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sexta-feira, dezembro 22, 2017

CIRO ALEGRÍA, GREIMAS, RONSARD, GUSTAV HOLST, LOLA ASTANOVA, OBIRICI, ASTECAS, ALESSANDRA CESTAC, HIROKO SAKAI & LUCIAH LOPEZ

DOS DIAS ÀS NOITES, O AMANHECER - Imagem: Love painting, art by Hiroko Sakai. - Espreito a tudo: o que se move e a mim, distinguindo fedores e perfumes, cantigas e catingas, luzes e escuridão. A tudo vejo, ouço o movimento, cheiro infortúnio e felicidade: o pêndulo da vida. Dentes que trincam nas narinas alargadas, bocas abertas e a ira na face dura pro combate, o súbito agir partindo pro ataque aos que defendem, os que retrucam, os que revidam, tocam a ira e tudo reverbera repulsivamente. Onde há guerra havia a paz perdida, desfocada, esquecida. Aos que perscrutam entre nebulosos e diáfanos, os que contraem as pupilas, estado de alerta. É preciso tomar cuidado, nunca se sabe. E os que vertem lágrimas, circunspectos ou alheios, rendidos da hora ante as circunstancias. Ouço o vozerio, algaravias escuras na vida noturna, admonições eventuais, censura, escancaro. E me calo prostrado na Noite Obscura, viagem pelas trevas. Tudo passa, o efêmero é a ordem e tudo se descarta e se transforma. Alguns entristecidos por nada e o espanto dos olhos aos olhares sensíveis, janelas da alma: força psíquica intangível irradiando poder especial. E se levantam temores, outras emoções. No fundo, no fundo tudo está bem, tudo dará certo, quer queira, quer não. É só a passagem, correnteza de águas do não saber. A tudo presencio e testemunho conquistas e fracassos, eu próprio entre prêmios e migalhas, todos entre o luxo e a miséria. Mais que a vida o teor da morte, o falso que se faz real, a mentira que se faz verdadeira. Sou-me inteiro com as pálpebras cerradas: pineal exposta às ultrafrequências das mais elevadas oitavas cósmicas. Vou além do visinvisível, quem vai da Lua ao Sol que vem, sou pro futuro na antecipação da aurora, emoção intensa e vívida no glorioso amanhecer. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o compositor, arranjador e professor inglês Gustav Holst (1874-1934): The Planets Suite & Symphoniy in F Major The Costwolds; e com a pianista russa Lola Astanova: Rhapsody in blue Gershwin & The Chopin Project.  Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA: Todo parecer é imperfeito: ele oculta o ser; é a partir dele que se constroem um querer-ser e um dever-ser, o que já um desvio do sentido. Somente enquanto poder ser – ou pode-ser – é o parecer apenas suportável. Pensamento do lingüista lituano Algirdas Julius Greimas (1917-1992), que desenvolveu contribuições inestimáveis para a semiótica e narratologia.

AS LÁGRIMAS DE OBIRICI – Imagem: As lágrimas de Obirici, do escultor Mário Arjonas - [...] Mas com Obirici, uma linda jovem [...] Desde curumim ela nutria amor por um único índio. Nunca havia confessado sua paixão, no entanto. Amava em segredo, em silêncio, sozinha. Quis o destino que o índio por quem ela era apaixonada fosse escolhido o chefe guerreiro dos tapi-mirins. Obirici pensou, então, que chegara o momento para se declarar. – Grande chefe, estou aqui para dizer que te amo. Quero ser tua esposa, passara vida ao teulado. – Tu não és a única a declarar amor por mim, Obirici. – Outra índia se apresentou como tua pretendente? – Sim. Ela diz me amar como ninguém mais me amaria. – Mas eu te amo tanto quanto ela, mais até. E desde sempre. Desde que soube o que era amar alguém... [...] A outra índia parecia mais afeita ao arco e à flecha. Seus disparos eram precisos, fulminantes, certeiros. Cada flexha sua que acertava o alvo era como se acertasse também o coração de Obirici. Aos poucos, sua vitoria foi se tornando evidente. Perdeu Obirici. [...] Era noite de lua cheia, e para a lua Obirici chorou. [...] Obirici virou suas lágrimas, e suas lágrmas viraram um riacho, que foi fazendo seu caminho pela areia até chegar à aldeia. Primeiro assustados, depois consternados, os tapi-mirins perceberam que o rio eram as lágrimas de sofrimento de Obirici. Chamaram o arroi de Ibicuiretã, e os açorianos quando aqui chegaram, o rebatizaram de Passo da Areia, que deu nome ao bairro. Lenda extraída da obra Lendas gaúchas: 35 histórias com origem no imaginário popular rio-grandense (RBS, 2007), organizada por Pedro Hasse Filho. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

