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segunda-feira, março 16, 2015

JAMES BALDWIN, HELENE STÖCKER, PHILIP GUSTON, MARY WIGMAN & CÉSAR VALLEJO

A arte do pintor canadense Philip Guston (1913-1980)

 

A SOLIDÃO DE PHILIP... – Filho de fugitivos do antissemitismo ucraniano, sua família migrou para o Canadá. Depois foram para Los Angeles: a tragédia do suicídio do pai, subempregado que lutava. Daí aprendeu sozinho a arte, sua história e política. Seu irmão mais velho morre num acidente e um de seus murais foi vandalizado pelo Esquadrão Vermelho da Polícia: não deveria nunca se meter contra a Ku Klux Klan. Era um aviso. A injustiça, os desafios dos refugiados, os inquisidores espanhóis, o fascismo italiano, a suástica nazista e outros malfeitores: A luta contra o terrorismo. Seu interesse estava voltado para os quadrinhos, os renascentistas italianos, os modernistas ousados, os muralistas mexicanos. E o autodidata pintou murais e estabeleceu-se em New York entre os do Federal Art Project. Incluiu-se entre os expressionistas abstratos que abandonaram a arte representacional depois da tragédia da segunda grande guerra e do holocausto. De Goldstein tornou-se Guston e o mascaramento dos eventos históricos, tudo escondido em nome do terror. E a sua zombaria: É como se eu quisesse uma máscara... A autotransformação diante da intuição e franqueza de seus pares: Eu queria chegar a uma tela e ver o que aconteceria se eu apenas pintasse... Isolou-se em Woodstock diante de tantas revoltas, assassinatos e motins: Fiquei muito perturbado com a guerra e as manifestações. Elas se tornaram meu assunto, e eu fui inundado por uma memória... Era o morticínio no Vietnã. O sucesso, turbulências e o bufão Klansman encapuzado – o seu anti-herói cômico, brutal e sombrio: São autorretratos... Eu me percebi estando atrás do capuz... O escândalo na Marlborough Gallery, as críticas, Pintar, fumar, comer... A Musa e o Ciclope, as dúvidas e as mudanças de estilo, a arte confessional e apocalíptica, o seu escrutínio destemido e o verdadeiro assunto: É a liberdade... E sucumbiu aos ataques cardíacos e à vida difícil. Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Em toda a minha infelicidade eu estava me movendo, e de repente, esse movimento se tornou uma expressão, uma fala... Eu sabia que, sem matar o humor criativo, eu tinha que manter o equilíbrio entre a minha explosão emocional e a disciplina impiedosa de um controle super-pessoal, submetendo-me assim a lei auto-imposta da composição de dança... Uma arte forte e convincente nunca surgiu das teorias... Pensamento da bailarina, coreógrafa e professora de dança alemã Mary Wigman (1886-1973). Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU: A sociedade não tem o direito de considerar a prevenção da maternidade relutante um crime que justifique a prisão... Onde e com que direito o direito penal proíbe os indivíduos de exercerem controle completo sobre si mesmos?... Pensamento da feminista, pacifista, filósofa, escritora e jornalista alemã Helene Stöcker (1869–1943).

 

