DITOS & DESDITOS: [...] Diante
de tantos movimentos anti-ciência, nos deparamos ainda com o criacionismo e as
aulas de religião em nossas escolas. E eis que de repente, debaixo dos nossos
narizes, o Brasil já não é laico, e as aulas de ciência tornam-se tão
facultativas e desvalorizadas como nosso trabalho, e o ensino de evolução nas
nossas escolas está ameaçado. Calados e desvalorizados por um governo que não
entende a importância da ciência e da tecnologia para a sociedade, nos
deparamos também com pesados cortes em nossas verbas. Milhões foram alocados
para os testes com a fosfoetanolamina. Milhões foram cortados de nossas bolsas
e de nossos projetos de pesquisa. Em
meio à calamidade, a comunidade científica tentou falar. Percebemos enfim que a
situação tinha ido longe demais. Protestamos. Organizamos marchas. Fomos ao
Congresso, mandamos carta para o presidente da República. Mas era tarde. Já
fomos todos acometidos pela síndrome de Cassandra. Não temos credibilidade.
Ninguém acredita no que temos a dizer. Assim como Cassandra, nós enxergamos o
futuro. Sabemos o que vai acontecer
com a ciência brasileira se tudo permanecer como está. Mas assim como
Cassandra, ninguém acredita em nós. Logo
vários de nós estaremos desempregados ou fora do Brasil. Nossos pesquisadores
irão embora, assim como nossos alunos. E desenvolverão tecnologias no exterior
que o Brasil terá que importar, pois não teremos pessoal qualificado para
desenvolvê-las no país, nem para ensinar a nova geração. Demoramos demais para
falar com a sociedade. Falhamos quando deixamos de esclarecer o cidadão sobre
as propagandas enganosas, as pseudociências e os movimentos anti-ciência, que
colocavam em risco sua integridade, seu bolso e sua saúde. Nós não falamos quando foi preciso. E agora
não sobrou ninguém para falar por nós. [...]. Trecho do artigo O
cientista e a síndrome de Cassandra (Ciência e Cultura ,2018), da bióloga
e professora Natalia Pasternak Taschner, fundadora do blog Café na Bancada e presidente do Instituto
Questão de Ciência (IQC), voltado para o usode evidência científica nas
políticas públicas. TATARITARITATÁ: VAMOS APRUMAR A CONVERSA - Literatura, Teatro, Música & Pesquisas de Luiz Alberto Machado (LAM). Show, cantarau, recital, palestras, oficinas, dicas & informações. Contato & Chave Pix: luizalbertomachado@gmail.com
quinta-feira, julho 02, 2020
ERIKA MANN, NATALIA TASCHNER, GRACIELA ITURBIDE & GEISIARA LIMA
DITOS & DESDITOS: [...] Diante
de tantos movimentos anti-ciência, nos deparamos ainda com o criacionismo e as
aulas de religião em nossas escolas. E eis que de repente, debaixo dos nossos
narizes, o Brasil já não é laico, e as aulas de ciência tornam-se tão
facultativas e desvalorizadas como nosso trabalho, e o ensino de evolução nas
nossas escolas está ameaçado. Calados e desvalorizados por um governo que não
entende a importância da ciência e da tecnologia para a sociedade, nos
deparamos também com pesados cortes em nossas verbas. Milhões foram alocados
para os testes com a fosfoetanolamina. Milhões foram cortados de nossas bolsas
e de nossos projetos de pesquisa. Em
meio à calamidade, a comunidade científica tentou falar. Percebemos enfim que a
situação tinha ido longe demais. Protestamos. Organizamos marchas. Fomos ao
Congresso, mandamos carta para o presidente da República. Mas era tarde. Já
fomos todos acometidos pela síndrome de Cassandra. Não temos credibilidade.
