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quarta-feira, fevereiro 19, 2020

UMBERTO ECO, LISA CARDUCCI, PEREIRA DA COSTA & LUANNA GONDIM


LEVAR TUDO NOS PEITOS: JUÍZO QUE É BOM, JÁ ERA – UMA: DAS IDEIAS, SACADAS & ERRADAS - Sempre tenho muitas ideias e desconfio da validade de todas elas. São estalos assim do nada, só com o tempo é que posso avaliar. Quando intuição, maior valia; se contaminada pelo intelecto, efêmera. Levo em conta que não tenho lá sanidade mental que se diga confiável, enlouqueço quase sempre. É aí que, na cagada, acerto. Assim no bambo. O que me espanta é quando ouço alguém consternado reclamando por falta de reconhecimento ou de sorte. Ora, se eu levasse em consideração a indiferença e meu apequenado talento, já teria desistido há muito tempo. Isso porque acho que estou me lapidando, aprendendo, dando minhas tacadas, acertando vez em quando e olhe lá. Vou sempre naquela do Copérnico: Não estou tão apaixonado por minhas próprias opiniões para ignorar o que os outros podem pensar sobre elas. E olhe que aos 68 anos de idade, ele mesmo achava que ainda não estava pronto. Imagine eu ainda longe disso! E quando publicou sua De Revolutionibus Orbium Coelestium, ela foi rechaçada por todo lado, causando alvoroço: foi recebida com ceticismo pelos colegas, foi condenada pelos protestantes e banida por três séculos pelos católicos. Ninguém é perfeito, quanto mais eu. DUAS: DA CARA LISA, É ISSO AÍ – Outra que me dá uma corda boa daquela de roscofe com cara de paisagem é aquela do Breton: Não é o medo da loucura que nos forçará a largar a bandeira da imaginação. Afinal, tenho intimidade com as doidices, fato que me faz acertar o alvo quando menos espero. Taí. E ele me dá mais fundamento, avalie: Passarei a minha vida a provocar as confidências dos loucos. São pessoas de uma honestidade escrupulosa e cuja inocência só encontra um igual em mim. Salve, Breton, fui salvo pelo gongo, ora se. TRÊS: É ISSO AÍ & VAMOS NESSA – Gratificante mesmo é aquela do Umberto Eco: Apenas os pequenos homens parecem normais. Eita! Ora, não sou lá um pigmeu, mas tenho vontades maiores que o meu próprio tamanho. Pelo menos. Por isso, estou livre disso, já que nunca fui lá bom da bola – juízo frouxo mesmo, ou como diziam meus parentes: sempre tive um parafuso a menos no quengo -, ou achegado a ser todo arrumadinho nos trinques, nem empatotado na defesa de sectários. Nada demais dar uma de xexéu com mais uma sacada do Eco: Fundamentalistas dão um toque de arrogante intolerância e rígida indiferença para com aqueles que não compartilham suas visões de mundo. Eu, hem? Nunca tive vocação para ser oracular dono da verdade, sempre aprendendo, ralando mesmo. Como dizia minha tia Conça: Aprenda, viu, seu coisinha! E vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel. No momento que a internet permite que todos falem, permite que um grande número de imbecis falem. Eu comecei a acreditar que o mundo inteiro é um enigma, um enigma inofensivo que se torna terrível pela nossa própria tentativa furiosa em interpretá-lo como se ele tivesse uma verdade secreta. Nem todas as verdades são para todos os ouvidos. Nem todas as mentiras podem ser suportadas. Certas coisas se sentem com o coração. Deixa falar o teu coração, interroga os rostos, não escutes somente as línguas... Talvez a missão daqueles que amam a Humanidade seja fazer com que as pessoas se riam da verdade, porque a única verdade consiste em aprender a libertar-nos da paixão insana pela verdade. A arte só oferece alternativas a quem não está prisioneiro dos meios de comunicação de massa. Pensamento do escritor, filósofo e bibliófilo italiano Umberto Eco (1932-2016). Veja mais aqui.

QUATRO POEMAS – I - durante o teu sonho / eu brinco com as nuvens / e tu não sabes de nada. II - minhas mãos te olham / estranha fotografia / onde meus olhos te tocam. III - tu conheces pelo coração / a gramática do meu corpo / e seu dicionário. IV - tuas mãos na minha pele / entre os raios de luar / fazem cinema. Poemas da escritora canadense Lisa Carducci.