O FOGO DA PRÓXIMA VEZ - [...] Imagino que uma das razões pelas quais as pessoas se apegam ao ódio com tanta teimosia é porque elas sentem que, quando o ódio acaba, elas serão forçadas a lidar com a dor. [...] A vida é trágica simplesmente porque a Terra gira e o sol inexoravelmente nasce e se põe, e um dia, para cada um de nós, o sol se porá pela última, última vez. Talvez toda a raiz do nosso problema, o problema humano, seja que sacrificaremos toda a beleza de nossas vidas, nos aprisionaremos em totens, tabus, cruzes, sacrifícios de sangue, campanários, mesquitas, raças, exércitos, bandeiras, nações, para negar o fato da morte, o único fato que temos. Parece-me que se deve regozijar com o fato da morte — deve-se decidir, de fato, ganhar a morte confrontando com paixão o enigma da vida. Somos responsáveis pela vida: ela é o pequeno farol naquela escuridão aterrorizante de onde viemos e para onde retornaremos. [...] O amor tira as máscaras que tememos não poder viver sem e sabemos que não podemos viver dentro delas. Eu uso a palavra "amor" aqui não meramente no sentido pessoal, mas como um estado de ser, ou um estado de graça - não no sentido americano infantil de ser feliz, mas no sentido duro e universal de busca, ousadia e crescimento. [...]. Trechos extraídos da obra The Fire Next Time (Vintage, 1992), do escritor estadunidense James Baldwin (1924-1987), que no seu livro Another Country (Vintage, 1992), ele expressou: […] As pessoas não têm misericórdia. Elas rasgam você membro por membro, em nome do amor. Então, quando você está morto, quando elas o mataram pelo que fizeram você passar, elas dizem que você não tinha caráter. Elas choram lágrimas grandes e amargas - não por você. Por elas mesmas, porque perderam seu brinquedo. [...]. Também no seu Holt McDougal Library, High School with Connections: Student Text The Fire Next Time (Olt, Rinehart and Winston, 2000), ele expressou que: […] Por favor, tente lembrar que o que eles acreditam, bem como o que eles fazem e fazem você suportar, não testemunha sua inferioridade, mas sim a desumanidade deles. [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

TRILCE – No livro Trilce (1922 - Philobibliom, 1984), do poeta vanguardista e dramaturgo peruano César Vallejo (1892-1938), destaco o poema XXXV, traduzido por Thiago de Mello: O encontro com a amada, / tanto de uma vez, é um simples detalhe, / quase um programa hípico violeta, / de tão comprido não se pode dobrar bem. / O almoço com ela que servira / o prato que ontem estava tão gostoso / e se repete agora / só que com um pouco mais de mostarda; / o garfo absorto, seu galanteio radiante / de pistilo em maio, e seu pudor / de um centavo, por dá cá aquela palha, / e a cerveja lírica nervosa / zalada por seus dois mamilos sem lúpulo, / e que não se deve beber em demasia. / E os tantos outros encantos da mesa / que aquela núbil companha borda / com suas próprias baterias germinais / que funcionaram toda a manhã, / segundo me consta, a mim, / amoroso tabelião de suas intimidades / e com as dez varinhas mágicas / de seus dedos pancreáticos. / Mulher que, sem pensar em outra coisa, / solta o melro e começa a nos falar / com palavras ternas ; como lancinantes alfaces recém-colhidas. / Outro copo e me vou. E vamos, / agora sim, trabalhar. / Entretanto, ela se enfia / entre os cortinados e, oh agulha dos meus dias / desgarrados!, senta-se à beira / de uma costura, a me costurar as costas / as suas costas, / a pregar o botão dessa camisa / que tornou a cair. Mas já se viu! Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

Imagem da pintora realista francesa Rosa Bonheur (1822-1899). Veja mais aqui.

Ouvindo o Recital (1995), do compositor clássico vienense Franz Joseph Haydn (1732-1809) pela mezzo-soprano espanhola Teresa Berganza, sob a regência de Raymond Leppard na Scottish Chamber Orchestra. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 


SALVE DIONISO, EVOÉ BACO! – Imagem: O jovem Baco e seus seguidores (1885) do pintor acadêmico francês William-Adolphe Bouguereau (1825-1905) - Longe de ter uma visão sectária ou maniqueísta do mundo por entender que há dualidades que são, na verdade, unidades ou trindades que se tornam quartetos e outras multiformes e polimorfas expressões, e, também, para não mergulhar apenas no canhestra mundo apolíneo & Fabos & umbigocentristas, salve Dioniso, evoé Baco! Hoje, na mitologia greco-romana, é consagrado o primeiro dia do Bacanal, o Festival de Dioniso/Baco, deus do vinho, dos grãos, da fertilidade e da alegria. É a prova de que a vida prossegue. Poucos dias atrás estávamos sob o reino dionisíaco, o nosso maravilhoso carnaval: tudo alegria, paz, satisfação. Mal acabou a festa, já viramos panelaços, protestos, batendo no peito & mandando ver! Tudo isso no reino do Fecamepa! Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá. Veja mais aqui.

