Mostrando postagens com marcador Rio Una. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rio Una. Mostrar todas as postagens

sábado, abril 01, 2023

CECÍLIA MEIRELES, LARS NORÉN, BETH O'LEARY. BRUCE MCCALL & EUGÊNIA FRANÇA

 

Sou um poeta obscuro, os meus companheiros são poetas obscuros, nosso país é o amor...

(Nênia de Abril, Veja mais aqui e aqui).

 


CARTA DE OUTONO - (Imagem Acervo ArtLAM) - Ontem choveu muito, hoje ensolarou, que bom! Sempre assim pelas beiradas equatoriais dos trópicos, a ponto de nem se saber direito se vigência estival ou reinado das invernadas. Sempre assim. Por isso herdei do sonho o discernimento na mais apurada solidão para perceber do que clareia quando muito, ou se escurece por demais no desespero com a desventura esmerada, e só olhares abertos para que a morte por lá se demore, muito embora eu mesmo nem tenha lá razão para resistir. Faz tempo que a desgraça mandou ver em dose dupla nos deixando num verdadeiro Campo de Asfódelos: a mais profunda treva de Érebo, qual catábase prévia e insuportável com exéquias perenes no pesadelo dos refugiados amedrontados, insones e famélicos. Os que se acham acima da carniça por não terem cara de ladrão nem se comovem, mas deitam hipocrisia mesmo não adiantando sair do conforto para tratar tudo por porqueira ou partir pra serração da velha, ora pro nobis, valei-me deus! O meu país tornou-se uma penitenciária aberta com um monte de oh porque está bonito pra chover e pagam pra inglês ver com o nada a declarar dos que possuem mossa funda na reputação e que resolvem tudo pela justiça-do-rio-de-baixo. Ainda lembro e sei que esquecer é o pior de tudo: as sequelas são dolorosas e sangram com a impunidade e supuram envenenando o futuro. É costume não se passar nada a limpo, nenhuma prova dos nove há séculos, só deixa pra lá e festa da matança que não me deixa conciliar o sono com as memórias de mar e terra nas mãos escassas aonde fui chegante e cortei volta, as conjuras surdas de vírgula e reticências, coágulos de nenhuma aspa... Eu sei, na vida eu só bati catolé, preciso é tirar a lomba da cacunda, como não sei. Aí é que está. Impossível dormir com a dor silenciosa dos sobreviventes, remoem suas vidas no jeitinho que der. Quando não der mais, deixo de mão, até o dia em que a sorte pouse em meus ombros, embora eu nem acredite nisso, apenas persigo e vou lá por que preciso cantar... Bella Ciao... Nênia de abril... Até mais ver.

 

Bella Ciao: la canzone della libertá, na interpretação da guitarrista, cantante, compositora e escritora espanhola Paola Hermosín.

 

TOMANDO NOTA: O OUTONO DO PATRIARCA

[...] uma pátria que então era como tudo antes dele, vasta e incerta, até o extremo de que era impossível saber se era noite ou dia naquela espécie de crepúsculo eterno [...].

Trecho extraído da obra O outono do patriarca (Record, 1993), do escritor colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014). Imagem: Sel-portrait II, da artista plástica Eugênia França. Veja mais aqui.

 

DITOS & DESDITOS: A maior parte da história ocorre ao ar livre, e os acadêmicos vivem e pensam em ambientes fechados... Pensamento do escritor e ilustrador canadense Bruce McCall.

 

ABRIL DESPEDAÇADO: [...] Há muitas ocasiões para morrer [...] Foi apenas uma frase que passou de boca em boca e nunca foi totalmente engolida. [...] E tudo seria diferente, diferente. [...]. Trechos extraídos da obra Abril despedaçado (Prilli i Thyer, 1978), do premiado escritor albanês Ismail Kadaré, que no Brasil ganhou uma versão cinematográfica. Veja mais aqui e aqui.

 

CANÇÃO DE OUTONO

Perdoa-me, folha seca,\ não posso cuidar de ti.\ Vim para amar neste mundo,\ e até do amor me perdi.\ De que serviu tecer flores\ pelas areias do chão\ se havia gente dormindo\ sobre o próprio coração?\ E não pude levantá-la!\ Choro pelo que não fiz.\ E pela minha fraqueza\ é que sou triste e infeliz.\ Perdoa-me, folha seca! \ Meus olhos sem força estão \ velando e rogando aqueles\ que não se levantarão…\ Tu és folha de outono\ voante pelo jardim.\ Deixo-te a minha saudade\ – a melhor parte de mim.\ E vou por este caminho,\ certa de que tudo é vão.\ Que tudo é menos que o vento, \menos que as folhas do chão

Poema e imagem da escritora, pintora, professora e jornalista Cecília Meireles (1901-1964). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

 

