segunda-feira, agosto 17, 2009

ANDRÉ BRETON, ADRIAN MITCHELL, INVENÇÃO DO NORDESTE, DEBENEDETTI, MAX DUPAIN, COAGRO & LITERÓTICA

 
A arte do do fotógrafo australiano Max Dupain (1911-1992).

LITERÓTICA: A VARANDA – A lua reinava com a chegada da noite naquelas paragens. Era cheia na penumbra e transversal dos beijos estalados com sabor de cerveja e mar. No escurinho, frente a frente, mergulhamos no confronto dos corpos e ela beijoqueira começou a uivar com seus olhos de faroleiro errante. Primeiro naufraguei no seu decote e embarquei lépido rumo à plataforma do amor e nele fiz morada para sempre sem abrir mão de cavoucar todos os acidentes geográficos de sua assimetria provocadora. E fui, com uma mão entre a pele da cintura e o elástico do biquíni rompendo os vales do ventre umedecido. A outra alisando impune o dorso da coxa divisando a mina púbica de todos os desejos florescidos. Essa a nossa balada, o momento perfeito. Foi quando ela transida pela loucura da sedução infringiu todos os limites. Investigou, virando a cabeça, inspecionando lado a lado, conferindo os mínimos detalhes do ambiente para ver a existência de alguma presença afora a nossa, algum testemunho ou atrapalho flagrante. Enquanto fazia sua minuciosa conferência por toda dimensão territorial, eu me rendia ao toque de suas mãos inquietas e usurpadoras. Era porque enquanto ela inspecionava tudo, as suas mãos percorriam minha carne agitando minhas veias., vasculhando meu ventre e, depois da conferência geral, foi se ajeitando comodamente até que ajoelhou-se no piso forrado da paixão como uma Juliete Binoche arrepiada com a intimidade desnuda embaixo da saia levantada que dava comodamente com a vagina nua assentada e esfregada no meu pé como se fosse a sela do corcel onde ela rebolava e se arrastava à medida que se preparava para uma prece em frente da minha vela viva e empunhada pelo seu bulício. Parecia que estava insatisfeita de tudo e como quem quer mais do que possui, aos murmúrios lancinantes do cio, ela arremessou a vida no alvo do meu sexo premiado e dele fez o pavio de sua busca para alimentar o hábito de querer no hálito de sua alma requerente com o trabalho de quem faz por amor na labuta dos amantes, fazendo-o da pira iluminada com a sua língua acendedora de lampião no breu. Acolhedora atirou-se incansável e frenética e foi recolhendo todo meu edifício vistoso, andar por andar, lentamente, centímetro por milímetro, delicada e vorazmente implorando por misericórdia porque queria mais e muito mais do que havia até então se apropriado. Ela rangia os dentes, boca cheia dágua da baba escorrer pelo canto. E mais agitada ia acomodando o meu rijo tridente pelos vãos dos seus lábios que apontam os jardins do Éden. E ruminava contornando toda cúpula, torre e superfície acesa descortinando a lâmina afiada da minha espada porque sua boca movediça tratava de dar cabo de toda dimensão da minha estatura agora untada por sua saliva e batom vermelho que é a rosa em flor de lótus com mil pétalas estelares para toda a cobiça e se apossava com todo gosto e me destrinchava reavendo o que perdi na existência e não me restava mais nada do que aquilo tudo da dádiva dela. Foi aí que seguiu desmedida e sussurrava amolegando o meu guidon energizado, completamente abocanhado por sua faminta determinação. E gemia com a lareira do seu ventre grudado na minha pele. E prostrada sobre o meu ventre ela encarava a minha serpente de gumes afiados e que descobre todos os seus mistérios e que a faz mais que o esplendor do veludo sobre o meu mel. E lambia os lábios abastados como quem se prepara para o banquete de gratidão, como quem se arma para o bote benfazejo ao paladar e se arregalava quando suas mãos arregaçavam com mil beijos de sua gula profana que invadia e lambuzava, segurava e sobejava o meu sobejo e vicejava afogada na mira, retendo para si entre os dedos esgoelada e sugava e eu crescia. E afagava com o rosto, e tomava insaciável o falo como quem mede o palmo na palma da mão, ah, fodoral. Aí ela fechava o cerco e nada perco porque o meu cajado luzidio é o pico salivado pela sua sede e fome como quem escava o poço da garganta quando emerso da sua arma mais estreito transponho a abertura do seu empenho que se sujeitava a caprichar no vai-e-vem e a confiscar minha vigília como quem persegue a sua vingança, como quem rompe o senso de quem quer consolo a qualquer preço, como quem quer colo a qualquer custo e comendo bolo no maior rolo e eu aceso nos seus beiços que são novelos que me envolve na alquimia que me faz fruta madura quando a noite não cabe mais e retomo sem me deter e puxo, repuxo com força e quero atravessar sua laringe até onde mais der porque as suas margens esborraram com a lambida caleidoscópica onde toda cornucópia é mais que abundante e faustosa e tudo é imenso e absorve a minha manivela por inteiro porque ela engole o cabo e eu no seu reduto de cadela rosnando no osso de carne como quem saboreia um picolé delicioso e eu no auge vou como quem perde o leme, esquece a rota e ela me leva ao tálamo da sua presença ampla, vasta e totalmente viva entre as sombras que tenho porque fecho os olhos e ela sorve meu sêmen completamente embriagada e deliciando o néctar do meu gozo vivo nas galáxias de sua divina abóbada palatina que é a taça do desejo de sua mais que viçosa alma de nenhum fastio e transcendente precipício das chamas no maremoto da saliva que é o véu e que inventa o abismo delicioso que colhi e decifrei com toda e nenhuma direção e consinto que se sirva enquanto eu vulnerável vou sucumbindo à paixão do amor mais que desejado. Estava eu entregue e sob o seu jugo enquanto ela, olhar de sonsa, jeito de manhosa que não tem nada a ver com isso, risinho safado oculto no olhar, satisfação de tímida e nua reluzente, danada de gostosura e me tratando por herói, me fazendo amo e querendo ainda ser estraçalhada pela minha voraz vontade de esganá-la por inteiro com meus beijos, carícias e esfregões. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