EXERCÍCIOS E JOGOS DO TEATRO – No livro 200 exercícios e jogos para o ator e não-ator com vontade de dizer algo através do teatro (Civilização Brasileira, 1983), o dramaturgo, ensaísta e escritor brasileiro Augusto Boal (1931-2009), trata a respeito da história do teatro Arena de São Paulo, abordando sobre jogos e exercícios, aquecimento físico, ideológico, vocal e emocional; jogos de integração do elenco, exercícios de máscaras e rituais; quebra da repressão, exercícios gerais sem texto; ensaios de motivação com texto, sequencia e ensaios pique-pique, entre outros assuntos. Da obra destaco: [...] começamos a estudar metodicamente os trabalhos de Stanislawsky. A nossa primeira proposta foi esta: que a emoção seja prioritária, que ela possa determinar, livremente a forma final. Mas como poderíamos esperar que as emoções se manifestassem livremente através do corpo do ator, se precisamente tal instrumento (o corpo) está mecanizado, muscarlarmente automatizado e insensível em 90% das suas possibilidades? Uma nova emoção descoberta corria o risco de ser canalizada pelo comportamento mecanizado do ator. Por que é que o corpo do ator está mecanizado? Pela enorme capacidade que têm os sentidos para registrar sensações, aliada a uma igual capacidade para selecionar e hierarquizar essas emoções. [...] Quando começamos com os Laboratório de Interpretação no Teatro Arena ainda não pensávamos nas máscaras sociais, naquela época, a mecanização era entendida sob uma forma puramente física: ao desenvolver sempre os mesmos movimentos, cada pessoa mecaniza o seu corpo para melhor os efetuar, privando-se então de uma atuação original em cada oportunidade. Podemos rir de mil maneiras diferentes, mas quando nos contam uma piada não nos pomos a pensar num modo original de rir, portanto, fazemo-lo sempre da mesma maneira. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

MÉTODO PERIGOSO – A psiquiatra e psicanalista russa Sabina Spielrein (1885-1942), tornou-se uma personagem romanesca que adquiriu celebridade, vez que sua história é singular e reveladora de todos os móbeis transferenciais do movimento psicanalítico. Desde criança que ela apresentava problemas, sendo vitima de alucinação por angustias e fobias, desordem mental, sentava-se nos calcanhares a ponto de fechar o ânus impedindo a defecação por duas semanas seguidas, entregou-se à masturbação, tudo durante a infância até aos oito anos de idade, quando a situação piorou. Aos dezoito anos foi atingida por crises de depressão, teve surtos psicóticos, passando a ser tratada na Suíça, por Jung com um caso de histeria e que ficou finalmente curada. Esse tratamento resultou em uma paixão incontrolável entre o terapeuta e a paciente. Simultaneamente polígamo, sedutor e obcecado pelo pecado e a loucura, Jung sempre teve uma atração particular pelo tipo de feminilidade encarnado por ela que foi aconselhada por Freud e por seu pai a encontrar uma solução sozinha. O que ela fez. Fez então estudos de medicina e orientou-se para a psiquiatria. Diplomada em 1911 com uma tese sobre a esquizofrenia, trabalhou depois com intensidade, apresentando uma exposição da sua tese sobre a pulsão de destruição, na qual Freud se inspiraria para escrever Muito além do princípio do prazer. Ao mesmo tempo paciente e estudante de psiquiatria, ela participou do debate sobre esquizofrenia no início do século XX. Depois experimentou o principio da transferência e do tratamento pelo amor, tornando-se a testemunha privilegiada da ruptura de Jung e Freud. O primeiro, seu amante e analista, o segundo, seria o seu mestre. Mais tarde inventou a noção de pulsão destrutiva e sádica, da qual nasceria a pulsão de morte. Enfim, atravessou as duas grandes tragédias: o genocídio dos judeus na Europa e a transformação do comunismo em stalinismo na Rússia. Durante dez anos ela continuou seus trabalhos e atividades clínicas na Alemanha, na Suíça e na Áustria, tendo por aluno Jean Piaget (1896-1980). Seus últimos artigos foram destinados aos temas da linguagem infantil, à afasia e a origem das palavras papai e mamãe, ocupando-se na Rússia de pedologia, afirmando ser capaz de curar Lenin de sua doença. Em 1935 foi apanhada, com toda a sua família, pela engrenagem do sistema totalitário. Seu marido morreu de infarto e seus dois irmãos levados pelos expurgos e desaparecendo no Gulag. Em 1942, ela foi massacrada com as suas duas filhas na ravina de Viga da Serpente, em meio a cadáveres coberto de sangue. O seu envolvimento amoroso com Jung virou tema da peça teatral The talking cure, de Cristopher Hampton, e transformada pro cinema num drama e suspense dirigido por David Cronenberg, A Dangerus Method (Um método perigoso, 2011), destacando-se o papel da atriz e modelo inglesa Keira Knightley. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui



