Mostrando postagens com marcador Klimt. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Klimt. Mostrar todas as postagens

terça-feira, julho 14, 2020

ALBA DE CÉSPEDES, WELLS, GARABOMBO DE SCORZA, GIGES & PLATÃO, HERSCH, MARIANI FERREIRA, MARY VIEIRA & DÉA FERRAZ



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: IH, ARANZEL DE PLATITUDES & CIRCUNLÓQUIOS POR AÍ - A coisa enfeiou de vez! Faz tempo que o inútil e desconveniente se instalaram entre os loquazes no figurino das recepções e relações. Tanto é que, para onde me viro, só dou de cara com palanfrórios: se não avultar com o confete incensador de falsidade, vai aviltar com mangação para tapiar o menosprezo ou preconceito, tudo enrolação. Destá. Pois é, se não é indignação esdrúxula de ofendido arrazoado, é logomaquia para engalobar broco que apareça. Maior farra da hipocrisia e assim é conversa mole jogada fora, mungangas e tergiversações. Deu as costas, aos farrapos e punhaladas, uns aos outros, mutuamente reduzindo-se às blasfêmias ou insignificâncias, tudo pelo irrisório. Tem outra? Já dizia Amedeo Modigliani: Com um olho procure o mundo exterior, enquanto com o outro olhe para dentro de si mesmo. Seu dever na vida é salvar seu sonho. É tudo muito doloroso, quase até nem saio de casa, só vez em quando e saúdo a todos, nem me dando conta do que dizem ou fazem. Vou e volto entre outras e outros.

DUAS: NEM ERA PRA SER, MAS É! - Foi aí que o vetusto individualismo possessivo se revelou agora para lá de umbigocêntrico, tornando invisível, quando não descartável, o outro e tudo o mais fora do interesse. Eita! Por isso o questionador GregNews, do Gregorio Duvivier, me trouxe uma indagação: para quê mesmo cuidar, hem, se a tônica é cada um por si e quem não aguentar que vá para o raio que o parta! É aquela de ganhar não é para principiantes! Vou Henry Thoureau: As coisas não mudam; nós é que mudamos. Nunca é tarde para abrirmos mão dos nossos preconceitos. Nada, quantos patéticos não chafurdam seus desesperos nas ostentações miseráveis até o pescoço. Quem há de, digo de vida, não de ganhos. Apenas olho, milágrimas.

TRÊS: MEU CORAÇÃO PLANETÁRIO DE TODOS OS SERES, CORES, TONS & COISAS – Grosso modo, agora que são outros quinhentos! O desumano reina no pedaço: ou é negócio ou piada; afora isso, nada serve. Se estão todos pirados com a ganância pela sedução dos artefatos suntuosos dos seus ouropéis inflacionados, estou noutra e quase nem sei qual serventia. Sei de Gustav Klimt: A arte é uma linha em volta de seus pensamentos. Só sei o coração com todas as coisas, é isso o que me faz viver. Até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: A coragem não consiste em prever um fim fatal, mas, sabendo e não sabendo que é nosso, fazendo todo o possível para preservar a esperança até o último suspiro. Pensamento da filósofa suíça Jeanne Hersch (1910-2000), organizadora da obra O direito de ser homem (Conquista, 1972), além de refletir sobre grandes problemas de sociedade, como a responsabilidade da ciência, a eutanásia, interrupção da gravidez e os direitos humanos no seu estudo Tolerância: entre a verdade e a liberdade (Berghahn – Providence Oxford, 1996), sobretudo no que concerne à tolerância verdadeira que cresce à medida que se discute valores, critérios e significados que constituem a verdade para o ser humano, uma narrativa mais profunda capaz de adicionar novas linhas narrativas para as deliberações iterativas. Ela destaca dois aspectos, o primeiro que a demanda fundamental da intolerância é fazer do outro um igual a si-mesmo ou igual a maioria, esvaziando, esquecendo e emudecendo a voz narrativa do outro que deixa de ser integrada à deliberação, em que a alteridade do outro e a particularidade de sua perspectiva são engolidas por um pretenso sujeito narrativo geral que determina a priori a decisão a ser tomada em cada circunstância. Em segundo, ela assinala que: [...]~o imperialismo da intolerância está baseado na exclusiva opinião da própria pessoa em oposição ao que o outro pode pensar, acreditar, fazer ou ser. [...].

 

DITOS & DESDITOS

Quanto melhor me conheço, mais perdida fico... Com o passar dos anos, percebo que minha mãe, quando falava da vida da mulher e dizia coisas que me irritavam, no fundo tinha sempre razão. Dizia que uma mulher não deve nunca ter tempo, não deve jamais ficar ociosa, porque do contrário logo começa a pensar no amor... Sei que minhas reações aos fatos que escrevo em detalhes me levam a me conhecer mais intimamente a cada dia...

