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quinta-feira, dezembro 03, 2020

PATRICK CHAMOISEAU, MORGAN LLYWELYN, TADEUSZ KANTOR, MARYAM EISLER & BRUNA VALENÇA

 

TRÍPTICO DQC: JANELOUTRA - Ao som de Ressonâncias, da compositora e pianista Marisa Rezende, na interpretação da pianista Miriam Ramos. - Postulante à vereança: Vote em mim! Todos os políticos mentem e só falo a verdade. E descascou fulano, estraçalhou a reputação de beltrano, desmascarou sicrano e depôs contra todo alfabeto do panteão dos três poderes da Nação: Sou a salvação da humanidade! E depôs a Bíblia e santinho: Vote em mim, preciso me eleger! Só com um mandato de vereador? Começa assim! E se foi. Ainda bem, alívio. As pretensões são admiráveis. Logo se aproximou a sorridente Heloneida Studart: Mulher também é gente. Vote numa inteligente. O mundo é das Mulheres! Claro, sou ginocrata! - respondi-lhe com um aceno. O delírio de uma campanha contamina, mas não é essa a forma que me interessa, tem de haver outro modo. Compras de voto e de cabresto, meu país se dissolve com os conluios. Por mais quanto tempo, não sei. Ruminava sozinho e o escritor francês Patrick Chamoiseau: Levar a liberdade é o único fardo que mantém as costas retas. Rimos juntos. E contei o sucedido. Passado o pleito eleitoral, ah, aquele intruso e fui conferir: não foi eleito. Cada uma que me aparece! Ninguém merece isso na manhã.

 


QUINTA À TARDE – Ao som do álbum Thursday Afternoon (Virgin Records, 2005), do compositor, músico, artista visual e produtor britânico de música ambiente, Brian Eno. – O mormaço da tarde chegou com uma tremenda barulheira. Vozes para todo lado. Curioso, só depois de muito investigar, era ensaio de um espetáculo teatral. Qual e ouvi alguém discursar: Esforço-me por determinar os motivos e o destino dessa entidade insólita que surgiu de maneira imprevista em meus pensamentos e em minhas ideias. Plantaremos os limites desta fronteira que se chama a condição da morte, porque constitui o ponto de referência mais avançado, e não amenizado por nenhum conformismo sobre a condição do artista e da arte. Só os mortos se fazem perceptíveis (para os vivos) e obtém assim, por esse preço, o mais elevado, sua singularidade, sua silhueta resplandecente, quase como no circo. Era uma performance revolucionária do premiado dramaturgo e pintor polonês Tadeusz Kantor (1915-1990), o mesmo criador do Teatro Clandestino, fundador do Teatro Cricot 2 e autor do The Autonomous Theatre (1963), Theatre Happening: The Theatre of Events (1967), O Teatro Informal (1969), The Zero Theatre (1969) e O Teatro da Morte (1975). Foi aí que me dei conta tratar-se de ensaio para o espetáculo A classe morta. Do outro lado outros falavam da peça Que morram os artistas! Fiquei apreciando, prestava atenção a tudo. Nem vi quando ela se aproximou tal AlysonNoël: Viva o presente, lembre-se do passado e não tema o futuro, pois ele não existe e nunca existirá. Só existe o agora. O perfume de sua beleza me inebriava e ali juntinhos, a minha inquietude ao seu lado sedutor. Dali a pouco: Vamos? Vamos.

 


O POEMA EM PEDAÇOS – Imagem: a arte da fotógrafa, escritora, editora e artista iraniana Maryam Eisler: A arte vence onde a política costuma falhar. Ao som de A time for us (2015), do compositor italiano Nino Rota, na interpretação da saxofonista Hiroko Yamakawa e da pianista Chiaki Oshima, em recital no Tokyo Opera City. - O mundo podia ser outro ao crepúsculo. O momento, pelo menos, era de satisfação: ela linda e nua fazia o anoitecer prazeroso. E lá fora tudo se consumia como uma coisa qualquer degustada apenas pelo vício forjando a necessidade: as três refeições diárias nos horários indicados, só por força do hábito; televisão ligada sem que se identifique sequer o que se passa; a vida no automático e passageiro sem se ligar no trajeto, ligado às asas de pensamentos soltos, tudo fragmento e simulacro. Ela usou de Joseph Conrad: É difícil resistir onde nada importa. Estava escrito que eu deveria ser leal ao pesadelo da minha escolha. Ser mulher é algo difícil, já que consiste basicamente em lidar com homens. Tudo é muito confuso, a existência refém da insatisfação. Ela cita a escritora irlandesa Morgan Llywelyn: Quando me sinto bem, me sinto melhor do que qualquer pessoa, quando estou com dor, grito a plenos pulmões e, quando estiver morta, estarei mais morta do que qualquer um. E um beijo nos fez viajar galáxia afora perdidos na imensidão do Universo. Esse mundo é muito pouco para nós dois. Até mais ver.