ASTECAS - [...] Ora, eu e meus amigos de infância frequentemente discutíamos, como imagino que até mesmo as crianças cristãs discutam, a respeito das diferenças entre o corpo do homem e o da mulher, e aquilo que acreditávamos que homem e mulher intimidade, como faziam, quem ia por cima, quais as variações, quanto tempo durava o ato e quantas vezes podia ser feito em seguida. Cada um de nós, primeiro em segredo, depois em reuniões competitivas, descobriu como verificar se seu tepuli estava bastante ereto e se seus ovos ololtin continham omicetl masculino em quantidade e capacidade de projeção não inferiores de nossos colegas. [...] ouvíamos avidamente a caçoada obscena dos trabalhadores adultos e suas lembranças de aventuras com muilheres, decerto exageradas ao serem contadas. [...] E lá estava eu, diante do corpo da mais bela virgem de Aztlan – não uma maatil barata e vulgar ou mesmo uma cara auyanimi, mas uma verdadeira princesa. [...] E, é claro, após algum tempo, ela abandonava toda a calma e eu já não estava mais tão nervoso e ambos gritávamos sons desarticulados de êxtase e deleite. A coisa que de melhor me lembro sobre essa cópula, e de todas as outras que se seguiram, é quão bem Patzcatl-Ameyadtl personificava o próprio nome, que quer dizer Fonte de Humores. Quando nos deitávamos, ela era exatamente isso. Conheci muitas mulheres desde então, mas nenhuma tão pródiga de humores. Naquela primeira vez, meu primeiro toque em sua tipili fez com que começasse a produzir um fluido claro como água, embora lubrificante. Logo estávamos nós dois – e o catre também – escorregadios e brilhantes. Quando finalmente partimos para o ato da penetração, a membrana de proteção virginal de Ameyatl, o chitoli, rompeu-se sem oferecer resistência. Ela era apertada como uma virgem, mas não precisei forçar. Meu tepuli, bem-vindo nesses humores, penetrou-a sem dificuldade. Em outras ocasiões, Amyatl começava a ficar molhada nem bem tirava o tochomitl, ou, mais tarde ainda, assim que entrava no meu quarto. Às vezes, ainda depois, quando estávamos vestidos na companhia de outras pessoas e nos comportando com impecável propriedade,ela me lançava um olhar que queria dizer? “Estou olhando para você, Tenamaxtli... e estou molhada por baixo das roupas”. [...] fiquei supreso quando a menina fez comigo, coma boca, aquilo que pensei que só tuilontli masculinos faziam entre si, porque fora o mesmo que Yeyac certa vez tentara fazer comigo. Mas meu tepuli estava mais maduro então e a menna o excitou com tanta pericia que irrompi em glorioso prazer. Então ela me mostrou como fazer o mesmo com xacapili dela. Aprendi que essa pérola discreta, embora muito menor que o órgão de um mhomem, pode também ser posto na boca, acariciada com a língua e sugada até impelir a mulher a verdadeiras convulsões de prazer. Ao aprender isso, comecei a suspeitar que mulher alguma realmente precisava de um homem, ou seja, de seu tepuli, uma vez que outra mulher, mesmo uma criança, podia dar-lhe o mesmo tipo de prazer. Quando eu disse isso,a garota riu, mas concordou, e me falou que o ato sexual entre mulheres se chama paclachuia. [...] E assim foi, e passamos a nos divertir um com o outro em todo momento de privacidade possível durante os cinco anos seguintes, mais ou menos. [...]. Trechos da obra Outono asteca (Record, 2003), de Gary Jennings. Veja mais aqui.

A SERPENTE DE OURO – [...] O índio da fazenda guarda o segredo da sua comunidade como o seu próprio. Sabe bem que todos são conversadores, mas não com os brancos. Mal divisam um rosto claro ou uma roupa diferente, fecham-se em copas, só abrindo a boca para responderem o necessário. Somente os seus paisanos fraternos, do mesmo meio familiar, das palestras à porta de suas casas, lhes ouvem dissertações sobre as trivialidades da vida diária ou das boas ou más colheitas. Eles sabem como choram as plantas durantes as secas,m de como a laguna se põe rubra, recordando a morte de antigos guerreiros degolados e atirados em suas águas por rebeldia; do que diz de o Sol, quando as nuvens passam por ele; e como os trovões são produzidos por São Isidro, o padroeiro dos fazendeiros, que, num corcel ferrado e brioso, galipa pelos céus, ordenando uma boa chuva. Ou também uma maravilhosa historia, por exemplo de Tungurbao, espécie de Dom João Tem´roio da selva, surgindo em Chuquiten, ninguém sabendo de onde viera, nem para onde fora, que tocava flauta de ouro em noites de luar, atrando e seduzindo donzelas com o feitiço de sua música maravilhosa, alta e clara, que enchia a comarca, jamais ouvida antes, nem depois, e que desapareceu, talvez, devido às lágrimas das mães de suas vitimas ou porque terminasse o seu pacto com o diabo... mas, isto foi há muito, muito tempo... [...]. Trecho do romance A serpente de ouro (Clube do Livro, 1972), do premiado escritor e jornalista peruano Ciro Alegría (1909-1967). Veja mais aqui.

SONETO & ODE DE RONSARD - 1 – Soneto: Foi para vós que ontem colhi, senhora, / este ramos de flores que ora envio. / Não no houvesse colhido e o vento e o frio / tê-las-iam crestado antes da autora. / Meditai nesse exemplo, que se agora / não sei mais do que o vosso outro macio / rosto nem boca de melhor feitio, / a tudo a idade afeia sem demora. / Senhora, o tempo foge...  o tempo foge... / com pouco morreremos e amanhã / já não seremos o que somos hoje... / Por quê é que o vosso coração hesita? / O tempo foge... a vida é breve e é vã... / Por isso, amai-me... enquanto sois bonita. 2 – Ode à Cassandra: Vem, amor, vem ver se a rosa, / que ontem, fresca e perfumosa, / se aberiu ao sol estival, / não perdeu o viço ainda / e conserva, rubra e linda, / cor a teu rosto igual. / Oh, amor! Vê quão depressa, / fenecendo, a rosa cessa / de ser bela e ser louçã! / Como é madrasta a Natura, / pois que tal flor jamais dura / do entardecer à manhã! / Meu conselho é, pois, amor, / que, enquanto na vida em flor, / encantos possam sobrar-te: / colhe, colhe a mocidade, / pois comoà rosa a idade / da beleza há de privar-te. Poemas do poeta renascentista francês Pierre de Ronsard (1524-1595). Veja mais aqui.

