quarta-feira, março 25, 2020

LINA BO BARDI, PÉNÉLOPE BAGIEU, ROBERTA MARQUEZ, DELANO & PAPA-VENTO


UMA: QUEM NASCE PRONTO? - Nascer é o primeiro processo. Depois, tudo assim continuará: em processo. Vamos transformando-nos em cada etapa: infância, adolescência, fase adulta e velhice. Ninguém está pronto para nenhuma delas, sempre marinheiro de primeira viagem em qualquer tempo ou lugar. E, à medida que os anos passam, novos reposicionamentos e ressignificações ocorrem, enquanto decodificamos o que se passa em nosso interior e ao derredor. Bem diz Berthe Morisot: Na vida, chegamos despreparados a qualquer idade, e apesar dos anos não temos experiência. Vamos aprendendo. DUAS: KEEP CALM AND CARRY ON - Ora, de que adianta pular nas funduras das águas para salvar quem está morrendo afogado, se não se sabe nadar? O mais apropriado é ficar onde estar, tomar pé da situação rapidamente, procurar ajuda especializada ou uma boia ou o que possa fazer para ajudar, mas racionalmente. É certo que a rápida iniciativa ajuda, salva. Agora mesmo, em tempos de insegurança e imprevisões, o melhor a fazer é o que diz Nina Hagen: O mundo vai entrar em colapso, mas ninguém deve ter medo. Fique em casa ou como dizia aquele anônimo cartaz motivacional britânico, distribuído durante a Segunda Guerra Mundial e redescoberto em 2000: Mantenha a calma e siga em frente. TRÊS: SE EMBRONCAR, AFROUXE & RELAXE - Para quem já nasceu sob a insígnia do pecado e da culpa, o medo é pura consequência. A liberação dá trabalho, nada fácil romper castrações e interditos, dá muita confusão no juízo. O certo é que não adianta entrar em pânico, desespero só dá na paranoia. É preciso afrouxar e liberar, como escreve Jack Kerouac: Eu só confio nas pessoas loucas, aquelas que são loucas pra viver, loucas para falar, loucas para serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo, que nunca bocejam ou dizem uma coisa corriqueira, mas queimam, queimam, queimam, como fabulosas velas amarelas romanas explodindo como aranhas através das estrelas. Taí, ora. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Um anacronismo é também se inspirar na pura técnica como valor expressivo; a técnica não possui valores expressivos em si mesma, mas apenas na eficiência do seu emprego. Quando a única virtude da técnica é o seu aspecto, a sua aparência, cai-se na decoração; (...) a novidade pela novidade, o estranho pelo estranho podem preencher os olhos mas não a inteligência e o coração. [...] A liberdade do artista foi sempre “individual”, mas a verdadeira liberdade só pode ser coletiva. Uma liberdade ciente da realidade social, que derrube as fronteiras da estética, campo de concentração da civilização ocidental; uma liberdade ligada às limitações e às grandes conquistas da prática científica (prática científica, não tecnologia decaída em tecnocracia). Ao suicídio romântico, é urgente contrapor a grande tarefa do planejamento ambiental, desde o urbanismo e a arquitetura até o desenho industrial e outras manifestações culturais. Uma reintegração, uma unificação simplificada dos fatores componentes da cultura. [...] Um dos mais desoladores resultados desses tempos cheios de amarguras e desilusões é a indiferença com a qual governantes, homens políticos, jornalistas, numa palavra, todos aqueles que formam o elemento condutor do país, consideram os problemas técnicos e científicos. Destinam-se verbas enormes a obras públicas, esgotando as finanças nacionais, sem se perguntar se a obra e o fim corresponderão ao sacrifício feito pelo país, e se essas obras merecem realmente esse sacrifício. [...] É preciso se libertar das “amarras”, não jogar fora simplesmente o passado e toda a sua história; o que é preciso, é considerar o passado como presente histórico. O passado, visto como presente histórico é ainda vivo, é um presente que ajuda a evitar as várias arapucas. Diante do presente histórico, nossa tarefa é forjar um outro presente, “verdadeiro”, e para isso é necessário não um conhecimento profundo de especialista, mas uma capacidade de entender historicamente o passado, saber distinguir o que irá servir para as novas situações de hoje que se apresentam a vocês, e tudo isto não se aprende somente nos livros [...]. Trechos extraídos da obra Lina por escrito: textos escolhidos de Lina Bo Bardi 1943-1991 (Cosac Naify, 2009), da arquiteta modernista Lina Bo Bardi (1914-1992), organizado por Silvana Rubino e Marina Grinover, que revela a capacidade de transformar seu universo criativo em palavras, reunindo 3 artigos que repassam e propõem conceitos para temas como habitação, mobiliário, arte popular, museologia, restauro, educação e políticas culturais. Dela a irrepreensível expressão: O passado não volta. Importantes são a continuidade e o perfeito conhecimento de sua história.

