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segunda-feira, dezembro 02, 2019

NIETZSCHE & LOU, MIGUEL COVARRUBIAS, ANA VIDOVIĆ & MAIARA MORAES, WOLFGANG ISER & BIBLIOTERAPIA


A SOLIDÃO DE NIETZSCHE – Uma vez mais e esta será, definitivamente, a minha última carta, Lou, esteja certa, asseguro. Sei que sou um poeta louco, sobrecarregado de dores e não tenho um amigo sequer. Uma vez mais, reitero: nasci velho e desprezo a mim mesmo. Tudo se passa na minha cabeça: desde a fatídica queda do meu pai, a morte trágica recorrente, as dores insuportáveis da minha grande cabeça, o sofrimento na fraqueza dos olhos estrábicos, a respiração difícil, o corpo doentio, as vertigens, a minha irmã e a vida triunfante, a minha mãe e os sonhos venturosos entre moribundos, a zombaria de todos. Só me resta viajar com a música e os antepassados: a dor do mundo na face, a solidão e os livros por meus ditirambos dionisíacos. Vivo entre a euforia e a depressão, o parcial e o fragmentário, a apatia e a agonia: como poderia viver com a necessidade por virtude, como poderia, ora, a fraude da moralidade – a raposa substituiu a águia, a crueldade congênita para quem, desde criança, era chamado de pequeno pastor. Ah, não! Não fui, nunca serei. Valho-me da bebida e das anedotas escusas, a poesia obscena, a devassidão e os bordeis, perdi a vontade de viver e grito de dor. Renunciei à vida, estou à margem do mundo, vivo a noite, não mais suporto o dia e o crepúsculo dos ídolos. Por isso, uma vez mais, Lou, porque a hora pode chegar a qualquer momento e encerrado numa água-furtada o céu é vazio e infinito. Sinto-me cada vez mais só com meu poema aforístico como uma tocha que a claridade da luz não treme, um intérprete do meu tempo que fala o que foi emudecido à forma da mentira, estimulado a pensar e o pensamento confirma a vida: a unidade da vida e da morte, a ascensão da montanha ao voo da águia e os devires. Por isso a minha última carta estranha: sou um Dioniso crucificado e se foi me dado uma oportunidade para a felicidade, este fora diante do seu fogo vulcânico, seu jeito irrequieto de aquariana inteligente, companhia divertida de exuberante e apaixonada pela vida: de longe, a pessoa mais brilhante que conheci. Ah, os seus olhos azuis perturbadores e lábios carnudos e sensuais me fazem ainda viver. Se me disseca, não me dilacera; ao contrário, me faz meditar o amor, enquanto você premedita apenas uma tese. Os seus poemas me perturbam com a oferenda de palavras enganosas, de efusões sem objeto, mas não sem efeito. Eu pretendia, como sempre pretendi, desposá-la. Recusou-me, era seu direito. Sofri, era meu destino: asfixiado de solidão, desiludido no amor. Estou louco, um quase morto e o mal por você feito é pior que um assassinato, arrancou-me o insubstituível. Bem dissera: fui e sou uma vítima da dependência de emoções intensas e dos impulsos da alma. Eu sempre esperei: uma paixão à beira da loucura. A compaixão é uma espécie de inferno. Uma vez mais e não precisará responder esta missiva, como de resto fez a todas as demais cartas enviadas. A minha doença se agravou por este amor não correspondido que carrego até o fim dos meus dias. Tudo amargura e decepção. Mais tarde – se houver um mais tarde depois de tudo -, não sei se poderei dizer mais do que sinto, uma vez mais humano, demasiadamente humano com a vontade alegre e a gaia ciência. Sou apenas um andarilho e sua sombra para além do bem e do mal. Sinto que já vou e só me resta um adeus antecipado com sabor de nunca mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Se o leitor realiza os atos de apreensão exigidos, produz uma situação para o texto e sua relação com ele não pode ser mais realizada por meio da divisão discursiva entre Sujeito e Objeto. [...] o efeito depende da participação do leitor e sua leitura [...] o leitor não mais pode ser instruído pela interpretação quanto ao sentido do texto, pois ele não existe em uma forma sem contexto [...] só na leitura que os textos se tornam efetivos [...] o pólo artístico designa o texto criado pelo autor e o estético à concretização produzida pelo leitor [...] a obra é o ser constituído do texto na consciência do leitor [...] a atualização da leitura se faz presente como um processo comunicativo que deverá ser descrito [...] os elementos de indeterminação permitem sem dúvida um certo espectro de realização, mas isso não significa que a compreensão seja aleatória, pois representa a condição central para a interação entre o texto e o leitor [...] A interpretação tende a mostrarse objetivista; em consequência, seus atos de apreensão eliminam a multiplicidade de significações da obra de arte. Se afirmarmos, como sucede muitas vezes, que uma obra literária é boa ou má, então formamos um juízo de valor. Mas quando necessitamos fundar esses juízos, utilizamos critérios que, na verdade, não são de natureza valorativa, mas que descrevem características da obra em causa. Se compararmos essas com as de outras obras, não conseguimos ampliar os nossos critérios, pois as diferenças entre esses critérios já não representam o valor próprio. [...] um leitor ideal deveria ter o mesmo código que o autor. Mas como o autor transcodifica normalmente os códigos dominantes nos seus textos, o leitor ideal deveria ter as mesmas intenções que se manifestam nesse processo. [...] Tal tipo de leitor precisa então não só das competências citadas como também deve observar suas reações no processo de atualização para que sejam elas controláveis. A necessidade dessa autoobservação se funda, em primeiro lugar, no fato de que Fish desenvolve sua concepção do leitor informado em conexão à gramática transformacional, e, em segundo lugar, em que algumas das consequências desse modelo gramatical não podem ser integradas. [...] Nessas concepções do leitor se evidenciam interesses cognitivos diferentes. O arquileitor apresenta um meio de verificação e serve para captar o fato estilístico pela densidade de codificação do texto. O leitor informado é uma concepção didática que se baseia na autoobservação da sequência de reações, estimulada pelo texto, e visa aumentar o caráter de informação e assim a competência do leitor. Por fim, o leitor intencionado é um tipo de reconstrução que permite revelar as disposições históricas do público, visadas pelo autor. [...] Esses papéis mostram dois aspectos centrais que, apesar da separação exigida pela análise, são muito ligados entre si: o papel de leitor se define como estrutura do texto e como estrutura do ato. Quanto à estrutura do texto, é de supor que cada texto literário representa uma perspectiva do mundo criada por seu autor. O texto, enquanto tal, não apresenta uma mera cópia do mundo dado, mas constitui um mundo do material que lhe é dado. [...]. Trechos extraídos da obra O ato da leitura: uma teoria do efeito estético – 2 volumes (34, 1996/99), do professor alemão Wolfgang Iser (1926-2007), que se tornou a principal base da Estética da Recepção, nome pelo qual ficou conhecida a Escola de Constança. O autor procura identificar as estruturas do texto ficcional capazes de despertar certos efeitos no leitor, destacando seu papel na constituição do sentido da obra literária. Veja mais sobre leitor, leitura, biblioterapia & livroterapia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A MÚSICA DE ANA VIDOVIC
Quando eu tinha 16 ou 17 anos, não foi uma decisão fácil, porque eu era criança e queria fazer outras coisas também. Eu sempre me perguntei sobre escolher outra coisa, mas eu continuava voltando ao violão. Existe uma conexão lá que não pode ser interrompida. Percebi então que teria que trabalhar muito e sacrificar muito. É um processo longo. Eu não quero sair e tocar uma peça nova que não esteja pronta. É difícil tocar uma nova peça pela primeira vez. Demora muitos meses para se preparar. Às vezes, uma peça pode parecer certa, mas pode não estar realmente pronta. Eu toco para que os amigos recebam feedback e depois o apresento lentamente ao público. Quando uma peça é nova, é emocionante tocá-la. Depois que você souber, você sempre terá. Você pode guardá-lo e programá-lo para outra temporada. É assim que você constrói seu repertório.
ANA VIDOVIC – A arte da violonista virtuosa croata, Ana Vidović, que começou a estudar música aos 5 anos de idade e fez sua primeira apresentação aos 7, tornando-se a mais jovem estudante na Academia Nacional de Música de Zagreb. Ela já ganhou vários prémios e competições por todo o mundo. Veja mais aqui.
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MAIARA MORAES
Eu não nasci em família de músicos, mas meus pais sempre ouviram muita música e meu pai tocava violão em um grupo de choro. Isso de certa forma me aproximou da música brasileira. Quando pequena comecei a estudar um pouco de piano, mas aos 12 decidi tocar flauta.
MAIARA MORAES – A arte da flautista Maiara Moraes que se formou em flauta popular pelo Conservatório de Tatui e EMESP (SP), além de estudar na Escola Municipal de São Paulo. Graduou-se em licenciatura pela UDESC e no mestrado em música pela UNICAMP, onde, sob orientação do Prof. Dr. Rafael dos Santos, realizou pesquisa sobre o flautista Copinha. Ele sempre se dedicou ao estudo da música popular latino-americana, especialmente a brasileira, com foco na interpretação e improvisação dentro dos gêneros. Veja mais aqui.

