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segunda-feira, dezembro 02, 2024

KARIMA ZIALI, ANA JAKA, AMIN MAALOUF & JOÃO PERNAMBUCO

 

Poemagem – Acervo ArtLAM. Veja mais abaixo & aqui.

Ao som de Sonho de magia (1930), do compositor João Pernambuco (1883-1947), na interpretação da violonista, educadora e autora britânica Rosie Bennet. Veja mais abaixo.

 

Um dia noutro qualquer... - A vida vinha pela janela e apenas. Não fossem os pássaros eu morreria em silêncio. O mundo girava e sequer saía do lugar de espera, tudo havia feito e o recorrente choque aversivo nas recepções. Vôte! A esperança titânica servia como risada à morte e continuo sorrindo sob o fogo, o que sei: daqui os melhores se foram e não voltaram, nunca voltarão! Vejo-me uma arvore e me autoconheço, desdobro a reaprender o mundo e a vida, vulnerável às surpresas e pelo desconto hiperbólico, o cotidiano às reviravoltas, o paradoxo do enforcamento inesperado, incógnitas frívolas, lógicas refutáveis, vieses e impulsividade. E por que deu errado? Estamos em guerra desde sempre, sem mitigação. O feitiço funcionava como um veneno, o interdito no semáforo: a religião será sempre um engodo, que não ouçam os decaídos e sonolentos. Esquecia a armadura indestrutível, vulnerável com a ciência de que sou o meu próprio monstro, a criatura repulsiva, um reles sujeito comum, a face irreconhecível. Poderia até saber algo de alguma coisa, nada valeria. Acredito que um dia as coisas ainda saiam bem, mesmo que seja apenas uma fumaça escapando pelas sinistras chaminés. Sentia-me Prometeu aprisionado a um rochedo no Cáucaso repassando amargas lembranças e a odienta ave, com sua língua de gárgula bovina, devorava meu fígado. Ah, meu martírio. Ela até me fez uma declaração de amor e vi que era cega. Diante da ilusão do indulto dei a cara à tapa na pantera! Sobre a cidade o pássaro abriu as asas... Com o passar dos dias estendi a mão e a memória se fez parte de mim... E era tudo que tinha de meu: os olhos incertos, o coração na mão, a vontade esfarrapada. Até mais ver.

 

Zlata Filipović: Infelizmente, percebi que não podemos apagar completamente todo o mal do mundo, mas podemos mudar a maneira como lidamos com ele, podemos superá-lo e permanecer fortes e fiéis a nós mesmos... Veja mais aqui.

Alyson Noël: A única coisa que uma pessoa pode realmente fazer é seguir em frente. Dê esse grande salto para a frente sem hesitação, sem olhar para trás. Simplesmente esqueça o passado e fuja em direção ao futuro... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Morgan Llywelyn: A poesia flui através de mim, mas se origina na fonte da criação que é a fonte de todos nós... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

TRÊS POEMAS

Poemagem – Acervo ArtLAM. Veja mais aqui.

I - Dizem que há vida atrás da estação \ mas este expresso esqueceu seu coração \ Eu continuo perseguindo as batidas da sua voz \ porque a última coisa que ouvi foi seu adeus \ os castanheiros se perguntam quando ele voltará \ Eles estão ansiosos para ver você dançar \ e eu digo a eles que talvez \ Claudia e Costello encontraram sua liberdade.

DEIXE O VERÃO - Saia do último ou penúltimo banheiro \ com o sol atrás das árvores \ piscando e as ondulações da água \ nas costas e vencer uma corrida \ contra o frio com a pele tudo colorido.

BORBOLETA DA NOITE - Adoro a carícia de suas asas. \ Você mede, galho resignado, e o segundo, muito louco \ Você queima quando derrete em meus braços. \ Delicado milagre de bronze e veludo, \ Não há nada mais doloroso do que se queimar.

Poemas da escrtitora basca Ana Jaka García, autora de obras Mero amor / Línea discontinua (Everest, 2009), Ez zen diruagatik (Elkar, 2014), Marimutila naiz eta zer? (Elkar, 2016), Loaren inbasio isila (Elkar, 2016), Ixon (Elkar, 2017) e Mujeres y niñas (Balas trazadoras, 2017).