Veja mais sobre:
Pablo Neruda, Modigliani, Björk, Teixeira Coelho, Zinaida Evgenievna Serebriakova, Elsa Zylberstein, Rubens da Cunha & Uma mulher por cem cabeças de gado aqui.

E mais:
Com quantos desaforos se faz uma eleição, Howard Chandler & Luciah Lopez aqui.
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Primeira Reunião, Patativa do Assaré, Heitor Villa-Lobos & Turíbio Santos, Cicero Dias, Rosa Luxemburg, Pier Paolo Pasolini, Bárbara Sukowa, Rubem Braga & José Geraldo Batista aqui.
Lev Vygotsky, Gabriel García Marquez, Flora Purim, Elizabeth Barrett Browning, Cyrano de Bergerac, Andrzej Wajda, Michelangelo & Anna Mucha aqui.
É pra ela – Crônica de amor por ela, Carlos Gomes & Silviane Bellato, Neila Tavares, Heloneida Studart, Giuseppe Tornatore, Piet Mondrian, Edwin Landseer, Maria Esther Maciel, Monica Bellucci & A lenda Mundurucu Quando mandavam as mulheres aqui.
Crônica de amor por ela, Sylvia Plath, Safo, Helena Blavatsky, Maria Bonita, Eurípedes, Carole Bayer Sager, Andrômaca & As troianas, Antonio Maria Esquivel, Mulheres no Mundo & O espelho em que os rostos se dividem aqui.
Crônica de amor por ela – poemas & canções, Juana de Ibarbourou, Camille Claudel, A Literatura Ocidental de Otto Maria Carpeaux, Ornette Coleman, Juliette Binoche, Johann Kaspar Füssli & Iacyr Anderson Freitas aqui.
Mil sonhos na cabeça e o amanhã nas mãos, João Cabral de Melo Neto, Omar Ortiz, Sean Seal& Gary Jackson aqui.
A vida em risco e o veneno à mesa, Amartya Kumar Sem, Roberto Fernandez Balbuena & Kadee Glass aqui.
Aos quatro cantos e ventos minha vida, Jacob Boehme, Esther Scliar, Tamara de Lempicka, Jo Ansell, Jonathan Charles & Dene Ramos aqui.
Solilóquio na viagem noturna do sol, Educação no Brasil, Maria Esther Pallares, Paula Águas, Sêneca, Terry Miura & Amenaide Lima aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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sexta-feira, dezembro 09, 2011

NAIM FRASHËRI, ROBERT LUDLUM, BONHEUR, LIUBOV POPOVA, LITERÓTICA & CANTARAU

 

A arte da pintora e escultora francesa Rosa Bonheur (1822-1899). Veja mais abaixo.

