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quinta-feira, setembro 03, 2020

HELEN KELLER, ELEANOR HIBBERT, ABDIAS DO NASCIMENTO, MARY SHELLEY, JIŘÍ RŮŽEK, FLORENCE NIGHTINGALE & MAÍRA ERLICH


DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... DE ESBORRAR PASSANDO DA CONTA!?! - Gentamiga, vamos colocar um papo aqui na roda. Seguinte, o Fecamepa evoca uma simplicíssima reflexão: suponhamos que um certo desgoverno Coisonário, fictício que seja, aliciasse a todos com rebuço das suas desastrosas paixões obcecadas pelo poder e suas tempestades emocionais em que a mentira sobrepuja a verdade, o Estado sobre a Justiça, a guerra e a morte sobre a vida, o ódio sobre o amor e, disso, assim mesmo, fosse detectada um tanto de intriga, ódio e difamação. Sim, desse jeito mesmo e nos bastidores armasse de tudo sob sigilo ultrassecreto, sonegasse informações, escondesse dados, extinguisse conselhos civis, insultasse a imprensa, os outros poderes e a inteligência da população; enrolasse e levasse nas coxas as questões atinentes ao desemprego, a pandemia e a crise econômica, dificultasse a aposentadoria, enfraquecesse o SUS para que a saúde fosse tratada por qualquer coisa sob manobras e subnotificações; o meio ambiente e todos os ecossistemas passassem a ser torrados por fogaréu geral, com liberação de agrotóxicos e explosão dos índices da violência nas áreas rurais e urbanas; privatizasse para atender interesses das elites em detrimento da população; produzisse doidices polêmicas e desequilibradas no território familiar, da mulher e dos direitos humanos; provocasse relações internacionais com protocolos aviltados e desconformes; perdoasse dívidas do agronegócio e evangélicos, entregasse a Base de Alcântara, fomentasse o fascismo e práticas totalitárias, interferisse em todo aparelho estatal, propagasse notícias falsas aos montes, tivesse ligação íntima com as milícias e desenvolvesse uma gestão para lá de desastrosa que redundasse num sem número de denúncias-crimes requerendo o impeachment e outras tantas mais além de tudo, isso no campo da suposição, será que poderia ser real mesmo ou eu estou ficando doido de ver isso no aqui agora? Sério, em que lugar do mundo se sustentaria e estaria de pé mandando e desmandando? Acredito que qualquer um diante disso daria uma de Mary Shelley e, de queixo caído, diria: Contemplei o coitado... o desgraçado monstro que eu havia criado. E, com certeza seguiria o mote dela, acrescentando como glosa: O mundo precisa de justiça, não de caridade. Então vem sempre aquela voz me dizer que: o começo é sempre hoje. Com certeza, qualquer desgraça pouca não é só bobagem, e que nunca é tarde para se faz alguma coisa concordando imediatamente com Florence Nightingale: É necessária uma certa dose de estupidez para se fazer um bom soldado. Quanto mais um capitão que deu baixa em condições de extremo desatino! Será que estou fazendo a leitura certa da realidade ou estou inventando? Ora, ora, já não passou da hora da gente cobrar providências mais enérgicas? Sei não, ora, ora. Faço a minha parte mais que indignado, de luto pelos milhares que já se foram e na luta para tirar da minha frente situação tão calamitosa. Vamos simbora, gente! Ah, já ia me esquecendo: vem aí as desventuras do Capitão Cloroquina, o anti-heroi Coisonário, aguardem. 

DUAS DO TEATRO EXPERIMENTAL DO NEGRO – Nossa! Vamos pras cenas. Primeiro: que o ator, escritor, dramaturgo, artista plástico, professor universitário e ativista dos direitos humanos e civis das populações negras, Abdias do Nascimento (1914-2011), que era militar e foi perseguido, preso diversas vezes e, inclusive, expulso do exército por sua atuação no combate à discriminação racial. Segundo: que este autor criou em 1944, o Teatro Experimental do Negro, promovendo apresentações teatrais, além de convenções e congressos para debates acerca das questões raciais brasileiras, combatendo o mito da democracia racial ocorrida nos anos 1960 e, consequentemente, não resistindo aos embates, o teatro foi extinto por dificuldades financeiras em 1961. O depoimento acerca de tudo isso está no texto Teatro Experimental do Negro: trajetórias e reflexões (Estudos Avançados, 2004), oriundo da peça teatral homônima de 1959, em que ele expressa: Era previsível, aliás, esse destino polêmico do TEN, numa sociedade que há séculos tentava esconder o sol da verdadeira prática do racismo e da discriminação racial com a peneira furada do mito da “democracia racial”. Mesmo os movimentos culturais aparentemente mais abertos e progressistas, como a Semana de Arte Moderna, de São Paulo, em 1922, sempre evitaram até mesmo mencionar o tabu das nossas relações raciais entre negros e brancos, e o fenômeno de uma cultura afro-brasileira à margem da cultura convencional do país. Por conta disso, se faz necessário mencionar que o autor possui diversas obras, a exemplo de Race and ethnicity in Latin America - African culture in Brazilian art (1994); Brazil, mixture or massacre? essays in the genocide of a Black people (1989); Racial Democracy in Brazil, Myth or Reality?: A Dossier of Brazilian Racism (1977); O Quilombismo (Vozes, 1980); O Genocídio do Negro Brasileiro (Paz e Terra, 1978), entre outros publicados no Brasil e no exterior, além de filmes que vão desde O homem do Sputnik (1959), Cinco vezes favela (1962), Cinema de Preto (2005) e de documentários sobre sua trajetória. Homenagem feita e justa nestes tempos obscuros de execrável racismo. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