AS CONDECORAÇÕES DE LUCIAH LOPEZ
A poeta Luciah Lopez é homenageada com a Comenda Internacional Ruy Barbosa "O Águia de Haia", o Título Honorífico de Embaixadora da Paz pela OMDDH - Organização Mundial dos Defensores dos Direitos Humanos, vinculado a Organização das Nações Unidas (ONU), Certificado de Mérito Cultural 2016 e o Diploma de Benfeitor Cultural da Humanidade - FEBACLA. As condecorações internacionais vêm como fruto de um trabalho desenvolvido através de sua poesia e pensamento em prol da paz mundial. A cerimonia de entrega dos títulos aconteceu na Câmara Municipal de Niterói (RJ). no dia 08 de dezembro, com a presença de artistas e autoridades. Veja mais aqui.

Veja mais:
O teatro de Jean Racine aqui e aqui,
A poesia de Marinetti aqui e aqui
O teatro de Samuel Beckett aqui e aqui
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A ARTE HIROKO SAKAI
A arte da pintora japonesa Hiroko Sakai.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista plástica, performer e designer gráfica Alessandra Cestac.
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quinta-feira, novembro 16, 2017

FROMM, CHINUA ACHEBE, MILLÔR, JORGE FORBES, PSICANÁLISE, VIV ROSSER, SENSO COMUM, ZÉ BESTÃO & JAQUEIRA

EITA, ZÉ BESTÃO! - Zé Bestão sempre foi besta demais, pense num cara broco de tão perdido, nossa! Não conheço ninguém tão desligado na vida, chega penso que ele não é deste mundo. Será? É que ele não leva nada no olho da maldade, seja marotagem, safadeza, ardis, qualquer dissimulação pra ele é tudo no muito normal, natural. Pois é, aprontam com ele de todo jeito, pintam e bordam, armam arapuca na maior cruzeta, pintam o sete pelas costas, mandam ver se estão na esquina e ele vai, preparam a cama de gato e ele cai toda vez, fazem dele portador de carta esculhambando destinatário e ele lá esperando resposta na hora embaixo do maior esculacho, fazem tramóia e culpam ele pela desgraça do meladeiro todo, cometem desatino e dizem que foi ele, roubam, melecam, traem, passam a perna, pintam miséria e, no final, colocam a culpa nele. E ele? Pode estar no calão, ah, nem aí, nem liga, como se nem fosse com ele, riso amarelo, cara lisa, no final assume tudo, põe-se a resolver como se realmente fosse ele próprio o responsável por todos os desatinos tramados. Parece que pra ele não aconteceu nada, pois encara tão normalmente a trapaça que mais parece coisa encomendada que ele já sabia e leva com tanto afinco como se fosse labor profissional. Dá pra imaginar? Já teve gente que chegou junto dele no amiudado e delatou tudo, deram-no ciência de que armaram tudo pra cima dele, que estão sacaneando com ele o tempo todo, que isso não é justo e que ele deve tomar uma providência e desancar todo mundo que anda goelando pra cima dele e ele com a cara mais santa do mundo, simplesmente diz: Eu sei, tô sabendo, sim, na maior, saquei tudo. E não vai fazer nada? Claro, ora, vou resolver tudinho. E não vai se vingar? Pra quê? Ora, eles merecem uma boa lição. Nada, eles estão apenas brincando comigo, na maior. Ah, mas estão sacaneando com você o tempo inteiro! Nada não, isso é normal. Normal caraca nenhuma, porra! Danou-se! Esse leva desacerto de todo jeito, até Zé-Corninho tira onda pra cima dele. Pode? Oxe, leva toque de arrodeio, passa batido, paga o pato, ora, e nem aí. Leva a maior dedada até tomar no cu e nem aí. Assim não. Nunca vi sujeito mais leso na vida. Todo mundo no bloco do eu sozinho pra cima dele e ele na maior solidariedade, hem hem, botam ele no front, bucha de canhão e pronto pro fuzilamento, fazem-no de otário meio dia em ponto, deixam-no quarando em pé por horas de quase secar os cambitos esperando pelo que nunca virá, maior bobo na roda, leva e traz de vai e volta todo dia e o dia todo, encarcam sem pena, só punhalada no toitiço, golpe baixo, desfeita às escondidas, trairagem suja, não sei como ele escapa, acho que Deus protege as crianças, os doidos, os bêbados e ele! Só pode, afinal de doido e bêbado ele tem tudo, mesmo abstêmio e são do juízo. Ô Zé Bestão, cê ta pensando em quando morrer ir pro céu é? Ah, é, isso mesmo, pelo menos, quando eu morrer vou direto pro paraíso, né não? Ah, é, claro que vai e como. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá: Les indes galantes, do compositor francês Jean-Pierre Rameau (1683-1764); Rapsody in blue de Gershwinm, The Chopin Project & Prelude in B minor de Rachmaninoff com a pianista russa Lola Astanova; Amores absurdos e show do cantor, compositor e arranjador Celso Viáfora; e Selvática, Longe de onde & Eu menti pra você da cantora, compositora, percussionista, poeta e atriz Karina Buhr. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] O senso comum contém inumeráveis interpretações pré-científicas ou quase-científicas sobre a realidade cotidiana, que admite como certas. [...]. O método que julgamos o  mais conveniente para esclarecer os fundamentos do conhecimento na vida cotidiana é o da análise fenomenológica, método puramente descritivo, e como tal “empírico” mas não “científico”. [...] A análise fenomenológica da vida cotidiana, ou melhor, da experiência subjetiva da vida cotidiana, abstém-se de qualquer hipótese causal ou genética, assim como de afirmações relativas ao status ontológico dos fenômenos analisados. [...]. Trechos extraídos de A construção social da realidade: tratado de sociologia do conhecimento (Vozes, 1973), de Peter L. Berger & Thomas Luckmann. Veja mais aqui e aqui.

