Mostrando postagens com marcador Hiroko Sakai. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hiroko Sakai. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, dezembro 22, 2017

CIRO ALEGRÍA, GREIMAS, RONSARD, GUSTAV HOLST, LOLA ASTANOVA, OBIRICI, ASTECAS, ALESSANDRA CESTAC, HIROKO SAKAI & LUCIAH LOPEZ

DOS DIAS ÀS NOITES, O AMANHECER - Imagem: Love painting, art by Hiroko Sakai. - Espreito a tudo: o que se move e a mim, distinguindo fedores e perfumes, cantigas e catingas, luzes e escuridão. A tudo vejo, ouço o movimento, cheiro infortúnio e felicidade: o pêndulo da vida. Dentes que trincam nas narinas alargadas, bocas abertas e a ira na face dura pro combate, o súbito agir partindo pro ataque aos que defendem, os que retrucam, os que revidam, tocam a ira e tudo reverbera repulsivamente. Onde há guerra havia a paz perdida, desfocada, esquecida. Aos que perscrutam entre nebulosos e diáfanos, os que contraem as pupilas, estado de alerta. É preciso tomar cuidado, nunca se sabe. E os que vertem lágrimas, circunspectos ou alheios, rendidos da hora ante as circunstancias. Ouço o vozerio, algaravias escuras na vida noturna, admonições eventuais, censura, escancaro. E me calo prostrado na Noite Obscura, viagem pelas trevas. Tudo passa, o efêmero é a ordem e tudo se descarta e se transforma. Alguns entristecidos por nada e o espanto dos olhos aos olhares sensíveis, janelas da alma: força psíquica intangível irradiando poder especial. E se levantam temores, outras emoções. No fundo, no fundo tudo está bem, tudo dará certo, quer queira, quer não. É só a passagem, correnteza de águas do não saber. A tudo presencio e testemunho conquistas e fracassos, eu próprio entre prêmios e migalhas, todos entre o luxo e a miséria. Mais que a vida o teor da morte, o falso que se faz real, a mentira que se faz verdadeira. Sou-me inteiro com as pálpebras cerradas: pineal exposta às ultrafrequências das mais elevadas oitavas cósmicas. Vou além do visinvisível, quem vai da Lua ao Sol que vem, sou pro futuro na antecipação da aurora, emoção intensa e vívida no glorioso amanhecer. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o compositor, arranjador e professor inglês Gustav Holst (1874-1934): The Planets Suite & Symphoniy in F Major The Costwolds; e com a pianista russa Lola Astanova: Rhapsody in blue Gershwin & The Chopin Project.  Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA: Todo parecer é imperfeito: ele oculta o ser; é a partir dele que se constroem um querer-ser e um dever-ser, o que já um desvio do sentido. Somente enquanto poder ser – ou pode-ser – é o parecer apenas suportável. Pensamento do lingüista lituano Algirdas Julius Greimas (1917-1992), que desenvolveu contribuições inestimáveis para a semiótica e narratologia.