Pensamento da escritora e dramaturga ítalo-cubana

Alba de Céspedes (Alba Carla Lauritai de Céspedes y Bertini – 1911-1977). Veja mais aqui & aqui.

 

O ANEL DE GIGES & A REPÚBLICA DE PLATÃO

[...] A permissão a que me refiro seria especialmente significativa se eles recebessem o poder que teve outrora, segundo se conta, o antepassado de Giges, o Lídio. Este homem era pastor a serviço do rei que naquela época governava a Lídia. Cedo dia, durante uma violenta tempestade acompanhada de um terremoto, o solo fendeu-se e formou-se um precipício perto do lugar onde o seu rebanho pastava. Tomado de assombro, desceu ao fundo do abismo e, entre outras maravilhas que a lenda enumera, viu um cavalo de bronze oco, cheio de pequenas aberturas; debruçando-se para o interior, viu um cadáver que parecia maior do que o de um homem e que tinha na mão um anel de ouro, de que se apoderou; depois partiu sem levar mais nada. Com esse anel no dedo, foi assistir à assembleia habitual dos pastores, que se realizava todos os meses, para informar ao rei o estado dos seus rebanhos. Tendo ocupado o seu lugar no meio dos outros, virou sem querer o engaste do anel para o interior da mão; imediatamente se tomou invisível aos seus vizinhos, que falaram dele como se não se encontrasse ali. Assustado, apalpou novamente o anel, virou o engaste para fora e tomou-se visível. Tendo-se apercebido disso, repetiu a experiência, para ver se o anel tinha realmente esse poder; reproduziu-se o mesmo prodígio: virando o engaste para dentro, tomava-se invisível; para fora, visível. Assim que teve a certeza, conseguiu juntar-se aos mensageiros que iriam ter com o rei. Chegando ao palácio, seduziu a rainha, conspirou com ela a morte do rei, matou-o e obteve assim o poder. Se existissem dois anéis desta natureza e o justo recebesse um, o injusto outro, é provável que nenhum fosse de caráter tão firme para perseverar na justiça e para ter a coragem de não se apoderar dos bens de outrem, sendo que poderia tirar sem receio o que quisesse da ágora, introduzir-se nas casas para se unir a quem lhe agradasse, matar uns, romper os grilhões a outros e fazer o que lhe aprouvesse, tornando-se igual a um deus entre os homens. Agindo assim, nada o diferenciaria do mau: ambos tenderiam para o mesmo fim. E citar-se-ia isso como uma grande prova de que ninguém é justo por vontade própria, mas por obrigação, não sendo a justiça um bem individual, visto que aquele que se julga capaz de cometer a injustiça comete-a. Com efeito, todo homem pensa que a injustiça é individualmente mais proveitosa que a justiça, e pensa isto com razão, segundo os partidários desta doutrina. Pois, se alguém recebesse a permissão de que falei e jamais quisesse cometer a injustiça nem tocar no bem de outrem, pareceria o mais infeliz dos homens e o mais insensato àqueles que soubessem da sua conduta; em presença uns dos outros, elogiá-lo-iam, mas para se enganarem mutuamente e por causa do medo de se tomarem vítimas da injustiça. Eis o que eu tinha a dizer sobre este assunto. [...]

Trecho extraído de A República, do filósofo e matemático grego Platão (428/427 Atenas – 349/347 a.C.). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

O HOMEM INVISÍVEL, DE WELLS

[...] Todos os homens, por mais educados que sejam, conservam algumas intuições supersticiosas. [...] Sozinho — é maravilhoso o quão pouco um homem pode fazer sozinho! Roubar um pouco, machucar um pouco, e pronto. [...] Eu me debrucei sobre as coisas que um homem considera desejáveis. Sem dúvida, a invisibilidade tornou possível obtê-las, mas tornou impossível apreciá-las quando as obtivemos [...] Fazer tal coisa seria transcender a magia. E eu contemplei, sem a sombra de dúvidas, uma visão magnífica de tudo o que a invisibilidade pode significar para um homem — o mistério, o poder, a liberdade. Não vi desvantagens. Basta pensar! E eu, um manifestante miserável, miserável e confinado, ensinando tolos em uma faculdade provinciana, poderia de repente me tornar — isto. [...] Eu me senti incrivelmente confiante — não é particularmente agradável lembrar que eu era um idiota [...] Ideias grandiosas e estranhas que transcendem a experiência muitas vezes têm menos efeito sobre homens e mulheres do que considerações menores e mais tangíveis. [...] Ambição — de que adianta ter um lugar de destaque quando você não pode aparecer lá? De que adianta amar uma mulher quando seu nome precisa ser Dalila? [...] Há coisas extraordinárias nos livros [...] Desperdicei forças, tempo, oportunidades. Sozinho — é maravilhoso o quão pouco um homem pode fazer sozinho! Roubar um pouco, machucar um pouco, e aí está o fim [...] Ele era certamente um homem intensamente egoísta e insensível, mas a visão de sua vítima, sua primeira vítima, ensanguentada e lamentável a seus pés, pode ter liberado uma fonte de remorso há muito reprimida que por um tempo pode ter inundado qualquer plano de ação que ele tivesse arquitetado. [...].

