Zineblog de Literatura, Teatro, Música & Pesquisas de Luiz Alberto Machado (LAM). Show, cantarau, recital, palestras, oficinas, dicas & informações. Contato & Chave Pix: luizalbertomachado@gmail.com
segunda-feira, maio 09, 2016
ASCENSO, REAY TANNAHILL, ALCEU, ULRIKE MEINHOF, XENIA HAUSNER, ESPERANTINA & GUAZZELLI
quarta-feira, novembro 18, 2015
DONNE, VĀTSYĀYANA, MALFATTI, ALAN MOORE, BURNOUT, GERONTODRAMA, KAMA SUTRA & ORGASMO!!!
ORGASMO – O livro O lado obscuro e tentador do sexo (Ágora, 2004), da jornalista e
educadora sexual Patrícia do Espírito
Santo, trata de temas como a virtude e o pecado, o sagrado e o profano, o
erótico e o macabro, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho Orgasmo: Os franceses chamam o orgasmo de la petit
mort – a pequena morte. Isso tem um motivo. Cada um tem seu jeito de chegar ao
ápice do prazer. Existem muitas fantasias sobre seus efeitos e informações
distorcidas de como deve acontecer. A intensidade, a frequência e as sensações
decorrentes dele dependem de cada um, da relação com o parceiro, do tesão, da
visão que se tem do sexo. Mas o que associa a sensação do orgasmo à sensação da
morte é o fato de que ao se alcançar a plenitude do sexo, tudo pode terminar:
nada mais falta, nada mais importa. É o êxtase. A astrologia traz também uma
ideia similar. A casa oito, é a casa da morte, da crise, das transformações e
ainda do sexo. O sexo é a porta para a união cósmica, o meio de se chegar à
libertação, à união com o amado, seja ele a vida, o deus, o mestre sem
fronteiras. É onde há a integração de um com o outro, por isso ela tem a ver
com a relação sexual. É nela que o relacionamento se aprofunda ou morre, onde
os valores podem ser transformados e muitas vezes precisam ser destruídos. É um
local de intensidade e poder. Por isso é a casa da morte, para que um novo
ciclo se inicie. Simboliza a morte da personalidade, do ego e o nascimento da
alma. É a casa de Plutão, correspondente ao deus Hades da mitologia grega,
senhor da morte. Vivemos em ciclos, em constante transformação, entre vidas e
mortes. Nosso corpo de criança adolesce, amadurece e envelhece. Se o curso
natural for seguido, o homem morre quando atinge o máximo de sua competência.
Desaparece quando soma um número imensurável de conhecimento? Fim de ciclo? O
ser humano maduro dá lugar ao jovem por meio da procriação e do repasse de seus
conhecimentos e habilidades; a morte dos mais velhos abre espaço para outras
visões e para o desenvolvimento de novas ideias, muitas vezes baseadas nas
antigas. Esse é o princípio da cultura; o cruzamento de gerações favorece a
transmissão cultural. E é exatamente pelas obras, pelas contribuições para esta
cultura, pelas ideias deixadas no mundo que o individuo se imortaliza. Veja
mais aqui e aqui.
A FORÇA DO DESEJO E DA
PAIXÃO – No livro Kama Sutra (Kamasutram - L&PM,
2013), do filósofo indiano de tradição Carvaka e Lokyata que viveu entre os
séculos IV e Vi aC., Vātsyāyana, trata
é um antigo texto sobre comportamento sexual humano considerado o trabalho
definitivo sobre amor na literatura sânscrita. Kama é a literatura do desejo e
Sutra é o discurso de uma série de aforismo, sendo um padrão para texto
técnico, traduzido como Aforismos sobre o amor. Da obra destaco o trecho sobre
a força do desejo e da paixão: [...] Há
nove tipos de união de acordo com a força da paixão ou do desejo carnal [...]
