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terça-feira, setembro 22, 2020

NIETZSCHE, LAURA VINCI, HERMES TRISMEGISTOS, SABINA SPIELREIN, LOUISE VON FRANZ & VENTOS DE AGOSTO


  

DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... DE QUEM VAI E VOLTA, SEMPRE RECOMEÇAR - Para quem já foi um tanto de vezes, desinventar talvez não deva. Lá debaixo, não há outra coisa a fazer senão unhas e ânimos cravados na sobrevivência. Sigo em círculos elípticos pelos cantos entre o flagra e o divagar, parece não haver mais portas ou absolvição que seja. Teimo enquanto houver tempo, embora sequer saiba se presente ou pesadelo na zoada dos instantes. Ouço passos apressados que se aproximam. Alguém ocupa o mesmo espaço que eu. Enxergo o brilho dos seus olhos nas imediações e, para minha surpresa, era Nietzsche: Homem! Tua vida inteira, como uma ampulheta, será sempre desvirada outra vez e sempre se escoará outra vez, - um grande minuto de tempo no intervalo, até que todas as condições, a partir das quais vieste a ser, se reúnam outra vez no curso circular do mundo. Era o primeiro passo e os degraus do eterno retorno. E nem me deixou racionar sobre o que dissera e já era Zaratustra e o dionisíaco sobre o abismo do perecer e do apolíneo, a liberdade sob a lei. Parou por um instante, movimentou a cabeça negativamente e vociferou: Vive de si próprio: seus excrementos são seu alimento. E assim, como viera, desaparecera na escuridão e fiquei só à cata das brechas para galgar sobre o ônus dos meus próprios percalços.

 


DUAS PASSADAS & UM TROPEÇO, ERA ELA A JORNADA DA ALMA – Prossegui na caminhada, andarilho sem rumo. Na verdade tateava, logo tropecei em alguém. A queda e o desconforto. Era uma mulher. Pedi desculpas, ela assentiu com um gesto. Tentei me explicar, ela aquiesceu com um toque ao meu ombro. Ali, sentados no chão, silenciosos. E de repente ela falou algo que não ouvi, apresentando-se e tagarelava de forma desconexa, a me dizer de si, falava e deu para adivinhar quem era pelos fatos narrados, coisa de filme, como do drama Prendimi l'anima (Jornada da alma, 2002), de Roberto Faenza, do documentário Ich hieß Sabina Spielrein (Meu nome era Sabina Spielrein, 2002), de Elisabeth Marton, do drama A dangerous method (Um método perigoso, 211), de David Cronenberg, e do livro Sabina Spielrein: de Jung a Freud (José Olympio, 2012), de Sabine Richebächer. Todos eu havia conhecido e tudo era sobre sua paixão escandalosa e seu diário secreto, sua correspondência escondida e o Berçário branco – o seu pioneirismo na psicanálise infantil, sua enfermidade e projeção. Sim, era ela mesma, Sabina Spielrein, corpalma ali, a me dizer com um sorriso carregado de lágrimas: Onde reina o amor, o ego morre. Saquei do lenço e ousei passa-lo às suas faces. Ela não recusou, mas enxugou-as com a barra da saia. Guardou o pranto e me fitou firme. Levantou-se e falou que eu era um ser em extinção. Não entendi nem havia como interpretar o que dissera, apenas seguia seus gestos. Então girou sobre os calcanhares e seguiu descalça pelo breu daquela noite eterna, com um aceno tímido de despedida. Ali fiquei, recostado e pensando tal surpresa. Nenhum ânimo para seguir adiante, apenas mergulhado naquele encontro. Num breve cochilo, as pisadas retornaram e, aproximando-se, pude perceber que não era ela de volta, só soube muito depois quem me dissera: Você não pode organizar a função inferior. Tenho para mim que ninguém pode realmente desenvolver a função inferior antes de haver criado um têmeno, a saber, um bosquete sagrado, um lugar oculto onde possa brincar. Para minha surpresa era Marie-Louise von Franz, que me saudara com um afeto e seguia o seu caminho. Duas mulheres em tão pouco tempo, pensei comigo. Não sabia o que fazer, buscava ânimo para prosseguir. Talvez ali fosse mais proveitoso, não sei, precisava descansar.

