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segunda-feira, abril 01, 2024

CECILIA VICUÑA, MELBA ESCOBAR, FREDRIC JAMESON, UMBILINA & AUTOGESTÃO DA MEMÓRIA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do álbum Pure (Decca Records, 2003), do DVD Live from New Zealand (Decca Records, 2004) e Pie Jesu – Vietnam no National Memorial Day Concert in Washington (2011), da soprano neozelandesa Hayley Westenra.

 

UMA QUASE CANÇÃO DE AUTOEXÍLIO... - Já morri duas vezes: a primeira aos 10 anos de idade; a outra, aos 23 – afora outras tantas passageiras no meu dia-a-dia. Como a morte se abestalhava, escapulia. Mas antes de anteontem ela reapareceu. Quem não desespera com a presença dela por perto? Ao contrário dos estereótipos todos, ela era fascinantemente sedutora. Achegou-se com elegância, aboletou-se ao meu lado e não perdeu tempo: E a vida, hem? Apesar dos pesares, muito bonita: É bom viver! Além de linda, sabia, era inarredavelmente poderosíssima! Ela, então, estalou os dedos e um caleidoscópio instantâneo fez-se filme com todo inventário humano: guerras, fome, injustiças, misérias. Isso é bom? Não. A quem você quer enganar? Tudo era impressionante e insistia em meus olhos não aceitar nada daquilo: uma flor desabrochava, uma criança estendia a mão, um gesto de solidariedade na esquina... Pode sonhar! Só acontece mesmo na sua cabeça de tolo. Não acredito. Quer subestimar minha inteligência? E disse-me Dorothy Eden: O perigo, claro, residia na sua curiosidade, na sua inteligência e nos seus olhos obstinadamente observadores... Sempre prestei atenção a tudo no mundo e na vida. Lendo-me os pensamentos sussurrou: Memento mori... Ao invés de mim isto deveria ser pronunciado pros que se acham donos do mundo e das coisas, surpreendendo os valentões, os ricaços de todos os mandos e os fanáticos da fé. Fitou-me grave e, novamente, os seus dedos agitaram no ar apontando para um salão que surgiu de repente e, no bico da quina do adeus, lá estava: a rainha neandertal ressuscitara mais agnotológica que antes, com suas muitas formas ageótipas de se mostrar tão bela e metida com seus bruxedos medievais - carecia de espiar direito ali os seus zis e ardilosos disfarces. Estava a dita ressurreta ali envolvida com uma romaria escatológica e um coro tóxico aos berros cantantes: A humanidade fracassou! Glória, Jesus! O além-humano morreu! Aleluia! Era uma louca Babel e tudo girava em delírio, como se o come-cu (STSS) devorasse silenciosa e mortalmente as suas entranhas. Uma cena deprimente aquela, mais uma. E o pior era a constatação de que a arte, a filosofia, as ciências, todas sucumbiram àquele ato, ali enterradas definitivamente. E logo vi todos se aprontarem para possante marcha sob os supostos auspícios do todo-poderoso deles. Oh! Era um sinal de rasga-mortalha: o mundo vai acabar! Arrodeavam o cerimonial de uma cova dantesca com enorme pedra sobre. Se era aterrorizante, o medo a favor. Muito desesperador. Enquanto presenciava tudo aquilo, a atraente parca visitante roubava a cena cochichando ao meu ouvido Cressida Cowell: As ações têm consequências e um preço deve ser pago; há coisas que não podem ser desfeitas... Era um alerta e me fez sofrer tanto de ficar com o juízo meio mole. Coisa boa aquilo não era, a insônia de Cioran. Sim, eu me sentia bipolar: uma montanha russa no escuro, cético, niilista. Tal Mark Twain diante de um urso polar, com minha amnésia infantil - cada um com a sua loucura: incompleto, finito e o inesperado esmagador. A senhora libitina percebeu o quanto tudo aquilo calou fundo dentro de mim: mais uma das minhas tantas quedas num poço sem fundo da já inexistente Alagoinhanduba. Socorreu-me remediável com a presença do Eduardo Marinho que aparecera alheio a tudo e pude levar um lero feito o emancipador conversável do Agostinho da Silva. Toda reunião desconfortável desaparecera. E a madame do exício sorriu com o meu pronto restabelecimento puxando-me a um canto secreto e beijou-me: Vá! Apressei o passo cada vez mais longe, ao deus dará! Sentia-me uma andorinha enfrentando sozinha todos os predadores algozes. Escapei fedendo, a alma quase se perdendo de desencarnar de vez pelo barro batido do caminho estreito e mais não tivesse a esperança inútil, o coração esmagado - a morte só poderia ser vida: o passado e tudo que já foi agora é dela. Ao meu ouvido sua voz ecoava Bella Akhmadulina: Quem sabe - a eternidade ou um momento \ Eu tenho que vagar pelo mundo. \ para este momento ou esta eternidade \ Agradeço também ao mundo... Sobrevivi aos seus múltiplos encantos e estou aqui, pela terceira vez, pronto pra contar hestória. Até mais ver.

 

A CIGANA ADORMECIDA

(Um leão cuida de seu livro de sonhos)

Imagem: Acervo ArtLAM.

La Gitana escreve há anos um trabalho secreto \ que ninguém nunca saberá, \ mas já começou \ para ser realizado na vida real. \ Enquanto ela continua a sonhar \ Seus sonhos compõem o mundo. \ O leão, porém, não posso dormir. \ Se você parar de observá-la, \ ela poderia acordar e nós desaparecemos imediatamente.

