Mostrando postagens com marcador Arina Tanemura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Arina Tanemura. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, maio 05, 2025

JANET MOCK, OLGA DÍAZ, ATHENA FARROKHZAD, SETÍGONO, ASCENSO & ARTE NA ESCOLA

 

 Imagem: Setígono – Acervo ArtLAM.

Ao som de I give you the end of a golden string (2013), In the Land of Uz (2017), Concerto para Oboé (2018), The Prelude (2018–2019), The True Light (2018), By Wisdom (2018), Music, Spread Thy Voice (2022), Like as the hart (2022) e Begin Afresh (2022), da compositora britânica Judith Weir.

 

Setígono outra vez, pálin!(Fechando a conta)... - Na primeira lapada: Um título se fez verso nas brumas do meu coração... E como um verso nunca vem sozinho, um puxoutro e trouxe outra cipoada: Semanada já sextou pro clima do alto astral... E o papo foi e veio noutro, porque era 31 de março e aniversário do meu saudoso pai. E a ideia voou, foi lá pra trás quando eu só tinha 4 anos pra comemorar o dia dele e conheci de frente aquele que se fez inimigo: estava fardado, marchava com civis pariceiros e até conhecidos, se pareciam comigo e com os meus, a mesma língua e pátria, e fizeram-se aminimigos da minha gente e do meu povo. O susto paterno não era só dele: foi longa a noite dos anos que se passaram. Meu pai se acomodou e, em mim, as feridas abertas sangravam até fechar a primeira conta: como se um heptágono desse um pentágono dentro. E deu, foi o jeito. Veio mais outra pancada: A segunda foi no toitiço e na caixa dos peitos! E queria de néstogas apreender, porque no dia 8 de janeiro vi repetir-se a face desfigurada daqueles outros tais inimigos da minha Terra e do meu país. Era domingo e eles em festa: um golpe de tantos outros anos a fio, recorrente dos antros e fanáticos que amavam idolatrados outros, outra língua, outra bandeira, outra pátria que não as nossas e o ódio de dentes rangendo sobre o que sou e os meus. Por que tinha que ser assim, hem? Cicatrizes reabertas pelas veias que ainda doíam de antanho. Precisava me apaziguar, mais que necessário. Nada como mudar de ares, de cara e das ideias. Não virei casaca e parti prum modo jeitoso de martelada, castigando nos sete pés os decassílabos! Então, fui lá e foi: Como a terceira pra fechar a conta: \ conta mesmo senão reatar a lida \ recomeçar do zero no então \ recolher as sementes da vida \ um poema fazer a vez do coração \ virar pros cantos com tez erguida: quem me dera agora outro refrão! E vamos aprumar a conversa! Até mais ver.

 

Jennifer Esposito: O vínculo que liga a sua verdadeira família não é de sangue, mas de respeito e alegria na vida um do outro... Veja mais aqui.

Arina Tanemura: Os sonhos são um reflexo dos seus desejos... Veja mais aqui e aqui.

Naomi Klein: O argumento que eu apresento não é que não sejamos competitivos, egoístas e gananciosos. Nós somos. Somos tudo isso. Somos complexos, competitivos, gananciosos e desagradáveis, e gentis, generosos e compassivos... Veja mais aqui.

 

FOLHA DE CASAMENTO

Imagem: Acervo ArtLAM.

Eu sou mais largo que a oração \ direcionado para o oeste, em um momento incerto \ que os espinhos picam as nuvens \ com mistérios de madeira \ carne e osso. \ Eu dependo de corpo e pedra \ e as raízes estão entrelaçadas no meu cérebro. \ É assim que é meu voo. \ Torna-se dilacerante até o final. \ Não vou provar a lua. \ com sonhos frios, mas os dentes rangem \ meu corpo todo aberto \ no sol profundo.

Poema da escritora espanhola Olga Xirinacs Díaz. Veja mais aqui.

 