AVÔ TORTO, AVÓ-TORTA
Bastante fundamento tinha minha avó-torta, para dizer-me depois de uma grande maçada: meu netinho não há mal que sempre dure, nem bem que nunca finde.
AVÔ OU AVÓ-TORTA – O marido ou esposa de um dos avós legítimos, que enviuvando passam a segundas núpcias, como avô-torto, ou avó-torta. Extraído da obra Vocabulário pernambucano (Coleção Pernambucana/SEC-PE, Volume II, 1976), do historiador, jornalista e advogado Francisco Augusto Pereira da Costa (1851-1923). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Comecei a dançar no Recife, aos 7 anos. Inicialmente, entrei numa escola e passei para uma academia quando a coisa estava mais séria. Mas desde o princípio eu já sabia o que eu queria ser.
LUANNA GONDIM - A arte da bailarina clássica Luanna Gondim, que atua no Tetro de Ópera e Ballet de Perm, da Rússia. Veja mais aquiaqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A música de Quinteto Violado aqui, aqui, aqui & aqui.
A poesia de Jaci Bezerra aqui & aqui.
A literatura de Pelópidas Soares (1922-2007) aqui & aqui.
Tempo de Pernambuco – ensaios críticos, do advogado, crítico literário, tradutor e escritor Oscar Mendes (1902-1983) aqui.
A arte de Mozart Guerra aqui.
O cinema de Simião Martiniano aqui.
A arte de Irene Duarte aqui.
As aventuras de Xemenexem aqui & aqui.
O município de Toritama aqui & aqui.
&
O Museu de Una aqui.
&
OFICINAS ABI
Oficina de Cineclube – 22/02
Oficina de Neuroeducação & Livroterapia – 07/03
Oficina de Pesquisa & Metodologia Científica – 14/03
Oficina de Iniciação Teatral – 21/03
Oficina de Práticas Pedagógicas em EJA – 04/04
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


terça-feira, outubro 03, 2017

JORGE DE LIMA, KANT, BRETON & SURREALISMO, THOMAS RUFF, SEXUALIDADE, RELAÇÕES & EQUÍVOCOS

PRAZER DE VIVER, NADA MAIS – Imagem: arte do fotógrafo alemão Thomas Ruff. - Há tanto andei na vida, interrogações ambulantes, certeza alguma. Melhor assim, outras aprendizagens: o fim da curva é o começo da estrada, pra quem olha qualquer direção. Chegar era partir pra outra sem desfazer as malas do ânimo, assim será: o recomeço pra quem mudou entre certo e errado, e seguir sem saber de cima ou se lá embaixo, um e outro a mesma coisa, noitedia pra lá, talvez acolá, o bom dali, o que ficou aqui, coisas e seres, tão diferentes à primeira vista. Uma mão na outra aquecia o frio da solidão, aprendia sem que nada fosse ensinado. Apreendia, da direta pra esquerda e vice-versa, é como quem vai até não medir o que terá de volta, nem mesmo o retorno será senão nova caminhada. As mãos se complementam na necessidade e fazer, outras mais e melhor que nenhuma: o calor alheio, o prazer, corações pulsantes se completam, e dançam, música no ar. O que não foi feito, não havia de ser ou se perdeu, poderia ter sido, tanto faz. Qual limite, o cansaço. Corri tanto, não vi quase nada e sobrepujei a mim mesmo, não deu em nada, sequer previ riscos, tudo me era oportuno e esclarecedor desde que me perdesse na madrugada e não soubesse como amanhecer. Devagar, o mesmo trajeto na paciência, outros sabores, quantos matizes, hálito, saliva. Tão longe e o começo era meu renascimento. Por mais distante, quão perto estava. Não reconheci pecados e me valia em experienciar ritos de passagem da alvorada ao crepúsculo, bodas de mim mesmo, duas vezes o mesmo rio, todas as correntes, águas diversas, tantas itinerâncias, quantas entregas. Por que jogar pedras aos porcos? Oportunidade de distinguir gente ou. Restava sorrir, choros de compreensão: o prazer de saber nada, viver tudo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música da cantora e compositora Adriana Calcanhoto com seus álbus Senhas & Público + Saiba & Por que você faz cinema?; do guitarrista inglês de rock progressivo Steve Howe com os seus álbuns Beginnings & Álbum + o show Acustic & interpretando as Bachianas Brasileiras nº 5 de Heitor Villa-Lobos; o regente e violinista finlandês Jukka-Pekka Saraste interpretando Daphnis et Chloe de Ravel & Sinfonieta de Leos Jakacek; e a cantora e compositora Rosana Sabença cantando Manhã de mim, Os mares, Solto o verbo, Magia de ser & Bom. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIANo mundo e mesmo fora dele, nada se pode conceber que possa ser considerado bom sem qualificação, exceto a boa-vontade. Pensamento extraído da obra Fundamentação da metafísica dos costumes (Discurso, 2009), do filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804). Veja mais aqui.