O DIA A DIA, O AMOR... - [...] Parecem banalidades, coisas quase práticas, mas que escondem a realidade [...] são os pequenos detalhes do quotidiano que fazem a diferença. No fundo, apanhar em falso o que é verdadeiro. Será sempre assim por entre as revoluções são os rostos que ficam, os nomes que se distinguem, as praças que ficamos a conhecer... [...]. Pensamento do premiado dramaturgo e poeta sueco Lars Norén (1944-2021), sobre a sua minimalista peça teatral Do amor, tratando sobre os lados escuros e difíceis da vida humana, psicológica e familiar, colocando em cena dois casais, cujo homem e mulher de cada um deles acaba por se envolver um com o outro, materializando um mal estar social. Ele também é autor da peça teatral Outono Inverno ou O Que Sonhamos Ontem, que traz em cena as discussões e mágoas de um encontro familiar entre um casal de idosos – um médico fracassado e uma dona de casa frustrada que humilha o marido – e suas duas filhas que são mulheres independentes que lidam com seus problemas, evidenciando a opressão no ambiente familiar. São ainda de sua autoria os textos teatrais Coragem de matar (1978), A noite é a mãe do dia (1982), O tempo é a nossa casa (1991), Círculo de pessoas (1997), entre outras obras em prosa e verso. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

HORA DE LEMBRAR - [...] Lembre-me de que não há como salvar as pessoas - as pessoas só podem salvar a si mesmas. O melhor que você pode fazer é ajudar quando eles estiverem prontos. [...] Meu pai gosta de dizer: 'A vida nunca é simples'. Este é um de seus aforismos favoritos. Na verdade, acho que está incorreto. A vida costuma ser simples, mas você não percebe como ela era simples até que ela se torne incrivelmente complicada, como você nunca se sente grato por estar bem até ficar doente, ou como você nunca valoriza sua gaveta de meias até rasgar um par e não tem sobressalentes. [...]. Trechos extraídos da obra The Flatshare (Flatiron, 2019), da escritora inglesa Beth O'Leary.

 

UNA-SE, O RIO É SEU

Assim, a vida. Já nem sei de mim, nunca fui nada... Ouvi de longe alguém gritar: Quem matou o rio? Ora, me rio, ela me ensinou a vida, quem disse que eu morri, com ela virei mar e era apenas uma gota no oceano. Unadia, Diauna...

Valuna, Epitáfio na Várzea... (Rio Una – Pernambuco).

Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

segunda-feira, julho 19, 2021

ANNE ASKEW, ESPIDO FREIRE, ARTHUR MOREIRA LIMA, CAMILA ROSA & MACIEL MELO

 

 

TRÍPTICO DQP – Notícias do Fecamepa... - Ao som Artur Moreira Lima interpreta Ernesto Nazareth (vols. 1 e 2, 1975), na interpretação do pianista Arthur Moreira Lima. - Tó Zeca era tampa! Viesse pra cima dele com lorota, ele destabocava peteando dobrado! Contasse não, só saía pinoia raçuda. Muitas dele passaram a fazer parte dos anais do anedotário, como a da domesticação de uma baleia-azul braba no Rio Una; dos murros nos maiores monstros, tudo servil dele no Riacho dos Cachorros; da peixa do açude, do namoro com todas as beldades das capas de revista, afora picadas homéricas em marcianas, venusianas, plutônicas e outras ETs; enfim, se parecia apologia, todos esperavam: Não é mentira não! E nenhuma façanha era repetida, tinha sempre uma cabeluda nova para impressionar e deixar todo mundo de queixo caído e sem dar um pio escondendo o riso. Sim, todo mundo sabia, ele não fazia mal a ninguém, nenhum morto nem matado, sequer prejuízos: todos sabiam que era potoca, nada demais. Mas para nossa infelicidade apareceu um concorrente à altura: o mico Coisonário, aí lascou tudo: cada uma que ele fala, arreia um; até agora matou mais de quinhentos mil e dá pra muito mais! Virou geral: esse mente que o cu apita. E na maior cara de pau! Já aí, todo mundo agora está evitando o cara: será o coisa-ruim metido a messias? Dizem: se não for é aparentado! Destá. E o Tó Zeca? Parece que se envultou: ninguém sabe, ninguém mais viu. Não deu outra, só Ievguêni Ievtuchenko: Quando a verdade é substituída pelo silêncio, o silêncio é uma mentira. A autobiografia de um poeta é sua poesia. Qualquer outra coisa pode ser apenas uma nota de rodapé. Será o Fecamepa?

 