 


TRÊS COCHILOS & UMA VISÃO ESOTÉRICA - Imagem: arte da escultora, artista intermídia, pintora, desenhista e gravadora Laura Vinci – Houve um tempo em que tudo era factível. Agora, não mais: dizer o que não disse, fazer o que não fiz, destroços, mentiras, farsas. A guerra é iminente e o ódio é morte certa. Precisava da luz do Sol e a surpresa trouxe Hermes Trismegistos que levitava adivinhando meus pensamentos: o Sol exerce no Universo a função do coração do qual a vida se espalha por todas as partes. A luz é o veículo da vida, da mesma forma que lhe é a fonte e causa próxima. Dito isto, ainda inquiri a respeito do Corpus hermeticum, da Tábua de Esmeralda, Atanor, o Elixir e de como eu poderia sair dali. Antes de partir, virou-se e respondeu minhas indagações com sua voz oracular: Invoca o Espírito da luz eterna, fala pouco, raciocina muito e julga com retidão e justiça. Nada mais disse, nem mais o vi. Tudo passa e desanda no imprevisível. A vida vai depressa e o futuro, quimera impossível. Apenas vivo e é maravilhoso viver. Até mais ver.


CRÔNICA DE AMOR POR ELA

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VENTOS DE AGOSTO

O premiado drama Ventos de agosto (2014), do cineasta e artista visual Gabriel Mascaro, conta a história de uma jovem que deixa a cidade grande para viver em uma pacata província litorânea para cuidar do seu avô e trabalhar numa plantação de coco, dirigindo trator e cultivando o sonho de ser tatuadora. Aparece, então, um pesquisador de som que abala a sua rotina com um jovem que também trabalha na fazenda e é praticante da pesca submarina. Daí surge uma jornada de vida e morte, perda e memória, vento e mar. Veja mais aqui e aqui.


 


segunda-feira, março 16, 2015

JAMES BALDWIN, HELENE STÖCKER, PHILIP GUSTON, MARY WIGMAN & CÉSAR VALLEJO

A arte do pintor canadense Philip Guston (1913-1980)

 

A SOLIDÃO DE PHILIP... – Filho de fugitivos do antissemitismo ucraniano, sua família migrou para o Canadá. Depois foram para Los Angeles: a tragédia do suicídio do pai, subempregado que lutava. Daí aprendeu sozinho a arte, sua história e política. Seu irmão mais velho morre num acidente e um de seus murais foi vandalizado pelo Esquadrão Vermelho da Polícia: não deveria nunca se meter contra a Ku Klux Klan. Era um aviso. A injustiça, os desafios dos refugiados, os inquisidores espanhóis, o fascismo italiano, a suástica nazista e outros malfeitores: A luta contra o terrorismo. Seu interesse estava voltado para os quadrinhos, os renascentistas italianos, os modernistas ousados, os muralistas mexicanos. E o autodidata pintou murais e estabeleceu-se em New York entre os do Federal Art Project. Incluiu-se entre os expressionistas abstratos que abandonaram a arte representacional depois da tragédia da segunda grande guerra e do holocausto. De Goldstein tornou-se Guston e o mascaramento dos eventos históricos, tudo escondido em nome do terror. E a sua zombaria: É como se eu quisesse uma máscara... A autotransformação diante da intuição e franqueza de seus pares: Eu queria chegar a uma tela e ver o que aconteceria se eu apenas pintasse... Isolou-se em Woodstock diante de tantas revoltas, assassinatos e motins: Fiquei muito perturbado com a guerra e as manifestações. Elas se tornaram meu assunto, e eu fui inundado por uma memória... Era o morticínio no Vietnã. O sucesso, turbulências e o bufão Klansman encapuzado – o seu anti-herói cômico, brutal e sombrio: São autorretratos... Eu me percebi estando atrás do capuz... O escândalo na Marlborough Gallery, as críticas, Pintar, fumar, comer... A Musa e o Ciclope, as dúvidas e as mudanças de estilo, a arte confessional e apocalíptica, o seu escrutínio destemido e o verdadeiro assunto: É a liberdade... E sucumbiu aos ataques cardíacos e à vida difícil. Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Em toda a minha infelicidade eu estava me movendo, e de repente, esse movimento se tornou uma expressão, uma fala... Eu sabia que, sem matar o humor criativo, eu tinha que manter o equilíbrio entre a minha explosão emocional e a disciplina impiedosa de um controle super-pessoal, submetendo-me assim a lei auto-imposta da composição de dança... Uma arte forte e convincente nunca surgiu das teorias... Pensamento da bailarina, coreógrafa e professora de dança alemã Mary Wigman (1886-1973). Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU: A sociedade não tem o direito de considerar a prevenção da maternidade relutante um crime que justifique a prisão... Onde e com que direito o direito penal proíbe os indivíduos de exercerem controle completo sobre si mesmos?... Pensamento da feminista, pacifista, filósofa, escritora e jornalista alemã Helene Stöcker (1869–1943).

