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terça-feira, janeiro 14, 2020

FEYERABEND, EMILY GREENE BALCH, VIRGINIA BARATA MORAES, TATUAGEM, BELIATO & A ARTE PERNAMBUCANA


A PARTILHA DO BELIATO - Pois bem, passou o natal e, no outro dia, quando Beliato botou a cara na porta para encher a rua de pernas, deu de cara com um estranho: Bença, pai! Mal se virou, outro: Pai, porra, me dá 10 pilas aí, vai! Passou um pito e nem se avexou direito, esbarrou a venta noutro: Qualé, pai, vamos nessa? Ih! Um passo que desse lá vinha uma enfieira de supostos filhos: Pai, peraí! Passou sebo nas canelas, escondeu-se. Nada: E aí, pai! Vixe! Que é que é isso? Mais: Que foi, pai? Danou-se. Saiu arretado: Vão todos pra puta que os pariu! Eita! Dá não, véi, mãe tá esperando a grana da feira. Que porcaria é essa? Desenrola aí, meu, assim não dá, pai, ou dá ou desce! Fodeu! Foi aí que Beliato teve um troço e findou numa maca hospitalar. Quando abriu o olho, o enfermeiro: Pode ficar de boa, pai, deixei os outros todos lá fora, quarando no sol quente. Hem? Aí o médico: Esquente não, pai, dou um jeito neles. Agoniou-se e fingiu de morto. Adiantou nada, o pesadelo uma algaravia: Pai! Ô pai! Sai dessa, pai! Entrou em coma. Um zoadeiro danado lá dentro dele não lhe deixava em paz. E o capeta apareceu: Pai, agora é o acerto de contas! Como? Ué, tá esquecido é? Oxe! De repente, abriu os olhos e questionou-se: Será? Estou frito. Estava mesmo. O tinhoso lá: Vamos logo, pai! Arreda! Levantou-se meio amalucado, saiu da enfermaria e foi ganhando a rua, deparou-se com uma multidão: É pai! Calma lá! E deitou um papo para todos que um dia teve um sonho que na parede da casa onde morava havia uma botija. No outro dia, ele derrubou a parede e ela estava lá. Hoje tenho mais nada, estou pobre de Jó. Quem acredita? Essa a versão dele de como se aprumou na vida. Todo mundo sabia de outra coisa: um golpe numa ricaça. Dela, dois filhos: a filha, com ela no exterior; o filho, o mais velho, morava com ele: a menina dos seus olhos, o preferido dele. Pra ele: o único que deu certo. Nem era lá ouro dezoito. Ô pai, conta a história direito! Tenho mais nada não, estou liso. Segura a onda, véi! Verdade. Um urué botou lenha na fogueira: Ou divide tudo com a gente, ou a gente vai fazer tudo na marra! Segura a peneira, bedegueba! Tais pensando o quê? E a munheca rolou no pé do maluvido: uns contra os outros, todos contra todos. E Beliato lá se fingindo de morto. O velho morreu! Correram, socorreram. Segura a urupema na cabeça, véi! Lá estava ele de volta aos cuidados médicos e com o aloprado do lado: Adianta correr não, dessa você não escapa. Pronto. Lá fora a multidão no maior tiroteio entre a filharada, cada um dando por legítimo, todos se tratando por bastardos. E ele lá pulando fogueira, morre mas num morre. Anteciparam o velório, como não podiam fazer quarto ao defunto, ficaram de sentinela. Pensaram em matar uns bichos em oferenda à alma dele, com cânticos religiosos, excelências, glorificando seus feitos, velando. Lá pras tantas, se arretaram e começaram uma serração do véio: os bens, as posses, o que fosse, tudo serrado e partilhado igualmente entre eles. Beliato mais que morria: Tanta luta, meu Deus, para acabar nisso. Para quem era bem quisto por todos, a serração botou os podres dele para fora. Queimaram geral o filme dele. E isso juntou mais gente. O cafuçu no pé dele: Melhor se ajeitar comigo, pai! Ora, deixa disso! Você não tem saída. Isso é tudo um mal-entendido. Você que pensa. Aí ele arregou e deu uma de doido mesmo: saiu nu gritando umas coisas que ninguém entendia pela rua afora. Lá ia ele na frente e a multidão atrás. A cidade em peso viu aquele espetáculo e toda população espera até agora o retorno dele a qualquer momento. Pelo menos a mundiça em sua perseguição deixou todos em paz. Por enquanto. Que será mesmo de Beliato, hem? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Para os que examinam o rico material fornecido pela história e não têm a intenção de empobrecê-lo a fim de agradar a seus baixos instintos, a seu anseio por segurança intelectual na forma de clareza, precisão, “objetividade” e “verdade”, ficará claro que há apenas um princípio que pode ser defendido em todas as circunstâncias e em todos os estágios do desenvolvimento humano. É o princípio de que tudo vale [...] Minha intenção não é substituir um conjunto de regras gerais por outro conjunto da mesma espécie: minha intenção, ao contrário, é convencer a leitora ou o leitor de que todas as metodologias, até mesmo as mais óbvias, têm seus limites. [...] O pluralismo de teorias e concepções metafísicas não é apenas importante para a metodologia; é, também, parte essencial de uma perspectiva humanitarista [...]. Trechos extraídos da obra Contra o método (UNESP, 2007), do filósofo e físico austríaco, Paul Feyerabend (1924-1994), considerando a partir da tese da incomensurabilidade que [...] Os professores que usam avaliações e o medo do fracasso moldam os cérebros dos jovens até que eles perdem toda a imaginação que algum dia poderiam ter. A minha intenção não é substituir um conjunto de regras gerais por outro conjunto semelhante. [...] O único princípio que não inibe o progresso é: tudo vale a pena. [...]. Veja mais aqui & aqui.