Dois passos na roda letal... - Imagem: arte da ilustradora Camila Rosa. - Maior farra no Gado-Bravo! Arrastado de pé, converseiro, compadrio, risadagens: tudo família. Lá pras tantas, o genro João Grande do Poço-Doce se estranhou com a sogra Marita e passou-lhe uma peixeirada lá no pé do umbigo dela, das tripas caírem fora. O sogro Inaçantonho ficou sem ação de nem ver a escapulida do indigitado. Seis testemunhas pinguças depuseram: provada a autoria, o réu foi pronunciado e libelado depois de réplicas e tréplicas no tribunal do júri, sentença transitada em julgado pelo douto julgador: condenado a galés perpétuas e nas custas! Tudo registrado no volume de Inocentes e culpados no Tribunal do Júri de São Bento: síntese história do homicídio 1818-1930 (CEGM/FIAM, 1986), do Sebastião Soares Cintra, autor de outros livros como Os Cintra de São Bento (CEPE, 1983) e do de poesias Cozes de Bentuna (Grafset, 1986). Sim, mas do caso, um dos comentários entre os assistentes: Esse lascou-se, sogra é pra isso mesmo! Três senhoras ouviram e se aproximaram, fiquei de mutuca. A primeira, era a jornalista, socióloga e ativista estadunidense Ida Wells (1862-1931): A maneira de corrigir os erros é direcionar a luz da verdade sobre eles. É melhor morrer lutando contra a injustiça do que morrer como um cachorro ou um rato em uma armadilha. Fiz um gesto com a cabeça, concordando. Em seguida, a escritora espanhola Espido Freire: Não sou daquelas que dizem: 'se eu nascesse de novo, faria o mesmo de novo. Não eu não. Eu estive errada muito. Julguei mal muitas pessoas. Ao seu lado, a poeta inglesa Anne Askew (1520-1546) recitou-me o poema Eu sou uma pobre cega, e disse-me repetindo: Deus me deu o pão da adversidade e a água da angústia. Sim, eu sabia que ela havia sido torturada no cavalete da Torre de Londres, condenada por heresia e queimada viva por causa do divórcio e por ser feminista. A execução teve um detalhe: o carrasco subornado por uma amiga dela, colocou pólvora amarrada ao seu pescoço; ao acender a fogueira, a explosão. Ainda hoje, lamentavelmente.

 


Mudando de assunto... - Estava eu na redação da emissora e recebi naquela tarde um telefonema do parceiramigo Santanna o Cantador. Sim? Marcava pra gente se encontrar na praça, final da tarde. Combinado, assim foi. Chegando lá, tive a grata satisfação de conhecer um poeta cantador do Iguaraci e dos bons, Maciel Melo. Sequer tinha ouvido seu nome, mas não deixei por menos: conversamos, trocamos ideias e rumamos para um bar ali perto. Violão para lá e para cá, lá para as tantas, ele me deu o álbum Desafio das léguas (1989), com participações de Elomar, Vital Farias e Décio Marques. Gente, ouvi na hora, bom demais. Fiquei empolgado e gravamos uma entrevista, viramos a noite bebericando e, no domingo de tarde, emplaquei destaque no meu programa radiofônico Panorama. Um sucesso! Foi aí que soube que ele já tinha música gravada pelo Quinteto Violado e a música Que nem vem vem estava de vento em popa, gravada por Elba Ramalho. A partir disso, nunca mais vi pessoalmente este grande autor, mas nas emissoras onde passei e por todos os meus programas fiz questão de sapecar seus álbuns na programação: Alegria de Nós Dois (1995), Janelas (1996), Retinas (1997), Jeito Maroto (1998), Sina de Cantador (1998), Isso Vale um Abraço (2000), Acelerando o Coração (2001), O Solado da Chinela (2002), Dê Cá um Cheiro (2005), Nascente (2006), o CD/DVD ao Vivo no Teatro Guararapes (2008), Sem Ouro e Sem Mágoa (2009) e Debaixo do Meu Chapéu (2010). Ainda hoje vou na maior cantarolada do Caboco sonhador! E vamos aprumar a conversa, até mais ver.

 

Veja mais aqui e aqui.

 

E mais:

CANTARAU & OUTRAS POETADAS

POEMAGENS & OUTRAS VERSAGENS

FAÇA SEU TCC SEM TRAUMAS – CURSO & CONTULTAS

 


segunda-feira, março 11, 2019

IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO, DAREL VALENÇA LINS, CHELPA FERRO, POETA PICA PAU, VALE DO UNA & IGARAPEBA.