Ninguém acredita no que temos a dizer. Assim como Cassandra, nós enxergamos o
futuro. Sabemos o que vai acontecer
com a ciência brasileira se tudo permanecer como está. Mas assim como
Cassandra, ninguém acredita em nós. Logo
vários de nós estaremos desempregados ou fora do Brasil. Nossos pesquisadores
irão embora, assim como nossos alunos. E desenvolverão tecnologias no exterior
que o Brasil terá que importar, pois não teremos pessoal qualificado para
desenvolvê-las no país, nem para ensinar a nova geração. Demoramos demais para
falar com a sociedade. Falhamos quando deixamos de esclarecer o cidadão sobre
as propagandas enganosas, as pseudociências e os movimentos anti-ciência, que
colocavam em risco sua integridade, seu bolso e sua saúde. Nós não falamos quando foi preciso. E agora
não sobrou ninguém para falar por nós. [...]. Trecho do artigo O
cientista e a síndrome de Cassandra (Ciência e Cultura ,2018), da bióloga
e professora Natalia Pasternak Taschner, fundadora do blog Café na Bancada e presidente do Instituto
Questão de Ciência (IQC), voltado para o usode evidência científica nas
políticas públicas. quarta-feira, julho 04, 2018
BORGES, HESSE, KHLÉBNIKOV, RICOEUR, NAGEL, PIAZZOLLA & NÉSTOR SARMIENTO
OS LABIRINTOS DE BORGES - Imagem: La biblioteca Borges en París (1995), do
pintor argentino Néstor Sarmiento - Foi
pelas mãos de HermilAfonso que soube quase menino homem feito da velha dama e
outros duelos do encontro do indigno e da intrusa do Informe de Brodie, para me
dar conta dos anacronismos deliberados e suas atribuições errôneas nos
alicerces da inexistente História Geral dos Labirintos do igualmente irreal
Herbert Quain. Marinheiro de primeira viagem, fui obrigado a refazer as rotas
até chegar lá longe onde o heresiarca de Tlön, Uqbar, Orbis Tertius abominava a
cópula e os espelhos, para poder entrar no sonho do homem que sonhava e o
sonhado despertou caminhando contra as línguas de fogo das Ficções mais
ambíguas, disseram seus detratores, quando a ambiguidade era uma riqueza com o
desvario laborioso e empobrecedor de compor vastos livros, menos tautológicos
que outros não menos imaginários que o livro cíclico que é Deus. Não foi à toa
que encontrei o premiado poeta maluco Carlos Argentino no Aleph a me apresentar
das astúcias do descortês mestre-de-cerimônias Kotsukê No Suké a me contar do homem
da esquina rosada e etcétera da História Universal da Infâmia com todo virtuosismo
literário de coisas sérias e jocosas pela imaginação desenfreada, em que
heréticos foram queimados e entraram no céu, e quem perdeu foi condenado à multa
penosa na Loteria, só porque quem ganha pode presidir a vida e os tecidos do
acaso povoado pelo monstro Aqueronte que é o inferno, o pássaro que traz a
chuva, o galo celestial, o mirmecoleão, a serpente óctupla, as nagas, lêmures,
fadas, sereias e valquírias e tantos seres do satírico e mistificador no infindável
e impalpável Livro de Areia e o dos Sonhos manipulando as diversas línguas e
épocas de coisas que nunca existiram nem foram escritas, coisas inventadas do
gênio pelo universo indefinido e infinito da Biblioteca de Babilônia, com suas
escadas e galerias hexagonais repletas de livros e livrinhos e livrões mortos para
ninguém encontrar o que procura no meio do incompreensível das ruínas circulares
com o pesadelo matemático de um sonho fantástico em que as paralelas se
encontram no infinito coerentemente absurdo e poético. E ter-se com o imortal rejeitado
entre a fama e a cegueira que vinham graduais, porque o mundo de Russel nasceu
há poucos instantes e o tempo inteiro já passou e somos recordações do passado,
e só brincou com um menino como quem brinca com algo próximo e misterioso de
João, I, 14 no que É, Foi e Será do Elogio da Sombra: o dia regido pela divindade que nas selvas os corpos amantes entretece.