Trechos extraídos da obra The Invisible Man (Dover, 1992), do escritor britânico H.G. Wells (Herbert George Wells – 1866-1946). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

GARABOMBO, DE SCORZA

[...] Distintíssimo Capitão: Meu Cápi: O senhor é justo, honrado e nunca aceita presentes [...].Por que é que não está preso o presidente da Corte Suprema? Há julgamentos no Peru que duram 400 anos. Há comunidades que reclamam suas terras há um século. Quem liga para elas? Por que não está preso o juiz Montenegro? E, sobretudo, por que o senhor não está preso? Guarda Cabrera: o senhor não é sequer um homem inferior, é um vegetal superior. [...] sua cara se gretou, ele ficou vesgo, as faces caíram, os dentes recuperaram seu musgo. [...] A chuva desbotou o terno novo azul, manchou a camisa, avariou sua pele. [...] Perdeu-se capengando [...] - Se Garabombo dirigir a sublevação [...] Se o invisível reunir o povo, Huachos concorda [...] Por que morremos? Acaso roubamos? Abusamos de alguém? Mentimos? [...] Outrora havia sido transparente para as autoridades, hoje seria invisível para todos os homens! [...] O erro de sua ignorância seria a arma de sua lucidez. Chinche acreditara durante anos que ele era invisível. [...] Essa força venceria o desânimo! Seria invisível! [...].

Trechos extraídos da obra Garabombo, o invisível (Civilização Brasileira, 1975), do escritor romancista peruano Manuel Scorza (1928-1983), descrevendo o combate entre o Peru e os sobreviventes de uma revolta camponesa andina, num humorado testemunho de mitos e fantasias, denunciando o que os historiadores não registraram do terror e da atrocidade do combate. O protagonista é um líder da utopia como potencial revolucionário que convence o povoado a reagir contra as adversidades, no qual o malogro da revolva torna-se uma promessa da morte por renascimentos numa quarta-feira de cinzas. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

O CINEMA DE MARIANI FERREIRA
Lançar um filme é muito difícil. É elitizado, burocrático. Sinto que, quando falamos sobre a segunda mulher negra a assinar um longa-metragem, se apaga um pouco da história de outras mulheres negras que vieram antes de mim.
MARIANI FERREIRA - A arte da cineasta, jornalista, roteirista, produtora e diretora que milita no audiovisual, Mariani Ferreira, e estreou com o premiado roteiro e a direção do curta-metragem Leo (2014). Depois ela produziu o documentário O Caso do Homem Errado (Existe Homem Certo?) que fala do jovem negro operário Júlio Cesar "confundido" com bandido e, por isso, morto pela Brigada Militar em 1987, e roteirista e co-roteirista das séries Filhos da Liberdade e Ayiti e dos longas Janeiro e A Marca do Grilhão, além de ser a roteirista da série Necrópolis. Ela é formada em Jornalismo pela Universidade Luterana do Brasil, em 2011, atuando como curadora do FRAPA e da Mostra Ela na Tela. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A sociedade industrial mudou o conceito de arte, oferecendo aos artistas novos materiais e meios técnicos aperfeiçoados, aptos a traduzir as novas concepções de espaço, movimento e tempo. A estética industrial transformando o conceito de arte decorativa em conceito de desenho industrial, permite ao artista aplicar também à função da vida cotidiana, os seus conceitos de função essencial, bela, de essencialidade funcional estética.
MARY VIEIRA - A arte da escultora e professora Mary Vieira (1927-2001), que produziu Polivolumes, estruturas de caráter abstrato-geométrico, que combinam uma parte sólida com segmentos móveis: placas ou círculos concêntricos que giram em torno de um eixo fixo. Essas peças assumem múltiplas configurações ao ser manuseadas pelo observador, representando inúmeras possibilidades plásticas contidas em uma só forma, criando esculturas multiplicáveis não sob a forma de exemplares idênticos, mas sob a forma de peça única em que estão contidas várias outras. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Todas as frases que estão no filme são frases que eu já ouvi na minha vida. O desejo era fazer pensar sobre os discursos naturalizados da violência. São frases naturalizadas, que vão passando pelo senso comum. São pensamentos violentos, que enquadram a gente numa ideia de mulher e de feminino.
O cinema da premiada diretora e roteirista Déa Ferraz, que é formada em jornalismo com especialização em documentários pela Escuela Internacional de Cine y TV (EICTV), de San Antonio de los Baños – Cuba, mestranda em Comunicação pela UFPE. Ela possui na sua trajetória curtas, médias e longas apresentados em diversos festivais no país e no exterior, diretora do longa- metragem Câmara de espelhos (2016), Modo de produção (2017) e Mateus (2019).
&
Educação e mudança, do educador, pedagogista e filósofo Paulo Freire (1921-1997) aqui.
Poesias Completas, do poeta, dramaturgo, engenheiro civil, desenhista, professor e editor Joaquim Cardozo (1897-1978) aqui, aqui & aqui.
Assuntos pernambucanos, do jornalista, advogado, escritor, historiador e ensaísta Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000) aqui.
Marsa e SeuPereira & Coletivo401 aqui.
Imaginautas & Estação do Bem aqui.
&
A noite do Recife aqui.