RELAÇÕES & SEXUALIDADE – [...] Se a individualidade é indissociável da vida social, sendo, portanto, simultaneamente, uma questão objetiva e subjetiva; social e individual, a sexualidade humana enquanto dimensão da individualidade, também, não pode ser pensada isolada e independente das relações sociais. Assim, todo processo de convivência afetivo-sexual é resultado tanto das condições históricas específicas de cada sociedade, como, também, da ação de homens e mulheres que, sob essas condições, vivenciam sua sexualidade, instituindo modos variados de controle e critérios de certo e errado na orientação das escolhas individuais e nas decisões afetivo-sexuais. Com isso, podemos afirmar que a realidade das relações afetivo-sexuais é construída historicamente, não se constituindo numa mera derivação biológica ou num processo natural em que homens se relacionam com mulheres. [...]. Trecho extraído da tese de doutoramento O pensamento da esquerda e a política de identidade: as particularidades da luta pela liberdade de orientação sexual (UFPE, 2005), de Silvana Mara de Morais dos Santos. Veja mais aqui e aqui.

MANIFESTO SURREALISTATamanha é a crença na vida, no que a vida tem de mais precário, bem entendido, a vida real, que afinal esta crença se perde. O homem, esse sonhador definitivo, cada dia mais desgostoso com seu destino, a custo repara nos objetos de seu uso habitual, e que lhe vieram por sua displicência, ou quase sempre por seu esforço, pois ele aceitou trabalhar, ou pelo menos, não lhe repugnou tomar sua decisão ( o que ele chama decisão! ). Bem modesto é agora o seu quinhão: sabe as mulheres que possuiu, as ridículas aventuras em que se meteu; sua riqueza ou sua pobreza para ele não valem nada, quanto a isso, continua recém-nascido, e quanto à aprovação de sua consciência moral, admito que lhe é indiferente. Se conservar alguma lucidez, não poderá senão recordar-se de sua infância, que lhe parecerá repleta de encantos, por mais massacrada que tenha sido com o desvelo dos ensinantes. Aí, a ausência de qualquer rigorismo conhecido lhe dá a perspectiva de levar diversas vidas ao mesmo tempo; ele se agarra a essa ilusão; só quer conhecera facilidade momentânea, extrema, de todas as coisas. Todas as manhãs, crianças saem de casa sem inquietação. Está tudo perto, as piores condições materiais são excelentes. Os bosques são claros ou escuros, nunca se vai dormir. Mas é verdade que não se pode ir tão longe, não é uma questão de distância apenas. Acumulam-se as ameaças, desiste-se, abandona-se uma parte da posição a conquistar. Esta imaginação que não admitia limites, agora só se lhe permite atuar segundo as leis de uma utilidade arbitrária; ela é incapaz de assumir por muito tempo esse papel inferior, e quando chega ao vigésimo ano prefere, em geral, abandonar o homem ao seu destino sem luz. [...] Nós, porém, que não nos dedicamos a nenhum trabalho de filtração, que nos fizemos em nossas obras os surdos receptáculos de tantos ecos, modestos aparelhos registradores que não se hipnotizam com o desenho traçado, talvez sirvamos uma causa mais nobre. Assim devolvemos com probidade o “talento” que nos atribuem. Falem-me do talento deste metro de platina, deste espelho, desta porta, e do céu, se quiserem. [...] Neste verão as rosas são azuis, a madeira é de vidro. A terra envolta em seu verdor me faz tão pouco afeito quanto um fantasma. VIVER E DEIXAR DE VIVER É QUE SÃO SOLUÇÕES IMAGINÁRIAS. A EXISTÊNCIA ESTÁ EM OUTRO LUGAR. Trechos extraído Manifestos do Surrealismo (Brasiliense, 1985), do escritor francês André Breton (1886-1966), Veja mais aqui.