MINHA MÃE DISSEHá experiências sobre as quais não posso escrever aqui. Experiências que revelam violência patriarcal, numa esfera íntima, que me parecem impossíveis de serem descritas a uma audiência predominantemente branca, pois meu agressor se parece comigo... Pensamento da poeta, dramaturga, tradutora e crítica literária iraniana-sueca Athena Farrokhzad, autora do poema: Minha mãe disse: Parece que nunca lhe ocorreu que é do seu nome a civilização descende \ Minha mãe disse: A escuridão em minha barriga é a única escuridão que você comanda \ Minha mãe disse: Você é um sonhador nascido para desviar os olhos retos \ Minha mãe disse: Se você pudesse considerar as circunstâncias como atenuantes você me deixaria escapar mais facilmente \ Minha mãe disse: Nunca subestime o trabalho que as pessoas terão para formular verdades que sejam possíveis de suportar \ Minha mãe disse: Você não era digno de viver, mesmo desde o início \ Minha mãe disse: Uma mulher arrancou os olhos de sua mãe com os dedos para que a mãe fosse poupada da visão do declínio da filha \ Meu pai disse: Você tem uma tendência à metafísica \ Ainda assim, eu o ensinei os meios de produção quando seus dentes de leite estavam intactos \ Minha mãe disse: Seu pai viveu para o dia do julgamento \ Sua mãe também, mas ela foi forçada a outras ambições \ Minha mãe disse: Durante o sono de seu pai, vocês são executados juntos \ Em seu \ O sonho do meu pai: você forma uma genealogia de revolucionários \ Meu pai disse: Sua mãe te alimentou com colheres de prata importadas \ Sua mãe estava em todos os lugares, na sua cara \ Penteava freneticamente os cachos \ Minha mãe disse: Por uma vida inteira invejei os traumas do seu pai \ Até perceber que os meus eram muito mais marcantes \ Minha mãe disse: Gastei uma fortuna com suas aulas de piano \ Mas no meu funeral você se recusará a tocar \ Minha mãe tirou o sonho das mãos do meu pai e disse: Todo esse açúcar não vai te deixar mais doce \ Dê uma volta pela casa antes de tomar a insulina \ Meu pai disse: Eu vivi minha vida, eu vivi minha vida \ Eu fiz a minha parte \ Agora nada resta dos dias felizes da juventude \ Minha mãe disse ao meu irmão: Cuidado com estranhos \ Lembre-se de que você não tem para onde voltar caso se tornem perigosos \ Meu irmão disse: Tive um sonho tão estranho \ Aquela aurora morreu em meus olhos antes que o sono se dissipasse \ Uma humanidade de açúcar e matança \ Quando me despedi da luz, eu sabia de tudo \ Minha mãe disse: Da divisão das células de um material genético da cabeça do seu pai \ Mas não de mim \ Meu pai disse: Do choque de civilizações de um antagonismo fundamental da minha cabeça cansada \ Mas não dela \ Meu pai disse: Se fosse possível competir no martírio sua mãe faria de tudo para perder \ Minha mãe disse: O coração não é como o joelho que pode ser dobrado à vontade \ Meu pai disse: Até o galo que não canta consegue ver o sol nascer \ Minha mãe disse: Mas se a galinha não botar um ovo, ela será servida no jantar \ Meu pai disse: Seu irmão se barbeou antes que a barba começasse a crescer \ Seu irmão viu o rosto do terrorista em o espelho e queria uma chapinha de Natal \ Meu irmão disse: Um dia eu vou morrer em um país onde as pessoas possam pronunciar meu nome \ Meu irmão disse: Não pense que está em seu poder me oferecer algo \ Meu pai disse: De quem você está tratando o pai? \ Minha mãe disse: De quem você está falando? \ Meu irmão disse: De quem é o irmão que está sendo mencionado? \ Minha avó disse: Se você não terminar de cortar os vegetais logo, não haverá jantar. \ Meu pai disse: Para aqueles que têm mais será dado, e daqueles que têm menos, ainda mais será tirado. \ Minha mãe disse: Pegue mais leite antes que estrague. \ Minha mãe disse: Não seria estranho sentir uma única noite como esta minha língua na sua boca. \ Meu pai disse: Uma colherada para os carrascos, uma colherada para os emancipadores, uma colherada para as massas famintas, \ E uma colherada para mim. \ Minha mãe entregou o copo para a mãe dela e disse: Agora estamos quites. \ Aqui está o leite de volta. \ Minha avó disse: Sua mãe descende do sol nascente. \ Ela recebeu o nome do botão da flor, pois nasceu na primavera. \ Sua mãe lhe deu o nome de um guerreiro para prepará-la para o inverno. \ Minha avó disse: Durante a primavera, em Marghacho, a hortelã crescia ao longo dos riachos. \ O poema que você é \ Escrevendo, revele qualquer coisa disso \ Minha avó disse: Seu vira-lata ranzinza \ Venha aqui que eu tiro suas medidas e tricoto um suéter de lã para você \ Minha mãe disse: Se nos encontrarmos novamente, não vamos deixar transparecer que nos conhecemos quando você estava com fome e fui eu quem levou o leite \ Meu irmão disse: Leite negro da aurora, nós bebemos você à noite \ O passado é um ataque que nunca será completado \ Minha mãe disse: Escreva assim \ Pelas minhas oportunidades, minha mãe sacrificou tudo \ Devo ser digno dela \ Tudo o que eu escrever será verdade \ Minha avó disse: Escreva assim \ Mães e línguas se assemelham porque mentem incessantemente sobre tudo \ Minha mãe disse: Todas as famílias têm suas histórias mas para que elas surjam é preciso alguém com uma vontade particular de desfigurar \ Minha mãe disse: Você distorce a injúria com sua mentira infeliz \ Há uma mudez que não pode ser traduzida \ Meu irmão disse: Sempre há algo imperfeito que permanece inescapável \ Sempre há algo incompleto faltando \ Minha mãe disse: Sua família nunca se recuperará da mentira que a prende \ Meu pai disse: Sua família nunca voltará aos telhados quando esfriar \ Meu irmão disse: Sua família nunca ressuscitará como rosas após um incêndio \ Minha avó disse: Há um tempo para tudo sob o sol hora de voltar aos telhados quando esfriar \ Minha avó disse: Pistaches para os desdentados rosários para os ímpios tapetes para os sem-teto e uma mãe para você \ Meu pai disse: empregos para os desempregados salários para os sem-salário papéis para os sem-papéis e um pai para você \ Meu irmão disse: cabos para os sem-fio órgãos para os sem-corpo transfusões para os sem-coração e um irmão para você \ Minha mãe disse: Oxigênio para os sem vida \ Vitaminas para os apáticos \ Próteses para os sem membros \ E uma linguagem para você \ Minha mãe disse: Eu recuperarei o que me pertence \ Você encontrará a morte roubada da linguagem \ Sem palavras você veio, sem palavras você retornará \ Meu pai disse: Eu escrevi sobre pão e justiça \ E enquanto os famintos pudessem ler A fonte não importava para mim Meu pai disse: A serifa fura meus dedos \ Meu pai disse: Quanta resistência a gordura humana pode suportar \ Antes que as chicotadas se tornem permanentes \ Meu pai disse: Se você esquecer o alfabeto \ Você o encontrará nas minhas costas \ Meu pai disse: Somente quando você perdoar aquele que o entregou \ Você saberá o significado da violência \ Meu pai disse: Houve aqueles que foram executados ao amanhecer antes que o sono se dissipasse \ Minha mãe disse: Houve aqueles que tiveram que pagar pelas balas \ Para enterrar suas filhas \ Minha mãe disse: Em que noite de vitória esta vitória se lançou nós \ Meu pai disse: Seu tio estava lá em uma linha telefônica crepitante \ Seu tio refinava suas metáforas a cada chicotada \ Meu irmão disse: Não me enterre aqui \ Enterre-me onde as chicotadas são virtuais \ Meu tio disse: Você esquecerá tudo exceto a memória, da qual você sempre se lembrará \ Eu me lembro que antes da guerra o soldado mastigava com meus dentes \ O agitador gritava com minha garganta \ Meu tio disse: Pelos meus ombros caídos pelo meu sorriso constante Por esta pilha de pedras que um dia foi minha casa \ Meu tio disse: Existe uma poça d'água onde a guerra não lavou suas mãos ensanguentadas? \ Meu tio disse: Havia aqueles que eram executados a cada nascer do sol. \ Havia aqueles que permaneciam e viam as sentenças serem executadas. \ Minha mãe disse: Por que eles invocam Deus dos telhados? \ Será que eles se esqueceram de que era Deus quem segurava o chicote? \ Quando suas mães eram torturadas?...

 

SUPERANDO A CERTEZA – [...] Ninguém pode te curar. Você precisa aprender a ser sua própria companhia, sua própria cura. Você não pode se refugiar em outra pessoa em busca de realização. [...] Temos continuidade em nossos corpos, que guardam experiências que nunca nos abandonam, experiências que nossos corpos escondem para que possamos seguir em frente. Elas se prendem firmemente a elas — até que tenhamos confiança para confiar em nossos corpos novamente, para afrouxar seu domínio. [...] Gerações de meninas foram informadas de que a única maneira de sobreviverem é permanecerem em silêncio, passarem despercebidas e se misturar. [...]. Trechos extraídos da obra Surpassing Certainty: What My Twenties Taught Me (Atria, 2018), da escritora, jornalista e ativista estadunidense Janet Mock. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

TODO DIA É DIA DE ASCENSO FERREIRA

Programação da Semana Ascenso Ferreira na Biblioteca Pública Fenelon Barreto, em Palmares (PE). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

& mais:

Arte na Escola aqui & aqui.

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Diário TTTTT aqui.

Literatura Indígena: Cosmovisões & Pela Paz aqui & aqui.

Poemagens aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.

 


terça-feira, março 12, 2024

ILARIA GASPARI, CÉCILE COULON, CAROLINA DE JESUS, ISABEL NORONHA & TERRA DE CARUARU

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do álbum Abstracta - para cuarteto de cuerdas (2015), da compositora, saxofonista, professora, pesquisadora e performer argentina, Eva García Fernandez.

