domingo, janeiro 18, 2026

ELISA LONCÓN, LENA YAU, CASEY MCQUISTON & GERALDO AZEVEDO


 Imagem: acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Occam Ocean (2021), Chry-ptus — Geelriandre (2021), Œuvres électroniques (2018), Naldjorlak (2014), Opus 17 (2013), Feedback Works (2012), Triptych (2009), Jetsun Mila (2007), Adnos (2002), Trilogie De La Mort (1994) e Songs of Milarepa (1983), da compositora francesa Éliane Radigue.



A paixão dos condenados... - Carambolo era um enxerido, não parava quieto. De namoricos a embromados noivados com todo tipo lagartas, serpentes, quelônias e crocodilianas, driblava-as, não se livrando de todo das ameaças mortais de injuriados familiares das vítimas por seus arroubos sentimentais de galanteador Casanova. Isso afora muitas outras e tantas peripécias incontáveis, a exemplo de ter sido parceiro do aterrorizante criptídeo Lee County Lizard Man, uma alta criatura bípede dos pântanos, com seus avermelhados olhos de fogo e mais de 2 metros de altura, escamas verdes, três dedos nos pés e garras afiadas. Assarapantavam na estrada Scape Ore, apavorando os moradores de Bishopville, atormentando caçadores e turistas. Noutra foi cúmplice do ancestral capixaba da Pedra Azul, coparticipando das estripolias de guardião do território, não antes afugentarem curiosos e sabotarem as populações circunvizinhas pelos rios de pedras e mares de areia, ficando só nessas duas para não encompridar a pinoia. Mas eis que um dia lá, passeando pela lagoa de Cerro do Jarau, avistou uma bela jovem e fez-se festa em seu coração açodado. Epa! Quem era aquela que o enfeitiçava tão repentinamente? Era uma belezura anônima que vivia incógnita pelo continente d’O Tempo e o Vento de Érico. Inquietou-se e pensou ligeiro: Quer ir ao baile comigo? Não, não tenho o que vestir! Ora, providencio tudo, você quer? Não. Faço o que você quiser! Não. Tanto insistiu que, ao cabo de lábias e promessas, ela assentiu e marcaram horário e local. No momento acertado, ele lá, ansioso, inquieto. Deu uma, duas, três horas de espera e ela nada. Ih! Foi procurá-la e não teve êxito; vasculhou toda redondeza, perguntou a um e outro, fez-se sentinela, não dormia nem se alimentava, solitário pelas demoradas noites. Mais de meses depois findou balançando a cabeça tristemente reprovativa, achando que havia sido passado para traz. Aí, ele deu um freio de arrumação na vida: teve uma epifania de convertê-lo a coroinha, propondo-se a galgar vida espiritual e se tornar definitivamente um santo, amém. Pronto, estava feito. Na sua ascese tornou-se abstêmio, jejuou, libertou-se dos desejos da carne e procedeu à eliminação do ego. Já se considerando completamente restaurado, num remoto lugar de confundós ignotos, de súbito: ela. Ah, agora não me escapará! Partiu alvoroçado e logo: Quer casar comigo? Você de novo! Como ele estava irredutível no seu propósito, ela contou sua hestória: Sou Tijubina, filha da amaldiçoada teiú Teiniágua Teiniaguá, uma princesa moura da família Terra-Cambará, que vivia na lagoa de Cerro do Jarau. Por possuir um vistoso diamante que luzia na testa - um rubi cintilante que atraía os homens fascinados, foi esconjurada pelo Anhangá-Pitã, o Diabo Vermelho, que a fez uma bruxa lagartixa. Assim teve uma vida muito difícil, mas foi salva e se casou com meu pai que morreu pouco depois, me criou sozinha e ficou velha em Quaraí até sua própria morte. Esse o meu resumo: ainda quer casar comigo? Não só quero, como vou casar com você ou eu me mato agorinha! Estava resolvido. Depois de muitos sins e nãos e ora veja, foram para a igreja e o irmão dela tratava da cerimônia, quando o Padre Quiba anunciou peremptoriamente: Deus me livre de realizar este casamento! Por que? São incompatíveis, um sacrilégio, xô! Foram enxotados dali e, desorientados, depois de muito puxa-encolhe, foram levados ao juiz pelo cartório: Não pode, isso é uma aberração! E os defenestrou porta afora. Vixe! E agora? Tudo tentaram