O NORDESTINO POETA PICA PAU – Lá pelo início dos anos 1970, conheci aquele que vinha zambeta de venta empinada pela Rua Nova, carregando baldes atrás de lavagem pra porcos. De casa em casa gritava: Tem lavagem? De dentro vinha resposta, postiva ou negativa e, dependendo disso ele se ria ou saia maldizendo tudo. Era, então, Zé Pilintra e não arriava na beca, prumode o quê?: Prumode que é que é, qui nós home mata a mata? / Se a mata nus encanta, lugar onde o pássaro canta / com a lenda do Pai da Mata. / Quanto mais se mata a mata, a mata se consome / o home matando a mata, a mata ao home faz falta / e o mundo sentindo fome. / A mata senta a falta do grande potencial / da madeira do angico, e também do tico-tico / do bico do Pica Pau. Isso prova que mesmo parecendo um chato arengueiro, era cabra, no fundo, gente boa, só que se amostrava com a peste: Sou cria da mesma praça / que criou-se Giramundo / da terra sou oriundo / de um trovador de raça / eu sou pão da mesma massa / de um cantador esperto / sou troncho, torto sou certo / sou leso e não sou banana / mas sou a Besta Fubana / do escritor Luiz Berto. Era os tempos de estudante do Ginário Municipal, das estripulias licenciosas e maloqueragens adolescentes. Pois bem, tempo vai, tempo vem, a gente se danou na buraqueira do mundo e, uma década depois, se reencontra: pinga, meiota, cajá, caju, siriguela, bunda de tanajura e lavando tudo com cerveja, pilhéria, versejada e uma viola de 12 cordas Del Vecchio no meio da camaradagem. Diz ele que eu afanei o instrumento desencordoado, não foi, na verdade. Queria mesmo dar umas cipoadas boas no instrumento pra ver se aprendia direito. Não deu, nunca passei de poetastro, mas graças a ela, um dia depois de uma tocada boa, lá ia eu desprevenido pela rua e um cão que parecia um leão me atacou e nela me protegi. Resultado: do medo e quase que cagado, o ataque torou o braço da viola no meio que até hoje está num canto da casa de um consertador amigo. Por conta disso, a gente manga um do outro até hoje: eu das minhas besteiras de bestão tapado sem competência no métie; ele, da sabedoria, não perde uma, desaforo que seja, na ponta da língua arrelia de cima sem arriar no badalo: Guará gago não gagueja, e gato gago não mia. Eu que sempre fui um poeta de água doce, nunca acompanhei os motejos poéticos dele: Um grande furacão eu enfrentei / me deparei sem querer com um vulcão / antes de entrar em erupção / nas entranhas da terra emburaquei / quando nas placas tectônicas passei / o segredo já estava desvendado / os minérios que foram encontrados / são riquezas do poder da natureza / observando assim toda beleza / quando dei fé já tava do outro lado. De tão metido, vez em quando, no meio das pinoias e trocas de ofensas, ele sapecava no pau da minha venta um acrótisco: Não há dinheiro que pague / o valor que a gente tem, / ricos de literatura / dádiva de Deus amém, / ensinamento divino / sapiência do além, / talento cabra da peste / inspiração com encanto / nunca sentimos tanto / orgulho deste Nordeste. Jogava mais na minha lata o quanto honrava a tradição instaurada pelo poeta Manuel Bentevi: Me criei com o Pai da Mata / e Cumade Fulosinha / levei a vida todinha / vendo o Saci Pererê / Bumba meu boi pra se ver / tem a Mula sem Cabeça / espero que não esqueça / do meu tempo de menino / vou seguindo meu destino / levando a lenda às alturas / o folclore é a cultura / de um povo nordestino. / Baião de Luis Gonzaga / xaxado de Lampião / são danças da região / que deixa a gente animado / pastoril coco de roda / maracatu e reisado / lá na festa do Divino / se ouve o bater do sino / convidando as criaturas / o folclore é a cultura / de um povo nordestino. Pra você ter uma ideia, o sujeito não cabe em si de tão folgado, não deixando qualquer loa sem os respectivos bregues: Encontrei uma aguardente / cana boa de Sergipe / curava tosse e gripe / até tristeza da gente / com uma dose somente / suavizava um rouco / pra quem bebesse pouco / era remédio e curava / mas pra quem exagerava / era pô bôrocotôco. Feito pinto no lixo em qualquer faustoso repasto, o enxerido solta uma lapa de língua e saçarica ineivado: Chapéu de otário é marreta / comer de esperto é mingau / quem é otimista sonha / o realista é quem faz / quem trabalha Deus ajuda / cochichou cachimbo cai [...] Tristeza traz depressão / e toda dúvida é incerta / a chuva fina não molha / depois da curva vem reta / com rimas de faz poesias / inspiração d’um poeta. E para mais me humilhar, arruma a gola no vinco e a fivela nos quartos, enche o pulmão com afinco e se amostra todo ancho cheio do Tataritaritatá: Joaninha a filha mais nova / de Gregório cabra danado / que quando ficava zangado / leva 1, 2,3 pra cova / eu quis tirar essa prova / lhe chamei pra namorar / ela disse vou aceitar / mas tenho quase certeza / que meu pai vai te matar / eu fiz uma festa daquelas / embriaguei o pai dela / me agarrei com a donzela / e tari, tari, tari, tatá. Não para por aí, afina o gogó e pisa forte no martelo: Uma casa de taipa chão batido / o terreiro arrudiado de fulô / na janela uma cortina de tricô / uma cerca de arame retorcido / uns cabritos no pasto distraídos / no alpendre alguém bate o pilão / no roçado a dibúia de feijão / no fogão a panela à cuziar / e sem ter como isso registrar / tirei foto com a imaginação. Pois bem, esse alagoano de Passo de Camaragibe chegou menino em Palmares, fincou os pés no chão proseando descarado: O tum, tum tum no pilão / de longe se escutava / na chaleira mão botava /  o pó e água no fogão / com fartura de montão / para mesa ela trazia / a gente se reunia / pro alimento primeiro / ainda hoje eu sinto o cheiro / do café que mão fazia. Montado numa lapa de bigode não para no amostramento: Alerto as autoridades, / e doutores competentes / para voltasse ao sistema / que já salbou muita gente / porém com estilo ótico / vi no diagnóstico / que o SUS está doente. Com o tempo, como um bom embeiçador da tirana, tornou-se técnico em produção de açúcar e álcool e, também, em logística e gestão de pessoas. Graduou-se em Teologia para ampliar seu arcabouço intelectual: afinal, pro cabra ser bom tem que entender de tudo, até das coisas do outro mundo que ele se diz doutor. Publicou uns livros. Destes, eu tenho um livro e um cd: Feitos d’versos (Outras Palavras, 1995) e Umas & outras. O restante deles, não sei se por pirangagem da sua mão de figa, nem eu tenho, nem na biblioteca ou na Academia onde ele ocupa uma das cadeiras de imortal, podem ser encontrados: Sussurros da mata (Bagaço, 1986), Num rio de poesias (Universitária, 1987), Despertar no rincão, Matutando na literatura e Prosa de terreiro. S’assente, meu véio, faça isso não. Agora ele reaparece com a obra Nordestino sim senhor (JC, 2018): Tinha um rio, uma pedra, e um peixe / o rio corria, a pedra crescia, o peixe nadava / a agua batia e a pedra molhava / e na correnteza a peixe subia / o rio foi poluído / a pedra explodida / e o peixe sumido / puta que pariu, quem diria! Só tenho agora uma coisa a dizer: esse é dos bons, afianço (quem sou eu? Ah, bicho besta metido às pregas), esse José Maria Sales, o poetamigo Pica Pau. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: O QUE É SER BRASILEIRO
[...] e não me senti brasileiro. O que é ser brasileiro? Tomar deste sorvete? Falar português? Levar vantagem, guardar dólar para valorizar, aceitar passivamente a inflação, aplicar no open, invejar a corrupção impune, usar tanga minúscula exibindo os pentelhos, saber estourar pipoca, jogar na loto, saber com quem está falando, procurar mordomia, assistir ao Fantástico, ter caderneta de poupança, tomar rabo de galo, achar caipirinha de vodca o máximo, fritar linguiça de porco, não pagar prestação da casa própria, se pendurar num emprego público, ter sucesso, adorar voleibol, ter todos os cartões de crédito, comer abobrinha, mandioca frita, dar um jeitinho, ter um contrabandista amigo para as bebidas, curtir o carnaval, usar jeans com grife estrangeira, fingir que não se incomoda com o que Roberta Close tem no meio das pernas, ter fé em Nossa Senhora Aparecida, ser doutor, mentir como o governo, acreditar na macumba, sacanear, desmentir como o governo, devorar dobradinha às quartas-feiras e feijoada aos sábados, adorar bundonas, dizer que come todas as mulheres, acreditar que ninguém pode com o brasileiro? [...].
Trecho extradído da obra O beijo não vem da boca (Global, 1985), do escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão, Veja mais aqui, aqui e aqui.