 

O FOGO DA PRÓXIMA VEZ - [...] Imagino que uma das razões pelas quais as pessoas se apegam ao ódio com tanta teimosia é porque elas sentem que, quando o ódio acaba, elas serão forçadas a lidar com a dor. [...] A vida é trágica simplesmente porque a Terra gira e o sol inexoravelmente nasce e se põe, e um dia, para cada um de nós, o sol se porá pela última, última vez. Talvez toda a raiz do nosso problema, o problema humano, seja que sacrificaremos toda a beleza de nossas vidas, nos aprisionaremos em totens, tabus, cruzes, sacrifícios de sangue, campanários, mesquitas, raças, exércitos, bandeiras, nações, para negar o fato da morte, o único fato que temos. Parece-me que se deve regozijar com o fato da morte — deve-se decidir, de fato, ganhar a morte confrontando com paixão o enigma da vida. Somos responsáveis pela vida: ela é o pequeno farol naquela escuridão aterrorizante de onde viemos e para onde retornaremos. [...] O amor tira as máscaras que tememos não poder viver sem e sabemos que não podemos viver dentro delas. Eu uso a palavra "amor" aqui não meramente no sentido pessoal, mas como um estado de ser, ou um estado de graça - não no sentido americano infantil de ser feliz, mas no sentido duro e universal de busca, ousadia e crescimento. [...]. Trechos extraídos da obra The Fire Next Time (Vintage, 1992), do escritor estadunidense James Baldwin (1924-1987), que no seu livro Another Country (Vintage, 1992), ele expressou: […] As pessoas não têm misericórdia. Elas rasgam você membro por membro, em nome do amor. Então, quando você está morto, quando elas o mataram pelo que fizeram você passar, elas dizem que você não tinha caráter. Elas choram lágrimas grandes e amargas - não por você. Por elas mesmas, porque perderam seu brinquedo. [...]. Também no seu Holt McDougal Library, High School with Connections: Student Text The Fire Next Time (Olt, Rinehart and Winston, 2000), ele expressou que: […] Por favor, tente lembrar que o que eles acreditam, bem como o que eles fazem e fazem você suportar, não testemunha sua inferioridade, mas sim a desumanidade deles. [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

TRILCE – No livro Trilce (1922 - Philobibliom, 1984), do poeta vanguardista e dramaturgo peruano César Vallejo (1892-1938), destaco o poema XXXV, traduzido por Thiago de Mello: O encontro com a amada, / tanto de uma vez, é um simples detalhe, / quase um programa hípico violeta, / de tão comprido não se pode dobrar bem. / O almoço com ela que servira / o prato que ontem estava tão gostoso / e se repete agora / só que com um pouco mais de mostarda; / o garfo absorto, seu galanteio radiante / de pistilo em maio, e seu pudor / de um centavo, por dá cá aquela palha, / e a cerveja lírica nervosa / zalada por seus dois mamilos sem lúpulo, / e que não se deve beber em demasia. / E os tantos outros encantos da mesa / que aquela núbil companha borda / com suas próprias baterias germinais / que funcionaram toda a manhã, / segundo me consta, a mim, / amoroso tabelião de suas intimidades / e com as dez varinhas mágicas / de seus dedos pancreáticos. / Mulher que, sem pensar em outra coisa, / solta o melro e começa a nos falar / com palavras ternas ; como lancinantes alfaces recém-colhidas. / Outro copo e me vou. E vamos, / agora sim, trabalhar. / Entretanto, ela se enfia / entre os cortinados e, oh agulha dos meus dias / desgarrados!, senta-se à beira / de uma costura, a me costurar as costas / as suas costas, / a pregar o botão dessa camisa / que tornou a cair. Mas já se viu! Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