JAQUEIRA - O povoado surgiu a partir de um ponto de parada dos almocreves, que eram os homens que transportavam cargas em animais para abastecer de gêneros alimentícios, vestuário e outras mercadorias para povoados, vilas e cidades da região entre a localidade de Una (hoje Palmares) e Lagoa dos Gatos, que era um centro abastecedor. Tal parada devia-se a duas jaqueiras que ofereciam uma boa sombra e tornou-se ponto de encontro entre os almocreves, gerando um pequeno comércio no local. A partir daí, surgiram as primeiras residências, durante o século XIX. A estação ferroviária em Jaqueira foi inaugurada em 28 de setembro 1883, o que integrou a vila ao litoral em Recife. Pela ferrovia a cidade passou a ser abastecida, bem como era escoada a produção de açúcar das usinas da região. O distrito foi criado em 17 de dezembro de 1904, com o nome de colônia Isabel, subordinado ao município de Palmas. Em 1911, passa a denominar-se Jaqueira e mantida subordinada ao município de Palmares. Em 1933 passa à jurisdição do município de Maraial. O município foi criado em 28 de setembro de 1995 e instalado em 1 de janeiro de 1997. Veja mais aqui.

O FALSO GRANDE AMOR – [...] O caso mais freqüente e evidente de alienação talvez seja o do falso “grande amor”. Um home apaixona-se entusiasticamente por uma mulher; depois de ter correspondido a principio, ela é tomada de crescentes dúvidas e rompe a relação. Ele é assaltado por uma depressão que quase o leva ao suicídio. A vida deixa de ter sentido para ele. Conscientemente, explica a situação como um resultado lógico do que aconteceu. Acredita que pela primeira vez sentiu um amor real, que com aquela mulher e somente com ela poderia experimentar o amor e a felicidade. Se ela o deixa, não haverá nenhuma outra pessoa que possa despertar-lhe a mesma relação. Perdendo-a, acredita ter pedido sua única oportunidade de amar. Portanto, é melhor morrer. Embora tudo isso lhe pareça convincente, seus amigos podem fazer algumas perguntas: Por que um homem que até então parecia menos capaz de amar do que a pessoa média apaixona-se de forma tão completa que prefere morrer a viver sem ser amado? Por que, estando tão enamorado, se recusa a fazer concessões, a abrir mão de certas exigências que entram em choque com as exigências da mulher amada? Por que será que, ao falar de sua perda, ele fala principalmente de si, do que lhe aconteceu, e mostra um interesse relativamente pequeno pelos sentimentos da mulher que tanto ama? Se conversarmos com o infeliz homem mais demoradamente, não nos surpreenderemos ao ouvi-lo dizer, a certa altura, que se sente completamente vazio, tão vazio como se seu coração tivesse ficado com a namorada perdida. Se ele pudesse compreender o sentido dessa afirmação, perceberia que seu sofrimento é proveniente da alienação. Jamais foi capaz de amar ativamente, de deixar o circulo mágico de seu próprio ego, de exteriorizar-se e tornar-se uno com outro ser humano. O que fez foi transferir seu anseio de amor para a moça e sentir que com ela experimentava seu “amor”, quando na realidade experimentava apenas a ilusão de amar. Quanto mais ele transfere para ela seu anseio de amor, bem como de vida, felicidade, etc., tanto mais pobre se torna e mais vazio se sente, longe dela. Estava sob a ilusão de amar, quando na realidade transformara a mulher num ídolo, na deusa do amor, e acreditava que unindo-se a ela experimentava o amor. Fora capaz de despertar nela uma reação, mas não fora capaz de superar sua própria mudez interior. Perdê-la não é perder, como ele acredita, a pessoa a quem ama, perde-se como uma pessoa potencialmente amante. [...]. Trecho extraído da obra Meu encontro com Marx e Freud (Zahar, 1969), do filósofo, sociólogo e psicanalista alemão Erich Fromm (1900-1980). Veja mais aqui e aqui.

CULTURA, REPRESSÃO & SONHOS - [...] a repressão não destrói a representação dolorosa: mesma mantida em estado inconsciente, ela permanece ativa, tentando retornar ao sistema consciente. O resultado desse conflito, que envlve um verdadeiro jogo de forças, é a produção das chamadas formações do inconsciente: os sintomas, sonhos, lapsos (ou atos falhos) e chistes (piadas e ditos de espírito) que seria frutos de uma espécie de “negociação” entre os sistemas. As representações reprimidas podem vir a ser readmitidas na consciência (retorno do reprimido), contanto que passem por um processo de deformação que as tornem irreconhecíveis, deixando assim de despertar angustia no sujeito [...]. articular a vida psíquica individual com a vida social e os limites que esta impõe ao indivíduo, a começar pela interdição do incesto. Em nome das exigências culturais, a satisfação pulsional é grandemente cerceada, inclusive em seus aspectos agressivos e destrutivos. Embora indivíduos ganhem com isso a possibilidade de conviver em grupo, ressentem-se profundamente de tais renúncias. A cultura é, pois, construída sobre a base da repressão, o que faz com que o homem cultive uma hostilidade permanente contra ela. [...]. Trechos extraídos de Luzes e sombras: Freud e o advento da psicanálise, de Inês Loureiro, extraído da obra História da psicologia: rumos e percursos (Nau, 2005), organizado por Ana Maria Jacó-Vilela, Arthur Arruda Leal Ferreira e Francisco Teixeira Portugal. Veja mais aqui, aqui e aqui.

O MUNDO SE DESPEDAÇA - [...] Até aquele momento, Okoye se expressara de maneira simples, mas a meia dúzia de frases seguintes tomou a forma de provérbios. Entre os ibos, a arte da conversação é tida em alto conceito, e os provérbios são o azeite de dendê com o qual as palavras são engolidas. Okoye era um grande conversador e falou durante muito tempo, dando voltas em torno do assunto até finalmente abordá‑lo. Em resumo, pedia a Unoka que lhe devolvesse os duzentos cauris que lhe emprestara havia mais de dois anos. Tão logo este percebeu aonde o amigo queria chegar, estourou em gargalhadas. Riu alto, durante muito tempo, de modo claro como o agogô, e tinha lágrimas nos olhos. O visitante, espantado, continuou sentado, sem fala. Afinal, Unoka conseguiu dar‑lhe uma resposta, entremeada de novas explosões de riso. [...]. Trecho extraído de O mundo se despedaça (Companhia das Letras, 2009), do escritor e crítico literário nigeriano Chinua Achebe (1930-2013). Veja mais aqui.