Diz-se que um homem é de pequena paixão
quando o seu desejo no momento da união sexual não é grande, cujo sêmen é
escasso e que não consegue tolerar os abraços ardentes da mulher. Os que têm
temperamento diferente desse são chamados de homem de média paixão, enquanto os
homens de paixão intensa são cheios de desejo. Da mesma forma, as mulheres
devem demonstrar esses três graus de sensações. Por último, há três tipos de
homens e de mulheres de acordo com o tempo, ou seja, os de tempo curto, os de
tempo moderado e os de tempo longo. Como nas divisões anteriores, há também
nove tipos de união. [...] Pela união
com homens, a luxuria, o desejo ou a paixão de uma mulher são satisfeitos, e o
prazer derivado da consciência do desejo é chamado de satisfação. [...] Pode-se dizer que, se a maneira de agir de
homens e mulheres é diferente, não há motivo para não haver diferença tanto no
prazer que eles sentem quanto no resultado dos seus atos. [...] Quando são mesma natureza, homens e mulheres
sentem o mesmo tipo de prazer; assim o homem deve casar com essa mulher, que o
amará para sempre. Comprovando-se que o prazer de homens e mulheres é do mesmo
tipo, segue-se que, no tocante ao tempo, há nove espécies de ato sexual, da
mesma forma que há nove intensidades conforme a força da paixão. Inúmeros tipos
de união podem existir ao se considerar as combinações possíveis entre os nove
tipos de união de acordo com a dimensão, a força da paixão e o tempo. Por isso,
os homens devem usar os meios adequados para cada tipo específico de união
sexual. Na primeira união sexual, a paixão do homem é intensa e o seu tempo é
curto, mas nas uniões subsequentes no mesmo dia ocorre o inverso. Com a mulher,
acontece o contrário, já que, na primeira vez, a sua paixão é fraca e, por
isso, o seu tempo é longo. Porém, nas relações subsequentes no mesmo dia, a sua
paixão é intensa e o seu tempo é curto, até que a sua paixão seja satisfeita. [...].
Veja mais aqui, aqui e aqui.
ELEGIA: INDO PARA O LEITO
& CONSTÂNCIA FEMININA
– Estre os poemas do poeta, prosador e clérigo inglês John Donne (1572-1631),
destaco inicialmente Elegia:
indo para o leito, traduzido por Augusto de Campos: Vem, dama, vem que eu desafio a paz; até
que eu lute, em luta o corpo jaz. Como o inimigo diante do inimigo, canso-me de
esperar se nunca brigo. Solta esse cinto sideral que vela, céu cintilante, uma
área ainda mais bela. Desata esse corpete constelado, feito para deter o olhar
ousado. Entrega-te ao torpor que se derrama de ti a mim, dizendo: hora da cama.
Tira o espartilho, quero descoberto o que ele guarda quieto, tão de perto. O
corpo que de tuas saias sai é um campo em flor quando a sombra se esvai.
Arranca essa grinalda armada e deixa que cresça o diadema da madeixa. Tira os
sapatos e entra sem receio nesse templo de amor que é o nosso leito. Os anjos
mostram-se num branco véu aos homens. Tu, meu anjo, és como o Céu de Maomé. E
se no branco têm contigo semelhança os espíritos, distingo: o que o meu Anjo
branco põe não é o cabelo mas sim a carne em pé. Deixa que minha mão errante
adentre. Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre. Minha América! Minha terra
a vista, reino de paz, se um homem só a conquista, minha Mina preciosa, meu
império, feliz de quem penetre o teu mistério! Liberto-me ficando teu escravo;
onde cai minha mão, meu selo gravo. nudez total! Todo o prazer provém de um
corpo (como a alma sem corpo) sem vestes. As joias que a mulher ostenta são
como as bolas de ouro de Atalanta: o olho do tolo que uma gema inflama ilude-se
com ela e perde a dama. Como encadernação vistosa, feita para iletrados a
mulher se enfeita; mas ela é um livro místico e somente a alguns (a que tal
graça se consente) é dado lê-la. Eu sou um que sabe; como se diante da
parteira, abre-te: atira, sim, o linho branco fora, nem penitência nem decência
agora. Para ensinar-te eu me desnudo antes: a coberta de um homem te é bastante.
Também o poema Constância feminina: Agora
já me amaste por um dia inteiro. / Amanhã, quando partires, o que dirás? / Irás
antedatar algum voto mais recente? / Ou dizer que, agora, / Já não somos
exactamente os mesmos de antes? / Ou que as juras, feitas por medo reverencial
/ Ao Amor e à sua ira, se podem renegar? / Ou, como veras mortes desligam veros
casamentos, / A imagem destes, os contratos dos amantes / Unem só até que o
sono, imagem da morte, os separe? / Para justificar teus próprios fins, / Tendo
proposto mudança e falsidade, não terás tu / Outro meio senão a falsidade para
seres sincera? / Lunática vã, contra tais evasivas eu poderia / Argumentar e
ganhar, se quisesse, / O que me abstenho de fazer / Porque, amanhã, poderei vir
a pensar como tu. Veja mais aqui , aqui e aqui.