 

DITOS & DESDITOSO papel das 'artes representacionais' - pintura, escultura e até arquitetura… acabou, pois não é mais necessário para a consciência de nossa época, e tudo o que a arte tem a oferecer pode simplesmente ser classificado como um retrocesso. A era em que a humanidade entrou é uma era de desenvolvimento industrial e, portanto, a organização dos elementos artísticos deve ser aplicada ao design dos elementos materiais da vida cotidiana, i. e. para a indústria ou para a chamada produção. A nova produção industrial, na qual a criatividade artística deve participar, será radicalmente diferente da abordagem estética tradicional do objeto, na medida em que principalmente a atenção estará focada não na decoração artística do objeto (arte aplicada), mas na organização artística do objeto. O objeto de acordo com os princípios de criação do objeto mais utilitário... Se qualquer um dos diferentes tipos de belas-artes (ou seja, pintura de cavalete, desenho, gravura, escultura, etc.) ainda pode reter algum propósito, eles o farão então apenas: enquanto eles permanecem como a fase de laboratório em nossa busca por novas formas essenciais; e na medida em que servem como projetos e esquemas de apoio para construções e objetos utilitários e industrialmente manufaturados que ainda não foram realizados. Pensamento da pintora e ilustradora russa Liubov Popova (1889-1924), representante da vanguarda russa, cuja estética é transversal aos movimentos cubista, suprematista e construtivista, com trabalhos nos campos da pintura e do design.

 

ALGUÉM FALOU: A beleza sempre acabará sendo rasgada. O perfume é um parêntese, um momento de liberdade, paz, amor e sensualidade entre os problemas da vida moderna. Elegância não é uma questão de luxo ou dinheiro, mas sim de atitude. Se a elegância não vem do coração, então não é elegância. Eu nunca revoluciono. Eu apenas evoluo. Sempre imperceptivelmente. Pensamento da estilista e escritora francesa Sonia Rykiel (1930-2016).

 

A DOR DA TORTURA - Dois homens entraram em casa e me sequestraram, juntamente com meu marido, o jornalista Paulo Markun. No DOI-Codi de São Paulo, levei choques nas mãos, nos pés e nas orelhas, alguns tapas e socos, sendo inquirida sobre colegas de universidade e suas supostas ligações com o PCB. Durante o tempo em que isso aconteceu, eu usava um capuz preto que sufocava. Num determinado momento, eles extrapolaram e, rindo, puseram fogo nos meus cabelos, que passavam da cintura. Imediatamente retirei o capuz, apaguei o fogo com ele e encarei meu algoz, um senhor com rosto de pai de família e uns 60 anos de idade. Os torturadores auxiliares perguntaram: ‘E agora, acabamos de vez com ela?’. Tornei a olhar para o mais velho nos olhos e falei: ‘Isso que vocês estão fazendo comigo é um absurdo, sou católica e vou batizar minha filha no domingo’. E perguntei: ‘Você acredita em Deus? Você tem filhos?’. Os mais jovens avançaram sobre mim, e o mais velho disse: ‘Deixa’. Logo depois, fui jogada numa cela com outras mulheres. Lembro-me de uma camponesa que estava com o rosto desfigurado pela pancadaria. Ela não conhecia ninguém ali, nem sequer sabia o que era comunismo. Foi parar lá porque tinha se relacionado amorosamente com um militante. Ao ver aquilo e ouvir o relato das outras presas, muitas estupradas por vários homens e objetos, como garrafas e pedaços de pau, fi quei ainda mais apavorada. Ninguém se lembrou de mim por um dia inteiro e, na manhã do domingo, o carcereiro me disse: ‘Tire o macacão e vista sua roupa’. E saí de lá ao lado do Paulo. Pensei que seria punida pela minha ousadia de encarar o torturador. Mas não foi o que aconteceu. Os homens do Exército nos levaram direto para a igreja onde aconteceria o batizado. No final, meu pai convidou todos para ir à nossa casa ‘comemorar’. Lá, os homens deixaram as metralhadoras no chão da sala, almoçaram, beberam (muito) whisky e vinho. Paulo contou ao pai dele o que estava acontecendo e listou todos os nomes que estavam marcados. No fi nal da tarde, retornamos ao DOI-Codi, levando cobertores, sabonetes, chocolates e objetos de uso pessoal. Naquele dia teve festa na cadeia. Depoimento da jornalista e escritora Dilea Frate, quando da sua prisão enquanto estudante em 17 de outubro de 1975, em São Paulo. Ela é autora dos livros Procura-se Hugo, dirigiu a série Mulher Invisível (1998-2000) para o GNT; idealizou, dirigiu e roteirizou a série de programas educativos TV Piá; também dirigiu a série Crianças do Brasil (TV Futura - 2014) e o premiado curta-metragem O mar de Teresa (2015), trabalho experimental baseado no seu livro A menina que carregou o mar nas costas. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

