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quinta-feira, maio 16, 2019

STRINDBERG, RUBEM FONSECA, LYNN MARGULIS, ESTHER TEICHMANN & NÃO É MENTIRA NÃO!


NÃO É MENTIRA NÃO! - Joãodito contava das suas pabulagens, petas a granel. Dizia lá das suas sem maledicências. Só que Sinedônio, um ricaço de maus bofes encarava tudo aquilo de soslaio. Já tinha ouvido tantas do gabola, de prestar atenção amiudada, desconfiando das narrações. Só que ao final da patranha, Joãodito sempre dizia: Só Deus e nada mais. Aquilo foi enchendo o saco, quase esborrando da paciência do Sinedônio e demais presentes que queria pegá-lo na virada, desmascarando-o. Bastou Joãodito contar que, um dia, ansioso por mel, bastou dar um tiro a mesmo, dele entrar no pé do maluvido do tijolo, sair no mocotó da parede, tirar um fino na placa da academia, atravessar o toitiço do poste e bater no pé da goiabeira de varar o enxame e cair o delicioso líquido bem no copo em que segurava. Ah, não faltou apupo no recinto. Todos levavam na conta da charlatanice E ele: Só Deus e nada mais! Daí dizer que isso não era nada perto do tempo que bateu um liseu, dele ter que fazer um trato com o diabo, de vender a alma num acertado com prazo e tudo para xis tempo depois. Na véspera do vencimento, ele sem saída, coçando o quengo, contou tudo pra mulher dele, dona Maricotilda, dela providenciar uma pintura de piche por todo corpo e ficar nua, toda escancarada esperando o tinhoso. Quando o coiso apareceu, assustou-se: Já vi de tudo, mas dessa é a primeira vez! O maldito olhou, tocou, conferiu, foi provar e se envultou de nunca mais aparecer para atanazar o coitado depois que ela se mexeu e fez o sinal da cruz. Joãodito não pestanejou: Só Deus e mais nada. Ninguém entendeu direito, mas o burburinho das mangações não parou, deixando a coisa por suspeita, maior patranha. Foi aí que Sinedônio encarou Joãodito em riba da fivela: Olhaqui, seu fiduma lasqueira, tome aqui esse anel, dezoito quilates, guarde-o até eu pedi-lo, se não tiver com ele, eu vou matá-lo, seu paidégua. Podexá, guardo pra você. Apalavrado. Joãodito foi, chegou em casa e mandou a esposa guardar para ele, para o dia que o Sinedônio pedisse, jurado de morte se não tivesse mais com o utensílio para devolvê-lo. Isso foi. Dias depois, Sinedônio armou das suas: mandou um capataz procurar Maricotilda para comprar o anel com uma fortuna em dinheiro vivo. Foi lá e pelejou, ela nada. Mostrou a dinheirama toda, ela cresceu os olhos, arredia, findou cedendo e entregou. O capataz voltou pra Sinedônio que saiu para o meio do rio numa canoa, sacudiu o anel lá, na parte mais funda da correnteza, e voltou para mandar ver no caviloso. Agora queria ver, cruzeta da peste. Aí Sinedônio foi lá, chamou todo mundo, contou tudo e mandou buscar Joãodito que apareceu tão logo recebeu o aviso. Diga lá. Dê-me cá meu anel! Agora mesmo. Foi em casa pediu a esposa, ela entrgou-lo e ele assim o fez, devolvendo ao seu dono. Peraí, rapaz! Só Deus nada mais. Como é que pode? Pode o quê? Mande chamar dona Maricotilda aqui. Ela veio. Sinedônio começou o inquérito na frente de todo mundo: Ô dona Maricotilda, a senhora vendeu ou não vendeu o anel? Vendi. E como é que ele está aqui? Ah, eu não te conto, foi assim: meu marido me deu o anel para guardar e foi pescar. Aí apareceu esse seu moço aí querendo comprar, eu não queria vender, mas ele insistiu tanto com um molho de dinheiro de cair de costa, depois de muito peiticar, findei e vendi. Fiquei cheia de remorsos e quase tenho um troço quando vi o Joãodito chegar com um peixe grande, bonitão, para eu tratar e saiu. Mal comecei a passar a faca no bichão, meu marido chegou pedindo o anel de volta, oxe, só deu tempo de eu passar a peixeira e o anel pular de dentro do peixe na minha mão, pronto, entreguei-lo, tá aí na sua mão e fim de papo. Ah. Ovação geral. Aí Joãdito não deixou por menos: Só Deus e mais nada. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] a terra é, de fato, um sistema vivo, um amálgama globalmente pulsante de organismos e do mundo físico “inanimado” [...] O que é vida? Esta é, sem dúvida, uma das mais antigas perguntas que existem. Nós vivemos. [...] A vida – desde as bactérias até a biosfera – mantém-se ao produzir novas quantidades dela mesma. [...] a vida – não só a humana, mas a vida em geral – tem liberdade de ação e desempenhou um papel inesperadamente grande em sua própria evolução. [...] A vida – tanto no aspecto local, como corpo de animais, plantas e micróbios, quanto no plano global, como a biosfera – é um fenômeno material sumamente complexo. Ela exibe as propriedades químicas e físicas habituais da matéria, ma com um toque diferente. [...] A vida se distingue não por seus componentes químicos, mas pelo comportamento desses componentes. Assim, a pergunta “o que é vida?” é uma armadilha linguística. Para responde-la de acordo com as regras gramaticais, devemos fornecer um substantivo, uma coisa. Mas a vida na Terra assemelha-se mais a um verbo. Ela conserva, sustenta, recria e supera a si mesma. A visão autopoética da vida difere dos ensinamentos padronizados da biologia. [...] os seres orgânicos e o meio ambiente acham-se entrelaçados. [...] a vida não existe na superfície da Terra, mas é a superfície da Terra. A vida estende-se sobre o planeta como uma cobertura contígua mas móvel, que assume a forma da Terra subjacente. [...] a vida aviva o planeta; a Terra, num sentido muito real, é viva. [...] Os organismos são [...] comunidades de corpos que trocam matéria, energia e informações entre si. Cada inalação de ar nos liga ao restante da biosfera, que também “respira”, embora em ritmo mais lento. Considerada em sua extensão fisiológica máxima,a vida é a superfície planetária. [...] Portanto, o que é vida? É um processo material, que peneira a matéria e desliza sobre ela como uma onda estranha e lenta. É um caos artístico controlado, um conjunto de reações químicas desnorteantemente complexo, que produziu, há mais de 80 milhões de anos, o cérebro mamífero que hoje, sob a forma humana, redige cartas de amor e usa computadores de silício para calcular a temperatura da matéria na origem do universo. A vida, além disso, parece estar prestes a perceber, pela primeira vez, seu lugar estranho mas verdadeiro num cosmo em inexorável evolução. A vida fenômeno local da superfície terrestre, na verdade só pode ser compreendida em seu meio cósmico. [...] Para funcionar, a biosfera requer a diversidade microbiana; para nos sentirmos inteiros e à vontade, quase todos nós ansiamos pela variedade da natureza. [...] Os seres humanos atuais estão claramente ameaçados pela extinção de muitos de nossos companheiros de planeta, antes mesmo que a ciência consiga descrevê-los. [...] Que o excesso é natural, mas perigoso, nós aprendemos com os ancestrais fotossintéticos das plantas. [...] Os seres humanos não são espécies e independentes, mas parte de um continuum de vida que circunda e abarca o globo. [...].
Trechos extraídos da obra O que é vida? (Jorge Zahar, 2002), da bióloga e professora Lynn Margulis, autora da teoria da endossimbiose, segundo a qual a mitocôndria, um organismo separado que teria entrado em simbiose com células eucarióticas.