MANUAL DE AMORES & EQUÍVOCOS – [...] Três as palavras, as palavras da adoração jorraram da tua boca. E, sem medir o depois, com esse som nos nervos, com o convencimento de que todo o tempo eu guardara as palavras só para ti, antes de transpor definitivamente o umbral da porta, eu as repeti. Repeti as três palavras. As três palavras, que, como o nome de Deus, ninguém deve pronunciar [...]. Trechos da obra Duas iguais: manual de amores e equívocos assemelhados (L&PM, 1998), da escritora e jornalista Cintia Moscovich.

NÃO PROCUREIS QUALQUER NEXO NAQUILO
Não procureis qualquer nexo naquilo
que os poetas pronunciam acordados,
pois eles vivem no âmbito intranqüilo
em que se agitam seres ignorados.
No meio de desertos habitados
só eles é que entendem o sigilo
dos que no mundo vivem sem asilo
parecendo com eles renegados.
Eles possuem, porém, milhões de antenas
distribuídas por todos os seus poros
aonde aportam do mundo suas penas.
São os que gritam quando tudo cala,
são os que vibram de si estranhos coros
para a fala de Deus que é sua fala.
Poema extraído do Livro de Sonetos (Livros de Portugal, 1949) do médico, escritor, tradutor e pintor Jorge de Lima (1893-1953). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

Veja mais:
A música de Adriana Calcanhoto aqui e aqui.
A arte musical de Steve Howe aqui.
O talento musical de Rosana Sabença aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo alemão Thomas Ruff
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quarta-feira, fevereiro 18, 2015

ÁGOTA KRISTOF, EWA LIPSKA, HÉLÈNE METZGER & DYLAN THOMAS


 

