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sexta-feira, setembro 25, 2020

FAULKNER, MARIE UNDER, FELÍCIA HEMANS, CARMELA GROSS, EOS & PAULO CAVALCANTI

 


DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA (TRÍPTICO DGF) – UMA: SABE AQUELA... DA ESCALADA DA VIDA - Fui ao fundo do poço, fiz minha catábase. Sim. E com os versos de Carlos de Oliveira: pelo cascalho interno da terra, / onde o esqueleto da vida / se petrifica protestando. / Como um rio ao contrário, de águas povoadas / por alucinações mortas boiando levadas / para a alma da terra, / procuro os úberes do fogo. Dos umbrais de mim, cenas de filmes e contas nos dedos, andaços e enlevos às desoras. Quando dei por mim naquelas funduras, a perda & a desolação anoitecida. Não sabia que em toda minha vida, das idas e vindas, entre érebros e báratros. Lá nas entranhas do mundo de mim, ouvi o Auto da Alma e a barca de Gil Vicente: À barca, à barca, mortais, barca bem guarnecida, à barca, à barca da vida! Quase os mesmos efusivos alto-falantes dos protestos velados de Not about Nightingales, de Tenessee Williams. Para me proteger de não sei o quê, recitava os poemas da inocência e experiência de William Blake, sem que previsse me deparar Coleridge aos berros: Quem se vangloria de ter conquistado uma multidão de amigos nunca teve um. Vaguei na obscuridade, quis me livrar do passado, olhar para o amanhã e seguir, até ser alertado por William Faulkner: O passado nunca está morto. Nem sequer é passado. Ontem só acabará amanhã, e amanhã começou há dez mil anos. Só faltou dizer que o mundo é a Guernica de Picasso, logro da desconfiança.

 


DUAS PASSAGENS ALADAS DE UM ÚNICO AMOR - Imagem da artista multimídia Carmela GrossAonde cheguei era o último piso do fim, nada havia mais além; se epílogo ou posfácio, o derradeiro do limite. Só me restava a poemópera da anábase, como quem vai e volta, a recomeçar, tropeços na jornada, cochilos e visões. Três e tantos movimentos, pisadas e duas graças: nunca me dei por perdido, apesar de. Sucumbi ao amor, desespero da paixão: vertigens, duas ou poucas palavras, muitos textos e três passos para ascenção. Quantas inusitadas situações. Estava só no meio do caminho, muito por me sujeitar de quase não ouvir os versos de Uma canção de despedida de Felícia Hemans: Quando lágrimas repentinas caem sobre seus olhos / Ao som de uma melodia antiga; / Quando você ouve a voz de um riacho na montanha, / Quando você sente o encanto do sonho de um poeta; / Que assim seja! / Que minha memória fique com vocês, amigos! Porque ela era nua amanhecida Eos na carruagem púrpura alada dos arreios multicores para os sonhos intensos de amor infindo, até o reencontro no evento da luz.

 


TRÊS SOPAPOS NA CHEGADA - Imagem da artista multimídia Carmela Gross – Enfim, aqui estou, algum lugar dos caminhos. Eu vim de onde me fiz, a viagem de volta, tantos Brasís, quantos janeiros: trilhas desfeitas, rabiscos, recados indecifráveis, motores raivosos, céus esfumaçados, desídias, talhos, atalhos perdidos, interditos, superstições. (Dava para parafrasear Erasmo no seu Julio II excluído del reino de los cielos nos Escritos de crítica religiosa e política: Certamente não me surpreende que tão poucos cheguem aqui, se você chicotear assim eles assumem o comando da doidice. Apesar de tudo, ouso conjeturar que o país ainda tem cura de alguma forma, pois honra um esgoto tão imundo em virtude do mero título de presidente). Aqui estou e me tratam por necromante com tudo que passei, e para que transmita a verdade que querem ouvir. Apenas repito trecho dAs geórgicas de Virgílio: Não desejo abranger todas as coisas juntas em meus versos, não conseguiria, ainda que possuísse cem línguas e cem bocas, e uma voz de ferro. Prefiro invocar a Denúncia de Marie Under: Eu grito alto com a boca de todo o meu povo, / nossa terra está ferida por uma praga de medo e chumbo, / nossa terra está sombreada pela árvore da forca / nossa terra um cemitério comum, enorme de mortos. / Quem virá ajudar? Bem aqui, no presente, agora! / Porque o paciente está fraco, perdeu o controle. / Mas, como o canto dos pássaros, meu grito se desvanece / no vazio: o mundo é arrogante e frio. / O suspiro do velho, o choro do bebê - / todos correm para a areia, ilusão, falham? / Homens, mulheres gemem como cervos feridos / para aqueles que estão no poder, tudo isso é apenas um conto de fadas. /  Trevas são os olhos do mundo, seus ouvidos são surdos, / os poderosos perdidos na loucura ou na estupidez. / Compaixão só é sentida por aqueles a quem o sofrimento quebra, / e só os sofredores têm corações como você e eu. Voltei levando nos peitos, refém da viagem, vulnerável às circunstâncias, chuvas, quedas, labirintos e túneis sem fim... Quem dera fosse diferente embarque, desembarque: reificação de simulacros e sempresente. A cidade é o deserto e o difícil é chegar. Até mais ver.


CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Veja mais aqui.


 A OBRA DE PAULO CAVALCANTI

[...] O que nos conforta é a grandeza da nossa autocrítica, no reconhecimento dos nossos erros. E até dos crimes cometidos em nome do socialismo. Vão-se esses erros e esses crimes. Menos os símbolos.