A ARTE DE MIGUEL COVARRUBIAS
A arte do pintor, ilustrador, etnólogo, historiador e caricaturista mexicano Miguel Covarrubias (1904-1957). Veja mais aqui.

A OBRA DE NIETZSCHE
O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo. Por isso quer a mulher: o jogo mais perigoso.
NIETZSCHE – A obra do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
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LOU SALOMÉ
HINO À VIDA (1881) – Tão certo quanto o amigo ama o amigo, / Também te amo, vida-enigma / Mesmo que em ti tenha exultado ou chorado, / mesmo que me tenhas dado prazer ou dor. / Eu te amo junto com teus pesares,/ E mesmo que me devas destruir, / Desprender-me-ei de teus braços / Como o amigo se desprende do peito amigo. / Com toda força te abraço! / Deixa tuas chamas me inflamarem, / Deixa-me ainda no ardor da luta / Sondar mais fundo teu enigma. / Ser! Pensar milênios! / Fecha-me em teus braços: / Se já não tens felicidade a me dar / Muito bem: dai-me teu tormento.
LOU SALOMÉ – A poeta e psicanalista russa Lou Andreas-Salomé (1861-1937), foi a estudante eslava que conheceu o seu professor em 1882 - Nietzsche tinha então trinta e oito anos e ela tinha apenas vinte e já era um modelo de mulher livre e libertária. A paixão dele por ela perseguiu toda sua vida. Ela insubmissa, enfrentou a rigidez religiosa na Rússia czarista e mudou-se para Zurique, na Suíça, onde funcionava uma universidade que aceitava mulheres. Seu objetivo inicial era o estudo, a meditação, a escrita. Casamento não cabia em seus planos. Nem filhos. Envolveu-se em paixões viveu com o filósofo Paul Rée e o poeta Rainer Maria Rilke, entre outras tantas, e foi admirada por Freud, a única mulher aceita pela sociedade psicanalítica. Após o suicídio de Paul Rée, em 1902, ela entrou em uma profunda depressão, a qual o médico austríaco Friedrich Pineles a ajudou a se recuperar e, da amizade, nasceu um caso amoroso que resultou em um aborto voluntário de Lou. Ela lançou o seu primeiro livro chamado Na luta por Deus. Em 1893 ela publicou um livro intitulado Ensaio sobre a caracterização de Nietzsche. Escreveu o ensaio Anal und Sexual (1916), entre outras obras. Sua vida é retratada no drama histórico Lou (2016), da diretora alemã Cordula Kablitz e seu envolvimento com Nietzsche no filme Além do bem e do mal (1977), da diretora Liliana Cavani. Também nas publicações Lou Salomé: a mulher a quem Nietzsche amou (2016), de  A. de Monzie; Lou Andreas-Salomé: paixão e política Capa Comum (Milfontes, 2019), de Sônia Mattos Missagia; e a biografia Lou Andreas-Salome: la aliada de la vida, escrita por Stéphane Michaud. Veja mais aqui, aqui & aqui.
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Perto do coração selvagem de Clarice Lispector, Brunilda & Gunther, a música de Björk, O pensamento de Vicente do Rego Monteiro, Absurdo: Zenão de Eleia, Kierkegaard, Unamuno, Camus & Sartre; Vontade de amar da poeta Yedda Gaspar Borges, El, o alucinado de Luis Buñuel, a arte da atriz Téa Leoni, Doro parafraseando Sartre & poemiuderótico Paladar aqui.
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Anita Malfatti (1889-1964) aqui, aqui, aqui & aqui.
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A arte da cantora lírica grega, Maria Callas – La Divina (1923-1977) aqui, aqui, aqui & aqui.
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A música do compositor, arranjador, produtor musical e guitarrista Toninho Horta aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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segunda-feira, novembro 18, 2019