ESPONTANEIDADE &
GERONTODRAMA – No livro Gerontodrama, a velhice em cena: estudos
clínicos e psicodramáticos sobre o envelhecimento e terceira idade (Ágora,
1998), de Elisabeth Maria Sene Costa,
aborda questões atinentes ao conceito etimológico e significado da palavra
velho e similares, envelhecimento e seus conceitos cronológicos, fisiológicos e
pessoal – aspectos biopsicossociais da velhice, gerontodrama, instrumentos,
etapas, recursos psicodramáticos utilizados, teoria da espontaneidade, teoria
sociométrica, expansividade emocional, teoria do papel, entre outros assuntos.
Da obra destaco o trecho da teoria da espontaneidade, criatividade e conserva
cultural: Tanto a saúde do individuo como
a de todo o grupo se devem fundamentalmente, para Moreno, à saúde da
espontaneidade. Para ele, espontaneidade atua no presente, aqui e agora. Embora
seja a mais antiga em termos universais e na evolução, é a força menos
desenvolvida nas pessoas e, frequentemente, inibida e desencorajada pelas
instituições culturais. A espontaneidade, como enfatiza Moreno, não está
concentrada em reservatório; não é quantificável. Ela é (ou não) disponível e
se revela no exato instante em que o individuo dela necessita e de acordo com a
exigência da circunstância. Sua resposta deve variar segundo o grau de
intensidade do estimulo numa escala que vai de zero ao máximo. É a imagem
moreniana da lâmpada que, quando se acende, a tudo ilumina. Se é apagada, todas
as coisas permanecem no mesmo local, mas a qualidade luminosa (espontaneidade)
desaparece. Segundo esse pressuposto não se deveria pensar que a espontaneidade
diminui com o passar dos anos. Entretanto, o que parece ocorrer é que, à medida
que se envelhece, as conservas culturais vão se tornando mais evidentes e com
isso vai havendo, automaticamente, um movimento de restrição ao surgimento da
espontaneidade. É como se não existisse espaço para a sua manifestação,
preenchido pelas conservas. [...]. Veja mais aqui e aqui.
EROS, O DEUS DO AMOR – O premiado drama Eros o deus do amor (1981), dirigido pelo cineasta Walter Hugo Khouri, conta a história de
um paulistano de meia-idade que declara seu amor e ódio pela cidade de São
Paulo. Por intermédio da atual amante, relembra os casos amorosos e as mulheres
que passaram por sua vida: a mãe desejada; a professora de inglês com quem, em
1945, envolveu-se sexualmente; o fascínio de criança por uma jovem líder
comunista; a empregada que cuidava dos cavalos de sua mãe; uma colegial virgem;
a amante masoquista; duas prostitutas; a astrônoma que lhe falou da infinitude
do universo; a japonesa de um bordel da Liberdade e a professora que lhe
instigou o apreço pelas ideias platônicas: “A história de um homem insaciável à
procura do prazer total”. O filme venceu nas categorias de melhor atriz para Norma
Bengell, Renée de Vielmond e Dina Sfat, melhor diretor e melhor filme. Veja
mais aqui. sábado, maio 09, 2015
MARY MELLOR, ANAÏS NIN, ASCENSO, REICH & A SANTA FREIRA
A SANTA FREIRA - Luisa era Maria e atendi o
seu convite ao convento d'Ambrogio, uma instituição de reputação, exclusivamente
feminino habitado por freiras franciscanas. Havia ela assumido o lugar da abadessa
fundadora Mariagna, que havia sido acusada de envolvimentos
espúrios, falsos milagres e rumorosos escândalos, sendo condenada por
obscenidade e santidade fingida. Ela recepcionou-me com um longo vestido preto decotado
que realçavam seus robustos seios, com saia com dois recortes que destacavam suas
coxas abundantes e sensuais, preocupada com a mancha na imagem do Vaticano,
adiantando-se por me explicar que se tratavam de atos espirituais, mas que um falso
padre alcaguete denunciou equivocadamente por lascivos, corroborado pela princesa
duas vezes viuva Katharina, tão pudica quanto fervorosa, a alardear ao inquisidor.
