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quarta-feira, novembro 18, 2015

DONNE, VĀTSYĀYANA, MALFATTI, ALAN MOORE, BURNOUT, GERONTODRAMA, KAMA SUTRA & ORGASMO!!!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? SÍNDROME DE BURNOUT & O PROFESSOR – Um dos fenômenos que tem causado maiores prejuízos aos trabalhadores é a Síndrome de Burnout, enfermidade resultante das adversidades estressoras que acometem todo aquele no desempenho de suas atividades profissionais, não poupando o trabalho árduo e persistente de professores no âmbito escolar. Descoberta nos anos de 1970, pelo psicólogo estadunidense Herbert Freudenberg, ao descrever como consequência de excesso de expectativas e alto nível de estresse sofrido por profissionais que se envolviam no atendimento de terceiros, sendo identificada como uma reação orgânica às pressões incidentes nas relações e atividades trabalhistas. Ela aparece quando o profissional se sente pressionado, levando-o a sentir-se vazio e exausto, até chegar ao esgotamento psicológico, impedindo de lidar com as atividades laborais. Entre os seus sintomas estão o estresse, queda de cabelo, dor de estomago, enxaqueca, sudorese, taquicardia, palpitações, medo, condição arredia, angústia, apatia, úlcera, hipertensão, dores de cabeça, insônia, consumo exagerado de medicamentos e álcool, e sensação de impotência para realização da atividade laboral. Entre os problemas mais constantes para os acometidos pela enfermidade estão aqueles de natureza cognitiva, acrescidos de queda no desempenho, problemas de relações interpessoais que levam ao retraimento, a ausência de cuidados pessoais, as preocupações com o trabalho fora dele, satisfação reduzida, entre outros problemas de saúde oriundos do estresse crônico, como complicações digestivas e intestinais, problemas cardíacos, obesidade e depressão. Um sinal marcante dessa doença é a falta de motivação que ocorre quando não há mais entusiasmo para realização de suas atividades, apresentando-se desmotivado e sem forças para enfrentar suas atribuições, além de frustração, cinismo e emoções negativas. Entre as categorias profissionais mais atacadas por essa síndrome estão os professores pelas interações individuais com o seu ambiente de trabalho, incluindo nessas variáveis a experiência de maior número de alunos com diferentes condições de ensino-aprendizagem, passando a ser o trabalho de alta exigência com baixa possibilidade de controle, altas expectativas de resultados e incidência de fracasso do público assistido. A escola precisa desenvolver fatores de proteção e promover entre os docentes estratégias de prevenção que envolvam atividades de relaxamento, meditação, dormir suficiente, exercícios físicos e caminhadas, lazer, leituras, atividades voluntárias e culinárias, tempo livre para o ócio criativo, entre outras recomendações. Dessa forma, faz-se necessário combater a exaustão e o esgotamento, a perda de estímulo e a desmotivação, a baixa realização e o fracasso profissional, esses os sintomas principais dos vitimados pela Síndrome de Burnout. Nesse sentido, a escola pode desempenhar um papel fundamental de forma preventiva e promovendo a melhoria da qualidade de vida de seus professores, tornando o ambiente profissional mais qualitativo, harmonioso e integrando profissionais docentes e não docentes, corroborando a realização de treinamentos e debates com todos, investindo na qualificação e na infraestrutura, facilitando a comunicação entre os obreiros e reconhecendo a qualidade do corpo discente. Veja mais aqui e aqui.

 Imagem: Nu com jarro, da pintora, desenhista, gravadora e professora Anita Malfatti (1889-1964). Veja mais aqui.


Curtindo A Frog He Went A-Courting (1941) / Sonata for Solo Cello op. 25 nº 3 (1922) / Three Pieces for Cello & Piano op. 8 (1917) / Sonata for Cello & Piano op. 11 no. 3 (1919), do compositor alemão Paul Hindemith, com Judith Ermert (cello), Daan Vandewalle (piano).