 

TRAVESSIA DAS ROTAS ARRUINADAS, MAKE IT NEW... – A vida não tem pé nem cabeça: a gente nasce, entra na roda, as coisas acontecem, morre-se e, depois, não se sabe nada – tal como antes de abrir a porteira do mundo e tudo suceder à revelia – ou de propósito, sei lá! Sim, tudo se prolonga e a gente come vento, poeira, distâncias, toma gosto na peleja, sobe-desce no meio da trepidação, frio na barriga, se rela todo, sal na moleira, sol nos costados, goela seca, beiço rachado – é a vida ou o que a gente faz dela. E quando dá fé: o que parecia anteontem foi já não sei quantas décadas atrás. E foi? Como passa ligeiro... Pois é. Ainda ontem a surpresa assaltava... E teve gente - como ainda tem - que fez da vida via pública depois da descarga na privada. Entre um ponto e outro foi como pegar bigú na parada do bonde, sem saber nada onde ia dar – e um dia o fim da linha. É como diz Arina Tanemura: É preciso viver cada dia para que não haja arrependimentos... E lá ia eu com todas as raízes arrancadas, despregado do mundo e das coisas, pelo mesmo chão da infância que nunca foi meu. Minhas mãos cheias do ambulante amor ousavam por todas as armadilhas do catamênio cerebrino alheio, e todas as trajetórias turvas que nasceram mudas e tortas. O meu nome à dor de nenhum dia e a noite desabada desse noutra, o estranho ardendo uma canção sequer ensaiada. Vasto escuro, débil aspecto e o caminho mais que dividido. Foi Mandy Hale que disse: Duas coisas que você nunca terá que perseguir: amigos verdadeiros e amor verdadeiro... E o que fazer de traições, pactos desfeitos, tormentos de triunfo cruel: não há preço justo. Pelo jeito, nunca haverá. No fim das contas a impressão de culpado por inventar o oitavo e mais outros tantos pecados capitais. A sanção? Refém do custo de vida: quanto você vale? E com um céu acusador de vertiginosos escombros pelo tempespaço. Sabia: a fé jamais bastou para quem singra e sangra o que mal se respira e a se precipitar pelo açoite asfixiante de todas as rotas arruinadas. Precisava entender Selena Kitt: Seja você mesmo não há ninguém melhor... E ainda tinha que passar nos testes, mesmo sem saber quais eram nem porquê. Sabia que nunca seria de bom alvitre fazer dos outros emissários submarinos, nem deixar a onça com fome, muito menos o cabrito morrer à míngua. Nada foi lá tão diferente de chupar o dedo e mijar na cana, a coisa vai além do longe demais. E a ameaça mordedora no calcanhar pelas ilhas que nunca foram minhas e um outro maio expandido quase inverno por um mar tempestuoso e sem fundo. Aí aprendia: se você sorrir, todos gargalharão; se ficar sério, será sempre um chato de galocha com um monstro na cabeça. E mais: deve-se ser sempre simpático com os outros na subida; pois, com certeza, cruzará com todos nas inevitáveis e abissais catábases - aí você verá o que são elas e quantos outros muitos quinhentos! Seria muito bom se a gente pudesse juntar toda besteirada cometida e pudesse abater integralmente no Imposto de Renda ou contar no mesmo tanto pro tempo de aposentadoria. Mas não é, né? Que eu morra em paz com o meu tempo e a minha terra, contando com meu epitáfio derretido em cinzas. Assim estarei mais que redimido e pronto pra outra – se é que haverá essa chance! Até mais ver.

 

EU GOSTARIA DE PAGAR POR SUAS FICHAS...

Imagem: Acervo ArtLAM.

Tudo começou naquela hora tão particular da noite \ em que o fim de um dia esbarra no início de outro; \ Saí na chuva, estava com fome. \ A tempestade soltava o seu granizo quente nas venezianas que batiam, \ ninguém mais andava pelas ruas \ escorregadias que desciam até a praça do fundo \ onde transbordava a fonte. \ Normalmente cães ossudos tomavam banho lá \ mas agora não há latidos nem assobios. \ A noite, a chuva, o calor. \ Atravessei a estrada. Um cara acenou do outro lado: \ dois dedos e a boca entreaberta para perguntar \ se eu tinha algo para fumar, levantei a mão aberta \ batendo, como as venezianas, para mostrar a ele que não, \ e continuei, com o rosto enterrado no meu moletom com capuz grande demais, \ cabelo cheio do cheiro de um dia \ que ainda não havia terminado. \ Junto à placa, uma jovem de saia rosa e um rapaz \ com um corte de cabelo que lembrava os melhores momentos \ de Agnés Varda, aguardavam a sua vez de pedir um kebab \ com queijo extra. \ A garota olhou para a tela plana montada \ na parede mostrando clipes de pop americano, \ o cara jogou e pegou uma garrafa de plástico atrás dele \ virando-a habilmente. \ Depois de pagarem, o dono disse \ “Desculpe pela espera”. \ Eu tinha acabado de chegar, então isso me fez sorrir; \ “Uma caixa de batatas fritas, com ketchup, \ tudo bem \ você pode esperar \ lá dentro.” \ Então esperei, de pé, encostado na geladeira \ em frente às bandejas de salada vazias. \ Foi então que entrou um homem encharcado até os ossos. \ Afastei-me para deixá-lo passar: \ suas roupas exalavam cheiro de cimento \ e álcool barato, seu cabelo curto, grisalho, \ retinha água \ como a superfície de um campo às quatro da manhã. \ Ele pediu. \ No momento em que fui pagar minhas fichas, ele fixou os olhos, \ olhos mais redondos que o bico de uma rosa flamenga, \ a boca fraca daqueles homens cansados que bebem \ um pouco demais e com aceitação – \ ele me olhou por um momento, \ e gaguejou: \ “Não sei o que dizer para você”. \ No começo pensei que ele estava me enganando, mas mesmo assim,\ seus olhos, seus olhos! \ “Como é isso?” \ Ele respirou fundo, como se cada palavra \ lhe arrancasse meio pulmão: \ “Não sei o que dizer para você, senhorita”. \ O cara atrás do balcão escutava com um ouvido \ enchendo as bandejas de salgadinhos industriais. \ “Você não precisa me dizer nada”, \ respondi, sacudindo meu suéter. \ “Não sei o que dizer a você porque sei quem você é.” \ A chuva deixou sulcos levemente brilhantes, caindo \ do crânio até a parte inferior do nariz. \ Eu também não sabia o que dizer: \ meia-noite não estava longe, eu viria até de manhã para saber o que esperar, \ e esse cara, perfeitamente bêbado e são, parecia \ prestes a desabar. \ “Eu sei quem você é, você escreve livros. \ Como você faz isso?" \ "Bem, como eu puder." \ Deu-se um tapinha nos joelhos e, \ de uma só vez, \ lágrimas, suor \ da chuva que vem de dentro, \ algo úmido e sincero tomou conta de seu olhar, \ já afogado na solidão e na noite bizarra. \ Ele se virou para o cara \ que dobrava \ as bandejas laranja \ com a precisão de um cirurgião-dentista. \ “Posso te dizer que não fiquei encharcado esta noite por nada, de jeito nenhum!” \ Nas minhas costas, a geladeira zumbia. \ Um leve sorriso se instalou naturalmente \ entre minhas covinhas. \ No balcão, minhas fichas estavam prontas, bem embaladas. \ Tirei minha moeda \ de dois euros e o afogado me disse: \ “Gostaria de pagar suas fichas, se não se importa”. \ Suspirei e deixei minha moeda entre ele e eu, então estendi minha mão. \ Ele apertou. \ “Obrigado, senhor” \ e saí com meu pacote de batatas fritas no pulso. \ Na volta, o cheiro característico de gordura de salgadinho \ invadiu minhas narinas, meus cabelos, minhas roupas. \ Provavelmente nunca mais verei aquele homem, ou pelo menos não assim. \ Desde ontem tenho vontade de escrever sobre ele, porque me pergunto \ qual de nós daqui a alguns meses, daqui a alguns anos, seremos traídos \ pela imagem que construíram \ do mundo exterior? \ Será para outros apertarem as mãos\ àquela hora da noite \ por uma caixa de batatas fritas mornas e um refrigerante sem gelo? \ Gostaria que a poesia fosse tão natural para quem \ me rodeia quanto a emoção \ que brotou naquela noite, antes daquela quadratura \ com a improvável facilidade de momentos que poderiam não ter acontecido, \ mas que aconteceram mesmo assim, mal pensados e \ transbordando de graça e palavras impossíveis.