AS LÁGRIMAS DE OBIRICI – Imagem: As lágrimas de Obirici, do escultor Mário Arjonas - [...] Mas com Obirici, uma linda jovem [...] Desde curumim ela nutria amor por um único índio. Nunca havia confessado sua paixão, no entanto. Amava em segredo, em silêncio, sozinha. Quis o destino que o índio por quem ela era apaixonada fosse escolhido o chefe guerreiro dos tapi-mirins. Obirici pensou, então, que chegara o momento para se declarar. – Grande chefe, estou aqui para dizer que te amo. Quero ser tua esposa, passara vida ao teulado. – Tu não és a única a declarar amor por mim, Obirici. – Outra índia se apresentou como tua pretendente? – Sim. Ela diz me amar como ninguém mais me amaria. – Mas eu te amo tanto quanto ela, mais até. E desde sempre. Desde que soube o que era amar alguém... [...] A outra índia parecia mais afeita ao arco e à flecha. Seus disparos eram precisos, fulminantes, certeiros. Cada flexha sua que acertava o alvo era como se acertasse também o coração de Obirici. Aos poucos, sua vitoria foi se tornando evidente. Perdeu Obirici. [...] Era noite de lua cheia, e para a lua Obirici chorou. [...] Obirici virou suas lágrimas, e suas lágrmas viraram um riacho, que foi fazendo seu caminho pela areia até chegar à aldeia. Primeiro assustados, depois consternados, os tapi-mirins perceberam que o rio eram as lágrimas de sofrimento de Obirici. Chamaram o arroi de Ibicuiretã, e os açorianos quando aqui chegaram, o rebatizaram de Passo da Areia, que deu nome ao bairro. Lenda extraída da obra Lendas gaúchas: 35 histórias com origem no imaginário popular rio-grandense (RBS, 2007), organizada por Pedro Hasse Filho. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

ASTECAS - [...] Ora, eu e meus amigos de infância frequentemente discutíamos, como imagino que até mesmo as crianças cristãs discutam, a respeito das diferenças entre o corpo do homem e o da mulher, e aquilo que acreditávamos que homem e mulher intimidade, como faziam, quem ia por cima, quais as variações, quanto tempo durava o ato e quantas vezes podia ser feito em seguida. Cada um de nós, primeiro em segredo, depois em reuniões competitivas, descobriu como verificar se seu tepuli estava bastante ereto e se seus ovos ololtin continham omicetl masculino em quantidade e capacidade de projeção não inferiores de nossos colegas. [...] ouvíamos avidamente a caçoada obscena dos trabalhadores adultos e suas lembranças de aventuras com muilheres, decerto exageradas ao serem contadas. [...] E lá estava eu, diante do corpo da mais bela virgem de Aztlan – não uma maatil barata e vulgar ou mesmo uma cara auyanimi, mas uma verdadeira princesa. [...] E, é claro, após algum tempo, ela abandonava toda a calma e eu já não estava mais tão nervoso e ambos gritávamos sons desarticulados de êxtase e deleite. A coisa que de melhor me lembro sobre essa cópula, e de todas as outras que se seguiram, é quão bem Patzcatl-Ameyadtl personificava o próprio nome, que quer dizer Fonte de Humores. Quando nos deitávamos, ela era exatamente isso. Conheci muitas mulheres desde então, mas nenhuma tão pródiga de humores. Naquela primeira vez, meu primeiro toque em sua tipili fez com que começasse a produzir um fluido claro como água, embora lubrificante. Logo estávamos nós dois – e o catre também – escorregadios e brilhantes. Quando finalmente partimos para o ato da penetração, a membrana de proteção virginal de Ameyatl, o chitoli, rompeu-se sem oferecer resistência. Ela era apertada como uma virgem, mas não precisei forçar. Meu tepuli, bem-vindo nesses humores, penetrou-a sem dificuldade. Em outras ocasiões, Amyatl começava a ficar molhada nem bem tirava o tochomitl, ou, mais tarde ainda, assim que entrava no meu quarto. Às vezes, ainda depois, quando estávamos vestidos na companhia de outras pessoas e nos comportando com impecável propriedade,ela me lançava um olhar que queria dizer? “Estou olhando para você, Tenamaxtli... e estou molhada por baixo das roupas”. [...] fiquei supreso quando a menina fez comigo, coma boca, aquilo que pensei que só tuilontli masculinos faziam entre si, porque fora o mesmo que Yeyac certa vez tentara fazer comigo. Mas meu tepuli estava mais maduro então e a menna o excitou com tanta pericia que irrompi em glorioso prazer. Então ela me mostrou como fazer o mesmo com xacapili dela. Aprendi que essa pérola discreta, embora muito menor que o órgão de um mhomem, pode também ser posto na boca, acariciada com a língua e sugada até impelir a mulher a verdadeiras convulsões de prazer. Ao aprender isso, comecei a suspeitar que mulher alguma realmente precisava de um homem, ou seja, de seu tepuli, uma vez que outra mulher, mesmo uma criança, podia dar-lhe o mesmo tipo de prazer. Quando eu disse isso,a garota riu, mas concordou, e me falou que o ato sexual entre mulheres se chama paclachuia. [...] E assim foi, e passamos a nos divertir um com o outro em todo momento de privacidade possível durante os cinco anos seguintes, mais ou menos. [...]. Trechos da obra Outono asteca (Record, 2003), de Gary Jennings. Veja mais aqui.

