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terça-feira, setembro 29, 2020

NERUDA, LILIANA SULZBACH, ALMODÓVAR, PAIGE BRADLEY, BRENNAND, CATARINA ABI-EÇAB, ORSON SCOTT CARD & ERATO

  


TRÍPTICO DGF – AQUELA DA... ENTRE A ESCOLHA & O ARREPENDIMENTO - Das escolhas as minhas culpas, carrego o mundo e sem resmungar. Já havia aprendido com Neruda: Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências. No rádio a barulhada do reporte instando Doro: Candidato, você compra voto? Sou um liso, faço, viro e mexo, dou nó em pingo d’água! Mas se tivesse bufunfa, compraria todos os votos e seria o maioral, aí você veria o que é governar, oxente! E ao votar, o senhor vende seu voto? Só voto em quem pagar mais! Não dou meu voto de graça, nunca, ora se! (Ploft! Pausa pros nossos comerciais!). Doro nunca ouviu Kant: Se o homem faz de si mesmo um verme, ele não deve se queixar quando é pisado. Muito menos Sílvio de Almeida: Não é a politica que transforma homens em corruptos, é votar em bandidos que torna a politica suja! Sei o que é um voto moral e a praga do voto vendido, porque sempre soube do que dizia Orson Scott Card: Se os porcos pudessem votar, o homem com o balde de comida seria eleito sempre, não importa quantos porcos ele já tenha abatido no recinto ao lado. Mas acontece que no Fecamepa tudo é possível, ora! Na dúvida, a descarga.

 


DUAS: A VERGASTA DO ERRO - Quando soube de Catarina Helena Abi-Eçab, lembrei-me de Labibe, aquela mesma que foi abatida num primeiro de abril & as que são esmagadas no Bom Pastor. Era sessão de estreia do premiado drama documentário O cárcere e a rua (2004), da cineasta, cientista política e jornalista Liliana Sulzbach, que conta a história de presidiárias da Penitenciária Madre Pelletier: Meu interesse não era mostrar a rotina de uma cadeia feminina, mas a capacidade do ser humano de se adaptar às adversidades, independentemente da idade. A diretora também dirigiu os curtas A cidade (2012), A invenção da infância (2000), O branco (2000), Continuidade (1997), O pulso (1997) e Batalha naval (1992), além de ter trabalhado na Spiegel TV Alemanha, como autora e diretora de documentários, e na Hamburger Kino Kompanie/Hamburgo como assistente de direção e montagem de longas-metragens, entre outras atuações na área. Lembrei mais do que ouvi de Beauvoir: O presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da ação. Sigo adiante com almãos à obra, pé na estrada.

 


TRÊS: A REMISSÃO NO AMOR – Imagem: Erato, arte da escultora estadunidense Paige Bradley. - Ah, o amor serenou e brotou em mim como se fora a Flor de lis: a pureza corpalma na comunhão sagrada do Tao. Olvidei de Almodóvar: Existe a necessidade absoluta de se sentir desejado e neste círculo do desejo é muito raro que dois desejos se encontrem e se correspondam o que é uma das grandes tragédias do ser humano. Sim, porque é mutual: eu a amo e ela a mim. O meu desejo acende a gula com a sua sedução amável de Erato e me dá a lira para que o canto seja sempre entoado e todas as canções e poemas sejam meus para ela. E me chega nua coroada de mirto e rosas, a dispensar o arco e se armar do meu sexo para suas façanhas urgentes e prazerosas, a me dar o que de céu é o paraíso na minha vida infernal. Sou-lhe grato e súdito, beijo-lhe os pés, as pernas, coxas e sexo, enquanto sou hinos em seu louvor da música das esferas cosmogônicas, para saborear da vida como quem ama e é amado. Até mais ver.


CRÔNICA DE AMOR POR ELA


Veja mais aqui.

 

OFICINA CERÂMICA FRANCISCO BRENNAND

Não interrompam este silêncio, não interrompam este sonho. Ausente das regras: não pinto como um bom pintor; nem como um pintor antigo, nem como pintor moderno. Não pinto também como um mau pintor, seja ele um louco que pinta, ou um pintor enlouquecido. Nada disso: não pinto mal nem bem, pinto às vezes como Francisco Brennand.

Trecho extraído da obra Oficina cerâmica Francisco Brennand (AIP-Perfis Pernambucanos, 1997), da jornalista, historiadora, professora e escritora, Marilourdes Ferraz, tratando sobre a vida e a obra do artista, escultor e ceramista Francisco Brennand (1927-2019), autor da Oficina Cerâmica e do Parque das Esculturas, observando-se na obra o guerreiro, as peculiaridades de mestre em cerâmica, o diário de um artista quando jovem, o mestre dos sonhos, depoimentos e fotografias. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 