Poema da premiada escritora francesa Cécile Coulon.

 

DIÁRIO DE BITITA – [...] Quando havia um conflito, quem ia preso era o negro. E muitas vezes o negro estava apenas olhando. Os soldados não podiam prender os brancos, então prendiam os pretos. Ter uma pele branca era um escudo, um salvo-conduto. [...] Compreendo que o sonho de pobre é sonhar, apenas sonhar. [...] Será que o Brasil vai ser sempre bom como dizem eles? Por que será que o estrangeiro chega pobre aqui e fica rico? E nós, os naturais, aqui nascemos, aqui nós vivemos e morremos pobres? [...] O homem só dá valor ao homem depois que morre. Se os homens governam o mundo, ele nunca está bom para o povo viver, por que não deixar as mulheres governarem? As mulheres não fariam guerras, porque elas são as mães dos homens. Mas os homens são os pais dos homens, fazem guerras, e matam-se. [...]. Trechos extraídos da obra Diário de Bitita (SESI-SP, 2014), da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus (1914-1977), autora da frase: A vida para uns são cheias de curvas que dá impressão que êles seguem para o calvário conduzindo uma cruz que se chama "Custo de Vida”. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

DITOS & DESDITOS - Os movimentos nunca são homogêneos... Fomos formados na ideia de que não existimos como indivíduo, temos que ser úteis ao país... Pensamento da cineasta moçambicana Isabel Noronha. Veja mais aqui e aqui.

 

LIÇÕES DE FELICIDADE - [...] Caminhar, quando se está triste, até que os sapatos incomodem, é uma daquelas iniciativas que a levam à força para fora de você, no mundo; que freiam a espiral dos pensamentos e fazem você se sentir antes de tudo livre, depois exausta. Dois antídotos para tristeza, não infalíveis, mas úteis, são o sentimento da liberdade e o da exaustão; a tristeza, para se sustentar e durar, requer espaços fechados, sufocantes, e energia. Como os vampiros, ela também teme a luz do sol. [...] Concentro-me em uma pergunta: como criar uma disciplina, um ambiente, em que se trabalha para obter um resultado previsível e concreto, sem o perigo de se aventurar guiado apenas por esperanças vagas e irrealistas? Percebo que essa poderia ser uma pergunta válida, em certa medida, para todas as artes humanas, da yoga à música: mas no que se refere aos resultados, no âmbito da inspiração e da criatividade, a gama dos resultados possíveis e imprevistos é vasta demais para não tornar aposta exageradamente ampla. [...] Certamente não tenho uma multidão de amigos, mas tenho tantas casas, tantas vidas atrás de mim – tantas quantas minhas mudanças, os trabalhos que fiz, os erros que cometi e as enrascadas em que entrei, as ruminações e as inquietações, as hesitações e os perdões que não soube conceder e deixei cair no esquecimento. [...] Tenho medo dos desejos, mas é claro que não os respeito, mesmo que eu saiba o quanto podem ser fortes: em vez de dobrá-los, de domá-los com essa firmeza não natural, por que não parei para ouvi-los? Eu deveria ter percebido que essa febre de ascetismo, não muito diferente da impetuosidade a que se opõe, se voltaria contra mim. Não é fácil aprender a moderação: creio ser mesmo impossível, pelo menos enquanto eu olhar para ela com esta camada a mais de moralismo, esta mania de conferir um sentido aos mínimos gestos. Quis me impor uma postura austera, mas toda alheia, falsa. Não é verdade que me entusiasma fazer uma sopa, não é verdade que me basta uma maçã. Eu só queria me deixar absorver pelas pequenas coisas: mas o problema é outro. Em pé na frente de um armário semivazio, que se assemelha apenas ao meu lado mais severo – bani as cores, pois não me pareciam necessárias –, percebo estar diante de um bom problema: ao me concentrar em mim mesma, obcecada em aproveitar todo o meu arrebatamento, esqueci a amizade. Não posso pensar só no prazer: nem para tentar torná-lo demasiado sofisticado e essencial (com resultados que depois, como aconteceu comigo, desaparecem), nem para usá-lo como refúgio. Por nos enrodilharmos no interior de nossa vida secreta, a fim de nos consolar e nos proteger do mundo, acabamos nos transformando em pequenos caracóis confinados em suas conchas. Acendemos velas e luzinhas, buscamos serenidade ou minimalismos, abrimos a boca para palavras nórdicas intraduzíveis como hygge, concentramo-nos na simplicidade de pequenos prazeres idiossincráticos e indescritíveis – o primeiro gole de cerveja gelada. Mas, por favor, só o primeiro – porque, no fim das contas, duvidamos do prazer. Mas é tão chato, depois de um tempo, viver enfurnado nos próprios sentimentos! [...]. Trechos extraídos da obra Lezioni di felicità: Esercizi filosofici per il buon uso della vita (Einaudi, 2019), da filósofa e escritora italiana Ilaria Gaspari.

 

DOSE DUPLA DE JOSÉ CONDÉ

[...] Seguiram-se dias de chuva, prenunciando bom inverno. Mas, passados os aguaceiros, limpavam-se as tardes novamente, com o céu de um azul lavado e translúcido, tanajuras voando, cheiro de mato soprado pelo vento [...].

Trecho extraído da obra Terra de Caruaru (Civilização Brasileira, 1977), do escritor e jornalista José Condé (1917-1971), também autor do volume Obras Escolhidas V: Vento do amanhecer em Macambira \ Tempo, vida, solidão \ As chuvas (Civilização Brasileira, 1978). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

UM OFERECIMENTO: SANTOS MELO LICITAÇÕES

Veja detalhes aqui.

Tem mais:

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Curso: Arte supera timidez aqui.

Poemagens & outras versagens aqui.

Diário TTTTT aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.