EMILY GREENE BALCH - Devemos aprender a conectar nossos ideais e deles, devemos aprender a trabalhem em conjunto com eles pela justiça, pelas condições humanas de vida, pela beleza e por verdade, não apenas liberdade formal. Clubes e aulas, bibliotecas e escolas, assentamentos e, sobretudo, movimentos em que diferentes classes de cidadãos se juntam para trazer melhorias específicas no governo ou nas condições de vida, são de valor infinito, pois conduzem a esse nível unidade, na qual podemos preservar toda diferença a que os homens se apegam com eles por justiça, por condições humanas de vida, por beleza e por verdade, não meramente liberdade formal. Uma proporção muito grande da paz a qualquer preço ou simpatizantes, indubitavelmente covardes físicos, e igualmente sem dúvida uma grande proporção de ultrapacifistas de hoje que defendem visões como as descritas no jornal, em defender a paz sem levar em conta à justiça, são realmente mais influenciados pela covardia física. Eles temem morte ou dor ou desconforto além de qualquer outra coisa e gostaria de esconder seu medo por trás palavras que soam altas. É natural tentar entender o tempo em que vivemos, encontrar e analisar as forças que o movem. A industrialização baseada em máquinas, como é referida como uma característica do nosso tempo, nada mais é do que um aspecto da revolução que está sendo forjada pela tecnologia. Na enumeração dessas tendências que formam um mundo novo, não devemos esquecer a evolução do pensamento religioso ou espiritual e o sentimento da humanidade, onde também sentimos uma forte tendência unificadora. Pensamento da socióloga, escritora, pacifista e sindicalista estadunidense Emily Greene Balch (1867-1961), que foi agraciada com o Nobel da Paz de 1946. Veja mais aqui.