A SERPENTE DE OURO – [...] O índio da fazenda guarda o segredo da sua comunidade como o seu próprio. Sabe bem que todos são conversadores, mas não com os brancos. Mal divisam um rosto claro ou uma roupa diferente, fecham-se em copas, só abrindo a boca para responderem o necessário. Somente os seus paisanos fraternos, do mesmo meio familiar, das palestras à porta de suas casas, lhes ouvem dissertações sobre as trivialidades da vida diária ou das boas ou más colheitas. Eles sabem como choram as plantas durantes as secas,m de como a laguna se põe rubra, recordando a morte de antigos guerreiros degolados e atirados em suas águas por rebeldia; do que diz de o Sol, quando as nuvens passam por ele; e como os trovões são produzidos por São Isidro, o padroeiro dos fazendeiros, que, num corcel ferrado e brioso, galipa pelos céus, ordenando uma boa chuva. Ou também uma maravilhosa historia, por exemplo de Tungurbao, espécie de Dom João Tem´roio da selva, surgindo em Chuquiten, ninguém sabendo de onde viera, nem para onde fora, que tocava flauta de ouro em noites de luar, atrando e seduzindo donzelas com o feitiço de sua música maravilhosa, alta e clara, que enchia a comarca, jamais ouvida antes, nem depois, e que desapareceu, talvez, devido às lágrimas das mães de suas vitimas ou porque terminasse o seu pacto com o diabo... mas, isto foi há muito, muito tempo... [...]. Trecho do romance A serpente de ouro (Clube do Livro, 1972), do premiado escritor e jornalista peruano Ciro Alegría (1909-1967). Veja mais aqui.

SONETO & ODE DE RONSARD - 1 – Soneto: Foi para vós que ontem colhi, senhora, / este ramos de flores que ora envio. / Não no houvesse colhido e o vento e o frio / tê-las-iam crestado antes da autora. / Meditai nesse exemplo, que se agora / não sei mais do que o vosso outro macio / rosto nem boca de melhor feitio, / a tudo a idade afeia sem demora. / Senhora, o tempo foge...  o tempo foge... / com pouco morreremos e amanhã / já não seremos o que somos hoje... / Por quê é que o vosso coração hesita? / O tempo foge... a vida é breve e é vã... / Por isso, amai-me... enquanto sois bonita. 2 – Ode à Cassandra: Vem, amor, vem ver se a rosa, / que ontem, fresca e perfumosa, / se aberiu ao sol estival, / não perdeu o viço ainda / e conserva, rubra e linda, / cor a teu rosto igual. / Oh, amor! Vê quão depressa, / fenecendo, a rosa cessa / de ser bela e ser louçã! / Como é madrasta a Natura, / pois que tal flor jamais dura / do entardecer à manhã! / Meu conselho é, pois, amor, / que, enquanto na vida em flor, / encantos possam sobrar-te: / colhe, colhe a mocidade, / pois comoà rosa a idade / da beleza há de privar-te. Poemas do poeta renascentista francês Pierre de Ronsard (1524-1595). Veja mais aqui.