TRÊS DECEPÇÕES EM CIMA DA BUCHA & A RESILIÊNCIA EM DIA - Imagem do fotógrafo tcheco Jiří RůžekApesar de tudo, nunca esmoreci. Situação aversiva que fosse, nunca baixei o badalo. Escapava fedendo, arriava aos farrapos e, no outro dia, pronto para outra e novinho em folha. Isto quer dizer que enverguei de quase torar de sobrar os farelos, mas depois de ter morrido um tanto de vezes, ressuscitava. Foram tantas mesmo que perdi a conta, já me acostumei a dormir entre escombros e acordar como se fosse a primeira vez e nada tivesse acontecido antes. Nunca esqueci Helen Keller: Nunca se pode concordar em rastejar, quando se sente ímpeto de voar. Ah, mas tem os que atrapalham e como tem! Não só jogam do contra, como impedem ou fazem de tudo para que não se consiga o que quer que seja. E se conseguir, dizem que botam o olho gordo daquilo se perder, quebrar ou emperrar na hora. O que me ofereciam de figa, simpatias e protetores curiosos, oxe, meio mundo de tranqueira para me proteger dos agouros dos maledicentes. Na minha, só me valia dos ditos daquela escritora britânica Eleanor Hibbert (1906-1993) com seus trocentos pseudônimos: Realmente acredito que existem algumas pessoas que odeiam contemplar a felicidade dos outros. Nunca se arrependa. Se for bom, é maravilhoso. Se for ruim, é experiência. Foi disso que aprendi a levar tudo como lição. Se não deu, aprendi, mesmo cônscio do fracasso recorrente. Ora, foi muito aprendizado, enormes aprendizagens. Trocando em miúdos, vivi plenamente, nada a reclamar. Até mais ver.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

A FOTOGRAFIA DE MAÍRA ERLICH
Gosto de enxergar a fotografia como algo muito além de ser só um registro, a fotografia tem muitas oportunidades de ser algo maior, mais profundo e transformador para muita gente. Você produzir uma foto que faça uma pessoa repensar todo o mundo dela eu acho isso um poder incrível.
A arte da premiada fotógrafa Maíra Erlich. Veja mais aqui & aqui.


quinta-feira, agosto 29, 2019

AMADO NERVO, TEMPLE GRANDIN, RACHEL RIPANI, JIŘÍ RŮŽEK & SISSI TEJE-PRESO


SISSI, A MADAME TEJE-PRESO – Quando deram por falta do imperadoutor Teje-Preso, já passava mais de mês do sumiço dele. É mesmo? Nem notei: O coiso desaparece, mas o fantasma dele fica no quengo da gente, vigiando. Parece mesmo encosto dos brabos. Foi aí que apareceu a notícia: O quê? Como é que é? Pois foi. Ninguém que podia imaginar que aquele poderoso pigmeu de pouco mais de meio metro, com feições hitleristas e de maus bofes, fosse casado. Hem? Tampouco se adivinhava o que havia por trás dos muros altos de sua residência: se gente, bicho, ou o que fosse. É, ninguém entrava nem saía. Pudera, ele apareceu assim de repente num amanhecer calorento em Alagoinhanduba, não se sabendo, ao certo, quem era, de onde vinha e o que estava fazendo ali. Viu-se de imediato, apenas, os encolerizados esporros, que se tratava de um mandão que vinha colocar todos os pontos nos iis na comarca. Foi mesmo. Era o que dava para pensar. Além do mais, ele comparecia aos eventos ou circunstância que fosse, só acompanhado de seus capangas. Por isso, davam-no por irado solteiríssimo – até insinuavam ser ele um enrustido, destá. Tá. Mas, afinal, qual a notícia? A de que a esposa dele faleceu. Esposa? É. Quem? A condessa Sissi Teje-Preso. Mas quem a viu em vida? Foi o doutor Zé Gulu que saindo do seu peculiar mutismo, falou ser ela uma requintada madame, de feições nobres parecidas com a imperatriz Elisabete da Áustria e que, como Sarah Bernhardt, cultivava um ataúde ao lado da cama para seu descanso. Vôte! Como é que ele sabe? Foi o que dela se soube ou ouviu dizer, de alguns poucos achegados dela dali e que contaram a ele. Quem? Ah, sim, o artista plástico Flaru que não falava com ninguém de tão endoidado que era e íntimo em conversas com ela – Nunca ouvi falar! O pianista pinguço e alvoroçado, Cerdavi, solitário que só tinha o doutor Zé Gulu por amigo – Esse, pior ainda! E o poeta excêntrico e azoretado, Teju – Nunca vi mais gordo! Esses eram os únicos que privavam do convívio dela, afora outros visitantes de outras paragens longínquas, tudo artista e só. Eles que testemunharam suas crises místicas e seus acessos de fúria, o deserto ao redor e mergulhada no seu exclusivo mundo fantástico. Apesar de se portar como uma prima-dona despótica e exibicionista, desventrando com chulas e obscenas vociferações, vivia de carão nos lacaios e não se agradar de se misturar às massas. Entretanto, era extremamente educada e graciosa, mitigava sua solidão com música, poesia e exposições de quadros e gravuras. Soube mais dela ser possuidora de uma vastíssima coleção de pinturas e partituras, uma biblioteca de não seis quantos andares cheios de livros, pianos, violinos, cítaras, e que era poliglota, tanto recebia visitas como falava ao telefone nos mais diversos idiomas. Afora os três mencionados, ninguém da localidade jamais havia visto ali suas feições, porte ou nome, sabendo-se da sua graça apenas Sissi. Vivia ela encerrada nos limites do extenso sítio, em momento algum se sabendo se tinha saído ou como havia entrado ali. Se viajasse ou não, saía e voltava tão oculta de sequer quem quer que seja tomasse qualquer conhecimento, nem que suspeitasse de sua própria existência. Disseram que ela perdeu tantos filhos e parentes que resolveu prelibar com uma urna funerária ao lado, antecipando o prazer da vida eterna. Lascou. Sim, e a causa mortis? Desembucha! Pereceu não se sabe de quê, só que morreu de morte morrida, ao que parece, quem ousaria matá-la senão o próprio marido, ninguém é doido, né? Disso não há como saber, nem tirar a limpo. Só que deixou o cônjuge desolado no maior desdouro, ao que ele amaldiçoa noitedia a sua defecção. Coitado do coisa-ruim. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Para mim, o autismo é secundário. Minha primeira identidade é especialista em gado — professora, consultora, cientista. Para manter intacta esta parte da minha identidade, separo regularmente trechos do calendário como “tempo do gado”. O mês de junho? É tempo do gado. A primeira parte de janeiro? Tempo do gado. Não me comprometo com palestras nesses períodos. Certamente o autismo é parte do que sou, mas não deixo que ele me defina. [...] Meu talento para a engenharia devia ter sido a pista. A engenharia não é abstrata, mas concreta. Ela trata de formas. Ângulos. Tem a ver com geometria. [...] Eu era péssima para entender os problemas de física por escrito. Não conseguia nem entender como armar os problemas, porque eles exigiam demais da minha memória de trabalho. Contudo, se tivesse de resolver um problema de física hoje, eu saberia o que fazer. Conseguiria cinco livros escolares, sentaria com um tutor e uma planilha, identificaria cinco exemplos específicos de problemas que usem uma fórmula e exemplos específicos de problemas que usem outra fórmula e no final identificaria os padrões nos problemas. [...] Do ponto de vista da neurociência, controlar as emoções depende do controle de cima para baixo pelo córtex frontal. Se você não controla suas emoções, precisa mudá-las. Se quiser manter o emprego, precisa aprender a transformar a raiva em frustração. Li num artigo de revista que Steve Jobs chorava de frustração. Por isso ele ainda tinha um emprego. Podia ser verbalmente grosseiro com os funcionários, mas, pelo que sei, não saía atirando coisas neles nem agredindo-os. [...] Tudo bem, digamos que acriança autista teve uma educação que identificou e desenvolveu seus pontos fortes. Digamos que esta criança cresceu e entrou num mercado de trabalho que aprecia suas competências particulares. Isso é ótimo para ela. Mas sabe oque mais? Também é ótimo para a sociedade. [...].
Trechos extraídos da obra O cérebro autista: pensando através do espectro (Record, 2015), da doutora de ciência animal e ativista autista estadunidense Temple Grandin, em parceria com Richard Panck Grandin. Sobre a vida e o trabalho dela, o diretor Mick Jackson realizou o telefilme Temple Grandin (HBO, 2010), tratando da prática de tratamento racional de animais, a máquina do abraço e da teoria de pensar em imagens e conectá-las. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A ARTE TEATRAL DE RACHEL RIPANI
Como ator, você sempre está defendendo as ideias do autor ou do diretor. Um ator, quando amadurece, tem vontade de colocar suas ideias em cena. Por isso resolvi escrever.
Com a minha família na sala, um primo de 19 anos recém-saído do Exército (Dragões da Independência) me pediu para ver meu quarto novo. Chegando lá, ele me empurrou sobre a cama, me segurou, baixou minha calcinha e me chupou. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo, a sensação horrorosa de que tinha algo muito errado, ele tapando minha boca, eu imobilizada. De ponta-cabeça, minha boneca preferida me encarava, e tudo que eu conhecia do mundo mudava radicalmente naqueles minutos. Minha irmã percebeu que estávamos demorando para voltar e subiu, me salvando do que poderia acontecer ainda. Ele me levantou a calcinha, eu frouxa como uma boneca de pano, em silêncio o resto da noite.
A arte da atriz, produtora, diretora e tradutora Rachel Ripani. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A beleza do corpo de uma mulher anda de mãos dadas com os segredos de sua alma e você não pode vê-los separadamente.
A arte do premiado fotógrafo tcheco Jiří Růžek. Veja mais aquiaqui e aqui.