com insucesso. Ah, um milagre: o Padre Bidião – e o lema: o amor será sempre festejado. Vamos às provas! Como? Na primeira prova Carambolo descobriu que Tijubina era do Fogo da família Borges e não apenas um pequeno dragão que vivia no fogo, como também um fabuloso anfíbio da última ressurreição da fênix e uma das 4 “raízes das coisas” fundamentais de Empédocles. Eita! Teve de escapar do maior fogaréu, de quase tostar-se todo. Ufa! A segunda prova deu-lhe a constatação de que ela tinha um irmão gigante protetor, o Proteus Anguinus, que mais parecia um dragão cego que torrava o rabo de todos que se aproximassem dela ou fizessem a desfeita de iludi-la ou se bandeassem astutos com enrolação pro lado dela. Danou-se! Astuto, ele escapou fedendo da fogueiratoda, ao dar um pito cambaleante no Proteus, mas não logrou êxito completo: um batalhão esperava-o na virada. Na frente uma invocada teiú, com um diamante luzindo na testa, balançava a cauda como um chicote e bufava esfumaçando: Vai pra onde, moço? Lascou-se! Era fogo no rabo e bafo de lâmina afiada no focinho, maior viela – aí fodeu, cul-de-sac. Na maior enrascada, não havia alternativa afora se submeter à terceira e última prova. Teibei. Pensou: fodido por um, fodido por mil, vamos lá, manda! Atinou recurso: ao saber dos segredos dela, defendeu-se revelando os seus próprios, assim: sou Carambolo, o Réptil Real, filho da Mulher que Ler, a viúva de óculos do Dulcídio das Palavras andantes de Galeano. Minha mãe me criou e vivia sentada na areia fininha, com suas 7 saias cobrindo-lhe os pés, sempre na leitura de livros. Eu adorava mamar alisando suas longas tranças. Assim nasci, cresci e vivo até hoje manso e sadio, depois que ela se foi. Aplausos gerais! No mais ou menos,  finalmente, estavam vencidas todas as etapas de sua jornada. Neste momento o pároco relevou a conferência e, em cima da bucha, convocou os padrinhos e convidados, quando Tijubina que era jeitosa e sonsa, o que tinha de formosura, esbanjava nas ciladas e vaidade, logo, na horagá, chamou a todos os seus parentes batráquios e vieram aos montes tantos sapões, como rãs cururus, salamandras, pererecas, tritões e cobras-cegas, mais uma tuia de girinos afilhados. Que é que é isso? Uma multidão em polvorosa. Até o quadrúpede alado Pyrausta veio das fornalhas das fundições de Chipre e foi quem adentrou o recinto puxando pela mão dela, toda reboculosa vestida de crinolina verde, saia rodada com aplicações de renda, cabelos castanhos, entre os quais, um brilhante faiscava ofuscante: tal e qual sua mãe, confirmava. Casaram-se engalanados num sobrado na cidade de Santa Fé. Depois da cerimônia, mais maravilhado que nunca, Carambolo, num estalo, gritou: A lera! Cadê os calanguistas? E todos se organizaram: dois cantadores armados de heptassílabos às quadras se apresentaram aos versos rimados, ao som da sanfona de 8 baixos e acompanhamento duma viola caipira, pandeiro, triângulo, reco-reco e ganzá. Para engrossar a festança, um acordeão soou de longe: Segura o refrão! O cavaquinho aumentou o tom no solo, puxou sextilha pro desafio. Vamos de calango repicado. Isso é que é calango corrido! Poeta, segura a linha da porfia! Agora pra linha do barandão! Traz a tocha de bambu que é baile de barraca! A disputa corria solta: puxa calango da bicharada! Todos bailavam e ele entrelaçado nela, com passos simples, no maior forró, aos rodopios, requebros e desengoços, assim respondiam-se mutuamente à provocação de ambos. Era quase final de festa, um alarido. Foi um corre-corre medonho. O padre escapuliu, os convidados fugiram, outros morreram, só os dois escaparam vítimas de letal pandemia, com não se sabe quantos defuntaram de muitos. Ficaram de quarentena pro resto da vida. Repetia-se com ela o que ocorreu com sua mãe: o sacristão aprisionou-a em uma guampa e foram viver numa casa de taipa na caatinga, como se fossem os condenados a viver numa furna, longe de tudo e de todos, sozinhos. Até mais ver.