TATUAGEM, DE HILTON LACERDA
As praxes do improvável, junto da epifania da desordem. Eles são iniciados pela insatisfação da domesticação do trabalho, do amor, e do capital simbólico.
TATUAGEM – O premiado drama Tatuagem (2013), com direção de Hilton Lacerda, conta uma história que se passa no ano de 1978, quando um grupo de artistas provoca a moral e os bons costumes pregado pela ditadura militar, ainda atuante mas demonstrando sinais de esgotamento. Num teatro/cabaré localizado entre duas cidades nordestinas, aconteciam os espetáculos da trupe, conhecida como Chão de Estrelas. A trupe apresenta os seus espetáculos de resistência politica com muito deboche, anarquia e subversão. É neste cenário que Paulete, a estrela do grupo, recebe a visita de seu cunhado militar, o jovem Fininha. É neste encontro de mundos, o militar com a ditadura, rigidez e atrocidades, e o mundo do cabaré e da arte do Chão de Estrelas, com sua subversão, alegria e homossexualidade, é no choque entre o encontro que cria uma marca que nos lança no futuro, como uma tatuagem. O filme serve para mostrar o quanto ainda persiste certa imaturidade intelectual nas discussões sociais e políticas travadas hoje em dia. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A Arte é a minha paixão
VIRGINIA BARATA MORAES – A arte da escultora, artesã, artista visual e restauradora de artes sacras, Maria Virginia Barata Moraes, reunindo seu acervo no seu espaço Art’Vivi Artes, Esculturas e Restauros, trabalhando com biscuit, cabaça, cestas, luminárias em PVC, oratórios, vasos, entre outras. Veja mais aquiaqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A música de Marlos Nobre aqui, aqui & aqui.
A poesia de Joaquim Cardozo aqui, aqui & aqui.
A literatura de Gilvan Lemos aqui, aqui & aqui.
A arte de J. Borges aqui, aqui & aqui.
As amizades & Assuntos pernambucanos de Barbosa Lima Sobrinho aqui e aqui.
Memória da cena teatral pernambucana aqui.
A arte da artista plástica Irene Duarte aqui.
O canavial e as Ligas Camponesas aqui & aqui.


terça-feira, janeiro 13, 2015

GUZEL YAJINA, MALIKA EL ASSIMI, ESTHER PEREL, FRANÇOISE SAGAN, LINDA NOCHLIN & MARY CALDERONE

 