 

A ARTE DE BRUNA VALENÇA

O meu maior hobby é sonhar acordada. O amanhã está meio nebuloso. Como uma água turva, sabe? Às vezes fica um pouco difícil de enxergar a frestinha de luz, mas ela está lá, piscando. Eu acredito, imagino e visualizo o amanhã com esperança e consciência e muito mais presença. Saudade também é quando a gente vê alguém nos sonhos e os encontros são leves e fazem você acordar com um sorriso no rosto e o peito aquecido. Saudade, vô.

A arte da premiada fotógrafa e artista visual Bruna Valença, que já trabalhou com grandes marcas do mercado. Ela foi vencedora do prêmio People's Choice Award, no concurso Exposure Competition pela See.Me Institution, em Nova York. Veja mais aqui e aqui.

 


 


quinta-feira, abril 09, 2015

BAUDELAIRE, LENINE, JESSIVA, HELONEIDA, MAZZAROPI, SEVERINI & MUYBRIDGE.


BIBLIOTECA – A primeira biblioteca foi a do meu pai. Ainda menino, eu passava horas e horas todos os dias remexendo nos livros – aprendi a ler por volta dos cinco anos e adorava procurar figuras nas coleções. Depois de ler as coleções de Machado, Graciliano, Érico, Dostoiévski, Dickens, Lobato, entre outros, passei a bisbilhotar na Biblioteca Pública Fenelon Barreto, na qual a professora e bibliotecária Jessiva Sabino de Oliveira sempre acolhedora, atenciosa e duma afetiva bondade de incentivo à leitura, me deu espaço para mergulhar de cabeça no universo maravilhoso que é o livro. Foi ela que me iniciou na leitura das peças teatrais e romances de Hermilo Borba Filho, na poesia de Ascenso Ferreira, os clássicos, os malditos & proibidos, os vanguardistas e os da torre de marfim, afora dispor todo o acervo para o meu prazer. Por causa disso virei consumidor compulsivo de bibliotecas e livrarias, mantendo sempre o hábito de pregar os olhos em páginas e páginas de um bom livro. Veja mais aqui, aquiaqui.

Imagem: Naked woman ink drawing, do pintor italiano Gino Severini (1883-1966)

Ouvindo: o álbum ao vivo Lenine Acústico (MTV Brasil, 2006). Veja mais aqui e aqui.

AS FLORES DO MAL – O poeta, crítico de arte e tradutor francês Charles Baudelaire (1821-1867) possui uma história para lá de instigante. Órfão de pai, foi repudiado pela família por sua precoce vocação literária. Enviado para a Índia em 1841, com a intenção de frustrar suas veleidades artísticas, regressou à França no ano seguinte, dedicado a entregar-se definitivamente à literatura. Dissipou seus bens nos meios boêmios, com bebida, narcóticos e mulheres, ocasião em que conheceu a mulata Jeane Duval, inspiração de muitos poemas. Outras musas de poesia foram Mme. Sabatier e a atriz Marie Daubrun. Ao publicar As flores do mal (1857), foi processado por haver veiculado blasfêmias e obscenidades através de suas poesias. Desse livro destaco O letes, na tradução de Jamil Almansur Haddad: Vem ao meu coração, surda alma irada, / tigre adorado, meu monstro indolente; / quando afundar a minha mão tremente / na tua espessa crina tão pesada. / Nas tuas saias perfumadas, junto / ao teu colo, enterrar fronte saudosa, / e respirar, como fanada rosa, / doce bolor do meu amor defunto. / Quero dormir! O sono em vez da vida! / Num sono doce como a morte eu posso / estender os meus beijos sem remorso / nesta carne de cobre tão polida. / Para engolir os meus mudos arquejos / nada me vale o abismo de teu leito; / tens nos lábios o olvido mais perfeito / e o Letes vai fluindo nos teus beijos. / Ao meu destino que é doçura e vício, / servo serei como um predestinado; / mártir sem culpa, dócil condenado, / porém cujo fervor chama o suplício. / Depois para afogar minha aflição / cicuta eu sugarei como nepentes / nas pontas de teus seios tão trementes / onde nunca bateu um coração. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