OUSADAS MULHERES – Interessantíssima publicação a Ousadas – Mulheres que fazem o que querem (Nemo, 2018), da ilustradora e quadrinista francesa Pénélope Bagieu, tratando com humor e sagacidade a história de quinze mulheres excepcionais que enfrentaram a pressão social de seu tempo e se tornaram donas de seus próprios destinos, a exemplo da grega Agnodice que se disfarçou de homem para exercer a ginecologia na Grécia Antiga; Nzinga, a rainha de Ndongo e Matamba; a atriz aterrorizante Margareth Hamilton; a guerreira apache e xamã Lozen, entre outras. A autora estudou cinema de animação na Ensad e passou pela Central Saint Martin de Londres, também publicou a graphic novel Uma morte horrível (Nemo, 2016), desenvolve a série Ousadas e edita o blog Ma vie est tout à fait fascinante (Minha vida é realmente fascinante) onde conta, com ilustrações e bom-humor, histórias do seu cotidiano. Veja mais aqui.

PAPA-VENTO
Foi o calango em casa
De seu tio Papa-Vento
Tomar a benção e disse
Antes de tomar assento:
- Venho lhe pedir a mão
De sua filha em casamento.
PAPA-VENTO Versos recolhidos na obra Ao som da viola (Imprensa Oficial, 1949), do advogado, professor, museólogo, folclorista e escritor cearense Gustavo Barroso (1888-1955), identificando-se como o nome dado no sertão para o camaleão, Iguana tuberculata, muito vulgar nas estórias antigas, versos populares, havendo mesmo uma roda infantil denominada Camaleão. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Isso mostra que no Brasil podemos formar bons profissionais. Hoje, não preciso me preocupar com nada, só com a dança. No Brasil, eu tinha que comprar sapatilha com o meu salário, porque, às vezes, faltava.
ROBERTA MARQUEZ – A arte da premiada bailarina Roberta Marquez, que foi a primeira-bailarina do Royal-Ballet de Londres, depois de casar-se em pleno palco do Municipal do Rio de Janeiro, em 2002, e quase desistiu da carreira. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
A ARTE DE DELANO
A arte do pintor, desenhista e gravador Delano (Flanklin Delano de França e Silva).
A poesia de Anchieta Dali aqui.
A literatura de Admmauro Gommes aqui, aqui & aqui.
A música de Manoel Carvalho Mancini & Brasília Popular Orquestra (BRAPO) aqui.
A arte de Cristiane Campos aqui
Kid Malvadeza aqui.
O município de Ribeirão aqui & aqui.
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terça-feira, março 24, 2020