ORGASMO – O livro O lado obscuro e tentador do sexo (Ágora, 2004), da jornalista e educadora sexual Patrícia do Espírito Santo, trata de temas como a virtude e o pecado, o sagrado e o profano, o erótico e o macabro, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho Orgasmo: Os franceses chamam o orgasmo de la petit mort – a pequena morte. Isso tem um motivo. Cada um tem seu jeito de chegar ao ápice do prazer. Existem muitas fantasias sobre seus efeitos e informações distorcidas de como deve acontecer. A intensidade, a frequência e as sensações decorrentes dele dependem de cada um, da relação com o parceiro, do tesão, da visão que se tem do sexo. Mas o que associa a sensação do orgasmo à sensação da morte é o fato de que ao se alcançar a plenitude do sexo, tudo pode terminar: nada mais falta, nada mais importa. É o êxtase. A astrologia traz também uma ideia similar. A casa oito, é a casa da morte, da crise, das transformações e ainda do sexo. O sexo é a porta para a união cósmica, o meio de se chegar à libertação, à união com o amado, seja ele a vida, o deus, o mestre sem fronteiras. É onde há a integração de um com o outro, por isso ela tem a ver com a relação sexual. É nela que o relacionamento se aprofunda ou morre, onde os valores podem ser transformados e muitas vezes precisam ser destruídos. É um local de intensidade e poder. Por isso é a casa da morte, para que um novo ciclo se inicie. Simboliza a morte da personalidade, do ego e o nascimento da alma. É a casa de Plutão, correspondente ao deus Hades da mitologia grega, senhor da morte. Vivemos em ciclos, em constante transformação, entre vidas e mortes. Nosso corpo de criança adolesce, amadurece e envelhece. Se o curso natural for seguido, o homem morre quando atinge o máximo de sua competência. Desaparece quando soma um número imensurável de conhecimento? Fim de ciclo? O ser humano maduro dá lugar ao jovem por meio da procriação e do repasse de seus conhecimentos e habilidades; a morte dos mais velhos abre espaço para outras visões e para o desenvolvimento de novas ideias, muitas vezes baseadas nas antigas. Esse é o princípio da cultura; o cruzamento de gerações favorece a transmissão cultural. E é exatamente pelas obras, pelas contribuições para esta cultura, pelas ideias deixadas no mundo que o individuo se imortaliza. Veja mais aqui e aqui.

A FORÇA DO DESEJO E DA PAIXÃO – No livro Kama Sutra (Kamasutram - L&PM, 2013), do filósofo indiano de tradição Carvaka e Lokyata que viveu entre os séculos IV e Vi aC., Vātsyāyana, trata é um antigo texto sobre comportamento sexual humano considerado o trabalho definitivo sobre amor na literatura sânscrita. Kama é a literatura do desejo e Sutra é o discurso de uma série de aforismo, sendo um padrão para texto técnico, traduzido como Aforismos sobre o amor. Da obra destaco o trecho sobre a força do desejo e da paixão: [...] Há nove tipos de união de acordo com a força da paixão ou do desejo carnal [...] Diz-se que um homem é de pequena paixão quando o seu desejo no momento da união sexual não é grande, cujo sêmen é escasso e que não consegue tolerar os abraços ardentes da mulher. Os que têm temperamento diferente desse são chamados de homem de média paixão, enquanto os homens de paixão intensa são cheios de desejo. Da mesma forma, as mulheres devem demonstrar esses três graus de sensações. Por último, há três tipos de homens e de mulheres de acordo com o tempo, ou seja, os de tempo curto, os de tempo moderado e os de tempo longo. Como nas divisões anteriores, há também nove tipos de união. [...] Pela união com homens, a luxuria, o desejo ou a paixão de uma mulher são satisfeitos, e o prazer derivado da consciência do desejo é chamado de satisfação. [...] Pode-se dizer que, se a maneira de agir de homens e mulheres é diferente, não há motivo para não haver diferença tanto no prazer que eles sentem quanto no resultado dos seus atos. [...] Quando são mesma natureza, homens e mulheres sentem o mesmo tipo de prazer; assim o homem deve casar com essa mulher, que o amará para sempre. Comprovando-se que o prazer de homens e mulheres é do mesmo tipo, segue-se que, no tocante ao tempo, há nove espécies de ato sexual, da mesma forma que há nove intensidades conforme a força da paixão. Inúmeros tipos de união podem existir ao se considerar as combinações possíveis entre os nove tipos de união de acordo com a dimensão, a força da paixão e o tempo. Por isso, os homens devem usar os meios adequados para cada tipo específico de união sexual. Na primeira união sexual, a paixão do homem é intensa e o seu tempo é curto, mas nas uniões subsequentes no mesmo dia ocorre o inverso. Com a mulher, acontece o contrário, já que, na primeira vez, a sua paixão é fraca e, por isso, o seu tempo é longo. Porém, nas relações subsequentes no mesmo dia, a sua paixão é intensa e o seu tempo é curto, até que a sua paixão seja satisfeita. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

