domingo, novembro 27, 2011

AS FASES EDUCACIONAIS & PALAVRA MÍNIMA

AS FASES EDUCACIONAIS NO BRASIL
EDUCAÇÃO TRADICIONAL – Esta se reflete na reprodução das relações de dominação e da ideologia dominante. É quando a Igreja Católica assume a hegemonia da sociedade civil através da arma política que é a educação. Consiste em subjugar pacificamente a população e torná-la dócil. Esteve sempre enraizada na sociedade de classes escravistas da Idade Antiga, destinada a uma pequena minoria, sobrevivendo até hoje, apesar da extensão média da escolaridade trazida pela educação burguesa. O objetivo central desta fase educacional é conduzir o aluno ao conhecimento da verdade universal, para a qual ele deve estar sempre disponível. A metodologia preconizada se compõe da exposição e demonstração feitas pelo professor. O aluno, nesta abordagem, atua como receptor das verdades universais que lhe são transmitidas. A relação que se dá entre professor e aluno é essencialmente marcada pela verticalização, onde o professor é o detentor de todo o saber, programa, recursos e controles que partem de si para o aluno que os recebe passiva e acriticamente. Esta fase predominou do descobrimento do Brasil até 1930, centrada no adulto e na autoridade do educador, marcadamente religiosa e voltada para o ensino privado. Esta fase pedagógica conhecida por tradicional privilegia o conteúdo, o discurso e, por sua vez, terá o foco centrado na profissionalização para o trabalho. Durante este período, se caracteriza a pedagogia tradicional pelo fato do homem ser apenas adestrado para a produção; onde o mundo é visto como algo pronto que é traduzido pelo conhecimento sistematizado e acumulado ao longo dos anos. Ele é essencialmente externo ao indivíduo e é constituído de verdade universal. Poderíamos dizer, então, que foi essencialmente externo ao indivíduo e constituído pela verdade universal. O homem era visto como universal, desvinculado de sua realidade concreta. O seu objetivo central era conduzir o aluno ao conhecimento da verdade universal, para a qual ele deve estar disponível. O conhecimento é caracterizado pela aquisição de conteúdos culturais transmitidos de fora, pois são eles que vão conformar a personalidade individual.

EDUCAÇÃO ESCOLANOVISTA - Esta surgiu de forma mais clara, a partir da obra de Rousseau, desenvolvendo-se nestes últimos dois séculos e trouxe consigo numerosas conquistas, sobretudo no campo das ciências da educação e das metodologias de ensino. As técnicas de Freinet, por exemplo, são aquisições definitivas. Tanto a concepção tradicional de educação, quanto a nova, amplamente consolidadas, terão um lugar garantido na educação do futuro. Este modelo se caracteriza através do processo econômico, numa tomada de consciência por parte da sociedade política, da importância estratégica do sistema educacional para assegurar e consolidar as mudanças estruturais ocorridas tanto na infra como na superestrutura. A jurisdição estatal passa a regulamentar a organização e o funcionamento do sistema educacional. A igreja passa a ter cada vez menor influência sobre este processo. Ocorre neste modelo a transformação progressiva do sistema educacional, transformando-o gradualmente de instituição outrora privada da Igreja em um perfeito aparelho ideológico do Estado. Com isso a educação passa a ser um instrumento mais eficaz de manipulação das classes subalternas. O trabalho exige maior qualificação e diversificação, e portanto, um maior treinamento. O homem, nesta educação, é dotado de poderes individuais (liberdade, iniciativa, autonomia e interesses). Se facilitada sua auto-expressão, irá sempre surpreender a todos pela sua unicidade. O homem-mundo estão em interação e atualização, uma vez que o homem se atualiza com o mundo, com isso também transforma o mundo. As idéias novas em educação, que apareceram como teoria educacional adequada às novas circunstâncias de rompimento com uma sociedade basicamente agrária, foram o resultado da adesão de educadores brasileiros ao movimento europeu e norte-americano, chamado de "escola nova". Este visava o restabelecimento daquele sentido do humano, ameaçado pelas exigências econômicas como pelas exigências políticas advindas da industrialização e da nacionalização que pressionava a educação para o trabalho e para a nação.  É assim que surge o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova introduzindo diretrizes de uma política escolar, inspirada em novos ideais pedagógicos e planejada para uma civilização urbano-industrial. Ao proporem um novo tipo de homem para a sociedade capitalista e defenderem princípios ditos democráticos e, portanto, o direito de todos se desenvolverem segundo modelo proposto de ser humano, uma proposição de um único ideal de homem. Caracteriza-se pelo estabelecimento da relação dialética entre educação e desenvolvimento, numa reação categórica, intencional e sistemática contra a velha estrutura do serviço educacional, artificial e verbalista, montada para uma concepção vencida. Para eles, a escola deveria criar para que os princípios de liberdade e os ideais de solidariedade humanos tivessem vigência. Nesta escola a pedagogia esteve fundamentalmente centrada nos alunos, encarados numa ótica individual. Sofrendo grande influência da psicologia, o discurso e as práticas pedagógicas assentavam numa perspectiva pedocêntrica, ainda que aqui e ali matizada por uma abordagem sociológica, à maneira de Dewey ou de um Adolfo Lima. O componente central da intervenção educativa era, no entanto, o indivíduo-aluno na sua tripla dimensão: cognitiva, afetiva e motora. Os movimento ligados à dinâmica de grupos, que se desenvolveram no pós-Guerra, vão acentuar a importância das interações no processo educativo, conduzindo às pedagogias não-directivas da década de 60.