 

ORAÇÃO SEM DEUS - […] Fechou os olhos por um segundo, esboçou uma careta estática que deformou seu rosto. Deixou-se levar no tempo, respirou fundo com um suspiro suave escapou por sua boca. A festa de ontem, a eterna repetição de todas as festas. Como era habitual neste tipo de comemoração, rações até o vazio. O álcool deixou-o tonto, conversas aqui e ali, como se cada rosto foi o verdadeiro destino de seus discursos diletantes […] o mundo vinha até ele com seus paradoxos absurdos. [...]. Trechos extraídos da obra Una oracion sin dios (Esdrujula, 2023), da escritora e filósofa marroquina Karima Ziali, que assim se expressa sobre a atualidade: A Europa aceita diversidade desde que não cause problemas... Quando o medo entra, não somos capazes de enfrentar tudo isso que nos é dado como um bloqueio: tradição, religião, identidade, e você fica sem saber o que fazer. A liberdade é o que permite que você o decomponha, destrua e reconstrua; é o que permite que você entre nesses assuntos sem sentir que está transgredindo algo, mas que é sua obrigação moral como indivíduo...

 

O NAUFRÁGIO DA CIVILIZAÇÃO - [...] Quando já não podemos exercer as nossas prerrogativas como cidadãos sem nos referirmos às nossas filiações étnicas ou religiosas, é porque toda a nação embarcou no caminho da barbárie. [...] O pior para um perdedor não é a derrota em si, é a ideia da síndrome do eterno perdedor. Acabamos odiando toda a humanidade e nos destruindo. [...] Muitas vezes, quando um país trai os seus valores, também trai os seus interesses.[...] Preservamos piedosamente a lenda segundo a qual a transmissão ocorre “verticalmente”, de uma geração para outra, dentro de famílias, clãs, nações e comunidades de crentes; enquanto a transmissão real é cada vez mais “horizontal”, entre contemporâneos, quer se conheçam ou não, quer se amem ou se odeiem. [...] A tragédia, para os europeus, é que, no mundo cruel que é o nosso, se desistirmos de nos tornarmos uma potência muscular, acabaremos sendo empurrados, maltratados e mantidos como reféns. Você não se torna um árbitro respeitado, você se torna uma vítima em potencial e um futuro refém. [...]. Trechos extraídos da obra Le naufrage des civilisations (Hachette, 2020), do escritor libanês Amin Maalouf. Veja mais aqui.

 

A ARTE MUSICAL DE JOÃO PERNAMBUCO

[...] Ele fazia pequenos serviços na feira da Torre, junto da fábrica, para ganhar alguns trocados que usou para comprar um violão usado. Ele ia de bonde até o pátio de São Pedro e o mercado de São José para ver os violeiros, foi dessa maneira inusitada que João aprendeu tudo com seus mestres nas ruas, sem saber ler partitura ou cifras. E foi assim que estabeleceu e definiu a linguagem do violão brasileiro, sendo o primeiro brasileiro a compor música para exclusivamente para violão. [...].

Trecho extraído da obra Raízes e Frutos da Arte de João Pernambuco: Uma infinita viagem (IAPJP, 2023), do pesquisador carioca José Leal (José de Souza Leal - 1946-2023), também autor do livro João Pernambuco, arte de um povo (Funarte, 1983), tratando sobre a vida e obra do compositor, músico e violonista João Pernambuco (João Teixeira Guimarães – 1993-1947). Veja mais aqui & aqui.

&

FLIARP

 

OFERECIMENTO: MJ PRODUÇÕES ARTÍSTICAS & AMIGOS DA BIBLIOTECA

Apresentam:

Dareladas – Centenário de Darel Valença Lins na Fliarp, dia 05/12, às 19h, na Biblioteca Fenelon Barreto. Veja mais aqui.

Tem mais:

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Diário TTTTT aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.

 


terça-feira, novembro 28, 2023

ALANA PORTERO, JULIA CAMERON, ERIK WRIGHT, JACI BEZERRA & INDÍGENA DA MATA SUL

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som de Knell for Orchestra (2018), Run Run for Orchestra (2017) e Lambda of Life’s Frequency for Orchestra (2014), da compositora e pianista iraniana Niloufar Nourbakhsh, fundadora da Associação Iraniana de Compositoras Femininas.