A obra do escritor, advogado e jornalista Paulo Cavalcanti (1915-1995), fundador da Associação do Ministério Público de Pernambuco e da União Brasileira de Escritores (UBE-PE) e foi preso e aposentando compulsoriamente pelo AI-2, autor de obras como a trilogia O caso eu conto como o caso foi – memórias políticas (1978/1980/1984), Nos tempos de Prestes (1981/1982); A luta clandestina (1984/1985); Homens e ideias do meu tempo (1993); Vale a pena (ainda) ser comunista (1994); História de um governo popular e Os equívocos de Caio Prado Júnior. Veja mais aqui e aqui.

 


 


sexta-feira, fevereiro 07, 2020

COLERIDGE, ASTRID LINDGREN, BAJADO, QUESTÃO DE ARTE & NITOLINO NA FEARPINHA



A SOLIDÃO DE COLERDIGE - Sempre escapei por pouco, não havia outro jeito, a sorte assim, desde sempre. Na minha imaginação infantil mórbida, brincava sozinho. Inventava histórias dos livros lidos, era a forma de não me sentir rejeitado pelos outros da minha idade, adorado pelas tias e parentes que não tinham tempo para brincar. Meu pai logo se foi para nunca mais. Um tio me levou e eu com mendigos, severa disciplina, apetite enganado. Nas horas de folga nadava no New Rider ou pelas ruas sombrias, era o meu mundo de fantasia, quanta separação, ausência, distância. Já autoproclamado poeta na biblioteca de Cheapside, ouvia as vozes de sereia das musas: todos os meus paradoxos na cauda dos lunáticos. Era por pouco e escapava da escola para me alistar no regimento dos dragões: o mais desastrado cavaleiro. Tornei-me ordenança por causa de uma frase latina. Foi no aparecimento de Sarah, a imoral de Bath no sarcasmo de Byron. Era a Sara do meu sonho de embarcar para a América e lá a minha república platônica, o meu primeiro livro e a Terra Prometida. Eu e ela embalados na cabana de Nether Stowey. Ela resiliente à beira da pobreza, era quem amei logo com urgência e pensava nela com indescritível ternura. Para ela O beijo naqueles adoráveis lábios e o sopro do amor na minha senhora, era o alento da vida, a companheira ideal para um homem. Eu amava, era amado e feliz. Ela escrevia poemas enquanto eu lutava pela sobrevivência. Para nada deram os dez números do The Watchman e o sermão no púlpito unitário. Novos fracassos acumulados e alguns anjos disfarçados em socorro. Confundido como contrabandista ao perambular pela costa do Canal da Mancha, periogoso revolucionário enquanto uma poesia simples e mágica era apenas o que eu queria. Sucumbi ao ópio e ao reumatismo, sonhando Xanadu e ir para Malta para que me deixassem em paz no meu profundo abismo pantisocrático. Era, porém, o espinho na carne e o láudano para alívio, porque o indissolúvel tornou-se insurportável, gangrenando a tranquilidade. Na fuga o carinho de Dorothy da alma ansiosa e eletrômetro perfeito do seu gosto. Ao meu lado, outra Sara, a de Asra, a curvilínea animada e atraente ao redor da lareira, o meu desejo desesperado pela musa extrovertida, a ruiva luz de fogo, o exotismo da quentura da sua pudenda muliebria, e a longa entrada de beijo do amor verdadeiro. Assim era. Por pouco, escapei: um deus em ruínas e meus inconsistentes ideais, a armadilha da hipocrisia retórica. Fiquei mudo, sentimentos dilacerados nas horas sombrias da noite de insônia. Qual Sara, não sabia. Ora uma, ora outra. Nunca ganhei dinheiro suficiente, as minhas muitas enfermidades, e ela, uma, a primeira, o queijo tostado, as cartas distantes, a casa fedia a enxofre, quantas privações, provações. Fugia e afundava em Spinoza, eu era um sapo em uma rocha. Na real, a imponência destruida, cristabel e os meus desvarios. A outra e um sorriso, o encanto. Falido e a viver em vão, escapou-me a vida e me esvaí areia pelas mãos. Mais nada. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] A menina que eles viram era assim: tinha cabelo cor de cenoura e usava duas tranças bem apertadas, que ficavam espichadas para os lados. Seu nariz parecia uma batatinha bem pequena, e era todo pintado de sardas. Debaixo de seu nariz havia uma boca realmente bem larga, com dentes brancos e fortes. A roupa que ela estava usando era muito engraçada. A própria Píppi é que tinha feito. No começo, ela pretendia fazer um vestido azul, só que o pano azul era muito pequeno, não dava para fazer o vestido, por isso Píppi tinha costurado pequenos quadrados vermelhos em vários lugares. Suas pernas compridas e magricelas estavam cobertas por um par de meias compridas, uma marrom, outra preta. Além disso, ela estava usando uns sapatos pretos com exatamente o dobro do tamanho de seus pés. O pai de Píppi tinha comprado aqueles sapatos para ela na América do Sul, para que a filha não precisasse se preocupar com a questão quando crescesse, e eram os únicos sapatos que a menina gostava de usar. [...]. Trecho extraído da obra Píppi Meialonga (Companhia das Letrinhas, 2016), da escritora sueca Astrid Lindgren (1907-2002), que assim se expressou sobre livros na infância: Uma infância sem livros não seria infância. Seria como ser trancada fora do lugar encantado onde você pode ir e encontrar o tipo mais raro de alegria. Veja mais aqui e aqui.