ELEGIA: INDO PARA O LEITO & CONSTÂNCIA FEMININA – Estre os poemas do poeta, prosador e clérigo inglês John Donne (1572-1631), destaco inicialmente Elegia: indo para o leito, traduzido por Augusto de Campos: Vem, dama, vem que eu desafio a paz; até que eu lute, em luta o corpo jaz. Como o inimigo diante do inimigo, canso-me de esperar se nunca brigo. Solta esse cinto sideral que vela, céu cintilante, uma área ainda mais bela. Desata esse corpete constelado, feito para deter o olhar ousado. Entrega-te ao torpor que se derrama de ti a mim, dizendo: hora da cama. Tira o espartilho, quero descoberto o que ele guarda quieto, tão de perto. O corpo que de tuas saias sai é um campo em flor quando a sombra se esvai. Arranca essa grinalda armada e deixa que cresça o diadema da madeixa. Tira os sapatos e entra sem receio nesse templo de amor que é o nosso leito. Os anjos mostram-se num branco véu aos homens. Tu, meu anjo, és como o Céu de Maomé. E se no branco têm contigo semelhança os espíritos, distingo: o que o meu Anjo branco põe não é o cabelo mas sim a carne em pé. Deixa que minha mão errante adentre. Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre. Minha América! Minha terra a vista, reino de paz, se um homem só a conquista, minha Mina preciosa, meu império, feliz de quem penetre o teu mistério! Liberto-me ficando teu escravo; onde cai minha mão, meu selo gravo. nudez total! Todo o prazer provém de um corpo (como a alma sem corpo) sem vestes. As joias que a mulher ostenta são como as bolas de ouro de Atalanta: o olho do tolo que uma gema inflama ilude-se com ela e perde a dama. Como encadernação vistosa, feita para iletrados a mulher se enfeita; mas ela é um livro místico e somente a alguns (a que tal graça se consente) é dado lê-la. Eu sou um que sabe; como se diante da parteira, abre-te: atira, sim, o linho branco fora, nem penitência nem decência agora. Para ensinar-te eu me desnudo antes: a coberta de um homem te é bastante. Também o poema Constância feminina: Agora já me amaste por um dia inteiro. / Amanhã, quando partires, o que dirás? / Irás antedatar algum voto mais recente? / Ou dizer que, agora, / Já não somos exactamente os mesmos de antes? / Ou que as juras, feitas por medo reverencial / Ao Amor e à sua ira, se podem renegar? / Ou, como veras mortes desligam veros casamentos, / A imagem destes, os contratos dos amantes / Unem só até que o sono, imagem da morte, os separe? / Para justificar teus próprios fins, / Tendo proposto mudança e falsidade, não terás tu / Outro meio senão a falsidade para seres sincera? / Lunática vã, contra tais evasivas eu poderia / Argumentar e ganhar, se quisesse, / O que me abstenho de fazer / Porque, amanhã, poderei vir a pensar como tu. Veja mais aqui , aqui e aqui.

