quinta-feira, junho 11, 2020

PRIMO LEVI, GERTRUDE STEIN, RICARDO RANGEL & FRANCISCO BRENNAND



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: SOLIDÃO, HORROR & DESGOVERNO - Todo dia varando o pedaço azul da imensidão que me cabe no fluxo incessante dos devires, vou à varanda e é tempo chuvoso, o inverno se avizinha. Logo imagino neste tempo ter de volta aquele de luta pela redemocratização do meu país. Tempo difícil de negrume e a minha gente se esqueceu daquela lição. Deu-me a sensação de Yasunari Kawabata: Talvez o sentimento do mal tivesse ficado anestesiado, confundido com costumes e ordens sociais. Parece mesmo, a nossa democracia é uma jovem sujeita às ilusões das lábias cavernosas dos poderosos dominantes, nossas frágeis instituições sucumbem com facilidade ao poder econômico e os sabidos acham pouco e fraudam até as cotas das universidades. Pois é, com a luta da Carta Cidadã não deu para vaticinar o futuro demolindo o passado, voltamos para a estaca zero. Vou para outra. DOIS: OS VENCEDORES QUE SE CUIDEM – A história oficial sempre foi contada pelos e para os vencedores. Somente a eles dominantes que tripudiaram para se eternizarem, o elogio no poder de ditar o que ficaria para a posteridade. Hoje o que a gente vê de patrimônio histórico e nomes de praças e ruas com o que eles mandaram e desmandaram dão na desfaçatez e indignação. A história haverá de ser reescrita e, ao que parece, já começou: muitos livros, documentários, narrativas, ficções e depoimentos precisam ser levados em consideração. Que os historiadores tomem coragem – alguns já deram o pontapé! Para tanto, no Fecamepa dou meus pitacos nesse sentido e com uma farta referência no final, coisa de doido. Mas para não ficar nessa aguada e tediosa angústia quarentenada, melhor os versos do Espelho de Geraldo Carneiro: do outro lado um estranho / faz simulações como se fosse / um demônio familiar / é sempre noite, um assassino sonha / com mulheres assassinadas em série / sob as palmeiras de Malibu / o mundo é só uma ficção plausível / a imagem que baila ao rés-da-lâmina / é um último e improvável vestígio / da existência de Deus / o resto são ecos de outras faces / gestos de espanto e despedida / a música dos relógios, a morte. De repente a catarse nos sinalize um paraíso qualquer por insinuação. TRÊS: MUDANDO DE CONVERSA PELAS DOIDICES - Gente, que tolidade é esta, hem? A patetada ministerial tesloucou ou é o fanatismo disparatado que está vingando na onda coisada, ou as duas coisas mesmo, só sendo. Haja patacoada: para o da saúde o norte/nordeste está no Polo Ártico; para o da área ambiental, boiadas passam pro desmatamento e tome queimada amazônica; para a doida dos direitos, Jesus na goiabeira quer prender os do contra e cassar os que morreram caçados; pro energúmeno da educação, ditadura nas universidades para gestão privada e desaprendizagens online; pro da economia, enriquecer os ricos e promessas de esmolas para os pobres; isso tudo afora afrontas antidemocráticas, arengas nas relações internacionais e aposta nas sandices de enxofre e alho para combater a pandemia. Olhando direitinho, do fundo do poço não dá pra ver luz nenhuma no fim do túnel: o Planalto pirou e nem se sabe para onde vamos. Como o Brasil está num mata-burro, estou aqui com caraminholas no juízo e ouvindo Vygotsky repetir: O saber que não vem da experiência não é realmente saber. Através dos outros, nos tornamos nós mesmos. E o que tem a ver isso com aquilo? Acho que estou variando, será que a disparatada contagia como a pandemia? Eita! Tenho que tomar tino, vai lá que seja contagioso mesmo, hem? Até mais ver que vou ali e volta já, tá? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] A semente de Auschwitz não deveria voltar a germinar; mas a violência está perto, à nossa volta, e há uma violência que é filha da violência. Existem vínculos subterrâneos entre a violência das duas guerras mundiais e a violência que presenciamos [...]. Trecho extraído da obra Entrevistas y consersaciones (Península, 1998), do químico e escritor italiano Primo Levi (1919-1987). Veja mais aqui e aqui.