Poema da poeta e artista chilena Cecilia Vicuña. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

LA CASA DE LA BELLEZA - [...] A verdade é necessária quando há justiça. Mas a verdade sem reparação envenena a alma [...] Desde que me lembro, tivemos que cuidar de nossa segurança. Eu sou loira, olhos azuis, 1,75 de altura, algo cada vez menos exótico no interior, mas na minha infância tudo um ás na manga para ganhar o carinho das freiras e o tratamento preferencial dos meus colegas, bem como um foco de atenção que no caso do meu pai se tornou paranóia de um sequestro que felizmente nunca aconteceu na família, riqueza e traços Os anglo-saxões contribuíram para o meu isolamento. [...] Sua mãe, apenas dezesseis anos mais velha que ela, já foi a rainha do bairro, então Ela pensou que iria acabar pobre, mas acabou grávida de uma loira que falava pouco espanhol e que ele presumiu ser um marinheiro. Dessa visita furtiva de amor, a mulata que Ela compartilhou com a mãe não apenas seu sobrenome, mas também sua beleza e escassez. [...] Entre os apitos dos carros ele avançou saltando por poças de água até chegar à corrida 11, onde Ele embarcou em um ônibus em ruínas […] Um menino de cerca de onze anos entrou para vender balas. Ele disse que foi deslocado de Tolima. Ele disse que tinha quatro irmãos. Ele disse que era o “chefe da família”. Karen Ele enfiou a mão na bolsa e entregou-lhe quinhentos pesos antes de ligar para o ponto. [...] Ao cruzar a centena, ficou atordoada com as buzinas, a fumaça do escapamento, os ônibus verdes e tão antiga quanto a fome de quem pede esmola […] Algumas mulheres, quase sempre negras ou indígenas, com os filhos pendurados no peito ou nas costas, seguravam a criatura em um mão, o papelão na outra, o pote para receber moedas debaixo do braço, numa lamentável equilíbrio sempre atento à mudança de luz. Ao ficar vermelho, mendigos, deslocados, bandidos, viciados em drogas, aleijados, charlatões, desempregados, analfabetos, Abusadas, mutiladas, crianças e mulheres grávidas assaltam veículos em espetáculo diário tão repetitivo e previsível que já não surpreende ninguém. [...] Minha mãe morreu quando eu tinha onze anos. Sempre fui bastante feio. Em todo caso, nenhuma beleza. Eu sabia pouco sobre homens e relacionamentos, sabia principalmente por meio de livros. Decidi ser psiquiatra porque cresci ouvindo meu pai comentar casos e parecia o mais natural. [...] Ainda me lembro daquela vez em que ele me chamou de “mamãe”. Eu estava distraído olhando o jornal, Perguntei uma coisa para ele, se ele tinha marcado consulta no urologista, alguma coisa assim, e sem levantar O chefe do jornal me disse: “Não, mamãe”, aí ele ficou vermelho de vergonha e o que ele me disse Isso me deu um ataque de riso. [...] A verdade é que Karen Marcela Ardila, por ter nome do meio, era O sorriso permaneceu desde que ela ganhou o prêmio Colombian Girl, aos oito anos. anos. Sua persistência no gesto era tanta que quase não conseguia mais controlá-lo. Ele sorria o tempo todo momento, mesmo quando a situação era triste ou dramática, outra razão pela qual Jamais poderia apresentar algo diferente do segmento de entretenimento. [...] Karen sabia, sua mãe lhe dissera, que o maior infortúnio de sua mãe fora dar à luz uma mulher porque "os homens fazem o que querem, enquanto as mulheres "Fazemos o que temos que fazer." Karen lembra que tinha treze anos quando a ouviu dizer isso. De Então ele se perguntou, com cada mulher que conheceu, se ele realmente fazia o que queria ou o que queria. essa foi a vez dele. [...] Suas conversas com ele estavam se tornando cada vez mais um ritual dominical e ela temia que com a passagem Com o tempo ela se tornou uma daquelas mães que um dia foi trabalhar no capital, com quem aos poucos o tema da conversa se perdia nas ligações todas as vezes mais curto e mais esporádico [...] “Quando você vem, mãe?”, ele disse finalmente. Já fazia tanto tempo Eu não liguei para a mãe dela. Ao ouvir aquela palavra ele se sentiu distante. [...] Aquele cheiro de terra do mar, de água do mar [...] tirando uma soneca na cadeira de balanço e a mãe preparando bolinhas de tamarindo na varanda de casa, e dizendo “menina, não me procure”. porque você vai me encontrar", porque ninguém mais a chama de menina, ninguém mais a procura, muito menos ela. encontra, ela não se encontra mais, muito menos sabe onde está, cada vez mais perdida, cada novamente aqui e ali ao mesmo tempo e ainda em lugar nenhum ao mesmo tempo. [...]. Trechos extraídos da obra La Casa de la Belleza (Planeta, 2017), da escritora e jornalista colombiana Melba Escobar. Veja mais aqui.