ESPONTANEIDADE & GERONTODRAMA – No livro Gerontodrama, a velhice em cena: estudos clínicos e psicodramáticos sobre o envelhecimento e terceira idade (Ágora, 1998), de Elisabeth Maria Sene Costa, aborda questões atinentes ao conceito etimológico e significado da palavra velho e similares, envelhecimento e seus conceitos cronológicos, fisiológicos e pessoal – aspectos biopsicossociais da velhice, gerontodrama, instrumentos, etapas, recursos psicodramáticos utilizados, teoria da espontaneidade, teoria sociométrica, expansividade emocional, teoria do papel, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho da teoria da espontaneidade, criatividade e conserva cultural: Tanto a saúde do individuo como a de todo o grupo se devem fundamentalmente, para Moreno, à saúde da espontaneidade. Para ele, espontaneidade atua no presente, aqui e agora. Embora seja a mais antiga em termos universais e na evolução, é a força menos desenvolvida nas pessoas e, frequentemente, inibida e desencorajada pelas instituições culturais. A espontaneidade, como enfatiza Moreno, não está concentrada em reservatório; não é quantificável. Ela é (ou não) disponível e se revela no exato instante em que o individuo dela necessita e de acordo com a exigência da circunstância. Sua resposta deve variar segundo o grau de intensidade do estimulo numa escala que vai de zero ao máximo. É a imagem moreniana da lâmpada que, quando se acende, a tudo ilumina. Se é apagada, todas as coisas permanecem no mesmo local, mas a qualidade luminosa (espontaneidade) desaparece. Segundo esse pressuposto não se deveria pensar que a espontaneidade diminui com o passar dos anos. Entretanto, o que parece ocorrer é que, à medida que se envelhece, as conservas culturais vão se tornando mais evidentes e com isso vai havendo, automaticamente, um movimento de restrição ao surgimento da espontaneidade. É como se não existisse espaço para a sua manifestação, preenchido pelas conservas. [...]. Veja mais aqui e aqui.

EROS, O DEUS DO AMOR – O premiado drama Eros o deus do amor (1981), dirigido pelo cineasta Walter Hugo Khouri, conta a história de um paulistano de meia-idade que declara seu amor e ódio pela cidade de São Paulo. Por intermédio da atual amante, relembra os casos amorosos e as mulheres que passaram por sua vida: a mãe desejada; a professora de inglês com quem, em 1945, envolveu-se sexualmente; o fascínio de criança por uma jovem líder comunista; a empregada que cuidava dos cavalos de sua mãe; uma colegial virgem; a amante masoquista; duas prostitutas; a astrônoma que lhe falou da infinitude do universo; a japonesa de um bordel da Liberdade e a professora que lhe instigou o apreço pelas ideias platônicas: “A história de um homem insaciável à procura do prazer total”. O filme venceu nas categorias de melhor atriz para Norma Bengell, Renée de Vielmond e Dina Sfat, melhor diretor e melhor filme. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escritor e quadrinista britânico Alan Moore. 
Veja mais aqui.