CONTANDO OS VESTIDOS DELA, DE GERTRUDE STEIN
[...] PARTE I - ATO I Quando eles não me viram. Eu vi eles de novo. Eu não gostei. ATO II Eu conto os vestidos dela de novo. ATO III Você pode desenhar um vestido. ATO IV Em um minuto. [...] PARTE XXXVII - ATO I Conta os vestidos dela. ATO II Coleciona os vestidos dela ATO III Limpa os vestidos dela. ATO IV Eis o sistema. [...] PARTE XXXVIII - ATO I Ela poliu a mesa. ATO II Conta os vestidos dela novamente. ATO III Quando você pode vir. ATO IV Quando você pode vir. [...] PARTE XXXI - ATO I Reflita mais. ATO II Eu quero mesmo um jardim. ATO III Você quer. ATO IV E roupas. ATO V Eu não menciono roupas. ATO VI Não você não mencionou mas eu mencionei. ATO VII É eu sei disso. [...].
CONTANDO OS VESTIDOS DELA – Trechos extraídos da peça teatral Contando os vestidos dela (7 Letras, 2001), da escritora, dramaturga e feminista estadunidense Gertrude Stein (1874-1946). Esta obra é parte dos estudos realizados pela tese de doutoramento sobre a temática Aqui há uma margem - teatro e exílio em Gertrude Stein (UFRJ, 2007), da professora e pesquisadora Inês Cardoso Martins Moreira, que é graduada em Artes Cênicas – Teatro pela UFRJ. Veja mais aqui.

A ARTE DE RICARDO RANGEL
Temos um país sentado.
RICARDO RANGEL – A arte do fotógrafo e fotojornalista moçambicano Ricardo Rangel (1924-2009), que teve durante sua carreira muitas obras proibidas e destruídas pelos censores portugueses que não foram exibidas até à independência de Moçambique, em 1975, por ser frequente alvo da polícia secreta, a PIDE. Sobre ele o longa-metragem documentário Ricardo Rangel - Ferro em Brasa (2009), do realizador Licínio Azevedo, desatacando-o como símbolo vivo da geração que no fim dos anos 1940, iniciou as primeiras denúncias contra a situação colonial, enquanto fotografava e revelava a desumanidade e a crueldade do colonialismo, até o fim da guerra civil pós-independência. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
 
A arte do escultor, ceramista e artista plástico Francisco Brennand (1927-2019). Veja mais aqui.
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A música da saudosa cantora e compositora Selma do Coco (1935-2015) aqui.
A obra do poeta e enciclopedista Artur Griz aqui, aqui e aqui.
A arte da artista visual Juliana Lapa aqui.
Organismo, de Jeorge Pereira & Bianca Joy Porte aqui.
Memória da Cena Pernambucana aqui.
&
São Caetano aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