 

Virginia Woolf: Se você não disser a verdade sobre si mesmo, não poderá dizê-la sobre os outros... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Elvira Lindo: Mentir nem sempre é necessário, mas é algo a que nos habituamos e que não conseguimos evitar... Dizem que o que mais sentimos falta nos mortos são as peculiaridades que nos irritavam, e não a coerência de suas ações... Não viver é não sofrer e não saber... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Angela Davis: Não aceito mais as coisas que não posso mudar. Estou mudando as coisas que não posso aceitar... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

SEM COMPASSO

Imagem: acervo ArtLAM.

Desvariando \ regressando \ caindo \ rompendo a boca e os dentes \ fechando os olhos para evitar o punhal verde \ guardando os ouvidos da broca \ sufocando de calor \ tocando as fotos que foram relógio todos esses anos \ acariciando a terra que guarda amores fugidos \ acariciando minha língua com sabores que me fazem texto \ sendo filha recebida \ recuperando as horas de sono aconselhadas por Salerno \ resgatando uma parte de mim que foge a cada dia \ deixando de ver o berço como bruma \ como incêndio \ como ilha que se afasta do meu nado.

Poema da escritora, jornalista e pesquisadora venezuelana Lena Yau, autora de obras como Trae tu espalda para hacer mi mesa (2015); Lo que contó la mujer canalla (2016); Bienmesabes (2018); Bonnie Parker o la posibilidad de un árbol (2018); Carne de mi carne (2018); Nubes (2019); Escribir afuera (2021); Asintomática (2021); Cuentos de Venezuela (2022) e En la desnudez de la luz. Poetas venezolanas nacidas en la década del sesenta (2022). Veja mais aquí.

 

ÚLTIMA PARADA – [...] Às vezes, você só precisa sentir, porque merece ser sentido. [...] Quando se passa a vida inteira sozinho, é incrivelmente atraente mudar-se para um lugar grande o suficiente para se perder nele. Onde estar sozinho pareça uma escolha. [...] Talvez eu ainda não saiba o que preenche esse espaço, mas posso observar o ambiente ao meu redor, o que cria essa forma, e me importar com o que o compõe, se é bom, se machuca alguém, se faz as pessoas felizes, se me faz feliz. E isso pode ser o suficiente por enquanto. [...]. Trechos extraídos da obra One Last Stop (St. Martin's Griffin, 2021), da jornaista e escritora estadunidense Casey McQuiston, que na sua obra I Kissed Shara Wheeler (Pan Macmillan, 2022), ela expressou: […] Não acredito que fazer algo na frente de todos torne isso mais significativo. Pelo contrário, faz com que deixe de ser algo seu. [...] Ela se sente como a lombada de um livro prestes a se romper e derramar todas as entranhas da história de amor. [...]. Já noutra obra Red, White & Royal Blue (Macmillan, 2022), ela expressa que: […] Às vezes você simplesmente pula e espera que não seja um penhasco. [...] Devo te contar que, quando estamos separados, seu corpo volta para mim em sonhos? Que quando durmo, eu te vejo, a curva da sua cintura, a sardinha acima do seu quadril, e quando acordo de manhã, parece que estive com você ontem mesmo, o toque fantasma da sua mão na minha nuca, fresco e não imaginado? Que posso sentir sua pele contra a minha, e isso faz cada osso do meu corpo doer? Que, por alguns instantes, posso prender a respiração e estar de volta lá com você, em um sonho, em mil quartos, em lugar nenhum? [...] Mas a verdade é, também, simplesmente esta: o amor é indomável. [...].

 

CRUZADA LINGUISTICA – [...] uma cruzada pela educação linguística. Quando eu era mais jovem, coletei muitas histórias de vida porque precisávamos reconstruir a memória para recuperar a terra. [...] Do ponto de vista cultural, isso permite falar de uma visão de mundo onde os seres humanos estão intrinsecamente ligados à natureza. Estamos ligados às montanhas. Nossos nomes estão conectados aos animais, aos pássaros: essa é a nossa identidade. [...] O que aconteceu é que a reforma educacional não leva em consideração as línguas ou os povos indígenas. Os projetos de aperfeiçoamento docente também não os mencionam. A lei de inclusão fala sobre diversidade, mas não se refere às línguas ou aos direitos dos povos indígenas.  [...]. Trechos da entrevista Elisa Loncon: A descolonização da linguagem (Revista Universitária PUC-Chule, 2016), concedida pela linguista, professora e ativista chilena Elisa Loncón, defendendo a decolonização linquística, a identidade, diretos culturais e linguístico do povo mapuche e dos povos originários do Chile. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A ARTE DE GERALDO AZEVEDO

[...] Na verdade, eu comecei na década de 60, como músico. Na década de 70, eu já virei um compositor, já tinha um trabalho, já estava criando um trabalho mais. [...] eu acho que eu tomei muito consciência foi na segunda prisão, quando eu fiquei preso. Primeiro morreu uma pessoa do meu lado sendo torturada. Foi muito torturado. E aí. Foi aí que eu comecei a fazer uma reflexão sobre a minha vida. [...] Desde a década de 90 que eu venho falando da água. Isso antes de todo mundo, de ter essas secas assim. Porque eu nasci no rio São Francisco e quando foi na década de 90 que comecei a fazer shows pelo Nordeste, de volta e passei por algumas cidades do rio São Francisco eu fiquei chocado. Na década de 90. O rio São Francisco... Cheguei em Penedo, as pessoas atravessavam o rio andando em lugares em que passavam embarcações... [...] O Brasil é um país que tem que orgulhar quem nasce no Brasil. Mas o fato é que é um país que se rende demais, que se viciou no colonialismo. [...] O que me inspira mesmo no trabalho, o que me liga ao trabalho, a primeira coisa é o amor. O amor, a relação da vida com a vida. Mas a natureza de um modo geral. Eu fui criado... eu conheci a natureza de pé no chão, tomando banho de rio, sem luz elétrica, sem motor. A minha relação com a natureza foi muito viva. [...].

Trechos da entrevista O Brasil se viciou no colonialismo: Entrevista com o cantor Geraldo Azevedo (Revista Interdisciplinar em Cultura e Sociedade – RICS-UFMA, 2016), recolhida por João de Deus Barros, com o cantor e compositor Geraldo Azevedo (Geraldo Azevedo de Amorim). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

&

Luiz Gonzaga aquí, aquí, aquí, aquí, aquí & aquí.