Porque não há mandamento que não possa
ser infringido e também os que digo e os que os profetas disseram, não exageres
o culto da verdade; não há homem que ao fim de um dia não tenha mentido com
razão muitas vezes nos Fragmentos de um evangelho apócrifo. Por fim, pôs a
palavra em liberdade com o seu Ultraísmo celebrando Buenos Aires como se fosse
as paisagens da europeias sonhadas e autobiografou seus perfis olvidando da
fama e do fracasso na demasiada ambição de amar e ser amado. © Luiz Alberto
Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.terça-feira, março 20, 2018
HESSE, CECÍLIA MEIRELES, PÓLYA, MEAD, XANGAI & JOANNA MACGREGOR & MARIA HELENA VIEIRA DA SILVA
E CAETANA ALÇOU VOO – Imagem:
El passeante invisible, da pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992). - Dia e noite, noitedia,
a vida passa, a cidade dilacerada como os corações carentes almejando o abraço
para ser feliz, súplicas e angustias que faziam Caetana levantar voo e os cães
em roldão atrapalhassem o salto inicial e caísse do palco pela primeira vez,
sem humilhação, às risadagens, zombando da derrocada. Não havia de ser nada. Era
a lição de novo aprendizado e a esperança se desdobrava no gesto, ela alçava novo
voo e, novamente, os cães que ansiavam voar com ela, atrapalharam mais uma vez
e Caetana caiu pela segunda vez do palco, como se fosse o inevitável e o irreversível,
o encontro avassalador entre o corpo e a alma. Mais uma vez sorriu para se
defender das ameaças escondidas na escuridão, enfrentando-as, ignorando-as, até
insuportáveis para a fuga na imigração da noite, como não se quisesse a presença
da morte e da solidão, não era a hora delas, mesmo entre tremores de terra,
relâmpagos, trovões, terremotos. Era um rebuliço sem precedentes, do qual se
falava de sonhos, viagens, confissões e tudo era nada vezes tudo, noves fora
nada e isso pouco importava nas estrelas do céu da boca, o hálito da interação
– as bocas se confundiam na distância, tanto fosse meia noite ou meio dia,
porque tudo rodopiava noitedia até o mundo esquecer que existiam em algum lugar
perdido do mundo tão próximo do paraíso que fosse instaurado. Caetana sorria e
era tão bela quanto nunca fora. E a noite fosse a festa de um carnaval
exclusivo, fantasia foliã pra quem perdera todos os limites por transgressões
explosivas de frevos inauditos, de maracatus em polvorosa, e não soubesse a lua
entregando o amanhecer ao Sol e a manhã preparasse a tarde do sono evadido para
passar a noite em claro e perder a completa noção do tempo. Caetana reticenciava,
ouvia desatenta, falava pelos cotovelos até perder a voz porque quase havia
dito da perda da identidade que dançava embrigada vulcões explosivos e, apesar
dos passos capengas, as dores dos ossos, a carne destroçada, como se gêmeos
fundidos em um, Caetana alçou seu voo para ser cada vez mais linda do que
sempre fora. © Luiz Alberto Machado.
Direitos reservados. Veja mais aqui.sábado, dezembro 23, 2017
HESSE, EDUARDO GALEANO, KOESTLER, SAGRAMA, MAUDE DAVEY, MYRIAM FRAGA, MARINA DE LA RIVA, LIZ HILL & LAPINHA.