quarta-feira, junho 10, 2020

UMBERTO ECO, ELLEN LANGER, MARIEMMA & KAMILA CIDRIM



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: DE APEGOS & INSIGNIFICÂNCIAS – Para quem não tem nada, qualquer potoca vale muito: do nulo ao inútil, as carências falam mais alto e até demais. Basta o trivial para ficar apegado logo de primeira, maior xodó, na cola, agarrado. Bote tempo até perder a graça e cair no esquecimento. Afora o arrependimento depois de ter perdido tempo com aquilo. Bem que Saul Bellow falou: A banalidade é o disfarce de uma poderosa vontade de abolir a consciência. Viva ou morra, mas não envenene tudo. O pior é que o mais tímido ato ou mínimo que seja o gesto de afeição, as consequências são irreversíveis. Há quem diga que só não tem jeito pra morte, destá. Com essa vou pra outra. DUAS: SÓ O MESMO O TEMPO PARA QUEM NA CAUSA – Quem já passou por um bocado de coisas que jamais pensei que um dia fosse me ver enrolado, de fila de espera e Justiça tardia que muita vezes falha feito um traque peba, mesmo assim, a cada dia, de 2015 para cá, é cada uma de arrombar com todos os precedentes. Chega fico imaginando como é que certas coisas acontecem de tão de absurdas, quando não inapropriadas. Tinha que viver para ver tudo isso desmoronando para boiar pelas ruínas. Agora é tarde, já foi. Tinha comigo os sábios versos de Camões: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, / Muda-se o ser, muda-se a confiança; / Todo o mundo é composto de mudança, / Tomando sempre novas qualidades. Sim, na vida estamos todos em processo. Só que eu não contava jamais com a evolução dos tempos de volta para a barbárie. É tudo tão desumano, de doer. Ah, vou pra outra. TRÊS: A SAIDEIRA DA SOLIDÃO – Hoje estou assim que nem sei. Vou e volto dia a dia e tudo descendo a ladeira. De qualquer situação só se espera o pior, ô Brasilzão complicado, meu. Tinha que ser do jeito mais difícil, não sei. O traumatizante sai na urina do carnaval, do futebol, da cachaçada ou sei lá que mais. Só sendo mesmo. Não fosse isso, o que seria da alegria extravasada desse meu povo tão misturado e com a cara para a pregada do desacerto, hem? Leva tudo nos peitos e no jeitinho, quando pode, senão já viu o buruçu. Por alento, um afago de Courbet: O belo, como a verdade, está ligado ao tempo em que se vive e ao indivíduo que está pronto para compreendê-lo. Sei não, de tanto enterro voltando vou é cair na vida. E vamos aprumar a conversa, né gente! Até mais ver que vou ali e volta já pra outras lorotas, tá? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: A falta de atenção não é estupidez. Você aprende algo e começa a pensar só daquela forma. Todos estamos sofrendo com a desatenção. Às vezes não vemos o que está na nossa frente, porque achamos que já sabemos das coisas, mas não sabemos. Independentemente do que esteja fazendo, fazer com consciência plena é muito melhor. Atenção plena não é preocupação o tempo todo. É a energia gerada, não consumida. A plena consciência é a essência do carisma. O seu corpo está onde está a sua mente.
Pensamento da psicóloga e professora estadunidense Ellen Langer, autora da obra Atenção plena (Benvirá, 2018), na qual trata sobre a mindfullnes, uma técnica destinada à simples arte de perceber coisas novas. Para ela, a rotina e a visão viciada são os inimigos do estado de consciência plena: Quando você acha que sabe e conhece as coisas, você deixa de prestar atenção, com isso perde oportunidades, porque tudo está mudando o tempo inteiro. Para tanto, a atenção plena pode ser um beneficio para a saúde, o trabalho e até mesmo ajudar no combate ao preconceito e a injustiça social. Neste livro, ela propõe deixar de lado as categorias habituais e a ver o mundo de uma nova perspectiva, utilizando-se de estudos de campo apresentando que a atenção plena na prática fornece valiosos insights que podem ser aplicados no dia a dia. Ao abordar sobre a ilusão da teoria de controle, tomada de decisão, envelhecimento e atenção plena, ela faz referências às religiões orientais e discute como o comprometimento cognitivo precoce afeta as ações cotidianas e as escolhas ao buscar saídas para determinadas situações, que determinam a aceitação de limites que muitas vezes não existem: Meu trabalho sobre Mindfulness foi conduzido inteiramente dentro da perspectiva científica ocidental. Inicialmente, meu foco estava centrado na falta de atenção (mindlessness) e sua prevalência na vida cotidiana. A noção de Mindfulness se desenvolveu gradualmente ao olhar os aspectos da falta de atenção e depois no outro lado da moeda. Apenas após uma série de experimentos demonstrando os cursos de uma mentalidade rígida e uma perspectiva unilateral que eu comecei a explorar o enorme potencial da atitude de atenção plena na saúde, criatividade, e no trabalho. Com isso, entende-se que Mindfulness é um conjunto de práticas que combina regulação da atenção e meditação com o objetivo de desenvolver a capacidade de estar plenamente presente, proporcionado uma autoconsciência emocional, consciência do ambiente, e do corpo, o que leva a acalmar os sentidos e diminuir o nível de agitação mental. Embasada na Quarta Verdade do budismo, que é a realidade do caminho para a cessão do sofrimento, ligando-se a três dos oito ensinamentos: esforço correto, atenção plena correta e concentração correta, e desvincular-se da religião para se ligar à ciência. Por consequência, tais estudos possibilitaram técnicas de psicoterapia de terceira geração altamente eficazes, tais como Terapia Cognitiva Comportamental baseada em Mindfulness; Terapia de Aceitação e Compromisso, Terapia Dialética Comportamental e Terapia de Redução do Estresse baseada em Mindfulness. Ela ainda assinala que: Um erro em um contexto pode ser sucesso em outro, basta você conseguir olhá-lo dessa forma. Toda pessoa tem a capacidade da atenção plena, mas ela acaba enterrada pela correria da vida. Tais abordagens podem ser também observadas na publicação Atenção plena – Mindfulness: como encontrar a paz em um mundo frenético (Sextante, 2015), de Mark William e Danny Pennan.

