permanência precisamente por meio dele. Da mesma forma, essa vontade, posta uma vez no início e então conduzida para o exterior, deve imediatamente afundar na inconsciência. Só assim é possível um começo, um começo que não deixa de ser um começo, um começo verdadeiramente eterno. Pois também aqui é verdade que o começo não pode se conhecer. Esse ato, uma vez feito, é feito por toda a eternidade. A decisão de que de alguma forma deve realmente começar não deve ser trazida de volta à consciência; não deve ser revogada, pois isso equivaleria a ser retomada. Se, ao tomar uma decisão, alguém retém o direito de reexaminar sua escolha, nunca dará um passo adiante. […] É a barbárie que hoje é tristemente previsível. Mas o teste aqui é, mais uma vez, abandonar sem nostalgia nem desencanto o estilo épico e sua grande narrativa de emancipação, na qual o Homem aprende a pensar por si mesmo, sem precisar mais de próteses artificiais. Essa grande narrativa nos envenenou, não porque nos tivesse atraído com a perspectiva ilusória da emancipação humana, mas porque nos deu uma versão degradada dessa emancipação, marcada pelo desprezo por aqueles povos e civilizações que nossas categorias julgaram muito antes de nos comprometermos a trazer-lhes, com seu consentimento ou pela força, nossa iluminação. Não nos reconhecemos em seus rituais, suas crenças, seus fetiches, essas próteses artificiais das quais fomos capazes de nos libertar? […]. Trechos extraídos da obra In Catastrophic Times. Resisting the Coming Barbarism ( Open Humanities Press 2015), da filósofa e historiadora belga Isabelle Stengers. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

A ARTE NAIF DE VAL MARGARIDA

A arte da artista e professora Val Margarida, que participou do Festival Internacional de Guarabira (FIAN); expôs na Feira de Arte de Goiás (Fargo) e foi selecionada para participar do Encontro Nacional de Arte Naif do Centro-Oeste-E BANCO/2019. Veja mais aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.


 

 

quinta-feira, março 19, 2015

CAROL ANN DUFFY, DONNA WOOLFOLK, MARCELO GLEISER, MINNA CANTH & A SOLIDÃO DE JOANA

 


A SOLIDÃO DE JOANA - Aquela angelical moça oriental se chamava Giliberta. Encantado por sua beleza ela me revelou seus segredos: que veio de Constantinopla com o anseio de passar por homem para escapar das interdições impostas: queria estudar. E isso era proibido às mulheres. Durante os estudos me dissera que era filha de ingleses de Mongúcia. Apaixonou-se por um monge que a levou para a Grécia. Vi-a estudar diuturnamente até que deixou-se levar como escravo para Atenas e lá se passou por rapaz inteligente, altivo. Chegou em Roma para aperfeiçoar seus conhecimentos, chamando a atenção por sua radiante inteligência de pessoa estudada. Havia adotado o nome de Johannes Angelicus, ingressando no mosteiro de São Martinho. Tornou-se um monge surpreendendo os doutores com sua sabedoria. Seu brilhantismo deu-lhe ascensão ao secretariado curial. Por seus méritos foi purpurada entre os cardeais. Nas calendas de agosto ela subiu a Santa Sé e reinou por dois anos, cinco meses e quatro dia. Tomou-me por oficial da Guarda Suíça e pude privar dos seus secretos encantos. Mas, foi durante o desfile da procissão de São Pedro para o Lateram, ela estava grávida e, ao cair da montaria, seu cavalo trouxe a revelação. Depois disso sua história foi apagada declarando-se vacância por todo o período. Foi excluída, abominada. Camuflaram sua identidade como se fora um eunuco, tratada por um monstro venerado por ateus e heréticos. Houve quem cultivasse seu busto talhado na Catedral de Siena, com o seu nome trocado por Zacarias. Houve quem erguesse uma estátua segurando uma criança ao colo: Parce Pater Patrum, Papissae Proditum Partum, no mesmo local de sua queda fatídica. Foi defendida no Concílio de Constança. Tornou-se desde então a crença de excomungados e heterodoxos, até a segunda lâmina dos arcanos: a sabedoria, o conhecimento, a intuição e a chave dos grandes mistérios. Veja mais abaixo e mais aqui, aqui e aqui.