REICH, ANAHÍ BERNERI, EDMONIA LEWIS, TABITHA KING & LADJANE BANDEIRA


ENTRE TOPADAS E DOIDICES A GENTE VAI MANDANDO VER – UMA: COMO É QUE SÃO AS COISAS NA VIDA - Estava pensando na vida, ao me dar conta que rolava a Bachianinha nº 5, do Villa-Lobos. Parei de divagar e me liguei na música. Ah, eu matava a saudade da inesquecível soprano Bidú Sayão, que, por sinal, teve uma história muito interessante. Certa vez li um relato dela dizendo: Eu não tinha voz alguma quando comecei. Os professores me disseram que eu era muito nova ainda, que minha família ia gastar dinheiro à toa. Mas eu insisti, chorei muito, garanti que não me importava com bailes, namorados, festas. E comecei a cantar. Pois é. E tornou-se a inesquecível e célebre cantora lírica, aplausos. Uma lição inestimável: talento só não basta, precisa de renúncias e muita coragem. Conheço muita gente talentosa que jamais acreditou em si própria, ou desistiu, ou ficou pelo caminho. DUAS: CORRE MUITO SANGUE EM MINHAS VEIAS – Nunca consegui a imparcialidade exigida pela academia e ciências, nunca soube alguém imparcial a tal ponto de frieza. Disciplina, tirocínio e senso de justiça, isso sim, a busca por certa isenção, sem interferir no resultado. Ah, isso sim. Logo eu que, lá pelos meus 10 ou 11 anos de idade, ganhei do meu pai uma coleção do Graciliano Ramos e, ao ler cada volume, copiei de um deles a seguinte frase: Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões. Afinal, nem só de carne e osso, muito sangue corre em minhas veias. É isso aí. TRÊS: MAIS OUTRA PARA FECHAR A CONTA – Mas esse mundão é muito cheio de nove horas. Quando passo a limpo as leituras da história da humanidade, muita doidice é registrada, afora um tanto de desatinos chega dá pra pensar o tamanho da estupidez. Nessa eu vou de Akira Kurosawa: Neste mundo louco, só os loucos são sãos. E num é que é mesmo, ora! Vamos aprumar a conversa gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Não ousou olhar para cima para ver se tinha rosto. Não tinha aprendido nas aulas da igreja que a visão do rosto de Deus era reservada para o Juízo Final? E nem mesmo a forte possibilidade de uma piada cuja vítima fosse a raça humana, em que Deus era tal qual a pintura de uma mulher, apagava a certeza de que, no Juízo Final, todos nós estaríamos mortos. [...]. Trecho extraído da obra Pequenas realidades (Darkside, 2019), da escritora estadunidense Tabitha King, carregada de sutilezas, bizarrices e ferocidade, com uma trama que envolve relações familiares problemáticas e o mundo estranho e obsessivo das miniaturas, uma história grotesca e disfuncional.

COMO É QUE É, HEM? – O homem moderno é estranho à sua própria natureza. A carga organótica dos tecidos celulares do sangue determina o grau de suscetibilidade para infecção ou disposição para doenças. Na verdade fiz uma única descoberta: a função das convulsões orgásticas do plasma... E foi muito mais difícil que a observação, comparativamente simples, dos bions ou o fato igualmente e simples e evidente de que a biopatia do câncer, baseia-se no encolhimento e na decomposição geral do organismo vivo. O homem não encouraçado mantem contato com a natureza dentro e fora de si. A verdade é perigosa quando diz respeito a você. Se lhe for dada a escolha entre uma biblioteca e uma luta, sem dúvida você irá à luta. Só se fantasia o que não se pode ter na realidade. Pensamento do médico, psicanalista e cientista natural Wilhelm Reich (1897-1957). Veja mais aqui.

ANAHÍ BERNERI
Sim, gosto de trabalhar no corpo, feminino e masculino, e se você vê uma presença maior do feminino, é porque sou mulher e me sinto mais à vontade trabalhando nas histórias femininas. Também porque acho que estão faltando! Faltam personagens femininas no cinema e em qualquer lugar.
ANAHÍ BERNERI – A arte da cineasta e roteirista argentina Anahí Berneri, que teve suas obras exibidas em vários festivais de cinema do planeta. Entre suas obras encontram-se A year without love (2005), Encarnación (2007), It’s yout fault (2010), Aire libre (2014) e Alanis (2017). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Até os doze anos de idade, eu levava essa vida errante, pescando e nadando... e fazendo mocassins. Fui então enviada para a escola por três anos, mas fui declarada selvagem - eles não podiam fazer nada comigo.
EDMONIA LEWIS – A arte da escultura estadunidense Edmonia Lewis (Fogo Selvagem - 1844-1907), a primeira afrodescendente a conquistar fama internacional e reconhecimento como escultora e artista. Quando estudava na universidade, ela foi agredida por desconhecidos, espancada e abandonada na estrada, sendo posteriormente acusada de envenenar duas colegas, além de ser acusada de roubar material da faculdade, sendo inocentada pelo tribunal, sendo, em seguida, proibida de se matricular, perseguida pelo isolamento e preconceito. Daí mudou-se para Roma, defendendo a causa da abolição da escravatura em um círculo de artistas expatriados. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
LADJANE BANDEIRA
A arte da escritora e artista plástica Ladjane Bandeira (1927-1999).
Estrela em trânsito, da poeta Bartyra Soares aqui.
A poesia de Generino Batista aqui.
O violeiro, cordel de Luiz Viola aqui.
As práticas pedagógicas de Arantes Gomes do Nascimento aqui.
A música de Fulô Rasteira aqui.
A arte de Rivail Azevedo aqui.
O município de Belém de Maria aqui & aqui.
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segunda-feira, março 23, 2020