segunda-feira, dezembro 10, 2018

KLIMT, FAYGA OSTROWER, SELMA DO COCO, NITOLINO & AS MULHERES AMADAS


AS MULHRES AMADAS – The kiss (1907-1908), do pintor simbolista austríaco Gustav Klimt (1862-1918). - Sou o crepúsculo na tarde azul da Áustria para que elas sejam flores na paisagem campestre de Bauerngärten e no cenário dourado de todos os jardins dos céus e da terra, todas elas desabrochando da art nouveau para serem amadas e eternizadas por todos os tempos e espaços. É da candura e fortaleza delas a se mostrarem com suas curvas de verdadeiras joias seminuas e provocantes, com suas túnicas de estampagem africana que são as armadilhas de sedução num mundo conservador. Ah é de uma delas que recolho o beijo nos braços de Emilie Flöge e me insinuo pelas madeixas das ruivas pré-rafaelitas e pela geografia das sereias dos mais profundos mares perdidos, até sentir-me senhor da nudez fatal da dominação de Judith no palácio de Nínive expondo a cabeça do general assírio que sou eu vencido aos seus encantos e feitiços. É nelas que sou herança da ouriversaria para expressá-las nuas nos painéis da Universidade, tudo queimado pela perseguição nazista aos judeus, cinzas redescobertas ao vento de todas as direções. Elas em mim resistem e renascem Danae, Adele Bloch Bauer, Serena, Mada, Fritza, Adele, as de Toulouse e aquelas entre morangos bizantinos com suas almas ao som Schubert, muitas, todas, entre quatro paredes e na orgia da cor, para amá-las no universo de dourada vida, no floral que emana de seus corpos, no tom pastel que me encanta e nas pinceladas impressionistas que as revivem na viúva Úrsula, em Gertrud Loew e as que emergiram no sanatório da convivência com Mahler e Wittgenstein, e habitam nuas e recolhidas no atelier intacto com milhares de rascunhos e em desenhos e quadros preservados que resistiram até sucumbir à apoplexia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] As potencialidades e os processos criativos não se restringem, porém, à arte. [...] O criar só pode ser visto num sentido global, como um agir integrado em um viver humano. De fato, criar e viver se interligam. [...] Criar é, basicamente, formar. É poder dar uma forma a algo novo. [...] O ato criador abrange, portanto, a capacidade de empreender; e esta, por sua vez, a de relacionar, ordenar, configurar, significar. [...] Nós nos movemos entre formas. Um ato tão corriqueiro como atravessar a rua – é impregnado de formas. [...] As formas de percepção não são gratuitas nem os relacionamentos se estabelecem ao acaso. [...] Nessa busca de ordenações e de significados reside a profunda motivação humana de criar. Impelido como ser consciente, a compreender a vida, o homem é impelido a formar. Ele precisa orientar-se, ordenando os fenômenos e avaliando o sentido das formas ordenadas; precisa comunicar-se com outros seres humanos, novamente através de formas ordenadas. [...] Ainda vinculado aos mesmos padrões coletivos, ele se desenvolverá enquanto individualidade, com seu modo pessoal de agir, seus sonhos, suas aspirações e suas eventuais realizações. [...]
Trechos extraídos da obra Criatividade e processos de criação (Vozes, 1997), da pintora, gravadora, desenhista, ilustradora, professor e teórica de arte brasileira nascida na Polônia, Fayga Ostrower (1920-2001). Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor simbolista austríaco Gustav Klimt (1862-1918). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

AGENDA:
Livros pras crianças & muito mais na Agenda aqui.
&
Publicações do Nitolino aqui.
&
A teia de Ixchel, Chantal Mouffe, Judith Butler, Lourenço Mutarelli, Viviane Mosé, Esther Erlich, Tamandaré, Vilmar Carvalho & Admmauro Gommes & Eliete Carvalho & Cavalcanti, Tom Jobim, Sarah Chang, John Lennon & Sinéad O'Connor aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da saudosa cantora e compositora Selma do Coco (1935-2015): Minha história Músicas do Nordeste, Jangadeiro, Areia & Meu sabiá & muito mais nos mais de 2 milhões & 960 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Foto de Andréa Rêgo Barros/PCR. Veja mais aqui.
 