A ARTE DE DAREL VALENÇA LINS
É a cor que muda as sensações e o clima do acontecimento. Pode atribuir um clima dramático, ou poético, ou sombrio. Pensamento de Darel Valença Lins
As prostitutas [...] dizem coisas através da maneira como se vestem, o que traduz o interior de cada uma delas [...] Não é por necessidade erótica que fico atraído pelo tema, mas pela forma, pelo sensualismo das roupas, do penteado, da maquilagem. Esses aspectos me causam grande interesse visual e muito pouco sensual. Muita gente procura fazer sensacionalismo, como se eu fosse um cara que frequentasse habitualmente os bordéis, tomasse absinto e enchesse a cara [...] Trechos de uma entrevista de Darel Valença Lins ao Jornal Auxiliar, São Paulo, 01/07/1985.
[...] As cidades inexistentes que ele cria e que parecem despovoadas, os seres humanos esmagados pela máquina – e tudo isso na atmosfera penumbrosa do sonho, um realismo que nós reconhecemos como se fosse nosso: beleza e pesadelo marcam a obra de Darel. Como se podem unir estas duas palavras – só Darel sabe porque ele vive seus sonhos, não como homem irreal, mas como um homem. Quem habita as enormes cidades, senão o próprio Darel que as sonha e idealiza? Sonhar e idealizar são o ideal de um homem, de uma mulher. Em Darel, além da parte artística propriamente, há uma preocupação com a totalidade do ser humano em sua plenitude. O choque impotente do indivíduo diante da máquina. As cidades escuras onde uma ou outra janela de luz acesa atestam que elas são habitadas. Psicanalisando ou não, trata-se de um grande artista e tenho que falar no resplandecente mistério de sua obra. Dela emana, tanto da gravura, quanto do óleo e do desenho o grande mistério de viver [...] Palavras da escritora Clarice Lispector, em Diálogos Possíveis. Darel, revsita Manchete, São Paulo 07/1978.
A arte do premiado gravurista, pintor, desenhista, ilustrador e professor Darel Valença Lins (1924-2017), que foi professor da Enba, Faap e Masp, atuou como ilustrador em diversos periódicos, como a revista Manchete, Senhor e Playboy, e os jornais Última Hora e Diário de Notícias, entre outros. Foi encarregado das publicações da Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil, ilustrou livros dos maiores escritores da literatura brasileira, como Graciliano Ramos, Dalton Trevisan, Antonio Maria e Clarice Lispector. Conviveu com Iberê Camargo, Cândido Portinari e Oswaldo Goeldi, entre outros. Fonte: GORINO, Vitor Hugo. Litografia artística brasileira: Lotus Lobo e Darel Valença Lins (Universidade Estadual Campinas, 2014). Veja mais aqui, aqui e aqui.