O TEATRO DE STRINDBERG
[...] CRISTINA - E perdeu alguns milhares de ducados, não é? Permita-me cobrir suas perdas... KLAS TOTT - Não, Majestade, eu não posso! -Não posso aceitar dinheiro de uma mulher... CRISTINA - Eu não sou mulher... KLAS TOTT - Sim, e nem mesmo de uma rainha... CRISTINA - Eu não sou rainha também, pois não sou de nenhum rei; eu fui proclamada rei, Tott não se recorda? [...]
Trecho da cena do I Ato da peça Cristina (Cone Sul, 2001), do dramaturgo, escritor e ensaísta sueco August Strindberg (1849-1912), contando sobre a rainha sueca Cristina (1626 -1689), peça escrita em 1901, seria recusada de teatro em teatro para apenas estrear em 1908, no Intima Teater. Em suas Cartas Abertas para o Teatro Íntimo, Strindberg escreve: “uma mulher criada para ser um homem, lutando por sua sobrevivência, contra sua natureza feminina e por fim sucumbindo a ela”. Outras peças teatrais traduzidas do autor: Crimes e Crimes (Edusp, 1999), Dança da Morte (Veredas, 2005), Sagas (Hedra, 2006), Gente de Hemsö (Hedra, 2009), Senhorita Júlia e Outras Peças (Hedra, 2009), Inferno (Hedra, 2009) e A Sonata dos Espectros (L-Dopa, 2010). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa e artista visual alemã Esther Teichmann. Veja mais aqui & aqui.
&
A OBRA DE RUBEM FONSECA
O pecado é mais saudável e alegre do que a virtude. Aqueles que trocam o vício pela beatice tornam-se velhos feios e desagradáveis.
A obra do escritor e roteirista de cinema Rubem Fonseca aqui, aqui, aqui & aqui.