 



sexta-feira, julho 18, 2014

LEHTE HAINSALU, ARINACCHI, DONELLA MEADOWS, MADAME DE LA FAYETTE, RENATO JANINE & XEXÉU


 

CÉU CAETÉ DE TUPÃ - “Os pássaros guardam entre nós alguma coisa do canto da criação”. Saint-John Perse. - O canto e o voo, toda minha vida. O canto do voo, voar a cantar: sou japim pela brisa como se pairasse sobre as águas primordiais. Antes não havia nada. Ao abrir meus olhos pela primeira vez: Tupã sorria e tudo passou a existir. Ele então me contou como tudo aconteceu. Contava e tudo eu via! A terra era o céu. Tudo era céu no meu solfejo. Piava com espanto: é que depois do som, um tom: silvos e assovios, trinados e gorjeios, quantos estalidos & Néstogas - o verbo cantava. E pulsava - fusas, mínimas e colcheias nas águas da correnteza, no vento das folhas, chuva na relva, poeira da brisa nas pedras, no desabrochar colorido das flores, nas ondas dos mares e marés. Havia um respirado buliçoso, seres e coisas dançavam. Eu também dançava e podia viver pelas paragens celestiais até testemunhar o caos primordial, enquanto Hoen-Tsin crescia a cada dia até se tornar grande demais para o universo e morreu. Dele brotou um ovo enorme que o vi quebrar: diante de mim estava P'an-ku que acabava de nascer: livrou-se das cascas do próprio ovo e selou seu nascimento quando o yang formou o céu e o ying a terra. P'an-ku estava entre os giros de nadas e tudo. O seu corpo se transformava nove vezes ao dia e sua cabeça apoiava o céu e seus pés estabilizavam a terra. Foi assim que o céu e a terra se separaram. Havia ali junto outro ovo e era a Grande Grasnadora. Eu vi. E passaram a um convívio íntimo. Deles nasceu Bennu com sua coroa branca sobre a cabeça repleta de plumas coroadas, repousando sobre a pedra Benben, o primeiro pedaço de terra emersa das águas primordiais de Nun. Do outro lado, na fonte de abundantes águas estava a Simorgh, a fabulosa criatura alada, que possui o conhecimento de todas as eras e purifica as águas e o chão da Terra. Sua determinação era uma só: manter a união da Terra com céu. Outra vez a Simorgh passou carregando um elefante para a Árvore da Vida, pelo mar de Vourukhasa. Ao se livrar do pesado animal, amamentou seu filhote. E ela era como se fosse um pavão gigante com penas da cor de cobre, ora com feição humana, ora como um cão com garras de leão. Ao ver-me disse que já presenciou a destruição do mundo por mais de três vezes e, a cada mil e setecentos anos, ela mergulha nas chamas e desaparece até ressuscitar. Doutra feita lá ia a Simorgh e levava uma baleia para o mesmo local onde deixou o elefante. Depois voava sacudindo as folhas de tudo-cura, cujas sementes flutuavam nos ventos de Vayu-Vata, ao redor do mundo, provocando as chuvas de Tishtrya para curar as enfermidades da humanidade. Não sei quantas vezes ela aparecia atacando cobras, só interrompendo para dar atenção às trinta poupas que procuravam por um rei entre elas ou quando se dirigia para amamentar seus filhotes. Para as poupas apenas disse que se quisessem tornar uma delas num rei, teriam de atravessar os vales de Talab, de Eshq, de Marifat, de Istighanah, de Tawhid, de Hayrat, de Fuqur e Fana, até chegarem ao Monte Qaf. E repetiu: atravessar os vales... E mais uma vez disse: atravessar os vales... Enfim, finalizou: Chegando lá é que terão a ciência de quem o eleito. Entenderam? Eles anuíram em silêncio e ela saiu sem mais nada dizer. As poupas em revoada. Não muito longe dali a Fênix entre labaredas: estava em combustão antes de morrer. Minha nossa! Ela estava mesmo pegando fogo. Como é que pode? Cheguei tarde para ver-lhe majestosa. Aquietei-me e fiquei espiando aquele estranho evento. Vi-lhe reduzida às cinzas. Não demorou muito e, aos poucos, numa ventania a poeira subiu e, aos poucos pude constatar: ela renascia. Tomava corpo e logo estava edificada na sua imponência. Completamente refeita ela aproximou-se e me fez um convite para a dança de Kinnaris na floresta Himavanta. Hem? Vamos! Aceitei e quando chegamos lá vi uma criatura que era metade mulher e metade ave: possuía a cabeça, torço e braços de mulher; também asas, cauda e pernas de cisne; e entoava poesias e canções. Com os seus meneios, logo chegou ali o Kinnara, oriundo dos Himalaias, para completar a música celestial. O casal cantante era benevolente e velava pelo bem-estar do universo em tempos de perigo ou tumulto. Ali fiquei embalado e nem percebi que a Fênix acompanhava satisfeita aquela poética apresentação. Com o término do imenso cantarau, ambos fizeram uma mesura elegante e agradeceram a nossa atenção. Aplaudimos efusivamente. Uma cortina de nuvem cobriu o palco e eu vi a Fênix com os olhos rasos d’água. Fitou-me, abraçou-me e se despediu com um aceno. Fiquei um tempo ali um tanto embevecido com tudo que fora encenado, até lembrar-me de retornar aos aposentos de Tupã. No caminho de volta, eis que presencio os últimos estertores de P’an-ku. Sim, ele morreu e sua respiração tornou-se o vento e as nuvens, sua voz o trovão, seus olhos o Sol e a Lua, seus membros os quatro cantos da terra, o seu sangue os rios, sua carne o solo, seu cabelo e barba as constelações, sua pele e pelos as plantas e árvores, seus dentes e ossos os metais e pedras, sua medula o ouro e seu suor a chuva. Os parasitas do seu corpo tornaram-se seres humanos. Com o meu regresso Tupã mostrou-me a noite no coco de tucumã com todos os seus bichos. Ouvi atento e sabia: a noite deve ser linda. Sim. Logo ele me chamou a atenção para outra coisa e me ensinou que se cansasse da escuridão era só olhar do lado para ver o voo do cajubi anunciando o dia com o Sol descendo até o chão do seu reinado sobre tudo e todas as coisas. Foi assim: a manhã vivia no coco de cajubi, guardado pelo urubu-rei que morava num buraco vermelho da Via Láctea. Um susto com a chegada do urubu-branco, sem querer, quebrou-se o coco e surgiu a alvorada. A partir de então reinava o dia e, com ele, Mbud-ti que logo desceu até a Terra e admirou-se com tudo, muito feliz pelas maravilhas. Dias se passaram e se sentiu sozinho. Toda manhãzinha e convém lembrar: a vida nos olhos de todas as manhãs, o direito de viver e deixar viver. Tudo o mais era o espetáculo do amor, o sumo da existência. Não havia como olvidar de nada, porque ali era como se eu vivesse com todos e ouvisse tudo. No entardecer era a vez de abrir o coco de tucumã e lá surgia a Lua com o séquito de estrelas e astros luminosos para trazer a chuva boa e regar as plantas esturricadas e adubar a terra para plantar e colher no pitéu toda mandioca, banana, jerimum, inhames e carás, fartando os potes e enchendo as malocas. A noite adormecia no fundo das águas, no coco do tucumã, guardado pela Cobra Grande e Azã gritando tati para acordá-la na vigilância. Mbud-ti não suportava o seu isolamento e queria a noite para dormir. Aproveitou-se do cochilo dos vigias e levou consigo o coco que fazia um barulhinho: tem, tem, tem - eram os grilos, corujas, rãs, sapinhos, urutaus, morcegos e todos os seres noturnos. Espicaçava a curiosidade, ansiava por libertar a noite daquela prisão. Tomando distância bateu com ele na quina duma pedra e, ao se quebrar, a noite apareceu com seu silêncio e trevas, bichos e coisas. Tudo se transformou na escuridão. Aracuã, Jacupeba, Urutau, antes homens, tornaram-se pássaros noturnos. Tudo era bonito de se ver. Tupã dormia com meu cantar. Ao despertar ele logo partia para as providências, ocasião em que eu estava livre para gozar da infinita imensidão o dia todo até de tardezinha, na boquinha da noite. Assim, depois que o sereno imperava entre as sombras, Mbud-ti viu pela primeira vez a sonâmbula Mbudu-vri-re, a linda e nua Capéi, vagando sem rumo. Saiu ele a toda carreira na direção dela, mas ela desapareceu repentinamente. Cadê-la? Num estava aqui indagorinha? Oxe! Prondela foi? Caçou pelos cantos, atravessou umbrais e nada de sinal dela. Não desistia e mais insistia: seus passos seguiram para longe no encalço da bela desaparecida. Mais tarde, então, Capéi acordou desnuda e a sua brancura alumiava tudo, regulando as marés e a germinação das sementes, o brilho das pedras, o fluxo das mulheres, o nascimento das crianças e bichos. Lá longe ela viu um belo vulto e era Mbud-ti que rondava. Assustada, escondeu-se numa moita. Ele passou tristemente de volta, procurando-a, sem que pudesse vê-la escondida. Ela viu melhor aquele por quem seu coração palpitou de amor no primeiro instante. E ao segui-lo, não mais conseguiu encontrá-lo. Havia sumido. Eita! Cadê-lo? Outro desencontro. O solitário coração de Mbud-ti tremia de paixão, levando-o a vagar por dias e noites à procura das pegadas da amada. O dela, também, entregue de amor por aquele que apenas viu passar. Aí, depois de muita busca e espera, deu-se um eclipse. Ah, encontraram-se pela primeira vez de verdade e suspiraram apaixonados. Até que enfim. Mas... Apesar da curta duração do evento, eles ansiaram por outro reencontro. Contudo, havia um problema a ser resolvido: como não conciliavam o tempo e o espaço, abateu-se uma grande tristeza nos enamorados. Durante o dia Mbud-ti perseguia de leste a oeste tentando reencontrá-la. E, por toda noite, Capéi sonhava com a chegada do seu amado. Os solitários cumpriam a sua sina. Logo as estrelas vieram consolar Capéi que lamentava a dura sorte, sempre cheia ou nova com as lembranças dos momentos com o seu amado, crescente ou minguante quando entristecida com sua ausência. Deu-se, então, muito tempo depois, um novo eclipse e puderam namorar: ele abraçou-a, deitou-se sobrecarregado de beijos sobre a sua alvura, envolveu-a com a chama do seu arrebatado desejo e se amaram com êxtase. Neste momento todos os seres do universo cantaram para alegria deles. Com o prazer de seus corpos foram elevados aos céus para o eterno amor entre o Sol e a Lua. Quem a este espetáculo assistiu regozijava como eu ali admirando o enlace dias e noites, noites e dias. Até eu cantava junto aos tangarás dançantes para festejá-los. Todavia, tinha compromissos inadiáveis: era a hora de Tupã repousar, os deixei com a chegada de vagalumes e pirilampos. Outro dia raiou porque Zhuque apareceu seguindo pela constelação do fogo em direção ao sul com o fito de buscar o verão. Era um faisão admirável, vez que reluzia com os seus cinco tons de vermelho coberto de chamas. Acenei pela sua passagem e me ocupei de embalar o banho de sol matinal de Selenita no topo de um vulcão lunar, enquanto lá longe Kalavinka pregava o Dharma com sua bela voz, cabeça humana, tronco de pássaro, cauda longa e esvoaçante. Agora mesmo me ocorreu da vez que Kalavinka me contou sobre a morte do velhíssimo abutre Jatayu. Coisa triste de lembrar: é que o vetusto, certa feita, tentou capturar Ravana quando este raptava Sita. Por causa disso teve suas asas cortadas na contenda. Entretanto, como era devoto de Vixnu, ele deixou escapar a mão de Hamsá, um amuleto de múltiplas proteções, sorte e fortuna, um símbolo de paz e esperança. E Kalavinka me deu este amuleto para que eu levasse e entregasse à deusa-égua Rhiannon, a divina rainha das fadas, deusa da lua e dos pássaros, dos encantamentos, da fertilidade e do submundo. A rainha vivia no Mabinogi de Pwyll, onde mantinha cuidadosamente vários pássaros que acordavam os mortos e adormeciam os vivos, com a suavidade de sua música. Entreguei-lhe o amuleto mandado e ela me sorriu em festa, ofertando a sua hospitalidade para sempre. Ali entretido com tudo o que acontecia, quase não ouvia Tupã me chamar para aplacar uma peste entre os caetés. Eita! Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - O mundo é um sistema complexo, interligado, finito, ecológico - social - psicológico - econômico. Nós o tratamos como se não existisse, como se fosse divisível, separável, simples e infinito. Os nossos problemas globais persistentes e intratáveis surgem diretamente deste desfasamento. O recurso mais escasso não é o petróleo, os metais, o ar puro, o capital, o trabalho ou a tecnologia. É a nossa disposição de ouvir uns aos outros e aprender uns com os outros e de buscar a verdade em vez de procurar estar certo... Pensamento da cientista ambiental, professora e escritora estadunidense Donella Meadows (1941-2001). Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU - Se alguém pensa que é feliz, isso é suficiente para ser feliz... Levo comigo apenas o tempo bom e meus filhos, que é o quanto eu quero. Somos muito fracos quando estamos apaixonados... Pensamento da escritora francesa Madame de La Fayette (Marie-Madeleine Pioche de La Vergne, 1634-1693).