AS CONDECORAÇÕES DE LUCIAH LOPEZ
A poeta Luciah Lopez é homenageada com a Comenda Internacional Ruy Barbosa "O Águia de Haia", o Título Honorífico de Embaixadora da Paz pela OMDDH - Organização Mundial dos Defensores dos Direitos Humanos, vinculado a Organização das Nações Unidas (ONU), Certificado de Mérito Cultural 2016 e o Diploma de Benfeitor Cultural da Humanidade - FEBACLA. As condecorações internacionais vêm como fruto de um trabalho desenvolvido através de sua poesia e pensamento em prol da paz mundial. A cerimonia de entrega dos títulos aconteceu na Câmara Municipal de Niterói (RJ). no dia 08 de dezembro, com a presença de artistas e autoridades. Veja mais aqui.

Veja mais:
O teatro de Jean Racine aqui e aqui,
A poesia de Marinetti aqui e aqui
O teatro de Samuel Beckett aqui e aqui
Livros Infantis do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

A ARTE HIROKO SAKAI
A arte da pintora japonesa Hiroko Sakai.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista plástica, performer e designer gráfica Alessandra Cestac.
Veja mais aqui.
 

sexta-feira, dezembro 09, 2011

NAIM FRASHËRI, ROBERT LUDLUM, BONHEUR, LIUBOV POPOVA, LITERÓTICA & CANTARAU

 

A arte da pintora e escultora francesa Rosa Bonheur (1822-1899). Veja mais abaixo.

 

DITOS & DESDITOS – O papel das 'artes representacionais' - pintura, escultura e até arquitetura… acabou, pois não é mais necessário para a consciência de nossa época, e tudo o que a arte tem a oferecer pode simplesmente ser classificado como um retrocesso. A era em que a humanidade entrou é uma era de desenvolvimento industrial e, portanto, a organização dos elementos artísticos deve ser aplicada ao design dos elementos materiais da vida cotidiana, i. e. para a indústria ou para a chamada produção. A nova produção industrial, na qual a criatividade artística deve participar, será radicalmente diferente da abordagem estética tradicional do objeto, na medida em que principalmente a atenção estará focada não na decoração artística do objeto (arte aplicada), mas na organização artística do objeto. O objeto de acordo com os princípios de criação do objeto mais utilitário... Se qualquer um dos diferentes tipos de belas-artes (ou seja, pintura de cavalete, desenho, gravura, escultura, etc.) ainda pode reter algum propósito, eles o farão então apenas: enquanto eles permanecem como a fase de laboratório em nossa busca por novas formas essenciais; e na medida em que servem como projetos e esquemas de apoio para construções e objetos utilitários e industrialmente manufaturados que ainda não foram realizados. Pensamento da pintora e ilustradora russa Liubov Popova (1889-1924), representante da vanguarda russa, cuja estética é transversal aos movimentos cubista, suprematista e construtivista, com trabalhos nos campos da pintura e do design.

 

ALGUÉM FALOU: A beleza sempre acabará sendo rasgada. O perfume é um parêntese, um momento de liberdade, paz, amor e sensualidade entre os problemas da vida moderna. Elegância não é uma questão de luxo ou dinheiro, mas sim de atitude. Se a elegância não vem do coração, então não é elegância. Eu nunca revoluciono. Eu apenas evoluo. Sempre imperceptivelmente. Pensamento da estilista e escritora francesa Sonia Rykiel (1930-2016).