 

ALMA DO CHÃO CAETÉ - Sou desta terra, como a vitalidade da folia na alma deste chão. Sigo adiante e nenhuma mata há mais. Prossigo passo suave claudicante na descoberta dos mil nomes de Gaia: um voo perdido pelas imediações do vulcão de Tonga. Até onde a memória possa alcançar o que ninguém viu do diário da recorrente queda abissal. Às vistas quantas incertezas com a face obscura da guerra, o colapso global! Gaza é aqui e em todo lugar. O que tenho se confunde com as almas penadas erráticas de lá pra cá e vice-versa, quase nem sei que dia do mês ou ano vindouro: perdi datas e direções, quase sou levado pelo furacão consumista das luminosas ofertas. Não dá tempo nem para olhar de lado, quanto mais refletir o que se passa. Escapar, eis a questão. Como dissera Alba de Céspedes: Na realidade, num determinado momento, cada um de nós muda, torna-se diferente, uns avançam, outros ficam parados, e enfim partimos em direções opostas, de modo que já não há encontro, já não há nada em comum... O que respiro é o que ninguém sabe ou nem queira saber do que se passa aqui ou na Etiópia, em Mianmar, no Iëmen, em Burkina Faso, na Somália, Sudão, Nigéria ou Síria, ou dos mais de 7 milhões que sucumbiram à COVID-19. Tudo tão perto e ninguém aí. Todo lugar é outro, não há explicação. A menos que subitamente me veja diante do Conselheiro de Canudos ou de um general do exército conduzindo a saúde para a morte de todos, verdadeiro genocídio. Se não é a mesma coisa, quem escapou sabe de Alyson Noël: A vida ainda é vida. Ainda é difícil, complicado e mais do que um pouco confuso, com lições a serem aprendidas, erros a serem cometidos, triunfos e decepções a serem tidos, e nem todos os dias devem ser uma festa... Ninguém tem noção do que seja a quinta força da natureza, ou dos múons, a matéria escura e a infodemia. Para quem se perdeu pelos 7 mares, a lonjura não mais existe, paradeiro é qualquer ermo. Sim, Marina Abramović: Porque no final você está realmente sozinho, faça o que fizer... Quanto mais você pensa sobre a morte e a mortalidade, mais você aproveita a vida. Porque assim você não perde tempo. Você apenas se concentra... E como quem findou as anotações da zilionésima viagem eu digo: Sim, Mãe caeté do quilombo em que nasci com a lágrima de Nísia Floresta, Malunguinho também na terra do que sou, vida que me cabe... Até mais ver.

 

UM POEMA

Imagem: Acervo ArtLAM.

XXVII - Lembro-me da hora tortuosa da minha vida \ em que fiz as perguntas exatas, \ momento em que minha carne começou a apodrecer \ e o impostor sorridente ficará cheio de orgulho \ quem serve as mesas e encha as tigelas \ com trigo nos dias de festa. \ Esqueci o toque das bochechas de Artemis, \ Esqueci o formato específico do pescoço florido de Attis, \ Esqueci que tinha a pele branca. \ No meu diário há apenas um insistente cheiro de madeira e ferrugem, \ também leite azedo e folhas de tabaco, \ também ao sangue infantil, também lodo. \ Aquela hora torta para abandonar meu gêmeo dourado no porão \ Parecia uma saída definitiva. \ Na mesma hora quando os grilos desistiram das minhas noites \ e as pegas começaram a cantar no meu ouvido. \ Eu também esqueci as bordas das minhas clavículas na frente do espelho, \ naquela hora tortuosa sob a luz preguiçosa das lâmpadas \ Eu virei tudo de costas. \ Dancei um pas de deux com a fera; \ o que eu chamo de identidade é uma figura armada com os restos podres do banquete, \ um espantalho de carne, osso e água, muita agua, \ que se move com a graça de um espantalho e caminha. \ Na hora tortuosa da minha vida \ Comecei a escrever este poema, com o penúltimo suspiro de um sobrevivente \ que conheço desde que nasci, \ servir como o último arranhão na carne pingente de destino, \ como um apoio para alcançar a superfície e grite ao miserável deus do tempo: \ Filho da puta, ainda estou aqui.