Patrícia França aqui & aqui.

Antônio Maria aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Joana Lira aqui.

Jurandir Freire Costa aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Clarice Falcão aqui, aqui & aqui.

Gilberto Freyre aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Maria Goretti Rocha de Oliveira aqui & aqui.

Francisco Augusto Pereira da Costa aqui, aqui, aqui & aqui.

Guita Charifker aqui & aqui.

 
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domingo, janeiro 11, 2026

LOLA SHONEYIN, SUSANNA TAMARO, DORIS GOODWIN & FÁTIMA QUINTAS

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Esteja atento à oportunidade... A oportunidade é como uma janela: de vez em quando, ela se abre só para quem está pronto. Portanto, esteja preparado, trabalhe duro e siga seus sonhos... Nada é mais importante para mim do que o amor...

Pensamento ao som do álbum Controlled Chaos (Sumerian Records, 2018), da guitarrista e instrumentista Nita Strauss.


Lágrimas de sangue, o cio de Tânatos... - O gorjeio de pássaros saúda as nuvens afogueadas do dilúculo e a promessa de uma possível pacificação reluzente na esplendida abóbada celeste. Mas, não era: logo cumulonimbus se insinuavam entre nimboestratos e era a incerteza da vida pelo horizonte azulado, com os sinais nem tão longínquos do Lamentável expediente da guerra. E era como se pudesse ver a cena de mãos batendo inexoráveis ao peito, a jactância abominável do umbigo mandão hediondo espalhando espessas mentiras repetidas e reiteradas vezes até soar como verdade absoluta, a inventada nova que precisava da discórdia para firmar parcerias excludentes e estreitar altos laços exclusivos com seus interesses escusos. Precisava mentir e jurar uma fidelidade hipócrita para cravar os dentes na primeira jugular indefesa que confrontasse, preando todos seus xerimbabados e posses, o indébito no cúmulo da extravagância. Este era o recurso frívolo da pugna e que o confronto fosse letal. Os canhões eram drones preparadores da tanatopraxia e se as bombas doessem, pouco importava, quanto mais mortes, melhor! O espetáculo e a festa era de quem e pra quem? Satisfeita a preação, abandonava-se o monturo de defuntos à sorte de pastores que reconduzissem o rebanho de famélicos, apascentando as rastejadoras feras, na tentativa de apaziguar seus infortúnios e padecimentos. Os aproveitadores invisíveis fabricavam pestes e crises, o show tinha que continuar. A própria dor tornava-se invisível e tudo era desumano, porque o bem e o bom deixam sequelas inadmissíveis e fazem a tragédia insossa da mesmice. Precisavam-se cotoveladas para abrir caminho, pernadas afugentando aos coices, chutes enxotando fulanos, cuspidas de asco nos beltranos, repulsa por sicranos e a exclusividade da posse, xô pedintes, miseráveis, retardatários. Era definitivamente o império do ódio. E com a sua síndrome de Pica aos golpes de mordidas no subsolo devorando famintos os subterrâneos de cobre, nióbio, salitre, estanho, ferro, aço, petróleo, ouro e prata, cada vez mais esfomeados com os cintrômetros das jazidas e os retropropulsores da riqueza, a malversação dos recursos e as perduráveis catástrofes, a espoliação e o livre-cambismo, a rapinagem dos despojos nas cláusulas contratuais e seus gravames nas salvaguardas estratégicas, o delírio fraudulento e malthusiano: a necessidade era maior do que se podia obter – na verdade, se obtinha muito mais além da precisão, a obesidade e a ganância, a erosão ética e o fantasma da fome. As vítimas? Ah, o consabido: a Terra sempre foi a Nau dos insensatos – a Ship of Fools de Katherine Porter -, de esborrar pelo trajeto os deformados das telas de Bacon, qualquer lugar reduzido à Balsa da Medusa migrando para o jardim das delícias de Bosch. E alhures o fim do mundo de Llosa que era o mesmo dos Sertões de Euclides. Ninguém queria morrer de tédio. Só se matava pra sair da depressão: a vida só para ganhar dinheiro. E muito, de preferência muito mesmo, e acumular além do suficiente e subjugar quem vier pela frente. A ansiedade da oniomania não precisava definir que bicho era esse que berrava hostil e fazia de panaceia a guerra. Era a vez da primavera de Ginsberg: Só quem se curvou pagou com o corpo as sevícias da fraqueza; só quem se acovardou tornou-se vítima da opressão. A guerra era e sempre foi o atestado de que fracassamos todos, a humanidade foi derrotada, a derrocada humana, a peremptória reprovação do ser humano. E a paz a partiir de então se tornou uma utópica pomba que voava numa flamejante bandeira ultrajada pelos estardalhaços da Rosa de Hiroshima. Até mais ver.