STENDHAL, ETHEL SMYTH, GINA PELLÓN, NICOLE LORAUX, SYLVIA PATRÍCIA, GABRIELA NOGUÈS & ANNA PAES


VAMOS VIVER QUE O NEGÓCIO NÃO ESTÁ PARA BRINCADEIRA - UMA: DANDO MURRO NA PAREDE – Labutou a vida inteira, não saiu do canto. Tentou de tudo e todo jeito, malogros do muito. Assim e assado, caprichava na dose, sapecava temperos variados, nada de cair no agrado. Forçava a barra, recomeço a cada fracasso. Juntou décadas, notoriedade em baixa. Fez concessões sem bater o olho, aliou-se com gato e cachorro, deu pulo de todo jeito, emendou a noite pelo dia, semanas em claro, suador pegando fogo, agora sim, o êxito prometia: é agora ou nunca! Quando tudo estava se encaminhando para o pontapé da celebridade, um inimigo invisível deu as caras e entocou todo mundo. Cadê a plateia, meu? Oxe, todo mundo de quarentena preventiva, ora! E agora? Vá de Nadia Boulanguer: Vencer não é nada, se não se teve muito trabalho; fracassar não é nada se se fez o melhor possível. Guardou os muafos e ficou repassando caraminholas no quengo, ficou na mesma de antes até a tragédia passar. Amanhã será outro dia. Vamos nessa. DUAS: NÃO SE RENDA, PERSISTA! - A primeira queda, inaugura a raladura: Se ajeite, foi só um sopapo. Dias de depressão, recruta na viagem. Levanta o moral, vambora. A segunda, tombou de tirar fino para todo lado: Foi por pouco, aprume a conversa! Não desista. A terceira, desabou. Vixe! Parece mais o fim do mundo, ora! É não. Ajeita a embecada e recomeça na estaca zero, afinal o Sol nasce paratodos! Vá na ideia Moacyr Scliar: É bom ter sonhos. É bom acreditar neles. E é melhor ainda transformá-los em realidade. Aprendeu? Vamos nessa! TRÊS: PELEJAR É PRECISO! – Para quem insistiu que só e ainda não deu: vá na outra e tudo bem. Fazer o quê, zis opções pras escolhas. Tudo passa e às vezes se repete, nem sempre. Dá-se um jeito. Siga em frente, assim que se anda. Não olhe para trás, pode ser um abismo logo na frente. Fique atenta e faça direito. Ninguém está livre de escorregões e vicissitudes. Dedique-se como Modest Mussorgsky: Minha música deve ser uma reprodução artística da fala humana em todas as suas melhores tonalidades. Ou seja, os sons da fala humana, como as manifestações externas de pensamento e sentimento, sem exagero ou violência, devem tornar-se música verdadeira e precisa. Leve a sério, mas nem tão a sério, viu? Sorria que é melhor e mande ver: a vida é pra viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Um romance é como um arco de violino, a caixa que produz os sons é a alma do leitor. Pensamento do escritor francês Stendhal – pseudônimo de Marie-Henry Beyle (1783-1842), que utilizou de muitos outros pseudônimos, sendo este o de reconhecimento póstumo. Órfão desde a infância, além de soldado monarquista, ele foi jornalista e vice-cônsul. O seu nome passou a denominar uma doença psicossomática causadora de aceleração do ritmo cardíaco, vertigens, desmaios, confusões e alucinações, com a exposição de obras de arte. A síndrome de Stendhal ou de Firenze, por ter sido ele acometido por perturbação diante de obras de arte na Basílica de Santa Croce, em 1817, na Itália, durante deleite com os famosos afrescos de Giotto no teto. Assim ele se expressou: Eu caí numa espécie de êxtase, ao pensar na ideia de estar em Florença, próximo aos grandes homens cujos túmulos eu tinha visto. Absorto na contemplação da beleza sublime… Cheguei ao ponto em que uma pessoa enfrenta sensações celestiais… Tudo falava tão vividamente à minha alma… Ah, se eu tão-somente pudesse esquecer. Eu senti palpitações no coração, o que em Berlim chamam de 'nervos'. A vida foi sugada de mim. Eu caminhava com medo de cair”. Veja mais aqui.