 

DITOS & DESDITOSEstranho, o funcionamento do coração. Alguém poderia continuar por anos, habituado à perda, reconciliado com ela, e então, em um momento de pensamento descuidado, a dor ressurgia, aguda e crua como uma ferida fresca... O que é a vida? A alegria dos abençoados, a tristeza dos tristes e uma busca pela morte. E o que é a morte? Um acontecimento inevitável, uma peregrinação incerta, as lágrimas dos vivos, o ladrão do homem... Pensamento da escritora estadunidense Donna Woolfolk Cross, autora do livro Pope Joan (Crown, 2009), no qual ela expressa: [...] Quanto à vontade, a mulher deveria ser considerada superior ao homem, pois Eva comeu da maçã por amor ao conhecimento e ao aprendizado, mas Adão comeu apenas porque ela lhe pediu. [...] Sempre havia um jeito, quando se sabia o que se queria. [...] Mas ela sabia, melhor do que ninguém, quais demônios ele havia enfrentado, ela sabia o quanto ele havia lutado para se libertar deles. O fato de ele ter perdido a luta no final não tornou a luta menos honrosa [...] A alegria dos bem-aventurados, a tristeza dos tristes e a busca pela morte. E o que é a morte? Um acontecimento inevitável, uma peregrinação incerta, as lágrimas dos vivos, o ladrão do homem. O botão de uma rosa cresce na escuridão. [...]. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: As estrelas não estão nos filmando para ninguém... O que você fará agora com o presente da sua vida restante?... Você me tem como um desenho, apagado, colorido, sem título, assinado pela sua língua... Gosto de usar palavras simples, mas de uma forma complicada. Os poetas escrevem sobre sentimentos e tentam encontrar a linguagem e as imagens para sentimentos intensos. Para mim, poesia é a música do ser humano. E também uma máquina do tempo pela qual podemos viajar para quem somos e para quem nos tornaremos. Você pode encontrar poesia na sua vida cotidiana, na sua memória, no que as pessoas dizem no ônibus, nas notícias ou simplesmente no que está no seu coração. Pensamento da poeta, professora e dramaturga britânica Carol Ann Duffy, autora do poema Pope Joan: Depois que eu aprendi transubstanciar \ pão sem fermento\ na hóstia sagrada\ e balançou o incenso em chamas\ até que cobras verde-azuladas de fumaça\ se enrolaram na bainha do meu manto\ e balançou através daquelas multidões fervorosas\ no alto de uma cadeira papal \ abençoando e abençoando o ar\ mais perto do céu\ do que cardeais, arcebispos, bispos, padres\ sendo Vigário de Roma \ tendo feito do Vaticano minha casa\ como o melhor dos homens \ in nomine patris et filii et spiritus sancti amen, \ mas duas vezes mais virtuoso que eles\ Cheguei à conclusão\ de que não acreditava em uma palavra\ então eu digo a vocês agora\ filhas ou noivas do Senhor\ que o mais perto que me senti \ ao poder de Deus\ era a sensação de uma mão\ me levantando, me jogando para baixo\ me levantando, me jogando para baixo\ enquanto meu bebê saía\ de entre minhas pernas\ onde eu estava deitado na estrada\ em meu milagre\ não um homem ou um papa de forma alguma.

 


PESQUISA & CIA – Resultado de estudos realizados na área de Educação, Psicologia e Direito, bem como do curso presencial e online, Faça Seu TCC sem Traumas, o blog Pesquisa & Cia foi criado com o objetivo de divulgar livros, resenhas, artigos, resumos, estudos acadêmicos oriundos de teses de doutorado e dissertações de mestrado, informações e dicas das mais diversas áreas do conhecimento. Confira aqui.


JUNO/HERA - Imagem: Juno, do pintor, arquiteto e escultor espanhol Alonso Cano (1601-1667)- Juno, na mitologia romana, é a rainha dos deuses e esposa de Júpiter. Corresponde na mitologia grega a Hera - rainha dos deuses e esposa e irmã de Zeus-, a deusa do casamento, da maternidade e das mulheres. Juno, representada pelo pavão, possuía muitas rivais por causa das investidas de seu marido com as belas Calisto e Io, ambas vítimas da fúria dela, bem como Hércules, filho do seu marido com Alcmena, razão pela qual ele é submetido aos doze trabalhos. Hera é retratada majestosa e solene, coroada com polos e uma romã na mão – símbolo da fertilidade – e representada pelo pavão. Possuía sete templos na Grécia e também fora agressiva e ciumenta por causa das relações extraconjugais do seu marido Zeus. Veja mais aqui & aqui.