A MÚSICA DE CHELPA FERRO
O coletivo Chelpa Ferro foi criado em 1995 e reúne a trajetória de renomados profissionais, como o pintor Luiz Zerbini, o escultor Barrão e o editor de cinema Sérgio Mekler, aliando experiências pessoais que exploram possibilidades na produção de arte contemporânea brasileira, utilizando elementos sonoros justapostos aos visuais em suas obras. A abordagem interdisciplinar é revelada pela aparente desorganização meticulosamente orquestrada, criando espaço de fronteira entre os objetos articulados, o público e o som em suas performances, instalações e shows. Na obra Maracanã (2003), realizada no Museu de Arte Moderna (MAM), do Rio de Janeiro, replica por meio de música eletrônica experimental a emoção de um jogo de futebol e apropria-se do espaço com a grandeza da arena construída. Assim, na obra de Chelpa Ferro, a percepção convencional de música é desconstruída, criando uma nova linguagem sonora que, ao ser equalizada em função escultórica, assinala correspondências ativadas pela disposição e curiosidade do espectador. Já Acqua Falsa (2005), apresentada na 51a Bienal de Veneza, a obra incorpora a apresentação ao vivo com o improviso e interação com o público. A performance Autobang, na 27a Bienal de São Paulo (2002), o batuque gerado pelos porretes em ação é amplificado pelas caixas de som, produzindo distorções que se revelam na construção de fronteiras entre ruído e música, processo e resultados, espaço e escultura orienta a poética deste coletivo, a reflexão sobre o improviso, o reprocessamento e a criatividade da cultura brasileira. Já se apresentou em Havana (2003), em Porto Alegre, e possui 4 álbuns lançados nos anos de 1997, 2011, 2012 e 2013. A discografia do coletivo registra experimentações sonoras em shows ao vivo e publicado um livro com um panorama das criações do grupo. Veja mais aqui.
&
VALE DO UNA - CAPOEIRAS, ONDE NASCE O RIO UNA
Veja mais aqui & aqui.
&
IBA.VALE: ARTE EM IGARAPEBA
Veja aqui e aqui.
&
A poesia do poeta Pica Pau aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


sábado, julho 15, 2017

DERRIDA, PAULO MOURA, UZYNA UZONA, PAT METHENY, EUGÉNIA MELO E CASTRO, TOMOKO MUKAIYAMA, HAMID ZAVAREEI, GUIDO BILHARINHO & SÁBADO NO UNA

PORQUE ERA SÁBADO NO UNA - De manhã, o Sol na feira: sabores do campo, odores de sovaco e lamaçal. Burburinho sem horrores, passos e pressas, motores roncando nas idas e vindas pro mercado, toldas dos cordéis, fruteiras e precisões, bagaços e rumores de fôlegos avexados, da La Ursa ao Mané Gostoso, tudo vendável aos gritos das ofertas: é só hoje, amanhã não tem mais. Das flores as cores e curaus, olores matinais de moça que acordou, gente a dar com pau. Sacolas de milho, cheirinho bom de munguzá. Quem vai querer? Raízes saborosas, frutos tirados do pé. Lapadas, meiotas e cuspidas, tinindo! Como vai? Até já. Escolhas na urupema, enche a bisaca. Quanto é? Um tantinho de nada, feito caldo de cana. Opa! Ali está mais em conta. Ah, pode levar, aqui manda o freguês, cortesia cristã, usura aos trocados. Até o homem da cobra juntava curiosos, receitas de cura, bregueços de tudo. A vida passava e nem nem, o troco das graças, troços de festas, fuxicos e pesos pesados nas medidas dos bolsos. É andar que só a má notícia. Carrega de monte, a tuia desfeita num quarto de hora, do jeito que vai não chega meio dia. Nada, pelas dez o saudoso Tininho invocando o risível em voz alta trechos do Aleph de Borges, enquanto Karajan soava baixinho o último movimento da Nona de Beethoven na vitrola lá de dentro. Pilhérias do Velho Faceta com as cenas do Porteiro de Cavani, Tininho misturava as Carmina Burana ao Agá de Hermilo, nem se sabia o que era sério ou lorota. Antes das onze chegava Afonso Paulo risonho ajeitando os óculos no pau da venta com leituras ilustradas de Joyce e dos Sertões de Rosa, já a hora de ir pro Boteco do Dudé, lá fora a trocar ideias das Filosofias, Literaturas e músicas de todos os tempos nas conversas fiadas. Muito depois do meio dia, papo ainda por atualizar de todo, hora do almoço com a saiadeira. À sesta, o mormaço da tarde e Luciano nos rastros de Décio, Tomé e do saudoso Jaorish pras claves pianísticas das horas até o crepúsculo com improvisos de jazz ou rock progressivo, tons da Orquestra Armorial ou dos solfejos de Saint-Preux. À boquinha da noite tudo como a poesia da Criação de Vinicius, coisas de se rir com a Fubana de Berto no teatro pros riscados de Rollandry ou com as gaitadas de Juhareyz com as matutices poéticas de Ascenso. Já de noite e o bar no mote de Zé Ripe, aos acordes de Ozi e a Leonor de Célio e Gulu: a gente mangava de tudo de nem se tocar que a vida é tão breve. Fernandinho Bigode dava o tom pra Marquinhos como se não houvesse amanhã, enquanto Âneglo desenhava uma caricatura da trupe perpetuando a besteira da gente viver assim de nada, feito magotes levados pelo empolgado desentôo de Mauricinho que sacava do Cascudo as coisas de Jorge Amado e o Profeta recita uma do Jogo Duro preu ensaiar acordes perdidos. De passagem o insone Mazinho acenava uma canção madrugeira e a gente toda, aos copos e risos, perdíamos o tempo nas lembranças aos ventos da quase manhã de Domingo na beira do Una. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