A OBRA DE AMADO NERVO
Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós. Sempre que houver um vazio em tua vida, enche-o de amor. A liberdade costuma vir vestida de trapos; porém, mesmo assim, é muito bela, mais bela do que todas as moedas de ouro e prata. Tão necessário como o pão de cada dia, é a paz de cada dia sem a qual o mesmo pão é amargo. As mais doces palavras são as que se expressam mais com os olhos do que com os lábios.
A obra do poeta mexicano Amado Nervo (1870-1919) aqui


sábado, agosto 29, 2015

LOCKE, EDU LOBO, VARELA, RŮŽEK, NEGRINI & SELMO VASCONCELLOS.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? O LÍTERO CULTURAL DE SELMO VASCONCELLOS (Imagem: coluna do jornalista e poeta no Alto Madeira, sessão Geral, Porto Velho, sexta feira, 10 de fevereiro de 2006). Quando concedi uma entrevista em 2009 pro poeta, cronista, divulgador cultural e editor do Litero Cultural, Selmo Vasconcellos, que é carioca de nascimento e radicado desde 1982, em Porto Velho, Rondonia, apenas estava consolidando uma amizade nascida na década anterior, quando começamos a trocar correspondências e envio de materiais publicados. Eu já havia em 2008 registrado o seu trabalho poético no meu blog Varejo Sortido e, para quem não sabe, ele é sobrinho do saudoso escritor José Mauro de Vasconcelos e é formado em Administração de Empresas, além de membro da União Brasileira de Escitores (UBE – RO). É colaborador do jornal Alto Madeira com a sua destacada coluna Litero Cultural, do caderno R do Jornal Rebate e do Rondonia ao vivo. É autor dos livros Rever verso inverso (1991), Nictêmero (1993), Pomo da discórdia (1994) e Resquícios ponderados (Scortecci, 1996), além dos livretos Morde & assopra e suas causas internas e externas (1999), Desabafos (2003), da antologia Leonardo, meu neto (2004) e da revista antológica Membros da galeria dos amigos do Lítero Cultural (2004). É um inquieto jornalista que vem realizando ao longo dos anos inúmeras entrevistas que, inclusive, já passam das seiscentas, com as mais diversas personalidades da Literatura, desde novíssimos e ilustres desconhecidos às mais renomadas celebridades do universo literário, todas reunidas no seu sítio. Nada mais justo neste momento que manifestar minha eterna gratidão e aplausos para o trabalho constante e consequente deste amigo que se mantém firme no batente da vida. Abração & parabéns sempre, poetamigo Selmo Vasconcellos. Veja mais aqui, aqui e aqui

 Imagem: Nu feminino na rede (Óleo sobre placa), do pintor brasileito Oscar Pereira da Silva (1865-1939)


Curtindo o álbum Limite das águas (Continetal, 1976), do músico e compositor Edu Lobo. Veja mais aqui.