DITOS & DESDITOS - O mais admirável no fantástico é que o fantástico não existe; tudo é real. Pensamento do escritor francês André Breton (1886-1966). Veja mais aqui.

A INVENÇÃO DO NORDESTE – [...] O Nordeste, assim como o Brasil, não são recortes naturais, políticos ou econômicos apenas, mas, principalmente, construções imagético-discursivas, constelações de sentido. [...] O Nordeste, na verdade, está em toda parte desta região, do país, e em lugar nenhum, porque ele é uma cristalização de estereótipos que são subjetivados como característicos do ser nordestino e do Nordeste. [...] Trecho extraído da obra A invenção do Nordeste e outras artes (Massangana/Cortez, 2009), do historiador Durval Muniz de Albuquerque Jr.

O ROMANCE DO NOVECENTO - [...] O homem já não sabe (ou não sabe ainda, não reaprendeu a entender) quem é. Não sabe porque a trégua entre ele e a sociedade, entre ele e o mundo, partiu-se. [...] Além disso, o homem não está mais de acordo com o mundo, entendido como essência, tanto é verdade que até a física está alterando todas as suas hipóteses sobre a estrutura da matéria e sobre a evolução dos fenômenos [...].
Trecho extraído da obra Il romanzo del novecento (Garzanti, 1987),  do jornalista e critico literário Giacomo Debenedetti (1901-1967).

UM POEMA - Beatriz tem três anos / No alto da escada / Peço-lhe a mão. Sim. / Dá-me a mão. / Escondo-a até ao pulso / Com a minha palma, / Um pequeno volume consolador. / Tomamos todo o tempo / Para descer a íngreme / escada alcatifada / Desejando eu em silêncio / Que a escada não tenha fim.  Poema do poeta e novelista britânico Adrian Mitchell (1932-2008).