A SOLIDÃO DE DYLAN... - Ainda criança ouvia do seu pai, que era professor de escola primária, o costume de Shakespeare. Essa audição o fez, ainda menino a escrever mais de duzentos poemas. Logo dirigiu o jornal da escola e, na adolescência, largou tudo para ser repórter júnior no Dailly Post. Abandonou o trabalho para se concentrar na poesia em tempo integral. Mal completara 20 anos e seguiu para Londres, ganhador do prêmio Poet’s Corner, publicando seus 18 poems – um volume composto de cadernos de poesia escritos na adolescência. Começou a abusar do álcool, sem se preocupar com questões intelectuais ou sociais, mergulhado nas influências célticas, românticas e surreais. Quis servir à guerra, mas não foi convocado pelo comitê de recrutamento por conta de seus problemas de saúde. Esta uma grande decepção e somava-se às características da morbidez, pois já acreditava que não viveria muito. Era um mar voraz, indomável como as ondas de seu país. Não reconhecia nenhum limite em sua autodestruição e indisfarçável egoísmo. Aliciado por seus próprios excessos, o divertimento com sua obsessão, produzia e desperdiçava tempo, refugiando-se nos pubs. Tornou-se roteirista de cinema, fez documentários, uma celebridade: sua voz seduzia milhares de ouvintes, atraia novos admiradores; sua irreverência impressionava o mundo atônito. Um profundo solitário apaixonado pela sonoridade das palavras e estilo incrivelmente pessoal. Não tinha um tostão no bolso levado por suas fundas raízes telúricas, uma nostalgia pelo passado. Comportava-se como um perdulário, muito embora demonstrasse para todos não possuir nenhuma forma de usura ou de apego a bens materiais: um poeta puro, absoluto! Foi pros Estados Unidos com sua romântica teatralidade e porres homéricos, tornando-se figura lendária: um ídolo pros Beat. Arrebatou plateias com sua grave voz ao ler seus versos, influenciando um jovem compositor: Robert Allen Zimmerman – que tomaria seu nome para si. O inconformista que não deu certo com secretos desígnios na escolha nada fortuita e tão imoderado na música das ideias: A morte e a vida deixam de ser antíteses... Era visível seu declínio, os atritos com a esposa mais se agravavam, deteriorando-se rapidamente. Implorava por meio cartas desesperadas e pungentes uma reconciliação. E violentava-se a si mesmo e às palavras: sofria paroxismos de culpa. Deixou cadernos de poemas para trás e ingeriu quarenta canecas de cerveja: Este adorável planeta vai arder sob os efeitos da hecatombe nuclear... O poeta que simbolizava a vanguarda passou a ser visto como um personagem fora de moda e, com o declínio de sua reputação, não ficou impune às sequelas das bravatas alcoólicas ou ao insulto cerebral, nem a devastação perseguidora de uma legião de ninfomaníacas e, com os versos da longa e magnífica Elegia inacabada, sucumbiu de vez como um enfant terrible no Chelsea Hotel, subjugado pelo cansaço em Laugharme, de onde sua alma talvez jamais tenha saído. Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - A vida sempre lhe oferece uma segunda chance. Isso se chama amanhã... Um bom poema é uma contribuição à realidade. O mundo nunca mais é o mesmo depois que um bom poema é adicionado a ele. Um bom poema de ajuda a mudar a forma do universo, ajuda a ampliar o conhecimento de todos sobre si mesmos e sobre o mundo ao redor... Gosto de pensar na poesia como declarações feitas a caminho do túmulo... Eu carrego uma fera, um anjo e um louco dentro de mim. Aquele que busca descanso encontra tédio. Aquele que busca trabalho encontra descanso. Alguém está me entediando. Acho que sou eu. O amor é a última luz falada. Embora enlouqueçam, eles permanecerão sãos; embora afundem no mar, eles se levantarão novamente; embora os amantes se percam, o amor não se perderá; e a morte não terá domínio. Pensamento do poeta gales Dylan Thomas (1914-1953), que ao nascer recebeu o seu nome extraído do Mabinogton, uma coletânea de manuscritos em prosa escritos em galês medieval, baseados em eventos históricos, no qual cada um dos quatro contos termina com um colofão que diz: “Assim termina este ramo do mabinogi" e que consta: “Nomearei este criança, e o nome que lhe darei será Dylan”. Assim, conforme Ivan Junqueira, no texto de Dylan Thomas, um perfil, da obra Dylan Thomas: poemas reunidos (1934-1953) (José Olympio, 1991), assinala: Assim foi chamado o menino de cabelos de ouro, e dirigiu-se diretamente para o mar. E, quando alcançou a praia, tornou-se de imediato parte do mar, compartilhou de sua natureza e nadou tão longe quanto a salamandra aquática. E, por essa razão foi por ele chamado Dylan Eil Ton, filho marinho das ondas. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: O pensamento expansivo é aquele que corre ruidosamente e simultaneamente em todas as direções onde pode abrir caminho, que irá constantemente e irregularmente adiante sem parar um momento para contemplar com um olhar o terreno percorrido, e sem tentar construir um monumento doutrinário... Pensamento da filósofa francesa Hélène Metzger (1889–1944), que no seu estudo La méthode philosophique en histoire des sciences: Textes 1914–1939 (Fayard, 1987), expressou que: [...] penetrar com maior certeza e simpatia mais ativa o pensamento criativo do passado no qual ele infunde nova vida, que ele revive por um momento. Além disso, há um fator pessoal, subjetivo … que é impossível eliminar completamente; é melhor admiti-lo honestamente do que negá-lo a priori . Os historiadores, como todos os filósofos, como todos os cientistas e como todos os humanos, têm tendências inatas, modos de pensar individuais, mas imperceptíveis, que ainda não são opiniões ou mesmo sistemas de pensamento, mas que podem engendram tais opiniões e sistemas. [...]. Ela também é autora dos estudos La genèse de la science des cristaux (1918), Les doctrines chimiques en France du début du XVIIe à la fin du XVIIIe siècle (1923), Les Concepts scientifiques (1926), Newton, Stahl, Boerhaave et la doctrine chimique (1930), La chimie (1930), La Philosophie de la matière chez Lavoisier (1935), Attraction universelle et religion naturelle chez quelques commentateurs anglais de Newton (1938), La Science, l'appel de la religion et la volonté humaine (1954), La Méthode philosophique en histoire des sciences(1987), entre outros.