CARTA SOBRE A TOLERÂNCIA – No livro Carta sobre a tolerância (Martins Fontes, 2000), do filosofo político inglês John Locke (1632-1704), ele discute a tolerância religiosa contra os abusos do Absolutismo, fundamentando as ideias de democracia moderna e de direitos humanos, além de defender algumas ideias de que a tolerância não se deve ser aplicada às camadas pobres que deviam ser penalizadas severamente com trabalho para crianças a partir de três anos, obrigação de mendigos com distintivo obrigatório para ser facilmente vigiados, entre outras medidas punitivas. Da obra destaco o trecho a seguir: [...] A tolerância para os defensores de opiniões opostas acerca de temas religiosos está tão de acordo com o Evangelho e com a razão que parece monstruoso que os homens sejam cegos diante de uma luz tão clara. Não condenarei aqui o orgulho e a ambição de uns, a paixão a impiedade e o zelo descaridoso de outros. Estes defeitos não podem, talvez, ser erradicados dos assuntos humanos, embora sejam tais que ninguém gostaria que lhe fosse abertamente atribuídos; pois, quando alguém se encontra seduzido por eles, tenta arduamente despertar elogios ao disfarçá-los sob cores ilusórias. Mas que uns não podem camuflar sua perseguição e crueldade não cristãs com o pretexto de zelar pela comunidade e pela obediência às leis; e que outros, em nome da religião, não devem solicitar permissão para a sua imoralidade e impunidade de seus delitos; numa palavra, ninguém pode impor-se a si mesmo ou aos outros, quer como obediente súdito de seu príncipe, quer como sincero venerador de Deus: considero isso necessário sobretudo pra distinguir entre as funções do governo civil e da religião, e para demarcar as verdadeiras fronteiras entre a Igreja e a comunidade. Se isso não for feito, não se pode pôr um fim às controvérsias entre os que realmente têm, ou pretendem ter, um profundo interesse pela salvação as almas de um lado, e, por outro, pela segurança da comunidade. Parece-me que a comunidade é uma sociedade de homens constituída apenas para a preservação e melhoria dos bens civis de seus membros. Denomino de bens civis a vida, a liberdade, a saúde física e a libertação da dor, e a posse de coisas externas, tais como terras, dinheiro, móveis, etc. [...] Enfim, para concluirmos, o que visamos são os mesmos direitos concedidos aos outros cidadãos. É permitido cultuar Deus pela forma romana (católica)? Que seja também permitido fazê-lo pela maneira de Gênova. É permitido falar latim na praça do mercado? Os que assim desejarem poderão igualmente falá-lo na igreja. É legítimo para qualquer pessoa em sua própria casa ajoelhar, ficar de pé, sentar-se ou fazer estes ou outros movimentos, vestir-se de branco ou preto, de roupas curtas ou compridas? Que não seja ilegal comer pão, beber vinho ou lavar-se com água na igreja; em suma, tudo o que a lei permite na vida diária deve ser permitido a qualquer igreja no culto divino. Que por esses motivos nada sofram a vida, o corpo, a casa ou a propriedade de quem quer que seja. Se se permite em seu país uma igreja dirigida por presbíteros, por que não permitir igualmente uma igreja dirigida por bispos, para os que assim desejarem? Administrada por uma ou várias pessoas, a autoridade eclesiástica é a mesma por toda parte, nem tem qualquer jurisdição sobre questões civis, nem poder algum de compulsão, nem se referem ao governo da igreja as riquezas e rendas anuais. Estas reuniões eclesiásticas e sermões justificam-se segundo comprovação da experiência pública. Se os permitem a cidadãos de certa igreja ou seita, por que não a todas? Se alguma conspiração contra a paz pública é tramada numa reunião religiosa, deve ser reprimida do mesmo modo e não diversamente, como se tivesse ocorrido numa feira. Se um sermão numa igreja contém algo sedicioso, deve ser punido da mesma maneira como se tivesse sido pregado na praça do mercado. Essas reuniões não devem ser santuários para homens facciosos ou corruptos. Por outro lado, uma reunião na igreja não deve ser menos legal do que na corte, nem deve uma reunião de alguns cidadãos ser mais repreensível do que a de outros. Ninguém deve ser transformado em objeto de ódio ou suspeita devido às faltas de outras pessoas, mas unicamente por seus próprios malefícios. Devem ser punidos e suprimidos os homens que são sediciosos, assassinos, ladrões, adúlteros, caluniadores, etc., não importa a que igreja pertençam, nacional ou não. Mas aqueles cuja doutrina é pacífica e cujas condutas são puras e impolutas devem estar em termos de igualdade com os seus concidadãos. Se se permitirem a alguns assembléias, reuniões solenes, celebrações de dias festivos, sermões e culto público, tudo isso deve ser igualmente permitido aos presbiterianos, independentes, arminianos, anabatistas, quacres e outros. Na realidade, falando francamente, como convém de homem a homem, não se devem excluir os pagãos, nem os maometanos e nem judeus da comunidade por causa da religião. O Evangelho não o ordena. A Igreja, que não julga os que estão de fora (1 Cor S, 12.13), não o deseja. A comunidade, que recebe e incorpora homens enquanto homens na medida em que são honestos, pacíficos e trabalhadores, não o exige. Permitiremos ao pagão que trate e negocie em nosso país, proibindo-o de rezar e prestar culto a Deus? Se permitimos aos judeus terem propriedades e casas próprias, por que não lhes permitir que tenham sinagogas? Será a doutrina deles mais falsa, seu culto mais abominável ou sua associação mais perigosa se se reúnem em público em lugar de casas particulares? Mas, se tais coisas são concedidas aos judeus e pagãos, tornar-se-á pior a condição dos cristãos numa comunidade cristã? Dirão que sim, certamente, porque têm maior tendência a facções, tumultos e guerras civis. Caberá a culpa à religião cristã? Se assim for, a religião cristã será certamente a pior de todas as religiões, não devendo abraçá-la qualquer indivíduo nem tolerá-la qualquer comunidade. Pois, se tal for o espírito, a natureza da própria religião cristã, ser turbulenta e destruidora da paz civil, a própria igreja que o magistrado favorece não será sempre inocente. Mas longe de nós dizer algo de semelhante dessa religião que mais se opõe à cobiça, ambição, discórdia, disputas e desejos terrenos, e é a mais modesta e pacífica das religiões que jamais existiram. Portanto, devemos buscar outra causa para os males do que atribuí-los à religião. E, se consideramos corretamente, descobriremos consistir totalmente no assunto que estou discutindo. Não é a diversidade de opiniões (o que não pode ser evitado), mas a recusa de tolerância para com os que têm opinião diversa, o que se poderia admitir, que deu origem à maioria das disputas e guerras que se têm manifestado no mundo cristão por causa da religião. Os líderes da Igreja, movidos pela avareza e desejo de domínio, têm usado de todos os meios para excitar e avivar contra os não ortodoxos tanto o magistrado, cuja ambição o torna frequentemente incapaz de oferecer-lhes resistência, como o povo, que é sempre supersticioso e portanto cabeça vazia; ademais, têm