 

CULTURA – [...] Antigamente, a cultura era um bem, algo que se adquiria, se acumulava, se investia, se multiplicava. Um homem "de cultura" era alguém que, de posse desse capital ou cabedal, se credenciava a ocupar determinado lugar na hierarquia da sociedade.  Essa ideia perdeu quase toda a sua legitimidade, embora ainda persista em alguns meios. Não vale mais de direito, embora continue funcionando, um pouco, de fato. Porque cada vez consideramos menos aceitável utilizar a cultura como gazua na luta por posições sociais. Digamos que a cultura deixou de ser uma res, uma coisa, um bem, uma propriedade - e que se vai tornando uma postura, uma experiência, uma atitude. [...]. Trecho extraído da obra Unicultura (UFJRGS, 2002), do filósofo, escritor e professor da USP, Renato Janine Ribeiro. Veja mais aqui.

 

SIGNIFICADO DA VIDA - [...] Se... se você não sente nada por mim, então não me toque! Não aja como se você se importasse! [...] Eu gostei dela... eu realmente gostei dela. Eu queria protegê-la. Aproximei-me dela de uma maneira gentil e brincalhona, porque ela é tão preciosa e eu queria segurá-la em meus braços porque ela é tão despreocupada. Ela era meu tesouro [...]. Trecho extraído da publicação I.O.N (Viz Media, 2008), da escritora e ilustradora japonesa Arina Tanemura, muito conhecida como Arinacchi, autora de frases como: Você descobriu o significado da sua vida? 'Sim. Eu finalmente descobri. É encontrar algo mais importante para mim do que minha própria vida. Encontrar algo mais importante para nós do que nossas próprias vidas é a razão pela qual todos nascemos. Todos nós recebemos uma vida dentro de nós. E Deus quer que usemos essa vida para iniciar uma jornada ao longo da vida para encontrar algo que seja mais importante para nós do que nós mesmos.