 

A DOR DA TORTURA - Dois homens entraram em casa e me sequestraram, juntamente com meu marido, o jornalista Paulo Markun. No DOI-Codi de São Paulo, levei choques nas mãos, nos pés e nas orelhas, alguns tapas e socos, sendo inquirida sobre colegas de universidade e suas supostas ligações com o PCB. Durante o tempo em que isso aconteceu, eu usava um capuz preto que sufocava. Num determinado momento, eles extrapolaram e, rindo, puseram fogo nos meus cabelos, que passavam da cintura. Imediatamente retirei o capuz, apaguei o fogo com ele e encarei meu algoz, um senhor com rosto de pai de família e uns 60 anos de idade. Os torturadores auxiliares perguntaram: ‘E agora, acabamos de vez com ela?’. Tornei a olhar para o mais velho nos olhos e falei: ‘Isso que vocês estão fazendo comigo é um absurdo, sou católica e vou batizar minha filha no domingo’. E perguntei: ‘Você acredita em Deus? Você tem filhos?’. Os mais jovens avançaram sobre mim, e o mais velho disse: ‘Deixa’. Logo depois, fui jogada numa cela com outras mulheres. Lembro-me de uma camponesa que estava com o rosto desfigurado pela pancadaria. Ela não conhecia ninguém ali, nem sequer sabia o que era comunismo. Foi parar lá porque tinha se relacionado amorosamente com um militante. Ao ver aquilo e ouvir o relato das outras presas, muitas estupradas por vários homens e objetos, como garrafas e pedaços de pau, fi quei ainda mais apavorada. Ninguém se lembrou de mim por um dia inteiro e, na manhã do domingo, o carcereiro me disse: ‘Tire o macacão e vista sua roupa’. E saí de lá ao lado do Paulo. Pensei que seria punida pela minha ousadia de encarar o torturador. Mas não foi o que aconteceu. Os homens do Exército nos levaram direto para a igreja onde aconteceria o batizado. No final, meu pai convidou todos para ir à nossa casa ‘comemorar’. Lá, os homens deixaram as metralhadoras no chão da sala, almoçaram, beberam (muito) whisky e vinho. Paulo contou ao pai dele o que estava acontecendo e listou todos os nomes que estavam marcados. No fi nal da tarde, retornamos ao DOI-Codi, levando cobertores, sabonetes, chocolates e objetos de uso pessoal. Naquele dia teve festa na cadeia. Depoimento da jornalista e escritora Dilea Frate, quando da sua prisão enquanto estudante em 17 de outubro de 1975, em São Paulo. Ela é autora dos livros Procura-se Hugo, dirigiu a série Mulher Invisível (1998-2000) para o GNT; idealizou, dirigiu e roteirizou a série de programas educativos TV Piá; também dirigiu a série Crianças do Brasil (TV Futura - 2014) e o premiado curta-metragem O mar de Teresa (2015), trabalho experimental baseado no seu livro A menina que carregou o mar nas costas. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

A IDENTIDADE BOURNE - [...] O que um homem não consegue lembrar não existe para ele. [...] Eu vejo coisas e ouço coisas que não entendo. Sou um vegetal... habilidoso e habilidoso! [...] Quer dizer, todos nós estamos tentando descobrir quem diabos somos, não é? [...] Bem, deixe-me dizer-lhes, senhores, os jogos do diabo não se restringem aos confinados ao inferno. Outros podem jogá-los. [...] O sucesso de qualquer armadilha está em sua simplicidade fundamental. A armadilha reversa, pela natureza de sua única complicação, deve ser rápida e simples ainda. [...]. Trechos extraídos The Bourne Identity (Rocco/L&PM, 2009), do escritor estadunidense Robert Ludlum (1927-2001).

 

TRÊS POEMAS – CRENÇA: Curvando-se em seu solo, Albânia, / como o oráculo do templo de Dodene, / sinto o seu vapor vermelho que me embriaga / e depois canto. / E se geralmente acontece que a música não tem fio, / significa que devo estar bêbado / e conseqüentemente / muito mais sincero. POESIA: Poesia, / como você encontrou seu caminho para mim? / Minha mãe não conhece muito bem / o albanês, as letras são escritas como Aragão, sem pontos nem vírgulas; / em sua juventude, meu pai navegou sob outros céus. / No entanto, você veio / caminhando sobre as pedras da minha tranquila / cidade de pedra; / Você bateu timidamente na porta da casa de / três andares / no número 16. PODE SER: O mundo é pequeno: talvez / seus olhos encontrem / esses versos, / como a gazela ao leão na selva. / E nas letras pretas você / terá uma aparência triste. / Pode ser que seus olhos tremam com os versos / Mas os versos amarelados tremerão sob seus olhos? Poemas do poeta albanês Naim Frashëri (1846-1900).