A IDENTIDADE BOURNE - [...] O que um homem não consegue lembrar não existe para ele. [...] Eu vejo coisas e ouço coisas que não entendo. Sou um vegetal... habilidoso e habilidoso! [...] Quer dizer, todos nós estamos tentando descobrir quem diabos somos, não é? [...] Bem, deixe-me dizer-lhes, senhores, os jogos do diabo não se restringem aos confinados ao inferno. Outros podem jogá-los. [...] O sucesso de qualquer armadilha está em sua simplicidade fundamental. A armadilha reversa, pela natureza de sua única complicação, deve ser rápida e simples ainda. [...]. Trechos extraídos The Bourne Identity (Rocco/L&PM, 2009), do escritor estadunidense Robert Ludlum (1927-2001).

 

TRÊS POEMASCRENÇA: Curvando-se em seu solo, Albânia, / como o oráculo do templo de Dodene, / sinto o seu vapor vermelho que me embriaga / e depois canto. / E se geralmente acontece que a música não tem fio, / significa que devo estar bêbado / e conseqüentemente / muito mais sincero. POESIA: Poesia, / como você encontrou seu caminho para mim? / Minha mãe não conhece muito bem / o albanês, as letras são escritas como Aragão, sem pontos nem vírgulas; / em sua juventude, meu pai navegou sob outros céus. / No entanto, você veio / caminhando sobre as pedras da minha tranquila / cidade de pedra; / Você bateu timidamente na porta da casa de / três andares / no número 16. PODE SER: O mundo é pequeno: talvez / seus olhos encontrem / esses versos, / como a gazela ao leão na selva. / E nas letras pretas você / terá uma aparência triste. / Pode ser que seus olhos tremam com os versos / Mas os versos amarelados tremerão sob seus olhos? Poemas do poeta albanês Naim Frashëri (1846-1900).

 


A arte da pintora e escultora francesa Rosa Bonheur (1822-1899). Veja mais aqui e aqui.

 


TRÊS DE POEMAS DE AMOR À FLOR DA PELE

Image by Hiroko Sakai

DOAÇÃO

Para todos sou pedaços que me dou e me doo como o riso da criança no meio dia sem ter nem pra quê.



Pra você sou pedaços, os melhores de mim e os que me restam: aquela fatia de bolo com gosto de quero mais. É só o que tenho, nada mais.



Tivesse a vida, eu daria pra você como o sol todas as manhãs.



Do nada que sou e tenho faço os presentes de quem só tem aquilo pra dar: mas são como se fossem a maior das posses que qualquer ser humano tivesse na maior das farturas.



Sou apenas o que tenho - posse alguma, o mundo de cabeça pra baixo,  sem ter onde cair morto -, mas o pedaço inteiro que sou é seu.
© Luiz Alberto Machado.

FELAÇÃO

Minha
clava
se
torna
indestrutível
quando
toda
prateada
no
céu
da
noite
vem
a
no
rabo
do
cometa.
© Luiz Alberto Machado.