NOVIDADE, SÓ A PRIMEIRA (À VANGUARDA QUE SE CRÊ VANGUARDA) - Garanto: / o primeiro poeta que rimou / foi um espanto! / Mais, muito mais, / Meu irmão, / do que o primeiro / que não. Poema extraído do livro Poemas (L&PM, 1984), do desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, tradutor e jornalista Millôr Fernandes (1923-2012). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O SILÊNCIO DAS GERAÇÕES, DE JORGE FORBES
Ex-ergo: O pai matou o filhinho; a filhinha matou o pai e a mãe; o aluno incendiou a escola; a senhora se suicidou. E todos pareciam tão sadios, iguais a toda gente! Está todo mundo perdido: maior que o medo, é o suspense. Surgem calmantes de ocasião, sempre três: psicose, moral e possessão. Voltam o chicote, as lições de moral e cívica e o ato de contrição. Um mundo reacionário se anuncia e Bush, no círculo oval de seu pensamento, reedita as peripécias do grande ditador. Oh tempos, oh costumes! O pai refestelado em sua poltrona de domingo, acabou de ouvir fantásticas explicações sobre o mundo atual. Eram três especialistas em comportamento, concordantes com a necessidade de voltar à velha disciplina: “educação se dá em casa e chinelo e palmatória não deviam estar aposentados”. Ele está mais tranqüilo; nem dormia mais direito, com medo de ser assassinado. Chegou a pensar que se existem nos aeroportos detectores de metais, como não descobriram ainda os detectores de “mentais”? Seu sonho de segurança tinha ficado abalado com aquela psiquiatra esfaqueada pela filha. – “Como é que não previu? Não era psiquiatra? Santo de casa não faz milagre”, reconfortou-se. Três dias depois, Mariana, coordenadora do Padre Félix, colégio de classe média alta dos Jardins, constata boquiaberta que mais de cinqüenta por cento dos meninos chegaram ao colégio com rosto macerado: apanharam em casa. Corre a seu supervisor – “Há um silêncio entre as gerações”, diz ele, que está difícil de ser assimilado. Não há uma só educação padrão, standard, logo, o que há são educações, no plural. E se há educações há que se escolher. Preferir uma ou outra é opção pessoal. Não há uma razão para que seja essa e não aquela. É um querer mais que um saber, e o querer não se compreende totalmente, é arbitrário. Confundem arbitrário com abuso de poder e, no entanto, arbitrário só diz daquilo que não se demonstra pela dedução. Sim, meu filho, essa é a minha opção. É claro que existem outras formas. Melhores? Não sei, pode ser, mas essa é a minha e eu sou seu pai, eu sou sua mãe. Você vai mudar de casa? Não adiantará, as opções mudam mas não o arbitrário, o silêncio da razão. Pais detestam falar assim pois invariavelmente, o filho vai dizer: “Eu não gosto de você”. Ai! Nem pai, nem professor suportam esse “eu não gosto de você”. Tratam de falar manso, buscar explicações, convencimentos, concordâncias e o que melhor conseguem é transmitir que tudo se explica, que não há limite à razão. E o filho, proibido de dizer “eu não gosto de você” vai se encharcando na angústia do ilimitado: bateu um carro? Dou outro. Perdeu um ano? Ganhou maturidade. Matou um índio? Te absolvo. Eu te compreendo em qualquer coisa, meu filho. E o filho da compreensão ilimitada se tatua: uma fronteira no corpo: se bate: um limite à expansão; mata, se droga, se mata. Não mamãe e papai, nem compreensão geral, nem palmatória. Se há uma herança digna da paternidade é a de que nem tudo se explica, não porque não se queira mas, simplesmente, por ser impossível. É, meu filho, tem um silêncio entre nós dois, a ponte da palavra não nos contém. Vamos nos perder? Pode ser que não, sobre esse silêncio podemos inventar. Teve um Drummond que de uma pedra no meio do caminho, em vez de jogá-la no outro, poetou. Teve um Chico e um Milton que cantaram uma coisa que não tem nome nem nunca terá. O limite da palavra é a invenção, é só poder suportar: melhor esse risco que a desgraça razoável. Meu filho, senta aqui, não nos compreendemos, e daí? Pôr do sol, mergulho em Fernando de Noronha, brigadeiro, beijo, avião decolando, chuva na mata, precisa de explicação? Tem tanta boa coisa no silêncio. PSIU!
Extraído da obra Você quer o que deseja? (Best Seller, 2004), do médico psiquiatra e psicanalista Jorge Forbes.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Viv Rosser.
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quarta-feira, setembro 06, 2017

ATTAR, RAMEAU, DI CAVALCANTI, ASTANOVA, VIÁFORA, BUHR, JOSÉ TERRA CORREIA, ESCRITA, TEATRO & MÚSICA NA ESCOLA & ARTE POPULAR