quinta-feira, janeiro 22, 2015

MORGAN YASBINCEK, CAROLE BOUQUET, PIERRE LOUŸS & BUÑUEL

 


CAROLE INESQUECÍVEL – A primeira vez que a vi era uma das Conchitas do Cet obscur objet du désir de Buñuel, inesquecivelmente linda com seus trejeitos refinados, delicadeza apaixonante, o ar angelical tomando conta de tudo, para se tornar, logo depois, na fisionomia da Chanel. Linda demais como a bela jovem no Buffet froid. Encantadora demais como a Valentine no Le Manteau d'astrakan. Vertiginosamente bonita como a Princesa Soraya de New York Stories. Infinitamente encantadora como Carol Schneider no Le Jour des idiots, ou como a requintadíssima charmosa Florence Barthélémy em Too Beautiful for You. Não menos enfeitiçante como a professora Lucie Aubrac vivendo um amor em tempo de guerra. Provocantemente bela como a artista plástica Viviane Farnese de En plein cœur. Muitas cenas, incontáveis. Na vida privada envolvida em causas humanitárias, apoiando projetos de promoção à saúde e à educação das crianças. Estilosamente elegante ela é uma figura emblemática: o seu compromisso social com o talento indiscutivel na longuíssima carreira de décadas. Salve Carole Bouquet! Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - O amor é possível. A vida vai decidir. Não perca, é um tesouro. Vai ser doloroso; vai ser uma aventura, uma montanha-russa. A vida é uma montanha-russa e fica pior quando você envelhece. Ao contrário do que você pensa, que fica melhor quando você sabe mais - não, quanto mais você sabe mais doloroso é. Você foi ferido. Você chega com um milhão de cicatrizes e sua armadura não é grossa. Quanto mais você envelhece, mais você fica frágil. Mas faça isso de qualquer maneira. Vá em frente. Caso contrário, significa morte. Quando você é jovem, todos os acidentes, toda a dor que você sofre; mas pelo menos você é muito forte. Na verdade, com o tempo, a dor aumenta cada vez mais; cada vez mais perdas, e isso o torna mais frágil. Um homem não pode transmitir, como uma mãe poderia, uma consciência do seu corpo, ou sensualidade, ou o que significa ser uma mulher. Nunca me ensinaram o que era feminilidade. Eu aprendi - ou melhor, eu inventei - por conta própria. Eu tendia a não falar, se as pessoas estavam olhando para mim. Esta coisa de gostar de si mesmo, eu acho isso absolutamente terrível. Quem gosta de si mesmo, não posso aproximar muito deles. Para mim é pura estupidez. Mas ter alguma paz consigo mesmo, isso é um grande alívio. A verdadeira elegância é simplesmente um verdadeiro encontro consigo mesmo. Não estou interessado no debate político. Existem algumas soluções práticas aqui. Pensamento da atriz francesa Carole Bouquet.