BOM DIA, FRANÇOISE – Quando a vi pela primeira vez estava saltitante com a edição exitosa de Bonjour Tristesse, tanto que passou a esconder-se sob o nome de Sagan, uma personagem principesca de Proust, para não envergonhar seu pai (era que os escritores à época não gozavam de boa reputação, tratados sempre por dissolutos). Teve uma fama meteórica e passou a viajar países e camas, até parar nos braços do seu editor e com ele casar-se. Cortejada e celebrada por ser rebelde, muitos a viam como uma Sartre de saias, transformando-se numa estrela que se separou dois anos depois das núpcias para cair nos braços de um modelo que lhe deu um filho. Essa era ela assinando o Manifesto pelo direito à independência no auge da guerra da Argélia, para ser vítima em represália de uma bomba da terrorista OAS. Outras paixões emergiram e novamente se divorciou para colecionar amantes, fossem homens ou mulheres, que idade tivessem. Após um acidente automobilístico, doses intensivas de Palfium e álcool, lances ousados nas jogadas da roleta e o perigo ao volante esportivo: O ópio é a maneira eficaz que conheço de levar com elegância as trivialidades da vida... As paixões pelos relacionamentos, amigas protetoras diante de escândalos de fraude fiscal e sonegação de impostos, afora ser generosa a empréstimos jamais resgatados e a gastos ousados com luxos e extravagâncias. A vida aos sobressaltos e desregrada pela rebeldia esfuziante, a soberba de mansões suntuosas, carros destruídos e aos montes, noites desafortunadas no jogo e na droga, os seus muitos vícios, a sua escrita em dia com romances, peças teatrais, autobiografias, a fama, muito dinheiro e um lugar de destaque na literatura francesa. Era sensível, inteligente, ativista de esquerda e considerada a última existencialista: o que falta à nossa época é a gratuidade, fazer algo por nada... Era como se procurasse um certo sorriso dentro de um mês ou um ano, como as nuvens que passavam com o guardador de seus amores. Era como a chamada das cicatrizes na alma e só queria um pouco de sol na água fria. Era um perfil perdido na cama desfeita, a tempestade sem bonança, cansada de guerra. Era a coleira e o sangue de aquarela, o cão vadio e uma tristeza de passagem pelos quatros cantos do coração. Sofria de uma estranha solidão interior e foi condenada por uso de cocaína, foi presa pelo fisco, ficou em coma depois de um acidente, nada previsível e nenhum rumo, avessa às normas, tratada por monstrinho encantador que se afundou em dívidas, doente e solitária: um coágulo no pulmão levou-a sem despedida. Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - A única coisa que lamento é nunca ter tempo de ler todos os livros que quero ler. O amor dura cerca de sete anos. Esse é o tempo que leva para as células do corpo se substituirem totalmente. O dinheiro pode não comprar felicidade, mas prefiro chorar num Jaguar do que num ônibus. Pensamento da escritora francesa Françoise Sagan (Françoise Quoirez – 1935-2004), que no Seu livro Bonjour tristesse (Distribooks, 2010) expressou que: [...] Uma estranha melancolia me invade, à qual hesito em dar o grave e belo nome de tristeza. A ideia de tristeza sempre me atraiu, mas agora estou quase envergonhado do seu completo egoísmo. Conheci o tédio, o arrependimento e, ocasionalmente, o remorso, mas nunca a tristeza. Hoje ela me envolve como uma teia de seda, enervante e macia, e me diferencia de todos os outros. [...] Diverti-me pensar que se pode dizer a verdade quando se está bêbado e ninguém acreditará. [...]. Noutro livro A Certain Smile (University of Chicago Press, 2011), ela expressou que: [...] As perguntas que eu gostaria de fazer às pessoas eram: ‘Você está apaixonado? O que você está lendo? [...]. Já no livro Dans un mois, dans un na (Pocket, 2009), expressa que: [...] Ela disse que não o amava, e ele disse que isso não importava, e a pobreza de suas palavras trouxe lágrimas aos seus olhos. [...] É sabido que o coração de todo homem está determinado a ter uma filha. [...] Ela gostaria de ser indispensável; isso é o que toda mulher quer... [...] A curiosidade é o começo da sabedoria [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Eu realmente sinto que existem tantas maneiras de amar quantas pessoas no mundo e quantos dias na vida dessas pessoas. Ainda somos uma sociedade sexófoba, com medo das coisas erradas pelos motivos errados. O verdadeiro objetivo da educação sexual é ensinar as pessoas a terem uma relação saudável consigo mesmas e com os outros. Pensamento da médica, escritora e defensora da saúde pública estadunidense, Mary Calderone (Mary Rose Steichen - 1904–1998).

 