DE AMOR, SEXO & VIDA – Imagem: Sonhos de carnaval, do pintor e caricaturista brasileiro Di Cavalcanti (1897-1976). - Um a um, nem aí, cada qual para si e mais, muito mais, até ali e olhares se fitam por flertes correspondidos, rubores queimam de lá pra cá e vice-versa, imantação de corpos no pulsante coração, passo a passo, timidez no receio do gesto, o toque e a dança no outro se realiza: os membros se dilatam, fervores ubíquos, entregas mútuas, tudo vibra e levita aos esfregões de pele aos quadris a rondar por valsas e insinuações nas pegadas, nas estreitezas das puxadas, face a face, uma só respiração, pele na pele pelas insinuações dos contornos, descobertas e êxtases, pés nos pés, pernas que se enroscam, coxas que se insinuam entre si, ventres em ebulição pelas mãos buscantes, braços se envolvem, afagos e afetos, beijos e entregas na nudez: a flor brota, o Sol sorri, a chuva nos campos, os rios além das margens, o mar revolto, relâmpagos e trovões, estrelas candentes, carnes trêmulas no estertor do prazer, e se desata pra amarrar, e ejeta para mais dentro, e transpira para orvalhar o gozo, a Terra gira, o universo se agita, o ser nasce, a vida se realiza. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ: 24 HORAS NO AR!!!
Hoje na Rádio Tataritaritatá: Les indes galantes, do compositor francês Jean-Pierre Rameau (1683-1764); Rapsody in blue de Gershwinm, The Chopin Project & Prelude in B minor de Rachmaninoff com a pianista russa Lola Astanova; Amores absurdos e show do cantor, compositor e arranjador Celso Viáfora; e Selvática, Longe de onde & Eu menti pra você da cantora, compositora, percussionista, poeta e atriz Karina Buhr. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - Enquanto caminhavam, falavam; mas quando chegaram ao destino, toda fala cessou. Não mais havia guia, nem viajante; e até mesmo a estrada cessara de existir. Pensamento do poeta místico persa Farīd al-Dīn'Aṭṭār (1145-1221), autor da obra A linguagem dos pássaros (Attar, 1991), da qual extraí o seguinte trecho: [...] O amante lança ao fogo a esperança de qualquer colheita, põe a lâmina em seu próprio pescoço e corta-o se for preciso. Ao amor é necessário a dor e o sangue do coração; o amor ama coisas difíceis. [...].

A ARTE & O POPULAR NO SUBDESENVOLVIMENTO - [...] Somos um país com os momentos das diversas idades, do índio, das selvas, com vestígios do machado de pedra, aos grupos messiânicos da Idade Média – que pouco adiantaram ao período do fraque e eroisée – aos universalistas do mosaico de comunicações eletrônicas. [...] Por outro lado, existe uma interrogação sobre o futuro dessas populações folclóricas jungidas a um estado de primitivismo muito chocante, se comparado com a o desenvolvimento alcançado nos grupos urbanos adiantados. [...]. Trecho extraído da obra Arte, folclore e subdesenvolvimento (Paralelo, 1971), de Souza Barros, tratando sobre folk e arte, condições predominantes do popular, farmacopéia popular e miséria, tabu e magia, alienação, artesanato, produção, consumo e cultura de massa.

MANUAL DO ARTISTA - [...] o artista reúne seus materiais e métodos com a finalidade de adquirir controle possível em suas manipulações, para que assim obtenha as melhoras características da técnica que escolha, expresse e transmita apropriadamente suas intenções e garanta a permanência de seus resultados [...]. Trecho da obra Manual do artista (Martins Fontes, 1999), do artista plástico e engenheiro estadunidense Ralph Mayer (1895-1979), tratando sobre técnicas e métodos, pigmentos, pintura a óleo, acrílica, pintura a têmpera, encáustica, mural, solventes, guache, aquarela, pastel, solventes e diluentes, química, entre outras.

NOSSAS ESCOLAS NÃO CANTAM MAIS - [...] Vendo na música uma linguagem, acreditando na sua importância no desenvolvimento harmonioso do ser humano, em razão do seu potencial na conscientização da interdependência entre corpo e mente, razão e sensibilidade, ciência e estética, e no processo de socialização do aluno, ela busca entender as razão desse silenciamento. Busca, ainda, caminhos que apontem o tipo de educação musical a ser oferecida numa sociedade como a nossa, marcada pelo avanço tecnológico e pela exclusão social, uma sociedade que se caracteriza, segundo Koellreuter, “pela cultura de massa, constituída por uma pluralidade de indivíduos cuja consciência do eu e cujo senso de responsabilidade individual vêm sendo reduzidos ao mínimo”. [...]. Trecho do prefácio escrito por Ana Maria Casasanta Peixoto, na obra O ensino da música na escola fundamental (Papirus, 2010), de Alícia Mara Almeida Loureiro.

O ATOR E O AMANHÃ - [...] a organização teatral de amanhã é imprevisivel. A multiplicação das redes hertzianas, os circuitos de televisão, os vídeos-cassetes difundindo em escala nacional a única manifestação regional, reduzirão em muito as series de representações que conhecemos. Opondo-se a esse crescimento do mass media, perfila-se uma volta à comunhão por pequenos grupos, a celebração de um rito em que celebrantes e fieis respirem juntos, mobilizem suas forças fisiológicas e psíquicas, querem sair de si mesmos, começar-se uma troca fraterna. O ator continua sendo aquele que propõe essa troca, que dá ao outro, que recebe e se oferece de novo, qualquer que seja a mensagem [...]. Trecho da obra O ator no século XX (Perspectiva, 2008), da artista vanguardista francesa de música, teatro e dança, Odete Aslan, tratando sobre as formas de interpretação, o gestual, personagens, laboratórios e comunidades teatrais, tendências atuais, ética pessoal e de grupo, o ator de amanhã, entre outros.