 

JUNTO À LAREIRA - Estou sentado perto da lareira \ É aconchegante e aconchegante.\ E desperta pensamentos sonolentos\ esse calor na sala.\ O vento sussurra fora das janelas, \ ali a nevasca uiva e acena.\ E me convida, me convida junto\ sua voz lisonjeira e terrível.\ Uma vez antes eu tinha uma lareira\ Bati no peito com uma rajada de vento.\ Mas da lareira acesa\ você não se deixa levar tão facilmente.\ Por que você me mantém em uma prisão sonolenta?\ calor ambiente?\ Por que manter muitos na prisão \ calor ambiente?\ Por que nos permitimos ser mantidos em cativeiro? \ Por que estamos felizes na prisão? \Estou sentado perto da lareira. \ Não é aconchegante, não é aconchegante. Poema da escritora estoniana  Lehte Hainsalu.

 

YEVGENY YEVTUSHENKO – O escritor, ator e realizador de cinema russo Yevgeny Yevtushenko, escreveu esse belíssimo poema traduzido por Pedro Calouste: “As fronteiras oprimem-me, Sinto-o estranho, Não conhecer Buenos Aires, Nova Iorque. Quero vaguear o quanto me aprouver Em Londres, falar ainda que interruptamente, com todos. Trazemos também o poema Memento, traduzido por Rafael Leal: “Tal qual um lembrete dessa vida de bondes, sol, papagaios, o descontrole inconstante de correntes que fazem saltarem termômetros, e porque patos vão grasnar em outro lugar sobre o último gelo, fino como papel, e porque crianças choram com amargura (lembra-te a vida das crianças é tão doce!) e porque sob a luz ébria e cintilante das estrelas a lua nova abre espaço, e uma meia esgarça um pouco na altura do joelho, ouro em si, tingido pelo sol, tal qual um lembrete da vida, e porque há resina em troncos de árvores e porque me enganei loucamente pensando que minha vida tinha acabado, tal qual um lembrete da minha vida - tu entraste em mim pisando de meias. Tu entraste - nem muito cedo, nem muito tarde - exatamente no momento certo, o meu momento próprio, e com um sorriso, arrancaste-me das memórias como quem arranca de um túmulo. E eu, outra vez girando em meio a cavalos pintados, troco contente por um lembrete da vida, todas suas memórias. Veja mais aqui.

Imagem: Étude pour le portrait de la marquise Madeleine Thérèse Euphrasie de Marillac, marquise d’Ecquevilly et de ses trois enfants, do pintor francês Hyacinthe Rigaud (1659-1743)



Ouvindo: Concerto para piano nº 2, op. 18, de Rachmaninoff, com o pianista angolano Segueira Costa.

CINCO LIÇÕES DE PSICANÁLISE, DE SIGMUND FREUD - [...] os histéricos sofrem de reminiscências. Seus sintomas são resíduos e símbolos mnêmicos de experiências especiais (traumáticas). [...] os histéricos e neuróticos: não só recordam acontecimentos dolorosos que se deram há muito tempo, corno ainda se prendem a eles emocionalmente; não se desembaraçam do passado e alheiam-se por isso da realidade e do presente. [...] Tinha-se de admitir que a doença se instalava porque a emoção desenvolvida nas situações patogênicas não podia ter exteriorização normal; e que a essência da moléstia consistia na atual utilização anormal das emoções "enlatadas". Em parte ficavam estas como carga contínua da vida psíquica e fonte permanente de excitação para a mesma; em parte se desviavam para insólitas inervações e inibições somáticas, que se apresentavam como os sintomas físicos do caso. Para este último mecanismo propusemos o nome de "conversão histérica". Demais, uma certa parte de nossas excitações psíquicas é conduzida normalmente para a inervação somática, constituindo aquilo que conhecemos por "expressão das emoções". A conversão histérica exagera então essa parte da descarga de um processo mental catexizado emocionalmente; ela representa uma expressão mais intensa das emoções, conduzida por nova via. [...] a histeria é uma forma de alteração degenerativa do sistema nervoso, que se manifesta pela fraqueza congênita do poder de síntese psíquica. [...] Nesta ideia de resistência alicercei então minha concepção acerca dos processos psíquicos na histeria. Para o restabelecimento do doente mostrou-se indispensável suprimir estas resistências. Partindo do mecanismo da cura, podia-se formar idéia muito precisa da gênese da doença. As mesmas forças que hoje, como resistência, se opõem a que o esquecido volte à consciência deveriam ser as que antes tinham agido, expulsando da consciência os acidentes patogênicos correspondentes. A esse processo, por mim formulado, dei o nome de repressão e julguei-o demonstrado pela presença inegável da resistência. [...] A aceitação do impulso desejoso incompatível ou o prolongamento do conflito teriam despertado intenso desprazer; a repressão evitava o desprazer, revelando-se desse modo um meio de proteção da personalidade psíquica. [...] Mas o impulso desejoso continua a existir no inconsciente à espreita de oportunidade para se revelar, concebe a formação de um substituto do reprimido, disfarçado e irreconhecível, para lançar à consciência, substituto ao qual logo se liga a mesma sensação de desprazer que se julgava evitada pela repressão. Esta substituição da ideia reprimida — o sintoma — é protegida contra as forças defensivas do ego e em lugar do breve conflito, começa então um sofrimento interminável. No sintoma, a par dos sinais do disfarce, podem reconhecer-se traços de semelhança com a idéia primitivamente reprimida. Pelo tratamento psicanalítico desvenda-se o trajeto ao longo do qual se realizou a substituição, e para a recuperação é necessário que o sintoma seja reconduzido pelo mesmo caminho até a ideia reprimida. [...] Ou a personalidade do doente se convence de que repelira sem razão o desejo e consente em aceitá-lo total ou parcialmente, ou este mesmo desejo é dirigido para um alvo irrepreensível e mais elevado (o que se chama "sublimação" do desejo), ou, finalmente, reconhece como justa a repulsa. Nesta última hipótese o mecanismo da repressão, automático por isso mesmo insuficiente, é substituído por um julgamento de condenação com a ajuda das mais altas funções mentais do homem — o controle consciente do desejo é atingido. [...] Duas forças antagônicas atuavam no doente; de um lado, o esforço refletido para trazer à consciência o que jazia deslembrado no inconsciente; de outro lado a resistência, já nossa conhecida, impedindo a passagem para o consciente do elemento reprimido ou dos derivados deste. [...] O pensamento devia comportar-se em relação ao elemento reprimido com uma alusão, como uma representação do mesmo por meio de palavras indiretas. Conhecemos, no domínio da vida psíquica normal, exemplos em que situações análogas às que admitimos produzem resultados semelhantes. É o caso do chiste. O problema da técnica psicanalítica forçou-me a estudar o mecanismo da formação das pilhérias. Quero expor-lhes apenas um desses exemplos, aliás uma anedota da língua inglesa. Diz a anedota:16 Por uma série de empresas duvidosas, dois comerciantes tinham conseguido reunir grandes cabedais e esforçavam-se para penetrar na boa sociedade. Entre outros, pareceu-lhes um meio conveniente fazerem-se retratar pelo pintor mais notável e mais careiro da cidade, cujo quadro fosse um acontecimento. Numa grande reunião foram inaugurados os custosíssimos quadros, um ao lado do outro, e os dois proprietários conduziram até a parede o mais influente crítico de arte a fim de obterem o valioso julgamento. O crítico examinou longamente o quadro, sacudiu a cabeça como se achasse falta de alguma coisa e perguntou apenas, indicando o espaço entre os dois quadros: "But where’s the Saviour?"17 (Mas onde está o Redentor?) Vejo que todos se riem da boa pilhéria; penetramo-lhes agora a significação. Os presentes compreendem que o crítico queria dizer: vocês são dois patifes como aqueles que ladearam o Cristo crucificado. Mas não o disse; em lugar disso exprimiu coisa que à primeira vista parece extraordinariamente abstrusa e fora de propósito, mas que logo depois reconhecemos como uma alusão à injúria que lhe estava no íntimo, e que vale perfeitamente como substituto dela. Não podemos esperar que numa anedota sejam encontradas todas as circunstâncias que pressupomos na gênese das idéias associadas dos nossos doentes; queremos todavia realçar a identidade de motivação para a anedota e para a ideia. Por que é que o nosso crítico não lhes falou claramente? Porque nele outras razões contrárias também atuavam ao lado do ímpeto de dizê-lo francamente, face a face. Não deixa de ser perigoso desfeitear pessoas de que somos hóspedes e que dispõem de criadagem numerosa, de pulsos vigorosos. A sorte poderia ser a mesma que na conferência anterior serviu de exemplo para a repressão. Por tal razão o crítico atirou indiretamente a ofensa que estava ruminando, transfigurando-a numa "alusão com desabafo". É, a nosso ver, devido à mesma constelação que o paciente produz uma ideia de substituição, mais ou menos distorcida, em lugar do elemento esquecido que procuramos. [...] O modo de proceder dos doentes em nada facilita o reconhecimento da justeza da tese a que estamos aludindo. Em vez de nos fornecerem prontamente informações sobre a sua vida sexual, procuram por todos os meios ocultá-la. Em matéria sexual os homens são em geral insinceros. Não expõem a sua sexualidade francamente; saem recobertos de espesso manto, tecido de mentiras, para se resguardarem, como se reinasse um temporal terrível no mundo da sexualidade. E não deixam de ter razão; o sol e o ar em nosso mundo civilizado não são realmente favoráveis à atividade sexual. Com efeito, nenhum de nós pode manifestar o seu erotismo francamente à turba. [...] A propensão à neurose deve provir por outra maneira de uma perturbação do desenvolvimento sexual. As neuroses são para as perversões o que o negativo é para o positivo. Como nas perversões, evidenciam-se nelas os mesmos componentes instintivos que mantêm os complexos e são os formadores de sintomas; mas aqui eles agem do inconsciente, onde puderam firmar-se apesar da repressão sofrida. A psicanálise nos mostra que a manifestação excessivamente intensa e prematura desses impulsos conduz a uma espécie de fixação parcial — ponto fraco na estrutura da função sexual. Se o exercício da capacidade genética normal encontra no adulto um obstáculo, rompe-se a repressão da fase do desenvolvimento justamente naquele ponto em que se deu a fixação infantil. [...] A literatura alemã conhece um vilarejo chamado Schilda, de cujos habitantes se contam todas as espertezas possíveis. Dizem que possuíam eles um cavalo com cuja força e trabalho estavam satisfeitíssimos. Uma só coisa lamentavam: consumia aveia demais e esta era cara. Resolveram tirá-lo pouco a pouco desse mau costume, diminuindo a ração de alguns grãos diariamente, até acostumá-lo à abstinência completa. Durante certo tempo tudo correu magnificamente; o cavalo já estava comendo apenas um grãozinho e no dia seguinte devia finalmente trabalhar sem alimento algum. No outro dia amanheceu morto o pérfido animal; e os cidadãos de Schilda não sabiam explicar por quê. Nós nos inclinaremos a crer que o cavalo morreu de fome e que sem certa ração de aveia não podemos esperar em geral trabalho de animal algum [...]. CINCO LIÇÕES DE PSICANÁLISE – A obra Cinco lições de psicanálise, de Sigmund Freud, é o resultado de pronunciamentos efetuados por ocasião das comemorações do vigésimo aniversário da Fundação da Clark University, Worcester, Massachusetts, em setembro de 1909, tratando de temas como a histeria, trauma psíquico, método catártico, repressão, resistência, sublimação, catexia, associação livre, conteúdo manifesto e latente, condensação, deslocamento, ato falho, auto-erotismo, zona erógena, Complexo de Édipo, libido, sadomasoquismo, sexualidade infantil e a história da construção do pensamento psicanalítico. Veja mais aquiaqui.