O ESTANDARTE DA AGONIA – No livro O estandarte da agonia (Nova Fronteira, 1981), da escritora, jornalista, teatróloga e militante política Heloneida Studart (1932-2007), destaco o seguinte trecho: [...] O Fusca parou no sinal vermelho de um cruzamento: um garotinho se adiantou e ofereceu ao motorista uma minúscula tartaruga [...]. Argemiro sentiu súbita vontade de rir: encontrava-se num mundo em que se vendiam tartarugas nas esquinas, quebravam-se os dentes de um adolescente a murros e uma donzela protestante vestida em seu uniforme de nácar, era capaz de delatar o médico imprudente. Dona Delfina, esposa do general, detestava barulho. [...] Acordava à noite, dizendo que haviam ligado uma sirene à sua cama. Andava pela casa com um dedo nos lábios, dois chumaços de algodão nos ouvidos. [...]  – Já se passaram vinte anos desde que perdeu o filho único – disse a empregada, suspirando. Vesti uma calça comprida e uma blusa e saí para a rua. Algumas donas de casa passavam com suas sacolas. No pardieiro da rua fronteira, os rádios de pilha estavam ligados. A doçaria onde meu filho fora preso já abrira a porta de aço e moça manca talvez estivesse tentando dizer aos primeiros fregueses que os doces não eram os mesmos da véspera. Veja mais aqui, aquiaqui.

O JECA MAZZAROPI – Toda minha infância e adolescência foi marcada pela arte do ator, diretor e comediante brasileiro Amácio Mazzaropi (1912-1981). Não perdia um filme dele que estivesse em cartaz no Teatro Cinema Apolo ou no Cine São Luiz. Aparecesse ele na tela, lá estava eu, primeiro da fila, ancho para ver suas presepadas. Desde o Sai da Frente (1952) até o Jeca e a égua milagrosa (1980) – salvo engano, ao todo trinta e dois filmes -, o que passou nos cinemas da minha terrinha boa, assisti. Ainda hoje quando ligo a TV que ele aparece, não faço a menor cerimonia e me aboleto para rever. Por isso a minha homenagem a esse grande artista. Veja mais aqui.

FOTO DO DIA
 Imagem do fotógrafo inglês Eadweard Muybridge (1830-1904). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.


Veja mais sobre:
Ganhar o mundo no rumo das ventas, O mito e a política de Jean-Pierre Vermant, a literatura de Cesare Pavese, a pintura de Eugène Delacroix & Caroline Vos, a música de Wagner & Hélène Grimaud aqui.