segunda-feira, março 02, 2020

MANON GARCIA, GUITA CHARIFKER, HELENA ANTIPOFF, SABRINA PASTERSKI, YENNE LEE, DINÁ DE OLIVEIRA, TYLLA & ERICK


TODO DIA É DIA DA MULHER – PRIMEIRA: É COM ELAS QUE EU VOU: ELAS SIM! – Gentamiga, está tudo muito chato! Nossa, a maior sem-gracice: quanta paranoia, asneiras e retrocesso. Os coisomínios&mínias acharam de embaçar tudo, oh, turminha retrógrada com suas beldades equivocadas! Pelo menos uma coisa se salva, isso sim: as que estão reinventando este país desde o #Ele não! E na lata da marmanjada! Estou com elas! E é com elas que vou e sempre! E, por sinal, muito bem acompanhado da não menos idolatrada Chiquinha Gonzaga & cantando: Ô abre alas que eu quero passar! Com elas é sempre um dia de sol com tudo colorido. Vamos nessa! SEGUNDA: INVENTAR, REINVENTAR, DESINVENTAR - Todo dia invento, reinvento e desinvento a minha vida: de manhã, saio de casa pro trabalho sobrecarregado de sonhos e perspectivas. Não é pra menos, né? De tarde, se nada deu certo, reinvento, sigo adiante. De noite, mesmo meio arreado, desinvento tudo, vou pra prancha, repasso, reescrevo e, mais que baqueado, junto os cacos e, do que sobrou dos trapos que restaram de mim, me sacudo na cama e ronco até o dia raiar – às vezes chego antes. O hoje chega como se não houvesse amanhã, invento tudo de novo, todo dia e o dia todo. E com Tarsila do Amaral: Eu invento tudo na minha pintura. E o que eu vi ou senti, eu estilizo. Minha força vem da lembrança da infância na fazenda, de correr e subir em árvores. E das histórias fantásticas que as empregadas negras me contavam. Quer melhor companhia? Ora, ora, dou minhas tacadas! TERCEIRA & ÚLTIMA ASSOMBRANDO TUDO!- Agora, chega! De saco cheio não tem aquela de que um elefante chateia (pior um só coisomínion ou a, unzinho só); dois, muito mais; três, peraí, passou da conta, meu, paciência! Mas, isso sim, isso é que tem graça pra mais da conta! O quê? É que Einstein também ressuscitou! De mesmo! E o melhor: mulher! Num diga? Ora se! E está agora assombrando o mundo com apenas 26 aninhos, neném. O nome dele agora? Anote: Sabrina Gonzalez Pasterski! Simplesmente uma gringuinha estadunidense, lindinha, fofinha, física teórica e um amor de gente! Veja o que ela disse quando foi assediada pela imprensa mundial: Levei como motivação. Eu não acho que eu teria me importado tanto em ir bem academicamente se eu não tivesse algo a provar. Hehehehehe! Danada, hem? E olhe que não sou papa-anjo, sou muito mais uma rainha-loba poética, aí, sim! Destá! Se um já era bom, agora mulher é muito melhor!!! Vamos aprumar a conversa, gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Não ser submissa exige um combate constante e exaustivo. [...] Um dos exemplos mais evidentes é a submissão sexual. Mas não só. O que está em jogo aqui é que as mulheres são educadas segundo normas sociais marcadas pelo gênero. Essas normas dizem que a mulher deve esperar o príncipe encantado, que um homem virá seduzi-la, que há uma oposição entre a passividade das mulheres e a atividade dos homens, e que tudo isso constrói um erotismo e uma vida interior que consiste em se considerar como uma presa. E ao se considerar uma presa, há um sentimento de ter cumprido com o papel para o qual foi programada. É complicado, especialmente às mulheres feministas: se casar e dizer: “Finalmente um homem se casou comigo”. É difícil escapar dessas normas sociais. E produzem prazer, a impressão de que se fez bem as coisas. Acho interessante a reação de algumas mulheres com as tarefas de casa. Conheço mulheres independentes e feministas que após passar roupa, e por mais que o vejam como alienação, dizem a si mesmas: “Ah, sou uma boa mãe e uma boa esposa”. Minha ideia de submissão implica um mínimo de capacidade de ação. Não se pode falar de submissão a menos que as mulheres tenham mais ou menos os mesmos direitos que os homens no plano legal. Não podemos dizer que uma mulher que não tem nenhuma existência jurídica está submetida a um homem: é sua escrava. Não têm a liberdade de consentir sua submissão. [...]. Trechos da entrevista concedida pela filósofa francesa Manon Garcia, doutora em filosofia e docente em várias universidades dos Estados Unidos, além de ser uma renovadora do existencialismo, propondo uma releitura e atualização do feminismo, autora do livro On ne naît pas soumise, on le devient (Não se nasce submissa, torna-se – Flamarion, 2018), uma paráfrase à máxima de Beauvoir: Não se nasce mulher, torna-se mulher. Veja mais aqui.

EDUCAÇÃO – [...] Na escola, será o mestre que aplicará tal método. Ele tornará seu trabalho mais interessante e mais fecundo, porque seu ensino todos os dias não lhe servirá para instrução de seus alunos, mas para a instrução de si mesmo sobre seus alunos. [...] O que me preocupa ainda é sobretudo a harmonia entre os homens, aquela constante afabilidade, o respeito e a confiança mútua que devem existir entre todos aqueles que convivem, construindo o futuro e o presente [...] Movido pelo simples sentimento de compaixão, como pela convicção mais radical, o povo tem de se decidir a melhorar a sorte desta infância, hoje apenas miserável, amanhã, talvez, miserável, revoltada e perigosa [...]. Trecho extraído da obra Caso de imagem eidética (Archives de Psychologic, 1927), da psicóloga e pedagoga Helena Antipoff (1892-1974). Sobre a sua vida e obra, está disponível as publicações Helena Antipoff: sua vida, sua obra (José Olympio, 1975), escrito por seu filho Daniel Antipoff e, também, Helena Antipoff: Textos escolhidos (Massangana, 2010), elaborado pela professora Regina Helena de Freitas Campos, e o documentário Helena Antipoff (Atta Mídia/Paulus, 2011). Veja mais aqui e aqui.