pregado, em oposição às leis do Evangelho e aos preceitos da caridade, que os cismáticos e hereges devem ser despojados de suas posses e destruídos, confundindo, deste modo, duas coisas completamente diferentes: a Igreja e a comunidade. Como na vida prática é difícil convencer os homens a aceitarem pacientemente serem despojados dos bens que adquiriram mediante trabalho honesto, e, contrariamente a todo direito equitativo, não só humano como divino, serem lançados como presa à violência e espoliação de outros homens, especialmente quando são inteiramente destituídos de culpa; e quando o assunto em questão de modo algum diz respeito à lei civil, mas à consciência individual e à salvação de sua própria alma, sendo disso unicamente responsável Deus. À vista disso, é cabível antecipar que esses homens, por terem crescido sob temor dos males que lhes são infligidos, devem finalmente se persuadir da justiça de combater a força pela força, defendendo com as armas ao seu dispor os direitos que Deus e a Natureza lhes facultaram, podendo ser julgados apenas quando cometem crimes e não por causa da religião? Tem sido este o curso de eventos comprovados com abundância pela História, sendo, portanto, razoável supor que o mesmo ocorrerá no futuro, se o princípio de perseguição religiosa prevalecer, tanto por parte do magistrado como do povo, e se os que devem servir de escudeiros da paz e da concórdia incitarem os homens às armas ao som da trombeta de guerra, soprada com toda a força de seus pulmões. É de admirar que os magistrados tolerem esses incendiários e perturbadores da paz pública, se não transparecesse terem sido convidados para participar dos espólios, usando freqüentemente da própria cobiça e orgulho como meio de aumentar o próprio poder. Quem não vê que estes bons homens são mais ministros do governo do que ministros do Evangelho; que têm adulado a ambição dos príncipes e o domínio de quem é poderoso, e devotado todas as suas energias a promover na comunidade a tirania que de outro modo não conseguiriam estabelecer na Igreja? Geralmente, tem sido esse o acordo entre Igreja e Estado; se, ao contrário, cada um deles se confinasse dentro de suas fronteiras - um cuidando apenas do bem-estar material da comunidade, outro da salvação das almas - possivelmente não haveria entre eles nenhuma discórdia. Temos, porém, vergonha de dizer algo tão escandaloso. Deus, Todo-Poderoso, permita que se pregue finalmente o Evangelho da paz, e que os magistrados civis, tornando-se mais ansiosos para conformar a própria consciência à lei de Deus do que forçar outros homens pelas leis humanas, devem, como pais de seu próprio país, orientar todos os seus conselhos e esforços para promover o bem público civil de todos os seus filhos, exceto somente daqueles que forem arrogantes, dolosos e perversos; e que todos os sacerdotes, que se gabam de ser os sucessores dos apóstolos, seguindo pacífica e modestamente nos passos dos apóstolos, sem se imiscuírem com os negócios do Estado, devem se aplicar inteiramente para promover a salvação das almas. Adeus. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A ESPOSA SÁBIA – No livro Arab folktales (Pantheon, 1986), de Iner Bushnaq, encontrei a narrativa A esposa sábia, adaptado de The Sultans Camp Follower,  do qual trago os trechos com o seguinte teor: Era uma vez um seleiro e sua esposa, que viviam com suas três filhas. O homem trabalhava bastante e, ao longo dos anos, economizou uma centena de moedas de ouro colocando-as dentro de uma sela e a costurou como medida de segurança. Certo tempo depois, vendeu essa sela por engano e só descobriu o erro depois que o cliente saiu de sua loja e da cidade. Um ano depois, o cliente voltou para fazer um conserto na sela. O artífice não conseguia acreditar em sua boa sorte, quando encontrou suas economias ainda dentro da sela. Recuperou o tesouro e criou uma pequena canção para celebrar sua fortuna, e todo dia entoava: Escondi e perdi. Esperei e encontrei. É meu pequeno segredo. E ninguém jamais o conhecerá. Certo dia, o sultão passou pela loja e ouviu essa canção. Perguntou: qual é o seu segredo? Se eu lhe contasse, respondeu o selerio, seria um segredo? O monarca granziu a testa. Sou o sultão. Conte-me o segredo. O seleiro recusou-se. Então o sultão perguntou-lhe: você tem família? Uma boa esposa e três filhas lindas, ainda solteiras, respondeu o seleiro. Neste caso, ordenou o sultão, traga suas filhas amanhã ao meu palácio e providencie então para que as três estejam grávidas. Caso contrário, cortarei sua cabeça! Mas majestade!, exclamou o pai horrorizado. [...] A filha pensou por um momento e depois disse: não se desespere, pai. Apenas me compre três vasilhas de água, e eu mostrarei ao sultão como três virgens podem engravidar. [...] A filha mais jovem contou as moedas de ouro e devolveu a bolsa à velha. Tenho um recado para o sultão. Pergunte-lhe o seguinte: Quando se dá um carneiro de presente, corta-lhe a causa? A velha balançou a cabeça de novo, voltou até o sultão e contou tudo o que a virgem dissera. Tenho a impressão que ela é louca, disse, suspirando. O sultão pensou por um momento e sorriu. [...] No dia seguinte, o sultão mandou a velha de volta, com outra proposta de casamento e, dessa vez, o seleiro e a filha mais jovem aceitaram. [...] Cerca de um ano depois, o sultão regressou da guerra, carregado de despojos. Mal olhou para sua esposa, recrutou mais tropas e partiu para outra campanha, bem depois de Gharb. Assim, ela se vestiu novamente de general, reuniu suas tropas e foi atrás do sultão. [...] Tres anos se passaram antes que o sultão voltasse para casa dessa guerra. Ele não falou com a esposa porque decidira arrumar uma nova esposa e planejava casar-se com uma princesa, mais adequada à condição de realiza do que a filha de um seleiro. Quando chegou o dia do casamento, a primeira esposa vestiu com elegância os três filhos, e ao mais velho entregou a adaga do sultão para que usasse em seu traje. Colocou o colar de orações nas mãos da criança do meio e o turbante na filha. Depois ensinou uma canção às três crianças. Pouco antes do inicio da cerimonia de casamento, as crianças apareceram diante do sultão e cantaram: Ele vence na guerra. Vence no xadrez. Vence no amor, vence em suas buscas. Nosso pequeno segredo, ele o descobrirá? O sultão olhou para as crianças e reconheceu a adaga, o colar de orações e o turbante. Então olhou fixamente para a mãe deles e finalmente percebeu o que ela fizera. Você foi os generais que me desafiaram e as escrdavas que dormiram comigo!, exclamou o sultão. São estes meus filhos? A esposa confirmou com um movimento de cabeça. O sultão cancelou o novo casamento, mandando embora a princesa, e voltou-se para a esposa. Você é mais astuta do que qualquer mulher do mundo. Ninguém mais será minha esposa além de você! O sultão e a esposa abraçaram-se e o monarca abraçou os três filhos. Depois ordenou que houvesse uma festa para sua verdadeira esposa e família recém-encontradas. E desse dia em diante todos viveram felizes, com amor, sabedoria e paz. Veja mais aqui.