TODOS EM
REVERÊNCIA, LAPINHA - Salve, salve,
paratodos! Vamos todos então saudar! Da véspera para o dia, qualquer dia é
Natal! Felicidade paratodos, meu senhor, minha senhora, vamos todos seguir em
frete, que o coisa ruim não entra em casa que tem Lapinha! Ali tem Árvore de
Natal, respeito é bom e eu gosto! Vambora pras Folias de Reis! Depois do
Pastoril, lá vem o Reisado! Ô de casa, ô
de fora! Maria vai ver quem é! São os cantadores de Reis, quem mandou foi São
José! U-hu, entremeio do Bumba, os enfeites nos trajes, chapéu enfeitado de
fitas, as gafurinhas e os espelhinhos por amuletos e capas de cetim, as peças
dançadas, cantadas e contadas de amor e guerra, a vibração das espadas aos
toques do maracás: todo o mal que vem e volta, e o mau, chô pra lá! Eita, lá vem
Guerreiros multicoloridos, segura sanfoneiro e tocadores de tambor e ganzá, os chapéus
e diademas, os à paisana e o que é que há? Miçangas e lantejoulas, o bailado da
ressurreição com pedidos de abrição de porta, entrada de sala e louvação, o
doido ou mata-mosquito: Abre a porta,
pastorinha, que eu venho é com alegria! Te ajoelha, guerreiro, vai cumprir a
tua sina! Seu papa-mosquito, donde vem? Tô matando mosquito pro seu bem! Viva a
Lira, viva a Estrela de Ouro, viva a nossa Barbuleta e a Rainha Imperiá! Olê,
olá viva nosso Índio Perí que é o dono deste arraiá! Ih, lá vem a Chegança: E assustado / Dei um pulo da rede / Pressenti
a fome, a sede / Eu pensei: "vão me acabar" / Me levantei de borduna
já na mão / Ai, senti no coração / O Brasil vai começar! Agora é Fandango
com a Nau Catarineta que tem muito pra contar! Avistas terras de Espanha ou
areias de Portugal? Sai-te pra lá, gageiro dos infernos, e não me faça mal! Olha
os Caboclinhos, pinoteiam às gesticulações no bailado do pífano, ganzá e
reco-reco, seguindo o rezador Caboco-velho, rezador de sentinelas pra enfrentar
a morte! O cabaçal dos pifeiros fazem a festa, ambos biritados, encheram a cara
de cachaça, dando dor de cabeça, vão terminar sendo expulsos e acabar a
brincadeira. Olha o Maracatu! Tum dum dum, Tum dum dum, Tum dum dum! Agora é Bumba-meu-boi!
De Mateus & Bastião, o morto-carrega-o-vivo, a burrinha e o Capitão,
Caipora e Chorão! O Cabeceira puxa a rima do mote, pronto pra logo glosar! Eita
que o boi morreu e já está vivo de novo! Eita, esse legado das usanças
aprendidas! É Caretada na Bahia, o roubo do boi no Maranhão, o Reisado nas
Alagoas, o Boi Calemba de Natal, o Lambe-sujo de Sergipe, o Boi-de-Reis do
Ceará e Piauí, todo meu Pernambuco, viva o folclore do Nordeste! Isso é de dia
vinte e quatro de dezembro até a Festa de Reis, em janeiro! Por enquanto, é
hora da confraternização: quem levou o pé na goela de ficar com a língua de
fora, as pisadas no calo, comeu carne de pescoço ou deixou as tripas fora,
também os que se engalfinharam o ano inteiro, é chegada a hora, cada qual seu
salseiro, as manguinhas de fora pra pedir perdão! Menino, isso é uma falsidade
dos diabos! Diga isso não, rapaz! É hora de comemorar o nascimento de Jesus! Vixe,
que é mesmo! Então vamos lá! Anunciação: Meu senhor, minha senhora, dê-me cá
sua atenção, que eu venho trazer-lhe novas, não é não tapiação: hoje nasceu
Jesus, Jesuisinho, o menino da nossa salvação! Lá está no firmamento, a
estrela-guia por sinal, esse é o grande momento, pra gente fazer o Natal! Vamos
todos pro Presépio, quem não tem vai de Lapinha, cada qual faz do seu jeito,
que eu aqui faço a minha! Faço aqui meu ofertório, dou minha alma e meu
quinhão, agradeço aos senhores e senhoras, pela sua atenção! Já vou embora, mas sei que vou voltar. Amor
não chora, se eu volto é pra ficar! É Paz sobre a Terra e a todos a Felicidade,
cantam todos tão felizes, pois é noite de Natal! © Luiz Alberto Machado.