A MÚSICA YENNE LEE
A arte da premiada violonista e professora sul-coreana Yenne Lee, que lançou seu primeiro álbum, Beautiful (2016), e possui uma sólida formação em música clássica, com doutorado da Manhattan School of Music e mestrado pela Mannes College of Music, afora o bacharelato pela Seoul National University. Ela leciona violão no Vassar College e na Rutgers University Mason Gross School of the Arts Extension Division. Veja mais aqui.
&
TYLLA2
A arte da dupla Erick & Tylla reunidos na nomenclatura Tylla2. Ela, Tylla de Jahfari é cantora e apresentadora do programa Show Adventure; e ele, Erick Nelson, é compositor e guitarrista. Eles já lançaram o álbum Babilônia na Lona (2018) e ganharam o 2º lugar no Arte do Solo – Festival da Canção, promovido pela Fundação de Hermilo Borba Filho. O programa Show Adventure vai ao ar todos os sábados, a partir das 12:30hs, pela LigTV. Veja mais deles aqui, aqui , aqui e mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte foi mais forte e me chamou. Hoje, sei que o ecumenismo é a única saída para as intolerâncias religiosas. Deus é um só e é nele que creio. As religiões são meras linguagens para falar de um mesmo Deus. Sou uma pessoa mística, mas não frequento sinagogas. Nas minhas aquarelas posso me dar à liberdade de pintar um menorah, um espelho de Oxum ou uma Santa Luzia com os olhinhos na mão. Importa-me apenas o deleite artístico e espiritual.
GUITA CHARIFKER – A arte da pintora, desenhista, gravurista e escultora Guita Charifker (1936-2017), estudou desenho e escultura no Ateliê Coletivo da Sociedade de Arte Moderna (SAMR), no Recife, e organizou o Ateliê Coletivo, em Olinda, com pintor Gil Vicente, José Cláudio e Gilvan Samico, entre outros, em 1985. Sua obra está reunida no livro Viva a Vida! Guita Charifker: aquarelas, desenhos, pinturas (Secult, 2001), e em 2003 são apresentadas exposições retrospectivas no Museu Nacional de Belas Artes – MNBA, Rio de Janeiro, e na Pinacoteca do Estado de São Paulo – Pesp. Veja mais aquiaqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER PERNAMBUCANA
A arte da atriz, jornalista, professora, pianista e compositora Diná de Oliveira (Esmeraldina Sarmento da Rosa Borges de Oliveira – 1907-1998), fundadora do Teatro de Amadores de Pernambuco.
Documentário Nordeste, do médico, professor catedrático, pensador, ativista político e embaixador do Brasil na ONU, Josué de Castro (1908-1973) aqui & aqui.
Fome, criança e vida, do cientista e médico nutrólogo Nelson Chaves (1906-1982) aqui & aqui.
A prosa filosófica de Reginaldo Oliveira aqui e aqui.
O frevo aqui, aqui & aqui.
Viagem pelas maravilhas de Recife & Olinda na arte de André Cunha aqui.
Teatro Infantil: O lobisomem zonzo aqui e aqui.
Agrestina, o município aqui, aqui & aqui.
A poesia de Silvio Romero Barbosa Leite aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quinta-feira, setembro 19, 2019