A BALADA DO VELHO MARINHEIRO, COLERIDGE
I – É um velho Marinheiro / E aborda um desses três. / “Por tuas barbas grisalhas e pelo fulgor dos teus olhos, / Diz por que é que me deténs! / A casa do noivo está aberta de par em par / Estão já os convidados o banquete preparado, Ouvem-se as vozes festivas, E eu sou parente chegado.” / Prende-o na mão descarnada e assim começa a falar: / “De certa vez um navio…” “Basta, barbudo, és tonto, / Larga-me, tira essa mão!” / A mão solta-se de pronto. / Com a luz dos olhos o prende; imóvel o Convidado / Escuta como um menino de três anos de idade: / Assim faz o Marinheiro / O que tinha na vontade. / Levantou-se atrás de nós um vento sul de feição, / Seguiu-nos o Albatroz; / E depois dia trás dia para comer ou para brincar, / Vinha ter com os marinheiros que o chamavam de alta voz. / Entre névoa ou entre nuvens sobre os mastros, sobre os cabos, / Nove noites foi pousar. / Entretanto a noite inteira entre o branco nevoeiro, / Brilhava o baço luar.” / “Deus te defenda, Marujo de todos os inimigos! / Porquê esse olhar atroz?” / “Com o arco e uma seta / Eu matei o Albatroz.”
II - Era à direita agora que o sol se levantava, / Também de dentro do mar; / Sempre em névoa oculto à esquerda inclinava o vulto / Para de novo ao mar voltar. / Continuava soprando o vento sul de feição, / Mas já sem ave ditosa que viesse ao pé de nós; / Para comer ou para brincar, / Não mais tornaria a vir aos apelos de alta voz. / Água, água a toda a volta / e as pranchas a encolher; / Água, água a toda a volta, / E nem gota para beber. / O oceano apodrecia: / Meu Deus, meu Deus e que isto se haja podido passar! / Viam-se ali rastejar seres de lama com patas / Por sobre a lama do mar! / Pela noite à roda, à roda à roda em tonta ciranda, / Dançava o corpo-santo; / Entretanto a água ardia como luz de bruxaria / Em azul e verde e branco. / A uns em sonho aparecia o Espírito que infligia / Este tormento profundo: / Desde a terra da neblina vinha no nosso encalço / A nove braças de fundo. / E a língua toda ela de secura e de míngua / Mirrava até à origem. / Não podíamos falar. Seria o mesmo que estar / Sufocados com fuligem. / Ai de mim, novos e velhos todos eles me fulminavam / Com olhar ameaçador: / Ao pescoço em vez da cruz / O Albatroz me vieram pôr.
III - Foi um tempo desolado. / Tínhamos os olhos vidrados e a garganta ressequida. / Desolado! Desolado! / O olhar vidrado e sem vida. / Foi então que de repente no céu para Ocidente, / Vi qualquer coisa sumida. / Primeiro parecia mancha depois parecia bruma, / Vinha cada vez mais perto, / E acabou por ganhar forma, / Uma forma, eu estou certo. / Mancha, bruma, forma, é certo! / E mais e mais se acercava: / Como querendo escapar a um espírito do mar / Ia e vinha e mergulhava. / Com os lábios recozidos e a garganta a escaldar, / Perdidos, mortos de sede e todos emudecidos, / Sem poder rir nem chorar! / Mordi o braço e chupei sangue do braço chupei / Para lhes dizer: Vela à vista! E duas vezes gritei. / Com os lábios recozidos e a garganta a escaldar, / Eles me ouviram dizer: / Louvado Deus! E mostraram a alegria num esgar. / E todos ao mesmo tempo contendo um fundo alento, / Mais pareciam beber. / Cada um por mim passou / Sibilando como a seta e o Arco que a tinha lançado.
IV - “Tenho-te medo, Marujo! / Tenho medo, tenho medo da tua mão a descarnar! E tu és alto e macilento / E sulcado como a areia em que o mar foi quebrar. / Tenho-te medo, Marujo e aos teus olhos faiscantes, / Tenho medo à tua mão que mirrou e escureceu!” / Não, Convidado, não temas, / Que este corpo não morreu. / Ninguém, mais ninguém, eu só, / Só num vasto mar sem fim. / E jamais houve um santo / Que se apiedasse de mim. / Os vivos louvados sejam / E todos mortos jaziam. / Entanto juntos comigo / Mil seres de lama viviam. / Olho a podridão do mar, / Logo os olhos se desviam; / Olho o podre do convés, / Aí os mortos jaziam. / Olhando para lá da sombra vi as serpentes marinhas: / Moviam-se ao longo de linhas / Cujo rasto alvejava. / De cada vez que se erguiam uns brancos flocos caíam / E eram luz encantada. / E para cá dessa sombra via os seus ricos enfeites: / Azul, negro aveludado e ainda lustro esverdeado. / Enroscavam-se e nadavam, / E a luz que no mar deixavam / Era um feixe delineado todo a fogo dourado. / Felizes seres viventes! Sua beleza ninguém / Poderia descrever; / Do coração me brotou uma nascente de amor / E abençoei-os sem saber: / De mim se apiedou o meu santo protetor / E abençoei-os sem saber. / Nesse instante eu orei: / Como se fosse de chumbo, / Desprendeu-se o Albatroz / E sumiu-se no profundo.
V - Ah o Sono, o sono é doce / E é amado em todo o mundo. / Mãe do Céu seja louvada! / Mais doçura que essa boda, / Mais doçura e alegria / Sinto em ir até à igreja / Numa boa companhia. / Ir em boa companhia / E depois todos rezarem / E ante Deus-Pai se curvarem; / Tanto os velhos e os meninos como os bons amigos nossos / E as donzelas e os moços. / Adeus, adeus Convidado; / Ainda te quero dizer / Que apenas sabe rezar aquele que sabe amar / Tanto o homem e a ave como qualquer outro ser. / E para rezar melhor deve amar com muito amor / Tanto os seres das alturas como os ínfimos da lama, / Que Deus que nos ama a nós / Todos fez e todos ama. / Foi-se embora o Marinheiro velho de olhar cintilante / E barbas brancas do tempo; / Foi-se embora o Convidado, / Sem ter ido ao casamento. / Foi-se embora aturdido, / Foi-se embora transtornado: / Acordou ao outro dia / Mais grave e mais avisado.
SAMUEL TAYLOR COLERIDGE – Poema extraído da obra S. T. Coleridge - Poemas e excertos da biografia literária - Texto Poético Bilíngue (Nova Alexandria; 1995), do poeta, crítico e ensaísta inglês Samuel Taylor Coleridge (1772-1834), traduzido por Paulo Vizioli. O poeta teve o seu relacionamento com Sarah Fricker (1770-1845) que com ele viveu longos anos entre ausências e pobreza, retirou o "H" de seu primeiro nome para agradar seu marido, dando-lhe constantes apoios como seu vício espiral fora de controle, simpatizava com seu ideal filosófico de pantisocracia e atuva suas várias paixões com outras mulheres. Para ela, escreveu o poema O beijo, em cujo fragmento expressava: [...] Muito bem aqueles lábios adoráveis divulgam / Os triunfos da abertura aumentaram, / Ou justo! Ou gracioso! Eu ofereço a eles que provem / Como passivo ao sopro do amor [...]. Havia uma outra na paixão do poeta, a Sarah Hutchinson (1775-1835), cunhada do seu amigo poeta Wordsworth, um objeto duradouro da paixão não correspondida e a quem ele escrevia sob o codinome anagramático de Asra e oriundo do grego antigo como vagina, a pudenda muliebria, como presente para ela por meio de um desejo físico inextricavelmente emaranhado. Além delas, a sua amiga e companheira literária, Dorothy Wordsworth, para quem escreveu cartas sobre o seu mundo íntimo e revelando seus conflitos domésticos, descrita por ela como a "irmã requintada" de Wordsworth, de temperamento atraente e educada,que aprendeu a sublimar seus próprios desejos e inclinações, tornando-se uma companheira mais "adequada" para ele. Veja mais aqui.