REFERÊNCIAS
FREUD, Sigmund. Cinco lições de psicanálise. São Paulo: Abril Cultural, 1978.


LEILAH ASSUMPÇÃO – A dramaturga e pedagoga Leilah Assumpção surgiu no final dos 1960 com a sua premiada peça teatral Fala baixo senão eu grito, contando a história de uma solteirona cheia de frustrações e recalques que realiza uma viagem levada por um homem que invade seu quarto. A partir de então, torna-se autora de uma série de peças teatrais que abordam sobre o tema da mulher e sua situação na sociedade, explorando a questão feminina e criticando o dinheiro e as aparências da sociedade moderna capitalista. Entre entras destacamos as peças teatrais Kuka de Kamaiorá, Boca molhada de paixão calada, Lua Nua e Intimidade indecente. A respeito dela, a poeta e dramaturga Renata Pallotini diz: “Leilah Assumpção inventou uma nova forma de por em cena teatral suas intuições, descobertas e experiências: inovou de tal maneira a Dramaturgia em sua geração que se tornou a introdutora de um diálogo inusitado e de personagens inéditos. Nada mais seria necessário para o reconhecimento de uma autora absolutamente original e única". Veja mais aqui.



AILSON CAMPOS – Natural da terra de Alceu Valença, o cantor, compositor, poeta e graduado em Letras pela Fabeja, José Ailson Campos de Souza, ou simplesmente Ailson Campos, é herdeiro de uma família de músicos. Ele é um dos idealizadores do projeto Recordando São Bento, do qual resultou na gravação de seis CDs e dois DVDs. É autor dos livros de poesias Horas Vivas (1999), Eu comigo (2004), Das mais doces lembranças (2008) e Da vida do tempo (2009). Hoje ele aniversaria em meio aos versos e tons de suas composições poéticas e musicais, motivo pelo qual homenageamos com o nosso desejo de felicidades e sucesso.


Veja mais sobre:
O viúvo do padre aqui.

E mais:
Max Weber & Norah Jones aqui.
John Keats & Bárbara Lia aqui.
Mario Quintana, Wang Tu, Tácita, Eduardo Souto Neto, Carlito Lima, Mike Leight & Vera Drake, Suzan Kaminga & Ansel Adams aqui.
Humanismo e a Educação Humanista aqui.
Yoram Kaniuk, Thelonious Monk, Robert E. Daniels, Eugene de Blaas, Meir Zarchi,, Luciana Vendramini, Camille Keaton, Tono Stano, Eliane Auer, Prefeituras do Brasil, Juizados Especiais & Responsabilidade civil das instituições bancárias aqui.
Crepúsculo dos Ídolos de Nietzsche & Projeto Tataritaritatá aqui.
Dicionário Tataritaritatá aqui.
O mal-estar na civilização de Freud & Coisas de antonte e dantanho aqui.
Nomes-do-pai de Lacan & BBB & Outras tacadas no toitiço do momento aqui.
A ilusão da alma de Eduardo Giannetti & A poesia veio dos deuses aqui.
Troço bulindo nas catracas do quengo, Fernando Fiorese & Abel Fraga aqui.
O mistério da consciência de Antonio Damásio &Nó na Garganta de Eduardo Proffa & Jan Claudio aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.




DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...