segunda-feira, julho 16, 2018

DERRIDA, ZATZ, RUBEM ALVES, ROSALIA DE CASTRO, BEETHOVEN, KLIMT, SCHÖNBERG, LOJA DE RÉPTEIS, BOZ VAKHSHORI & VITAL CORRÊA DE ARAÚJO


A ARTE PARA IMORTAL AMADA – Imagem: art by Boz Vakhshori. - Os tons e a surdez: restava mais nada, a vida era só um detalhe de Deus. Desde muito jovem condenado por Albrechtsberger: nunca aprendeu nem aprenderá, é um caso perdido. Jovem leão enjaulado, nada mais que um louco espanhol do gênio fogoso e língua mordaz: um campônio que desbancava a etiqueta da nobreza à custa de suas próprias mãos: príncipes, muitos; gênio, só eu. Umas poucas mordidas de mosquitos jamais poderão sofrear um garanhão, mesmo com os sintomas da surdez à flor da idade: a solidão é a minha religião. Saía à conquista das damas do remoinho social de Viena, com as cartas de plebeu e suas queixas inconsoláveis para Amada Imortal que pedia fizesse tudo para que ela pudesse viver com ele. Harmonias e melodias cresceram: Für Elise – à cantora de ópera Elisabeth Röckel do pedido de casamento malogrado; a frágil Antonie Brentano, Madalena Willmann, Josephine Brunsvik, outras tantas e muitas, elas sabiam: não se flerta com um Deus feio e surdo. Para ele, devia viver como exilado: vagar para longe sem rumo, até que possa voar em teus braços, e possa dizer que estou inteiramente em casa contigo, permanecendo meu fiel e único tesouro. Eis daí o cântico da liberdade Fidelio baseado em Bouilly; as sonatas, ao Luar no Lago Lucerna suíço, quase uma fantasia melancólica; a Patética, Appassionata, trinta e duas ao todo, mais Concertos, Oratórios, Missas, Quartetos, Septeto, Trios, Missas, Fantasias, Bagatelas, Lieds à amada longínqua, todas com tragicidade profunda e humorismo exuberante. Vieram sinfonias, a primeira, a gênese; a segunda, o horrível dragão que se retorce negando-se a expirar; a revolução ternária da terceira, interpretando as ideias de Deus; o eterno mistério da quarta, o amor, a paixão e a dúvida existencial; a do Destino, Eroica, em memória de um grande homem e sua obsessão Liberté, Égalité, Fraternité; a sexta Pastoral, o citadino que vai para o campo e mergulha em sentimentos bucólicos, a tempestade e o Hino de Ação de Graças; a poética sétima explorando todos os níveis da consciência de si mesmo; a emancipação da oitava, a transformação; a sublime elevação fraternal da nona: foi para isso que Deus criou o mundo! Com os versos da Ode à Alegria de Schiller e a chegada da fictícia copista Anna Holz, o segredo. Se não fosse A raiva pelo tostão perdido - rondó em sol maior, e o Testamento de Heiligenstadt para Caspar e Nicolaus, nunca enviado e guardado na gaveta, a depressão e suicídio que levaram o eremita rebelde na casca da rudeza, um hipocondríaco: devo a mim mesmo, ao gênero humano e ao Todo-Poderoso, a arte apenas me susteve. É que a felicidade não foi feita para ele: não fui feito pra felicidade, quem sente intensamente, sofre intensamente. A felicidade do artista está dentro dele mesmo porque a arte justifica o sofrimento da vida: Sede abraçados pelo amor, milhões! Aí vai um beijo para o mundo inteiro, a tônica da vida é o amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do compositor alemão Arnold Schönberg (1874-1952): Pierrot Lunaire, Transfugured Night for String Sextet op. 4, Verkl&arte Nacht op 4 & Pélleas und Melisande op 5 & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Onde e como se produz esse descentramento como pensamento da estruturalidade da estrutura? Para designar esta produção, seria algum tanto ingênuo referirmo-nos a um acontecimento, a uma doutrina ou ao nome de um autor. Esta produção pertence certamente à totalidade de uma época, que é a nossa,  mas ela já começou há muito a anunciar-se e a trabalhar. [...] Se a totalização não tem sentido, não é porque a infinidade de um campo não possa ser coberta por um olhar ou um discurso finitos, mas porque a natureza do campo – a saber, uma linguagem e uma linguagem infinita – exclui a totalização. [...] Este campo permite estas substituições infinitas porque, em vez de ser um campo inesgotável, como na hipótese clássica, em vez de ser demasiado grande, lhe falta alguma coisa, a saber, um centro que detenha e funde o jogo das substituições. [...]. Trechos extraídos da obra A escritura e a diferença (Perspectiva, 2002), do filósofo francês Jacques Derrida (1930-2004). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