QUESTÃO DE ARTE
[...] nos tornamos mais humanos à medida que nos fazemos mais artistas, e que as conquistas do homem contemporâneo passam necessariamente pela consciência desse incalculável legado. Um legado que, como nenhum outro, só nos engrandece e orgulha por suas conquistas, intenções e realizações. Talvez seja esse o único patrimônio que o homem jamais renega ou rejeita e que nos identifica, aproxima e universaliza.
QUESTÃO DE ARTE – Trecho extraído da obra Questão de arte: O belo, a percepção estética e o fazer artístico (Moderna, 2004), da professora e pesquisadora Cristina Costa, que trata contos de fadas, estética e inteligência, arte e vida social, fenomenologia e arte, o prazer do belo e o desenvolvimento da sensibilidade, a diferença entre o belo e o bonito, a relatividade do gosto, o artista moderno, a crítica a arte, o amador e o profissional, a revolução tecnológica, o ingênuo e o autodidatismo, a arte do inconsciente, o aprendizado para o arte e para o público, entre outros assuntos. Veja mais aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A arte do artista plástico Bajado - Euclides Francisco Amâncio (1912- 1996) aqui
A poesia do poeta, jornalista, economista e folclorista Jayme Griz (1900-1981) aqui, aqui & aqui.
A literatura de Frederico Spencer aqui.
A Loja de Répteis de Pedro Severien aqui.
A arte do humorista e consultor Murilo Gun aqui.
A música de Dery Nascimento (1968-2018) aqui & aqui.
A fotografia de Natali Paiva aqui.
Vitória de Santo Antão aqui.
&
Nitolino na Fearpinha, Literatura & Teatro infantis aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