Pura invencionice, um jogo de interesses, um estratagema sobrecarregado de blasfêmias
inescapáveis, que envolviam clérigas e noviças. Estava ela um tanto nervosa, levou-me
à alcova e segredou-me acusações de heresia e outros crimes, o que havia
desestabilizado sua administração e deixando-a encurralada com tal situação. Não
deixei de vê-la estonteantemente exuberante com o frescor dos seus 27 anos,
venerada por todos que sabiam de seus poderes milagrosos, inclusive eu, seu
fiel confidente. Líamos o evangelho de Madalena, discutíamos a liberdade e, também,
sobre a necessidade de evolução humana: amar jamais fora pecado, os religiosos
sectários que, por serem invejosos e infelizes, não aceitavam a felicidade dos
que amava. Pouco importava seu passado sombrio, se ela desafiava os códigos
morais, apenas era o amor e, por isso, fora acusada de envenenamentos, heresias
e outros abusivos crimes dentro do convento. Tudo mentira, mas as consequências
foram explosivas e levaram-na à irreversível queda. O conservadorismo vencia, aplacava
tudo que fosse vida, como sempre. Tentei protegê-la o quanto pude, não era
páreo para poderosos. Fiz o que pude, solidário. E ela desapareceu
sobrecarregada pela incompreensão humana, deixou-me lembranças inesquecíveis: sabia
eu todos os segredos daquela verdadeira santa viva e herege. Veja mais aqui, aqui
& aqui.
DITOS & DESDITOS - Os sonhos são necessários
para a vida... Jogue seus sonhos no espaço como uma pipa, e você não sabe o que
isso trará de volta, uma nova vida, um novo amigo, um novo amor, um novo país...
A posse do conhecimento não mata o sentido de maravilha e mistério. Há sempre
mais mistério... Nós não vemos as coisas como elas são, nós as vemos como nós
somos... Pensamento da escritora francesa Anaïs Nin (1903-1977). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,
aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
ALGUÉM FALOU: Nunca
desperdice uma boa crise...
Pensamento da acadêmica e ativista britânica, Mary Mellor, que no seu
estudo Feminism & Ecology (New York Univerity Press, 1997), ela
expressa que: [...] O ecofeminismo é um movimento que vê uma conexão entre a
exploração e degradação do mundo natural e a subordinação e opressão das
mulheres. Ele surgiu em meados da década de 1970, junto com o feminismo de
segunda onda e o movimento verde. O ecofeminismo reúne elementos dos movimentos
feminista e verde, ao mesmo tempo em que oferece um desafio a ambos. Ele tira
do movimento verde uma preocupação sobre o impacto das atividades humanas no
mundo não humano e do feminismo a visão da humanidade como generificada de
maneiras que subordinam, exploram e oprimem as mulheres. [...]. Já no seu livro Debt or Democracy:
Public Money for Sustainability and Social Justice (Pluto Press, 2015), ela
expressa que: […] Existem dois circuitos monetários nas economias
contemporâneas, um circuito de dinheiro público e um circuito de dinheiro
comercial. Ambos criam e circulam a moeda pública. A diferença entre eles é que
um é baseado em dívida, o outro não. [...] O Estado deixou de ser o
principal criador de dinheiro público para se tornar uma "dona de
casa" suplicante [...].
EU VOLTAREI AO
SOL DA PRIMAVERA – O livro Eu voltarei ao
sol da primavera (Fundação Hermilo Borba Filho/SE-PE/Depto. Cultura, 1985),
do do poeta modernista Ascenso Ferreira
(1895-1956), organizado por Jessiva Sabino de Oliveira, reúne sonetos e outros
poemas do autor, entre os quais destaco Banquete de Beijos (I): Dos beijos ao banquete apaixonado / em
sonhos o amor levou-me um dia. / Ah! Foi tão doce o gozo que eu fruia! / Ah!