EDUCAÇÃO TECNICISTA - Verificou-se através da internacionalização do mercado e com o aumento da produtividade agora é assegurado pela introdução de moderna tecnologia e know-how desenvolvido nas metrópoles e pelo excedente estrutural de força de trabalho que permite manter os salários extremamente baixos. A educação estará a serviço dos interesses econômicos que fizerem necessária a sua reformulação, criando um instrumento de controle e de disciplina sobre estudantes e operários. As medidas tomadas tanto no interesse econômico quanto no político trocam quantidade por qualidade, introduzindo uma seleção para cooptar a classe média alta que constituirá a classe tecnocrática auxiliar do governo militar e a classe consumidora dos bens produzidos ao modelo brasileiro. E é também a primeira vez que a alfabetização assume caráter tão evidentemente ideológico e visa de forma tão explícita inculcar no operariado os valores do capitalismo autoritário. Ou seja, seguindo um lema de que abandonariam a escola somente aqueles que não tivessem mais condições para estudar, vendo-se forçados a ingressar no mundo do trabalho. Continuariam estudando aqueles cujos pais pudessem financiar estudos. Onde a rede oficial produz os recursos humanos para o setores modernos da economia em expansão e a rede privada continua suprindo os setores tradicionais. A concepção de mundo, traduzida em leis e planos e lançada pela classe ou frações de classe hegemônicas na sociedade civil, é absorvida, modificada e transformada em senso comum. A concepção tecnicista em educação é conhecida como a teoria do capital humano ou de economicismo educativo. A fase tecnicista no Brasil iniciou-se na sombra da Pedagogia Nova, na década de 50, com base no progressivismo de Dewey e se firmou nos anos 60, com base no behaviorismo e na abordagem sistêmica. No tecnicismo acredita-se que a realidade contém em si mesma suas próprias leis, bastando aos homens descobri-las e aplicá-las. O mundo já é construído. E uma das importantes metas do ensino, é preparar o aluno para usar as habilidades e conhecimentos que ele aprendeu e prepará-lo para aprender mais a respeito do que lhe foi ensinado. Um ensino, segundo esta orientação, só é eficaz se atinge os objetivos previamente estabelecidos, promovendo o aluno a modificação esperada, em direção desejada ao invés de em direções indesejáveis. O problema do subdesenvolvimento deve ser tratado, predominantemente, como um problema técnico. A educação, portanto, passa a ser encarada como o único caminho disponível para as classes médias, de conquistar postos e, para as empresas, de preencher os seus quadros. A escola tecnicista que foi bastante assimilada e empregada durante o regime ditatorial pós-64, fundada a partir das transformações por influência do taylorismo, com uma base teórica metodológica na aprendizagem do behaviorismo, na teoria da comunicação, na teoria dos sistemas, e nesse formato com a psicologia behaviorista, a engenharia comportamental, a ergonomia, a informática, a cibernética, toda essa sustentação teórica assentada na abordagem filosófica  neopositivista e no método funcionalista. A versão humanista desta escola tem afinidade com o cognitivismo, porém o destaque está para o subjetivismo. Sendo assim, a escola tecnicista privilegia a técnica com todo o seu aparato de recurso que venham a facilitar a aprendizagem. A ênfase estará centrada nos recursos tecnológicos que definem a metodologia a ser utilizada, tendo sempre presente a racionalidade necessária para atingir os resultados.