 

ANTINOMIAS DO REALISMO - [...] Observei um desenvolvimento curioso que sempre parece definir quando tentamos manter o fenômeno do realismo firmemente em o olho da nossa mente. É como se o objeto da nossa meditação começasse a oscilar, e a atenção para ele se afastar insensivelmente em dois direções opostas, de modo que finalmente descobrimos que estamos pensando, não sobre o realismo, mas sobre o seu surgimento; não sobre a coisa em si, mas sobre sua dissolução. [...] Também perde o grande jogo do narrador onisciente, que é conhecer segredos que nenhum dos personagens envolvidos jamais aprenderá, ironicamente levando para o túmulo sua infeliz ignorância. [...] Esta sinédoque, em que a escaramuça representa a batalha, como recomendou Balzac, é um ataque muito mais directo e enérgico ao problema impossível da representação colectiva do que qualquer coisa na Esquerda, que é reduzida a manifestações e marchas, e cujos dilemas são vividamente dramatizado pelo facto de terem participado nas filmagens de Outubro de Eisenstein mais actores e figurantes do que o número de participantes reais na própria revolução bolchevique. [...] Provavelmente todo o modernismo desperta isso não necessariamente impulso admirável que muitas vezes assimilamos à Interpretação como tal; mas aqui, pelo menos, podemos nos perguntar se o interesse está no conteúdo de tais temas simbólicos e interconexões ou no sentido ontológico primeiro plano do próprio processo. [...]. Trechos extraídos da obra The Antinomies of Realism (Verso, 2013), do crítico literário estadunidense Fredric Jameson, no qual trata a respeito das tinomeias do realismo, das fontes gêmeas e impulso narrativo, do afeto ou o presente do corpo; Zola, ou a Codificação do Afeto; Tolstoi, ou, Distração; Pérez Galdós, ou, o declínio da protagonicidade; George Eliot e Mauvaise Foi; a dissolução do gênero, a Terceira Pessoa Inchada, ou Realismo após Realismo, Coda: Kluge, ou Realismo após Afeto, a lógica do material, as experiências do Tempo: Providência e Realismo, Guerra e Representação, Vou ser o romance histórico hoje, ou ainda é possível, entre outros assuntois. Em seus estudos ainda expressou: Alguém disse uma vez que é mais fácil imaginar o fim do mundo do que imaginar o fim do capitalismo. Podemos agora rever isso e testemunhar a tentativa de imaginar o capitalismo através da imaginação do fim do mundo. Se tudo fosse transparente, não existiriam ideologias... Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

UMBILINA...

[...] todos os seres da terra são instrumentos de um mistério: tudo começa porque tem que acabar [...] concluiu que nada vale a pena – nem sofrer, nem ser feliz. Viver não é uma coisa nem outra, viver é cíclico. [...].

Trechos extraídos da obra Umbilina e sua grande rival (Autor, 2013), do escritor, dramaturgo e jornalista Cícero Belmar.

&

Oficina-vivência Autogestão da Memória, Museus Comunitários e Museologia Política, entre os dias 3 a 5 de abril de 2024, na sede da Sociedade de Cultura Artística 22 de Novembro, no Território Sagrado Ibarema/Paudalho, reunindo 20 articuladores(as) de Iniciativas de Memória, Museus Comunitários e Movimentos Sociais de Aliança, Nazaré da Mata, Olinda, Paudalho, Recife e Tracunhaém. Um evento da ELMP, IBRAM, Funcultura e NEPE/UFPE. Veja mais aqui.

 

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Crônica de amor por ela aqui.

 


segunda-feira, junho 22, 2020

NATHALIE GASSEL, DAMIANO COZZELLA, CLARICE ASSAD, AL HIRSCHFELD & LILISSAKAR



DIÁRIO DE QUARENTENA – UM COCHICHO, NÃO É PARA ESPALHAR! - Quem tinha a pá ciência, nem sabia direito: para despreparado nem o absurdo, disparates de quem para educar deseduca, tudo desdiz, desfaz, ou o duplipensar de Orwell, será? Os caras nem sabem o beabá, quanto mais! Nada mais que ridículos sectários que tangem uma manada festiva pro seu cercadinho. Só estupidez, nada mais mesmo. Parece mais obra de encomenda, não tem quem abra mão ou dê o braço a torcer, quem estiver do outro lado da corda que se arrisque ou vá às favas, situação nada comezinha. Ainda bem que ele enfatiza: Numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário. Ver aquilo que temos diante do nariz requer uma luta constante. Principalmente neste tempo de mentira fabricada como verdade absoluta no varejo e no atacado, montada numa negação reiterada que serve apenas ao fascismo oficial travestido de democrata. Eu, hem!

DOIS OU MAIS, DOS PARADOXOS: NÃO HÁ LÓGICA – Não há só A ou B, o resto do alfabeto, outro objeto, afora o estado de superposição: tudo flui aleatoriamente, vibra, pulsa, em todas as direções. E tem mais: o Gato de Schrödinger, o bootstrap de Chew, o paradoxal de Agostinho e lá vai teibei! Melhor Hermeto Pascoal: A Terra é um sonho infinito. Tudo é som! A música nasce como uma flor no jardim. Ainda bem que se disserem que endoidei, hahahahaha, na verdade, desendoideci. Vamos nessa!