Ouvindo Light my fire (Universal, 2012), da pianista e cantora Eliane Elias. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A DANÇA DO UNIVERSO – O livro A dança do universo: dos mitos de criação ao Big Bang (Companhia das Letras, 1997), do físico, astrônomo e escritor brasileiro Marcelo Gleiser, aborda tema como as origens, mitos de criação, os gregos, o despertar, a igreja e a nova astronomia, o herético religioso, o triunfo da razão, a era clássica, o mundo é uma máquina complicada, tempos modernos, o muito muito veloz e muito pequeno, modelando o universo, inventando universos e o epílogo dançando com o universo. Da obra destaco o seguinte trecho: Dos cantos de rituais ancestrais até as equações matemáticas que descrevem flutuações energéticas primordiais, a humanidade sempre procurou modos de expressar seu fascínio pelo mistério da Criação. De fato, todas as culturas de que temos registro, passadas e presentes, tentaram de alguma forma entender não só nossas origens, mas também a origem do mundo onde vivemos. Dos mitos de criação do mundo de culturas pré-científicas às teorias cosmológicas modernas, a questão de por que existe algo ao invés de nada, ou, em outras palavras, “por que o mundo?”, inspirou e inspira tanto o religioso como o ateu. [...] A Natureza jamais vai deixar de nos surpreender. As teorias de hoje, das quais somos justamente orgulhosos, serão consideradas brincadeira de criança por futuras gerações de cientistas. Nossos modelos de hoje certamente serão pobres aproximações para os modelos do futuro. No entanto, o trabalho dos cientistas do futuro seria impossível sem o nosso, assim como o nosso teria sido impossível sem o trabalho de Kepler, Galileu ou Newton. Teorias científicas jamais serão a verdade final: elas irão sempre evoluir e mudar, tornando-se progressivamente mais corretas e eficientes, sem chegar nunca a um estado final de perfeição. Novos fenômenos estranhos, inesperados e imprevisíveis irão sempre desafiar nossa imaginação. Assim como nossos antepassados, estaremos sempre buscando compreender o novo. E, a cada passo dessa busca sem fim, compreenderemos um pouco mais sobre nós mesmos e sobre o mundo a nossa volta. Em graus diferentes, todos fazemos parte dessa aventura, todos podemos compartilhar o êxtase que surge a cada nova descoberta; se não por intermédio de nossas próprias atividades de pesquisa, ao menos ao estudarmos as ideias daqueles que expandiram e expandem as fronteiras do conhecimento com sua criatividade e coragem intelectual. Nesse sentido, você, eu, Heráclito, Copérnico e Einstein somos todos parceiros da mesma dança, todos dançamos com o Universo. É a persistência do mistério que nos inspira a criar. Veja mais aqui, aquiaqui.

QUE LÍNGUA, A NOSSA! – No livro As melhores crônicas, do escritor e jornalista mineiro Fernando Sabino (1923-2004), encontrei essa maravilhosa crônica Que língua, a nossa! que assim se desenvolve: Já faz algum tempo, dei com um texto de um sociólogo brasileiro muito prestigiado na época, que começava assim: “Os problemas que obstaculam o desenvolvimento do Brasil..”. Consultei o dicionário: o verbo obstacular simplesmente não existia. Em compensação, descobri que existia obstaculizar, no sentido de criar obstáculos, impedir, dificultar. Por que não falar nos problemas que impedem, dificultam o desenvolvimento do Brasil? Mania de complicar as coisas. Resultado: o nosso sociólogo acabou cassado. Estávamos ainda nos primórdios do tecnolês. Hoje em dia a coisa chegou a tal ponto que deixou para trás aquela pessimista observação de George Orwell sobre a linguagem técnica do nosso tempo. O escritor inglês ousou imaginar como seria escrito atualmente um trecho bíblico – e tomou como exemplo esta passagem do Eclesiastes: “ Voltei-me para outra coisa, e que debaixo do sol não é o prêmio para os que melhor correm, nem a guerra para os que são mais fortes, nem o pão para os que são mais sábios, nem as riquezas para os que são mais hábeis, nem o crédito para os melhores artistas – mas que depende do tempo e das circunstâncias” (IX-11). Agora a mesma coisa, na linguagem do nosso tempo: “Uma objetiva consideração dos fenômenos contemporâneos leva-nos à conclusão de que o sucesso ou o fracasso nas atividades competitivas não encerra a possibilidade de ser comensurável pela capacidade inata, senão que um considerável elemento do imprevisível deve invariavelmente ser levado em conta”. Pois muito bem: de lá para cá as coisas pioraram muito. George Orwell, se ainda fosse vivo, poderia imaginar hoje a mesma ideia expressa mais ou menos assim: “Ao equacionarmos o posicionamento das formulações de sua unidade comunitária, inseridas no contexto de suas propostas de relacionamento social, somos levados, pela conotação irreversível de sua sistemática, a concluir que a operacionalização das atividades individuais, uma vez deflagrada, gera um remanejamento pouco gratificante de suas virtualidades intrínsecas, pois a adequação de suas fantasias à realidade circunstante não corresponde à experiência inicialmente enfatizada, senão na medida de sua reciclagem em face de fatores não-comensuráveis”. Só mesmo repetindo aquela exclamação de Jânio Quadros, depois de uma frase em que me dizia “a inteligência, Deus no-la deu...” – subitamente interrompida, jamais terminada: No-la deu. Que língua, a nossa! Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

