quinta-feira, março 07, 2013

PALMARES




PALMARES



Uma cidade esta

A morada abissal nos quilombos da noite Zumbi
Ou uivo de coruja de todos os presságios
Alalaôs de todas as festas
Orações de todos os templos
Correio de todas as notícias
Arena de todas as lutas vencidas, perdidas, mal-choradas,
Terreno surpreso de todas ignóbeis sentenças de vida
Que se descoram e se colorem a cada anátema dos deuses
Eu guardo em meu cofre
Todos os teus impérios de fome e luxúria
Tua desprezível ingratidão
Contemplada nos tapetes de pelúcia que te completam
E te arruínam rodeada de penúria
Festejando andores que fabricam as incontestáveis beatitudes
Aureoladas nas noites insones
Que te deixam morrer e ressurge em cada copo mal-tomado
Como sudário de tua manifestação
Uma cidade esta
Dos deuses do barro suspensos nos tronos inflamáveis
De lazarentos apodrecidos nos porões de tua riqueza roubada
Que cantam cantigas do tempo do ronca sob um sol escasso e débil
Dos arcabuzes, mosquetões e pistolas ressoando seus estrépitos como saudando a vida disfarçada, o plantão do inverno nos ventres tristalegres e boquifamintos que inventariam teu espolio do mais completo bestiário canhestra de todas as vidas
O teu gen ressecou antes mesmo de caminhar pelas orlas estelares em formas do teu organismo carcomido e prostituído das seqüelas da vida que não mais retalham teus dramas porque são doces quimeras impetradas ao sigilo do teu crepúsculo
Porque são tirânicas as ousadias engastadas ao sibilo de tuas chuvas desmoronando sangue – a comiseração por todas bestificadas ruindades indiferentes que te redundam na mais completa insolência de justiça.
Uma cidade esta
Teus porões jamais revolvidos teriam muito mais que sujar toda tua cara e apodrecer-te nas mais inexoráveis das balanças, mas mesmo assim te guardo em meu seio como quem guarda a amante após a chuva dos desejos e te desejo como quem vai dormir ao relento dos cobertores e te venero como a um súdito esconjurado, pois não te jogaria uma pedra porque não as tenho no coração. Mas te daria meu aconchego porá poder sonhares teus erros e remediá-los com as meizinhas e ungüentos que guardo ao bolso e te sentiria, não como um carrasco, mas como um filho sem seio na anciã de amamentar. 
Sou todos os teus brejos e imundícies
Sou eu que sofro com a tua agonia sabendo que ela não é minha, mas a te me dou e guardo em meus cofres o teu segredo.
Guardo tuas praças, ruas, becos e memórias.
Guardo santificadamente todos os teus desvarios e todas as tuas relíquias de bondade. E com amor todas as noites deito-me em teu corpo e ouço a voz de tua indignidade me falar sob as olheiras, o bafo da cachaça, o fumo, a tua ressaca, o teu pouco sol, a tua grande noite.
Eu tenho o teu desespero na carne e o teu desassossego no sono que me foge noite a noite na tua madrugada insidiosa, no teu crepúsculo suicida.
Eu tenho em mim todos os teus dotes, inventario teu espolio como um deserdado, mas sempre guardando a tua marca em meu peito e te tenho e sou pouco.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. In: Canção de Terra. Recife: Bagaço, 1986. Veja mais aqui.

PALMARES – PE
Palmares está encravada na microrregião homogênea 112 – Mata Úmida – e da zona fisiográfica do Litoral – Mata do Estado de Pernambuco. Sua denominação tem origem na quantidade de palmeiras na localidade, bem como associada ao Quilombo dos Palmares. Inicialmente era o aldeamento Trombetas, depois Povoado dos Montes, Una, e, finalmente, Palmares. Com a Lei Provincial 844, de maio de 1868, foi desmembrada das freguesias de Bonito e Água Preta. Foi elevada à categoria de vila pela lei 1093, de 24 de maio de 1873, pelo Governo Provincial. Com a edição da Lei Provincial 1468, de 9 de janeiro de 1879, obteve foro de cidade. O Município foi instituído com a constituição dos municípios autônomos do Estado, com o advento da República, em 3 de agosto de 1892.
Terra dos Poetas. É assim que Palmares ficou conhecida por ter sido berço de grandes poetas. Também o município possui o primeiro teatro a funcionar no interior de Pernambuco e o terceiro mais antigo do Estado, além de abrigar a primeira loja maçônica de Pernambuco. Veja mais aqui e aqui.

HINO
(Nehemias Galdino de Araújo/Edson Carlos Rodrigues/Milton Barbosa Souto)

Palmares é canção da natureza

exortou certa vez Silva Jardim
é terra de cultura e de grandeza
no mundo não havendo igual assim...


POETAS DOS PALMARES
O poeta e escirtor Juhareiz Correya organizou em duas edições a antologia POETAS DOS PALMARES, reunindo:
Adalberto Marroquim, Aloísio Fraga, Antonio Veloso, Amaro Matias, Artur Griz, Ascenso Ferreira, Calazans Alves d´Araujo, Eliseu Pereira de Melo, Euripedes Afonso Ferreira, Ezequiel Pessoa de Siqueira, Fabio Silva, Fenelon Barreto, Fernando Griz, Jayme Griz, João Costa, José Lagreca, José Ramos, Julia Leite, Lelé Correia, Leopoldo Lins, Mario Marroquim, Manuel Bemtevi, Milton Souto, Olimpio José de Freitas, Raimundo Alves de Souza, Rubem de Lima Machado, Stella Griz, Zenobio Melo, Afonso Paulins, Alfredo Moraes, Américo Furtunato, Ângelo Meyer, Elita Afonso Ferreira, Eniel Sabino de Oliveira, Fred Caminha, Jesimiel Gonçalves, JoãoLins, Juhareiz Correya, Leonilda Silva, Luiz Alberto Machado, Paulo Menezes, Roberto Quental, Sandra Lustosa, Telles Junior e Wilmar Antonio Carvalho. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.  

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
CORREYA, Juhareiz (Org.). Poetas de Palmares. Palmares: Palmares, 1973.
_____. Poetas dos Palmares. Recife/Palmares: FUNDARPE/Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, 1987.
LEÃO, Brivaldo. Memórias da noite e do dia. Recife/Palmares: Bagaço, 1987.
MACHADO, Luiz Alberto. Canção de terra. Recife: Bagaço, 1986.
_____. Primeira reunião. Recife: Bagaço, 1992.
_____. A atividade artística como função alternativa para o progresso do município. Revista A Região, ano I, nº 5 (24), 1984.
MACHADO, Luiz Alberto; SILVÉRIO, Rolandry. Aventureiros do uma. Revista em quadrinhos. Recife/Palmares: Bagaço, 1986.
MENEZES, Paulo. Sindicalismo X repressão: a história de Zé Eduardo, o líder do maior sindicato de camponeses do Brasil. Recife: Nordestal, 1983,
PALMARES. Município dos Palmares. Recife: Governo do Estado/Pernambucana de Artes Gráficas, 1963.
_______. Palmares. Recife: Governo do Estado/FUNDARPE/FIAM, 1981.

Veja mais: Crônicas Palmarenses.




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