TRÊS VEZES LUTO, LUTO! – Quem perde, enluta: a negação e o isolamento. Não há como ser diferente, parece faltar chão diante da ausência dos que foram arrebatados pela nuvem prateada de Tânato e seguiram pros Campos Elísios de Hades. Não há quem possua a astúcia de Sísifo ou o poder de Herácles, aos mortais não há saída, a não ser se recolher para elaborar, entorpecido, perturbado de raiva. Tudo é muito difícil de lidar, nenhuma justificativa plausível. A esperança é uma barganha que segue entre a depressão e a resiliência. No estágio final de Elisabeth Kübler-Ross, a aceitação: a paz distante e fim. Ah, não, a morte anunciada das democracias não é nada fácil, como jamais será qualquer perda. Não cruzo os braços, nem posso me conformar: luto e luto, quero um mundo melhor! Até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Um corpo feminino preto, infinito em musculatura, nem cruzado nem tocado, nem visto de outra maneira em um papel revestido, cortado de uma revista, colocado em meu diário, vastidão e vertigem que contemplo diariamente. O que distingue esses corpos admirados um do outro, o que nesta unidade de sucesso dá a cada um deles sua sedução? Ela está vestindo uma camisa vermelha. É de tamanho médio, feito de veias salientes, cubos abdominais, um sorriso largo; a cabeça dele está no escuro, as pernas, os braços, seu torso incomumente maciço. Não podemos dizer ou saber nada sobre sua cavidade muscular, paisagem de pedras e fendas. Oh, contemplação sonhadora onde eu mergulho. Abrace nossos corpos, músculo contra músculo, em um movimento que estende todos eles, sem combate, no entanto, sem ofensa. Numa aposta com corpos e com carne brutal de corpos. Expondo cada veia inchada. Tendões divinos, tendões que eu transo com ela pernas, veias salientes. Direito anterior que parece emergir da pele, que não há energia sem restrições, livre e bonito como um espelho. Eu passo minha língua por esta vida, oh força, nesse louvor de um corpo inteiro, até o músculo costureiro pula, brota ao mínimo movimento com a solidez de um carvalho. Deltóide como montanhas, que eu bato, que eu bloqueio contra as minhas, abraço simétrico, onde todo um jogo de força exulta no silêncio dos corpos. Nossas bocas, sua pele fresca e áspera, sua língua quente, ainda extasiada com essa reunião. [...]. Trecho extraído do livro Èros androgyne (L’Acanthe, 2000), da escritora e fotógrafa Nathalie Gassel.

OS ARRANJOS CORAIS DE DAMIANO COZZELLA
A música do compositor, arranjador e professor Damiano Cozzella (1929-2018), signatário do Manifesto Música Nova, arranjador do Coral da USP e fundador do Departamento de Música da Unicamp, em 1970, além de autor de trilhas sonoras para diversos filmes brasileiros. O livro Arranjos Corais de Damiano Cozzella (Edusp, 2017), organizado por Alberto Cunha, traz uma compilação dos cerca de trezentos arranjos de 40 anos de música popular brasileira, traduzindo sambas, choros, marchinhas, canções, todos a capella para o idioma coral, apresentando parcela da produção artística que rompe barreiras entre o erudito e o popular, compartilhando laboratório de trabalho do compositor.
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A MÚSICA DE CLARICE ASSAD
A música da premiada compositora, pianista, cantora e arranjadora Clarice Assad, integrante da família musical Assad, bacharel em música pela Roosevelt University em Chicago e mestrado em composição pela Universidade de Michigan. A sua discografia é formada pelos indispensáveis álbuns Convite (2004), Amor tudo o que é (2008), Início (2012), Imaginarium (2014), Relíquia (2016) e Clarice Assad & Friends: Live at the Feer Head Inn (2016). Veja mais aqui.

A ARTE DE AL HIRSCHFELD
Tudo o que sei é que quando a coisa funciona, eu estou ciente, mas como deu certo, não sei. Através dos julgamentos, você elimina os erros e chega então à linha pura, que comunica a quem vê. O último desenho que se faz deve ser o melhor desenho.
AL HIRSCHFELD - A arte do ilustrador estadunidense Al Hirschfeld (1903-2003), que desenhou e inspirou estrelas de Holluwood e do mundo inteiro. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A música e arte do compositor indígena Lilissakar, que apresenta os rituais da cultura da tribo fulniô.
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A obra do jornalista e escritor Geneton Moraes Neto (1956-2016) aqui.
A poesia de Valmir Jordão aqui.
O espetáculo teatral Homens e caranguejos, da Cia Duas de Criação & Coletivo Cênico Joanas Incendeiam (SP) aqui.
O curta-metragem Loja de Répteis, de Pedro Severien aqui.
A música do compositor e maestro Dery Nascimento (1968-2018) aqui.
Dominando a acentuação gráfica de Arantes Gomes aqui.
&
Sirinhaem aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

quarta-feira, março 05, 2008

BLANCHOT, ORIDES FONTELA, KARITA MATTILA, HOMERO, REZENDE MARTINS, AGOSTINHO, PSICOLOGIA TURISMO & HOTELARIA

 Curtindo os CDs/DVDs Karita Mattila at the Finnish National Opera in Helsinki (2006), com o pianist Martin Katz & a opera Tosca de Pucccini (Erato, 2010), com a soprano e atriz finlandesa Karita Mattila. Veja mais aqui.