A MULHER, LUCILIA & RECITATIVO – O livro Poesias Completas (Spiker, 1965), reúne os diversos livros poeta Fagundes Varela (1841-1875), entre os quais destaco inicialmente A Mulher: A mulher sem amor é como o inverno, / Como a luz das antélias no deserto, / Como espinheiro de isoladas fragas, / Como das ondas o caminho incerto. / A mulher sem amor é mancenilha / Das ermas plagas sobre o chão crescida, / Basta-lhe à sombra repousar um’hora / Que seu veneno nos corrompe a vida. / De eivado seio no profundo abismo / Paixões repousam num sudário eterno... / Não há canto nem flor, não há perfumes, / A mulher sem amor é como o inverno. / Su’alma é um alaúde desmontado / Onde embalde o cantor procura um hino; / Flor sem aromas, sensitiva morta, / Batel nas ondas a vagar sem tino. / Mas, se um raio do sol tremendo deixa / Do céu nublado a condensada treva, / A mulher amorosa é mais que um anjo, / É um sopro de Deus que tudo eleva! / Como o árabe ardente e sequioso / Que a tenda deixa pela noite escura / E vai no seio de orvalhado lírio / Lamber a medo a divinal frescura, / O poeta a venera no silêncio, / Bebe o pranto celeste que ela chora, / Ouve-lhe os cantos, lhe perfuma a vida... / - A mulher amorosa é como a aurora. Também o seu poema À Lucília: Se eu pudesse ao luar, Lucília bela, / Queimar-te a fronte de insensatos beijos, / Dobrar-te ao colo, minha flor singela, / Ao fogo insano de eternais desejos; / Ai! se eu pudesse de minh’alma aos elos / Prender tu’alma enfebrecida e cálida, / Erguer na vida os festivais castelos / Que tantas noites planejaste, pálida; / Ai! se eu pudesse nos teus olhos turvos / Beber a vida da volúpia ao véu, / Bem como os juncos sobre as ondas curvos / A chuva bebem que derrama o céu, / Talvez que as mágoas que meu peito ralam / Em cinzas frias se perdessem logo, / Como as violas que ao verão trescalam / Somem-se aos raios de celeste fogo! / Oh! vem Lucília! é tão formosa a aurora / Quando uma fada lhe batiza o alvor, / E a madressilva, que ao frescor vapora / Os ares peja de lascivo amor... / Sou moço ainda; de meu seio aos ermos / Posso-te louco arrebatar comigo... / De um mundo novo na solidão sem termos / Deitar-te à sombra de amoroso abrigo! / Tenho um dilúvio de ilusões na fronte, / Um mundo inteiro de esperanças n’alma, / Ergue-te acima de azulado monte, / Terás dos gênios do infinito a palma!... Por fim, o seu poema Recitativo: Se eu te dissesse, Madalena pálida, / Fundo mistério que meu peito oculta, / Se eu dissesse que amargura estólida / Em mar de prantos meu viver sepulta; / Se eu te contasse que tristezas fúnebres / Meio seio rasgam por febrentas horas, / Que chamas vivas, que delírios lúgubres / Cercam-me o leito de infantis auroras; / Ah! tu que aos males desconheces, pérfida, / O saibro impuro, o lacerante anseio, / Erguendo os olhos sobre o véu da dúvida / Talvez disseras a sorrir: - Não creio! / E no entanto quantas horas pávido / Passei fitando teu divino rosto! / Que longas noites ao deixar-te, trêmulo, / Torci-me em crises de infernal desgosto! / Ah! tíbia estátua, na friez do mármor / Sequer um broto de paixão se oculta! / A vida esvai-se de meu peito débil / E junto à campa mais a dor se avulta. / Dize, impiedosa, que rigor satânico / Fez de minh´alma o pedestal da tua, / E a teus olhares me encandeia fátuo / Bem como o lago refletindo a lua!... / Se, o peito opresso, a teus joelhos, lívido, / Gemesse - eu te amo! em derradeiro anseio, / Sei que mostravas-me um sorriso irônico, / Sei que disseras a sorrir: - Não creio. Veja mais aqui, aqui e aqui.