 A arte do do fotógrafo australiano Max Dupain (1911-1992).



COISAS DE MACEIÓ – COAGRO

Estava eu doidinho da silva precisando de um produto inseticida para aplacar o pandemônio dumas baratinhas sacais que reinavam nos meus livros.

Um vizinho solidário com minha agonia, indicou-se uma série de empresas que poderiam me atender. Liguei uma a uma, até me indicar a Coagro.

Quando me falou da empresa, empunhamos a lista telefônica e descobrimos o número da loja da Avenida Durval de Gois Monteiro, uns 20 ou 30 quilômetros de onde eu estava. Aí liguei.

- Alô? -, disse eu.

- Dois minutos -, disse o sujeito que atendeu.

Nisso passou uns 5 minutos. Desliguei e tornei a ligar. Atenderam.

- Alô? -, disse eu, de novo.

- Dois minutos -, disse-me de novo quem atendeu.

Aí apelei!

- Porra, cara, tô ligando e vocês não atendem? -, disse isso e fui logo jogando reclamação braba.

Daí uns minutos o cara com voz embrulhada disse que a moça que atendia o telefone não estava e que eu aguardasse mais.

Aí minha paciência foi a zero.

O pior: o colocou o telefone no gancho.

Liguei de novo. Chamou, chamou e nada. Insisti. Quando já desistiu, uma moça atendeu.

- Minha filha, por favor, tem Maxforce IC? -, solicitei meio cordial.

- Tem -, respondeu-me de pronto.

- Quanto é?

- R$ 31,77.

- Vocês entregam em domicilio?

- Não.

- Onde vocês ficam?

- Na Avenida Durval de Gois Monteiro....

- Tá, vou pegar um táxi e chego já aí.

Fui, liguei para empresa de táxi, 15 minutos depois chegou. Me aboletei no banco de trás e mandei o endereço. Fomos. Logo pegamos um engarrafamento da porra na Avenida Fernandes Lima. Coisa duns 40 minutos empancado. Mas 1 hora de depois estava eu entrando na Coagro. Dirijo-me até o balcão e solicito do vendedor.

- Estou precisando de Maxforce IC.

- É pra já -, respondeu-me o vendedor.

Dirigimo-nos até a gôndola quando um certo cidadão instou do vendedor e começaram a conversar. Tive paciência. Mas quando falaram da cachaça de mais tarde, aí cheguei junto e puxei o vendedor que se lembrou que eu existia. Foi, então, que ele começou a passar o dedo sobre os produtos.

- Tem o Maxforce comum.

- Eu quero o IC.

- Esse não tem.

- Como?

- Não tem, ora.

- Mas eu liguei praqui há 1 hora atrás, falei com uma moça e ela me disse que tinha e que custava R$ 31,77.

O vendedor então olhou direitinho e encontrou a tabuleta dizendo: Maxiforce IC, R$ 31,77. Aí ele olhou para mim com uma cara zombeteira e disse:

- Tá aqui na plaqueta: Maxforce IC, R$ 31,77, mas não tem o produto, tá em falta.

- Mas rapaz, eu liguei, perguntei se tinha, me disseram que tinha e quanto custava, ainda me disseram que tinham para pronta entrega, peguei um táxi, vou gastar R$ 40 nessa travessia toda que vim da Mangabeiras e você me diz com a cara mais cínica que não tem?

- Não tem, ora. Quer que eu fabrique? -, disse-me desafiador.

Aí, perdi a esportiva e ?!¨$#$&*&*%&$?!!!!!$%#@!@*%$##@!@!#$#@!!##@@!%&*+%$#!@!, tudo isso comigo mesmo enquanto encarava a lata do sujeitinho sarcástico.

Aí contei até 10 e considerei: em Maceió onde a qualidade? Respondem: O que é isso? Ah, lembrei, ainda nem chegou. Pra gente já foi pro beleléu.

Ó, Maceió, é três mulé prum homi só....” larilarilará.

Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!!

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