O DESEJO NA MADRUGADA - Ela dormia nua embaixo do lençol, de lado, eu acompanhando o seu sono, seu respirar macio, seus suspiros. Vez em quando lambia os lábios ou mordia o lábio inferior. Ela sempre linda, alisava seus cabelos, contornava com a ponta dos dedos os seus ombros, beijei-os, enquanto contornava a sua face aveludada, seu jeito angelical de menina sapeca, a testa, as sombrancelhas, alisava seu perfil, entre lábios, queixo, pescoço, carícias nos seios à mão cheia, o ventre, o sexo umedecido. Removi o lençol e beijei seus pés, calcanhares e expus minha língua entre suas pernas, coxas espremendo o ventre. Ao alcançar-lhe o joelho, senti-lhe a pele arrepiada e mais lambia como quem percorre o caminho do seu esconderijo mais desejado. Beijei-lhe os lábios vaginais, enquanto ela juntava os pés para se esfregarem ao meu pênis rijo, e lhe lambia a fonte, e sorvia seus sabores mais íntimos, a chupar-lhe o sexo exposto pra minha gula insaciável. E puxou-me pelo pescoço até o ventre para que respirasse afogueada a agonia da tesão, para alcançar-lhe os seios, mordicando com meus lábios seus mamilos, brincando de lá e loa, ela me puxando à força pros seus beijos loucos, forçando com as pernas meu sexo contra o seu, esfregando-o contra o seu desejo, instigando-me penetrá-la para resfolegar enlouquecida o prazer de ser possuída naquele momento mágico da nossa paixão. E lhe enfiei o meu membro mansamente a deslizar lento enquanto aos beijos nos procovámos e ela inquieta, remexedora, arreganhada, querendo mais da minha inteira compleição dentro até alcançar-lhe a fundura abissal do seu gozo por orgasmos infindáveis por manhas e dengos que ela me assanhava, mãos selvagens aos apertos e esfregões até nos redimir no uníssono prazer mútuo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


PENSAMENTO DO DIA – Todo agir humano pressupõe uma interpretação das situações objetivas vividas no passado e no presente, e uma vontade conformnada mediante intenções, metas, objetivos. A história exprime, assim, a cultura dimensionada no tempo. Essa cultura se constitui pela cadeia da memória. Pensamento do sociólogo, filósofo, historiador e professor Rezende Martins.Veja mais aqui.

O LIVRO POR VIR – [...] E porque as Sereias, que eram apenas animais, lindas em razão do reflexo da beleza feminina, podiam cantar como cantam os homens, tornavam o canto tão insólito que faziam nascer, naquele que os ouvia, a suspeita da inumanidade de todo canto humano. Teria sido então por desespero que morreram os homens apaixonados por seu próprio canto? Por um desespero muito próximo do deslumbramento [...] Isto não é uma alegoria. Há uma luta muito obscura travada entre toda narrativa e o encontro com as Sereias, aquele canto enigmático que é poderoso graças a seu defeito. […] O que chamamos de romance nasceu dessa luta. Com o romance, o que está em primeiro plano é a navegação prévia, a que leva Ulisses até o ponto de encontro. Essa navegação é uma história totalmente humana. Ela interessa ao tempo dos homens, está ligada à paixão dos homens, acontece de fato e é suficientemente rica e variada para absorver todas a forças e toda a tenção dos narradores. Quando a narrativa se torna romance, longe de parecer mais pobre, torna-se a riqueza e a amplitude de uma exploração, que ora abarca a imensidão navegante, ora se limita a um quadradinho de espaço no tombadilho, ora desce às profundezas do navio onde nunca se soube o que é a esperança do mar [...] É verdade que Ulisses navegava realmente e, um dia, em certa data, encontrou o canto enigmático. Ele pode portanto dizer: agora, isto acontece agora. Mas o que acontece agora? A presença de um canto que ainda estava por vir. E o que ele tocou no presente? Não o acontecimento do encontro tornado presente, mas a abertura do movimento infinito que é o próprio encontro, o qual está sempre afastado do lugar e do momento em que ele se afirma, pois ele é exatamente esse afastamento, essa distância imaginária em que a ausência se realiza e ao termo da qual o acontecimento apenas começa a ocorrer, ponto em que se realiza a verdade própria do encontro, do qual, em todo caso, gostaria de nascer a palavra que o pronuncia [...] é a realidade do espaço próprio da linguagem, do qual somente o poema – livro futuro – é capaz de afirmar a diversidade dos movimentos e dos tempos, que o constituem como sentido ao mesmo tempo que o reserva como fonte de sentido [...]. Trechos extraídos da obra O livro por vir (Martins Fontes, 2005), do escritor, ensaísta e crítico de literatura Maurice Blanchot (1907-2003), abordando na primeira parte – O canto das sereias -, o encontro do imaginário, a experiência de Proust, o segredo da escrita, a espantosa paciência; na segunda parte, A questão literária, trata sobre Não haverá chance de acabar bem, Artaud, Rousseau, Joubert e o espaço, Autor sem livro, escritor sem escrito, versão de Mallarmé, Claudel e o infinito, a palavra profética, o segredo do Colem, O infinito literário: o Aleph, o malogro do demônio: a vocação; na terceira parte, Uma arte sem futuro, abordando sobre o extremo, Broch, os sonâmbulos: a vertigem e a lógica, a morte de Virgilio: a busca da unidade, A volta do parafuso, Musil, a paixão da indiferença, a experiência do outro estado, a dor do diálogo, a claridade romanesca, a busca de si mesmo, o jogo dos jogos, o diário íntimo e a narrativa, a narrativa e o escândalo; e na quarta e última parte, Para onde vai a literatura?, trata sobre o desaparecimento da literatura, a busca do ponto zero, onde e quem agora, morte do último escritor, o livro por vir, Ecce liber, um novo entendimento do espaço literário, o poder e a glória.