Imagem da pintora realista francesa Rosa Bonheur (1822-1899). Veja mais aqui.

Ouvindo o Recital (1995), do compositor clássico vienense Franz Joseph Haydn (1732-1809) pela mezzo-soprano espanhola Teresa Berganza, sob a regência de Raymond Leppard na Scottish Chamber Orchestra. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 


SALVE DIONISO, EVOÉ BACO! – Imagem: O jovem Baco e seus seguidores (1885) do pintor acadêmico francês William-Adolphe Bouguereau (1825-1905) - Longe de ter uma visão sectária ou maniqueísta do mundo por entender que há dualidades que são, na verdade, unidades ou trindades que se tornam quartetos e outras multiformes e polimorfas expressões, e, também, para não mergulhar apenas no canhestra mundo apolíneo & Fabos & umbigocentristas, salve Dioniso, evoé Baco! Hoje, na mitologia greco-romana, é consagrado o primeiro dia do Bacanal, o Festival de Dioniso/Baco, deus do vinho, dos grãos, da fertilidade e da alegria. É a prova de que a vida prossegue. Poucos dias atrás estávamos sob o reino dionisíaco, o nosso maravilhoso carnaval: tudo alegria, paz, satisfação. Mal acabou a festa, já viramos panelaços, protestos, batendo no peito & mandando ver! Tudo isso no reino do Fecamepa! Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá. Veja mais aqui.

EXERCÍCIOS E JOGOS DO TEATRO – No livro 200 exercícios e jogos para o ator e não-ator com vontade de dizer algo através do teatro (Civilização Brasileira, 1983), o dramaturgo, ensaísta e escritor brasileiro Augusto Boal (1931-2009), trata a respeito da história do teatro Arena de São Paulo, abordando sobre jogos e exercícios, aquecimento físico, ideológico, vocal e emocional; jogos de integração do elenco, exercícios de máscaras e rituais; quebra da repressão, exercícios gerais sem texto; ensaios de motivação com texto, sequencia e ensaios pique-pique, entre outros assuntos. Da obra destaco: [...] começamos a estudar metodicamente os trabalhos de Stanislawsky. A nossa primeira proposta foi esta: que a emoção seja prioritária, que ela possa determinar, livremente a forma final. Mas como poderíamos esperar que as emoções se manifestassem livremente através do corpo do ator, se precisamente tal instrumento (o corpo) está mecanizado, muscarlarmente automatizado e insensível em 90% das suas possibilidades? Uma nova emoção descoberta corria o risco de ser canalizada pelo comportamento mecanizado do ator. Por que é que o corpo do ator está mecanizado? Pela enorme capacidade que têm os sentidos para registrar sensações, aliada a uma igual capacidade para selecionar e hierarquizar essas emoções. [...] Quando começamos com os Laboratório de Interpretação no Teatro Arena ainda não pensávamos nas máscaras sociais, naquela época, a mecanização era entendida sob uma forma puramente física: ao desenvolver sempre os mesmos movimentos, cada pessoa mecaniza o seu corpo para melhor os efetuar, privando-se então de uma atuação original em cada oportunidade. Podemos rir de mil maneiras diferentes, mas quando nos contam uma piada não nos pomos a pensar num modo original de rir, portanto, fazemo-lo sempre da mesma maneira. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