EGON SCHIELE, MARGARET ATWOOD, CHINUA ACHEBE, LERA AUERBACH, BIBLIOTERAPIA & BRINCARTE DO NITOLINO


A ÚLTIMA CARTA DE EGON – (Ao som de Pavane for dead princess, de Maurice Ravel) - Agora tudo passa e as horas fluem lentas. Somente eu, coração geminiano, alma torturada de espantalho no tempo, ocorre o escandaloso olhar para o dentro de tudo diante do espelho, dias a mais ou de menos. Sou todo pensamento e meus olhos veem o que se esconde. Evaporo e expiro, reconheço a mim e ao mundo: os delírios da doença mental do meu pai e os convidados fictícios à mesa posta, os conflitos com a minha mãe, o abandono da infância sombria e Gerti saltitante, a minha vida mais se parece as Leônidas do Tempel-Tuttle. De cada um o seu eu sem nenhuma inibição facial do pudor cristão e a moralidade civilizada, a luz corporal e o seu extremo por linhas e planos distorcidos, o sexo, a púbis, o gestual e os corpos a queimarem consumindo a vida e a sua própria luz na pose tímida moralmente reprimida entre o repreensível e o aceitável por ocres cenários. Todos são eremitas e o amor me conduziu a nada ocultar: a guerra e a pandemia da gripe espanhola, mães mortas, crianças deformadas, famílias miseráveis desnudadas, só eu sei a mulher. Memorações me assaltam: Moa que foi a primeira musa, Wally que foi o meu grande amor e fugiu para nunca mais, os olhos malditos de Tatjana, a agonia de Edith, o pesadelo perpétuo da minha vida, e eu extático diante do estático e do turbulento. Rememoro que fui acusado de sujidades, a obra toda indecente e não corrompi nenhuma criança: a condenação foi a gravura queimada por mais de vinte dias, maltratado pela ignorância assombrosa da pobreza de espirito, a impertinente interrupção gananciosa dos que se intrometem nada perdoável a torcerem o meu explícito e palpável pescoço, só pelo prazer invejoso dos palermas que destroçam a vida e infundem, cabeças-tontas, respeito hipócrita do que não possuem nem compreendem de talento e arte, asnos estúpidos e descerebrados a censurarem e deterioram fixando para trás tão degradante, quando não inúteis, prejudiciais de um mundo decrépito a tremer mesmo que aparentemente tudo pareça em paz e ordem, quanta ignomínia! Todos corrompidos pela paixão que tortura a alma terrivelmente desses sensíveis suicidas condenados ao colapso, prisioneiros e oficiais que pousam na minha lua-de-mel, escoltas para a linha de frente, a inveja da liberdade e eu reduzido a limpar o chão da prisão, juntando cacos de sonhos e nenhum tostão. Tudo passa: estou adoecendo, nem sei se sobrevivo refém da maldição e do poder omnipresente da morte. A desilusão e o desalento, a solidão e o pânico, o mestre morreu, Edith se esvaindo grávida e eu sucumbindo, meu corpo cansado e coroado de flores. Nada mais que a prancheta, o lápis, a folha e o tamborete, a natureza e os contornos, a luz e a escuridão. A nudez é sagrada e eu quase nem vivo mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Em algum lugar na parte continental de Lagos, a União Progressista de Umuofia estava promovendo uma reunião de emergência. Umuofia é um vilarejo de língua ibo na Nigéria Oriental e a cidade natal de Obi Okonkwo. Não se trata de um vilarejo especialmente grande, mas seus habitantes o chamam de cidade. Têm muito orgulho de seu passado, quando a cidade era o terror dos vizinhos, antes que o homem branco chegasse e nivelasse todos por baixo. Os umuofianos (é assim que eles se denominam) que deixaram sua cidade natal a fim de arranjar trabalho e se espalharam por cidades da Nigéria inteira encaram a si mesmos como residentes temporários. Voltam para Umuofia de dois em dois anos, mais ou menos, para passar as férias. Quando economizaram dinheiro suficiente, pedem a seus parentes na cidade que encontrem uma esposa para eles, ou então constroem uma casa “de zinco” nas terras da família. Não importa em que local da Nigéria estejam, sempre fundam ali uma filial local da União Progressista de Umuofia. Nas semanas anteriores, a União se reuniu diversas vezes para tratar do caso de Obi Okonkwo. Na primeira reunião, algumas pessoas manifestaram a opinião de que não havia nenhum motivo para a União se preocupar com problemas de um filho pródigo que demonstrara grande desrespeito por ela muito pouco tempo antes. [...]. Trecho da obra A paz dura pouco (Companhia das Letras, 2013), do escritor e crítico literário nigeriano Chinua Achebe (1930-2013), que conta o julgamento de Obi Okonkwo, acusado de aceitar uma propina de valor irrisório, e a escalada de eventos dramáticos e inescapáveis que o levaram ao tribunal. Veja mais aqui.

ALGUEM FALOU: BIBLIOTERAPIA – [...] além do prazer do texto, a leitura oferece ao leitor, por identificação, apropriação e projeção, a possibilidade de descobrir uma segurança material e econômica, uma segurança emocional, uma alternativa à realidade, uma catarse dos conflitos e da agressividade, uma segurança espiritual, um sentimento de pertença, a abertura a outras culturas, sentimentos de amor, comprometimento, superação das dificuldades, valores individuais e pessoais [...] toda a leitura implica um fenômeno de interpretação e a interpretação é, em si, uma terapia. [...] a tese central da biblioterapia é que o ser humano, como criação contínua e em movimento constante, encontra suas forças no processo narrativo-interpretativo da atividade da leitura. [...] para a biblioterapia, a identidade é um não lugar, ser humano é um ser de caminho, um homem em marcha. [...] a leitura é o encontro entre duas subjetividades, a do leitor e a do autor, que se enriquecem mutuamente. [...] a biblioterapia é primariamente uma filosofia existencial e uma filosofia do livro, que sublinha que o homem é um ser dotado de uma relação com o livro. [...]. Trechos extraídos da obra Biblioterapia (Loyola, 1996), do filósofo francês Marc-Alain Ouaknin. Veja mais aqui.

A MÚSICA DE LERA AUERBACH
Tive a sorte de ter alguns professores especiais que queriam compartilhar seus conhecimentos; portanto, grande parte da minha educação foi o 'currículo não oficial'. Isso incluía a música de Schoenberg, Webern e Stravinsky, que era considerado um bandido porque havia emigrado da União Soviética. Trabalho nessas diferentes formas de arte simultaneamente. Tentei várias vezes apenas o foco em uma disciplina, mas toda vez que o fazia, em primeiro lugar, ficava deprimida e, em segundo lugar, a qualidade do que eu estava concentrada não melhorava. De fato, pioraria.
LERA AUERBACH – A arte da premiada compositora, pianista e escritora russa Lera Auerbach, que continua a tradição de compositores virtuosos do piano, com uma música caracterizada pela liberdade estilística e pela justaposição de linguagens tonais e atonais. Veja mais aqui.

A ARTE DE EGON SCHIELE
Sou o mais nobre dos nobres, e o mais humilde dos humildes. Sou humano – amo a morte e amo a vida. O pintor também pode olhar. Ver, porém, é algo mais. Inibir o artista é um crime, é assassinar a vida antes de ela florescer! Tudo está morto vivo.

EGON SCHIELE – A arte do pintor austríaco ligado ao movimento expressionista. Egon Schiele (1890-1918), que teve convivência amorosa com a modelo de sua obra, Wally Neuzil, ocasião em que foi preso por desenhar uma jovem, Tatjana, julgado no tribunal distrital, em St. Pölten e acusado de rapto, de sedução de menor e de possessão negligente de material erótico, passou vinte e quatro dias preso. Em seguida, ao conhecer duas irmãs protestantes, Schiele casou-se com uma delas, Edith Harms (1860-1918), quatro dias antes de ser chamado para cumprir o serviço militar, em Praga. Devido a pandemia de gripe espanhola que matou mais de 20 milhões de vidas na Europa, Edith, grávida de seis meses, sucumbiu à doença e Schiele morreu apenas três dias depois. Ele tinha 28 anos. SOBRE A OBRA E A VIDA DE SCHIELE - Sobre sua obra, encontramos as publicações Egon Schiele's Portraits (New Edition Paperback, 2014), de Alessandra Comini; Egon Schiele: Narcisse écorché (Galimad, 2005), de Jean-Louis Gaillemin; Egon Schiele - the Radical Nude (Paul Holberton, 2014), de Peter Vergo, Gemma Blackshaw e Barnaby Wright; Schiele (Basic Art Series – Taschen, 2018), de Reinhard Steiner; Schiele (Taschen, 2007), de Wolfgang Georg Fischer; Egon Schiele: Erotic Sketches/Erotische Skizzen (Prestel, 2005); Egon Schiele: Drawings & Watercolours: Drawings and Watercolours Hardcover (Thames & Hudson, 2003), de Jane Kallir; Tod und Madchen: Egon Schiele und die Frauen (Boehlau Verlag 2009) de Hilde Berger; Egon Schiele: vida e obra (Könemann, 1999), de K. Artinger; e a dissertação de mestrado Identidade e expressão na obra gráfica de Egon Sschiele (Universidade de Lisboa, 2016), de Melania Alexandra Pereira Ribeiro. FILMES – Sobre sua vida e obra ainda encontrei o drama biográfico Egon Schiele - Exzesse/Egon Schiele: Excess and Punishment (1981), do diretor Herbert Vesely, e outro, o drama/ficção histórica Egon Schiele - Morte e Donzela (2016), dirigido Dieter Berner. Veja mais aqui e aqui