Poema extraído da obra La habitación de las ahogadas (Harpo Libros, 2017), da escritora e dramaturga espanhola Alana Portero.

 

O CAMINHO DO ARTISTA - [...] Em tempos de dor, quando o futuro é assustador demais para ser contemplado e o passado doloroso demais para ser lembrado, aprendi a prestar atenção no agora. O momento preciso em que eu estava sempre foi o único lugar seguro para mim. [...] Mas você sabe quantos anos terei quando aprender a realmente tocar piano / atuar / pintar / escrever uma peça decente? [...] Não importa a sua idade ou o seu percurso de vida, se fazer arte é a sua carreira, o seu hobby ou o seu sonho, não é demasiado tarde, nem demasiado egoísta, nem demasiado egoísta ou demasiado tolo para trabalhar a sua criatividade. [...] A arte séria nasce do jogo sério. [...] A criatividade – como a própria vida humana – começa na escuridão [...] Progresso, não perfeição, é o que deveríamos pedir a nós mesmos. [...] A sobrevivência reside na sanidade, e a sanidade reside em prestar atenção... a capacidade de deleite é o dom de prestar atenção. [...] A criatividade ocorre no momento, e no momento somos atemporais. [...] A arte nasce da atenção. [...]. Trechos extraídos da obra The Artist's Way: A Spiritual Path to Higher Creativity (TarcherPerigee, 2016), da escritora, dramaturga, cineaste, compositora, jornalista e professora estadunidense Julia Cameron.

 

A CRISE DO CAPITALISMO – [...] Para muita gente, a noção de anticapitalismo parece ridícula. Afinal, olhem para as fantásticas inovações tecnológicas em bens e serviços produzidos pelas empresas capitalistas nos últimos anos: smartphones; filmes em streaming; carros privados sem motoristas; redes sociais; a cura para uma série de doenças; telões gigantes em alta definição para passar jogos de futebol e videogames conectando milhares de jogadores ao redor do mundo; cada produto concebível está agora disponível na internet e será rapidamente entregue em sua casa; aumentos impressionantes na produtividade do trabalho por meio de tecnologias de automação; e a lista segue. E ainda que se afirme que a renda é desigualmente distribuída nas economias capitalistas, é também verdade que a variedade de bens de consumo disponíveis para a maioria das pessoas, inclusive para os mais pobres, aumentou enormemente em praticamente todo o mundo. [...] a marca registrada do capitalismo é a miséria que ele gera em meio à abundância. Essa não é a única coisa errada no capitalismo, mas é uma característica comum das economias capitalistas e que inclusive é o seu maior fracasso. Em particular, a miséria que atinge as crianças, que claramente não têm qualquer responsabilidade por seu sofrimento, é algo moralmente repreensível em sociedades ricas nas quais essas formas de pobreza poderiam facilmente ser eliminadas. Sim, nós temos crescimento econômico, inovação tecnológica, aumento na produtividade e uma difusão verticalizada de bens de consumo, mas somado a tudo isso, junto do crescimento econômico capitalista, juntamente vem a destituição de muitos cuja forma de vida foi destruída pelo avanço do capitalismo, com a precarização dos que estão nas partes mais baixas do mercado de trabalho capitalista, promovendo trabalhos alienantes e tediosos para a maioria. O capitalismo, de fato, gerou aumentos massivos na produtividade e uma riqueza extravagante para alguns, mas a maioria ainda tem que lutar pela sua subsistência. Ele é uma máquina de aperfeiçoamento das desigualdades, bem como uma máquina de crescimento econômico. E mais: está ficando cada vez mais claro que o capitalismo, movido pela busca incessante por lucro, está destruindo o meio ambiente. E, ainda assim, a questão central não é se as condições materiais não melhoraram no longo prazo nas economias capitalistas, mas se para a maioria não seria melhor uma forma de economia alternativa. [...] da mesma forma, não é uma ilusão dizer que o capitalismo gera grandes prejuízos às pessoas e que perpetua formas de sofrimento humano passíveis de serem eliminadas. Onde o verdadeiro desacordo entre essas duas histórias aparece – e um desacordo fundamental – é sobre se é possível ter a produtividade, a inovação e o dinamismo que vemos no capitalismo sem ter os seus males. [...] primeiro, um outro mundo é, de fato, possível. Segundo, que ele pode melhorar as condições para o desenvolvimento humano da maioria das pessoas. Terceiro, que os elementos desse novo mundo já estão sendo criados no nosso mundo atual. E, finalmente, que há formas de caminharmos até esse novo mundo. O anticapitalismo é possível não apenas como postura moral perante os males e as injustiças do mundo em que vivemos, mas como uma postura prática em direção à construção de uma alternativa em prol do desenvolvimento da humanidade. [...]. Trechos extraídos da obra Como ser anticapitalista no século XXI? (Boitempo, 2019), do sociólogo estadunidense Erik Olin Wright (1947-2019).