Direitos reservados. Veja mais aqui.My Life in the Nude (2013), espetáculo da atriz, diretora, escritora e professora australiana Maude Davey.
domingo, julho 15, 2012
ALMUDENA GRANDES, BEATRIZ SARLO, FRANCISCO MORA, UMBERTO ECO, RAYMOND WILLIAMS & LITERÓTICA.
A PONTE ENTRE O
AMOR E A PAIXÃO - Entre o meu coração e a
imensidão cosmogônica, ela se estira nua pro meu deleite na liberdade
verdadeira – a sensação etérea em mim e ao meu redor. Não fosse ela a ponte
entre o amor e eu, cego eu erraria por anos e farsas. Não fosse ela a ponte
entre o factível e o inatingível, eu não saberia do nirvana, nem dos registros
acásicos, nem da verdadeira arte de viver. Não fosse ela a ponte entre a minha
heterodoxia e meus paradoxos, eu não descobriria jamais a vida em sua
plenitude. A ponte, ela: entre o universo e minha existência. Eis que ela nua e
linda, ora estatelada com quem adormece à espera da minha entrega, ora de
bruços como que indefesa dos meus ataques e desvarios, mais maravilhosa que
sempre, mais minha que nunca, a me oferecer sua carne e começo por tomar posse
dos seus pés – ah, podólogo atrevido seria eu a sacralizar toda sua emanação -,
e eu como um fiel fanático, ajoelho-me e acaricio toda extensão do seu solado,
calcanhar, pernas, joelhos, coxas, até folgar-me no encontro do ventre e lá
provar com toda gulodice de toda sua proveitosa delícia – o manjar da vida, o
elixir da alma. No meio caminho da vida real, ouso atravessar essa ponte que
quero morar embaixo, viver passeando por cima, vencê-la sempre, superá-la a
todo instante, sabê-la minha e só minha em todo e mais completo momento. A
ponte que me ensina além de mim e de tudo e não me canso de usurpá-la lambendo
seu umbigo, sugando seus seios, acariciando o pescoço, beijando apaixonadamente
seus lábios e flagrando seus olhos incendiados de prazer a me queimar na
combustão dos desejos. E esse contato anímico com sua carne, lábios e sexo,
apossado da volúpia de todos os desejos, mergulho no céu da sua boca e entre as
estrelas do prazer, me faço inteiro a cobrir seu ser - a ponte que me faz macho
e homem realizado. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aqui e aqui.DITOS & DESDITOS - Eu não posso lhes ensinar. O caminho está
dentro de nós, nem nos deuses, nem nos ensinamentos, nem nas leis. Dentro de
nós está o caminho, a verdade e a vida. Pensamento do psiquiatra e
psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) sobre Metanoia,
expressa em suas obras O livro vermelho (Liber Novus - Vozes,
2010) e A vida
simbólica (Vozes, 2000),
postulando como o momento de crise existencial da segunda metade da vida, dos
35 aos 45 anos, onde o eu
busca a resolução de conflitos internos e autorrealização. Para ele é um
momento de crescimento profundo em que a pessoa consegue ressignificar a sua
atuação no mundo. O autor considera que a palavra metanóia significa mudar de
conceito, mudar de ideia ou mudar seus próprios pensamentos. Veja mais aqui e
aqui.
ALGUÉM FALOU: Nada
posso lhe oferecer que não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro
mundo além daquele que há em sua própria alma. Nada posso lhe dar, a não ser a
oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio
mundo e isso é tudo. Pensamento do escritor alemão Hermann Hesse
(1877 – 1962). Veja mais aqui.
O CAMINHO DA VIDA – [...] Na
metade do caminho da vida pelo qual caminhamos acordei e me vi no meio de uma
floresta escura onde a estrada certa havia desaparecido completamente [...]. Trecho da obra Divina Comédia (1321- Ateneu,
2011), do poeta italiano Dante Alighieri (1265-1321). Veja mais aqui.