sábado, julho 25, 2015

BAUMAN, FLAUBERT, MALFATTI, BAUDELAIRE, RAMEAU, ARISTÓFANES, MESSALINA, ALAN MOORE, ZAMAZAL & DIA FORA DO TEMPO!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? O DIA FORA DO TEMPO – Amanheceu. Era vinte e cinco de julho dos meus calendários tzolkin e haab. Naquele instante entoei vinte vezes o Hino de Akhenaton. Depois me sentei, ereto, mãos sobre as coxas, e contemplei os primeiros raios que emergiam da aurora rósea, o espetáculo dos primeiros sinais da manhã. E fechei os olhos para viver aquele momento. Logo percebi a aproximação dos invisíveis sábios que se formavam diante de mim e ao meu lado. Um deles empunhava o Popol-vuh, o Códice de Dresde e a lição de cinquenta e dois anos num gnômon que trazia a indicação do cômputo numerado do tempo no zero, uma data origem da última entre as quatro Criações do Mundo. Pude perceber um cenário que emergia por meio de figuras geométricas que se formavam como círculos, algarismos que sinalizam o tempo galáctico, cifras expressando ciclos lineares e aspectos multidimensionais, datas, lunações, eclipses, o ritmo das estações, ângulos cambiantes, triangulações, mensuração de sombras. Nessas imagens formadas, havia uma mensagem subjacente que pude interpretar nas ameias heliocoidais, trazendo as determinações de solstícios e equinócios, revelando o cumprimento de lavrar, semear, colher nos períodos propícios e favoráveis. Foi quando uma Luz Cósmica iluminou sobre o tempo e a existência humana. Ao lado surgiu a Lua Planetária Vermelha e ouvi uma voz inaudível num idioma insólito que me falava à compreensão: os dias são seres vivos e patrocinados por um deus de natureza dupla. Ao entender isso, logo vi a estrela do Pastor – a primeira a luzir, a última a se pagar. E era como se eu visse o tempo transportado para o futuro, por deuses que se revezavam e se substituíam uns aos outros por turnos no governo do mundo: o dia sucedendo a noite. E cada um deles, por sua vez, tomava às costas o fardo do tempo preso por uma cilha frontal. E ao final do turno cedia a outro deus noturno e assim por diante. Foi quando pude ver os treze deuses que reinam cada mês: a estela D de Copan com inscrições sobre baktuns, katuns, tuns, uinal, kines. Outra voz me explicava sobre pintun, kalabtun e kicliltun dos períodos venusianos. Eu não os ouvia, mas sabia o que falavam. Nesse momento tive a compreensão de que o Sol no inverno se posiciona mais ao sul; no verão, mais ao norte. Logo outra voz inaudita me alertava para os cinco dias epagômenos: o uayeb - dias que requerem abstinência. E de repente surgiu um painel numa cripta insculpida em alto-relevo com os nove Senhores das Trevas e da morte em volta de um sarcófago. Fiquei impressionado e fui puxado por um deles para um pequeno templo com estranhos tampões circulares de pedra e que estava encaixado entre ladrilhos triangulares, pelo qual me conduziram a um dintel com um deus surgindo da goela de uma serpente, ameaçando com seu dardo o suplicante acocorado diante dele. E fui conduzido para um vão no qual dei no primeiro degrau de uma escada íngreme que findava num salão com estatuetas coroplásticas de Jaina, monumentos de estelas de Quiriga e Copan, painéis e dintéis de Yaxchilan, Palenque e Piedras Negras e, no topo da pirâmide de E-VIII de Uaxactun, vinhetas dos códices empoleiradas sobre outras pirâmides que ficavam embaixo de um dossel protetor com dois bastões cruzados erguidos e ladeados por tubos ocos de jade. No centro, um ladrilho na cripta do grande halach uinic, onde um jovem jazia, de perfil, sentado sobre a enorme cabeça de um monstro, e do seu corpo brotava verticalmente uma árvore da vida, encimada por um pássaro quetzal de assas abertas. Era a lição: pela noite volta-se à terra para ressurgir um dia, como o grão de milho é enterrado para dar uma planta e um novo fruto. Aí surgiu o Arco-Íris da Terra. (O dia fora do tempo, Luiz Alberto Machado). Veja mais aqui.

Anita Malfatti (1889-1964).


Curtindo a ópera e héroique ballet Les Indes Galantes (O Amorous Índias, 1735), do compositor do período Barroco-Rococó e maior expressão do Classicismo musical francês Jean-Philippe Rameau (1683-1764), com libreto de Louis Fuzelier, original harpsichord transcritions performed by Kenneth Gilbert.