 

SEMINÁRIO PRESENÇA INDÍGENA NA MATA SUL DE PERNAMBUCO – PASSADO & PRESENTE

O Seminário: A Presença Indígena na Zona da Mata de Pernambuco - Passado e Presente, organizado numa parceria entre Movimento de Retomada Mata Sul Indígena com a Escola Livre de Museologia Política/PE e a Biblioteca Pública Municipal Fenelon Barreto. O Movimento de Retomada Mata Sul Indígena surgiu em 2020, com objetivo de revitalizar a língua originária, salvaguardar saberes/práticas ancestrais e lutar pelo direito à terra/território, pela soberania alimentar e recuperação da vegetação nativa (Mata Atlântica). Com uma programação repleta de arte, cultura e resistência indígena na Zona da Mata, dedicada especialmente ao diálogo com estudantes de Palmares, realizaremos vivências com Pintura, Poesia, Dança e Cinema Indígena, incluindo uma oficina de Caboclinho com Iara Campos e um vídeo-debate com integrantes do Mov. Mata Sul Indígena e do Maraká Urbano: organização que desenvolve um importante trabalho de pesquisa e articulação sobre as culturas indígenas da Mata Norte, sediado em Paudalho. Haverá uma roda de conversa inédita com pesquisadores/as e ativistas que têm investigado os povos indígenas nas Matas Norte e Sul, a partir de Escada-PE, Palmares-PE e Paudalho-PE, localidades de marcante presença indígena. Como encerramento, o historiador Edson Silva/UFPE realizará a conferência “Os indígenas na História na Mata Sul pernambucana: descolonizar narrativas ufanistas hegemônicas”. A atividade compõe o I Ciclo Formativo da ELMP/PE, iniciado em agosto, reunindo integrantes/gestores/as das iniciativas de memória/museus comunitários e de movimentos sociais que têm participado das ações da Escola, a partir do mapeamento de acervos comunitários em curso no segundo semestre de 2023. E acontecerá nesta quarta, 29/11, a partir das 8h, na Biblioteca Fenelon Barreto.

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NESTE CANTO FINQUEI MEUS ALICERCES...

... Escrevo uma canção para quem ama \ e entre extremos se perde e se procura: \ a vida que se busca e se tortura, \ insônia que me invade e que me inflama...

Trecho do poema extraído da obra Linha d’água (CEPE, 2007), do poeta Jaci Bezerra. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 



quinta-feira, dezembro 03, 2020

PATRICK CHAMOISEAU, MORGAN LLYWELYN, TADEUSZ KANTOR, MARYAM EISLER & BRUNA VALENÇA

 