E mais:
Brincarte do Nitolino, o Tratado Lógico-Filosófico de Ludwig Wittgenstein, o Teatro Futurista de Filippo Marinetti, a literatura de Azar Nafisi, a pintura de Eugène Delacroix, a música de Nelson Freire, a fotografia de John De Mirjian, Augustine de Charcot, a arte de Stéphanie Sokolinski, a cangaceira Dadá & Maria Iraci Leal aqui.
Do espírito das leis, de Montesquieu aqui.
Caxangá, a literatura de Cervantes & Lima Barreto, o Abstracionismo & Vassili Kandinsky, a música de Sainkho Namtchylak, o cinema de Anthony Minghella & Gwyneth Kate Paltrow, a pintura de Guido Cagnacci, a arte de Adelaide Ristori & Clara Sampaio aqui.
A poesia de Gabriela Mistral & William Wordsworth, a literatura de Gregório de Matos Guerra & Ana Miranda, o cinema de Krzysztof Kieslowski & Irène Jacob, a música de Ravi Shankar & a pintura de Almada-Negreiros aqui.
Brincarte do Nitolino & Lendas do Nordeste, Buda, O caso Anna O de Freud & Bertha Pappenheim, A fenomenologia de Edmund Husserl, a poesia de Basílio da Gama, o teatro de Edmond Rostand, a pintura de Sergei Semenovich Egornov, a música de Steve Howe & a arte de Anne Brochet aqui.
O que deu, deu; o que não deu, paciência, fica pra outra, A teoria das emoções de Jean- Paul Sartre, a literatura de Dyonélio Machado, O fim da modernidade de Gianni Vattimo, a pensamento de Friedrich Nietzsche, Neurofilosofia & Neurociência, a música de Laurence Revey, a pintura de Fernando Rosa & Jonas Paim, a fotografia de Faisal Iskandar & O sisifismo na segunda de outra semana aqui.
Para quem vai & para quem vem, A filosofia da linguagem de Mikhail Bakhtin, a Fenomenologia & o fenômeno de Armando Asti Vera, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, a música de Djavan, a fotografia de Gal Oppido, a pintura de João Evangelista Souza, A pancada insólita se alastra na culatra: viver, a arte de Luciah Lopez & Elciana Goedert aqui.
Se o sonho pra se realizar está custoso demais, paciência..., As origens da vida de Jules Carles, Elementos da dialética de Alexander Soljenítsi, a poesia de Gilka Machado, a música de Álbaro Henrique, a fotografia de Camila Vedoveto, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, As torturas prazerosas de Quiba, Aos futuros poetas de J. Martines Carrasco, a arte de Fernando de La Rocque & Fernando Nolasco aqui.
Quando a poluição torna o ar irrespirável, a vida vai pro beleleu, O mundo de Albert Einstein, a literatura de Imre Kertész, a Educação de Dermeval Saviani, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, a música de Mafalda Veiga, A pluralidade cultural de Manuel Diégues Júnior, a fotografia de Eustáquio Neves, a pintura de Evelyn Hamilton, a fotografia de Cida Demarchi & Os erradios catimbós de Afredo aqui.
Quem, nunca aprendeu a discernir entre o que é e o que não é, jamais aprenderá a votar, a literatura de Marguerite Duras & Stanislaw Ponte Preta, o pensamento de Friedrich Nietzsche, O combate à corrupção, a música de Miriam Ramos, o Conhecimento de Cipriano Carlos Luckesi, a arte de Lenora de Barros, a fotografia de Ed Freeman, Luciah Lopez & O amor é tudo no clarão dos dias e na escuridão das noites aqui.
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História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Walter Levy
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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sábado, março 07, 2015

SILVIANE, HELONEIDA, NEILA, MONICA BELLUCCI, MARIA ESTHER MACIEL, MONDRIAN, LANDSER & MULHERES MUNDURUCUS


É PRA ELA – Esta minha canção foi inserida no meu show Crônica de amor por ela (2010): É pra ela que eu dedico a poesia / Da luz de todo dia e o meu cantar / É pra ela que a vida brilha tanto / E eu faço o meu canto pra lhe dar / Eis que ela altaneira, fez-se tal porto seguro / Deu de si a vida inteira com o seu ventre maduro / Para a vida premiar / / É de dia a companheira, na sua missão mulher / Quando é noite é verdadeira, ser pro que der e vier / E tudo compartilhar / Seu perfil é doação na magia do esplendor / No seio a concepção da ternura e do amor / Aonde quer que eu vá, vem seu resplendor frequente / Ela é luz resiliente para tudo superar / É pra ela que eu dedico a poesia / Da luz de todo dia e o meu cantar / É pra ela que a vida brilha tanto / E eu faço o meu canto pra lhe dar / / Ela é meu dia / Ela é meu chão / Ela é alegria / No meu coração  / Ela é folia / Ela é devoção / Ela é poesia / Na minha canção /É pra ela que eu dedico a poesia / Da luz de todo dia e o meu cantar / É pra ela que a vida brilha tanto / E eu faço o meu canto pra lhe dar. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

Imagem do pintor e escultor britânico Edwin Landseer (1802-1873)

Ouvindo Lo Schiavo, do compositor brasileiro Carlos Gomes (1836-1896), com a soprano Silviane Bellato no Teatro Amazonas. Veja mais aqui e aqui.