 

Regina Silveira: Como não ser curioso ao ver o noticiário? Pelas causas das coisas, suas consequências e o que o futuro nos reserva... Vejo muita tristeza, vivo muitas tristezas como todo mundo, mas não fico remoendo, então não tem depressão. Vivo a minha vida compreendendo as perdas, entendo os ganhos e continuo gostando de desafios, continuo gostando de coisas difíceis. Há muitas coisas que preciso aprender, ou seja, não sou uma velhinha sentada em frente à televisão ainda... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Jill Tarter: Todos nós pertencemos a uma única tribo: a dos terráqueos... Entendemos a base científica para a interrelação da vida, mas nosso ego ainda não alcançou... Veja mais aqui & aqui.

Viviane Mosé: O alvo da vida não é ser feliz. É aprender a viver... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

CANÇÃO DE UMA AVE RIBEIRINHA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Sentei-me aqui à beira do rio, \ meus olhos fixos na grande trilha. \ Sentei-me aqui por muito tempo, \ junto aos arbustos, sobre as rochas, \ surdo ao riso silencioso do rio. \ Sou o pássaro ribeirinho, \ só faço grandes coisas com a minha boca. \ Vim à beira do rio para me desmascarar. \ Vim para falar da trilha na floresta. \ Alguns disseram que o curandeiro \ silenciará minha voz, \ pois minha língua está sobrecarregada \ de perguntas não feitas. \ Alguns disseram que o curandeiro \ tomará minha voz, \ pois vim à beira do rio para me desmascarar. \ Muitos penduraram suas penas, \ esperando por esta canção. \ Eu digo que fiquei sentado aqui por muito tempo, \ pendurado na grama, \ com os olhos fixos na grande trilha. \ Sinto o varrer das asas da águia, \ sinto o varrer dos ventos ainda adormecidos. \ A águia encontrou as florestas que lamentam, \ a águia seguiu o rastro dos ninhos. \ Este é o varrer dos ventos ainda adormecidos. \ A águia chegou, ela ouvirá grandes coisas. \ Águia dos ventos poderosos, pergunto, \ como atravessarás esta grande trilha? \ As garças passaram com seus bicos ensanguentados, \ tendo enchido seus estômagos com carrapatos dourados. \ Os morcegos passaram e a escuridão se adensou. \ Perguntamos, por quanto tempo mais este reinado da camuflagem? \ A escuridão fragilizou os filhotes em seu desabrochar. \ Os calaus estão roucos com a velha melodia oca. \ Quantos tecelões mais ouvirão \ o chamado do caçador? \ Quantos pássaros canoros mais se pendurarão \ nos galhos do espinheiro? \ Quantas corujas mais evitarão a dança da lua? \ Quantos pardais mais fugirão da escuridão destas terras? \ Quantos galos brancos mais \ se aconselharão com convidados proverbiais? \ Quantos bicos-de-fogo mais acordarão mortos em seus ninhos? \ Águia dos ventos poderosos, \ como atravessarás esta grande trilha? \ Quanto tempo mais durará esta escuridão? \ Ouça com seus ouvidos estas grandes coisas. \ Águia dos ventos poderosos, \ o que vês com teus olhos poderosos? \ Vês a floresta? \ Um pouco à direita, no horizonte? \ Vês aquela floresta com teus olhos poderosos? \ Olhe comigo para além desta escuridão. \ Olhe comigo para além deste rio. \ Você nos vê empoleirados nas pequenas árvores? \ Você ouve os cantos distantes de acasalamento dos \ bandos em êxtase desenfreado? \ Guia-nos ao lugar de verdejantes campos abençoados pelo sol, \ guia-nos às mudas de novos começos, \ guia-nos às raízes da paz eterna, \ guia-nos àquela floresta onde as canções de amor jamais cessam. \ Ouve com teus ouvidos estas grandes coisas.

Poema da escritora nigeriana Lola Shoneyin (Titilola Atinuke Alexandrah Shoneyin), autora da obra The Secret Lives of Baba Segi's Wives (2010), So All The Time I Was Sitting On An Egg (1998) e Song Of The Riverbird (2002).

 

CAMINHO DO CORAÇÃO – [...] Vivemos projetados em uma realidade virtual, manipulados por diversos veículos jornalísticos e de mídia, e não somos mais capazes de cultivar uma perspectiva original... [...] A pessoa rica é a pessoa humilde, a pessoa que observa as coisas ao seu redor com admiração, porque a admiração é o estado dos olhares — e dos corações — que se renovam a cada dia. [...]. Trechos extraídos da obra La via del cuore (Solferino, 2025), da escritora italiana Susanna Tamaro. Ela é autora de obras como La Tigre e l'Acrobata (2017), Answer Me (2001), Follow Your Heart (1994), Va' dove ti porta il cuore (1994), no qual expressa que: O coração é como a terra, metade na luz e metade na sombra...