AVANÇOS & RETROCESSOS: CIÊNCIA & RELIGIÃO - [...] Desde o início de 2004, as notícias sobre células-tronco têm sido animadoras: pacientes são tratados, pesquisadores coreanos têm sucesso na clonagem terapêutica, células-tronco embrionárias formam neurônios. Enquanto a ciência avança a passos gigantescos no exterior, o Brasil luta para conseguir iniciar pesquisas com células-tronco embrionárias. Conseguiremos recuperar o tempo perdido? [...] O que precisa ser desmistificado? Por que as células-tronco embrionárias são tão importantes? Somente as células-tronco embrionárias são pluripotentes. [...] A esperança é que inúmeras condições, muitas delas letais na infância ou no início da idade adulta, tais como algumas doenças neuromusculares, diabetes, mal de Parkinson, lesões de medula possam ser tratadas pela substituição ou correção de células ou tecidos defeituosos. [...]. Mas, para chegar lá, ainda temos inúmeros obstáculos a vencer. [...] Utilizar células-tronco de embriões congelados equivale a um aborto, afirmam alguns grupos religiosos. Definitivamente não! No aborto provocado, interrompe-se a vida de um feto que está dentro do útero da mãe. Já no caso de embriões congelados em um tubo de ensaio nas clínicas de fertilização, não há chance de vida se não houver introdução do embrião dentro do útero. Na prática, esses embriões ficam congelados por anos, tornam-se inviáveis e são descartados. Do ponto de vista científico, a grande vantagem das células-tronco retiradas de um embrião congelado é que, até a fase de cento e poucas células, elas são pluripotentes. [...] A expectativa de um tratamento para inúmeros pacientes condenados deve estar acima de dogmas religiosos. [...]. Trechos extraídos de Conseguiremos recuperar o tempo perdido? (Folha de São Paulo, 2005), da bióloga molecular e geneticista Mayana Zatz, Veja mais aqui.

CENAS DA VIDA – [...] Na verdade, acho que não existe povo no Brasil. Somos um bando de bois e vacas infestados por bernes gordos que não saem de nossas costas. Santo Agostinho disse que “povo é um conjunto de pessoas racionais unidas pelo mesmo sonho”. O Geraldo Vandré disse a mesma coisa, com poesia diferente: “Caminhando e cantando e seguindo a canção”. É isso: há de haver uma canção que todos cantam e que indica o caminho. O Chico, nos anos de ditadura, esperto como ele só, falou de um jeito que os milicos não entenderam (milicos e cientistas são duros de entender metáfora. Sobre os milicos eu já sabia. Sobre os cientistas aprendi na última reunião da SBPC). Falou de uma Banda. “Estava à toa na vida, o meu amor me chamou, pra ver a banda passar, cantando coisas de amor”. Aí ele desanda a falar do faroleiro que contava vantagem, da namorada que contava as estrelas, do homem rico que contava o dinheiro, da moça feia debruçada na janela, cada um com o seu sonho pequeno. Mas foi só a Banda tocar para que cada um deles se esquecesse dos sonhos pequenos por amor ao sonho grande. Começaram a seguir a Banda: viraram povo. Um povo nasce quando as pessoas trocam seus sonhos pequenos (individuais) por um sonho grande (comum). Um líder político é aquele que ajuda um povo a nascer. Mas um povo só nasce quando os indivíduos são seduzidos por um sonho de beleza. A beleza do sonho é a comida que mantém a vida do povo. [...] Que sonho temos? Moeda estável, sem inflação? Mas isso não é sonho que chegue para formar um povo. É verdade que inflação é barco furado. Com barco furado não se navega. Verdade é também que moeda estável é barco sem furo. Mas barco sem furo não basta pra navegar. Pra navegar é preciso sonhar com um porto. Esse porto, na linguagem da política, tem o nome de utopia. Vão me dizer que utopias são inatingíveis. [...] A mágica presença das estrelas! É isso que os políticos nos roubaram. Os povos estão sempre dispostos a passar pelas mais duras provações, desde que essas mesmas provações tenham um sentido: as dores de parto são bem-vindas pelo filho que vai nascer. O presidente se esqueceu do povo. O povo não é o seu “outros significantes”. Por isso ele não gasta tempo para fazer o povo sonhar. Estamos “desgarrados e errantes como ovelhas que não têm pastor…”. O tempo da ditadura era noite. Mas no céu havia estrelas. Eu sonhava. Veio o dia. Mas a noite continuou. Céu sem estrelas. Já não sonhamos. Resta-nos a dura vida sem sonhos. [...]. Trechos da crônica O fim da banda, extraído da obra Cenas da vida (Papirus/Speculum, 1997), do psicanalista, educador, teólogo e escritor Rubem Alves (1933-2014). Veja mais aqui e aqui.