PAULO FREIRE, LOUZEIRO, MARIA CECÍLIA MANSUR, SARAH HARVEY & A VIDA E O VIVER


A VIDA E O VIVER – A vida dá muitas voltas, feliz de quem entra na onda e consegue sair dela. O que hoje é tido no maior valor, amanhã poderá não ter a menor valia. Ou, o ínfimo de agora, fortuna amanhã. Nunca se sabe. Cada coisa possui razão de ser; de onde menos se espera, acontece. Como diz o escritor estadunidense John Gardner (1933-1982): “Por trás de todo problema existe uma oportunidade brilhantemente disfarçada”. Vale o olhar da descoberta e as lições advindas das experiências. Nada mais. O que virá depois, nunca se sabe, realmente. Algumas ideias chegam promissoras e, parecem, prontas pro sucesso; muitas – ou quase todas -, ao contrário, fadadas ao fracasso. Para alguns, êxito é pura sorte; para outros: resultados da determinação. Cada qual sua sina de Perseu diante da Medusa: ou prospera degolando a cabeça de todas as adversidades, ou se petrifica diante do primeiro obstáculo. Aos que venceram, louros; aos derrotados, o amargor da decepção. Todos seguem para novo desafio. Alguns compram na esquina, embora não saibam sequer ser e ter. Entretanto, a vida, na vera, é outra coisa. Talvez a coragem para arrebentar as redomas intransponíveis, tirar a corda do pescoço, livrar-se da espada de Dâmocles, arrancar as mordaças da resignação, abrir as vistas vendadas pelo sectarismo, sair daquela do sal se pisando, deixar de pagar pato indébito, saber ralar no trampo, sentir o gosto ruim das derrocadas. Quantas tempestades, mínimas bonanzas; quantos aperreios de arrancar os cabelos, quantas noites em claro, quantos trejeitos dos que são do contra suplantando os cacoetes dos que estavam a favor, quantas portas na cara, quantos planos abortados, quantas somas noves fora nada, quantas projeções invalidadas, quantos nocautes de última hora. Se não aprender, refazer a lição. O usual é: se há perigo iminente, abandonar do navio, o último que apague a luz - a covardia, ou esperteza, como expediente de fuga. Há outra coisa: é como a semente não saber da raiz; a raiz, o tronco; o tronco desconhecer dos galhos; os galhos não enxergarem folhas, flores e frutos. E, ao primeiro vendaval, sair fora – quem é doido para experimentar dos segredos dos abismos, da valia das quedas, o gosto da perda, a dor de aprender os mistérios do visinvisível ao nosso redor. Para quem persevera tudo é imprevisível; dar ou não certo, quem sabe; persistir segurando a primavera nos dentes, seja para o que for, saberá: uma esperança e o desconforto da dúvida. Todavia, quem desiste, nunca saberá o gosto de qualquer vitória. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Nada ou quase nada existe em nossa educação, que desenvolva no nosso estudante o gosto da pesquisa, da constatação, da revisão dos “achados” — o que implicaria no desenvolvimento da consciência transitivo-crítica. Pelo contrário, a sua perigosa superposição à realidade intensifica no nosso estudante a sua consciência ingênua. A própria posição da nossa escola, de modo geral acalentada ela mesma pela sonoridade da palavra, pela memorização dos trechos, pela desvinculação da realidade, pela tendência a reduzir os meios de aprendizagem às formas meramente nocionais, já é uma posição caracteristicamente ingênua. Cada vez mais nos convencemos, aliás, de se encontrarem na nossa inexperiência democrática, as raízes deste nosso gosto da palavra oca. Do verbo. Da ênfase nos discursos. Do torneio da frase. É que toda esta manifestação oratória, quase sempre também sem profundidade, revela, antes de tudo, uma atitude mental. Revela ausência de permeabilidade característica da consciência crítica. E é precisamente a criticidade a nota fundamental da mentalidade democrática. [...] A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa. [...] Trechos extraídos da obra Educação como prática da liberdade (Paz e Terra, 1967), do educador e filósofo Paulo Freire (1921-1997). Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: [...] Como fugir das pás do moinho? Como interromper a correnteza do rio? Era impossível. [...] Um dia na solitária, no descampado de silêncio, patas do cão sem nome arranhando as pedras, teve um desejo invadindo-lhe o corpo, dominando-o até atingir os olhos rasos de lágrimas. Gostaria de ser um cão, como esse, sem dono e sem companhia. Ir por aí. Pelos caminhos e gramados. Perder-se onde o sol tira faíscas da areia, derrama ouro na grama e as borboletas ganham o mel e as flores [...] Volta à cela, apaixonado com a ideia de tornar-se pintor [...] O ódio não termina nunca. E aqui é a vasilha onde todo o ódio do mundo se junta. Adeus traços suaves e inteligentes de Picasso, adeus formas angulosas e dramáticas de Portinari. Não serei pintor. Sou a própria pintura. O ser descomunal de Goya. [...]. Trechos extraídos da obra Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (Círculo do Livro, 1987), do escritor e roteirista José Louzeiro (1932-2017). Veja mais aqui e aqui.

GOSTÔSA & MARIA CECÍLIA MANSUR
Uma cybergirl subverte todas as mesmices reinventando a si mesma a partir do seu desejo. Na sua trajetória, emerge de um lugar de onde queriam que ela nunca tivesse saído.
MARIA CECÍLIA MANSUR – A arte da atriz Maria Cecília Mansur, que atua nas áreas de teatro, dança e cinema. Gostôsa (2017), um espetáculo baseado na obra Monólogo, de Simone Beauvoir, que se define como inspiração para o corpo erótico diverso, dotado de história, de individualidade, de experiências e contextos singulares, do universo feminino e suas questões, pretendendo desconstruir padrões estéticos e desvelar a experiência da mulher com o próprio corpo. O trabalho aponta para situações comuns a muitas mulheres e toca em temas tabus como: o prazer feminino, a submissão, a idealização da mulher, os padrões femininos de beleza, a maneira de sentir e se expressar em relação ao ser amado. A montagem propõe levantar as questões contextuais pertinentes, abrindo espaços compartilhados de comunicação e manifestação da voz feminina, ainda reprimida em muitos extratos da sociedade, uma vez que o modo como a mulher vê, percebe e sente a realidade é diferente dos homens. O intuito é revelar às mulheres como elas são e podem ser essencialmente gostosas, com todas as suas peculiaridades, ampliando possibilidades de discussões sobre o ser feminino, suas lutas diárias e sua diversidade. Além disso, permite que mulheres e homens tomem consciência do quão normatizado e padronizado é olhar de cada um, diante de questões como erotismo, sexualidade, nudez e libertação, ingredientes matizados com a interpretação e a discussão sobre as questões do universo feminino. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Minhas pinturas de figuras flutuantes são predominantemente autorretratos. Eu pretendo criar pinturas que despertam uma sensação de bem-estar e prazer, enquanto simultaneamente sugiro noções de insegurança, fantasia e sexualidade. Inteiramente suspensas pela água, as formas humanas são fragmentadas pela ondulações e redemoinhos criados pela água, abstraindo-os e, muitas vezes, com resultados implausíveis, como o aparecimento de desfiguração ou distorção. Fico cada vez mais empolgada com os elementos abstratos desses trabalhos e com a interação entre luz, cor e água, padrões emergentes que estão se tornando mais aparentes e dominantes, chamando a atenção não apenas para o principal ponto focal da forma humana, mas também para as áreas circundantes, que têm igual significado
A arte da fotografa britânica Sarah Harvey. Veja mais aquiaqui.