O QUE É ISSO, COMPANHEIRO & A PROPÓSITO DE SENHORITA JÚLIA – A atriz de teatro, cinema e televisão, Alessandra Negrini começou fazendo um curso para teatro aos 18 anos de idade, quando foi chamada para atuar na televisão. Ela estreia no cinema em 1997, com o filme O que é isso companheiro. Em 2001, ela estreia no teatro com a peça O beijo no asfalto e, no cinema, com Um crime nobre. Seguiram-se no teatro Credores (2003), A gaivota (2008), A senhora de Dubuque (2011) e A propósito de senhorita Julia (2012). Já no cinema, Sexo, amor e Traição (2004), Cleópatra (2007), Os desafinados (2007), No retrovisor (2008), A erva do rato (2008), O abismo prateado (2011), 2 coelhos (2011) e O gorila (2012). A jovem atriz está projetando uma carreira impecável, ora no teatro, ora na televisão, ora no cinema, demonstrando sua versatilidade e domínio nas mais diversas interfaces artísticas de sua atuação. Parabéns e aplausos de pé! Veja mais aqui.

CENTRO DE GRAVIDADE – O longa metragem Centro de Gravidade (2011), baseado no conto Pity for the World, do escritor americano David Plante, numa produção da Universal Remote Films, dirigido e roteirizado pelo fundador e presidente da Academia Internacional de Cinema (AIC), Steven Richter, com música de Erik Blood, foi produzido de forma independente, rodado em cinco dias, com orçamento mínimo, duas câmaras e equipe reduzida composta por professores e alunos da AIC e de profissionais de cinema. O filme trata sobre questões que envolvem amor e expectativas em relação à pessoa amada, numa linha tênue que simultaneamente divide e une um ao outro, centrado no relacionamento de um jovem casal de classe média alta, que mora em um confortável e elegante apartamento. O jovem é um escritor e professor de Literatura Brasileira que está com seus pais à beira da morte, enquanto que a jovem tem uma vida reduzida ao centro gravitacional do próprio companheiro. Uma crise no relacionamento desponta quando ele desconfia de que foi traído, ela confessa e ele quer conhecer o pretenso amante. O destaque vai para a atriz Ana Carolina Lima. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do fotógrafo tcheco Jiří Růžek
 
Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Noite Romântica, a partir das 21 hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. E para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA

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quinta-feira, agosto 28, 2008

VIRGINIA WOOLF, AGLAJA VETERANYI, CHESTERTON, HOFFMANNSWALDAU, JIŘÍ RŮŽEK, DORO & ARMADILHAS

A arte do fotógrafo tcheco Jiří Růžek. Veja mais abaixo & aqui.

ARMADILHAS – Eu te amei apesar das armadilhas que perseguem todo amor. Eu me dei, fui deriva tão somente, no teu jeito iridescente, me pegou em pleno voo. Eu me joguei, respirei com tua vida de maneira descabida que ninguém jamais ousou. Quando em vez, permaneço em ti oculto, é aí que vem teu vulto no poema que pintou. Hoje sou o delírio e a vertigem das lembranças que me afligem em pleno corredor. Já vingou e fez da dor o vício, me jogou no precipício e me salvou com teu amor. Eu bem sei quem sabe chega o dia, o destino dê valia e me entregue a tua flor. (Letras e música de LAM – Primeira Reunião: Bagaço. 2991) © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


DITOS & DESDITOSAgora aprendo que um corte pode se tornar meu mestre. Pensamento do poeta alemão da era barroca. Christian Hoffmann von Hoffmannswaldau (1616- 1679).

ALGUÉM FALOU: A Bíblia nos ensina a amar o próximo e também os nossos inimigos. Talvez porque sejam as mesmas pessoas. Pensamento do escritor, filósofo, dramaturno e jornalista inglês Gilbert Keith Chesterton (1874–1936). Veja mais aqui.

MÚSICOS DE RUA – [...] Artistas de toda espécie tem sido invariavelmente vistos com desfavor, sobretudo pelo público inglês, não apenas por causa das excentricidades do temperamento artístico, mas também porque nos condicionamos a uma tal excelência de civilização que qualquer tipo de expressão tem algo quase indecente - decerto não reticente- a rodeá-lo. Poucos pais, observamos, querem que seus filhos se tornem pintores ou poetas ou músicos, não somente por razões mundanas, mas porque em seu próprio coração eles acham ser indigno de um homem dar expressão aos pensamentos e emoções que a arte revela e que deveria ser obrigação de um bom cidadão reprimir. Desse modo, por certo, a arte não é estimulada; e é provavelmente mais fácil para um artista do que para alguém de qualquer outra profissão cair na sarjeta. [...]. Trechos do ensaio extraído da obra O valor do riso e outros ensaios (Cosac Naify, 2014), da escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941). Veja mais aqui e aqui.

DOIS POEMAS - POR QUE EU NÃO SOU ANJO: Um anjo vestiu-se de anjo e permaneceu irreconhecível. / Um outro caiu do céu e despedaçou-se. / Um anjo estrangeiro tornou-se crente e afogou-se na banheira. / No céu, os anjos mortos são empalhados e pendurados na parede. / Eu prefiro permanecer imortal... A VARANDA: A menina envelheceu, cresce-lhe um caixão / no ventre. / Os seios caem sobre a mesa. / Os amantes já estão mortos há tanto tempo, que todos se chamam Robert. / Antes de dormir a menina dirige-se à varanda. / Lá aguarda a sombra. Lá aguarda a lua. / A lua brota. / Brotar é uma canção. / As gotas de pétalas da lua caem sobre os pés da menina. / A lua dança, diz a menina. Ela dança para nós. Poemas da escritora romena Aglaja Veteranyi (1962-2002). Veja mais aqui e aqui.