TRÍPTICO DQC: JANELOUTRA - Ao som de Ressonâncias, da compositora e pianista Marisa Rezende, na interpretação da pianista Miriam Ramos. - Postulante à vereança: Vote em mim! Todos os políticos mentem e só falo a verdade. E descascou fulano, estraçalhou a reputação de beltrano, desmascarou sicrano e depôs contra todo alfabeto do panteão dos três poderes da Nação: Sou a salvação da humanidade! E depôs a Bíblia e santinho: Vote em mim, preciso me eleger! Só com um mandato de vereador? Começa assim! E se foi. Ainda bem, alívio. As pretensões são admiráveis. Logo se aproximou a sorridente Heloneida Studart: Mulher também é gente. Vote numa inteligente. O mundo é das Mulheres! Claro, sou ginocrata! - respondi-lhe com um aceno. O delírio de uma campanha contamina, mas não é essa a forma que me interessa, tem de haver outro modo. Compras de voto e de cabresto, meu país se dissolve com os conluios. Por mais quanto tempo, não sei. Ruminava sozinho e o escritor francês Patrick Chamoiseau: Levar a liberdade é o único fardo que mantém as costas retas. Rimos juntos. E contei o sucedido. Passado o pleito eleitoral, ah, aquele intruso e fui conferir: não foi eleito. Cada uma que me aparece! Ninguém merece isso na manhã.

 


QUINTA À TARDE – Ao som do álbum Thursday Afternoon (Virgin Records, 2005), do compositor, músico, artista visual e produtor britânico de música ambiente, Brian Eno. – O mormaço da tarde chegou com uma tremenda barulheira. Vozes para todo lado. Curioso, só depois de muito investigar, era ensaio de um espetáculo teatral. Qual e ouvi alguém discursar: Esforço-me por determinar os motivos e o destino dessa entidade insólita que surgiu de maneira imprevista em meus pensamentos e em minhas ideias. Plantaremos os limites desta fronteira que se chama a condição da morte, porque constitui o ponto de referência mais avançado, e não amenizado por nenhum conformismo sobre a condição do artista e da arte. Só os mortos se fazem perceptíveis (para os vivos) e obtém assim, por esse preço, o mais elevado, sua singularidade, sua silhueta resplandecente, quase como no circo. Era uma performance revolucionária do premiado dramaturgo e pintor polonês Tadeusz Kantor (1915-1990), o mesmo criador do Teatro Clandestino, fundador do Teatro Cricot 2 e autor do The Autonomous Theatre (1963), Theatre Happening: The Theatre of Events (1967), O Teatro Informal (1969), The Zero Theatre (1969) e O Teatro da Morte (1975). Foi aí que me dei conta tratar-se de ensaio para o espetáculo A classe morta. Do outro lado outros falavam da peça Que morram os artistas! Fiquei apreciando, prestava atenção a tudo. Nem vi quando ela se aproximou tal AlysonNoël: Viva o presente, lembre-se do passado e não tema o futuro, pois ele não existe e nunca existirá. Só existe o agora. O perfume de sua beleza me inebriava e ali juntinhos, a minha inquietude ao seu lado sedutor. Dali a pouco: Vamos? Vamos.

 


O POEMA EM PEDAÇOS – Imagem: a arte da fotógrafa, escritora, editora e artista iraniana Maryam Eisler: A arte vence onde a política costuma falhar. Ao som de A time for us (2015), do compositor italiano Nino Rota, na interpretação da saxofonista Hiroko Yamakawa e da pianista Chiaki Oshima, em recital no Tokyo Opera City. - O mundo podia ser outro ao crepúsculo. O momento, pelo menos, era de satisfação: ela linda e nua fazia o anoitecer prazeroso. E lá fora tudo se consumia como uma coisa qualquer degustada apenas pelo vício forjando a necessidade: as três refeições diárias nos horários indicados, só por força do hábito; televisão ligada sem que se identifique sequer o que se passa; a vida no automático e passageiro sem se ligar no trajeto, ligado às asas de pensamentos soltos, tudo fragmento e simulacro. Ela usou de Joseph Conrad: É difícil resistir onde nada importa. Estava escrito que eu deveria ser leal ao pesadelo da minha escolha. Ser mulher é algo difícil, já que consiste basicamente em lidar com homens. Tudo é muito confuso, a existência refém da insatisfação. Ela cita a escritora irlandesa Morgan Llywelyn: Quando me sinto bem, me sinto melhor do que qualquer pessoa, quando estou com dor, grito a plenos pulmões e, quando estiver morta, estarei mais morta do que qualquer um. E um beijo nos fez viajar galáxia afora perdidos na imensidão do Universo. Esse mundo é muito pouco para nós dois. Até mais ver.