quarta-feira, outubro 25, 2017

BEAUVOIR, JOEL SILVEIRA, AMILCAR DÓRIA MATOS, ISAC VIEIRA & FALANDO DE HERMILO

A VIDA VAI & EU VIVO - A vida passa e eu vou espreitando tudo como quem vai pro fim do mundo: catabis, vielas, rieiras abissais. Seguro tombo das topadas, deslizo no acostamento, faço a curva pra não escorregar de besta. Ô seu menino, pronde tu vais mesmo, hem? Saber, na vera, sei não, sei que vou, teimoso, teimosamente. A vida escorre e eu vou nadando firme como quem surfa na crista das ondas até a maré secar. Mesmo que sem abraços, mãos solidárias, estranhas paragens, agouros, presságios, sei que vou escapando, não sei pra onde. Isso é lá hora pra tu tá por aí, menino? O tempo eu faço, espaço eu crio, sigo avante. A vida corre e eu vou seguindo trilhas por zis caminhos até chegar em casa. Mesmo que sempre perdendo o bonde, atrasado trem impaciente, canelas secas, suor do rosto lavando o espinhaço, mãos calejadas de nãos e labuta, camibitos que nem cansam mais de tanto correr atrás, sei que vou, embaixo de chuva, maior tempestade desde ontem, pelas vitrines e vidraças, correndo bicho, o dia inteiro, rampa acima, ladeira abaixo, sobe desce, olha que coisa! A Lua está linda! O dia amanhece, que Solzão bonito, chega dá gosto de ver e sentir. É hoje, agora! A vida vai e eu vivo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do compositor e músico Roberto Menescal: Bossa evergreen, Elas cantam Menescal & Bossa Nova Live in Concert; da maestrina e cantora francesa Nathalie Stutzmann: L’Arlésienne Suite Bizet, An imaginary Cantata Bach & Concertos Vivaldi; do guitarrista, compositor, produtor e arranjador musical Robertinho de Recife: Metal Mania, Robertinho no Passo, Jardim da Infância, Pepperland & Transcendental; e da pianista Eliane Rodrigues: Momentos musicais, Étude op. 25 Chopin & Pour Le Piano Debussy. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Algumas vezes, durante discussões abstratas, irritei0me ao escutar me dizerem: “Você pensa isso porque é mulher”. E eu sabia que a minha única defesa era responder: “Eu penso porque é verdadeiro”, eliminando assim minha subjetividade. [...]. Trecho extraído da obra O segundo sexo (Difusão Europeia do Livro, 1970), da escritora, filósofa existencialista, ativista política, feminista e teórica social francesa Simone de Beauvoir (1908-1896). Veja mais aqui, aqui & aqui.

MENINO MORTO - [...] Os cadáveres... Eram muitos e feios; e ali estavam, enfileirados em todas as aléias do cemitério, numa arrumação de sucessivos dormitórios coletivos. Nunca, em toda minha vida, nem mesmo nos meses de guerra, estive diante de mortos tão mortos. A maioria fora mobilizada em pleno furor da rebelião. E daí, talvez, o rictus que se via na face macerada de quase todos, como se tivessem com raiva de ter morrido. Somente aquele menino (não mais de oito anos) morrera cândido, de olhos abertos, um começo de sorriso nos lábios. Os olhos vazios fixavam o céu de chumbo, e as mãos de unhas sujas e compridas pendiam sobre a laje dura. [...]. Trecho extraído da obra Tempo de contar (Record, 1985), do escitor e jornalista Joel Silveira (1918-2007).

O CAÇADOR - [...] Eu seria, segundo ele, a testemunha solitária da satisfação do seu “último desejo”. Assim ardendo em instante e intrigante curiosidade, eu me preparava para o desfecho daquela aventura, daquela alucinada missão que me fora atribuída, em carater de ineditismo, e da qual eu extraíra lições que poderiam alterar minha própria existência. Quando nada, de todo aquele aranzel em que eu fora apanhado, ficara o sentimento de que todos os seres humanos têm o sagrado direito de tocar para a frente sua vida intima, a salvo de viscosa interferência de intrusos. O caçador ia deixar de existir. Graças a Deus. [...]. Trecho da obra O caçador (Edificante, 2005), do escritor, advogado e jornalista Amilcar Dória Matos (1938-2010).

CAETÉS DEVORAM SARDINHA - Na praia os nativos aguardam o prelado / que nadando vem para o molho pardo, / sermão já não há, bem há breviário. / Festivos tacapes ao som de chocalos / eternizam o bispo, canabalizado. Poema de Côdeas de tempo e poema, extraído da obra Quisera ter a beleza que (Escrituras, 1997), do professor e poeta Sidney Wanderley. Veja mais aqui.

FALANDO DE HERMILO NA FAMASUL
Parificpando do Congresso de Educação, Ciência e Cultura: centenário de Hermilo Borba Filho, na Biblioteca Ascenso Ferreira, promoção da Aemasul/Famasul. Na ocasião falei da obra teatral, literária e tradução de Hermilo Borba Filho, revendo amigos como o estimado professor Wilson, Professor Admmauro Gommes, o poetamigo Wilmar Carvalho, o professor João da Silva, o poetamigo e poeta Gleidstone Antunes, o poeta, cantor e compositor Zé Ripe e muitos outros. Veja mais aqui.

Veja mais:
Índios do Brasil aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Diversidade religiosa aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A história da mulher aqui e aqui.
A arte de Pablo Picasso aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
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ARTE DE ISAC VIEIRA
A arte do artista plástico Isac Vieira, participando do projeto Pintando na Praça em Palmares & na Casa da Cultura do Recife. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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domingo, outubro 16, 2011

ZOÉ VALDÉS, DAVID GUTERSON, EMILIO COCO, MONSIVÁIS, LITERÓTTICA, SEXO & ZINE TATARITARITATÁ


 

A arte da pintora, desenhista e gravadora cubana Zaida del Rio. Veja mais abaixo.