 

LIDERANÇA EM TEMPOS TURBULENTOS - […] Cada vez mais me parece que a melhor coisa na vida é ter um trabalho que valha a pena fazer e, então, fazê-lo bem. [...] Os hábitos de uma mente vigorosa são formados na luta contra as dificuldades. Grandes necessidades despertam grandes virtudes. [...] Estudiosos que se dedicam ao estudo do desenvolvimento de líderes situam a resiliência, a capacidade de manter a ambição diante da frustração, no cerne do potencial de crescimento da liderança. Mais importante do que o que lhes aconteceu foi como reagiram a esses reveses, como conseguiram, de diversas maneiras, se reerguer, como essas experiências marcantes, a princípio, os impediram, depois os fortaleceram e, por fim, moldaram decisivamente sua liderança. [...] O sucesso não depende de atributos únicos, mas sim de qualidades comuns elevadas a um grau extraordinário por meio de ambição e trabalho árduo. [...] Recuse-se a deixar que ressentimentos passados se agravem; transcenda as vinganças pessoais. [...] Estabeleça um propósito claro; desafie a equipe a elaborar os detalhes; ultrapasse as fronteiras departamentais convencionais; defina metas ambiciosas de curto e longo prazo; crie sucessos tangíveis para gerar crescimento acelerado e impulso. [...]. Trechos extraídos da obra Leadership: In Turbulent Times (Simon & Schuster, 2018), da escritora e historiadora estadunidense Doris Kearns Goodwin, autora de obra como: The Bully Pulpit: Theodore Roosevelt, William Howard Taft, and the Golden Age of Journalism (2013), Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln (2005), Wait Till Next Year (1997) e No ordinary time: Franklin and Eleanor Roosevelt : the home front in World War II (1994). Veja mais aqui & aqui.

 

TEMPOS PARTIDOS, DE FÁTIMA QUINTAS

A lembrança existe, e é um ponto de vista. Enxergo a verdade entre aspas. Para mim, a memória passa pela ficção e não traz um compromisso total com o realismo. Quando a gente relembra, também reinventa, atenua passagens doloridas e dá outras cores ao que viveu. É claro que partimos de um momento real, que remete a pessoas, fatos e acontecimentos que efetivamente aconteceram. Mas escrevi com a liberdade e a reinvenção exigidas pela literatura...

Pensamento expresso pela própria autora a respeito da obra Tempos Partidos (Giostri, 2021), da escritora e antropóloga Fátima Quintas. Numa entrevista concedida (DCP, 2015), ela também expressou que: A literatura me encanta pela sua capacidade de transfigurar a realidade e de exortar sentimentos que devem aflorar através da palavra... Ela é autora de obra como Sexo e Marginalidade (1987), Educação Sexual: um olhar adiante (1992), Mulheres oprimidas, mulheres vencidas (1996), De névoas e brumas (1999), A mulher e a família no final do século XX (2005), A ilustre casa dos fantasmas (2006), A civilização do açúcar (2007), entre outros livros. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

&

BLOCO DA MURIÇOCA: MOSQUITINHO DANADO

Veja mais aqui & aqui.

 

A poesia e o teatro de Joaquim Cardozo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A obra de Luzilá Gonçalves Ferreira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A obra de Josué de Castro aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de Marianne Peretti aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de J. Borges aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de Arlete Salles aquí, aquí & aquí.

A música de Marlos Nobre aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de Aurora Dickie aqui & aqui.

A arte de Corbiniano aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de Luna Vitrolira aqui, aqui & aqui.

 
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sábado, janeiro 03, 2026

YURIKO SAITO, MICERE MUGO, DIANA GABALDON, CATADUPAS & SONHO DA CIGARRA

 

 Imagem: AcervoLAM.

Tenho esperança nas pessoas, nos indivíduos. Porque não se sabe o que vai surgir das ruínas... O perdão de si mesmo é o mais difícil de todos os perdões...

Pensamento ao som do álbum Whistle Down the Wind (Razor & Tie, 2018), da cantora, compositora e ativista estadunidense Joan Baez (Joan Chandos Baez). Veja mais aqui.

 