MÉTODO PERIGOSO – A psiquiatra e psicanalista russa Sabina Spielrein (1885-1942), tornou-se uma personagem romanesca que adquiriu celebridade, vez que sua história é singular e reveladora de todos os móbeis transferenciais do movimento psicanalítico. Desde criança que ela apresentava problemas, sendo vitima de alucinação por angustias e fobias, desordem mental, sentava-se nos calcanhares a ponto de fechar o ânus impedindo a defecação por duas semanas seguidas, entregou-se à masturbação, tudo durante a infância até aos oito anos de idade, quando a situação piorou. Aos dezoito anos foi atingida por crises de depressão, teve surtos psicóticos, passando a ser tratada na Suíça, por Jung com um caso de histeria e que ficou finalmente curada. Esse tratamento resultou em uma paixão incontrolável entre o terapeuta e a paciente. Simultaneamente polígamo, sedutor e obcecado pelo pecado e a loucura, Jung sempre teve uma atração particular pelo tipo de feminilidade encarnado por ela que foi aconselhada por Freud e por seu pai a encontrar uma solução sozinha. O que ela fez. Fez então estudos de medicina e orientou-se para a psiquiatria. Diplomada em 1911 com uma tese sobre a esquizofrenia, trabalhou depois com intensidade, apresentando uma exposição da sua tese sobre a pulsão de destruição, na qual Freud se inspiraria para escrever Muito além do princípio do prazer. Ao mesmo tempo paciente e estudante de psiquiatria, ela participou do debate sobre esquizofrenia no início do século XX. Depois experimentou o principio da transferência e do tratamento pelo amor, tornando-se a testemunha privilegiada da ruptura de Jung e Freud. O primeiro, seu amante e analista, o segundo, seria o seu mestre. Mais tarde inventou a noção de pulsão destrutiva e sádica, da qual nasceria a pulsão de morte. Enfim, atravessou as duas grandes tragédias: o genocídio dos judeus na Europa e a transformação do comunismo em stalinismo na Rússia. Durante dez anos ela continuou seus trabalhos e atividades clínicas na Alemanha, na Suíça e na Áustria, tendo por aluno Jean Piaget (1896-1980). Seus últimos artigos foram destinados aos temas da linguagem infantil, à afasia e a origem das palavras papai e mamãe, ocupando-se na Rússia de pedologia, afirmando ser capaz de curar Lenin de sua doença. Em 1935 foi apanhada, com toda a sua família, pela engrenagem do sistema totalitário. Seu marido morreu de infarto e seus dois irmãos levados pelos expurgos e desaparecendo no Gulag. Em 1942, ela foi massacrada com as suas duas filhas na ravina de Viga da Serpente, em meio a cadáveres coberto de sangue. O seu envolvimento amoroso com Jung virou tema da peça teatral The talking cure, de Cristopher Hampton, e transformada pro cinema num drama e suspense dirigido por David Cronenberg, A Dangerus Method (Um método perigoso, 2011), destacando-se o papel da atriz e modelo inglesa Keira Knightley. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui



Veja mais sobre:
Pablo Neruda, Modigliani, Björk, Teixeira Coelho, Zinaida Evgenievna Serebriakova, Elsa Zylberstein, Rubens da Cunha & Uma mulher por cem cabeças de gado aqui.

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Com quantos desaforos se faz uma eleição, Howard Chandler & Luciah Lopez aqui.
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É pra ela – Crônica de amor por ela, Carlos Gomes & Silviane Bellato, Neila Tavares, Heloneida Studart, Giuseppe Tornatore, Piet Mondrian, Edwin Landseer, Maria Esther Maciel, Monica Bellucci & A lenda Mundurucu Quando mandavam as mulheres aqui.
Crônica de amor por ela, Sylvia Plath, Safo, Helena Blavatsky, Maria Bonita, Eurípedes, Carole Bayer Sager, Andrômaca & As troianas, Antonio Maria Esquivel, Mulheres no Mundo & O espelho em que os rostos se dividem aqui.
Crônica de amor por ela – poemas & canções, Juana de Ibarbourou, Camille Claudel, A Literatura Ocidental de Otto Maria Carpeaux, Ornette Coleman, Juliette Binoche, Johann Kaspar Füssli & Iacyr Anderson Freitas aqui.
Mil sonhos na cabeça e o amanhã nas mãos, João Cabral de Melo Neto, Omar Ortiz, Sean Seal& Gary Jackson aqui.
A vida em risco e o veneno à mesa, Amartya Kumar Sem, Roberto Fernandez Balbuena & Kadee Glass aqui.
Aos quatro cantos e ventos minha vida, Jacob Boehme, Esther Scliar, Tamara de Lempicka, Jo Ansell, Jonathan Charles & Dene Ramos aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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domingo, abril 06, 2014