 

ONTEM – [...] Eu tinha apenas um desejo: ir embora, andar, morrer, tanto faz. Eu queria fugir, nunca mais voltar, desaparecer, derreter na floresta, nas nuvens, não ter mais memórias, esquecer, esquecer. [...]. Trecho extraído da obra Yesterday (Random House, 1997), da escritora húngara Ágota Kristof, que no seu livro Le grand cahier (Points, 1995) expressou que: [...] Para decidir se é “Bom” ou “Não Bom”, temos uma regra muito simples: a composição deve ser verdadeira. Devemos descrever o que é, o que vemos, o que ouvimos, o que fazemos. [...] Já no livro La prevue (Points, 1995), expressou que: [...] A dor diminui, as memórias desaparecem. O insone olha para Lucas: — Para diminuir, para esmaecer, eu disse, sim, mas para não desaparecer. [...]. Por fim, no seu livro Claus y Lucas (Booket, 2014), expressou que: [...] Tenho convicção que todo ser humano nasce para escrever um livro, só para isso. Um grande livro ou um livro medíocre, não importa, mas quem não escreve nada é um ser arruinado, que passou pela terra sem deixar vestígios. [...]. Veja mais aqui.

 

DOIS POEMASABISMO - Às vezes você vê gesso \ caindo das cabeças. \ A fachada da razão se desfazendo. \ História novamente. \ Por que voltar a isso, \ já que tudo está à nossa frente de qualquer maneira. \ Está feito. Não pode ser desfeito. \ Sento-me sob qualquer céu antigo \ e ouço o que a mediocridade tem a dizer. \ Nos livros de orações, \ um marcador anunciando \ aves anti-rugas. \ De todas as nações vocês sabem que \ Assassinos podem ser eliminados. ESTUDE A MORTE - Estude a morte. Aprenda de cor. \ Seguindo as regras de ortografia \ de palavras mortas. \ Soletre-os juntos \ como comunidade ou linho. \ Não divida \ entre os mortos. \ Você é o escolhido dos deuses. \ Estude a morte cedo. \ O amor ao país \ também pode ser mortal. \ Estude a morte \ no amor. \ Estude a morte não apenas \ para matar o tempo. \ O tempo pode ser suicida \ e ficar pendurado em uma árvore por horas. \ Teste você mesmo. \ Um verdadeiro teste ao vivo. Poema da poeta polonesa Ewa Lipska. Veja mais aqui.

 

SACADOUTRAS

 

NADJA – O escritor francês André Breton (1886-1966) que em 1924 lançou o Manifesto do Surrealismo pregando a liberdade total da imaginação como base para a liberdade total do ser humano. Líder do movimento surrealista, ele pretendeu que se gire em torno de três ideias básicas: o amor, a liberdade e a poesia. É no livro Nadja (1928) que ele apresenta mencionado que: Se, ao longo deste livro, o simples ato de escrever, para não mencionar o de publicar qualquer espécie de livro,já era classificado na categoria das vaidades, que seria de pensar da complacência do autor em querer, tantos anos depois, melhorar pelo menos um pouco a sua forma! Contudo convém distinguir, para o bem ou para o mal neste caso, entre o que se refere ao registro afetivo e se prende exclusivamente a ele - o que é, sem dúvida, o essencial -, e o que representa, no dia-a-dia, tão impessoal quanto possível, a inter-relação dos mínimos acontecimentos numa forma determinada (Feuille de charmille, de Lequier, sempre voltamos a ti!). Se é inevitável que a tentativa de retocar à distância a expressão de um estado emocional sem que se possa revivê-lo no presente, resulte em dissonância e frustração (Já o vimos bastante em Valéry, quando um insaciável anseio de rigor o levou a rever seus "versos antigos"), talvez não seja interdito querer obter um pouco mais de adequação de termos e também de fluidez. [...] Subjetividade e objetividade travam, ao longo de uma vida humana, uma série de combates, nos quais a primeira costuma sair-se inteiramente mal. Ao cabo de trinta e cinco anos (a fuligem não é brincadeira), os leves cuidados com que resolvo cercar a segunda testemunham apenas certa preocupação quanto à melhor forma de expressar, que só a esta dizem respeito, de vez que o maior valor da outra - que continua a me importar muito mais - reside precisamente na carta de amor crivada de erros e nos "livros eróticos sem ortografia".Veja mais aqui.