segunda-feira, julho 23, 2018

CORTÁZAR, SCHOPENHAUER, CALVINO, COLERIDGE, MARISA MONTE, LENIR DE MIRANDA, SINHÁ TERTA & VITAL CORRÊA


AS ANJAS DA MORTE - Arte da artista visual Lenir de Miranda. - Teté e Loló, ou melhor Terezilda e Bromelinda no registro civil e batismo, nem são parentes, dão-se por irmãs, carne e unha. Para ter uma leve ideia, Teté é até hoje amansadora profissional, fera das mais brabas findam mansinha na mão dela. Pega cobra pelo gogó dela ficar molinha e virar bisquí. Ah, desata qualquer bronca, nó que se apresente, desmancha na hora com tudo preto no branco. Espevitada, bote brabeza pra ver e depois só o estrupício na parada. Já Loló é um pouco mais presepeira: campeã alagoiandubense de tiro ao alvo e de muitos Álvaros de Adoniran, coleciona apaixonados: uma ruma de ex-maridos e quase outros enrolamentos de se perder a conta. Afora isso e muito mais no rol do inenarrável, luta karatê e outras tantas artes marciais de deixar qualquer macobeba estirado no chão. É perita em quebra-de-braço, parrudo que apareça, ela só tiro e queda. As duas juntas, por mais simpáticas que se pareçam, já botaram muito macho para correr, avalie. Por aí, pronto, dá pra se ter um resumo dessas beldades. Compararam juntas um DKW – Wemag Belcar 67, Rabo de peixe, só pra desolarem os corações enamorados, arre égua! E até agora só engordam os boatos. Das muitas que contam, a pior é que são chamadas de Anjas da Morte. Por que? Bem, dizem que visitaram seu Joãozito de Trapiche, visita assim de cortesia. Três dias depois, o homem estava sepultado no cemitério da cidade. Tá, morreu de quê? De tanto rir. Como? O mesmo se deu com Joaquinildo Pezão que, talqualmente o anterior, gozava de suas plenas saúdes físicas e mentais. Três dias depois, foi pro saco. Seu Arquimenildo de Piruela, nunca se soube de homem mais sadio; tiro e queda: findou de pés juntos com dizeres numa lápide linda de morrer. Ah, Dona Carmelindonha fez até uma festa quando elas chegaram, de juntar gente no fuzuê da risadagem. Não deu outra, morreram todos os comparecentes, um atrás do outro, encarreados. Daí, não demorou muito, as duas passarem por famigeradas Anjas da Morte. Quem era doido de querer visita das duas? Pois bem, de tanto pintarem e bordarem de tudo juntos só no amiudado: Desaperrei, véio! Morriam de rir. Tem mais: depois de trocentos contatos de quinto grau com uma tuia de alienígenas doutras tantas galáxias, casarem e descasarem com seus respectivos maridos em divórcios ruidosos e cheios de perdas e danos, se apaixonarem por Josés e Manoéis que vieram e passaram batidos, tudo no descanso do além. E elas soltando as maiores pinoias da paróquia. Daí de anjas pras viúvas, elas se viram mortas passeando na cidade. Como é que pode? Não havia ninguém por onde passassem. Inicialmente achavam-se invisíveis, ninguém mais as viam. Será mesmo, mulher? Vamos ver. Encontraram um sujeito estranho e perguntaram se ele estava vivo: Eu? Já fui. Num disse, mulher, a gente está mortinha da silva, tais vendo? Zanzaram que só, não havia um pé de gente na rua. E, quem encontrassem, passava de nem vê-las. Deram, enfim, num bar que abria e encostaram à garçonete: Minha filha, traga logo uma cerveja que quero ver se é igualzinha a da gente. Era. Dali mais um pouco, encostaram à garçonete aos cochichos: Você está viva? A garçonete encarou e disse pra si: Duas bêbadas uma hora dessa da manhã, não pode. Entrou na jogada, sacou. Não, morri no ano passado. Teté e Loló entreolharam-se e caíram na gaitada. Beberam tanto e só acordaram dias depois num velório. Eita! De quem? Da garçonete. Morreu de quê? Ah, ela teve uma crise de riso e babau. Valha-me! Até ela. Vôte. Elas querem falar comigo, uma visitinha de nada. Eu, hem? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da cantora, compositora, instrumentista e produtora musical Marisa Monte: Memórias, crônicas e declarações de amor, Inteira, Diariamente & Bem que se quis & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Quando observamos a quantidade e a variedade de estabelecimentos de ensino e de aprendizado, assim como o grande número de alunos e professores, é possível acreditar que a espécie humana dá muita importância à instrução e à verdade. Entretanto, nesse caso, as aparências também enganam. Os professores ensinam para ganhar dinheiro e não se esforçam pela sabedoria, mas pelo crédito que ganham dando a impressão de possuí-la. E os alunos não aprendem para ganhar conhecimento e se instruir, mas para poder tagarelar e para ganhar ares de importantes. A cada trinta anos, desponta no mundo uma nova geração, pessoa que não sabem nada e agora devoram os resultados do saber humano acumulado durante milênios, de modo sumário e apressado, depois querem ser mais espertas do que todo o passado. É com esse objetivo que tal geração frequenta a universidade e se aferra aos livros, sempre aos mais recentes, os de sua época e próprios da sua idade. Só o que é breve e novo! Assim como é nova a geração, que logo passa a emitir seus juízos – Quantos aos estudos feitos simplesmente para ganhar o pão de cada dia, nem os levei em conta. Em geral, estudantes e estudiosos de todos os tipos e de qualquer idade têm em mira apenas a informação, não a instrução. Sua honra é baseada no fato de terem informações sobre tudo, sobre todas as pedras, ou plantas, ou batalhas, ou experiências, sobre o resumo e o conjunto de todos os livros. Não ocorre a eles que a informação é um mero meio para a instrução, tendo pouco ou nenhum valor por si mesma, no entanto, essa é a maneira de pensar que caracteriza uma cabeça filosófica. [...]. Trecho de Sobre a erudição e os eruditos, extraídos da obra A arte de escrever (L&PM, 2017), do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860). Veja mais aqui e aqui.

DO SENTIMENTO DE NÃO ESTAR DE TODO – [...] Sempre serei como um menino para muitas coisas, mas um desses meninos que, desde o começo, carregam consigo o adulto, de maneira que, quando o monstrinho chega verdadeiramente a adulto ocorre que, por sua vez, carrega consigo o menino, e nel mezzo del cammin dá-se uma coexistência poucas vezes pacífica de pelo menos duas aberturas para o mundo. Pode-se entender isso metaforicamente porém indica, em todo caso, um temperamento que não renunciou à visão pueril como preço da visão adulta. E essa justaposição, que faz o poeta e talvez o criminoso, e também o cronópio e o humorista (questão de doses diferentes, de acentuação aguda ou esdrúxula, de escolhas: agora jogo, agora mato) manifesta-se no sentido de não estar de todo em qualquer das estruturas, das teias que a vida arma e em que somos simultaneamente aranha e mosca. [...]. Trecho extraído da obra Histórias de cronópios e de famas (Civilização Brasileira, 1972), do escritor argentino de origem belga Julio Cortázar (1914-1984). Veja mais aqui e aqui.