MANEIRAS TRÁGICAS DE MATAR UMA MULHER – [...] tomo a decisão de advertir o leitor de que, nas páginas seguintes, o ouvinte da tragédia levará vantagem sobre o espectador: tudo passa pelas palavras, porque tudo se passa nas palavras, principalmente a morte. Investigando as modalidades trágicas da morte das mulheres, nada encontrei que seja visto ou que seja primeiro visto. Tudo começou por ser dito, por ser ouvido, por ser imaginado – visão nascida das palavras e presa a elas. Assim, ao empenhar-me em um longo exercício de leitura, tentei captar, pura e simplesmente, aquilo que dava de imediato ao público antigo o gozo intenso do prazer de ouvir. Palavras lidas para substituir ou mesmo para reencontrar as palavras ouvidas, aquelas que a representação trágica oferecia à escuta ativa do público ateniense. Palavras de duplo ou múltiplo sentido. Em síntese, texto, nada mais que texto. [...] Trecho extraído da obra Maneiras trágicas de matar uma mulher: imaginário da Grécia Antiga (Jorge Zahar, 1988), da historiadora francesa Nicole Loraux, que dividido em três partes, na primeira trata sobre a Corda e o Gládio, abordando o suicídio de mulher por uma morte de homem, a morte desprovida de andreia, a incisão no corpo viril, o enforcamento ou sphagé, a esposa que se lança, o silêncio e o segredo, no thálamos: morte e casamento, a glória das mulheres. Na segunda parte, o sangue puro das virgens: sacrifícios, execuções, liberdades virginais e a glória das moças. Na terceira parte, lugares do corpo, o ponto fraco das mulheres, enumeração do corpo viril e alternativa de Polixena. Curioso o termo “aiora” que é observado pela autora, como sendo: [...] À audição da palavra aiora (ou eora) liga-se à dupla imagem de um corpo suspenso e do ligeiro movimento de balanço que lhe é impresso. Deve-se lembrar que em Atenas aiora era o nome de uma festa em que as representações do enforcamento se associavam à brincadeira do balanço; não se trata aqui, todavia, da Aiora religiosa, e sim da visão induzida pelo emprego trágico da palavra. Aiora de Jocasta, aiórema de Helena: Édipo forçou a porta que Jocasta havia fechado cuidadosamente depois de passar por ela, e todos veem agora a mulher enforcada, “presa ao nó balouçante” (plektais corais empeplegmenen); da mesma forma, para Helena, que não se enforcará, o enforcamento se resumia no termo aiórema. Nesse ponto o leitor de tragédias lembrar-se-á de haver encontrado esta palavra em outro contexto: o da morte por lançamento. Nas Suplicantes de Eurípides, Evadne se prepara para lançar-se ao fogo, junto à rocha elevada (aitheriapetra) que domina a pira fúnebre de seu marido Capaneu [...]. Veja mais aqui.