 

UMA CRÔNICA DE AMOR PARA MARY – Homenagem à atriz estadunidense Mary Astor (1906-1987). – Ela estava alcoolizada tentando o suicídio quando a encontrei. Assustada com minha presença, depois de um longo tempo com a cabeça escondida entre as pernas, voltou-se, encarou-me seriamente e me perguntou quem eu era. Disse-lhe pouco de mim, ela interrogativa, queria mesmo saber de coisas e fatos a meu respeito. Nada a declarar. Ela então furiosa perguntou qual a razão de ali estar atrapalhando seu propósito, fiquei sem saber o que dizer, ela pegou-me o braço, apertando-o, aproximou seus lábios à minha face e sussurrou ao meu ouvido que eu procurasse o meu lugar e não a importunasse. Não tive dúvidas e ao me levantar, forçou-me a sentar-se ao seu lado, passou a perna nua sobre a minha e começou a falar descontroladamente e uma lágrima rolou em sua face ao mencionar que lutava pela custódia da filha, mas o seu diário íntima havia deposto contra ela, num escândalo sem precedentes. Deitou a cabeça ao meu ombro e enfiou uma das mãos por dentro da minha camisa e alisou-me o tórax, desabotoou-a, até roçar os dedos sobre o meu sexo enquanto dizia ser filha de imigrante alemão e que sua vida era uma lástima. Atirou-se sobre mim, deslizando entre as minhas pernas a desvestir-se de joelhos escondendo-me por trás das cordas que cortinava o ambiente, como se quisesse me esconder dela mesma e de tudo o mais. Aí se levantou nua escondida num chapelão e a dizer coisa com coisa, quando não era a heroína de histórias contadas, era a vilã furiosa de situações as mais horripilantes. E se fez doce porque me queria o sentimental Tommy, porque era uma Mulher de Verdade e que era Fácil de amar no Fogo do Outono. Beijou-me a boca ardentemente e me levou para seu esconderijo. Lá se tornou mais sedutora a me chamar de o belo Brummel, nua se esfregando em mim como se eu fosse o seu Don Juan. E mais me queria até virar um Furacão e fez-se prisioneira de Zenda à Meia-Noite, uma Filha da Pecadora em Festa Brava e que eu, num Ato de Violência a molestasse, a seviciasse, a estuprasse Com a Maldade da Alma, só assim poderia purgá-la purificando-a para se tornar a mim Comprometida em fuga na Nau do Pecado para a Terra das Paixões. E se desnudou a alma e completamente arrebatada com os látegos da minha língua na sua carne, insopitável com as estocadas do meu sexo no seu, e mais queria e mais desejava que eu fosse um dos dois cavaleiros árabes, ao me dizer que ela, como mulher, também amava os brutos e me queria implacável Homem de Ferro a usurpar-lhe os limites e me mostrava o Chicote com suas Manias de gente rica, enquanto eu a beijava para aplacar sua loucura porque eu era o seu Homem de chance na Cidade da Convenção. E se entregou e gozou a noite alta até se esvair gemendo e completamente saciada. Aliviada rastejou deitada na cama a me puxar para mais perto dela com seus mimos desmedidos, até levantar-se morta de fome para a cozinha e voltar esfuziantemente para apontar no mapa aonde iríamos passar o paraíso dos prazeres e me mostrou os volumes da sua autobiografia e ora me dava My Story para ler, ora tomava e me dava o Life on Film, enquanto me acariciava generosamente tigresa com o Cuidado de Mãe. Depois sentou-se no batente ouvindo atenta o que eu falava e se cobrindo voltava-se prestando atenção a todos os meus passos. Aí me chamava e saía às carreiras e completamente nua para mergulhar no mar. Retornou horas depois com ideias para rascunhar novelas e dizia que jamais iria para um asilo: tudo é uma Grande Mentira! E que a Humanidade Marcha lerda e trôpega para o seu fim. Ela só queria ser a Divina Glória e que era vítima das Garras Amarelas dos Quatro Destinos da Relíquia Macabra – o falcão maltês. E repetia incansavelmente: Agora seremos felizes. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui, aqui e aqui.

 

A arte da pintora, desenhista e gravadora cubana Zaida del Rio.

 

DITOS & DESDITOSVocê vive apenas uma vez e nossos pais erraram ao nos educar nas tradições da escassez. Muitos me dizem que cumpriram seu dever, e estou muito satisfeito por não ter cumprido nem mesmo a menor parte dele, para o infortúnio ou fortuna deste país. Em que medida é uma pessoa abandonada responsável pelos seus atos, sem recursos ou capacidade específica, enlouquecida pelos maus tratos, pela indiferença e pela impossibilidade de se alimentar? Licenciosidade é a liberdade repreendida pela moralidade tradicional. O passado é confiado com julgamento moral sobre o presente. Se ninguém te garante amanhã, o hoje se torna imenso. Tudo muda, tudo se transforma: tudo permanece o mesmo. Pensamento do escritor mexicano Carlos Monsiváis (1938-2010).

 

ALGUÉM FALOU: O problema não é a esquerda ou a direita; hoje em dia não há porque ter medo da pluralidade de ideias, de partidos, de gente com intenção de mudar as coisas. O terrível, o que realmente dá medo, é o extremismo circundante, de um lado ou do outro. O extremismo é fascismo ou comunismo. Ambos têm mais ou menos o mesmo número de vítimas, uma quantidade horripilante. Pensamento da escritora cubana Zoé Valdés, autora de obras como La cazadora de astros (Plaza & Janés, 2007), Bailar con la vida (Planeta, 2006), La eternidad del instante (Plaza & Janés, 2004), entre outras.