CONHECER A CIDADE - [...] Essa cidade que não se elimina da cabeça é como uma armadura ou um retículo em cujos espaços cada um pode colocar as coisas que deseja recordar: nomes de homens ilustres, virtudes, números, classificações vegetais e minerais, datas de batalhas, constelações, partes do discurso. Entre cada noção e cada ponto de itinerário pode-se estabelecer uma relação de afinidades ou de contrastes que sirva de evocação à memoria. De modo que os homens mais sábios do mundo são os que conhecem. [...]. Trecho extraído da obra As cidades invisíveis (Folha, 2003), do escritor italiano Ítalo Calvino (1923-1985). Veja mais aqui.

O TRABALHO SEM A ESPERANÇA - Inteira movimenta-se a Natureza. As lesmas suas tocas deixam. / Movimentam-se as abelhas – os pássaro voos alçam – / E o Inverno, dormitando ao ar livre, /Exibe, no sorriso do rosto, de Primavera um sonho! / Enquanto isso, eu apenas algo inútil represento. / Mel não faço, nem caso, nem crio, nem canto. / Sei, contudo, que as margens, nas quais amarantos desabrocham, / A fonte encontraram, da qual fluem os arroios. / Desabrochai vós, ó amarantos! Desabrochai pra quem puderdes. / Pra mim, não desabrochais! Ricos arroios, pelo vosso curso deslizai! / Com lábios ofuscados, caminho com desgrinaldada fronte./ Entenderíeis os encantos que minha alma entorpecem? / O trabalho sem a Esperança néctar extrai numa peneira. / Sem um objetivo a Esperança morre. Poema do poeta, crítico e ensaísta inglês Samuel Taylor Coleridge (1772-1834).

SINHÁ TERTA
Desde pequenos meus três filhos ouviram minhas “histórias de Trancoso”. Usava das mesmas artimanhas de Sinhá Terta. Sentados à minha volta, eu dramatizava as falas, os gestos e saía contando fábulas, histórias de reis, rainhas, fadas boas e más, palácios encantados e lindas princesas. Era uma tranquilidade: de olhos esbugalhados, concentrados, acompanhavam todo o desenrolar das narrativas. Perguntavam e riam muito. Já existia a televisão mas era importante para mim, como mãe, repassar para eles as fantasias, sonhos e aventuras por mim vivenciados na infância. agora, a mesma dedicação tenho com Fausto, meu querido netinho, que ouve atentamente historias criadas ao saber da minha imaginação com os personagens que ele mais gosta: Lulu, Lele e Lili. E Sinhá Terta, para você que não tiveram o privilégio de conhecê-la, foi a fada boa que me viu nascer e aos meus irmãos [...] e com bondade e meiguice, nos fez viver uma infância feliz, plena e cheia de amor. [...].
Trecho de Uma forte presença na minha vida: Sinhá Terta, extraído da obra O príncipe do reino das sete luas e outras histórias (CEPE, s/d), da jornalista, advogada, escritora e jardinista Tereza Figueiredo.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

A poesia absoluta, o destino poético e o futuro da poesia & muito mais na Agenda aqui.
&
A redenção do amor, o pensamento de Etienne Souriau, a arte de Leila Diniz & Luciah Lopez, a música de Edu Lobo, Chiquinha Gonzaga, Renato Borghetti & Zélia Duncan aqui.
&
Você tem medo de quê?, O medo líquido de Zygmunt Bauman, O santuário do eu de Ralph M. Lewis, A arte de Sophia Narrett, a música de Quinteto Violado, Rachel .Podger, Duofel & Meredith Monk aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo. Fone: 11 98499-2985.
 

quarta-feira, julho 08, 2009

MARSHALL ROSENBERG, HERMILO, DICKINSON, HERRIGEL, RONALD DE CARVALHO, COLERIDGE, BEUYS, SCHOPENHAUER, KAREL APPEL & MUITO MAIS!

Pensar é esculpir. A revolução somos nós. Todo homem é um artista.
Rayo iluminando un venado, arte do artista alemão Joseph Beuys (1921-1986). Veja mais abaixo, aqui e aqui.