QUANDO MANDAVAM AS MULHERES (LENDA MUNDURUCU) - Em tempos que vão longe, as mulheres habitavam a casa-dos-homens, e os homens estavam alojados em vasta casa coletiva. Os homens tinham de fazer todo o trabalho para as mulheres: caçar, ir buscar lenha, desenterra mandioca, espremer e fornear a farinha. Essas eram suas tarefas. E, como se isso não bastasse, também iam buscar água no rio. Foi nessas priscas eras que três mulheres – Ianiubêri, cacique dos Mundurucu, Taimbiru e Parauarê, acharam três flautas chamadas caduque. Encontraram-nas num riacho e três peixinhos as tiraram da água. As mulheres as experimentaram. – Que som bonito! – disseram elas. Então passaram a tocá-las na mata, todos os dias. E para isso saiam de casa às escondidas. Os homens começaram a desconfiar. – Aonde irão sempre as mulheres? Acabaram por esconder-se a fim de melhor espreita-las. E as encontraram tocando as suas flautas. – Que devemos fazer? – perguntaram. Mas os irmãos mais novos de Ianiubêri, que se chamavam Marimarebê e Mariburubê, propuseram: - Tiremos-lhes as flautas! Elas nem sequer vão à caça e nós temos de fazer todos os seus serviços! Aceita a proposta, furtaram-lhes as flautas. E também as experimentaram. – Que som bonito! – disseram eles. E passaram a tocá-las. As mulheres ficaram muito tristes porque já não dispunham das suas flautas. Soluçando, entraram na grande casa. Assim, os homens se apossaram da casa coletiva, que ficou sendo a casa-dos-homens. (Recolhido de Couto de Magalhães, O selvagem. Companhia Editora Nacional, 1940). Veja mais aquiaqui.

MULHER – A escritora, jornalista e atriz de teatro, cinema e televisão, Neila Tavares, já colaborou para diversos veículos de comunicação, entre eles o jornal Folha de São Paulo e TVE Brasil. É dela a letra da belíssima canção composta por Geraldinho Azevedo, Mulher: Eu sou a mãe da Praça de Mayo Sou alma dilacerada Sou Zuzu Angel, sou Sharon Tate O espectro da mulher assassinada Em nome do amor Sou a mulher abandonada Pelo homem que inventou Outra mais menina Sou Cecília, Adélia, Cora Coralina Sou Leila e Angela Diniz Eu sou Elis Eu sou assim Sou o grito que reclama a paz Eu sou a chama da transformação Sorriso meu, meus ais Grande emoção Que privilégio poder trazer No ventre a luz capaz de eternizar Em nós sonho de criança Tua herança Eu sou a moça violentada Sou Mônica, sou a Cláudia Eu sou Marilyn, Aída sou A dona de casa enjaulada Sem poder sair Sou Janis Joplin drogada Eu sou Rita Lee Sou a mulher da rua Sou a que posa na revista nua Sou Simone de Beauvoir Eu sou Dadá Eu sou assim... Ainda sou a operária Doméstica, humilhada Eu sou a fiel e safada Aquela que vê a novela A que disse não Sou a que sonha com artista De televisão A que faz a feira Sou o feitiço, sou a feiticeira Sou a que cedeu ao patrão Sou a solidão Eu sou assim . Veja mais aquiaqui e aqui.


MULHER OBJETO DE CAMA E MESA – O livro Mulher objeto de cama e mesa (Vozes, 1974), da escritora, teatróloga e jornalista Heloneida Studart (1932-2007), uma das mais expressivas defensoras dos direitos da mulher, é uma das mais relevantes publicações do movimento feminino brasileiro. Na obra destaco: Só existe quem faz: a mulher à beira do século XXI, tem a sua oportunidade de começar a fazer civilização. Em caso contrário, corre o risco de acabar no museu, como um espécie obsoleta. Com um título embaixo: mulher, fêmea do homem até meados da Era Tecnológica. Usada para procriar descendentes, antes dos bancos de espermas e dos bebês de proveta. Extinta por inútil. Veja mais aqui, aquiaqui.


PRESENÇA – A escritora e professora de Teoria da Literatura e Literatura Comparada da UFMG, Maria Esther Maciel, doutora em Literatura Comparada e pós-doutorada em cinema pela Universidade de Londres, é autora autora do livro Dos haveres do corpo (1985), do qual destaco o seu poema Presença: Não vim para ficar: / não sou senão minha possibilidade de volta / minha indizível presença / que se resvala / no espanto de ser / Vim / provisoriamente / desafiar o século / anistiar meu susto / traduzir no tempo / este absurdo de nós / Não cheguei tarde / porque tarde é para os incrédulos / e os fantasmas que não se vingaram em vida / E porque nem tudo está falado: / o mundo ainda é uma esfinge / que devora os mudos / e os simplesmente chegados. Veja mais dela aqui e aqui.