A MULHER E O SEU ENGAJAMENTO – A escritora, dramaturga, jornalista, ativista e feminista finlandesa Minna Canth (1844-1897), é autora de grande influencia social com seus questionamentos destemidos, tornando-se embaixadora da igualdade e precursora da educação finlandesa, promovendo o estatuto das mulheres por meio do acesso à educação. Contribuiu diretamente para desenvolvimento no século XX do cinema finlandês que fez uso de suas obras, tais como Sylvi e Työmiehen vaimo (A mulher do trabalhador, 1885), ambas adaptadas por seu posicionamento naturalista acerca dos direitos da mulher, dos trabalhadores e dos pobres. Além dessas obras ela escreveu os dramas Anna Liisa e Papin perhe (A família do pastor), além dos romances Hanna e Köyhää kansaa (Gente pobre). Por suas obras ela é considerada a primeira escritora moderna de seu país, pioneira da literatura realista. Veja mais aqui

AS IDADES DE LULU – O filme As idades de Lulu (Las edades de Lulú, 1990), do cineasta espanhol Bigas Luna (1946-2013), com roteiro do diretor e de Almudena Grandes e musica de Carlos Segarra, conta a história de uma garota de quinze anos que sucumbe às atrações de um amigo da família e, após essa experiência maravilhosa começa a ruir num inferno quando ela completa trinta anos com seus desejos proibidos. A película é recheada de grandes atores e atrizes, destaque para a atriz italiana Francesca Neri que arrasa na telona. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.
 


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Lev Vygotsky, Gabriel García Marquez, Flora Purim, Elizabeth Barrett Browning, Cyrano de Bergerac, Andrzej Wajda, Michelangelo & Anna Mucha aqui.
É pra ela – Crônica de amor por ela, Carlos Gomes & Silviane Bellato, Neila Tavares, Heloneida Studart, Giuseppe Tornatore, Piet Mondrian, Edwin Landseer, Maria Esther Maciel, Monica Bellucci & A lenda Mundurucu Quando mandavam as mulheres aqui.
Crônica de amor por ela, Sylvia Plath, Safo, Helena Blavatsky, Maria Bonita, Eurípedes, Carole Bayer Sager, Andrômaca & As troianas, Antonio Maria Esquivel, Mulheres no Mundo & O espelho em que os rostos se dividem aqui.
Crônica de amor por ela – poemas & canções, Juana de Ibarbourou, Camille Claudel, A Literatura Ocidental de Otto Maria Carpeaux, Ornette Coleman, Juliette Binoche, Johann Kaspar Füssli & Iacyr Anderson Freitas aqui.
Mil sonhos na cabeça e o amanhã nas mãos, João Cabral de Melo Neto, Omar Ortiz, Sean Seal& Gary Jackson aqui.
A vida em risco e o veneno à mesa, Amartya Kumar Sem, Roberto Fernandez Balbuena & Kadee Glass aqui.
Aos quatro cantos e ventos minha vida, Jacob Boehme, Esther Scliar, Tamara de Lempicka, Jo Ansell, Jonathan Charles & Dene Ramos aqui.
Solilóquio na viagem noturna do sol, Educação no Brasil, Maria Esther Pallares, Paula Águas, Sêneca, Terry Miura & Amenaide Lima aqui.
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