Na pisada do toré (Uma canção pra cunhantã Chenoa) – Vivos olhos nativos afagam meu coração mestiço. Eram faróis na majestosa acangatara e com a graça de suas pestanas suspensas exalando o cheiro quente do afeto. E a sua delicada voz a me embalar num tapete mágico feito de nuvem baixinha passageira. É ela minha filha vestal com seu penacho de fogo, uma estrela Maire-monã que me diz da criança ainda por nascer na gravidez dos caminhos. E da sua boca juvenil os cantares semeiam anunciando os festivos renascimentos com todo brilho da palavra perdida e nela ascendemos pela chuva a lavar dentro de mim o que rega a terra e amadurece ao paladar os doces frutos e inebria com o bálsamo das flores ao olfato, abraça saberes e sabores sem que haja explicações. Não há porquês, tudo é onde qualquer domicílio e quando todos os momentos do visinvisível na festa dos milagres, que nem são só mais desdobramentos do que é uno e suas tantas outras metades pelos grãos, chuviscos, ondas do mar, remoinhos dos rios, faíscas do fogo, a brisa dos ventos, a poeira do chão abrigo dos meus mortos sagrados, o arco-íris e o avesso do ermo: oásis se expande sorridente para a profusão dos dançares das plantações, dos brincares de véspera das colheitas, dos teceres e as parições da vertigem da vida pelos abismos, o botão de rosa, as flores do jardim, o voo dos pássaros, os galhos das folhas, as pedras do caminho, o alto da montanha, os nomes chamados e as celebrações dos estiares na plenitude do Sol. E os falares reluzem as pálpebras pros olhos serenos, ternura de mãe. E o eco da voz é minha e a de todos os ninguéns, porque a Lua alumia as noites na palma da mão e revela as linhas dos recados ancestrais Quechuas, Mapuche, Navajo, Maia, Guarani, Yanomami, Haudenosaunee e de todos os originários de Abya Yala que somos. E suas mãos desenham no ar todas as fábulas do imaginário pela magia invisível das sombras das fruteiras, das oferendas dos pomares e pelos passos das estradas, contando a distância limítrofe do que há por trás de todos os mistérios: as águas são espelhos e tudo respira mostrando as coisas secretas para a alma atenta, que sente as sutis emanações pelas brechas que guardam as vozes escondidas de Iara que é Boiúna, a Cobra-Grande, com seus olhos de fogo e chifres refulgentes de quem vive no fundo dos rios e Jaci já vem com um buriti, o cipó dos sonhos, a nos avisar que Ceiuci anda faminta e não amedronta, não mais que as mais de quinhentas vagantes inexatidões mais esgarçadas, dos desfeitos laços e a esperança fugidia à espera, como uma criança desolada por ver nossos extravios, a ameaça do medo e a culpa imposta. Não mais a casa da infância destruída e os que procuram por si próprios e não se encontram, tontos com as voltas do mundo nas longas noites asfixiantes dos que ganham e perdem entre os que foram caraíbas perós e outros invasores. Porque no espelho das águas o outro lado escondido das coisas: a casca de ovo se quebra para realizarmos o dia inventando a noite enluarada, um canto proutrantos e todocês. Até mais ver.

 

Rigoberta Menchú: Os povos indígenas nunca tiveram, e ainda não têm, o lugar que deveriam ter ocupado no progresso e nos benefícios da ciência e da tecnologia, embora representassem uma base importante para esse desenvolvimento... Que haja liberdade para os indígenas, onde quer que estejam no Continente Americano ou em outro lugar do mundo, porque enquanto estiverem vivos, um brilho de esperança estará vivo, bem como um verdadeiro conceito de vida... Veja mais aqui.

Patti Smith: Liberdade é... o direito de escrever as palavras erradas... Acredito que nós, este planeta, ainda não vivemos nossa Era de Ouro. Todos dizem que acabou... a arte acabou, o rock and roll morreu, Deus morreu. Que se dane! Esta é a minha chance no mundo. Eu não vivi lá na Mesopotâmia, não estive no Jardim do Éden, não estive com o Imperador Han, estou aqui e agora e quero que agora seja a Era de Ouro... se ao menos cada geração percebesse que o momento para a grandeza é agora, enquanto estão vivos... o momento de florescer é agora... Faça com que suas interações com as pessoas sejam transformadoras, e não apenas transacionais... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Simone de Beauvoir: Mude sua vida hoje. Não jogue no futuro, aja agora, sem demora... A palavra amor não tem de modo algum o mesmo sentido para ambos os sexos, e esta é uma causa dos graves mal-entendidos que os dividem... Desejo que cada vida humana seja pura liberdade transparente... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

QUERO QUE VOCÊ SAIBA

Imagem: AcervoLAM.

Quero que você saiba \ com que cuidado? \ Reguei os brotos tenros. \ você plantou \ no meu pequeno jardim. \ Agora, flores enfeitam o chão. \ As frutas estão maduras. \ Venha \ Traga uma cesta de vime resistente \ e traga consigo também \ o melhor vinho de palma \ que seu especialista em tapping \ possa preparar \ Devemos festejar e beber vinho \ até altas horas da madrugada \ dos nossos breves dias juntos \ Alegria e amor \ será o nosso dia a dia \ canções de colheita.

Poema da escritora, dramaturga, editora, professora e ativista queniana Micere Githae Mugo (Madeleine Micere Githae – 1942-2023), que foi perseguida, prasa e exilada em 1982, por conta da ditadura que se instalou em seu país, coibindo sua luta contra os abusos aos direitos humanos. A partir de 1984 tornou-se cidadã do Zimbábue: Sou filha do universo, já morei em quase todos os continentes. Escrever pode ser uma tábua de salvação, especialmente quando sua existência foi negada, especialmente quando você foi deixado à margem, especialmente quando sua vida e processo de crescimento foram submetidos a tentativas de estrangulamento.