Foi tão doce e tão alcandorado, / que me julguei, por certo, transportado / nas
asas do prazer e da alegria / às sublimes regiões onde apoesia / edificou seu
fúlgido reinado. / Na taça do prazer e da ternura, / taça dos lábios cheios de
doçura / de uma donzela, o símbolo do pejo / eu fruia do amor e da paixão / o
néctar, que suaviza o coração / - Supremo néctar que oferece o beijo. (II):
Tudo era puro, santo e sublimado, / em
tudo se notava essa magia / tão suave, que ao meu ver só existia / no céu
deista tão glorificado. / Muitos convivas via do meu lado / no meio da puraza
desta orgia / também sorvendo o néctar que eu sorvia, / - Néctar do amor, nos
beijos encarnado. / Sim, foi tão doce, tão divina e pura / deste meu sonho a
mágica ventura / que de outra igual jamais eu tive ensejo. / Sim; foi tão doce
a minha sensação, / que eu inda guardo a sã recordação / desse banquete mágico
de beijos. Também o seu Estrelas é meritório de destaque: Em mil constelações, estrelas luminosas /
espagerm-se no céu a brilhar, a brilhar... / Reflete-se em meu dorso o
portentoso mar, / que na praia desfaz-se em ondas espumosas. / Sentindo o
perpassar das brisas rumorosas / e as estrelas fitado, eu começo a exclamar: /
“Quem m´as dera a prender! Quem m´as dera pegar! / Ao menos conseguir uma entre
as mais formosas! / Ouvindo-me falar, diria alguém assim: / “P´ra que queres
pegar uma estrela formosa? Não vês que elas de nós estão léguas sem fim?” / Mas
eu responderia: “Eu quisera prendê-las / somente p´ra adornar a fronte luminosa
/ de uma Estrela terra, estrela entre as estrelas”. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,
aqui e aqui.
O ORGASMO DE
ESPERANTINA
– Numa cidade da região Norte do Piauí, no Baixo Parnaíba, distante 180
quilômetros da capital, denominada Esperantina, que desde 1943 deixou de ser Boa Esperança, há uma comemoração para lá de ótima. A população esperantinense, segundo IBGE 2010, de 37.765 habitantes, comemora no
dia de hoje o seu Dia do Orgasmo, depois que uma lei municipal decretou: “Fome
Zero, Orgasmo Dez”. Imagino como será a comemoração! U-hu! O Piauí já é
quente, dá pra sentir o calor na bacorinha. O projeto do vereador proposto no
início dos anos 2000, virou polêmica na cidade, ganhando as páginas dos
principais jornais do Brasil. Instado pela imprensa nacional, o vereador
informou que o propósito de tal comemoração é levar a educação sexual a todos
os recantos da cidade. Como o poeta Manuel Bandeira queria ir pra Pasárgada, eu
que sou um poeta menor tão ínfimo bem miúdo, quero é ir pra Esperantina! Veja
mais aqui.
A FUNÇÃO DO
ORGASMO – O
livro A função do orgasmo: problemas
econômico-sexuais da energia biológica (Brasiliense, 1975), do médico,
psicanalista e cientista natural Wilhelm
Reich (1897-1957), trata da descoberta do orgônio, a biologia e a sexologia
antes de Freud, Peer Gynt, lacunas na psicologia e na teoria do sexo, o prazer
e o instinto, sexualidade genital e não genital, fundação do seminário de
técnica psicanalítica de Viena, dificuldades psiquiátricas e psicanalíticas na
compreensão da enfermidade psíquica, o desenvolvimento da teoria do orgasmo,
suplemente a ideia freudiana da neurose de angustica, potência orgástica, a
extase sexual: fonte de energia das neuroses, análise do caráter, dificuldades
e contradições, a economia sexual da angústica neurótica, a couraça do caráter
e a estratificação dinâmica dos mecanismos de defesa, destruição, agressão,
sadismo, o caráter genital e o caráter neurótico, o principio de
auto-regulagem, revolução biológica abortada, a higiene mental e o problema da
cultura, origem social da repressão, o irracionalismo fascista, a irrupção no
campo biológico, a solução do problema do masoquismo, o funcionamento de uma
bexiga viva, a antítese funcional de sexualidade e angustia, energia
biopsiquica, a fórmula do orgasmo, a tensão, a carga, descarga, relaxação,
prazer (expansão) e angustia (contração), antítese principal da vida
vegetativa, o reflexo do orgasmo e a técnica da vegetoterapia de análise do
caráter, a atitude muscular e a expressão corporal, a tensão abdominal, o
reflexo do orgasmo, o estabelecimento da respiração natural, a mobilização da
pélvis morta, enfermidades psicossomáticas típicas e resultados da
simpaticotonia crônica, psicanalise e biogênese, a função bioelétrica do prazer
e da angustia, solução teórica do conflito entre mecanismo e vitalismo, a
energia biológica é energia do orgônio atmosférico (cósmico). Da obra destaco o
seguinte trecho: [...] Até 1923, ano em que nasceu a teoria do
orgasmo, apenas as potências ejaculativa e eretiva eram conhecidas da sexologia
e dos psicanalistas. Sem a inclusão dos componentes funcionais, econômicos e
experimentais, o conceito de potência sexual não teria existido. Potência
eretiva e ejaculativa eram apenas pré-condições indispensáveis da potência
orgástica. Potência orgástica é a capacidade
de abandonar-se, livre de quaisquer inibições, ao fluxo de energia biológica; a
capacidade de descarregar completamente a excitação sexual reprimida, por meio
de involuntárias e agradáveis convulsões do corpo.