OS DIAS PASSAM E A GENTE VAI PASSAGEIRO – Imagem: Das-Paar, 1952-slash-1953, arte do artista alemão Joseph Beuys (1921-1986). UMA: A VIAGEM DOS LIVROS – Sempre fui achegado aos livros, desde menino quando descobri umas imagens de mulheres nuas numas enciclopédias massudas que repousavam enfileiradas nas estantes da biblioteca paterna. Cheguei neles com a curiosidade de saber o segredo que levava o meu pai a folheá-los e ficar ali entretido por horas. Queria saber e, como era proibido de entrar lá por ordens da minha, aproveitei um cochilo na vigilância dela e furtivamente invadi o gabinete. Tinha livro que só, estantes ocupando todos os espaços do ambiente. Peguei o primeiro que me deu na telha: um pesado e grosso volume que me chamou atenção. Comecei a folhear, páginas inteiras de letras e figuras de gente desnuda. Enquanto examinava uma imagem de uma mulher belíssima e despida, fui pego no flagra! Vigilância redobrada, até o dia que meu pai lia e eu invadi o ambiente perguntando o que tinha tanto nos livros, e a resposta foi ele retirar um numa das estantes e me entregar. Já sabia ler, eram as fábulas dos irmãos Grimm. Como era bom ler. Nunca mais larguei os livros por causa da Emily Dickinson: Não há melhor fragata que um livro para nos levar a terras distantes. Aonde quer que eu vá, seja em que lugar for, a primeira coisa que procuro são estantes ou livros. DUAS: DE BARULHADA & DESINTELIGÊNCIA – A leitura nunca exigiu de mim silêncio na redondeza. Em qualquer lugar que estivesse, nos ônibus, na redação do jornal, nas salas de espera, no ambiente de trabalho, lá estava eu com as vistas nos parágrafos, sem me dar conta de nada ao redor. Com o tempo fui perdendo essa habilidade, infelizmente. Hoje esse mundo barulhentíssimo e cheio de gente ofendida com seus amostramentos e pantins dificultam e muito, mas não impedem minhas leituras. O que tem de motor roncando e chatura de palradores tagarelas, não dá pra mensurar o tanto da estupidez desperdiçada a torto e a direito. Já diziam Schopenhauer: A soma de barulho que uma pessoa pode suportar está na razão inversa de sua capacidade mental. Confesso: haja paciência. TRÊS: E O QUE DIZER DO AMOR? - Ah, sempre soube: o amor é cego e cega! Nem havia levado a sério quando li Coleridge: A paixão cega nossos olhos e a luz que a experiência nos dá é de uma lanterna na popa que ilumina apenas as ondas que deixamos para trás. A adolescência deixa escapar cada coisa! É que eu estava cego de paixão por tudo: mulheres, livros, músicas, artes, natureza, vida! Encantado com tudo segui por toda maior parte até da minha maturidade. Não perdi o encanto nem me arrependi de nada que fiz, faria tudo de novo! De forma correta ou não, foi o melhor que pude fazer. Claro que têm coisas absurdas de me escandalizar no que fiz, obviamente! Já me condenei trocentas vezes e mais inexorável que os algozes e desafetos. Sempre achei que a vida foi justa comigo, sobretudo nas penalizações. E até me julgo um sujeito de sorte, apesar dos pesares. Não sou perfeito, contudo foi o que pude, o melhor e a opção que eu tinha quando cometi ou deixei de fazer. Nunca usei dolo, nem quis prejudicar ninguém, consciência tranquila. Se algum prejuízo causei foi a mim mesmo, nunca a outrem; e paguei todos os patos e dívidas, até as que não devia, acredito! E vamos aprumar a conversa e até amanhã! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.


DITOS & DESDITOS - Nunca questione a beleza do que se diz, quando alguém reage com dor, julgamento ou crítica. Significa apenas que esse alguém não te ouviu. Para praticar o processo de resolução de conflitos, devemos abandonar completamente o objetivo de levar as pessoas a fazerem aquilo que nós queremos. A violência vem da crença de que as outras pessoas causam a nossa dor e, portanto, merecem punição. Toda violência é o resultado das pessoas enganarem a si mesmas, acreditando que a dor delas deriva de outras pessoas e que, consequentemente, essas pessoas merecem ser punidas. Nós nunca ficamos com raiva por causa do que os outros dizem ou fazem. É o nosso pensamento que nos deixa com raiva. Raiva, depressão, culpa e vergonha são o produto do pensamento que está na base da violência no nosso planeta. No cerne de toda a raiva há uma necessidade que não está sendo satisfeita. As análises que fazemos dos outros são, na verdade, expressão das nossas próprias necessidades e dos nossos próprios valores. A paz não pode ser construída com alicerces no medo. A paz requer algo muito mais difícil do que vingança ou simplesmente dar a outra face; requer empatia com os medos e necessidades não satisfeitas que criam o ímpeto para as pessoas se atacarem umas às outras. Estando conscientes desses sentimentos e necessidades, as pessoas perdem o desejo de atacar de volta porque podem ver a ignorância humana que leva a esses ataques. O que eu quero na minha vida é compaixão, um fluxo entre mim e os outros baseado em uma doação mútua do coração. À medida que vamos aprendendo a falar do coração, mudaremos os hábitos de uma vida. Pensamento do psicólogo Ph.D. estadunidense Marshall Rosenberg (1934-2015). Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: O conhecimento isola fenômenos e coisas a serem observadas ... nada é isolável ou pode ser removido de seu ambiente. Tudo o que se torna isolado deixa de existir. É como a violenta recusa de alguém em jogar um jogo no qual todos trapaceiam. Pensamento do escritor, pintor e escultor neerlandês Karel Appel (1921-2006). Veja mais aqui.

A ARTE CAVALHEIRESCA DO ARQUEIRO ZEN - [...] chamou a atenção para a forma nobre que possui o arco, de quase dois metros de comprimento, quando armado com a corda, e que se manifesta de maneira surpreendente quanto mais é tensionado. “Quando estiramos a corda ao máximo”, disse-nos o mestre, “o arco abarca o universo, e por isso é importante saber curvá-lo adequadamente”. Em seguida, escolheu o melhor e o mais resistente dos seus arcos e, numa atitude solene, fez a corda vibrar repetidas vezes, extraindo um som ao mesmo tempo grave e agudo que, depois de se escutar algumas vezes, jamais se esquece, tão original e irresistível é a maneira como ele chega ao coração. Desde tempos remotos se atribuiu a esse som o misterioso poder de afastar os mais espíritos: eu podia, então, compreender por que tal crença se arraigara no povo japonês. [...] Quando eu liguei a luz sobre o alvo, descobri, para minha surpresa, que a primeira flecha atingiu em cheio o meio do preto, enquanto a segunda flecha tinha estilhaçou a coronha da primeira e entrou pelo eixo. [...]. Trechos extraídos da obra A arte cavalheiresca do arqueiro zen (Pensamento, 1997), do filósofo alemão Eugen Herrigel (1884-1955), introdutor da filosofia Zen em grande parte da Europa.