A OBRA DE MARGARET ATWOOD
Escrever é deixar uma marca. É impor ao papel em branco um sinal permanente, é capturar um instante em forma de palavra. Escrever é uma maneira de a voz sobreviver à pessoa. Uma palavra após uma palavra após uma palavra é poder.
A obra da premiadíssima escritora e crítica literária canadense Margaret Atwood aqui e aqui
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BRINCARTE DO NITOLINO
As novidades do Brincarte do Nitolino com Algodão Doce & Poesia Infantil de Luciah Lopez, Contadores de Histórias, As aventuras de Lunna & muito mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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quinta-feira, julho 02, 2009

HESSE, QUINTANA, JULIA LEMOS, MARX, FLORENCE NIGHTINGALE, DALI, BIDÚ SAYÃO, MAQUIAVEL, BIBLIOTERAPIA & VIOLÊNCIA NA ESCOLA

A arte do escultor e artista plástico israelense Yaacov Agam.

O QUE SE FAZ PELO JÁ FEITO – (Imagem: do escultor e artista plástico israelense Yaacov Agam) – UMA: DOS QUE SÃO & OS QUE NÃO SÃO – Existe gente para tudo! Seja para compartilhar e contribuir, seja para atrapalhar e destruir. Deu-me Maquiavel o tom de certos tipos: Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis. Evidentemente que de lá dos tempos dele até agora, muitos outros tipos de cérebros, mais brilhantes ou peçonhentos resolveram dar as caras pra gente, mudança dos tempos. Aliás, dessas transformações ele mesmo previu: Uma mudança deixa sempre patamares para uma nova mudança. E outras tantas se processarão daqui pra frente, não se sabendo para o melhor ou pior, quem sabe. DUAS: DOS ALTOS & BAIXOS NÃO SE SABE O QUE PREVALECE, AFINAL - Pois sim, transformação é a lei da vida; tudo se altera com o correr dos tempos, desde mudança de pele aos pensamentos mais esdrúxulos e até aqueles tidos por definitivos. Há sempre uma onda majoritária, o tal zeitgeist, e todo mundo vai na leva, depois, com o tempo, é que se vê se boa ou não. Tenho sempre o pé atrás, Marx que vaticinou: O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções. Depois é que a gente vê o tamanho do equívoco. E agora? O que fazer? Quintana que o diga: A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas. Agora sim, tenho que aprender a perguntar. TRÊS: NÃO HÁ RESPOSTA, TUDO ACONTECE! - Valho-me agora de indagar disso, daquilo, daquiloutro e o mais surpreendente é que as respostas pulam aos borbotões. Não mais uma resposta, muitas. Então, tudo que a gente fez e faz é que faz o labirinto de nossas vidas. Por isso vou de Florence Nightingale: Eu atribuo o meu sucesso a isto: eu nunca desisto ou dou alguma desculpa. Sigo sempre em frente, o que passou, passou; e o que virá, vou pronto ou não. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.


DITOS & DESDITOS - Você tem que criar a confusão sistematicamente, isso liberta a criatividade. Tudo o que é contraditório cria vida. O palhaço não sou eu, mas sim esta sociedade monstruosamente cínica e tão ingenuamente inconsciente que joga ao jogo da seriedade para melhor esconder a loucura. Pensamento do pintor e artista surrealista catalão Salvador Dali (1904-1989). Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: Eu não tinha voz alguma quando comecei. Os professores me disseram que eu era muito nova ainda, que minha família ia gastar dinheiro à toa. Mas eu insisti, chorei muito, garanti que não me importava com bailes, namorados, festas. E comecei a cantar. Expressão da célebre cantora lírica soprano brasileira Bidú Sayão (1902-1999). Veja mais aqui.

DEMIAN – [...] O acaso não existe. Quando alguém encontra algo de que verdadeiramente necessita, não é o acaso que tal proporciona, mas a própria pessoa; seu próprio desejo e sua própria necessidade o conduzem a isso. [...]. Trecho extraído da obra Demian (Civilização Brasileira, 1975 ), do escritor alemão Hermann Hesse (1877–1962). Veja mais aqui.

TRÊS POEMAS - VIRÁ ESTE AMOR: Virá este amor / assim como depois da noite / vem o dia / e a água / encontra o seu caminho / pelas vertentes. DESEJO: Alguém me beijará / esta noite. / Beijos pelo corpo / que adentrarão a alma. / Arquejo / o cavalo salta o arco / à hora final da madrugada. / Eu sou o orvalho / a umidade me lava / e me desperta úmida / na manhã ensolarada.  MARCAS: Quero-me bela / quando amanheço: / brilho na face, / brinco de turmalina. / Mas como livrar-me / dos saltos imprevisíveis? / Sim, / as marcas redesenham meu corpo / e outra beleza / em mim vem surgindo: / a que vem da luz / que sobre mim se acende / ao sair para viver o mundo. Extraídos da obra A casa estrelada (CEPE, 1997), da poeta e atriz Julia Lemos.