A BIBLIOTECA DA ABADIA DA ROSA
[...] A mais notável de todas as construções da abadia era a biblioteca, situada dentro do edifício. Sua entrada era possível pelo próprio edifício, cujas portas eram ciosamente guardadas pelo bibliotecário-chefe, ou por uma passagem secreta através do ossário. A arquitetura da biblioteca era a de um labirinto, cheio de escadas que não levavam a lugar nenhum e salas que refletiam outras salas; espelhos, corredores sem saída e portas secretas ajudavam a aumentar a confusão. Afirmou-se que seus arquitetos anônimos buscaram inspiração nos planos da biblioteca de Babel. Entre todos os tesouros que a biblioteca abrigava, o maior deles era o longo tratado de Aristóteles sobre comédia. Foi para preservar o mundo do conhecimento dessa obra – considerada um estimulo ao esquecimento de Deus – que um monge idoso teria cometido uma série de homicídios atrozes que culminaram com a destruição da própria abadia.
A BIBLIOTECA DA ABADIA DA ROSA - Trecho extraído da premiada obra O nome da rosa (Nova Fronteira, 1983), do escritor, filósofo e bibliófilo italiano Umberto Eco (1932-2016), adaptada para o cinema com direção de Jean-Jacques Annaud, cujo título era uma expressão usada na Idade Média para denotar o infinito poder das palavras. A narrativa é repleta de mistérios com símbolos secretos e manuscritos codificados, retratando um episodio ocorrido durante a Idade Média, no qual o riso era considerado um pecado pela igreja, levando ao enredo em torno das investigações de uma série de crimes misteriosos, cometidos dentro de uma abadia medieval. Veja mais aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Eu tiro meu chapéu, / ajoelhar-se a seus pés, / dançarina como Mariemma / eles nunca mais se verão, / permanecerá na história / como um dos grandes / que a Espanha teve, / para o melhor século / de todos os séculos.
MARIEMMA – A arte da bailarina e coreógrafa espanhola Guillermina Teodosia Martínez Cabrejas (1917-2008), mais conhecida como Mariemma. Ela foi descoberta por um pintor enquanto dançava numa rua de Paris aos 9 anos de idade. Ela foi enviada a um conhecido professor e, três anos depois, tornou-se solista no Olympia Theatre, realizando a sua primeira coreografia. A partir daí construiu uma trajetória de sucesso e renome internacional. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A arte da bailarina, professora e coreógrafa Kamila Cidrim, que estuou dança em Cuba, no Ballet de Camaguey, na Royal Academy of Dance e residência na Broadway Dance Center em Nova York. Ela é graduada em Designe pela UFPE e pós-graduação em Dança pela Faculdade Angel Viana. É professora de ballet na Escola Internacional de Aldeia e no Espaço e Grupo Endança.
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A música do músico, maestro, violonista e compositor Antônio Madureira aqui.
O premiado filme Azougue Nazaré, de Thiago Melo aqui.
A arte da artista plástica Christina Machado aqui.
A poesia do poeta e professor Admmauro Gommes aqui & aqui.
A obra do professor, escritor e pesquisador na área de linguagem, Arantes Gomes do Nascimento aqui.
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Agrestina aqui & aqui.