OS ARQUIVOS DE DERRIDA
[...] Depositados sob a guarda desses arcontes, estes documentos diziam, de fato, a lei: eles evocavam a lei e convocavam à lei. Para serem assim guardados, na jurisdição desse dizer a lei eram necessários ao mesmo tempo um guardião e uma localização. Mesmo em sua guarda ou em sua tradição hermenêutica, os arquivos não podiam prescindir de suporte nem de residência. [...] Para se abrigar e também para se dissimular. Esta função arcôntica não é somente topo-nomológica. Não requer somente que o arquivo seja depositado em algum lugar sobre um suporte estável e à disposição de uma autoridade hermenêutica legítima. É preciso que o poder arcôntico, que concentra também as funções de unificação, identificação, classificação caminhe junto com o que chamaremos o poder de consignação. Por consignação não entendemos apenas, no sentido corrente desta palavra, o fato de designar uma residência ou confiar, pondo em reserva, em um lugar e sobre um suporte, mas o ato de consignar reunindo os signos. Não é apenas a consignatio tradicional, a saber, a prova escrita, mas aquilo que toda e qualquer consignatio supõe de entrada. A consignação tende a coordenar um único corpus em um sistema ou uma sincronia na qual todos os elementos articulam a unidade de uma configuração ideal. Num arquivo, não deve haver dissociação absoluta, heterogeneidade ou segredo que viesse a separar (secernere), compartimentar de modo absoluto. O princípio arcôntico do arquivo é também um princípio de consignação, isto é, de reunião. [...] Fazer justiça a essa necessidade significa reconhecer que, em uma oposição filosófica clássica, nós não estamos lidando com uma coexistência pacífica de um face a face, mas com uma hierarquia violenta. Um dos dois termos comanda (axiologicamente, logicamente etc.), ocupa o lugar mais alto. Desconstruir a oposição significa, primeiramente, em um momento dado, inverter a hierarquia [...].marcar o afastamento entre, de um lado, a inversão que coloca na posição inferior aquilo que estava na posição superior, que desconstrói a genealogia sublimante e idealizante da oposição em questão e, de outro, a emergência repentina de um novo ‘conceito’, um conceito que não se deixa mais - que nunca se deixou - compreender no regime anterior [...]. A perturbação do arquivo deriva de um mal de arquivo. Estamos com um mal de arquivo (en mal d'archive). Escutando o idioma francês e nele, o atributo de "en mal de", estar com mal de arquivo, pode significar outra coisa que não sofrer de um mal, de uma perturbação ou disso que o nome ‘mal’ poderia nomear. É arder de paixão. É não ter sossego, é incessantemente, interminavelmente procurar o arquivo onde ele se esconde. É correr atrás dele ali onde, mesmo se há bastante, alguma coisa nele se anarquiza. É dirigir-se a ele com um desejocompulsivo, repetitivo e nostálgico, um desejo irreprimível de retorno à origem, uma dor da pátria, uma saudade de casa, uma nostalgia do retorno ao lugar mais arcaico do começo absoluto [...].
Trechos da obra Mal de Arquivo: uma impressão freudiana (Relume Dumará, 2001), do filósofo francês Jacques Derrida (1930-2004), ensaio que trata acerca do lócus da memória, dos registros do passo e da história, num conceito de arquivo sob a perspectiva tecnica, política, ética e jurídica, suas correspondências com o momento, o índice, a prova e o testemunho evocando um sintoma, um forimento e uma paixão como o arquivo do mal, definindo a interpretação no discurso da história. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre:
O feitiço da naja: tocaia & o bote, Sistemas de comunicação de Joseph Luyten, Palmares & o coração de Hermilo Borba Filho, Porta giratória de Mário Quintana, Or de Liz Duffy Adams, a música de Vanessa Lann, a pintura de Joerg Warda & a arte de Luciah Lopez aqui.