 

ALGUÉM FALOU: Felizmente, em algum lugar entre o acaso e o mistério está a imaginação, a única coisa que protege nossa liberdade, apesar do fato de que as pessoas continuam tentando reduzi-la ou matá-la completamente. Pensamento do cineasta espanhol Luis Buñuel Portolés (1900-1983). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

A MULHER & A MARIONETE - […] Quero é uma palavra surpreendente, você pode dizer tudo. Roubar, desejar, amar, amar e prediligerar. De volta em outra, segundo o tom que vien dato, expresse o mais imperativo das paixões ou o mais amado dos caprichos. É uma ordem ou um guia, um dicionário ou um acordo. Talora, não, é irônico.[...]. Trecho extraído da obra La femme et le Pantin (Createspace, 2012), do escritor belga Pierre Louÿs (Pierre Félix Louis – 1870-1925). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

DOIS POEMAS - PORTA DO AR - oito de nós sob este teto, sete em pé, um \ em decúbito dorsal e depois quatro sentados, três em pé, um \ em decúbito dorsal, dedos entrelaçados sobre a caixa torácica \ sete pessoas conversam entre bolinhos \ de silêncio, nem todos entraram conosco \ alguns deixados pela família antes, saíram \ como um rosário de tristeza\ a sala tem dois pulmões, não como um coração \ com sua cruz torta, dois lóbulos, uma \ cortina, uma porta de ar na borda esquerda\ ninguém nunca, nem nunca irá\ esta divisão\ porque um mundo de um \ lado teme o mundo do outro, embora \ um seja a sombra do outro\ este é um caso de invasão humana \ no limiar \ da porta do ar. RENÚNCIA - era noite quando sua língua \ se tornou planta, cresceu \ em folhas, apresentou botões, fez \ sombra dos caules da língua \ ele havia brincado por tempo suficiente com potenciais, esperado \ em sua caverna de votos de restrição, mas \ as águas em que se encontrava estavam densas com a química pesada \ dessas coisas, ele queria gritar, encontrar uma companhia \ de ouvidos, dançar com aqueles ventos de voz \ treinada para o silêncio\ falava enquanto ela dormia, dizia ao \ quarto silencioso que aquele não era o lugar para ela, não era o tipo certo \ de ouvidos aqui, quando alguma coisa pousou, sorveu néctar, \ tornou-se uma planta, despreocupada com \ os canais tortuosos do silêncio, encontrando suas veias fluindo de um \ fonte diferente, cinto rasgado, amarração caída, janela, algo para derramar \ como planta, ela escolhe ser mais terna, abandonar \ questões de voz e expressão, esperar, participar \ apenas de tendências refrescantes, de doçura \ foi assim que ela desistiu de tentar respirar sob pressão, ver \ atrás das paredes, andar vendada, por uma espécie de \ sensualidade lúcida, por alcançar de qualquer maneira. Poemas da escritora e acadêmica australiana Morgan Yasbincek, autora de obras tais como Night Reversing. (1996), Firelick. (2004) e White Camel (2009).

 

SACADOUTRAS

 

LITERATURA E POLÍTICA – No livro Literatura e vida nacional, o filósofo, cientista político e comunista italiano, Antonio Gramsci (1891-1937), fala a respeito da Literatura e da Política, considerando: [...] no que toca à relação entre literatura e política, deve-se levar em conta o seguinte critério: que o literato deve ter perspectivas necessariamente menos precisa e definidas que o político, deve ser menos sectário, se assim se pode dizer, mas de uma maneira contraditória. Para o político qualquer imagem fixada a priori é reacionária; o político considera todo o movimento em seu devenir. O artista, pelo contrário, deve possuir imagens fixadas e articuladas em sua forma definitiva. [...] O artista representa necessariamente o que existe, num certo momento, de pessoal, de não-conformista, etc., de um modo realista. [...] O mais comum preconceito é o seguinte: o de que a nova literatura deva se identificar com uma escola artística de origem intelectual, como foi o caso do futurismo. A premissa da nova literatura não pode deixar de ser histórica, política, popular: deve tender a elaborar o que já existe, não importa se de um modo polemico ou de outro modo qualquer/ o que importa é que aprofunde suas raízes no húmus da cultura popular tal como é, com seus gostos, suas tendências, etc., com seu mundo moral e intelectual, ainda que este seja atrasado e convencional. Veja mais aqui, aqui,  aqui e aqui.

Imagem: Nude, de Lidia Wylangowska. Veja mais aqui.

Ouvindo: 6º Solo, 2011, sétimo álbum da cantora, compositor e apresentadora Luciana Mello. Veja mais aqui.