terça-feira, junho 09, 2020

JORGE OTEIZA, SÍLVIO ALMEIDA, KATIA MESEL & TRÓPICO DAS CABRAS



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: DO MONTE DE BRASIS!!!!! – Ah, gentamiga dos Brasis de Z, S e o alfabeto inteiro pro Fecamepa! Haja Brasis no Brasil! O Brazil desde sempre e de antes de tudo é o reduto abundante dos abastados preadores mamelucos das altas camadas que arrastam o progresso ao seu modo e mando: o paraíso para explorar! Aqui eles enriquecem sobre a escravaria cada vez mais para seus amostramentos no primeiro mundo, nada mais. Já o Brasil, ah esse tem uma tuia, muitos e tantos, uns dentro dos outros, aos montes e de todo jeito, que é parasitado pelos donos do Brazil e inferno para os demais amontoados entre os desaparecidos da pandemia no apagão dos dados e de outras desgraças multifacetadas que tanto são maléficas e se parecem panaceias e vice-versa, como saltitantes e sedutoras para engalobação geral e fortuna dos sabidos. Afinal, aqui tudo é na base do panem et circenses, de ninguém se lembrar de um dia depois de outro. Tanto é que nem sacaram até agora Hobsbawm: O domínio do passado não implica em uma imagem de imobilidade social. É compatível com visões cíclicas de mudança histórica, e certamente com a regressão e a catástrofe (ou seja, o fracasso em reproduzir o passado). É incompatível com a ideia de progresso contínuo. O que parece é que nem mesmo os mais atilados sacam essa por aqui, avalie! DUAS: SEM ESQUENTAR O QUENGO NEM CIRCUITO NO JUIZO - Confesso, se o padecimento é geral, não fujo à regra: dou meus pinotes e fujo das tentações para não ter que comer das melecas indigestas que distribuem aos bons bocados como se fossem benesses desinteressadas. Quem delas usa, só muito depois é que se dá conta do rabo agarrado pelos tentáculos inexoráveis dos que se passam por bonzinhos. Eu, hem! Por antídoto vou de Pagu: Tenho várias cicatrizes, mas estou viva. Abram a janela. Desabotoem minha blusa. Eu quero respirar. A satisfação intelectual não me basta... a ação me faz falta! Esse crime, o crime sagrado de ser divergente, nós o cometeremos sempre. Assim, faço a festa que posso e vivo. TRÊS: PARA SER FELIZ NÃO ME LEVO MUITO A SÉRIO – Exatamente, para não esquentar a cabeça com o desgoverno e a alienação de um bocado de negacionista, prefiro mandar ver feito Cole Porter: Esta a regra que proponho, sempre tem um ás no buraco. Sempre tente chegar a ter um ás em algum lugar privado. Seja um palhaço, seja um palhaço, seja um palhaço. Como não tenho esse ás nas mangas, sigo dele aquela da maravilhosíssima Elza Soares: Vamos amar!!!! E depois vamos aprumar a conversa, né gente! Até mais ver! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] O racismo não é um ato ou um conjunto de atos e tampouco se resume a um fenômeno restrito às práticas institucionais; é, sobretudo, um processo histórico e político em que as condições de subalternidade ou de privilégio de sujeitos racializados é estruturalmente reproduzida. [...]. Trecho extraído da obra O que é racismo estrutural? (Letramento, 2018), do filósofo Sílvio Almeida, que trata das visões predominantes sobre o racismo que costumam tratar o tema como um problema moral ou cultural que deve ser enfrentado, ou pela educação ou por meios jurídicos. É a partir da crítica a esta concepção que o autor  propõe um tratamento mais complexo sobre as relações raciais: O racismo, portanto, é apresentado como decorrência da própria estrutura social, ou seja, do modo “normal” com que se constituem as relações políticas, econômicas, jurídicas e até familiares. Com o didatismo, a síntese e o rigor acadêmico que são as marcas da coleção, o autor procura demonstrar como a raça é um elemento fundamental para a compreensão do Estado, do direito e da economia contemporâneas. Precisamos de uma cultura que se oponha ao racismo, que coloque em seu centro produções em que a nossa humanidade caiba. Veja mais aqui e aqui.

TRÓPICO DAS CABRAS
O premiadíssimo drama curta-metragem Trópico das Cabras (2007), dirigido por Fernando Coimbra, conta a história de um casal em crise que parte do litoral para o interior de São Paulo, num Chevette, na tentativa de salvar ou perder de vez sua relação. No caminho, aos poucos eles vão se entregando a um estranho jogo sexual. Este curta foi selecionado para os mais importantes festivais de cinema do Brasil e do mundo. Veja mais aqui.

A ARTE DE JORGE OTEIZA
Não sei o que é esforço... pois toda a minha vida tem sido um trabalho contínuo. O esforço me conquistou desde o começo e, portanto, a consciência do esforço nunca surgiu em mim.
JORGE OTEIZA - A arte do escultor, artista e escritor espanhol Jorge Oteiza (1908-2003). Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Considero que conseguimos fazer um trabalho muito delicado, que vai tocar todas as mulheres, independente de terem filhos ou não. O filme não fala só sobre a impossibilidade de parir em Fernando de Noronha, um direito que é negado, mas também sobre outros temas que rondam o feminino na ilha, como a falta de oportunidades de trabalho, gravidez precoce, aborto e prostituição.
O curta Parto Sim! (2019), da cineasta e artista gráfica Katia Mesel, narra histórias de gestantes que têm dificuldades em parir os bebês na ilha de Fernando de Noronha, em face da ausência de estrutura hospitalar que viabilize os partos e traz à tona temáticas como adoção, gravidez, aborto e - de uma forma mais contudente - a realidade de gestantes nativas da ilha. Veja mais aqui.
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A música do arranjador, maestro, compositor e multi-instrumentista Moacir Santos (1926-2006) aqui & aqui.
A arte de ser profano de Fernando Spencer aqui.
A arte da artista visual Tania Britto aqui.
A revista pernambuca de HQ, Ragú, editada por Christiano Mascaro e João Lin aqui.
Os poemas do professor, psicólogo e poeta Marcos Carneiro aqui.
Os versos & rimas do poeta popular Ricardo Cordel aqui.
O livro (Ab)sinto de Madalena Zaccara aqui.
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São Benedito do Sul aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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segunda-feira, junho 08, 2020