O ERÓTICO & O DOMÉSTICO – […] O amor assenta em dois pilares: entrega e autonomia. Nossa necessidade de união existe juntamente com nossa necessidade de separação. […] O amor gosta de saber tudo sobre você; o desejo precisa de mistério. O amor gosta da distância que existe entre eu e você, enquanto o desejo é energizado por ela. Se a intimidade cresce através da repetição e da familiaridade, o erotismo é entorpecido pela repetição. Ele prospera no misterioso, no novo e no inesperado. Amar é ter; desejo é querer. Uma expressão de saudade, desejo requer indefinição contínua. Está menos preocupado com onde já esteve do que apaixonado com onde ainda pode chegar. Mas muitas vezes, à medida que os casais se acomodam no conforto do amor, eles deixam de atiçar a chama do desejo. Esquecem-se que o fogo precisa de ar. [...] Para casais eroticamente inteligentes, o amor é um recipiente que contém segurança e aventura, e o compromisso oferece um dos grandes luxos da vida: o tempo. O casamento não é o fim do romance, é o começo. Eles sabem que têm anos para aprofundar a sua ligação, para experimentar, para regredir e até para falhar. Eles veem seu relacionamento como algo vivo e contínuo, e não como um fato consumado. É uma história que eles estão escrevendo juntos, com muitos capítulos, e nenhum dos parceiros sabe como isso vai terminar. Sempre há um lugar para onde eles ainda não foram, sempre há algo sobre o outro ainda a ser descoberto. […] Hoje, recorremos a uma pessoa para fornecer o que uma aldeia inteira já fez: uma sensação de base, significado e continuidade. Ao mesmo tempo, esperamos que nossos relacionamentos de compromisso sejam românticos e também emocional e sexualmente gratificantes. É de admirar que tantos relacionamentos desmoronem sob o peso de tudo isso? [...]. Trechos extraídos da obra Mating in Captivity: Reconciling the Erotic and the Domestic (Harper, 2006), da psicoterapeuta belga Esther Perel, ao defender que: O orgasmo é a menor parte da sexualidade. A qualidade da sua vida depende, em última análise, da qualidade dos seus relacionamentos, que são basicamente um reflexo do seu senso de decência, da sua capacidade de pensar nos outros, da sua generosidade. O problema surge quando a monogamia já não é uma expressão livre de lealdade, mas uma forma de obediência forçada.

 

MULHERES ARTISTAS - [...] as mulheres devem conceber-se como potencialmente, se não realmente, sujeitos iguais, e devem estar dispostas a encarar os factos da sua situação de frente, sem autopiedade ou desculpas; ao mesmo tempo, devem encarar a sua situação com aquele elevado grau de compromisso emocional e intelectual necessário para criar um mundo em que a igualdade de realização será não só possível, mas activamente encorajada pelas instituições sociais. [...] Aqueles que têm privilégios inevitavelmente apegam-se a eles e mantêm-se firmes, por mais marginal que seja a vantagem envolvida, até que se curvem a um poder superior de um tipo ou de outro. [...]. Trechos extraídos da obra Women Artists (Thames & Hudson, 2015), da historiadora e professora estadunidense Linda Nochlin (1931-2017). Veja mais aqui.

 

ZULEIKA, ABRE OS OLHOS - [...] O coração é a fonte dos sentimentos, não da razão. [...] Zuleikha abre os olhos. O sol está forte, cegando-a e cortando-lhe a cabeça em pedaços. O vago contorno das árvores ao seu redor tremula numa dança cintilante de raios de sol. – Você não está se sentindo bem? Yusuf está inclinado na direção dela, olhando para seu rosto. – Você não quer que eu vá? Os olhos de Herson são enormes e verde-escuros: são os olhos dela. Os próprios olhos de Zulaikha estão olhando para ela do rosto do filho. Ela balança a cabeça e o puxa ainda mais para dentro da floresta. [...] Eles enterram os mortos ao longo dos trilhos em uma cova comum. Eles mesmos cavam com pás de madeira, com os rifles dos guardas da escolta apontados para eles. Às vezes, eles não têm tempo suficiente para terminar de cavar sepulturas ou cobrir adequadamente os cadáveres com brita antes da ordem “Para o trem!” estrondos. Os corpos são deixados ao ar livre, na esperança de que pessoas gentis apareçam no próximo trem especial e espalhem algo sobre eles. Eles próprios sempre espalham alguma coisa quando o trem deles passa perto de sepulturas abertas como essa. [...] Não estou feliz, nem uma palavra. Mas é bom. [...]. Trechos extraídos da obra Zuleikha Opens Her Eyes (Oneworld, 2015), da escritora e roteirista russa Guzel Yajina.