 

A DOR DA TORTURA - [...] Fui conduzida para uma casa […] em Petrópolis. […] O Dr. Roberto, um dos mais brutais torturadores, arrastou-me pelo chão, segurando-me pelos cabelos. Depois, tentou me estrangular e só me largou quando perdi os sentidos. Esbofetearam-me e deram-me pancadas na cabeça. Colocavam-me completamente nua, de madrugada, no cimento molhado, quando a temperatura estava baixíssima. Petrópolis é intensamente fria na época que estive lá […] Fui várias vezes espancada e levava choques elétricos na cabeça, nos pés, nas mãos e nos seios. A certa altura, o dr. Roberto me disse que eles não queriam mais informação alguma; estavam praticando o mais puro sadismo, pois eu já havia sido condenada à morte e ele, dr. Roberto, decidira que ela seria a mais lenta e cruel possível, tal o ódio que sentia pelo ‘terrorista’. [...] Alguns dias depois, [...] apareceu o dr. Teixeira, oferecendo-me uma saída ‘humana’: o suicídio. [...] Aceitei e pedi um revolver, pois já não suportava mais. Entretanto, o dr. Teixeira queria que o meu suicídio fosse público. Propôs-me então que eu me atirasse embaixo de um ônibus, como eu já fizera. [...] No momento em que deveria atirar-me sob as rodas de um ônibus, agachei-me e segurei as pernas de um deles, chorando e gritando. [...]. Por não ter me matado, fui violentamente castigada: uma semana de chores elétricos, banhos gelados de madrugada, ‘telefones’, palmatórias. Espancaram-me no rosto até eu ficar desfigurada. [...]. O ‘Márcio’ invadia minha cela para ‘examinar’ meu ânus e verificar se o ‘Camarão’ havia praticado sodomia comigo. Esse mesmo ‘Márcio’ obrigou-me a segurar seu pênis, enquanto se contorcia obscenamente. Durante esse período fui estuprada duas vezes pelo ‘Camarão’ e era obrigada a limpar a cozinha completamente nua, ouvindo gracejos e obscenidades, os mais grosseiros [...]. Depoimento da bancária Inês Etienne Romeu (1942-2015), quando foi presa em São Paulo, em 5 de maio de 1971, única sobrevivente do caso da Casa da Morte, em Petrópolis, local onde foram torturados e executados clandestinamente presos políticos durante a ditadura militar, publicado no O Pasquim, 607, de janeiro de 1981. Veja mais Filhas da Dor aqui, aqui e aqui.

 

NEVE CAINDO EM CEDROSNenhuma dessas outras coisas faz diferença. O amor é a coisa mais forte do mundo, você sabe. Nada pode tocá-lo. Nada chega perto. Se nos amarmos, estaremos protegidos de tudo. O amor é a maior coisa que existe. [...] Eu sei que você vai achar que isso é loucura, mas tudo que eu quero fazer é te abraçar, e eu acho que se você me deixar fazer isso apenas por alguns segundos, eu posso ir embora e nunca mais falar com você de novo. [...] Existem coisas neste universo que não podemos controlar e, em seguida, existem coisas que podemos…. Que o destino, a coincidência e o acidente conspirem; os seres humanos devem agir com base na razão. [...] O estranho era que ele queria gostar de todos. Ele simplesmente não conseguia encontrar uma maneira de fazer isso. [...]. Trechos extraídos da obra Neve caindo em cedros (Bloomsbury/Large Print, 1996), do escritor, jornalista e ensaísta estadunidense David Guterson.

 

DOIS POEMASO MAL OBSCURO – Deixo apenas a ti a porta aberta / Os outros busquem o mundo, à descoberta / - ou no Palmar ou no Ascoli Pileno - / de um lugar ao sol ou ao sereno. / Mas tu a fechas sempre, deprimida / e golpeada por um mal obscuro, / que te anula, implacável. E estranha à vida / passa o tempo a reforçar um muro / de desespero, de suspeita e espanto / que em tua alma encontram acolhida. Move essa pedra que te oprime tanto. / Chora, se crês aliviar teu pranto, / porque malgrado todo o desencanto / mais a desprezas, mais te ama a vida. CANIBAIS – Nos anos de nossa juventude / amar era enfrentar uma batalha / feita de beliscões e de mordidas. / Dos encontros guardávamos feridas / em nossos colos e em nossos braços, / e as exibíamos em casa e nas ruas / como prova de nosso devorar-se. / Nossos corpos exaustos agora travam / tantas outras batalhas, que a vida / nos reserva sem dó a cada instante, / sem a suavidade de outrora, / com pérfidos ardis e baixos golpes. / O mau-trato tornou-nos mais ferozes / deu-nos dentes e garras de leão / e cada um por si tenta repor / de tudo aquilo o pouco que restou / do nosso cotidiano espedaçar-se. Poemas do poeta e crítico italiano Emilio Coco.

 


POR QUE NÃO FALAR DE SEXO?
– Ora, ora! Já fomos longe demais com os mitos e tabus que transitam sobre a dimensão sexual. Vamos quebrar todas as barreiras, afinal já dizia Simone de Beauvoir: “A mulher só se torna mulher sob o olhar de um homem; o homem  só se torna homem sob o olhar de uma mulher. O que isto expressa é exatamente a reciprocidade em que um se descobre por meio do outro”. Então comecemos a falar do corpo: o templo da nossa alma. É preciso dar prazer ao corpo para sermos felizes.