GLORIA CARREÓN, LOVELOCK, BUKOWSKI, KIAROSTAMI & GUTIÉRREZ

 

REFLEXÕES DE METIDO EM CAMISA DE ONZE VARAS E CHEIO DE NÓ PELAS COSTAS! – Pronde vou, só prova de fogo, sempre! Não há escapatória. Chaveco no ouvido: Não fique parado, não pare nunca! Oxe! Levo na boa, como se fosse um xote de passagem, toca gaita! É preciso saber o que fazer: Se chegar tarde não abro! Agora, deu! Não morro de leseira, não choro na parede, não vivo no cinema, a arma no escuro. Nenhuma. Virar a página, já virei um tanto de vezes; a viuvez e o legado ao rés do chão, sob as glórias de vis guerras arrivistas e repugnantes, sacudidas de bestialidades, decadência e degenerações. A culpa na história, qual cartório se no cabeçalho só tem algarismos em caracol. Vôte! A ocasião mais parece um beliscão, quase visceral a consumir a paciência. O que viceja, levo por conciensível. Coexistir com a solidão duradoura, o que me resta a recompor o que desmoronou da diversidade humana, enquanto busco a conexão com a ancestralidade. Visível solidão de Lucrécio, a história é apenas um rol de misérias e crimes, a culpa adiante e o que é bom fica tão próximo quanto distante. Eu de esguelha saco a cavilação enquanto suporto as dores da alma no corpo. Para quem correu ladeira acima e se esqueceu dos freios na hora de descer e se lascar, quase pulo no abismo. Para quem desavisado escolheu qualquer caminho de sorte na vida e chorou na rampa, subiu no telhado e bateu biela, digo e não me faço de rogado: a vida dá muitas voltas. Ah, como dá! Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - A vocação da arte é extrair-nos da nossa realidade diária, levar-nos a uma verdade oculta e de difícil acesso - a um nível que não é material, mas espiritual. Para ser internacional, primeiro você precisa ser local... Quando você pega uma árvore que está enraizada no solo e a transfere de um lugar para outro, a árvore não dará mais frutos. E se isso acontecer, a fruta não será tão boa quanto estava em seu lugar original. Esta é uma regra da natureza. Acho que se eu tivesse saído do meu país, seria igual à árvore... Desde o meu primeiro filme, qual foi a minha concentração, a minha inspiração, foi que eu não queria narrar nada, não queria contar uma história. Eu queria mostrar algo, queria que eles fizessem a sua própria história a partir do que estavam vendo. Pensamento do cineasta, poeta, roteirista, fotógrafo e produtor iraniano Abbas Kiarostami (1940-2016), premiado pelos filmes Gosto de cereja (1997), O vento nos levará (1999), Like someone in love (2012), Copie conforme (2010), Chacun son cinema (2007), Tickets (2005), Dah (2002), ABC Africa (2001), entre outros. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU - Algumas pessoas nunca enlouquecem. Que vidas verdadeiramente horríveis eles devem levar. O indivíduo bem-equilibrado é insano. Nenhuma dor significa o fim da sensibilidade; cada uma de nossas alegrias é uma barganha com o diabo. A diferença entre a Arte e a Vida é que a Arte é mais suportável. Pensamento do escritor alemão Charles Bukowski Jr (1920-1994). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