NOVUM ORGANUM – Tratando por sofista não só o Organon como toda filosofia aristotélica, o filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626), em seu Novum Organum assinala que: O intelecto humano não é luz pura, pois recebe influencia da vontade e dos afetos, donde se pode gerar a ciência que se quer. Pois o homem se inclina a ter por verdade o que prefere. Em vista disso, rejeita as dificuldades, levado pela impaciência da investigação; a sobriedade, porque sofreia a esperança; os princípios supremos da natureza, em favor da superstição; a luz da experiência, em favor da arrogância e do orgulho, evitando parecer se ocupar de coisas vis e efêmeras; paradoxos, por respeito à opinião do vulgo. Enfim, inúmeras são as fórmulas pelas quais o sentimento, quase sempre imperceptivelmente, se insinua e afeta o intelecto. Veja mais aqui e aqui.

O TEATRO DO INFERNO – No epílogo do seu livro Inferno, o escritor, pintor e dramaturgo sueco, August Strindberg (1849-1912), conclui: “[...] É assim a equação da minha vida: um sinal, um exemplo para servir de aperfeiçoamento aos outros; um joguete para mostrar a vaidade da fama e da glória; um joguete para esclarecer a juventude sobre a maneira pela qual não se deve viver; um joguete que se crê um profeta e termina desmascarado como impostor. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A DAMA DE PIXOTE – De tudo que vi de teatro, cinema e televisão da grande atriz Marília Pêra, pra mim, ela já havia se imortalizado com sua arte no filme Pixote, a lei do mais fraco (1980), dirigido por Hector Babenco e inspirado no livro Infância dos Mortos, do escritor e roteirista José Louzeiro. Evidente que tudo que tem a marca dessa maravilhosa atriz é sinônimo de talento expressivo. Por isso mesmo a nossa tirada de chapéu com aplausos de pé. Veja mais aqui.



Veja mais sobre:
O reino das águas aqui.

E mais:
Eu nasci entre um rio e um riso de mulher aqui e aqui.
Cantando às margens do Una aqui.
A correnteza do rio me ensinou a nadar aqui.
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Sou deste chão como a terra, o fogo, a água e o ar, André Gide, Brian Smith, Friedrich Hundertwasser & Carol Andrade aqui.
O que era Mata Atlântica quando asfalto que mata, António Salvado, João Parahyba, Don Dixon & Nini Theiladetheilade aqui.
Existe gente pra tudo, Os Apinajé, Harriet Hosmer, Josefina de Vasconcelos, Anelis Assumpção & Banksy aqui.
Rascunho solitário, Edino Krieger, Arturo Ambrogi, Jean-Baptiste Camille Corot & Jim Thompson aqui.
Centenário de Hermilo Borba Filho, Orquestra Armorial & Cussy de Almeida, Augusto Boal, Joshua Reynolds, Ginofagia & Sedução aqui.
As águas de Alvoradinha, Bhagwan Shree Rajneesh, Milan Kundera, Endimião & Selene, Jorge Ben Jor, Anatol Rosenfeld, Lena Olin, Anthony van Dyck, Teco Seade,:Socorro Cunha & João Lins aqui.
O monge e o executivo de James Hunter, Neuropsicologia, Ressocialização penal, Psicologia escolar & educacional aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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E como todo dia é dia da mulher, hoje a nossa homenagem pra ela vai pela arte do tricordiano Vagner Santana.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

STRINDBERG, MARINA TZVIETÁIEVA, MURILLO LA GRECA, CYRO DOS ANJOS, FERNANDO TUDE, HISTÓRIAS ZEN & GALDINO VIVE

GALDINO VIVE



Há muitos anos, o menino não era um homem só.

No horizonte do sol, era Galdino, pataxó solidário.

Na madrugada meeira, sem relicário, a brincadeira era um susto ufano, extraordinário, dava sem beiras pra cinco fulanos dali, salafrários pro suplício daqui, sem dó, a besteira de pró no ofício de reduzir nossa vida a pó.

Hoje, o meu diário triste, ainda resiste no quinhão fundiário.

Meu coração é vário, e eu vou como um beija-flor que trissa, insubmisso e real, que alça bem alto, alheio à justiça na Praça do Compromisso, Planalto Central.