A ESCRITA E O ESCREVER - [...] Primeiro, escrever bem requer mais do que a produção de sentenças corretas, também envolve a comunicação bem-sucedida de mensagens significantes para outros. Segundo, a escrita é um processo que leva tempo e incorpora muitas diferentes atividades. Terceiro, o ensino da escrita que ajuda alunos a alcançarem o sucesso acadêmico, precisa atender a todos os tipos de escrita que são necessários não somente para o estudo da linguagem ou da literatura, mas também para as disciplinas de história, ciência, filosofia e política. Quarto, os alunos, ao terminarem seus estudos, precisam estar aptos a produzir muitas diferentes formas de escrita [...]. Para isso é necessário considerarmos a organização social discursiva pela qual nosso conhecimento e produzido e realizado dentro dos vários dominios da vida. Trechos extraídos da obra Gêneros textuais, tipificação e interação (Cortez, 2005), do educador estadunidense Charles Bazerman, organizado por Angela Paiva Dionisio e Judith Chambliss Hoffnagel, tratando sobre atos da fala, formas sociais com habitats para ação, enunciados singulares, gêneros diferenciados, identidade, internet e capitalismo global, entre outros assuntos.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Mulatos de São Cristobao, do pintor e caricaturista brasileiro Di Cavalcanti (1897-1976). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais:
De amor, sexo e vida aqui, aqui, aqui & aqui.
A música de Jean-Pierre Rameau aqui.
A arte da pianista Lola Astanova aqui.
A arte de Karina Buhr aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

TODO MISTICISMO
Tua alma carrega o Rio Una
E teu corpo o Atlântico em chamas
Em teu fogo sagrado
Sou apenas o poema do regresso
Teu coração bendiz
A volúpia dos meus escritos
Apaixonada, alimentas meu espírito com tua mensagem
E a elegância do meu manto azul
Decifra tuas lágrimas de Mulher da Solidão
Poema extraído da obra Música de rua (Panamérica Nordestal, 2014), do poeta José Terra Correia. Veja mais dele aqui, aqui e aqui.

ZÉ LINALDO & MARQUINHOS CABRAL
Nesta quarta, O Nordestão apresenta Zé Linaldo Acústico com participação de Marquinhos Cabral. Imperdível.
 

quinta-feira, outubro 13, 2016

ANA SHUA, NORBERT ELIAS, KLIMT, LOLA ASTANOVA, STARK & LAVÍNIA WILSON, CLARA REDIG, PAVLOS SAMIOS, MINO LO SAVIO, TÁ NA RUA & EDUCAÇÃO

INEDITORIAL: O QUE TIVER DE SER, SERÁ! (Imagem: Il labirinto (2000), do artista plástico italiano Mino Lo Savio) - Salve, salve, gentamiga! O Brasil está rachado no meio das bandas aos cacos, de cabeça pra baixo e sem a menor noção do que vai dar quando tudo acabar! No final, se sobrar alguma coisa, valha-me! Parece mais aquela do: urge arriar as portas do país com as tripas do último brasileiro! Tem gente que quer ver o circo pegar fogo, tem gente que quer se aproveitar da derrocada toda, tem gente que não está entendendo nada, outras que não estão nem aí pra quem pintou a zebra, mais tantas que estão naquela do tanto faz como tanto fez, e muitos e muitos outros tantos que estão de queixo caído na maior boca aberta assistindo a melecada toda! Vamos ver aonde vai dar. Afinal, não é só o Brasil, mas o mundo Ocidental todo está meio que se desmanchando sem ter nem como juntar os pedaços do que sobrar. Destá. O que tiver de ser, será! E como hoje é Dia Nacional do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional, aqui nossa homenagem: vocês merecem mais que um simples dia de festa e reflexão! No mais, vamos pras novidades do dia: na edição de hoje destaque para o pintor e escultor Pavlos Samios, a Sociedade dos Indivíduos de Norbert Elias, a música de Lola Astanova, a dança de Nadja Sadakova, a socialização da professora Maria Lúcia Rodrigues, a escultura de Zhang Yaxi, a literatura de Ana Maria Shua, o teatro do Tá na Rua, o cinema de Cristoph Stark & Lavínia Wilson, o Congresso de Resiliência, a entrevista de Clara Redig, a pintura de Gustav Klimt, a palestra Brincar para aprender & a Sedução da Serpente. No mais, vamos aprumar a conversa & veja mais aqui.

Veja mais sobre:
A vida de cada um de nós, Italo Calvino, William Blake, Gilberto Mendes, Gil Vicente, Peter Greenaway,Francesco Hayez, Lambert Sigisbert Adam, O terapeuta & o Shaman aqui.

E mais:
Platão, Toninho Horta, Albert Sánchez Piñol, Amos Gitai, Helena Yaralov, Paul Helleu, Ricardo Cabus, Aracaju, Biritoaldo, Fronteiras, Cidadania & Direitos Políticos aqui.
As trelas do Doro: no fuzuê da munheca aqui.
Aprumando a conversa, Poetas dos Palmares, Fecamepa, Vapapu & Big Shit Bôbras aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o urubu tá numa de caipora, não há pau que escore: o de debaixo caga no de cima aqui.
Segura a onda, Fecamepa, Acharam a Vapapu & piadas despropositais aqui.

DESTAQUE: 
Imagem: arte do pintor e escultor grego Pavlos Samios.

A SEDUÇÃO DA SERPENTE – Quando visitei os mundos de Gulliver pude viver o quão importante é o amor. Foi ali que surgiu de tudo: sonhos, vida, paixão. Ela surgiu com seu jeito cadenciado e lento na minha direção e, tal qual Vênus me hipnotizou até se aproximar rastejando pelos cantos sob o meu assobio na noite. Movia-se ao meu redor, rondou meus dias e temores e se apossou de todos os meus temores. Cresceu em mim arrancando os meus medos, e seu prazer se animou no meu sangue quente para me devorar na sua ferocidade. Depois jiboiou no reino das suas pedras e me prendeu entre suas garras ocultas. Escravo de sua sanha ela me atacou mortalmente com os seus guizos - os guizos que sempre quis roubar para curar meu quebranto e a viola amaciar o som. Logo eu que não tenho as favas-de-santo-inácio, logo eu que sigo amante do Bastão-de-Asclépio, fui rendido à sua língua que alcançou meu poço mais fundo e se apoderou de mim com sua peçonha e seu veneno me paralisou e paralisado me devorou qual fertilidade, qual orixá avagã, Oxumaré, arco-íris, deus quetzacoalts dos astecas, qual serpente emplumada, a sacra egípcia que por não ter mais idade é sempre sedutora, cujo rabo branco quando não mata mas aleija, tão má de matar seu próprio filhote, que a espinha também carrega veneno e o seu beijo me levou por mundos impossíveis. E à sua mercê, minha boicorá, vivo atado para sempre, contaminado para sempre, condenado a morrer de amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.