DOIS POEMAS – CANTIGA: Eu cantar, cantar, cantei; / a graça não era muita, / pois nunca por meu pesar, / fui eu menina graciosa. / Cantei como foi possível, / dando voltas e mais voltas / assim como quem não sabe / perfeitamente uma cousa. / Porém depois de mansinho / e um pouco mais alto agora, / fui soltando essas cantigas / como quem não quer a cousa. / Eu bem quisera, é verdade, / que elas fossem mais bonitas; / eu bem quisera que nelas / bailasse o sol com as pombas, / as brancas águas com a luz, / e os ares mansos com as rosas. / Que nelas claras se vissem / a espuma das verdes ondas, / do céu as brancas estrelas / da terá as plantas formosas, / as névoas de cor sombria / que lá nas montanhas voam; / os pios do triste mocho, / as campainhas que dobram / a primavera que ri, / e os passarinhos que voam. / E canta que canta, enquanto / os corações tristes choram. / Isto e ainda mais quisera / dizer com língua graciosa; / mas onde a graça me falta, / o sentimento me sobra. / Entretanto isto não basta / par explicar certas cousas / que, às vezes, por fora um canta / enquanto por dentro chora./ Não me expliquei qual quisera: / sou de pouca explicação; / se graça em cantar não tenho, / o amor da terra me afoga. / Eu cantar, cantar, cantei, / a graça não era muita, / mas que fazer —  desgraçada! — / se não nasci mais graciosa. AONDE IREI COMIGO? ONDE ME ESCONDEREI? - Aonde irei comigo? Onde me esconderei, / que já ninguém me veja e eu não veja ninguém? / A luz do dia assombra-me, pasma-me a das estrelas, / e os olhares dos homens na alma me penetram. / Pois o que guardo dentro em mim penso que ao rosto / me sai, como do mar ao fim um corpo morto / Houvesse, e que saísse!...; mas não, te levo dentro, / fantasma pavoroso dos meus remordimentos! Poemas da escritora espanhola Rosalia de Castro (1837-1885)

LOJA DE RÉPTEIS
O curta-metragem Loja de Répteis, do cineasta Pedro Severien, é um drama psicológico que conta a história que se passa no Recife, de horror expressionista vivida por um casal, um dono de loja de repteis e sua esposa, que é quieto e mantem uma estranha conexão com os animais, e ela está disposta a se livrar daquilo

Os livros ID & A poesia salva a alma & muito mais na Agenda aqui.
&
A música de Beethoven aqui, aqui, aqui e aqui
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Ele via a mulher como um ser superior, uma figura dominante que estava acima dos homens. As mulheres retratadas quase sempre são poderosas – mesmo quando as retrata aparentemente submissas, parece uma concessão que a mulher fez como um gesto nobre a fraqueza masculina em resistir ao seu poder.
A arte do pintor simbolista austríaco Gustav Klimt (1862-1918) e sua eterna musa inspiradora, a designer de moda e empresária austríaca Emilie Louise Flöge (1874-1953).
Veja mais aqui & aqui.
&
Porque era sábado no Una, Mal de Arquivo de Jacques Derrida, Guido Bilharinho, o teatro Oficina de José Celso Martinez Correa, a arte de Hamid Zavareei, a música de Paulo Moura, Eugénia Melo e Castro, Pat Metheny & Tomoko Mukaiyama aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo. Fone: 11 98499-2985.
 