 
DITOS & DESDITOS - Tudo é possível e provável. Tempo e espaço não existem. Sobre a frágil base da realidade, a imaginação tece novas formas. Pensamento do dramaturgo, escritor e ensaísta sueco August Strindberg (1849-1912). Veja mais aqui.

A LIBERDADE: [...] A liberdade era alguma coisa que devia nascer como as coisas naturais. Naturalmente. Mas as ambições, os interesses individuais, as vaidades, a atração do poder, tudo perturba o crescimento da liberdade como se fossem pedras no seu caminho. [...]. Pensamento extraído do livro Jornalismo e educação (MEC, 1955), do médico, jornalista e educador Fernando Tude de Souza (1910-1949).

CRIAÇÃO LITERÁRIA - [...] Toda invenção nasceu de uma necessidade particular da natureza humana, que atuou em sua esfera, para seu próprio fim. [...]. Trecho extraído de Criação literária (MEC, 1956), do escritor, jornalista, professor e advogado Cyro dos Anjos (1906-1994). Veja mais aqui.

NAS MÃOS DO DESTINO – Um grande guerreiro japonês chamado Nobunaga decidiu atacar o inimigo, embora tivesse apenas um décimo do número de homens que seu opositor comandava. Ele sabia que venceria, mas seus soldados estavam em dúvida. No caminho, ele parou num santuário Shinto e disse aos seus homens: “Depois de visitar o santuário, vou jogar uma moeda. Se der cara, nós ganharemos; se der coroa, nós perderemos. O destino nos tem nas suas mãos”. Nobunaga entrou no santuário e ofereceu uma oração silenciosa. Saiu e jogou uma moeda. Deu cara. Seus soldados estavam tão ávidos para lutar que venceram a batalha facilmente. “Ninguém pode mudar a mão do destino”, disse-lhe um de seus assistentes após a batalha. “Não mesmo”, disse Nobunaga, mostrando uma moeda que havia sido duplicada, mostrando cara em ambos os lados. Extraído da obra Histórias Zen (Teosófica, 1999), organizada por Paul Reps. Veja mais aqui e aqui.

MADRUGADA SOBRE OS TRILHOS - Antes que o dia adentre / com mil paixões convulsas, / de trilhos – de relento, / refaço toda a Rússia. / De estacas – de relento, / de gris – de orfandade, / antes que o dia adentre / ou sinaleiro brade. / A névoa paira infinda, / envolto em lona, enorme / granito aguarda ainda / e o prado xadrez dorme./ De pássaros – relento... / aço murzelo mente / ainda um louco alento – / Moscou: ainda em frente! / E sob o olhar-minúcia, / com seu domínio etéreo, / como esbordou a Rússia / em três linhas de ferro! / Vou espraiá-la além! / No trilho inviso estendo, / relento adentro, um trem / com vítimas de incêndio. / (Com tantos quantos somem / sem gente ou Deus notá-los. / Sinal: quarenta homens / e mais oito cavalos!) / E onde as distâncias entre / dormentes são entraves, / de orvalho – de dormentes, / de orvalho – de orfandade. / Antes que o dia aponte / com mais paixões convulsas, / ao longo do horizonte / refaço toda a Rússia. / Nem falsa, nem mesquinha: / e olhem, ao longe, o brilho / azul de um par de trilhos! / Nas linhas, lá, nas linhas... Poema da poeta e tradutora russa Marina Tzvietáieva (1894-1941).

A ARTE DE MURILLO LA GRECA
A arte do premiado pintor e professor Vicente Murillo La Greca (1899-1985), que se dedicou aos estudos dos afrescos que, alguns deles, se encontram na Basílica da Pena (PE), desenvolvendo uma arte nos padrões clássicos com temas históricos. Foi professor da Escola de Belas Artes (RJ) e manteve amizade com Cândido Portinari. Sua obra está reunida no Museu Murillo La Greca, em Recife (PE).





Veja mais sobre:
Quando Papai Noel foi preso, Henryk Górecki, Demócrito de Abdera, Jane Campion, Alfred Eisenstaedt, Frédéric Bazille, Fernando Fabio Fiorese Furtado, A Comédia, Meg Ryan, A prisão de São Benedito & Luiz Berto aqui.

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Oniomania & Shopaholic, Píndaro, Mestre Eckhart, Maimônides, Paulo Leminski & Gilton Della Cella aqui.
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GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...