Curtindo as interpretações personalíssimas da premiada pianista russa Lola Astanova sobre as obras de Gershwin, Liszt, Rachmaninoff e Chopin, entre outros.

A SOCIEDADE DOS INDIVÍDUOS - […] cada pessoa singular está realmente presa; está por viver em permanente dependência funcional de outras; ela é um elo nas cadeias que ligam outras pessoas, assim como todas as demais, direta ou indiretamente, são elos nas cadeias que as prendem. Essas cadeias não são visíveis e tangíveis, como grilhões de ferro. São mais elásticas, mais variáveis, mais mutáveis, porém não menos reais, e decerto não menos fortes. E é a essa rede de funções que as pessoas desempenham umas em relação a outras, a ela e a nada mais, que chamamos “sociedade” [...]. Trecho extraído da obra A sociedade dos indivíduos (Zahar, 1994), do sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1900). Veja mais aqui e aqui.


Imagens: a arte da bailarina russa Nadja Sadakova.

PENSAMENTO DO DIA – [...] a socialização do saber não fere a especificidade das profissões e tampouco seus campos de especialidade. Muito pelo contrário, requer a originalidade e a diversidade dos conhecimentos que produzem e sistematizam acerca de determinado objeto, de determinada prática, permitindo a pluralidade de contribuições para compreensões mais consistentes deste mesmo objeto, desta mesma prática. Trecho extraído do artigo Caminhos da transdisciplinaridade: fugindo às injunções lineares (Cortez, 2000), da professora doutora Maria Lúcia Rodrigues. Veja mais aqui.


Imagem: a arte do escultor chinês Zhang Yaxi.

A MORTE COMO EFEITO COLATERAL - [...] Suas marchas das quintas-feiras, na Praça de Maio, converteram-se em um símbolo internacional da luta pela justiça. [...] Com o tempo, chegaram a ser mais um atração turística, como Bariloche ou as Cataratas do Iguaçu. As agencias de turismo se encarregavam de substituir com extras as mães que iram morrendo de doença ou velhice. [...]. Trecho da obra A morte como efeito colateral (Globo, 2004), da escritora argentina Ana Maria Shua. Veja mais aqui.


TÁ NA RUA (foto Licko Tyrle)– O Grupo de Teatro Tá na Rua faz parte de um conjunto de iniciativas, ao lado da Escola Carioca do Espetáculo Brasileiro, do Instituto Tá na Rua, que atua já há 33 anos para artes e cidadania no Rio de Janeiro e em todo país, participando de forma intensa e variada dos momentos históricos, políticos e culturais. Entre as suas atividades estão aulas, seminários, ensaios, oficinas e apresentações em vias públicas e no teatro. Veja mais aqui.


JULIETTA – O drama/romance Julietta: não é como se você acha que é (2001), dirigido por Cristoph Stark, conta a história de uma jovem estudante que viajam de Stuttgart para Berlim, com duas amigas e o namorado de uma delas, para comemoração do Love Parade. No evento, dançam e experimentam drogas e sexo, perdendo-se uns dos outros numa busca desesperada e que recebe o auxilio de um DJ envolvido no meio das festas até adormecerem drogados. No dia seguinte não se lembram de nada, até que semanas depois descobrem a jovem está grávida e, a partir daí, começa todo o desenrolar dramático do filme. O destaque do filme fica por conta da atuação da atriz alemã Lavínia Wilson. Veja mais aqui.


AGENDA: CONGRESSO BRASILEIRO DE RESILIÊNCIA – Acontecerá no dia 12 de novembro, no Mercure SP Central Towers (Rua Maestro Cardim, 407, Liberdade São Paulo, SP), o III Congresso Brasileiro de Resiliência, promovido pela Sociedade Brasileira de Resiliência (SOBRARE), com os temas “Desafios do desenvolvimento pessoal por meio da resiliência” e “Foco no negócio – Estratégias em resiliência que fortalecem a sua gestão”. Esses temas têm como objetivo trazer uma perspectiva pessoal e profissional para avançar na investigação, pesquisa e intervenção nos complexos e atuais desafios do desenvolvimento humano em diversos contextos, abordando o desenvolvimento pessoal e profissional nas empresas, nas organizações da saúde, nas escolas, na família e na sociedade/cidadania. Veja mais aqui e aqui. 


ENTREVISTA: CLARA REDIG – Tive a honra e o prazer de conhecer o trabalho musical da cantora Clara Redig. Por conta disso, entrei em contato com ela e, por resultado, ela gentilmente me concedeu uma entrevista contando sua trajetória e projetos. Confira a entrevista aqui.

REGISTRO – BRINCAR PARA APRENDER
Dentro das atividades desenvolvidas na V Bienal Internacional do Livro de Alagoas, em Maceió, 2011, atendendo convite da Universidade Federal de Alagoas/EdUfal, desenvolvi a palestra Brincar para aprender, proferida para professores, estudantes e profissionais das áreas de Psicologia, Educação e Letras, voltada para o destaque da atividade do brincar com arte, Brincarte, contribuindo para o desenvolvimento social da criança. Confira detalhes aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: arte do pintor simbolista austríaco Gustav Klimt (1862-1918).
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA



Paz na Terra

Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


GLAUCE ROCHA, KRISZTINA TÓTH, JERRY JENKINS, JACQUES VALLÉE & OLINDA.

    Imagem: Ensaio de múltiplas dimensões , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM . Do lançamento TTTTT e...