segunda-feira, abril 16, 2018

VERLAINE, ESPINOZA, FAYGA OSTROWER, MARGUERITE DURAS, KLIMT, AMBROSE AKINMUSIRE & GRACE CHUNG

O OUTRO LADO DAS COISAS - Imagem: arte do pintor simbolista austríaco Gustav Klimt (1862-1918). - Entre os Zés que conheci, o Bornal era o mais engraçado: riso estampado na cara, pau pra toda obra, viver é bom demais. Isso mesmo, o Zé Bornal, chovesse ou fizesse sol, dia santo ou feriado, estava lá, pronto pro que fosse, bronca que viesse e um sorriso nos lábios: Agora mesmo! É pra já! Ô cabra bão! Não lembro, nessa vida toda de mais de trinta anos de convivência, ouvi-lo dizer não ou apresentar cara feia com notícia ruim, ou coisa desandada. Isso não quer dizer que ele se apresentasse indiferente ao problema dos outros; não, não é isso; bastava quem quer que fosse convalescer, lá estava ele, contrito, solidário. Não perdia missa de sétimo dia de conhecidos ou não, à beira de leitos hospitalares, socorrendo necessitados, trocados na algibeira pros pedintes, uma mão amiga a qualquer solicitação. Sempre sorrindo. Ao contrário, a senhora dele, distante, reticente no seu mutismo. Como é que pode Zé Bornal esbanjar felicidade e a mulher dele com cara de sacrifício inacabado, ah, era preciso saber das fases passadas da lua, dos dias esquecidos nos calendários pretéritos, daquelas coisas que não se sabe ou mesmo esquecidas, ou que se fez que nem viu. Deles, aos poucos, a memória da perda do filho, coisa de doença, e mãe é mãe. Não só isso: quantas Zé não embarcou nas voltas de findar sozinho e sem ter a quem recorrer, quantas não remaram juntos, ele uma mão na frente outra atrás, situação estreita, apertos de torar tudo, e ela lá, ao lado dele. Se ele sorria enfrentando qualquer guerra, ela desarmava as travas com uma mínima lágrima, e a dela, era carregada de profundo sentimento, daquelas que descem face abaixo inalterada, uma por uma, lentamente. Não há nada mais comovente que uma lágrima de mulher, talvez seja isso a felicidade de Zé: ela pranteava o infortúnio dele para lavar sua alma, como se, depois disso, nada mais houvesse acontecido. Vez em quando a via vestido esvoaçante, seminua nos remoinhos de ventos, a jogar vidrinhos no quintal. Eram lacrimários, nunca tinha visto aquilo, reunia gota a gota do seu choro, resignada, imolando suas dores, no minúsculo invólucro, para jogá-los fora, exorcizando seus temores e malsinações, refazendo a vida depois dos reveses. Lições pra Zé, expurgos dela. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do trompetista de jazz estadunidense Ambrose Akinmusire: Live At Jazz Standard Jazzmix in New Tork, Confessions to my ymborn daughter & Dreams of the Mabahsniese; da pianista taiwanesa Grace Chung: Concerto n 21 Mozart, Sonata C Minor Grieg & Recital at USC; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – Tenho-me esforçado por não rir das ações humanas, por não deplorá-las nem odiá-las, mas por entendê-las. Pensamento do filósofo racionalista holandês Baruch Espinoza (1632-1677). Veja mais aqui.

CRIAÇÃO & ESTILO - Basta ver a alegria das crianças, intensamente envolvidos em satisfazer, para se ter uma ideia da grande aventura que é criar. Aventura, entrega e conquista, rumo a novas experiências e novos mundos. É como se as crianças desde sempre, soubessem colher a essência do ser. E em nós, adultos, perdeu-se o olhar aberto das crianças? [...] o potencial criador não é outra senão esta disponibilidade interior, esta plena entrega de si e a presença total naquilo que se faz. Ela vem acompanhada do senso do maravilhoso, da eterna surpresa com as coisas, que se renovam no cotidiano. [...]. Trecho extraído da obra Acaso e criação artística (Campus, 1999), da pintora, gravadora, desenhista, ilustradora, professor e teórica de arte brasileira nascida na Polônia, Fayga Ostrower (1920-2001). Veja mais aqui.

O AMANTE – [...] Sobre as ripas da ponte, sobre os adros do barco, sobre o mar, se esforça e se destrói, com a mesma lentidão, uma escritura, ilegível e dilacerantes de sombras, de arestas, de traços de luz entrecortada e refratada nos ângulos, nos triângulos de uma geometria fugaz, que se escoa ao sabor das sombras das vagas do mar. Para em seguida, mais uma vez, incansavelmente, continuar a existir [...]. Trecho extraído da obra O amante (L´Amant - Prêmio Goucourt, França 1984 - Nova Fronteira, 1985), da romancista, novelista, roteirista, poeta, diretora de cinema e dramaturga francesa Marguerite Duras (1914-1996). Veja mais aqui.

CANÇÃO DE OUTONO – As pulsações / dos violões / outonais / fazem o ser / esmorecer / sempre iguais / e todo arfando / pálido, quando / soa a hora, / minha alma invade / velha saudade / e após chora. / Se eu assim vago, / vento pressago / me transporta / ao-deus-dará, / semelhante à / folha morta. Poema extraído da obra Poemas (Difusão Europeia do Livro, 1962), do poeta francês Paul Verlaine (1844-1896). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor simbolista austríaco Gustav Klimt (1862-1918).
Veja mais aqui.



O XXVIII Congresso da ANPPOM & muito mais na Agenda aqui.
&
Dos beijos e beijares, o teatro de Nelson Rodrigues, a pintura de Auguste Rodin, a música de Sérgio Sampaio & a arte de Soaring Turkeys aqui.



RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...