A MÚSICA ETHEL SMYTH
A arte da compositora e sufragista britânica Ethel Smyth (1858-1944), que participou da Women’s Social and Political Union. Ela foi a autora do March of the Women, tendo sido presa em seguida por partir janelas para chamar a atenção da causa sufragista feminina, sendo condenada a dois anos de cadeia. Ela também é escritora, teve muitos casos amorosos ao longo da vida e desenvolveu relações com Emmerline Pankhurst e Virginia Woolf.
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SYLVIA PATRÍCIA
Curtindo a arte da premiada cantora, compositora e violonista Sylvia Patrícia, que é de família musical com tradição pernambucana, iniciando sua vida artística aos seis anos de idade e tendo uma discografia com oito álbuns lançados, entre eles, Andante (2010), No radio da minha cabeça (2006), Curvas e retas (1992) e Sylvia (2016), entre outros. Atualmente apresenta projeto de fusão da música brasileira com rumba catalana, junto a músicos como Daniel Cros e Rafalito Salazar, do grupo de rumba catalana Ai Ai Ai. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora cubana Gina Pellón (1926-2014). Veja mais aqui.
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GABRIELA NOGUÈS DIAS
A arte da pintora Gabriela Noguès Dias. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
ANNA PAES D’ALTRO
A obra A Garça Mal Ferida: A história de Anna Paes d'Altro no Brasil holandês (Lê, 1995), de Luzilá Gonçalves Ferreira, conta a história daquela que viveu no século XVII, cuja vida divide-se entre o sentimento da terra e suas ligações de amor com os cavalheiros flamengos. O incêndio de Olinda e a criação de Recife, a administração de Nassau com sua grande tolerância religiosa frente a um catolicismo marcado pela inquisição são o pano de fundo ao exercício de amor da heroína, na região que é denominada como sem pecado ao sul do equador. Veja mais aqui.
A poesia de Cícero Melo aqui.
A arte de J. Borges aqui & aqui.
A música de Marquinhos Cabral aqui & aqui.
A arte de Thamy Pacheco (Gomes) aqui.
Cordel Tataritaritatá aqui.
O município de Jucati aqui & aqui.
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sexta-feira, março 20, 2020