O CORPO SOB AS MAIS DIVERSAS ÓTICAS – Já dizia o jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano: “A igreja diz: o corpo é uma culpa. A ciência diz: o corpo é uma máquina. A publicidade diz: o corpo é um negócio. O corpo diz: eu sou uma festa” (Eduardo Galeano, Janela sobre o corpo).

AFINAL, O QUE É O ORGASMO? – O orgasmo é a fase denominada de reação orgásmica por Kaplan e de orgasmo por Master e Johnson, sendo objetivamente caracterizada pelo quadro miotônico das contrações musculares reflexas. Subjetivamente é marcada pela sensação de prazer sexual, perda da acuidade dos sentidos, sensação de desligamento do meio externo, e referida por Kinsey como “la douce mort”. No campo neurológico, domina o sistema simpático.  Segundo Ricardo e Mabel Cavalcanti, não é só um reflexo biológico caracterizado por fenômenos físicos bem definidos, tendo como componente psicológico a percepção prazerosa de um clímax que coincide com a fase máxima de incremento da tensão sexual. É também um fenômeno sociológico na medida em que pode ser influenciado por fatores socioculturais. O psicanalista Alexander Lowen (1910-2008), ao desenvolver sua psicoterapia mente-corporal, observou que: “A capacidade de vivenciar um orgasmo total é a marca da natureza apaixonada. É o resultado do acúmulo de um nível de excitação positivo e forte o sufiente para dominar o ego e permitir que a pessoa expresse livre e totalmente a paixão plena de seu amor. Num orgasmo como esse não há violência, retenção ou hesitação na entrega do self”.

A DANÇA DOS HORMÔNIOS – Em seu livro Erotismo, sexualidade, casamento e infidelidade: sexualidade conjugal e prevenção do HIV e da AIDS, a pós-doutorada e mestre em Psicologia Clínica, Ana Maria Fonseca Zampieri, traz pra gente a dança dos hormônios: “[...] Sintetizando, os atores hormonais desta dança sexual são: PEA a instigadora. Estrogênio: o caloroso e sedutor. Progesterona: a protetora e psicótica. Testosterona: a lutadora, a agressiva e a caçadora. LHRH: o diretor, o liberador do hormônio luteinizante, perfeitamente capaz de explorar a distribuição de todo esse elenco de atores hormonais. Prolactina: a governanta que desativa o impulso sexual inspirando maternidade e amamentação. Ocitocina: a concorrente subterrânea do contato sexual, a que envolve os casais. Vasopressina:: a que evita que a pessoa se desvie do parceiro e a direciona para a relação. DHEA: contribui para o impulso sexual de homens e mulheres de várias formas, aumentando a libido ao sensibilizar as zonas erógenas para o tato e promovendo odores sexuais positivos. Dopamina e serotonina: a primeira aumenta o impulso enquanto a segunda pisa no freio da busca sexual.  A testosterona aquece, solicita, leva ao desejo, a fantasias, ao sexo e ao orgasmo. O estrogênio favorece a receptividade ou pode esfriar o apetite sexual. A progesterona pode esfriar os adolescentes ou deixar mulheres irritadas e deprimidas pois tem poder de diminuir a sensação genital. Um esquenta, o outro é ambivalente e o outro esfria. São hormônios em suas varias danças para os encontros sexuais entre homens e mulheres”.

A SEXUALIDADE E A EDUCAÇÃO SEXUAL – “A sexualidade pode ser vista como constituída e constituinte de relações sociais; discuti-la, compreendê-la, recriá-la e re-significá-la, obriga-nos a transitar, não só na biologia, mas também na contribuição de estudos na áreas da história, da pedagogia, da psicologia, da antropologia, da sociologia, da moral, da evolução social, da política econômica, da literatura, da publicidade, da mídia. [...] Em se tratando da sexualidade e da Educação Sexual, torna-se imperiosa a busca de um referencial que possibilite analisar e teorizar o processo educativo através de uma teoria critica em termos de campo político cultural. Precisamos ver a educação, a pedagogia e o currículo como campos de luta e conflito simbólico, como arenas contestadas na busca da imposição de significados e de hegemonia cultural”. (Jurema Furlani, Mitos e tabus da sexualidade humana)

A SAÚDE SEXUAL DE ERIK ERIKSON – A saúde sexual é alcançada, segundo o psiquiatra Erik Erikson (1902-1994): “Quando o individuo é potencialmente capaz de alcançar a mutualidade do orgasmo genital e constituído para suportar um certo grau de frustração sem uma regressão patológica”.

A SAÚDE DE WILHELM REICH – Já dizia o médico e cientista natural Wilhelm Reich (1897-1957): “A saúde psíquica depende da potencia orgástica, isto é, do ponto até o qual o individuo pode entregar-se, e pode experimentar o clímax de excitação no ato sexual natural. As enfermidades psíquicas são o resultado de uma perturbação da capacidade natural de amar... e são a consequência do caos sexual da sociedade, que tem sujeitado o homem às condições dominantes de existência... tornando-o incapaz de agir independentemente”.

... aproxima-te mais!
Mais perto!
Perto!
Tão perto
Que tuas palavras saiam de meus lábios...
(Rudolf Peyer)


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CRÔNICA DE AMOR POR ELA

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TATIANA DE ROSNAY, VERONIKA KIVISILLA, NIALL FERGUSON & MARIA LAURA LOPES

  Imagem: Fluxo dos devires , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula porcina na cabeça!... -...