 

A ARTE DE BRUNA VALENÇA

O meu maior hobby é sonhar acordada. O amanhã está meio nebuloso. Como uma água turva, sabe? Às vezes fica um pouco difícil de enxergar a frestinha de luz, mas ela está lá, piscando. Eu acredito, imagino e visualizo o amanhã com esperança e consciência e muito mais presença. Saudade também é quando a gente vê alguém nos sonhos e os encontros são leves e fazem você acordar com um sorriso no rosto e o peito aquecido. Saudade, vô.

A arte da premiada fotógrafa e artista visual Bruna Valença, que já trabalhou com grandes marcas do mercado. Ela foi vencedora do prêmio People's Choice Award, no concurso Exposure Competition pela See.Me Institution, em Nova York. Veja mais aqui e aqui.

 


 


quinta-feira, dezembro 06, 2018

ALYSON NOËL, FRANCESCA TANDOI, ROCLOF FRANKOL & MARSA&SEUPEREIRA&COLETIVO401


PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA ENSINO-APRENDIZAGEM - Imagem: arte do pintor neerlandês Roclof Frankol (1911-1984). - Seguindo o mote da casa/escola emburrecedora, do saudoso educador Rubem Alves, desde alguns anos atrás, venho realizando palestras a respeito de práticas pedagógicas para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. A primeira delas, Brincar para aprender, realizada a convite da Universidade Federal de Alagoas, em Maceió - AL (Veja detalhes aqui) e em diversas instituições de ensino, levava a proposta de inserção das atividades artísticas durante os trabalhos em sala de aula. Concomitantemente comecei a realizar Oficinas de Cordel, que foram realizadas em diversas ocasiões com o objetivo de promover a utilização da Literatura de Cordel como recurso pedagógico. Aprofundando a questão, passei a desenvolver atividades na área da Psicologia Social & Educação, quando apresentei os resultados do trabalho sobre A Educação & Arte na Escola Pública, experiência realizada com atividades artísticas para melhoria do processo de ensino-aprendizagem, realizado na Faculdade Cesmac e envolvendo a Escola Estadual Josefa Conceição da Costa, de Maceió – AL (Veja detalhes aqui). Por conta disso, realizei os estudos que redundaram na palestra Contribuição do Teatro no Desenvolvimento da Linguagem Infantil: uma abordagem acerca da teoria de Vygotsky, apresentada na Uninove, em São Paulo e no Cesmac, em Maceió (Veja detalhes aqui). Dando continuidade a esses estudos e pesquisas, participei do Grupo de Pesquisa de Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva, na Faculdade Cesmac, ocasião em que realizei a palestra A Neuroeducação nas práticas pedagógicas de ensino-aprendizagem, que venho realizando desde então em diversos eventos e instituições (Veja detalhes aqui e aqui). Todas essas atividades que tenho desenvolvido nos últimos quinze anos compreendem a articulação que fiz das áreas de Direito, Educação e Psicologia com as Artes, na busca por melhores práticas pedagógicas em sala de aula, desde a Educação Básica, como também a Educação de Jovens e Adultos (EJA), Educação Profissional e Educação Especial, nas mais diversas modalidades de ensino. Para tanto, tenho utilizado como embasamento teórico as propostas de Paulo Freire e de outros teóricos não menos importantes, com as mais inovadoras atividades artísticas voltadas para a educação, sobretudo nas áreas de Teatro, Música e Literatura. As experiências foram exitosas em diversas escolas públicas e na minha caminhada encontrei uma série de outras iniciativas, a exemplo do poeta e professor Janduhi Dantas Nóbrega, da Paraíba, que utiliza a Literatura de Cordel nas aulas de Gramática e Língua Portuguesa (Veja detalhes aqui). Também o escritor e professor Arantes Gomes do Nascimento, que elaborou os jogos pedagógicos Dominando a acentuação gráfica e Desembaralhando o Verbo (Veja detalhes aqui), entre outras tantas iniciativas que tenho encontrado de educadores, arte-educadores, psicopedagogos e psicólogos, todas procurando otimizar a atividade pedagógica com os mais diversos recursos artísticos para melhoria do processo de ensino-aprendizagem. São experiências como estas, acrescidas de temas como afetividade, transversalidade, transdisciplinaridade, neuroeducação, entre outros, que podem levar a um melhor relacionamento entre o professor e o aluno, possibilitando o desenvolvimento de uma educação de verdade, pública e de qualidade. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Nem sempre fui essa bizarrice que sou hoje. Já fui uma adolescente normal, do tipo que ia às festinhas da escola, se apaixonava por celebridades e tinha tanto orgulho dos cabelos louros que jamais pensaria em prendê-los num rabo de cavalo ou escondê-los sob um capuz. Eu tinha mãe, pai, uma irmã caçula chamada Riley e uma cadela labrador amarela, fofíssima, de nome Buttercup. Morava numa casa agradável, num bairro bacana de Eugene, no Oregon. Era popular, feliz e mal podia esperar para chegar ao segundo ano, pois tinha acabado de me tornar chefe de torcida da principal equipe da escola. Minha vida era completa, e o céu era o limite. Essa história de céu pode ser um tanto gasta, mas, no meu caso, ironicamente, é também a mais pura verdade. No entanto, sei tudo isso apenas por ouvir dizer, pois desde o acidente só me lembro claramente de uma coisa: eu morri. Tive o que as pessoas chamam de "experiência de quase morte", ou EQM. Acontece que as pessoas estão erradas. Podem acreditar, não houve nada de “quase" no que me aconteceu. Foi assim: num instante, Riley e eu estávamos no banco de trás do SUV do papai, Buttercup com a cabeça pousada no colo de minha irmã e o rabo batendo suavemente em minha perna, e a próxima lembrança... os airbags inflados, o carro inteiramente destruído e eu lá, assistindo a tudo do lado de fora. Olhando para os destroços — os estilhaços de vidro, as portas amassadas, o para-choque dianteiro agarrado ao tronco de um pinheiro num abraço letal -, fiquei me perguntando o que poderia ter acontecido de errado, esperando e suplicando que todos tivessem conseguido sair dali como eu. De repente, ouvi um latido familiar; virei para trás e vi minha família seguindo por um caminho, guiada por Buttercup, que abanava o rabo. Fui ao encontro deles. De início, tentei correr e alcançá-los, mas depois fui mais devagar, querendo me demorar e passear por aquele campo vasto e perfumado de árvores e flores vibrantes que tremeluziam, e apertando os olhos diante da névoa deslumbrante que refletia e brilhava intensamente, iluminando tudo. [...] Sei que o preço da eternidade é alto, mas sei também que as coisas podem se arranjar. Riley prometeu mandar algum tipo de sinal; depois disso vejo o que faço. E se a eternidade começa hoje, é assim que vou vivê-la: até o fim do dia, e só. Sabendo que Damen estará sempre ao meu lado. Tipo assim, sempre, certo? Ele busca meu olhar, esperando uma resposta. — Eu amo você — digo baixinho. — Também amo você — ele devolve, os lábios pedindo os meus. — Sempre amei. [...].
Trechos da obra Para sempre – Os imortais I (Intrínseca, 2009), da premiadíssima escritora estadunidense Alyson Noël. Veja mais aqui.

A ARTE DE ROCLOF FRANKOL
A arte do pintor neerlandês Roclof Frankol (1911-1984).

AGENDA:
Marsa e SeuPereira & Coletivo401 - NE TOUR 18 – 16/12, das 16 às 21hs, Casa Astral Rua Joaquim Xavier de Andrade, 104 - Poço da Panela, Recife – PE & muito mais na Agenda aqui.
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A vida é muito mais, Agostinho da Silva, Marcia Tiburi, Alcântara Machado, Ricardo Corona, Lucinda Lyons, Celso Antunes, Natasha de Albuquerque & Maria Eugência Matricardi & Pamela Guimarães, Pesqueira, Antônio Meneses & Alina Ibragimova aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da pianista Francesca Tandoi & Trio: Live at Jazz on Air, Live at Luca’s Jazz Corner, Clair de Lune de Denussy & How did he look no KC KV Bzaal & muito mais nos mais de 2 milhões & 900 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...