JOSEF ALBERS, TULA PILAR, MARIA LACERDA DE MOURA, MARY CAGNIN & MARCELINO FREIRE


O AMOR EM TEMPOS DE COVID-19 – UM DIA A MAIS – Um dia a mais e preciso estar longe para que possa viver. O desejo de beijá-la é imperioso, porém inexequível, só para saber a dor que a morte iminente tem de nunca mais correr risco. Estamos diante do inexplicável. Sigo por mais um dia porque não se sabe se haverá depois de amanhã e hoje não mais, só a esperança de quem não pode fazer nada além de viver o possível. Ontem ficará até esquecimento. Não acredito mais no que vejo ou ouço, mentiras demais e o que resta. Não tenho país, sou da Terra das Águas e de todos os meus semelhantes do planeta. Dei minhas mãos e nas dela sou sua flor, ela em mim. E com ela eu vou. Quando chegar a hora, estarei pronto para a viagem. Até amanhã ou nunca mais. PS: lendo em voz alta Caio Fernando Abreu: Vamos dizer adeus aos pensamentos tristes e que só restem boas lembranças. Só reste amor no peito, pois no fim o que vale a pena é ser feliz. Voo adiante. DUAS LAPADAS PARA VIVER - Aleatoriamente abri o livro numa página qualquer, era Menotti Del Pichia: Esta vida é um punhal de dois gumes fatais: não amar é sofrer; amar é sofrer mais. Refleti e não desisti, a vida insiste e eu vivo a seguir. A visita agora é de Friedrich Hölderlin, que expressou ao meu ouvido: Vamos esquecer que existe um tempo e não vamos contar os dias da vida! E seus versos oxigenaram a minha esperança: Quando eu era jovem, de manhã alegrava-me, / de noite chorava; hoje que sou mais velho, / começo duvidoso o meu dia, mas / sagrado e sereno é o seu fim. Persevero e persisto. TRÊS PRA MATAR A CHARADA – Bem-vinda a lição de Marilena Chauí: A busca da verdade está sempre ligada a uma decepção, a uma desilusão, a uma dúvida, a uma perplexidade, a uma insegurança, ou então, a um espanto e uma admiração diante de algo novo e insólito. Interrogação ambulante, o insólito me seduz e me espanto, admiração por tudo ao meu redor e mais, vivo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Renovar-se ou morrer. Frase da escritora, professora, anarquista e feminista Maria Lacerda de Moura (1887-1945), que em sua obra Renovação (1919 – UFC, 2015), expressa que: Os preconceitos, as tradições, a educação transmitida pelas gerações sucessivas — cegam-nos. O homem não é um ser emancipado e ao seu egoísmo não convém a emancipação feminina. É indispensável que a mulher trabalhe pela mulher. Já na sua obra Ferrer, o clero romano e a educação laica (Paulista,1934), ela diz que: A covardia mental é a mais poderosa das armas reacionárias. Por fim, na sua obra A mulher é uma degenerada? (Civilização Brasileira, 1982), ela expressa que: [...] De que vale a igualdade de direitos, jurídicos e políticos para meia dúzia de privilegiadas, tiradas da própria casta dominante, se a maioria feminina continua vegetando na miséria da escravidão milenar? É preciso sonhar mais alto ainda e abranger todo o mundo feminino no mesmo laço de igualdade social, no mesmo beijo de solidariedade humana, no mesmo anseio para a Fraternidade Universal. […] Trata-se, não da filantropia de um dia, sim da renovação social para uma sociedade de onde se excluirá a caridade humilhante — que a solidariedade entre irmãos afasta o gesto de proteção. [...] A coeducação se impõe. Que todas sejam educadas ao lado do homem. As profissões liberais ao alcance de ambos os sexos. O que é preciso é educar a mulher para o lar e ao mesmo tempo para a sociedade, isto é, para a plenitude do seu desenvolvimento, para a sua individualidade. Uma cousa não exclui a outra. [...] A mulher educada será força de resistência contra a avalanche devastadora e preparará o advento da verdadeira civilização na qual não haverá lugar para a exploração do homem pelo homem. [...]. Durante sua trajetória pioneira, ela esteve ligada ao Movimento Associativo Feminino e ao Movimento Operário, colaborando com Bertha Lutz e presidindo a Federação Internacional Feminina, fazendo conferências pacifistas que desencadeou a campanha antifacista no país. Veja mais aqui.

A POESIA DE TULA PILAR
DELÍRIO: Delírio dos corpos que se movem na penumbra da noite / Peles que se roçam na escuridão / Silhuetas dançantes ao clarão do luar / Que invadem as frestas do canto reservado para o acontecer / Fumaças e cheiros… / Um liquido licoroso na taça, adoçará ainda mais o delírio que se pretende sentir entorpecendo a razão / Bíceps Troncudo circunda o pescoço um do outro / Protegem alternados movimentos frenéticos no chão de estampas / De ladrilhos recém cobertos por colcha de retalhos escrito palavras ousadas / Caçada incontida, sorriso para seduzir, prazer infinito… / A noite já se faz dia / Sentimentos romperam a aurora / Vidraças fechadas, sol querendo entrar / Figuras desnudas adormecidas / Sobre a colcha de retalhos escrito palavras ousadas.
SOU UMA CAROLINA: Sou uma Carolina / Trabalhei desde menina / Na infância lavei, passei, engraxei… / Filhos dos outros embalei / Sou negra escritora que virou notícias nos jornais / Foi do Quarto de Despejo aos programas de TV / Sou uma Carolina / Escrevo desde menina / Meus textos foram rasgados, amassados, pisoteados / Foram tantos beliscões / Pelas bandas lá de Minas / Eu sou de Minas Gerais / Fugi da casa da patroa / Vassoura não quero ver mais / A caneta é meu troféu / Borda as palavras no papel / É tudo o que quero dizer / Sou uma Carolina / Feminino e poesia / A negra escritora que foi do Quarto de Despejo / aos programas na TV / Hoje uso salto alto / Vestido decotado, meio curto e com babados / Estou na sala de estar / No meu sofá aveludado / Porque… / Sou uma Carolina / Feminino e poesia / Pobreza não quero mais / A caneta é meu troféu / Borda as palavras no papel / É tudo o que quero dizer…
TULA PILAR – Poemas da poeta Tula Pilar (1970- 2019)fez parte do Grupo Raizarte, um coletivo de música, dança e poesia atuante a partir de 2004 em Taboão da Serra e em muitos outros espaços culturais de São Paulo e outros estados. Participa de saraus, mesas e debates com foco nas mulheres menos favorecidas socialmente, na mulher negra e nos artistas e escritores da periferia. Encenou a performance (monólogo) “Eu sou uma Carolina”, na qual fazia um paralelo entre sua própria história e a de Carolina Maria de Jesus. Seus poemas foram publicados em antologias de coletivos de saraus e na Revista Ocas. Veja mais aqui.