CANTO DAS SEREIAS – [...] Primeiro, encontrarás as duas Sereias; elas fascinam todos os homens que se aproximam. Se alguém, por ignorância, se avizinha e escuta a voz das Sereias, adeus regresso! Não tornará a ver a esposa e os filhos inocentes sentados alegres a seu lado, porque, elas o fascinam, sentadas na campina, em meio a montões de ossos de corpos em decomposição, cobertos de peles amarfanhadas. [...]. Trecho do poema épico Odisseia (sec. VIII aC), do poeta grego Homero (928aC-898aC). Veja mais aqui e aqui.

QUATRO POEMASMEIO-DIA: Ao meio-dia a vida / é impossível. / A luz destrói os segredos: / a luz é crua contra os olhos / ácida para o espírito. / A luz é demais para os homens. / (Porém como o saberias / quando vieste à luz / de ti mesmo?) / Meio-dia! Meio-dia! / A vida é lúcida e impossível! TÓPICOS DE UMA CALEIDOSCÓPICA ESCRITA: O fluxo obriga / qualquer flor / a abrigar-se em si mesma / sem memória. CORUJA: Vôo onde ninguém mais - vivo em luz / mínima / ouço o mínimo arfar - farejo o / sangue / e capturo / a presa / em pleno escuro. MÃOS: Com as mãos nuas / lavrar o campo: / as mãos se ferindo / nos seres, arestas / da subjacente unidade / as mãos desenterrando / luzesfragmentos / do anterior espelho / com as mãos nuas / lavrar o campo: / desnudar a estrela essencial / sem ter piedade do sangue. Poemas extraídos da obra Poesia reunida (1969-1996 – Cosac Naify, 2006), da poeta Orides Fontela (1940-1998). Veja mais aqui.

A arte da soprano e atriz finlandesa Karita Mattila no DVD da ópera Salomé (Sony, 2011), do compositor Richard Strauss, baseado na obra de Oscar Wilde, no Metropolitan Opera. Veja mais  aqui.