NEUROEDUCAÇÃO - O cérebro
precisa se emocionar para aprender. É preciso acabar com o formato das aulas de
50 minutos. São os professores que,
além do conhecimento, transmitem os seus valores aos homens e mulheres do
futuro. Expressões do neurocientista espanhol Francisco Mora que é autor do livro Neuroeducación: solo se puede aprender àquello que se ama (Alianza,
2013). Ele é doutor em Neurociências pela Universidade de Oxford e em Medicina
pela Universidade de Granada, professor de Fisiologia na Universidade
Complutense de Madrid. Tornou-se uma referência internacional em neuroeducação
e autor de inúmeras publicações enfatizando a importância das emoções na
aprendizagem. Veja mais aqui, aqui e aqui.
LEITURA – Quem não lê, aos 70 anos terá vivido
só uma vida. Quem lê terá vivido
5 mil anos. A leitura é uma
imortalidade de trás para frente. Vivemos para os livros. Os livros não foram feitos para serem
acreditados mas para que os questionemos. Quando lemos um livro, devemos perguntar
a nós próprios não o que diz mas o que significa. Tenho cerca de 50 mil livros.
Quando a minha secretaria disse que ia catalogá-los disse-lhe para não o fazer,
os meus interesses mudam constantemente. Para sobreviver é preciso contar
histórias. Frases do escritor, filósofo e bibliófilo italiano Umberto
Eco (1932-2016). Veja mais aqui e aqui.
CULTURA & MATERIALISMO - [...] A
interpretação específica dada então foi, naturalmente, a de um declínio
cultural; o isolamento radical da minoria crítica foi, nesse sentido, tanto o
ponto de partida quanto a conclusão. Mas qualquer teoria do declínio cultural
ou, colocando de forma mais neutra, da crise cultural [...] adquire, inevitavelmente, uma explicação
social mais ampla: nesse caso, a destruição de uma sociedade orgânica pelo
industrialismo e pela civilização de massa [...] Devido aos críticos de Scrutiny serem muito mais próximos da
literatura, não se adequando às pressas a uma teoria concebida a partir de
outros tipos de evidência, sobretudo da evidência econômica? Creio que foi por
isso, mas a razão real era mais fundamental. O marxismo, como comumente entendido,
foi fraco justamente na área decisiva em que a crítica prática foi forte: na
sua capacidade de oferecer explicações precisas, detalhadas e razoavelmente adequadas
para a consciência real — não apenas um esquema ou uma generalização, mas obras
reais, cheias de uma experiência rica, significativa e específica. E não é
difícil encontrarmos a razão para a fraqueza correspondente do marxismo: ela
estava na fórmula herdada de base e superestrutura que, em mãos pouco
treinadas, converteu-se rapidamente em uma interpretação da superestrutura como
mero reflexo, representação ou expressão ideológica [...]. Foi a teoria e a prática do reducionismo —
as experiências e as ações humanas específicas da criação convertidas de forma
rápida e mecânica em classificações que sempre encontraram a sua realidade e
significância última em outro lugar — que, na prática, deixaram o campo aberto
a qualquer pessoa que pudesse dar uma explicação à arte que, em sua proximidade
e intensidade, correspondesse à verdadeira dimensão humana [...]. Tenho grande dificuldade em ver os processos
da arte e do pensamento como superestruturais no sentido da fórmula tal como
ela é comumente usada. Mas em muitas áreas do pensamento social e político —
certos tipos de teoria ratificadora, de lei e de instituição que, afinal, nas
formulações originais de Marx, eram de fato parte da superestrutura —, em todo
esse tipo de aparato social e em uma área decisiva da atividade de construção
política e ideológica, se não formos capazes de ver um elemento
superestrutural, não seremos capazes de reconhecer a realidade. Essas leis,
constituições, teorias e ideologias que são tão frequentemente defendidas como
naturais ou como tendo validade ou significância universal devem ser vistas
como simplesmente expressando e ratificando a dominação de uma classe particular
[...] Trechos extraídos da obra Cultura e
materialismo (Unesp, 2011), do acadêmico, crítico e novelista galês Raymond Williams (1921-1988). Veja mais
aqui.