PUTONA

Começa bem cedo
A sua tentação
A lamber meu cambão
No maior dos chamegos

Abocanha sem medo
A língua em tição
A beijar meu vergão
Sem fazer arremedos

É meu pau seu folguedo
Sua degustação
Na maior felação
Em meu todo torpedo

Aumentando o enredo
É no meu mastro
Que ela faz o seu lastro
Pra meu desassossego

Nela mais me aconchego
E não dá distração
A mostrar seu bundão
Pros meus apegos

E eu vou de arrego
Hasteando bandeira
Na maior meladeira
Esfregando seu rego

E me faz de seu nego
Com uma rebolada
E sua mão alada
A me amolegar

E mais quer se esfregar
Ai ai ai u-lá lá

Aí eu soçobro
E mais eu lhe cobro
Dobro a aposta
E se ela gosta
Arrosta na trela

Dou picada bem nela
Agarrado à titela
De gemer todo cio
Aí me aproprio
Eu enfio, ela blasona
Feito gostosa putona
P´reu só macular

Ela quer copular
E diz mais: - Castiga!
Na maior das mangingas
A me enfeitiçar

E me a faz empurrar
Contra a parede
E ela pronta, adrede
Aceita a vergasta
Ela nem se afasta
Se achega mais tanto
Até por enquanto
Me dar a cara à tapa

Ela não me escapa
Tô bem todo nela
Ô safada cadela
Na sua caçapa

A gente se engata
Maior sacudida
Até ser bem fodida
No maior randevu

Botei tudo em seu cu
No maior arregaço
Chega senti seu regaço
Gostoso e quentinho

E no seu escaninho
Enfiei o pau na rodeira
E ela mais que bundeira
Pediu mais, que gulosa!
Pra melhorar minha prosa
E gozar como em choque
Já me fez seu reboque
Na maior guloseima

E eu todo boleima
Gozei todo esturro
Enfiei mais casmurro
Até encher o seu pódice
Com todo meu códice
Dela sorrir satisfeita
Como quem fez a colheita
Com a maior cara de anjo
Que deu pro marmanjo
A maior safadeza

Ela não sai ilesa
Mas toda dadeira
Me deu a chaleira
Do bico apitar.

Ah, na maior cara lisa
Feliz boa fruta
Bem manhosa me avisa:
- Ei, eu sou sua puta!!!!!!
© Luiz Alberto Machado.
Veja mais aquiaqui.



CANTARAU TATARITARITATÁComemorando os 5 anos e mais de 200 mil acessos do Tataritaritatá no YouTube, realizarei o cantarau (cantoria + sarau) no Sopa de Letrinhas – O sarau do Caiubi, dia 15/12, às 21hs, no Bagaça Botequim & Petiscaria, em São Paulo.

O SOPA DE LETRINAS – SARAU DO CAIUBI – É uma festa chacriniana com muita música, poesia e bom humor, produzido pelo poeta, compositor e agitador cultural Vlado Lima, dentro da programação do Clube Caiubi de Compositores. Acontece uma vez por mês, sempre na última sexta-feira, dessa vez excepcionalmente numa quinta-feira, dia 15/12, às 20hs, onde músicos, intérpretes, compositores, poetas e performers dos mais variados estilos aproveitam o palco aberto do Sopa e apresentam suas criações para uma plateia incrivelmente atenciosa e participativa.O público presente no evento ainda participa lendo poemas do poeta homenageado da noite, nesse caso Luiz Alberto Machado, e concorre a vários prêmios. No final do evento, é servida (na faixa) uma deliciosa sopa (de letrinhas).

SERVIÇO: TATARITARITATÁ NO SOPA DE LETRINHAS – O SARAU DO CAIUBI. Cantarau reunindo a música e a poesia de Luiz Alberto Machado. Dia 15/12, às 21hs, no Bagaça Botequim & Petiscaria (Rua Clelia 2023 – Lapa – esquina com a Jeroaquara – São Paulo. Participação especial: Meimei Correa. Informações pelo fone 011.2386.4915 e na Agenda do www.luizalbertomachado.com.br. Ingresso: 5 reais. Veja detalhes do show, repertório, clipes, músicas e outras informações no Tataritaritatá.




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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora comemorando a festa Tataritaritatá!
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...