GRAZIA DELEDDA, MARILYNNE ROBINSON, MAHA MAMO, SHERYL PAUL, JESSÉ SOUZA, KEKE PALMER, MALANGATANA, GUIDI VIEIRA & CATARINA DEE JAH



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: DE MENTIRAS, CARA DE PAU & ÓLEO DE PEROBA - Gentamiga, que coisa! Nesses tempos de pós-verdade, aqui no Fecamepa todo dia tem uma novidade e todo mundo na maior razão. Eu que não digo nem faço nada, fico só de queixo caído com tanto descaramento. Não sabia que era para tanto. Do primeiro morto, soube que era fantasia. E é? Quando passou dos mil, disseram que era só uma gripezinha. Será? Depois dos cinco mil, a coisa pegou: Ah, histeria! É? Na marca dos dez mil: Onde está o coveiro? Vinte mil: E daí? Trinta mil: É o destino. Trinta e cinco mil: Cadê? Oxe, ninguém mais sabe de nada, enterram em vala comum e babau! Como é que pode? Só ouço: Parou! Chega! Vixe! No país dos envultamentos ajeitados, as coisas vão e nada. Ainda tem quem se lembre daquele golpista ex Temeroso Vampírico com seus ministros tudo boca-de-caieira da picaretagem no foco da PF que ninguém sabe por onde andam, hem? Pinotaram? Empirulitaram-se! Só sendo. E o ex juiz que está com o cu na mão por conta dum tal Taclan Durán? Danou-se! Aqui só acontece e dá em nada, como se fosse, tá! Entre a vontade política e a má vontade, tudo fica enganchado e prevalecendo no olho da frouxidão e cinismo. Pois é. DUAS: LOA DE SEXAGENÁRIO – Vou vivendo e desaprendendo. Como? Só pode, ora, o que se aprende perde valia duma ora para outra! Adiantou tantos anos nos bancos das faculdades e aboletados sobre os livros queimando pestana? Está tudo escrito e positivado, mas valer de mesmo, só pra quem é besta, pros sabidos é só nhenhenhém, quando não revogado ou não alcançam a suposta imunidade dos graudões e mandonistas. Isso é que é invenção, como diz Scott Adams: Criatividade é permitir a si mesmo cometer erros. Arte é saber quais erros manter. Se você quer entender OVNIs, reencarnação e Deus, não estude OVNIs, reencarnação e Deus. Estude pessoas. Eita! Tá valendo, de 2015 para cá vale tudo meeeeeesmo! TRÊS: DIVAGAR & ECLODIR, VÊ SÓ! - Se não estou variando nessa clausura de meses, acho que a coisa está pegando e muito! Fiquei mais ainda de espreita com o que Robert Schumann me disse: Enviar luz para às profundezas do coração humano - este é o chamado do artista! É? Tá. Que ato inglório! Ele baixou hospício depois dumas e outras, eu que me cuide, porque o Brasil ou endoidou ou está para endoidar a gente tudinho! Tasco na primeira, fujo da segunda & vamos aprumar a conversa, gente! Até mais ver! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: A ESCRAVIDÃO & A DESIGUALDADE [...] A escravidão persiste no Brasil? Ela persiste de novas formas. Ela persiste no sentido de que você tem aqui uma multidão, mais de 50% da população brasileira, exercendo atividade semiqualificada. É trabalho manual, é trabalho sem grande incorporação de conhecimento, exatamente como o trabalho escravo. Essas classes populares são odiadas e desprezadas, como os escravos eram. Você pode matar um pobre no Brasil, que não acontece nada. A polícia mata com requintes de crueldade e ninguém se comove porque os pobres são percebidos de modo desumanizado, como os escravos eram. A escravidão perpassa o núcleo da sociedade brasileira. E boa parte da classe média tem preconceitos de senhor de escravo e da elite com relação a esse povo. O que eu tento mostrar é como essa escravidão se torna a base e o centro de tudo que a gente está vivendo hoje. Nós somos filhos da escravidão, isso nunca foi percebido. É como se fosse uma coisa que aconteceu há muito tempo e não tenha mais nada a ver hoje. É o contrário. A escravidão continua. Para mim, essa desigualdade doente de hoje vem da escravidão. [...] A desigualdade é que cria o subcidadão brasileiro? O Brasil é um país doente, patologicamente doente pelo ódio de classe. Isso é o mais característico do Brasil: o ódio patológico ao pobre. É a doença que nós temos. A gente nunca assumiu a autocrítica de que somos filhos da escravidão, com todas as doenças que a escravidão traz: a desigualdade, a humilhação, o prazer sádico na humilhação diante dos mais frágeis, o esquecimento e o abandono da maior parte da população. Esse é o grande problema brasileiro. O resto é bobagem. [...] Trecho da entrevista A doença do Brasil é o ódio de classe (Isto é, 2018), concedida pelo sociólogo, professor e pesquisador Jessé Souza, que atua nas áreas de Teoria Social, pensamento social brasileiros e estudos teórico/empíricos sobre desigualdade e classes sociais. Ele é autor de obras como A guerra contra o Brasil: Como os EUA se uniram a uma organização criminosa para destruir o sonho brasileiro (Estação Brasil, 2020); Subcidadania brasileira: Para entender o pais além do jeitinho brasileiro (Leya, 2018); A radiografia do golpe: entenda como e por que você foi enganado (Leya, 2016); A elite do atraso: da escravidão á Lava Jato (Leya, 2017); A tolice da inteligência brasileira: ou como o país se deixa manipular pela elite (Leya, 2015), Os batalhadores brasileiros: Nova classe média ou nova classe trabalhadora? (EdUFMG, 2010); A ralé brasileira: quem é e como vive (EdUFMG, 2009); A Construção Social da Subcidadania (EdUFMG, 2006), entre outros. Veja mais aqui.