Tudo
acontece espontaneamente com base nas experiências de anteprazer
individualmente diferentes, por uma mudança de posição, pela natureza da
fricção, pelo ritmo, etc. Segundo a maior parte dos homens e mulheres potentes,
quanto mais lentas e delicadas são as fricções, e mais estreitamente sincronizadas,
mais intensas são as sensações de prazer. Isso pressupõe um alto grau da
afinidade entre o homem e a mulher. Um correspondente patológico disso é o
desejo de fazer fricções violentas, especialmente pronunciado nos caracteres
sádicos compulsivos que sofrem de anestesia do pênis e da incapacidade de
descarregar o sêmen. Outro exemplo é a pressa nervosa dos que sofrem de
ejaculações prematuras. Os homens e mulheres orgasticamente potentes nunca riem
ou falam durante o ato sexual exceto, possivelmente, para trocar palavras de
carinho. Falar e rir indicam sérias perturbações da capacidade de entregar-se;
entregar-se pressupõe completa concentração na ondulante sensação de prazer. Os
homens que sentem o entregar-se como "feminino" são sempre orgasticamente
perturbados. 5. Nesta fase, a interrupção da fricção é em si mesma agradável
por causa das sensações especiais de prazer que acompanham essa pausa, e não
exigem esforço psíquico. Dessa forma, prolonga-se o ato. A excitação diminui um
pouco durante a pausa. Não desaparece inteiramente, entretanto, como nos casos
patológicos. A interrupção do ato sexual pela retração do pênis não é desagradável
na medida em que ocorra após uma pausa tranqüila. Ao continuar a fricção, a
excitação aumenta firmemente além do nível anteriormente atingido. Toma
gradualmente, mais e mais, posse do
corpo inteiro, enquanto o próprio genital mantém um nível mais ou menos
constante de excitação. Finalmente, como resultado de um novo aumento
habitualmente repentino de excitação genital, inicia-se a fase de contração
muscular involuntária. Fase de
contrações musculares involuntárias 6. Nesta fase, o controle voluntário
do desenvolvimento da excitação não é mais possível. Apresenta os seguintes
traços característicos: a) O aumento da excitação não pode mais ser controlado;
antes, a excitação domina a personalidade total e causa uma aceleração do pulso
e uma exalação profunda. b) A excitação física torna-se cada vez mais
concentrada no genital; ocorre uma suave sensação que se pode descrever melhor
como um eflúvio de excitação do genital para outras partes do corpo. c) Em
primeiro lugar, essa excitação causa contrações involuntárias de toda a
musculatura das regiões genital e pélvica. Essas contrações se experimentam sob
a forma de ondas: a elevação da onda coincide com a total penetração do pênis,
enquanto a descida da onda coincide com a retração do pênis. Mas logo que a
retração ultrapassa um certo limite, ocorrem imediatamente contrações espasmódicas,
que aceleram a ejaculação. Na mulher é a musculatura lisa da vagina que se
contrai. d) Neste estágio, a interrupção do ato é totalmente desagradável,
tanto para o homem como para a mulher. Havendo interrupção, as contrações
musculares que levam ao orgasmo na mulher e à ejaculação no homem são
espasmódicas em vez de rítmicas. As sensações causadas são sumamente desagradáveis
e, 'ocasionalmente, sentem-se dores nas regiões pélvica e sacra. Além do mais,
como resultado do espasmo, a ejaculação ocorre mais cedo que no caso do ritmo
imperturbado. A prolongação voluntária da primeira fase do ato sexual (1 a 5)
não é dolorosa quando levada até um certo ponto, e tem um efeito intensificador
do prazer. 
ORGAZMO – A comédia
Orgazmo (1997), escrito e dirigido por Trey Park e produzido por Matt Stone que
mais tarde vão criar a série animada South Park, conta a história de um
missionário mórmon que encontra hostilidade para realizar seu trabalho
religioso, até encontrar um diretor pornô desprezível, finda contratado para estrelar
no papel principal de um super-herói pornográfico. Nessa hora entra em choque o
milionário salário e a sua fé religiosa, enquanto se vê famoso com sucesso
surpreendente. Veja mais aqui.GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS
Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM . Fábula dos embeiçados desavindos... ...
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