 


A arte da pintora e escultora francesa Rosa Bonheur (1822-1899). Veja mais aqui e aqui.

 


TRÊS DE POEMAS DE AMOR À FLOR DA PELE

Image by Hiroko Sakai

DOAÇÃO

Para todos sou pedaços que me dou e me doo como o riso da criança no meio dia sem ter nem pra quê.



Pra você sou pedaços, os melhores de mim e os que me restam: aquela fatia de bolo com gosto de quero mais. É só o que tenho, nada mais.



Tivesse a vida, eu daria pra você como o sol todas as manhãs.



Do nada que sou e tenho faço os presentes de quem só tem aquilo pra dar: mas são como se fossem a maior das posses que qualquer ser humano tivesse na maior das farturas.



Sou apenas o que tenho - posse alguma, o mundo de cabeça pra baixo,  sem ter onde cair morto -, mas o pedaço inteiro que sou é seu.
© Luiz Alberto Machado.

FELAÇÃO

Minha
clava
se
torna
indestrutível
quando
toda
prateada
no
céu
da
noite
vem
a
rã
no
rabo
do
cometa.
© Luiz Alberto Machado.

PUTONA

Começa bem cedo
A sua tentação
A lamber meu cambão
No maior dos chamegos

Abocanha sem medo
A língua em tição
A beijar meu vergão
Sem fazer arremedos

É meu pau seu folguedo
Sua degustação
Na maior felação
Em meu todo torpedo

Aumentando o enredo
É no meu mastro
Que ela faz o seu lastro
Pra meu desassossego

Nela mais me aconchego
E não dá distração
A mostrar seu bundão
Pros meus apegos

E eu vou de arrego
Hasteando bandeira
Na maior meladeira
Esfregando seu rego

E me faz de seu nego
Com uma rebolada
E sua mão alada
A me amolegar

E mais quer se esfregar
Ai ai ai u-lá lá

Aí eu soçobro
E mais eu lhe cobro
Dobro a aposta
E se ela gosta
Arrosta na trela

Dou picada bem nela
Agarrado à titela
De gemer todo cio
Aí me aproprio
Eu enfio, ela blasona
Feito gostosa putona
P´reu só macular

Ela quer copular
E diz mais: - Castiga!
Na maior das mangingas
A me enfeitiçar

E me a faz empurrar
Contra a parede
E ela pronta, adrede
Aceita a vergasta
Ela nem se afasta
Se achega mais tanto
Até por enquanto
Me dar a cara à tapa

Ela não me escapa
Tô bem todo nela
Ô safada cadela
Na sua caçapa

A gente se engata
Maior sacudida
Até ser bem fodida
No maior randevu

Botei tudo em seu cu
No maior arregaço
Chega senti seu regaço
Gostoso e quentinho

E no seu escaninho
Enfiei o pau na rodeira
E ela mais que bundeira
Pediu mais, que gulosa!
Pra melhorar minha prosa
E gozar como em choque
Já me fez seu reboque
Na maior guloseima

E eu todo boleima
Gozei todo esturro
Enfiei mais casmurro
Até encher o seu pódice
Com todo meu códice
Dela sorrir satisfeita
Como quem fez a colheita
Com a maior cara de anjo
Que deu pro marmanjo
A maior safadeza

Ela não sai ilesa
Mas toda dadeira
Me deu a chaleira
Do bico apitar.

Ah, na maior cara lisa
Feliz boa fruta
Bem manhosa me avisa:
- Ei, eu sou sua puta!!!!!!
© Luiz Alberto Machado.
Veja mais aqui e aqui.