 

OUTROS DITOS

Sou grata por todos esses anos sombrios, mesmo que em retrospecto pareçam uma longa e amarga prece que foi finalmente respondida... Existem mil mil razões para viver esta vida, cada uma delas suficiente...

Pensamento da premiada escritora e ensaísta estadunidense Marilynne Robinson, autora dos livros Home (2008), Gilead (2004) e Housekeeping (1980), entre outros.

 

NÓS SOMOS SARDINOS

Somos espanhóis, africanos, fenícios, cartagineses, romanos, árabes, pisanos, bizantinos, piemonteses. \ Somos as vassouras de ouro amarelo que brilham nos caminhos rochosos como grandes lâmpadas acesas. \ Nós somos a solidão selvagem, o silêncio imenso e profundo, o esplendor do céu, a flor branca do ciss. \ Nós somos o reino ininterrupto do mastique, das ondas que correm os granitos antigos, a rosa canina, o vento, a imensidão do mar. \ Somos uma terra de longos silêncios, de horizontes amplos e puros, de plantas sombrias, de montanhas queimadas pelo sol e vingança. \ Nós somos sardinos.

Poema da escritora italiana Grazia Deledda (Grazia Maria Cosima Damiana Deledda – 1871-1936). Veja mais aqui & aqui.

 

POR QUASE 30 ANOS, FUI UMA PESSOA APÁTRIDA.

Isso significava que eu não tinha país, nem nacionalidade, e não era reconhecido como cidadão do lugar onde nasci. Não podia ir à escola, viajar ou mesmo ir ao hospital. Lutei por décadas para ser considerado um ser humano. Para pertencer. Com muita determinação e resiliência, realizei meu sonho, mas não da maneira que você poderia esperar. A vida nem sempre acontece como planejamos. A vida acontece como ela vem e, depois, como escolhemos vivê-la. Como palestrante motivacional e defensora dos direitos humanos, agora posso compartilhar com outras pessoas como realizei meu sonho contra todas as probabilidades e inspirar outras pessoas a realizarem seu verdadeiro potencial, seus sonhos. Afinal, há muitas coisas que não podemos escolher — onde nascemos, quem é nossa família — mas podemos escolher nunca desistir!