 

QUATRO POEMAS - FUMAÇA - As tardes me afogam \ E para mim iluminam. \ Eu acendo meu sol \ E sua clareza me domina. \ Persigo os ventos \ Para que apaguem meu fogo \ E me reduzam \ A um corpo \ De fumaça. ENCOURAÇADO - Selo \ Meus navios \ Meus navios de guerra \ No nariz das ondas \ E eu entro \ Na batalha do dilúvio. \ Eu luto atrás das montanhas da morte \ Até que elas diminuam \ E eu ceda \ Ou eu me desintegre, \ Corpo Queimado \ Pelo chicote \ Do vento. CRIAÇÃO - À noite abandono toda a minha modéstia abro meu sol perco a cabeça sou vítima de um ardor louco encho de ondas como um mar em seu fluxo mais viril \ Minhas tempestades se desencadeiam e crescem \ Minha luz dói sou um clarão um raio que corre atrás das nuvens eu brilho como a luz divina insisto no erro \ Dono da criação sento-me no trono e no peito de uma estrela consumo minha loucura e minhas artes acima de todas as minhas extensões e até nos meus espaços mais recônditos ruge o rei da selva. \ Meu leão ruge de amor pela estrela vermelha que cruza os horizontes. MARIAM - Oh você que me pega nesta noite chuvosa como se eu fosse uma cereja rachada pendurada em um galho molhado \ Você que anda entre meus galhos. Poemas da escritora, acadêmica e feminista marroquina Malika El Assimi.

 

SACADOUTRAS

 

DECIFRA A ESFINGE DA PÓS-MODERNIDADE – Em seu livro Diálogos sobre o conhecimento, o filósofo e físico Paul Feyerabend, faz a seguinte exposição pra gente refletir sobre o nosso tempo: [...] Os filósofos vangloriam-se de ter conseguido achar princípios claros atrás da confusão mais estapafúrdia. O "mundo do bom senso grego" (admitindo-se que esse fosse 0 único mundo do gênero) era, de fato,complicado na época em que Parmênides escreveu. Isso não 0 impediu de postular e até de provar que a realidade era variada, simples e conquistável pelo pensamento. A filosofia moderna, embora menos confiante a esse respeito, incluindo a ideia de estruturas claras por trás de eventos complexos. Alguns filósofos (mas também sociólogos e poetas) firmam assim os textos de importância; procuram os ingredientes que podem ter parte de uma estrutura logicamente aceitável e depois usam essa estrutura para julgar 0 restante. A tentativa está destinada ao fracasso. Veja mais aqui, aquiaqui

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aquiLogo mais, a partir das 21hs, acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá com muita festa e a apresentação da querida Meimei Corrêa. E com as seguintes atrações na programação: Hermeto Pascoal, Antonio Abujamra & Oscar Wilde, Emerson & Lake & Palmer, Leo Gandelman, Milton Nascimento, Selma Reis, Maria Bethania, Luciana Mello, Pedro Mariano, Leila Pinheiro. Mu Chebabi, Mano Melo, Everaldo Borges, Julia Crystal & Monica Brandão, Sóstenes Lima, Tirso Florence de Biasi, Jarbas Barros, Ricardo Machado, Almir Guineto, Paula Fernandes & Leonardo & muito mais! Veja mais aqui.

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá Especial de Ano Novo
Quando? Hoje, terça, 13 de janeiro, a partir das 21hs
Onde? No MCLAM - blog do Programa Domingo Romântico
Apresentação: Meimei Corrêa

Imagem: Nude Girl with Folded Hands Watercolor on Paper Signed & Framed NR, do pintor expressionista Chaim Soutine (1893-1943)

Ouvindo: Santos Football Music, do músico, compositor, regente orquestral, jornalista e professor brasileiro, Gilberto Mendes, com a Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense e regência de Ligia Amadio. Veja mais aqui.