BIBLIOTERAPIA – A função terapêutica da leitura admite a possibilidade de a literatura proporcionar a pacificação das emoções. Remontando a Aristóteles, observa-se que o filósofo analisa a liberação da emoção resultante da tragédia – a catarse. O ato de excitamento das emoções de piedade e medo proporcionaria alívio prazeroso. A leitura do texto literário, portanto, opera no leitor e no ouvinte o efeito de placidez, e a literatura possui a virtude de ser sedativa e curativa. [...] A biblioterapia constitui-se em uma atividade interdisciplinar, podendo ser desenvolvida em parceria com a Biblioteconomia, a Literatura, a Educação, a Medicina, a Psicologia e a Enfermagem. Tal interdisciplinaridade confere-lhe um lugar de destaque no cenário dos estudos culturais. É um lugar estratégico que permite buscar aliados em vários campos e um exercício aberto a críticas, contribuições e parceiras. A terapia ocorre pelo próprio texto, sujeito a interpretações diferentes por pessoas diferentes. Tanto é o texto que "cura", que já foi sugerido, inclusive, o uso do termo literapia, unindo literatura e terapia, com ênfase no literário e no ficcional. Permanece, entretanto, o uso do termo tradicional, biblioterapia. Vale destacar que não é a designação o mais importante na atividade de terapia da leitura, mas, o resultado obtido. Trechos extraídos do artigo A leitura como função terapêutica: biblioterapia (Revista Biblioteconomia, 2001), da professora da UFSC, Clarice Fortkamp Caldin, que em uma entrevista concedida à Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina (2018), à jornalista Carla Sousa, expressou que a Biblioterapia: [...] Passa primeiro pelo gosto de ler. Se o bibliotecário não gosta de ler ele não vai fazer essa atividade. Quando eu entrei para o curso de Biblioteconomia achava que ser bibliotecário era a coisa mais maravilhosa do mundo, porque poderia ler muita coisa, porque ia ler todos aqueles livros que ia catalogar e classificar. Mas teve uma coisa que me chocou muito. Uma professora disse: ‘vocês nem precisam ler o livro, basta ler a ficha catalográfica, ou a orelha do livro e dali fazem tudo’. E vejo que, muita gente, que ainda trabalha em biblioteca acha que é assim. Mas, é importante que leia mais que isso, o livro às vezes trata de mais de um assunto e ele tem de decidir qual é o mais relevante, pois o livro só pode ficar em um lugar da estante. Se o bibliotecário gosta de ler e, especialmente, gosta de literatura, isso já é um primeiro passo. Depois disso, é uma luta e nada vem de graça. Tem que tentar influenciar o diretor da instituição para que ele entenda o valor da literatura. Conseguindo isso, já é metade da luta ganha. E é preciso conquistar aliados, parceiros, porque sozinho ele não vai conseguir o trabalho neste universo temático. Ele precisa saber que vai enfrentar desafios. E, também tem que se apropriar da teoria para ficar mais claro o que vem a ser a Biblioterapia. Existem os artigos online, mas é necessário muita cautela e direção nessa pesquisa porque tem muito trabalho copiado. Às vezes, fico me perguntando se fazem isso por má fé ou má formação. Infelizmente, a maioria que escreve sobre Biblioterapia é aluno de Biblioteconomia, mas não usa corretamente a norma de citação, isso é recorrente. Hoje tem muita coisa escrita, mas não quer dizer que todas são boas. [...]. Pelo visto, a biblioterapia é a prescrição de materiais de leitura com função terapêutica, utilizada como um importante instrumento no restabelecimento psíquico de indivíduos com transtornos emocionais. Ela admite a possibilidade de terapia por meio da leitura, contemplando não apenas a leitura de histórias, mas também os comentários adicionais a ela, e propõe práticas de leitura que proporcionem a interpretação do texto. É também definida como o processo entre a personalidade, a realidade e os problemas do leitor, com a identificação com um personagem ou uma história. Essa identificação causa uma relação entre a literatura e o leitor, que incorpora traços dessas histórias para o seu mundo, permitindo ao leitor, conhecer suas emoções, conhecer emoções parecidas e ajudá-lo a superar seus problemas pessoais.