E mais:
Aniversário de Aninha, A escritura & a diferença de Jacques Derrida, O narrador de Walter Benjamin, Bodas de sangue de Federico García Lorca, a música de Paulo Moura, a pintura de Cícero Dias & Rembrandt Harmenszoon van Rijn, a coreografia de Lia Robato, Brincarte do Nitolino & a poesia de Greta Benitez aqui.
A obra de arte & a reprodução de Walter Benjamim, a poesia de Guillaume Apollinaire, a pintura de Rembrandt Harmenszoon van Rijn, Efigênia Coutinho & Programa Tataritaritatá aqui.
A campanha do Doro presidente aqui.
A ponte entre o amor e a paixão aqui.
Literatura de cordel: Que língua a nossa, de Carlos Silva aqui.
As trelas do Doro: doidices na sucessão & a arte de Yayoi Kusama aqui.
Cantarau Tataritaritatá, a pintura de Candido Portinari & Vicente do Rego Monteiro, a música de Bach & Wanda Landowska, O vir-a-ser contínuo de Heráclito de Êfeso, A estrada morta de Mia Couto, As casas & os homens de Adolfo Casais Monteiro, Maria Peregrina de Luis Alberto Abreu, Quebra de xangô de Siloé Soares de Amorim, a arte de Luciano Tasso, Brincarte do Nitolino & Jobs no baço e encarar nocautes de Vlado Lima aqui.
Primeira reunião, Ética pro novo milênio do Dalai Lama, Morte ao invasor de Gilvan Lemos, O despertar da primavera de Frank Wedekind, O testamento de Orfeu de Jean Cocteau, a pintura de Marc Chagall & Edgar Degas, a música de Toquinho, a arte de María Casares, a coreografia de Alonso Barros & a poesia de Valéria Tarelho aqui.
Lagoa Manguaba, Teoria do vínculo de Pichon Rivière, História do Brasil de Laurentino Gomes, as sinfonias de Gustav Mahler, a pintura de Lasar Segall & Ekaterina Mortensen, Amor por anexins de Artur Azevedo, o cinema de Vittorio De Sica & Sophia Loren, Kiki, Rainha de Montparnasse, Pavios curtos de José Aloise Bahia & Programa Tataritaritatá aqui.
A rodagem de Badalejo, a bodega de Água Preta, O analista de Bagé de Luis Fernando Veríssimo, Narração & narrativas de Samira Nahid Mesquita, Iniciação ao teatro de Sábato Magaldi, o cinema de Hector Babenco, a música de Meredith Monk, a arte de Vanice Zimmerman, a pintura de Robert Luciano & Vlaho Bukovac aqui.
Cantando às margens do Una, Psicologia geral de Alexander Luria, Clonagem & células-tronco de Mayana Zatz, Aquela criança de sempre de Reinaldo Arenas, a música de Heitor Villa-Lobos & Arthur Moreira Lima, o cinema de Luchino Visconti & Alida Valli & Marcella Mariani, Ginger Rogers, a pintura de Joshua Reynolds & Carl Larsson, a arte de Ana Paula Arósio & a poesia de Líria Porto aqui.
A família de Jacques Lacan, Pensamento & linguagem de Alexander Luria, a música de Elizeth Cardoso, Aníbal Bragança & Clevane Pessoa de Araújo Lopes aqui.
A mulher na história aqui.
Proezas do Biritoaldo aqui.
Satyrricon de Petrônio aqui.
Musa Tataritaritatá: a estudante Estéfane Cruz aqui.
A arte de Claudia Cozzella aqui.
Educação, professor-aluno, gestão escolar & neuroeducação, O livro dos sonhos de Jorge Luis Borges, a música de Ayako Yonetani, Ciência psicológica, a fotografia de Anton Giulio Bragaglia, a pintura de Jean Metzinger & Anthony Gadd aqui.
Cantarau Tataritaritatá, 1919 de John dos Passos, o teatro pobre de Jerzy Grotowski, Estética teatral de José Oliveira Barata, a coreografia de Xavier Le Roy, a pintura de Vesselin Vassilev, a arte de Alex Mortensen & a música de Carlos Careqa aqui.
Manchetes do dia: ataca o noticiário matinal, Folclore pernambucano de Pereira da Costa, Filosofia da Linguagem, Vinte vezes de Cassiano Nunes, a música de Fabian Almazan, a coreografia de Doris Uhlich, a pintura de Nicolai Fechin & a arte de Roberto Prusso aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

O CINEMA DE GUIDO BILHARINHO
Acaba de ser lançado o livro O Cinema de Hitchcock e Woody Allen (Revista Dimensão, 2017), do advogado e escritor Guido Bilharinho, editor da revista internacional de poesia e autor de livros de Literatura, Cinema e História do Brasil e Regional, traçando uma trajetória dos anos 1930 até 2000. O autor colaborou publicando artigos sobre cinema no nosso tablóide Nascente – Publicação Lítero-Cultural, que circulou entre os anos 1995/1999. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais do saudoso maestro, compositor, arranjador, saxofonista e clarinetista Paulo Moura (1932-2010) interpretando Radamés Gnatalli & Confusão urbana, suburbana e rural; a cantora e compositora portuguesa Eugénia Melo e Castro cantando Vinicius de Moraes e outros dos seus sucessos; o guitarrista de jazz estadunidense Pat Metheny desfilando Speaking of Now Live & The Way Up; e a pianista, compositora, artista e diretora japonesa Tomoko Mukaiyama executando At the illeseum (parts 1, 2 e 3) e músicas de obras de John Zorn, William Bolcon & Frank Zappa. Para conferir é só ligar o som e curtir.

O TEAT(R)O OFICINA UZYNA UZONA
A arte do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, companhia teatral fundada e dirigida pelo ator e diretor de teatro José Celso Martinez Correa. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Hamid Zavareei
Veja mais aqui.
 

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...