CANTARAU TATARITARITATÁ – Comemorando os 5 anos e mais de 200 mil acessos do Tataritaritatá no YouTube, realizarei o cantarau (cantoria + sarau) no Sopa de Letrinhas – O sarau do Caiubi, dia 15/12, às 21hs, no Bagaça Botequim & Petiscaria, em São Paulo.

O SOPA DE LETRINAS – SARAU DO CAIUBI – É uma festa chacriniana com muita música, poesia e bom humor, produzido pelo poeta, compositor e agitador cultural Vlado Lima, dentro da programação do Clube Caiubi de Compositores. Acontece uma vez por mês, sempre na última sexta-feira, dessa vez excepcionalmente numa quinta-feira, dia 15/12, às 20hs, onde músicos, intérpretes, compositores, poetas e performers dos mais variados estilos aproveitam o palco aberto do Sopa e apresentam suas criações para uma plateia incrivelmente atenciosa e participativa.O público presente no evento ainda participa lendo poemas do poeta homenageado da noite, nesse caso Luiz Alberto Machado, e concorre a vários prêmios. No final do evento, é servida (na faixa) uma deliciosa sopa (de letrinhas).

SERVIÇO: TATARITARITATÁ NO SOPA DE LETRINHAS – O SARAU DO CAIUBI. Cantarau reunindo a música e a poesia de Luiz Alberto Machado. Dia 15/12, às 21hs, no Bagaça Botequim & Petiscaria (Rua Clelia 2023 – Lapa – esquina com a Jeroaquara – São Paulo. Participação especial: Meimei Correa. Informações pelo fone 011.2386.4915 e na Agenda do www.luizalbertomachado.com.br. Ingresso: 5 reais. Veja detalhes do show, repertório, clipes, músicas e outras informações no Tataritaritatá.




Veja mais sobre:
O presente na festa do amor aqui.

E mais:
Primeiro encontro, a entrega quente no frio da noite aqui.
Primeiro encontro: o vôo da língua no universo do gozo aqui.
Ao redor da pira onde queima o amor aqui.
Por você aqui.
Moto perpétuo aqui.
O uivo da loba aqui.
Ária da danação aqui.
Possessão Insana aqui.
Vade-mécum – enquirídio: um preâmbulo para o amor aqui.
Eu & ela no Jeju Loveland aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
O flagelo: Na volta do disse-me-disse, cada um que proteja seus guardados aqui.
Big Shit Bôbras aqui.
A chupóloga papa-jerimum aqui.
Educação Ambiental aqui.
Aprender a aprender aqui.
Crença: pelo direito de viver e deixar viver aqui.
É pra ela: todo dia é dia da mulher aqui.
A professora, Henrik Ibsen, Lenine, Marvin Minsky, Columbina, Jean-Jacques Beineix, Valentina Sauca, Carlos Leão, A sociedade da Mente & A lenda do mel aqui.
Educação no Brasil & Ensino Fundamental aqui.
Bolero, John Updike, Nelson Rodrigues, Trio Images, Frederico Barbosa, Roberto Calasso, Irma Álvarez, Norman Engel & Aecio Kauffmann aqui.
Por você aqui.
Eros & Erotismo, Johnny Alf, Mário Souto Maior & o Dicionário da Cachaça, Ricardo Ramos, Max Frisch, Marcelo Piñeyro, Letícia Bretice, Frank Frazetta, Ricardo Paula, Pero Vaz Caminha, Gilmar Leite & Literatura Erótica aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora comemorando a festa Tataritaritatá!
 Veja aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.




GLAUCE ROCHA, KRISZTINA TÓTH, JERRY JENKINS, JACQUES VALLÉE & OLINDA.

    Imagem: Ensaio de múltiplas dimensões , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM . Do lançamento TTTTT e...