A VIOLÊNCIA NA ESCOLA - A violência é um fenômeno que tem ocorrido nos mais diferentes níveis sociais, profissionais, ambientais e culturais, entre outros, atingindo desde as camadas mais pobres da população, como as mais abastadas. Em razão disso, a violência tem se configurado por meio de uma multiplicidade de formas, ocorrendo no interior dos lares, no trânsito, no trabalho e em todas as relações humanas, notadamente na escola. A violência escolar tem assumido uma dimensão que vai desde os ataques ameaçadores e físicos, até o tráfico e consumo de drogas, bem como o envolvimento de estudantes das mais diferentes faixas etárias no crime organizado. Em razão disso que o presente artigo é destinado para abordagem da violência e seus reflexos na organização educacional, considerando ter a educação assumido papel fundamental na vida de qualquer pessoa, quando passou a ser desenvolvida para a promoção da dignidade humana e preparação para vida e para o trabalho.
A VIOLÊNCIA - A etimologia da palavra violência tem sua raiz, conforme Cavalcanti (2010), no prefixo latino vis significando força e traduzindo as idéias de vigor, potência, impulso e excesso. Para o autor mencionado, a palavra vem do latim violentia e do verbo violare com o significado de violento, bravio, profanação, transgressão. Tais idéias traduzem o sentido de violência, na expressão de Cavalcanti (2010, p. 29), como “[...] um ato de brutalidade, invasão, ofensa, proibição, sevícia, agressão física, psíquica, moral ou patrimonial contra alguém, e caracteriza relações intersubjetivas e sociais definidas pela ofensa e intimidação pelo medo e terror”. Com essa idéia, a violência seria o próprio abuso da força. Neste sentido, no entendimento de Michaud (1989, p. 11): [...] há violência quando, numa situação de interação, um ou vários atores agem de uma maneira direta ou indireta, maciça ou esparsa, causando danos a uma ou mais pessoas em graus variáveis, seja em sua integridade física, seja em sua integridade moral, em suas posses, ou em suas participações simbólicas e culturais. Assim, o significado de violência, para Zimerman (2001), deve considerar o processo de uma agressividade sadia para o de destruição, em razão da ocorrência de transição identificada de um estado mental de vigor para o de uma violência. A conceituação de violência dada por Chauí (1998, p. 80) traduz o entendimento de “[...] conversão de diferença e assimetria numa relação hierárquica de desigualdade, com fins de exploração, dominação e de opressão”. É, segundo ela, a desigualdade de relação entre superior e inferior, uma ação que trata o ser humano não como sujeito, mas como uma coisa. Para Carvalho (2002, p. 137), a violência é “[...] uma agressão, de ordem física ou moral, voluntária, desferida contra um indivíduo ou contra um grupo, podendo ser legítima ou ilegítima”. Já para Sodré (1996, p. 207), o conceito de violência deve considerar a agressividade que é: [...] uma força resultante da disposição espontânea do ser vivo, como uma espécie de "pulsão motora" para o controle necessário do meio ambiente ou para as ações competitivas recorrentes na existência cotidiana e, neste sentido, enraíza-se tão profundamente quanto a propensão amorosa ou sexual na composição psicobiológica do ser humano. Porém, observa Silva Filho (2003, p. 32) que “O conceito de violência se instaura e ganha significado a partir da humanidade”, considerando que o homem rompe para transformar o mundo e a sua existência, implicando a capacidade de avaliar, escolher e atuar. Por isso, a violência se distingue de agressividade, extrapolando a noção de dano físico e incluindo o complexo caráter das interações sociais, assumindo, assim, uma multiplicidade de formas e intensidades, sejam de caráter moral, social, físico, psíquico, cultural, político, entre outros. Nessa direção Benevides (1983, p. 103) assinala que a agressão tanto é a ação como o efeito de agredir, atacar, ofender uma coisa ou pessoa, ou seja, um bem juridicamente protegido: [...] agredir significa atacar alguém na sua pessoa física ou moral ou em um dos seus bens juridicamente protegidos, que implica em hostilidade destrutiva, ou seja, a forma conflitiva investida por violência. [...] psicopatologicamente, a violência e a agressão não podem ser considerados patognomônicos de nenhum estado psicopatológico particular. Psicodinamicamente, a agressão deve ser considerada à luz da conjuntura sóciocultural. [...] a fisiopatologia da agressão e violência é um vasto campo por onde deverão desfilar infindáveis hipóteses e pesquisas. Além disso, as circunstâncias existenciais a que se submete o indivíduo durante sua trajetória de vida tendem a inviabilizar uma sistematização mecanicista acerca deste tipo de comportamento motivado. Já para Morais (1981, p. 25), a violência é entendida como “[...] tudo que possa agredir a integridade pessoal ora incluir desde o latrocínio até o trabalho de um operário em uma linha de montagem, passando pela especulação imobiliária e outros absurdos permitidos ou não pela lei”. Sob o ponto de vista pragmático, arremata, então, Cavalcanti (2010, p. 25) que a violência “[...] consiste em ações de indivíduos, grupos, classes, nações que ocasionam a morte de outros seres humanos ou que afetam sua integridade física, moral, mental ou espiritual”. No entendimento de Machado (2010) a violência é recorrente e sistemática na história da civilização: “[...] quando se visualiza todo sacrifício humano num sisifismo perene, provando, inclusive, a completa falta de compreensão, tolerância e solidariedade do próprio homem que se posiciona pela dominação e pela acumulação”. Nesta condução, Cavalcanti (2010, p. 30) assinala que a violência se apresenta “[...] em suas mais variadas formas de manifestação afeta a saúde porque representa um risco maior para a realização do processo vital humano: ameaça a vida, produz enfermidade, danos psicológicos e pode provocar a morte”. Por isso, a autora assinala que ela ocorre em inúmeros contextos, tanto na esfera pública quanto no âmbito privado. Percebe-se, mediante o exposto, que a violência possui sentidos diversos e diferenciados, que vão desde os atos de agressão física, desrespeito, hostilidade, discriminação, preconceito, insulto, abuso, lesão, assassinato, humilhação, indiferença ante o sofrimento alheio, pressões psicológicas nas interações opressivas, decisão política que produz conseqüências sociais nefastas, desvalorização sistemática dos filhos por seus pais ou das mulheres por seus maridos, negligência com os idosos e deficientes, orientação econômica que se abate sobre setores da população como um desastre da natureza e a própria natureza, quando transborda seus limites normais e provoca catástrofes. Por essa razão, de um modo geral, a violência se define como ações, atos e comportamentos que atingem os outros com danos, humilhações ou desrespeito, caracterizado pelo o uso injusto e abusivo de poder, representando tanto uma agressão física, como negligência, omissão, desvalorização, como transgressões e violações culpáveis ou dolosas.
AS CAUSAS DA VIOLÊNCIA - As causas que levam à violência são muitas e diversas que se manifestam de forma complexas que, para Cavalcanti (2010, p. 29): [...] é percebida de forma heterogênea e multifacetada, a partir da própria estrutura simbólica vigente na sociedade. [...] a percepção contemporânea da violência foi ampliada não apenas do ponto de vista de sua intensidade, mas igualmente na perspectiva de sua própria extensão conceitual. Com isso, pode-se identificar as causas da violência numa série de fatores que, conforme Pedrosa (2005), podem estar na pobreza, na miséria, na desigualdade, na distribuição de renda, entre outros. Para Machado (2010, p. 1), as bases da violência: [...] estão mesmo na insatisfação, na incompreensão e na falta de solidariedade. [...] no desenvolvimento da humanidade a insatisfação e a ganância, a incompreensão e a intolerância, o sectarismo e a imposição, a dominação e a servidão, e toda essa cultura fez eclodir a violência, a partir da demonstração da necessidade de dominação do homem. É o que deduz Cavalcanti (2010, p. 25) ao mencionar que a violência: [...] a violência seria própria da essência humana (do estado da natureza). [...] os homens são governados por um desejo gerador de conflitos e rivalidades que apresenta uma estrutura mimética: algo é desejável para alguém exatamente na medida em que também é desejado pelos outros, advindo daí um conflito. Esta atitude instintiva apenas pode ser contida quando a organização social substitui a violência de todos contra todos pela violão de todos contra um. Tal substituição é proporcionado pelo sacrifício, mecanismo que tem um papel social fundamental na medida em que funciona como instrumento de absorção da violência particular e de prevenção da violência futura. [...] a violência é uma possibilidade sempre presente, pois sua emergência depende, na verdade, dos próprios mecanismos de interação social [...] a constatação de que a organização social humana encontra-se marcada pelo fenômeno da violência. Os fatores contribuintes da violência, segundo Vasconcelos (2010), são inegavelmente a pobreza, a ausência do Estado