 

VÁ DIZER ÀS ABELHAS QUE EU FUI EMBORA - [...] Você não deixa de amar alguém só porque essa pessoa morreu [...] As refeições eram o meu tormento diário; não tanto o trabalho constante de colher, limpar, picar e cozinhar — embora essas atividades fossem bastante desagradáveis por si só mas principalmente a tarefa interminável de lembrar o que tínhamos à mão e equilibrar o esforço necessário para tornar a comida comestível com a consciência do que poderia estragar se não a comêssemos imediatamente. [...] Mas cada um de nós é chamado a viver a vida nos pequenos momentos; a praticar a bondade, a arriscar nossos sentimentos, a dar uma chance a alguém, a atender às necessidades das pessoas que amamos. Porque Deus está em toda parte e vive em todos nós. Esses pequenos momentos são Dele. [...] O corpo forma cicatrizes internas, assim como cicatrizes superficiais, quando uma ferida cicatriza — e o mesmo acontece com a mente. [...] O perdão faz com que as coisas desapareçam. [...] Ao longo dos anos, vi muitos pacientes doces, amáveis e dóceis, que sucumbiram em poucas horas às suas doenças. Os filhos da puta raivosos, irascíveis e difíceis (de ambos os sexos) quase sempre sobreviviam. [...] Quando se tem filhos, existe aquele pequeno período em que você é tudo o que eles precisam. E então eles saem dos seus braços e você fica com medo de novo, porque agora você sabe todas as coisas que poderiam machucá-los, e você não consegue protegê-los. [...]. Trechos extraídos da obra Go Tell the Bees That I am Gone (Century, 2021), da escritora estadunidense Diana Gabaldon (Diana Jacqueline Gabaldon), que também expressa: O que está subjacente à grande ciência é o que está subjacente à grande arte, seja ela visual ou escrita, e essa é a capacidade de distinguir padrões fora do caos... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

O PAPEL DA EDUCAÇÃO ESTÉTICA NO COTIDIANO - [...] A educação estética em nosso cotidiano é, portanto, inestimável para questionar várias premissas estéticas que regem nossas vidas e sociedade, desenvolvendo o que pode ser chamado de alfabetização e vigilância estética, ao estarmos cientes das consequências dessas premissas, direcionando nosso poder reside na criação de um mundo justo, humano e sustentável, e na promoção de uma vida sustentada e enriquecida pelas relações estéticas que formamos com os outros, sejam pessoas, natureza ou mundo artefatual. Somos empoderados e responsáveis por moldar o mundo por meio de nossas práticas cotidianas, e a estética desempenha um papel surpreendentemente significativo. [...]. Trecho extraído do estudo The Role of Aesthetic Education in Everyday Life (Philosophy of Education Society of Great Britain, 2025), da filósofa e professora japonesa Yuriko Saito, que é autora da obra Everyday Aesthetics ( Oxford University Press, 2010), no qual analisa a sensibilidade aos objetos e às pessoas em uma ampla gama de artes e ofícios japoneses, incluindo paisagismo, haicai, pintura, cerâmica e culinária, enfatizando que o cultivo de uma atitude moral em relação às coisas é frequentemente praticado por meio de recursos estéticos. Veja mais aqui & aqui.

 

JAQUE MONTEIRO & I OFICINA DE CATADUPAS DO BRASIL

Foi lançado o livro da I Oficina de Catadupas do Brasil - 2025, uma parceria das poetas jaque monteiro, a criadora do gênero poético, ministrante e coordenadora da Oficina, e noi soul, do Projeto Pulsão Poética, que passou a ser a Madrinha da Catadupa e coordenadora da Oficina. Trata-se de um puro movimento, assim como uma cachoeira, representando inovação no cenário literário brasileiro e um gesto de amor pela língua portuguesa. O livro reúne poemas dos primeiros poetas catadupistas brasileiros. Confira a entrevista com os poemas de Jaque Monteiro aqui e detalhes sobre o livro aqui. E mais aqui.

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ADMMAURO GOMMES & O SONHO DA CIGARRA

O professor de Teoria Literária, poeta, cronista e membro da Academia Palmarense de Letras (APLE), Admmauro Gommes, comenta a publicação do livro infantil O Sonho da Cigarra (Asinha, 2025), da palmarense Taciana Cruz e de sua filha Kristina Cruz, nascida na então República Theca, hoje Tchéquia. Confira aqui & mais aqui.

 

A poesia de Manuel Bandeira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Ana Lins & a Revolução Pernambucana aqui.

A pedagogia de Paulo Freire aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de Tereza Costa Rego aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de Abelardo da Hora aqui, aqui, aqui & aqui.

A arte de Geninha da Rosa Borges aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A música de Moacir Santos aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A poesia de Cida Pedrosa aqui & aqui.

A arte do Mestre Vitalino aqui, aqui & aqui.

A arte de Bia Villa-Chan aqui.

Veja Portfólio aqui.

 


ELISA LONCÓN, LENA YAU, CASEY MCQUISTON & GERALDO AZEVEDO

  Imagem: acervo ArtLAM . Ao som dos álbuns Occam Ocean (2021), Chry-ptus — Geelriandre (2021), Œuvres électroniques (2018), Naldjorlak...