MALENA – O filme Malena (2000), escrito e dirigido pelo cineasta italiano Giuseppe Tornatore, apresenta a atriz e modelo italiana Monica Bellucci no papel da belíssima Malena Scordia, casada com um soldado que é considerado morto na guerra. Com a morte trágica do seu pai, ela fica desamparada, tendo de vender seu corpo, angariando antipatia das mulheres da cidade, resultando no seu espancamento em praça pública. Eis que seu marido ressurge, não encontra a mulher na cidade e um garoto que era apaixonado por ela, dá-lhe uma carta dando conta do seu paradeiro. Veja mais aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER
Dia da mulher não é só 08 de março (Internacional) nem 30 de abril (Nacional), é todo dia.

Imagem; Evolution, do pintor neerlandês Piet Mondrian (1872-1944)
Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
Todo dia, a primeira vez, Gilvan Samico & Paul Mathiopoulos aqui.

E mais:
Afrodite & O julgamento de Páris, Lya Luft, Marcia Tiburi, Cacilda Becker, Diana Krall, José Celso Martinez Corrêa, Krzysztof Kieslowski, Jeanne Hébuterne, Débora Arango, Julie Delpys & Enrique Simone aqui.
Reflexões de metido em camisa de onze varas e cheio de nó pelas costas, Viviane Mosé, Ralph Waldo Emerson, Isaac Newton, o Método Perigoso de Carl Gustav Jung & Sabina Spielrein, A Síndrome de Klüver-Bucy, Auguste Comte & Cloltilde de Vaux aqui.
Slavoj Zizek, Victor Hugo, Pier Paulo Pasolini, Agildo Ribeiro, Silvana Mangano, Honoré Daumier, Altay Veloso & Maria Creuza aqui.
Li Tai Po, Paul Ricoeur, Millôr Fernandes, Carlos Saura, Ralph Gibson, Salomé & Aída Gomez, Ronaldo Urgel Nogueira & Mônica Salmaso aqui.
O morto e a lua, Ferreira Gullar, Oscar Wilde, Louis Malle, Montaigne, Lisztomania, Juliette Binoche, Virginia Lane, Luhan Dias & Neurofilosofia e Neurociência Cognitiva aqui.
A desgraça de um é a risada de outro, Gonzaguinha, Rosie Scribblah, Milton Dacosta, Jean-Michel Basquiat, Nitolino & Literatura Infantil aqui.
Dos gostos e desgostos da vida, Claude Monet, Ewald Mataré, Chris Maher, Marlina Vera & Quanto mais a gente vive, mais se enrola nas voltas do tempo aqui.
A República no reino do Fecamepa – lições de ontem e de hoje pro que não é: Platão, Cícero, Maquiavel, Montesquieu, Rousseau, Georg Lukács, Norbert Elias, Zygmunt Bauman & aqui.
Abram alas pra revolta passar que os invísiveis apareceram, Debora Klempous, Amadeo de Souza-Cardoso, Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva aqui.
As escolhas entre erros e acertos, Armand Pierre Fernandez, Alexandra Nechita, Raceanu Adrian & Laura Canabrava aqui.
Das vésperas & crástinos na festa do amor, Peter Greenaway, Dalu Zhao, Luciah Lopez, A Notícia & Jamilton Barbosa Correia aqui.
Água morro acima, fogo queda abaixo, isto é Brasil, Noêmia de Sousa, Juarez Machado, Tetê Espíndola, Glauco Villas Boas, Geraldo de Arruda Castro & Giselda Camilo Pereira aqui.
Todo dia o primeiro passo, José Orlando Alves, Gilberto Mendonça Teles, Belle Chere & David Ngo, Lia Rodrigues Companhia de Danças & Maria Núbia Vítor de Souza aqui.
Pelos caminhos da vida, A lenda Tembé do incêndio universal e o dilúvio, Benedicto Lacerda, Ferdinand Hodler, Clodomiro Amazonas, Alessandro Biffignandi, Diane Arbus & Ligia Scholze Borges Tormachio aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...