
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje
na Rádio Tataritaritatá especiais com a música da
cantora e compositora islandesa Björk:
Vulnícura live, Travessia & Live Royal Opera House; do premiado compositor
e saxofonista Livio Tragtenberg: Mirroir merengue, A dama da lua & Nervous
City Orchestra; do violonista, compositor e arranjador brasileiro
Paulo Bellinati: Lira
brasileira, Choros & Waltzs of Brazil & Garoto; e da da cantora Marisa Ricco: Meu cais, Um sábio
& Reconvexo. Para conferir é só ligar o som e curtir.
PENSAMENTO DO DIA
- [...] as
grandes cidades da terra tornaram-se centros asquerosos de fornicação e cobiça
– a fumaça que se exala de seus pecados penera na face dos céus como a fornalha
de Sodoma; e sua poluição putrefaz e pulveriza os ossos e as almas da gente do
campo que vive ao redor delas, como se cada uma fosse um vulcão cujas cinzas
arrebentassem em pústulas sobre homens e animais [...]. Trecho da obra The Lord's prayer and the church (1880),
do escritor, crítico de arte e crítico social britânico John Ruskin (1819-1900).
DESCONSTRUÇÃO
& DIFERENÇA – [...] “Desconstruir” a filosofia seria, assim, pensar a genealogia
estrutural de seus conceitos da maneira mais fiel, mais interior, mas, ao mesmo
tempo, a partir de um certo exterior, por ela inqualificável, inominável,
determinar aquilo que essa história foi capaz – ao se fazer história por meio dessa
repressão, de algum modo, interessada – de dissimular ou interditar. Nesse
momento, produz-se – por meio dessa circulação ao mesmo tempo fiel e violenta
entre o dentro e o fora da filosofia (quer dizer, do Ocidente) – um certo
trabalho textual que proporciona um grande prazer. [...] Nada – nenhum ente presente e in-diferante [indidifférant]
– precede, pois, a différance e o espaçamento. Não existe qualquer sujeito que
seja agente, autor e senhor da différance, um sujeito ao qual ela sobreviria,
eventualmente e empiricamente. A subjetividade – como a objetividade – é um
efeito de différance, um efeito inscrito em um sistema de différance. É por
isso que o da différance lembra também que o espaçamento é temporização, desvio,
retardo, pelo qual a intuição, a percepção, a consumação, em uma palavra, a relação
com o presente, a referência a uma realidade presente, a um ente, são sempre
diferidos. Diferidos em razão do princípio mesmo da diferença que quer que um
elemento não funcione e não signifique, não adquira ou forneça seu “sentido”, a
não ser remetendo-o a um outro elemento, passado ou futuro, em uma economia de
rastros
[...]. Trechos extraídos da obra Posições (Autêntica, 2001), do
filósofo francês Jacques Derrida (1930-2004). Veja mais aqui e aqui.
AS IMAGINAÇÕES PECAMINOSAS - [...]
Podia ver o dr. Saturnino à vontade: os
mínimos gestos, as mãos grandes e peludas, o timbre da fala grave e distinta,
os olhos parados nas nuvens, um jeito de sonhoso. Ele se distraia, brincava
girando o anel de chuveiro no dedo, olhava o céu azul estalando sem nuvens, o
jardim que via pela janela, lá do alto do estrado. Os olhos detrás das lentes
brilhantes dos óculos, o aro de metal. Pedro via os mínimos gestos, os seus
mínimos traços, mesmo a ruga entre as sobrancelhas quando voltava a prestar
atenção no que lia o escrivão, seu o Tomásio. A atenção certamente fingida, devia
saber de cor e salteado aquelas páginas, ele próprio que comandou o processo.
Mesmo assim o olhar preso, o ouvido atento de quem está ouvindo pela primeira
vez um assunto. Será que na verdade ele finge, pra dar o exemplo? Devia ser,
senão tudo não passaria de pantomima, matéria de desocupados. E no entanto ali
iam dar um destino à sua vida. A assistência quieta, não se ouvia nenhum
sussurro, nenhuma outra voz além da do escrivão Tomásio Preto, que apesar do
nome era branco. Só uma vez todo mundo rui, e o dr. Saturnino teve de soar a
campainha? Quando leu o lado do exame cadavérico. A linguagem arrevezada do dr.
Viriato, que demandava interprete (seu Bê, quando na rua), falando das partes
baixas da criação. Do seu cercado de balaustrada feito grade de comunhão, até
os jurados riram. O padre Matias, aquele homenzarrão, se encurvava todo para
lhe meter a hóstia na boca. Ele menino, depois de grande não ficava bem, podiam
dizer que ele era beato ou veado. Com padre Matias não teria acontecido aquilo,
o outro era novinho, padre Joel parecia um seminarista [...]. trecho da
obra As imaginações pecaminosas (Record,
1982), do escritor, advogado e jornalista Autran Dourado
(1926-2012). Veja mais aqui.
A POESIA LÍRICA DE KALJU LEPIK – Praga: / Se destruíres nosso povo / Que a chuva
vire pedra sobre teus campos. / Que a pedra dispare brotos de pedra. / Que pão
de pedra esteja em tua mesa. / Que pétreo seja o chão em que pisas. / Que
pétreo seja teu céu acima. / Que o mar vire pedra. / Vire pedra como teu
coração é de pedra / Contra nossa terra e nosso povo. Poema Uma poesia por dia, nem sabe o bem que lhe
faria, do poeta lírico estoniano Kalju
Lepik (1920 – 1999).
BIBLIOTECA FENELON BARRETO
Batendo papo com a
estudantada, a professora e escritora Socorro Durán & o diretor da
Biblioteca, João Paulo Araújo.
Veja mais:
Crença pelo direito de viver e deixar viver aqui.
A arte musical de Livio Tragtenberg aqui.
A poesia de Catulo da Paixão Cearense aqui.
A arte de Paulo Bellinati aqui
O talento musical de Marisa Ricco aqui.
&
A ARTE DE IRVING PENN
A arte do fotógrafo
estadunidense Irving Penn (1917-2009).