CIDADE DE DEUS -No primeiro capítulo da obra “A cidade de Deus”, Agostinho de Hipona, remete sua posição na defesa da Cidade divina, contra os inimigos impiedosos ou adversários perversos que blasfemam contra Cristo, sinalizando pela ingratidão das trevas eternas. No segundo capítulo, autor chama atenção para o fato de que em havendo guerras nunca os vencedores perdoaram os vencidos, submetendo-os à escravização e dominação. No capítulo terceiro, o autor chama atenção ao erro romano de adotar deuses na ingratidão perversa dos blasfemadores de Cristo, atribuindo-lhe os males quando este perdoou a todos. No capítulo quarto, o autor chama atenção para o templo de Juno, em Tróia, comparando-o com as basílicas dos apóstolos, quando o primeiro, a ninguém protegeu dos gregos; enquanto que o segundo, a todos protegeu dos bárbaros, demonstrando a injustiça que se faz ao atacar a imagem do Cristo. No quinto capítulo, o autor demonstra o posicionamento de César com relação ao estilo comum dos inimigos destruidores de cidades vencidas, quando Roma detém em seu poder os seus próprios inimigos. No capítulo sexto, é observado a forma como os romanos tomaram as cidades sem que perdoassem os vencidos refugiados nos templos. No sétimo capítulo, ele chama atenção à crueldade na destruição de Roma, quando ceifaram vítimas impiedosamente, demonstrando, pois, que quando houve clemência, este se deu em nome de Cristo. No oitavo capítulo, ele chama atenção para as desgraças infligidas tanto a bons como a maus, bem como a graça alcançada pelas pessoas, assinalando “[...] Assim, malgrado partilharem das mesmas angústias, bons e maus não se misturam, por estarem confundidos nas provações. A semelhança dos sofrimentos não elimina a diferença entre os sofredores e a identidade dos tormentos não estabelece identidade alguma do vício e da virtude. Sob a ação da mesma chama, o ouro brilha, fumega a palha. [...] Não interessa tanto o que a gente sofre, mas como sofre. Remexidos de igual maneira, o lodo exala horrível mau cheiro, o unguento, suave perfume” (p. 64), observando, pois, que o sofrimento para todos ocorre de maneira igual, e somente a graça é alcançada pela bênção divina. No capítulo nono, ele relata as causas dos corretivos que flagelam por igual bons e maus, assinalando que: “[...] Embora as pessoas de bem odeiem a vida do mau e tal aversão as preserve do abismo que espera os réprobos, à saída deste mundo, essa fraqueza indulgente com as mortais iniquidades, por medo a represálias contra as próprias faltas, faltas leves e veniais, diga-se de passagem, essa fraqueza, salva da eternidade dos suplícios, é de justiça que seja com o crime castigada pelos flagelos temporais, é de justiça que, no envio providencial das aflições, sinta o amargor da vida que, embriagando-a com doçuras, a dissuadiu de oferecer aos maus a taça salutar da amargura”. Assim sendo, observa ele que outra causa de serem as pessoas de bem submetidas aos flagelos temporais, é querer Cristo revelar ao espírito humano a força de sua piedade e permitir ao homem demonstrar o amor desinteressado que lhe tem. No décimo capítulo, reflete Santo Agostinho sobre o fato de que prejuízo algum causa aos santos a perda das coisas temporais, considerando que: “[...] mesmo que tenha havido, quem, nos tormentos, confessasse a santa pobreza, confessava, sem dúvida alguma, Jesus Cristo. Vítima de bárbara incredulidade, nenhum confessor da santa pobreza poderia sofrer, sem alcançar celeste recompensa” (p. 70). No capítulo onze, Santo Agostinho trata acerca da vida temporal, defendendo que “[...] A morte não representa nenhum mal, se sucede a vida santa” (p. 70), chamando a atenção que a morte do pobre dedicado ao bem e sendo bom, é melhor que a morte de um rico que descansa na riqueza mas que será atormentado na vida eterna. No capítulo doze, o autor trata do sepultamento do corpo humano que de nada priva o cristão, embora lhe seja negado com ultraje, mas que na Cidade divina todos serão recompensados. No capítulo treze, o autor trata acerca do sepultamento do corpo dos santos, defendendo que “[...] a falta de coisas necessárias à mantença da vida, como o alimento e o vestuário, provação cruel, mas impotente contra a inalterável paciência do homem virtuoso, longe de desarraigar-lhe do coração a piedade, a exercita e fecunda” (p. 73), chamando atenção para a paciência, a virtuosidade e crença em Deus para que todos os males sejam superados. No capítulo catorze, o autor fala acerca do cativeiro dos santos a quem jamais faltou consolo divino, adiantando, pois, no capítulo seguinte, sobre o régulo de quem fica exemplo de cativeiro espontaneamente sofrido por motivos religiosos, que, apesar de tudo, não lhe puderam ser de proveito, porque adorava deuses, considerando que: “[...] Como, porém, se agitou o caso dos cristãos levados cativos, que os imprudentes e impudentes escarnecedores da religião salvadora reflitam em tal exemplo e se calem. [...] e em mãos dos inimigos esgotado, em prolongada agonia, todos os refinamentos de inaudita crueldade, com que direito exprobrar a fé cristã pelo cativeiro de vários fiéis, que, à espera infalível da pátria celeste, se sabem estrangeiros no próprio lar” (p. 76), chamando atenção para o fato de que mesmo submetidos aos horrores da guerra e do cativeiro, sempre haverá consolo na Cidade divina. No capítulo dezesseis, trata também dos padecimentos das santas virgens no cativeiro, chamando atenção para “[...] fique assentado que a virtude, principio essencial de vida santa, de sua sede, a alma comanda os membros do corpo e o corpo é santificado pelo uso de vontade santa. Enquanto essa vontade permanecer constante e firme, advenha o que advir ao corpo ou do corpo, se impossível evitá-lo sem pecado, somos inocentes do que lhe acontece. Das violências, porém, de que o corpo é passível algumas há capazes de nele produzirem outra sensação, diferente de dor” (p. 77), observando que a dedicação à Cidade divina, leva o sofrimento ao prazer da glória eterna. No capítulo dezessete trata da morte voluntária por medo à desonra ou à pena. Em seguida, aborda a violência e libido alheia que no corpo, forçado, contra a vontade, sofre a mente, defendendo que “A santidade corporal, com efeito, não consiste na integridade dos membros preservados de todo contato, porque em muitas circunstâncias ficam expostos a violências, ferimentos e com freqüência sua saúde exige operações horríveis de ver.[...] enquanto a alma permanece pura, o corpo oprimido pela violência nada perde da santidade” (p.79), sustentando que se a vontade permanece casta, quando o corpo sucumbe, o crime não é da vítima, mas do opressor. No capítulo dezenove, trata acerca de Lucrecia que se matou por haverem-na estuprado e, no capítulo seguinte, aborda a questão de que não existe autoridade alguma que seja em qual for o caso, conceda ao cristão o direito de matar-se voluntariamente. Logo após, no capítulo vinte e um, trata dos homicídios não considerados criminosos, considerando que “[...] Algumas vezes, seja como lei geral, seja como ordem temporária e particular, Deus ordena o homicídio”, (p. 83), não sendo, pois, moralmente homicida quem deve à autoridade o encargo de matar, excetuando-se, pois o homicídio ordenado por lei geral e justa ou por ordem expressa de Deus, fonte de toda justiça. Do contrário, quem mata o irmão ou a si mesmo é réu do crime de homicídio. No capítulo vinte e dois, o autor trata acerca da morte voluntária que jamais pode ser atribuída à grandeza de ânimo e, logo no capítulo posterior, trata da espécie que pertence o exemplo de Catão que, não podendo suportar a vitória de César, se matou. Já no capítulo vinte e quatro, observa a questão de na virtude em que Régulo se avantajou a Catão, entendendo que “[...] esses ilustres e magnânimos defensores da pátria terrestre, adoradores, mas adoradores em verdade, de deuses de mentira, cujo nome não juram em vão, apesar das usanças e do direito de guerra permitirem matar o inimigo vencido, não querem, vencidos pelos inimigo, matar-se e preferem as humilhações do cativeiro à morte, que abordariam sem temor. Não é, por conseguinte, grande dever do cristão, servidor do verdadeiros Deus e suspiroso pela celeste pátria, abster-se de tal crime, quando, seja como provação, seja como castigo, a Providência o entrega por algum tempo ao poder dos inimigos” (p. 87), isto em virtude de que todos os seres humanos passam por privações e provações, mas que estarão, enfim, na Cidade divina gozando das benesses celestiais. No capítulo vinte e cinco, o autor defende que pecado algum deve ser declinado por outro e, logo em seguida, trata da razão de dever crer nas coisas ilícitas feitas pelos santos, observando a questão do suicídio da seguinte forma: “[...] Ninguém deve matar-se, nem para fugir das aflições temporais, para não cair nos abismos eternos, nem por causa dos pecados alheios, porquanto a fuga a crime alheio que nos deixa puros vai arrastar-nos a crime pessoal, nem por causa de pecados antigos, pois a penitência, ao contrário, tem necessidade da vida para curá-los, nem pelo desejo de vida melhor, cuja esperança está depois do falecimento, porque o porto de vida melhor no além-túmulo não se abre para os suicidas” (p. 90). E é no capítulo logo em seguida que aborda a questão da morte voluntária esquivando-se do pecado, onde assinala que “[...] Tendes grande e verdadeira consolação, caso vossa consciência vos dê sincero testemunho de não terdes consentido no pecado que se permitiu contra vós” (p. 91). No capítulo vinte e oito, o autor trata da razão por que o juizo de Deus se permitiu que a libido do inimigo se cevasse no corpo dos castos, observando que “[...] haverem muitos podido considerar a continência com dom corporal desses que duram enquanto o corpo se conserva puro de toda mancha estranha, não como bem dependente da força de vontade apenas, auxiliada pela graça divina, santificadora da carne e do espírito, não como bem cuja perda se torne impossível, sem consentimento interior. Talvez devam ser libertadas de tamanho erro. Quando pensam, com efeito, na sinceridade de coração com que serviram a Deus, inquebrantável fé guarda-as de acreditarem possa Ele abandonar quem o serve e invoca assim; sabem quanto lhe agrada a castidade e concluem, com evidente certeza, que jamais permitiria adviesse às santas semelhante infortúnio, se a santidade que lhes deu e nelas ama pudesse perder-se assim” (p. 92), passando, portanto, logo após, a considerar o que deve responder aos infiéis à família de Cristo, quando lhe lançam em rosto não havê-la Cristo livrado do furor dos inimigos e, por conseguinte, tratar da inconfessável prosperidade que deseja gozar quem se queixa dos tempos cristãos, observando que “[...] e o apetite ao domínio, de todas as paixões do gênero humano a que mais embriaga qualquer alma romana, depois de vencer alguns dos mais poderosos, encontra acabrunhados e abatidos os restantes e o oprime-os com o jugo da escravidão” (p. 95), levando em consideração, no capítulo a seguir, a gradação de vícios com que foi crescendo os romanos a paixão de reinar, uma vez que “[...] não fora revelada às nações a celeste doutrina que eleva ao céu, até mesmo acima dos céus, o coração humano purificado pela fé, lhe transforma o amor em humilde piedade e o liberta da soberba tirania dos espíritos de malícia” (p. 96). Por esta razão, aborda no capítulo trinta e dois a instituição dos jogos cênicos, em que são realizados os verdadeiros espetáculos da infâmia, libertinagem e vaidade, estando, pois, a Cidade divina incólume de tais blasfêmias e considerando o que aborda no capítulo logo em seguida, sobre os vícios romanos que a destruição da pátria não emendou, onde “[..] viceja por mercê de Deus, cuja clemência vos convida a vos corrigirdes pela penitência, de Deus, que já permitiu a vossa ingratidão escapar, sob o nome de servidores seus, nos monumentos de seus mártires, à sanha de vossos inimigos” (p. 98). Com isso, exalta no capítulo trinta e quatro, a clemência de Deus amenizando a destruição da Urbe e, no trinta e cinco, tratando dos falsos cristão existentes na Igreja e os filhos da Igreja encobertos entre os ímpios, sob a alegação de que “[...] A respeito da origem, progresso e do fim que as aguarda é que quero desenvolver meus pensamentos, com a divina assistência e para glória da Cidade de Deus, que o cotejo de tantos contrastes há de tornar mais resplandecente” (p. 99). No capítulo trinta e seis, o autor falará acerca do discurso subseqüente, tratando a necessidade de consolidação da Cidade de Deus que servirá a beatitude e a salvação de todos os cristão.