Depoimento da ativista e escritora Maha Mamo, apátrida por conta da religião de seus pais sírios, tornou-se brasileira desde 2018 e é ativista na campanha #IBelong do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

 

A SABEDORIA DA ANSIEDADE

[...] A ansiedade pede a você, caro leitor, que abrace a dádiva de quem você é. Talvez lhe tenham dito que você é demais — sensível demais, dramático demais, emotivo demais, analítico demais — e essa mensagem foi traduzida dentro do seu eu jovem como se você estivesse errado ou quebrado de alguma forma. Mas você precisa começar a entender agora, como espero que saiba ao ler este livro, que não há absolutamente nada de errado com você. Você não está quebrado. Você não é demais. Você não está errado. Na verdade, são as mesmas qualidades pelas quais você foi envergonhado que você agora precisa embrulhar como um animal ferido e abraçar perto do seu coração. Pois é quando você para de ver sua sensibilidade como um fardo e, em vez disso, a reconhece como a dádiva que é, que você começará a curar as feridas dentro de você e trazer sua presença plena ao mundo.[...].

Trecho extraído da obra The Wisdom of Anxiety: How Worry and Intrusive Thoughts Are Gifts to Help You Heal (Sounds True, 2019), da psicanalista estadunidense Sheryl Paul.

 

A MÚSICA DE KEKE PALMER
É aí que vocês estão juntos com a comunidade e a sociedade para parar a opressão governamental. Nós precisamos de você. Sei que há uma pessoa nesse uniforme e quero saber se as pessoas que estão nessas poderosas posições de salvar ou tirar uma vida, quero saber se elas estão com os cidadãos e se comprometeram a se posicionar contra o sistema e as injustiças, E se estamos unificados, não importa quem você é, o que está vestindo, podemos criar mudanças. Os edifícios podem ser reconstruídos, mas depois que vidas são tiradas, elas desaparecem.
KEKE PALMER - A arte da atriz, cantora e compositora estadunidense Keke Palmer, que durante os protestos de manifestantes antirracistas protagonizou a cena de conseguir o apoio da Guarda Nacional sobre a necessidade da polícia ouvir as comunidades marginalizadas e parar a opressão governamental. Veja mais aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
É preciso movimento / Falta quebrar o silêncio / Levar aos extremos / Largar tudo o que temos / É preciso sentir o cheiro / Deixar chegar aos olhos / Se achar, perder o sono / Ouvir a língua que não controlo / É preciso sentir o cedo / Dançar, chegar ao intenso / Crescer, deixar o colo / Ouvir a língua que não controlo / É tanto sol dando sopa / Grão de areia, vento, gota / E por aqui só chega o eco / Do mar que molha o dia seco / Os dias serão os mesmos apenas melhores / O tempo é tão fatal / Não se guiar se torna normal / Mas quero tantas cores / Pressinto outros sabores.
GUIDI VIEIRA - A talentosa cantora, compositora e instrumentista Guidi Vieira lançou o seu segundo cd, Outra língua, este o primeiro solo e autoral, produzido pelo guitarrista Pedro Costa, desfilando sua arte e a performance de suas vivências por bares e cenário underground. Ouvi uma a uma das faixas deste álbum que reputo como excelente, agradável de ouvir a sua voz e as ótimas levadas rítmicas. Gostei tanto que procurei saber a respeito dela: antes ela havia integrado a banda Pic-Nic e lançou o álbum independente Temperos, em 2014, com xotes, choros e sambas. Tudo muito bom e meritória de aplausos & sucesso. Veja mais aqui & aqui.

A ARTE DE MALANGATANA
Há sempre um manancial de temas a abordar. São os acontecimentos do mundo, às vezes tristes, outras alegres, e eu não fico indiferente. Seja em Moçambique, ou noutra parte do mundo, a dor humana é a mesma.
MALANGATANA - A arte do pintor e poeta moçambicano Malangatana Valente Ngwenya (1936-2011), que atuou por uma diversidade de artes como desenho, pintura, escultura, cerâmica, murais, poesia e música. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A arte da cantora, DJ, compositora e artista antropofágica Catarina Dee Jah, que já lançou o álbum Mulher Cromaqui, uma saborosa salada rítmica com muito talento e irreverência.
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A obra do premiado escritor, crítico, editor e jornalista pernambucano Raimundo Carrero aqui.
A poesia do poeta, ensaísta e crítico Cicero Melo aqui.
A arte da artista visual Maria do Carmo Nino aqui.
A arte da poeta, cantora, compositora e artista plástica Airô Barros aqui.
Ciranda Feminina da Mata Sul aqui & aqui.
Rio Formoso aqui e aqui.


GLAUCE ROCHA, KRISZTINA TÓTH, JERRY JENKINS, JACQUES VALLÉE & OLINDA.

    Imagem: Ensaio de múltiplas dimensões , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM . Do lançamento TTTTT e...