SABEDORIA - Enquanto disputam os doutores gravemente / sobre a natureza / do bem e do mal, do erro e da verdade, / do consciente e do inconsciente; / enquanto disputam os doutores sutilíssimos, / aproveita o momento! / Faze da tua realidade / uma obra de beleza / Só uma vez amadurece, / efêmero imprudente, / o cacho de uvas que o acaso te oferece… Poema do escritor brasileiro Ronald de Carvalho (1893-1935). Veja mais aqui.


RUBÃO CONTA POESIA MATUTA – Há anos atrás, quando eu ainda trabalhava na emissora Quilombo FM, de Palmares, certa manhã acordei ouvindo o programa Forró Povão, do radialista Toínho Du Rego, quando me apareceu Rubão contando causos. Oxente! Eu conhecia Rubão desde menino, mas não sabia dessa sua versatilidade. Incrédulo, dei uma carreira no estúdio da emissora e lá vi in loco Rubão metendo bronca nos causos e poesias matutas. Aí, não deu outra, acertei com o locutor do horário a presença do Rubão por lá porque era original e uma das boas coisas que aparecera para melhorar a nossa programação. Anos se passaram. Domingo passado, no Encontro dos Palmarenses de Maceió, dou uma barruada com o Rubão que esfrega na minha venta o “Rubão conta poesia matuta”, um cd com histórias, causos e poemas de Daniel Cavalcanti, aquele mesmo do “Ini riba do grande hoté Boa Viagem a coisa é mermo que quejo”, também dos não menos famosos Zé da Luz, Jessier Quirino, Zé Laurentino, Zé Brejeito, do poeta palmarense Zé Maria Sales Pica Pau e muito mais. Simplesmente arretado!!!!O cd foi gravado em 2009, com produção de Zé Linaldo, capa de Wilson Fotografias e com um excelente bom gosto. Contatos para show de Rubão: 81.9986.0247, 8761.2076 e 9123.5008.




A DONZELA ARREVESADA – Esta é a foto do grupo teatral que encenou a peça A donzela Arrevesada, representações do grotesco e dos afetos num conto de Hermilo Borba Filho. Veja mais aqui.



PAPO DO DORO – Vixe! O Doro sai com cada uma! Agora foi mais essa que ele aprendeu com não sei quem. Ele destabocou que a mulher de casa é feito galinha de granja: cheirosa, perfumada, limpinha, mas insossa e só dá pra encarar na base do Viagra. Mulher da rua é feito galinha de capoeira: come merda, rasga dinheiro, só traz desgraça, fede que só, mas a carne é de primeira, chega dá gosto de comer! Hehehehehehehe. Veja mais aqui.

PAPO DO DORO 2: CASAMENTO – Casamento é o caminho da peste, só basta 1 besta e 1 sabida, pronto. Se juntou, tai o começo da desgraça. E se botar papel com assinatura no meio, fudeu tudo na vida do coitado.

ELUCUBRAÇÕES DO DR. ZÉ GULU – Contradições do Brasil: a elite mameluca e bandeirante vive revoltada porque nasceu aqui quando só queria ter nascido na Suiça e morar em Miami. A classe média misturada vive revoltada porque queria ter nascido aristocrata e só vive abaixo da cagada, indômita de medo de empobrecer ou ser roubada pela patuléia. Já as classes de C a Z vivem revoltada porque não têm nada, vive de sonhos e da TV, se matando e se fodendo, se avolumando e morrendo na torcida do circo pegar fogo para que um dia a casa caia e, aí, quem sabe, Jesus, no fim, salve todos dessa melecada toda. Eita, povinho besta esse, hem? Veja mais aqui.



HUMORECO – JERONIMO NETTO – um blog arretado é editado pelo pernambucano Jeronimo Neto. Ele é um profissional que um curriculum daqueles, pois já colaborou por alguns anos na Edições Bagaço e no Papa-Figo, e finalmente plantando raízes em Maceió – AL onde trabalhou em O JORNAL, TRIBUNA DE ALAGOAS, ALAGOAS EM TEMPO, A NOTÍCIA e é colaborador do jornal TRIBUNA DO SERTÃO (Palmeira dos Índios). Já publicou um livro de poesias em pequeníssima edição, projeto que ainda espera momento para retomar. Agora por simples falta do que fazer resolveu criar o blog Humoreco, projeto antigo que já foi posto em prática (impresso) por 29 semanas em 2002. Confira: http://humoreco-al.blogspot.com/



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Tem horas que até o amor fala grego, Lev Vygotsky, Rachel de Queiroz, Ledo Ivo, Chick Corea & Friedrich Gulda, William Shakespeare, Jean-Luc Godard, Auguste Rodin, Agnolo Bronzino & Marina Vlady aqui.

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Villa Caeté aqui.
A poesia do cordel de Chico Pedrosa, Bob Motta & Jorge Filó aqui.
A poesia viva de Raymundo Alves de Souza aqui.
Cordel Ais coisa qui tu me diz..., de  Bob Motta aqui.
Literatura de cordel: Mulher cariri, cariri mulher, de Salete Maria – Cordelirando aqui.
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...