 A arte do fotógrafo tcheco Jiří Růžek. Veja mais aqui.


ANTES DE MAIS NADA: EU QUERO COMER A DANI CALABRESA!!!



DORO APAIXONADÍSSIMO (DE NOVO?!?!) - O Doro endoidou de vez. Quando ele viu a Dani Calabresa se apresentando na televisão, pirou. O cara ficou fascinado pela atriz e humorista paulista Dani Calabresa a ponto de vasculhar tudo e comprar um caderninho e anotar tudo dela: fotos, dados, cartazes. Por exemplo: ele sabe o nome dela de verdade: Daniella Giusti. Sabe que ela nasceu no dia 12 de novembro de 1981, em São Bernardo do Campo: uma escorpiana corintheana de 27 aninhos, hem, hem. Aí ele fica desorientadíssimo com aquele ar de quem caiu do vagão do trem, batendo uma puta duma punheta macha e escrevendo em cima das fotos e cartazes: - Eu quero comer a Dani Calabresa! Eu quero comer a Dani Calabresa! Ôxe, até eu tô nessa, ora!!!


HORÁRIO ELEITORAL PUTO DA VIDA & OUTRAS PRESEPADAS TATARITARITATÁ!!!

PENSAMENTO DO DIAQuando de forma dolosa ou mesmo inadvertida, culposa ou inconscientemente agimos, ao infringir a lei natural, será cobrada a lei cármica e, consequentemente, o castigo que disso advirá. Em vista disso, toda vez que passar ou estiver passando por revezes ou infortúnios, reflita sobre isso: a culpa de tudo é sua. Esteja certo disso: você é o único culpado. Saiba sempre: você será amanhã pelo que faz, pensa e semeia hoje. Assinado, Doro. 
   


AGORA, A MERDA DO HORÁRIO ELEITORAL GRATUITO: A HORA E VEZ DO CIUÇO DA PORRA!!! - É evidente que um sujeitinho desse só pode ser ficção. Mas não, qualquer semelhança com algum prefeito é mera coincidência. Tanto é que o Ciuço é desses que sonha e sonha, peida e caga, imita Bushit (aquele que não ganhou, mas levou) e tenta seguir os passos e o caminho das pedras de outro pariceiro seu: o Ciuço Almeida, de Maceió (com uma diferença: não terá um João Lyra por paitrocínio, né?). Tanto é que ele sonha ter o maior poder do mundo para dar aquela cagada global e botar o nome dele em tudo quanto é prédio. Procede, imitação barata: o Bushit deu e dá cagada no mundo inteiro como a porra, não será novidade. E o Ciuço Almeida também fez seus tolotes ineivados em Maceió: entre muitos e outros deixou no penico, na privada e na vida do maceioense o fato de colocar até o seu próprio nome no prédio da Procuradoria Geral Município. Pode? Ah, se 1 Ciuço pode, 2 Ciuços phodem muito mais, ora! Aí vem o coro com aquela musiquinha sacana de campanha: 1 Ciuço só chateia muita gente, 2 Ciuços chateiam, chateiam, chateiam! Quando 2 Ciuços chateiam muita gente, 3 Ciuços chateiam muito mais!!!

EITA, PARÓDIA DA CAMPANHA DO CIUÇO! - A mundiça do escárnio não perdoa e anda parodiando a música de campanha do prefeito Ciuço Almeida de Maceió: Maceió pra puta que pariu, tem o pior prefeito do Brasil.

OUTRA DAS OUTRAS, EITA PAU!!! - Depois dos gabirus, taturanas e outras pestilências incruadas com seus bilhões de golpes nos poderes alagoanos, um dia lá não sei quando  a Receita Federal descobriu outra fraude (mais uma!?!) não menos escandalosa. É o seguinte: deu na imprensa local que simplesmente 917 empresas alagoanas estavam aplicando um golpe de R$ 653 milhões no erário público, cobrando como créditos do Governo Federal quando na verdade fraudaram as contribuições de PIS/PASEP e Cofins. Dessas 917 empresas, apenas 26 – as graúdas, com certeza - ficariam com cerca de R$ 615 milhões + perdão do Produban, dividas roladas pra nunca mais, isenções ajeitadas, vista grossa nas sonegações & etc etc etc. Ô farra boa, hem? O restante eram sobras das migalhas para as outras 891 reais e fantasminhas MEs, MPEs, PMEs e etc & tal que engalobam com sonegação e jogatinas a vida dos alagoanos. Mais uma, ponto pros OSA - Ogros Sacanas de Alagoas! Placar, uma lavagem de chocolate azedo: OSA 356 x -0 povo alagoano. Isso é Brasilsilsilsilsilsilsilsil!!!!!!

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Veja mais sobre Revolução copernicana ao contrário, Luis Cernuda, Herberto Sales, Radamés Gnatalli, Norma Benguell, Roberto Szidon, Stella Miranda, Wilman Emir Causa Acero, Appolonia Saintclair, Literatura Infantil & A democracia na América Latina aqui.

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Fecamepa: a cana dos coronéis aos mamoeiros aqui.
Frevo nenhures, ok? ou sabotaralguém, Paul Ricoeur, Georges Bataille, Ferreira Gullar, Cacilda Becker, Joseph L. Mankiewicz, Henry Purcell, Ava Gardner, Allen Jones, Literatura Infantil & Mario Zanini aqui.
Fecamepa: quando o estreitamento do compadrio está acima da lei, aí, meu, as panelinhas mandam ver e só os privilegiados se banqueteiam aqui.
Fecamepa: quando um país vive só de nhenhenhém, não dá outra: o pencó engancha na cornice e nada vai pra frente aqui.
Graciliano Ramos, Gonçalves Dias, Martins Pena, Marianne Rosenberg, Rhonda Byrne, Lucia Santaella, Im Kwon-taek, Domingos Sequeira, Lee Hyo-Jeong & Randy Bordner aqui.
 
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Eleitora parabenizando o Tataritaritatá!
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA

Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

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