MODERNIDADE PERIFÉRICA – [...] Observar o
espetáculo: um flâneur é um espectador imerso na cena urbana e, ao mesmo tempo,
faz parte dela: numa sequência infinita, o flâneur é observador por outro
flâneur que por sua vez é visto por um terceiro [...] O circuito do passante anônimo só é possível na cidade grande, que é
uma categoria ideológica e um universo de valores, mais do que um conceito demográfico
e urbanístico. Arlt produz seu personagem e sua perspectiva nas Aguafuertes,
tornando-se ele próprio um flâneur modelo. Diferentemente dos costumbristas que
o antecederam, mistura-se na paisagem urbana como um olho e um ouvido que se
deslocam ao acaso. Tem a atenção flutuante do flâneur que circula pelo centro e
pelos bairros, penetrando na pobreza nova da grande cidade e nos meios mais
evidentes da marginalidade e do crime. [...] Assim escreve uma mulher que quer ser poeta, mas também quer continuar
a ser aceita. Norah apaga tudo o que pode colocar em questão sua
respeitabilidade pós-adolescente e juvenil; apaga o que a visão social dos pais
não deve ler. O ultraísmo lhe dá a irrestrita liberdade das imagens. Norah usa em
seu esforço de tapar o inconveniente, e nesse esforço pode-se ler, no entanto,
o trabalho da censura. [...]. Trechos extraídos da obra Modernidade Periférica (Cosac &
Naify, 2010), da escritora e crítica literária argentina Beatriz
Sarlo. Veja mais aqui e
aqui.
CONFISSÕES - Eu estava esperando por você. Além do inverno, em cinquenta e oito, das
letras sem pulso e verão da minha primeira carta, pelos corredores lentos e o
exame, através de livros, tardes de futebol, da flor que não quis virar
almofada, além do menino ligado à lua, Sob tudo o que eu amei Eu estava
esperando por você. Eu estou esperando por você. Atrás das noites e das ruas,
das folhas pisadas e obras públicas e comentários das pessoas acima de tudo o
que sou, de alguns restaurantes que já não frequentamos, com mais pressa do que
o tempo que me foge, mais perto da luz e da terra, Eu estou esperando por você.
E vou continuar esperando. Como os amarelos do outono, ainda uma palavra de
amor diante do silêncio, quando a pele desliga, quando o amor abraça a morte e
nossas fotos ficam mais sérias, no penhasco da memória, depois que minha
memória vira areia, por trás da última mentira, vou continuar esperando.
Poema da escritora espanhola Almudena Grandes Hernández (1960-2021).
PROGRAMA
DOMINGO ROMÂNTICO – O programa Domingo
Romântico que vai ao ar todos os domingos, a partir das 10hs (horário
de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio
Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação deste domingo aqui. Na edição deste 15/07 do programa
Domingo Romântico, uma produção da radialista e poeta Meimei Correa e apresentado por Luiz Alberto Machado, além de comemorar 2
mil membros parceiros no Grupo do Facebook, está com uma
programação especial pra você, confira as atrações: Antonio Carlos Gomes, Pablo Neruda, George Gershwin, Carlos Drummond de
Andrade, Arthur Moreira Lima, Herbert Von Karajan, Mário de Andrade, John
Coltrane, Paulo Moura, MPB4, Milton Nascimento & Wagner Tiso, Yes, Djavan,
Denise Stoclos, Ney Matogrosso, Oduvaldo Vianna Filho, Geraldo Azevedo, Joe Satriani, Edu Lobo, Elizeth Cardoso, Billie
Holiday, Cyro Monteiro, Tito Madi, Agostinho dos Santos, João Bosco, Renato
Teixeira, Tianastácia, Kleiton e Kledir, Tunai, Samuel Rosa, Paulinho da Viola,
Natiruts, Fafá de Belém, Elba Ramalho, João Figuer, Ronnie Von, Almir Guineto
& Racionais, Netinho de Paula, Edu George, Jorge Medeiros & muito mais. Veja mais aqui. MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA
Imagem: Acervo ArtLAM . O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...
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