A ARTE DE JOSEF ALBERS
Um pintor trabalha para formular com ou em cores... Minhas pinturas seguem a segunda opção. A ansiedade está morta. Quero que cor e forma tenham funções contraditórias.
JOSEF ALBERS – A arte do educador e artista alemão Josef Albers (1888-1976), que representa a transição entre a arte europeia tradicional e a nova arte estadunidense, incorporando uma forma de arte influenciada pelos Construtivistas e o movimento Bauhaus.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Às vezes a gente faz coisas sem pensar muito no porque delas ou nos seus sentidos mais profundos, e durante a pesquisa pro TCC eu percebi coisas sobre o Vidas que não tinha sequer imaginado. Nas relações entre os personagens e principalmente no impacto que esta história como um todo teve tanto na minha vida profissional/acadêmica quanto na minha vida pessoal. Comecei o Vidas quando ainda era adolescente, e quando terminei já tinha passado pra vida adulta. E a minha história era sobre isso: amadurecimento. Eu não podia imaginar que tanta coisa mudaria nesse tempo, mas meus personagens cresceram comigo (ou seria o contrário?) talvez seja por isso que esta história é tão especial pra mim, e eu sou muito grata pela oportunidade de escrever um TCC sobre um trabalho tão pessoal e fazer meus 4 anos da faculdade serem tão significativos.
MARY CAGNIN - A arte da premiada artista visual, ilustradora e quadrinista Mariana Cagnin, mais conhecida como Mary Cagnin, que é formada em Artes Visuais pela Unesp, tendo ilustrado diversos livros e revistas para várias editoras. Ela é autora dos premiados quadrinhos Vidas Imperfeitas, do spin-off Suzana, da ficção científica Black Silence e da webcomic Bittersweet, além de ministrar cursos e atuaro com sua arte em muitos espaços. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
MARCELINO FREIRE
Escrever bonito é uma merda. Não queira esse elogio de ninguém. Loa tipo essa: você escreve tão bem. Você nos toca. Ave nossa! Fuja dessa mentira. Dessa falácia! Não procure palavras gloriosas. Maquiagens pesadas. Botox nas frases. Bom é verbo velho. Enrugado. O peso exato de cada parágrafo. Nem mais nem menos. Fique longe, sempre digo, de qualquer sentimento. Releia, agorinha, aquele seu conto. Ponto por ponto. Se, aqui e ali, você parar a leitura para suspirar. Jogue fora o suspiro. Tudo que for adjetivo elevado. Enganoso. Xô, ao lixo! Não presta para a poesia o que é cerimonioso. Solene. Também não invente termos acadêmicos. Gregos pensamentos. Arrodeios na língua. Lembre-se: todo livro nasce falido. Raquítico. Você critica tanto o discurso político. E faz o mesmo na hora de escrever. Usa gravata para parecer ser. E não fica sendo, nem um tiquinho, parecido com você. Esta pobre imagem que avistaremos no espelho. Antes de morrer. Nosso! Faz tempo que eu não falava assim tão bonito. Que merda! Pode crer.
Texto Não escreva bonito, do escritor Marcelino Freire. Veja mais aqui.
A música da cantora Sônia Mello aqui, aqui, aqui & aqui.
A arte de Susanna Motta aqui.
A poesia de Adriano Sales aqui, aqui & aqui.
Cinema Pernambucano aqui.
O Pastoril do Rabeca aqui.
A revista Ragú aqui,
Mapa Cultural de Pernambuco aqui.
O município de Maraial aqui & aqui.
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OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...