no espaço de regulação do poder, a concentração de renda, entre outros, tornando com isso a violência um fenômeno com diversas causas. Salienta Machado (2010) que entre os fatores de promoção da violência, estão a impessoalidade das relações nas grandes metrópoles; na desestruturação familiar em razão das condições mínimas de afeto e convivência, sendo esta última causa e efeito; o subemprego que é um fato relevante porque afeta a auto-estima e provoca a busca por reconhecimento e sucesso a qualquer custo ou oportunidade; o tráfico de drogas ilícitas; a disseminação das armas de fogo; a desigualdade social,  a discriminação; a exclusão social; entre outros fatores. No dizer de Machado (2010) as desigualdades sociais aumentaram a pobreza e a miséria, tornando-se enormes por causa da concentração de renda que favorece apenas alguns setores. Com isso, nasce a crise social e econômica que aumenta a carência de oportunidades de trabalho, de saúde, de habitação, de ensino e de vida. Essa desigualdade é constatada por estudiosos como produtora da violência que é determinada por valores sociais, culturais, econômicos, políticos e morais de uma sociedade. E arremata que tais fatores resultam na violência e na criminalidade que se expressam desde os ataques morais, lesões corporais e éticas, abuso, seqüestros, roubos, impunidade, processualística ultrapassada, conivência e outros práticas violentas em geral. Neste sentido, identifica-se uma tipologia variada de violência que, segundo Maldonado (1997), pode ser estrutural, sistêmica e doméstica. A violência estrutural, no entendimento de Maldonado (1997, p. 9), é aquela “[...] referenciada ao estado e condições de extrema injustiça e adversidade sobre a parcela mais pobre da população”, esta identificada como de risco e expressada pela miséria e pobreza, pela falta de condições mínimas de dignidade humana, desigualdade pela má distribuição de renda, falta de assistência em educação e saúde, exploração nas relações de trabalho, crianças abandonadas, entre outros, como um efeito trágico da violação dos direitos humanos. A violência sistêmica, segundo Maldonado (1997), é aquela que se expressa por meio do autoritarismo do Estado, por meio da violência policial, da ação de grupos de extermínio e dos maus tratos e tortura aos encarcerados, violando os direitos humanos. Verifica-se, mediante isso, que existem além desses tipos outros tantos que são identificados por Santos (1995, p. 16), sugerindo que a violência é “[...] heterogênea, ou seja, varia de acordo com os grupos e espaços sociais, assumindo, pois, um caráter polissêmico e complexo”. Em vista disso, assinala Carreira (2012, p. 5) que “A violência é traduzida, hoje, como um fenômeno preocupante, pois é  presença marcante nas diversas sociedades de todo o mundo nas mais variadas culturas”, isso pelas formas variadas, sutis e camufladas perversamente das manifestações violentas nas relações sociais. Assim sendo, a violência está expressa de varias formas, como sendo nas guerras, na fome, na miséria, no desemprego, nas precárias condições de moradia, saúde e transporte, na injustiça, na impunidade, na destruição do meio ambiente, na corrupção, no racismo, na homofobia, na discriminação das mulheres, na tortura, nas chacinas, entre outras tantas formas de manifestação.
A VIOLÊNCIA NO BRASIL - A violência no Brasil, segundo Machado (2010), vem desde o primitivo enfrentamento tribal indígena e, principalmente em maiores proporções, desde o primeiro dia da invasão portuguesa para o processo de colonização em 1500, quando se deu o genocídio indígena e a escravidão que se prolongam disfarçados até o momento presente. Neste tocante, assinala Cavalcanti (2010, p. 30) As populações indígenas, vitimas iniciais desse processo, foram escravizadas ou exterminadas pelas guerras empreendidas pelo conquistador português. O segundo alvo da violência colonizadora foi a população negra. Como se sabe, entre os séculos XV e meados do século XIX, aproximadamente 30 milhões de negros foram violentamente retirados de seu continente de origem, traficados, mortos e transformados em escravos. Depois disso, conforme Cavalcanti (2010, p. 30), “No século XX a historia mundial foi marcada pela violência praticada por duas grandes guerras que vitimaram milhões de pessoas”. Nesse período, no entendimento de Adorno (1991, p. 66) que a violência endêmica alcançou níveis assustadores ampliada pelo envolvimento de policiais civis e militares na criminalidade, pelo fato da delinqüência e os crimes violentos terem aumentado, como também porque “[...] as políticas econômicas neoliberais aprofundaram as desigualdades de um sistema de relações sociais já bastante assimétricas e condenaram milhões de pessoas a viverem na pobreza e na exclusão social”. E isso mesmo com a promulgação da Constituição Federal de 1988 consolidou direitos e garantias ao cidadão. No presente se constata na realidade brasileira, segundo Cavalcanti (2010, p. 30) que: No inicio do século XXI, em que se tinha a expectativa de que a sociedade estaria tão evoluída a ponto de conviver em harmonia e paz, a mídia continua a denunciar o aumento sem precedentes de várias formas de violência, seja pela pratica de crimes, como assassinatos, seqüestros, roubos, estupros, ocorridos nos mais variados rincões brasileiros. [...] a face menos visível continua escondida e pouco reconhecida. São dados sobre o aumento do desemprego, da prostituição infantil, da diferença salarial entre homens e mulheres, entre pessoas brancas e negras, da pratica da violência domestica, etc. Esconde-se naquilo que se chama senso comum. Com isso, entende Cavalcanti (2010, p. 34), que a sociedade brasileira é marcadamente excludente: [...] Ela impede, sistematicamente, que uma grande parcela de seus cidadãos tenha acesso aos bens essenciais a sua nutrição, preservação da saúde, defesa da vida, entre outros. [...] Por isso é que os excluídos são ao mesmo tempo vitimas e autores dessa violência.  [...] o crescimento da violência criminal encontra-se associado à própria desorganização das instituições responsáveis pela manutenção da ordem publica, bem como à violência praticada pelas instituições, como nos casos de violência policial. Nesse cenário, Cavalcanti (2010, p. 33) detecta no Brasil: [...] diversas formas de violência, como a violência urbana, a violência praticada pela discriminação contra as minorias (negros, índios, mulheres, crianças e idosos), a violência social em virtude dos altos índices de desigualdade social e pobreza, a violência doméstica, entre outras. O crescimento da violência no Brasil não é composto de uma única explicação. Certamente se encontra associado à lógica da pobreza e da desigualdade socioeconômica. [...] não há como negar a relevância da desigualdade socioeconômica na explicação do crescimento da violência. [...] exige analise dos vários aspectos da denominada exclusão social. A violência com ocorrência no recinto escolar no Brasil, por exemplo, é fruto de processo histórico marcado pela opressão e pela desigualdade social, entre outos fatores contribuintes.
A VIOLÊNCIA NA ESCOLA - Na escola, segundo Cunha (2009), a violência é multifatorial e está relacionada com o comportamento, tendo um impacto considerável no sistema educacional brasileiro, tornando-se um dos principais problemas de saúde pública no país. A violência escolar, segundo Vasconcelos (2010) possui diversas formas diferentes de manifestações, seja por roubo, depredações, agressões, vandalismo, ameaças, tráfico de drogas, entre outras, envolvendo professores e alunos por meio de situações conflituosas e violentas. É o que contextualiza Carreira (2012, p. 6) ao assinalar que “[...] tem sido palco de manifestações agressivas, variando desde depredações até agressões verbais e físicas”, por meio de ações nefastas como vandalismos, incivilidades, ferimentos, violência sexual, agressões verbais, roubos, bullying, crimes, entre outros, formando um manancial de relações conflituosas. Isso sem contar, conforme Abramovay (2009), com casos de homofobia, racismo, obstáculos nas relações entre professores e alunos, formas diversas de violências físicas e simbólicas. As causas da violência na escola, segundo Marra (2004), são indefinidamente variadas, considerando desde as causas sociais identificadas na ausência de políticas públicas inclusivas que permitem a exclusão social, inibem o acesso a uma educação de qualidade e trabalho digno, até as causas psicológicas que incidem na sobrevivência, aceitação e autoafirmação, a exemplo da formação do poder paralelo do narcotráfico. No ambiente escolar, Abramovay (2009) identificou três tipos de violências, quais sejam: a dura, a simbólica e a microviolência ou incivilidade. A violência dura, segundo Abramovay (2009), é aquele que se refere aos atos enquadrados como crimes ou contravenções penais, tais como ameaças, lesão corporal, furto, roubo e tráfico de drogas, entre outras. A violência simbólica, para Abramovay (2009), é aquela que se caracteriza pela forma de dominação e poder estruturada na sociedade permitindo que as pessoas não percebam a violência. Observa Silva Filho (2003) que a violência simbólica que ocorre dentro do universo