Imagem: Danae with Shower of Gold, do pintor sueco Adolf Ulrik Wertmüller (1751-1811)

Ouvindo Yanomami, op 47 (1980), do compositor erudito Marlos Nobre com o Coro Cervantes de Londres, condução de Carlos Fernandes Aransay, violão Fabio Zanon e o tenor Julian Stocker. Veja mais aqui.

DA ODISSEIA E DA ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO – O escritor grego Nikos Kazantzákis (1883-1957) é autor de umas das mais obras que se encontram no panteão da literatura universal. Tive a oportunidade de ler seus livros Zorba, o grego, Cristo recrucificado e A última tentação de Cristo, este último que virou filme homônimo dirigido pelo cineasta Martin Scorcese, em 1988. Numa antologia da poesia moderna da Grécia, o escritor José Paulo Paes alguns fragmentos do poema Da Odisseia, dos quais destaco o IX: “Minha mente, eu a deixo livre para anelar em segredo, desejar o que não tem mais, querer aquilo que perdeu; digo-te que seguro as rédeas, firme, com as duas mãos, mas meu cavalo solto sem temor nas pastagens do sonho. Eu te agradeço, Deus[...] o insaciável coração que me deste: ele festeja tudo sobre a terra e não se apega a nada”. Veja mais aqui, aquiaqui.

DO APRENDIZADO DO AR – O poeta, critico literário e letrista carioca Tanussi Cardoso já foi destacado Poeta do Mês no meu Guia de Poesia, ocasião que me concedeu uma entrevista quando do lançamento da antologia Rios. Entre os seus muitos poemas, destaco Do aprendizado do ar: imaginemos o ar solto na atmosfera / o ar inexistente à luz dos olhos / imaginemos o ar sem senti-lo / sem o sufocante cheiro de abelhas e zinabre / o ar sem cortes e fronteiras / o ar sem o céu / o ar de esquecimentos / imaginemos fotografá-lo / fantasma sem textura / moldura inerte / quadro de sugestões e aparências / imaginemos o ar / paisagem branca sem o poema / vácuo impregnado de Deus / o ar que só os cegos vêem / o ar silêncio de Bach / imaginemos o amor / assim como o ar. Veja mais dele aqui.

JAZZ – O livro Jazz (Companhia das Letras, 2009), da escritora estadunidense e ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 1993, Toni Morrison narra uma história instigante. Para se ter ideia, ela começa o livro assim: Xi, eu conheço essa mulher. Ela morava com um bando de pássaros na avenida Lenox. Conheço o marido dela também. Ele ficou caído por uma garota de dezoito anos, um daqueles amores de espantar, lá do fundo, que fez ele ficar tão triste e feliz que matou a moça para o sentimento continuar. Quando a mulher, o nome dela é Violet, foi ao velório para ver a moça e cortar a cara dela, foi jogada no chão e para fora da igreja. Ela correu, então, no meio de toda aquela neve, e quando voltou para o apartamento tirou todos os passarinhos de dentro das gaiolas e botou na janela para eles congelarem ou voarem para longe, inclusive o papagaio que dizia “eu te amo”. Vale a pena ler. Confira mais aqui, aquiaqui.


SOMBRAS DE GOYA – Dos maravilhosos filmes que assisti do premiadíssimo cineasta tcheco Milos Forman, entre eles Um estranho no Ninho (1975), Hair (1979), Amadeus (1984), entre outros tantos, um deles me chamou mais ainda a atenção: Goya´s Ghost (Sombras de Goya, 2006), no qual destaco a atuação da belíssima atriz Natalie Portman, já destacada aqui pela sua sempre marcante atuação em diversos filmes. Veja detalhes desse filme aqui.
 


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A lição de cada amanhecer, A lenda da origem do Solimões, Anne Schneider, Alice Soares, Lorenzo Quinn, O Lobisomem Zonzo & Edla Fonseca aqui.
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