GAIA & O AVISO FINAL – [...] Somos a elite inteligente entre a vida animal na Terra e quaisquer que sejam os nossos erros, [a Terra] precisa de nós. Esta pode parecer uma afirmação estranha, depois de tudo o que disse sobre a forma como os humanos do século XX se tornaram quase num organismo de doença planetária. Mas [a Terra] levou 2,5 mil milhões de anos para desenvolver um animal que pudesse pensar e comunicar os seus pensamentos. Se formos extintos, ela terá poucas chances de evoluir outra. [...]. Trecho extraído do livro The Vanishing Face of Gaia: A Final Warning (Penguin, 2010), do pesquisador e ambientalista inglês James Lovelock (1919-2022), cujo pensamento expressa: Tenha em mente que é arrogância pensar que sabemos como salvar a Terra: o nosso planeta cuida de si mesmo. Tudo o que podemos fazer é tentar nos salvar. Vivemos numa época em que as emoções e os sentimentos contam mais do que a verdade, e há uma vasta ignorância da ciência. A Terra pode estar viva: não como os antigos a viam – uma Deusa senciente com um propósito e visão – mas viva como uma árvore. Uma árvore que existe silenciosamente, nunca se movendo, exceto para balançar ao vento, mas conversando interminavelmente com a luz do sol e o solo. Usando luz solar, água e nutrientes minerais para crescer e mudar. Mas tudo feito de forma tão imperceptível que para mim o velho carvalho no gramado é o mesmo de quando eu era criança. A consideração analítica e a consideração intuitiva da vida não podem ser harmonizadas da mesma forma que a medida do primeiro está subordinada ao segundo. É o segundo, e notamment o sentimento de beleza e de compaixão que me enferma, que desacopla o sentido da totalidade de mesmo que celui des equilíbrios e do limite. A consideração intuitiva é a condição da sabedoria sem laquela, a consideração analítica pode conduzir a excessos suicidas. A análise dos fenômenos dados à força sobre o eu, ela permite dominar a natureza, mas ela não fere nenhuma indicação de quantos limites são convenientes para atribuir a esta força. Gaia, a meu ver, não é uma mãe amorosa e tolerante com delitos, nem uma donzela frágil e delicada em perigo por causa da humanidade brutal. Ela é severa e durona, sempre mantendo o mundo aquecido e confortável para aqueles que obedecem às regras, mas implacável na destruição daqueles que as transgridem. Veja mais aqui.

 

TRILOGIA SUJA DE HAVANA - [...] A vida não é longa o suficiente para desfrutar e compreender tudo ao mesmo tempo. Você tem que decidir o que é mais importante [...] É vertiginoso pensar o quão grande é o mundo, ou perceber o quão pequeno você é [...] Cuba pode ser o único lugar no mundo onde você pode ser você mesmo e mais do que você mesmo ao mesmo tempo [...] Um homem pode cometer muitos pequenos erros e não há nada de errado com isso. Mas se os erros são grandes e pesam sobre ele, sua única solução é parar de se levar a sério. É a única forma de evitar o sofrimento – o sofrimento, prolongado, pode ser fatal. [...] Gosto de ser belicoso, como bom filho de Ogum. Quando me virem tranquilo, é que já estou apodrecendo. [...] Nós nos afastamos rapidamente. Depois do Parque Maceo, há um trecho do Malecón que é território exclusivo de bichas e tortilleras. Cem metros gay. Amor livre. Se continuarmos caminhando em direção ao Vedado tudo muda. Os gays são uma fronteira entre a agitação do poder negro e a relativa calma do Vedado. Ele parece mais sedado. Mas não é assim. Tudo está contaminado. Em suma, somos todos mestiços. Aqui a agitação é clandestina. Basta arranhar um pouco a superfície e ela explode, com a mesma brutalidade. Chegamos a uma pizzaria ao lado do Hotel Saint John. Pizzaria iluminada e limpa, com pouca gente e ar condicionado. Ah, que paz! Aqui você paga em dólares e é um lugar barato, mas inacessível à máfia que se esfaqueia por dez dólares por aí. [...] Trechos extraídos da obra Dirty Havana Trilogy (Faber & Faber; 2002), do escritor, pintor e jornalista cubano Pedro Juan Gutiérrez.