educacional converge para a violência tipificada na ocorrência policial, tais como pichações, ameaças, agressões, estupros, homicidios, explosões, depredações, tráfico e consumo de drogas, compondo o as normas, os valores, a visão de mundo e processos sociais. Isso se deve ao fato do afastamento do Estado da arena social, quando as escolas passam a ser destituidas de seu carater agregador para seguirem à propria sorte nas ações administrativas e políticas. Já a microviolência ou incivilidade, na visão de Abramovay (2009), é aquela violência não contradiz os regimentos e regras dos estabelecimentos, nem a legislação, identificadas nas grosserias e desordens. Nesse contexto, entende Camacho (2012, p. 8) que esse tipo de violência “[...] decorre da falta de controle sobre as condutas e da ausência da civilidade, incorpora a idéia de fundo de que é a civilização que canaliza e estabelece a contenção dos instintos”, isso porque a escola é considerada responsável pela hominização e civilização dos alunos, exercendo completo controle sobre suas emoções, condutas e impulsos agressivos. Entende Vasconcelos (2010, p. 190) que “A violência nem sempre está nos jovens pela influência do tráfico existente nos bairros onde residem. Eles podem recursar as nomeações recebidas, vindas sob a forma de nomes, olhares, atitudes para com eles”, uma vez que o descaso, injúria, discriminação e preconceito por serem moradores da favela é o que recusam, encontrando saída na violência para destruir o outro. Além do mais, observa Camacho (2012) que as medidas de repressão da violência adotadas pelas escolas são, muitas vezes, dribladas pelos alunos, por isso, intensamente perigosa porque não é controlada por ninguém, não possui regras ou freios e porque passa a ocorrer constantemente no cotidiano escolar. No contexto da violência da escola, um fator importante a ser considerado é a família e as relações familiares dos estudantes, bem como a relação destes com a escola. A família, segundo Ribeiro (2007), exerce papel fundamental no comportamento, vivência e socialização dos alunos, devendo ter a percepção na percepção do mundo envolvente e nas relações interpessoais, sendo, portanto, observada no contexto da comunidade que a integra. No seio familiar, identifica Cunha (2009), que estão as bases e causas da violência escolar, considerando a interação entre pais e filhos, na identificação de comportamentos que vão desde a autoridade, responsividade e afetividade dentro das práticas parentais. Esses comportamentos vão determinar o vinculo relacional entre os filhos e os colegas e professores no recinto escolar. Nesse contexto, seleciona Cunhar (2009) que encontram-se os pais autoritários, como sendo aqueles que controlam coercitivamente os filhos e concedem pouca autonomia a eles. Também os permissivos que são aqueles que são pouco exigentes, responsivos e envolvidos com os sentimentos dos filhos. Os negligentes que são aqueles que possuem baixo nivel de responsividade e exigência, indiferentes às necessidades do filho. E, por fim, o autoritativo que são aqueles pais que possuem altos níveis de exigências, responsividade e envolvimento por meio de controle adequado. Nesse sentido, entende o autor acima mencionado que o ambiente familiar reflete na relação escolar, uma vez que uma familia desequilibrada encaminha esse desequilíbrio para a escola. Daí ser importante o papel da familia na educação dos filhos. Há que se considerar, ainda, a observação de Cunha (2009, p. 38) de que “Embora a maior parte dos comportamentos anti-sociais protagonizados por adolescentes ocorram em contextos extrafamiliares, como na escola ou na comunidade, existem fortes evidencias de que este comportamento tem suas raizes no ambiente familiar”. Tal fato se embasa na expressão de que contribuem para a violência, segundo Ribeiro (2007), fatores sociais tais como o desemprego, a pobreza e a classe social, as relações interpessoais no seio do agregado familiar, entre outros, que afetam indubitavelmente algumas comunidades e famílias, além de sustentar a violência. É nesse contexto que se encontra a escola, quando, depois da promulgação da Constituição Federal de 1988, passou a ser a organização não só responsável pelos conteúdos acadêmicos, mas pela promoção da dignidade humana e do exercício da cidadania, bem como pela preparação para a vida e para o trabalho de todo cidadão brasileiro, conforme expresso no art. 205 da Carta Magna, regulamentado pela Lei 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Apesar das previsões legais, a escola se encontra submersa numa série de fatores, entre eles, o da desigualdade social, pobreza, má distribuição de renda, malversação do erário público, entre outros, que coibem o cumprimento do seu papel e, por consequência, imobilizada por tal, torna-se impotente no combate à violência. A escola se encontra, segundo Ribeiro (2007) num contexto sociocultural carenciado e que recebe discentes pertencentes majoritariamente a uma classe social baixa, apresenta um ethos de baixa qualidade, se se levar em conta as percentagens elevadas de vitimação, agressão e até de insegurança, bem como exercita suas funções onde o Estado não marca sua presença institucional. Dentro desse conglomerado de fatores, ainda vem, conforme mencionado anteriormente, a situação das famílias que incidem diretamente sobre a convivência, comportamento e relação dos estudantes. Por isso, entende Ribeiro (2007), os pais devem procurar não só fomentar a comunicação com os filhos, através da partilha de momentos de lazer mas também pôr em prática um estilo autoritário-democrático pois práticas educativas demasiadas rígidas ou permissivas, perturbam o desenvolvimento psicossocial da criança, podendo até desenvolver comportamentos agressivos. Nesse cenário, defende Silva Filho (2003) que se faz necessária a adoção de políticas públicas direcionadas para a dinamização e o aparelhamento do ambiente escolar, bem como de outras políticas que devem ser ratificadas, notadamente aquelas alusivas às conquistas dos direitos sociais apoiadas no principio da dignidade humana e no exercicio da cidadania. Por fim, Guadalupe (2007), Abromavay (2009) e Magalhães (2006) defendem a necessidade de adoção de uma política articulada e integrada envolvendo os principais atores, visando possibilitar o desenvolvimento das aprendizagens indispensáveis aos alunos da escola básica, tanto no plano da autorrealização de cada criança ou jovem quanto no plano social para o exercício consciente de uma cidadania ativa, isso porque a escola hoje não tem mais apenas o papel de ensinar conteúdos acadêmicos, mas também de ensinar comportamentos e cidadania, colaborando na formação do caráter dos estudantes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS - O presente artigo abordou a questão da violência e os seus reflexos no ambiente escolar, considerando o papel da educação, a ausência do Estado, as relações familiares e as causas e efeitos que o desequilíbrio existente entre estes, possam corroborar um ambiente hostil que possibilite a violência na organização educacional. Preocupou-se inicialmente em fundamentar teoricamente a violência, suas causas, consequências, configurações e formas, para identificar a violência no Brasil, notadamente no ambiente escolar. Tendo por objetivo descrever e analisar a situação da escola diante do fator violência, observaram-se as previsões constitucionais e as regulamentações dadas pela LDB, no propósito de que a educação por ser um dever do Estado e da família, deve, por consequência, ser realizada de uma forma articulada de ações entre a escola, as autoridades e a familia. Além do mais, a educação que passou a ter o papel de promover a dignidade humana e o exercicio da cidadania, preparando o cidadão para a vida e para o trabalho, necessita, por sua vez, dessa ação articulada entre a escola, o Estado e a familia para que a escola possa cumprir o seu papel. Essa articulação, evidentemente, depende de políticas públicas direcionadas para tal, procurando estabelecer a promoção contínua do bem-estar social, da dignidade humana e do exercicio da cidadania. Por conclusão, observou-se que a violência possui um carater multiforme, complexo e global, tornando-se um fenômeno que acomete toda a sociedade nos seus mais diferentes níveis sociais. Constatou-se com esse estudo que a violência incide diretamente no desenvolvimento e nos resultados da ação educativa, tendo causado inúmeros problemas tanto para professores, como para alunos, familiares e comunidades. Essa violência que atinge diretamente professores, alunos, pais e comunidades, tem seu reflexo na sociedade em geral, contribuindo para o desequilíbrio social. As causas da violência e as suas consequencias podem ser prevenidas por meio de políticas públicas e ações de valorização do ser humano, principalmente a organização escolar que agora envolve não só seus profissionais e alunos, como toda comunidade que assiste.
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ZIMMERMANN, David. Violência: estudos sobre psicoterapia analítica de grupo. Porto Alegre: Artmed, 2001. Veja mais aqui, aqui e aqui



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