ESCOLA TRANSFORMADORA - A didática da escola transformadora se dá implícita na orientação do trabalho escolar, pois, de alguma forma, o professor se põe diante de uma classe com a tarefa de orientar a aprendizagem dos alunos. A atividade escolar é centrada na discussão do meio socioeconômico e cultural, da comunidade local, com seus recursos e necessidades, tendo em vista a ação coletiva frente a esses problemas e realidades. O trabalho escolar não se assenta, prioritariamente, nos conteúdos de ensino já sistematizados, mas no processo de participação ativa nas discussões e nas ações práticas sobre questões da realidade social imediata. No desenvolvimento desse processo pedagógico são utilizados a discussão, relatos de experiência, assembléia, pesquisa participante, trabalhos em grupo e outros recursos. Para atingir a consolidação dos conhecimentos, o professor tem uma atuação como coordenador e animar dos grupos. Nesta fase a visão de mundo não é separada da visão de homem. A realidade/mundo que o homem vê, num primeiro momento pode ser uma visão ingênua. A visão crítica do mundo se dará mediante a aproximação com a realidade, quando, para tal, torna-se uma consciência da mesma e neste processo crítico o homem toma uma posição epistemológica, ou seja: posição de elaborador e construtor do mundo percebido. A realidade não pode ser modificada senão quando o homem descobre que é modificável e que ele pode fazê-lo. A aprendizagem, portanto, implica em tomar consciência do real e, através dos conteúdos, programas e métodos, o homem seja sujeito e pessoa, estabelecendo com os outros relações de reciprocidade e de transformação do mundo. Todo o processo de ensino-aprendizagem só será válido se levar em consideração a visão ontológica do homem de ser sujeito e não objeto e, além disso, que haja participação livre e crítica por parte do educando. O objetivo central da escola transformadora é a transformação do processo mental do educando na sua relação homem-mundo e não na transmissão de conteúdos culturais sujeito-objeto. A relação professor-aluno está assentada no princípio da horizontalidade, onde educador e educando tem trocas a fazer, num processo de aprendizagem mútua, através do processo participativo nas situações vividas quotidianamente. Ou seja, o objetivo central da pedagogia libertadora é a transformação do processo mental do educando na sua relação homem-mundo e não a transmissão de conteúdos culturais sujeito-objeto.

CONCLUSÃO - Todas as fases acima permanecem vigentes na educação brasileira, distribuídas de acordo com a ideologia predominante do relevante em cada processo educativo de um entidade escolar. Tanto a Tradicional, quanto a Escola Nova, Tecnicista ou Transformadora prosseguem no seio da metodologia escolar brasileira, representando as tantas dicotomias da miscigenação e do sincretismo do nosso país. Veja mais aqui.

PALAVRA MÍNIMA - O projeto Palavra Mínima traz a música de Luiz Alberto Machado e a poesia de Fátima Maia, no dia 02 de dezembro, a partir das 20hs, no Teatro Linda Mascarenhas.

LUIZ ALBERTO MACHADO – O escritor, compositor e radialista Luiz Alberto Machado é editor do Guia de Poesia do Projeto SobreSites do Rio de Janeiro, membro da Cooperativa da Música Alagoana (Comusa) e cônsul em Alagoas do Poetas del Mundo. É autor de 6 livros de poesias, 8 infantis, 2 de crônicas e de diversas músicas gravadas por novos nomes da música brasileira, inclusive foi premiado com sua música Desejo no FEMI-2010, no Japão, gravada pela cantora Sonia Mello. Está em cartaz com seu espetáculo infantil Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas e com temporada do show poético musical Tataritaritatá – Vamos aprumar a conversa -, com a sua banda e apresentações solo. Seu trabalho está reunido na sua home page www.luizalbertomachado.com.br.

FATIMA MAIA – A escritora, compositora e poeta Fátima Maia, é autora da música tema do programa infantil Caralâmpia (TV e Rádio Educativa local), dos livros e CDs: Criar e Recrear, gravado pelo Quinteto Violado, indicado ao premio Sharp de música, e da História de Tatibitati, gravado pelo SESC/AL. Ela foi finalista dos festivais, Canta Nordeste e MPB SESC/PB com as músicas Colibris, Lua Luana e Passarinhos. Fátima Maia se apresenta agora trazendo seus poemas para o público do Projeto Palavra Mínima.

SERVIÇO: PROJETO PALAVRA MÍNIMA – LUIZ ALBERTO MACHADO & FATIMA MAIA
Quando: dia 02 de dezembro, a partir das 20hs
Onde: Espaço Cultural Linda Mascarenhas – Av. Fernandes Lima – Maceió - AL.
Realização: Comusa & IZP.
Informações: 82 8845.4611 / 9606.4436 e www.luizalbertomachado.com.br

PS: No dia 16/12, estarei com o Tataritaritatá no Sopa de Letrinhas (o sarau do Caiubi), no Bagaça Boutequim, em São Paulo.




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