 

DOIS POEMASPERFÍDIA. Neste jardim de Adão \ a maçã não é proibida \ os vivos e os mortos a mordem \ então ele joga fora imediatamente \ ou oferece a satanás \ É assim que muda de mãos \ jogando fora porque \ foi roído ele joga para os vermes \ eles vão honrá-la \ porque neste éden incerto \ onde vivem os desumanos do mal está coberto. PERENE AMOR - Seu amor é uma fonte de sensações \ que causam ao meu ser \ o gozo divino eles incitam prazer, \ paixões fazendo meu ser tocar o céu \ Seu amor, encha meu mundo de ilusões \ faz minha alma brincar de prazer \ que no seu paraíso plácido mais \ Tem sido mais da minha vida \ que eu te adoro. \ Seu amor está batendo bem \ na minha existência sequência \ de passado e presente \ amanhã flutuante \ para descobrir disso e muito \ mais meu espírito \ está ciente \ omissão boba \ que conseguimos evitar \você retorna como a luz do sol nascente \ você reivindica \ o que é eternamente seu \ Eu retribuo nosso amor perene. Poemas da escritora mexicana María Gloria Carreón Zapata.

 


SÍNDROME DE KLÜVER-BUCY – Que droga é nove? Trata-se de uma doença diagnosticada psicólogo alemão Heinrich Klüver e pelo cirurgião Paul Clancy Bucy, em 1939, e registrada pela jornalista inglesa Rita Carter, na sua famosa obra “Ouro da mente – o funcionamento e mistérios do cérebro humano”. Por causa disso passei a entender porque o Doro quase foi preso semana passada por querer despejar sua hipersexualidade numa porca (e em bichos de qualquer natureza desde a sua mais tenra idade) na ausência duma frochosa para sapecar seus desejos sexuais. Isso é que é o Big Shit Bôbras.


JÁ DIZIA O SIR ISAAC NEWTON - Se eu vi mais longe, foi por estar de pé sobre ombros de gigantes. Esse sabia das coisas, veja mais no Pesquisa.

VIVIANE MOSÉ – Um importante momento aconteceu quando vi a poeta, filósofa e psicóloga Viviane Mosé defender a importância dos conceitos do filósofo alemão Nieztsche de produção da linguagem na cultura ocidental para transvalorização de todos os valores. Indica ela magistralmente a dificuldade de aceitação do pensamento nietzschiano nos meios acadêmicos. Veja mais Viviane Mosé e Niezstche.

AONDE LEVA UMA PAIXÃO AVASSALADORA – Uma das mais desmanteladas paixonites agudas, foi a que envolveu o filósofo Auguste Comte e a escritora Cloltilde de Vaux. Ambos casados se enrolaram num amor proibido, dessa paixão levar o pensador a ficar de joelhos diante da irredutível e fidelíssima Clotilde que não cedia aos seus rogos nem permitia a consumação do fato, muito embora tenha desse muita bola de endoidá-lo, a ponto dele criar uma religião só pra venerá-la. O amor faz cada uma, hem? Confira mais no Crônica de amor por ela.

PAIXONITE AGUDA E ESCANDALOSA – Outro estrupício amoroso foi no início da Psicanálise, que envolveu Carl Gustav Jung e a jovem judia russa, Sabina Spielrein. Ela era uma filha doente de um casal de judeus mercadores que foi tratada pelo discípulo de Freud, envolvendo-o numa paixão avassaladora que virou tema da peça teatral The talking cure, de Cristopher Hampton, e transformada pro cinema na direção de David Cronenberg (conhecido no Brasil como Um método perigoso). Jung muito bem casado com uma ricaça deixou-se levar pelo masoquismo da russa, resultando numa das mais impressionantes histórias de amor e sexo. Imperdível. Confira mais no Crônica de amor por ela.

ESSA É DO POETA RALPH WALDO EMERSON (1803-1882) - A boa noticia é que no momento em que você decide que aquilo que sabe é mais importante do que aquilo que foi ensinado a acreditar, você muda de ritmo em sua busca por abundância. O sucesso vem de dentro, não de fora. Veja mais Momentos de reflexão.


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