PSICOLOGIA APLICADA AO TURISMO E HOTELARIA - O livro A Psicologia aplicada ao turismo e hotelaria, segunda edição dos textos acadêmicos escritos por Fernando Brasil Silva, trata, em geral, da aplicação de critérios psicológicos por parte dos profissionais das áreas epigrafadas quando do atendimento de sua clientela. Em seu capítulo primeiro, é observado pelo autor a maneira geral de aplicação de princípios e conceitos psicológicos comparando os termos usuais pertinentes ao tema psicologia, seus desdobramentos e implicações, no sentido de localizar e fundamentar o profissional da área de turismo e hotelaria, assenhoreando-o para melhor desenvolvimento de suas atividades cotidianas. Enquanto isso, o capítulo segundo, o autor discorre sobre a questão da personalidade analisando-a em sua diversidade de traço e de como esta forma o caráter dos indivíduos, possibilitando, assim, ao profissional das áreas em referência, conhecer a dimensão que se faz necessário obter conhecimento sobre o assunto. Por fim, no quarto capítulo, é evidenciado perturbações comportamentais inerentes aos seres humanos, desde o orgulho até a insegurança, passando ainda pela arrogância, prepotência, entre outros comportamentos que acometem, invariavelmente, a clientela, apresentando modalidades de posturas mediante a confrontação de tais incovenientes, bem como a melhor maneira do profissional abordar seus clientes no caso de qualquer incidência que se incorra no ambiente de trabalho. O livro, assim, é de suma importância para aqueles que desenvolvem atividades nas áreas de turismo e hotelaria, no sentido de que estes, cônscio de tais formas de comportamento, possam melhor desempenhar e qualitativamente desenvolver suas atividades funcionais. REFERÊNCIAS: SILVA, Fernando Brasil. A psicologia aplicada ao turismo e hotelaria. São Paulo: Cenaum /Unibero, 2000



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