A MULHER SEGUE EM FRENTE – Na década de 1960, a Universidade de Harvard não admitia mulheres nos cursos de pós-graduação. Vítima disso foi a psicóloga infantil  da Universidade de Virgínia, Sandra Scarr que desenvolvia estudos sobre psicologia do desenvolvimento e que, durante uma entrevista para admissão no curso, quando recebeu de Gordon Alport, um importante psicólogo da personalidade, a informação que a Harvard não gostava de admitir mulheres, dizendo pra ela que: “[...] setenta e cinco por cento de vocês se casam, têm filhos e nunca terminam a graduação; enquanto que o restante nunca chega a lugar algum”. Ela, então, em um de seus livros narra o fato: “E, então, eu me casei, tive um filho no terceiro ano da pós-graduação e fui imediatamente excluída. Ninguém me respeitaria como cientista, nem faria algo por mim, como escrever uma carta de recomendação ou ajudar a conseguir um emprego. Ninguém acreditava que uma mulher com filhos pequenos pudesse realizar algo. Então, comecei a bater de porta em porta, expondo-me até conseguir um emprego. Finalmente, depois de 10 anos e de publicar vários artigos, os colegas começaram a me respeitar como psicóloga”. Veja mais aqui.

CARLITO´S WAY – Quem teve oportunidade de assistir ao filme Carlito´s Way, um policial com roteiro baseado nas novelas de Edwin Torres, com direção de Brian de Palma, 1993, pôde ver a linda atriz norte-americana Penelope Ann Miller contracenando com Al Pacino, em cenas memoráveis. Hoje é o aniversário dela e aqui a nossa homenagem, afinal todo dia é dia da mulher. Veja mais aqui.



Veja mais sobre:
Aventureiros do Una, Maurice Merleau-Ponty, Carlos Heitor Cony, Castro Alves & Eugênia Câmara, Sergei Rachmaninoff & Yara Bernette, Amália Rodrigues, Jules Joseph Lefebvre, Wolfgang Petersen & Diane Kruger aqui.

E mais:
Autoestima aqui.
O pensamento de Karl Marx aqui, aqui e aqui.
Meu ensino de Jacques Lacan & Disco Friends aqui.
Quadrinhos, a nona arte aqui.
Os catecismos de Zéfiro & O Rol da Paixão aqui e aqui.
O pensamento de Parmênides de Eléia aqui.
O eleatas & Xenófanes de Colofão aqui.
Heráclito de Êfeso aqui.
Husserl & a fenomenologia aqui.
O pensamento de Pitágoras aqui.
O período naturalista do pensamento grego: Os Jônios & Anaxímenes aqui.
O pensamento jônico de Anaximandro aqui.
O pensamento de Benedetto Croce aqui.
O pensamento de Tales de Mileto aqui.
O Budismo aqui.
A pirâmide alimentar aqui.
Dos temores da infância aos arroubos juvenis, Estrella Bohadana, Nuno Ramos, Mariana Aydar & Leonid Afremov aqui.
O verbo no coração do silêncio, Ástor Piazzolla & Eduardo Isaac, Steve Hanks, Wassily Kandinsky & Eliane Potiguara aqui.
Pra quem só vê superfície, todo rio é sempre raso, Zygmunt Bauman, Maria Azova, Anna Ewa Miarczynska & Júlio Pomar aqui.
A vida solta no calor do coração, Teodora Dimitrova, Carlos Baez Barrueto, Claudia Rogge & Robert Delaunay aqui.
Os véus dos céus & o prazer do amor, Djavan, Luciah Lopez, Christine Jeffs & Kirsty Gunn aqui.
Escândalo do coroinha, Ferdinand Hodler, Aldine Müller, Helena Ramos & Zaira Bueno aqui.
Tolinho & Bestinha: quando tolinho bateu pino com o capeta granulado aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.





MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...