VIDA PARA CONSUMO – O livro Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadorias (Zahar, 2008), do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, aborda temas como o segredo mais bem guardado da sociedade de consumidores, consumismo versus consumo, sociedade de consumidores, cultura consumista e baixas colaterais do consumismo, entre outros assuntos, traz trechos significativos para nossa reflexão: [...] Os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis são apenas aprendizes treinando e treinados na arte de viver numa sociedade confessional – uma sociedade notória por eliminar a fronteira que antes separava o privado e o público, por transformar o ato de expor publicamente o privado numa virtude e num dever públicos, e por afastar da comunicação pública qualquer coisa que resista a ser reduzida a confidências privadas, assim como aqueles que se recusam a confidenciá-las. Como Jim Gamble, diretor de uma agência de monitoramento de rede, admitiu ao Guardian, “ela representa tudo aquilo que se vê no playground – a única diferença é que nesse playground não há professores, policiais ou moderadores que ficam de olho no que se passa”. [...] Os colegiais de ambos os sexos que expõem suas qualidades com avidez e entusiasmo na esperança de atrair a atenção para eles e, quem sabe, obter o reconhecimento e a aprovação exigidos para permanecer no jogo da sociabilidade; os clientes potenciais com necessidade de ampliar seus registros de gastos e limites de crédito para obter um serviço melhor; os pretensos imigrantes lutando para acumular pontuação, como prova da existência de uma demanda por seus serviços, para que seus requerimentos sejam levados em consideração – todas as três categorias de pessoas, aparentemente tão distintas, são aliciadas, estimuladas ou forçadas a promover uma mercadoria atraente e desejável. Para tanto, fazem o máximo possível e usam os melhores recursos que têm à disposição para aumentar o valor de mercado dos produtos que estão vendendo. E os produtos que são encorajadas a colocar no mercado, promover e vender são elas mesmas. São, ao mesmo tempo, os promotores das mercadorias e as mercadorias que promovem. São, simultaneamente, o produto e seus agentes de marketing, os bens e seus vendedores (e permitam-me acrescentar que qualquer acadêmico que já se inscreveu para um emprego como docente ou para receber fundos de pesquisa vai reconhecer suas próprias dificuldades nessa experiência). Seja lá qual for o nicho em que possam ser encaixados pelos construtores de tabelas estatísticas, todos habitam o mesmo espaço social conhecido como mercado. Não importa a rubrica sob a qual sejam classificados por arquivistas do governo ou jornalistas investigativos, a atividade em que todos estão engajados (por escolha, necessidade ou, o que é mais comum, ambas) é o marketing. O teste em que precisam passar para obter os prêmios sociais que ambicionam exige que remodelem a si mesmos como mercadorias, ou seja, como produtos que são capazes de obter atenção e atrair demanda e fregueses [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

SALAMBÔ – O romance histórico Salambô (1862 - Chardon, 1905), do escritor francês Gustave Flaubert (1821-1880), trata-se de uma vigem pura consagrada ao culto da deusa Tanit, filha do célebre conquistador cartaginês, Amícar Barca, que durante as primeiras Guerras Púnicas, recorreu à contratação de enormes contingentes de soldados mercenários que, ao final das batalhas, rebelaram-se atacando a colônia africana dos fenícios. Entre os mercenários, um deles Mâtho, se apaixona pela princesa e, movido pela paixão desenfreada, penetra ocultamente na cidade e rouba o Zaimph – o manto sagrado da deusa, o qual nenhuma mortal poderia tocar. Quando Amilcar retorna, tem-se inicio uma série de batalhas, entre as quais, Salambô seguiu com o intuito de recuperar o objeto divino, seguindo para a tenda do chefe revoltoso que desfalece ao estar diante da presença inusitada da amada. Ela retorna com o manto, se apaixonando pelo mercenário que é condenado à morte por lapidação durante os festejos de núpcias, levando-a também a falecer. Da obra destaco o trecho a seguir: [...] Em redor do aposento estavam dispostos escabelos de ébano. Atrás de cada um, uma haste de bronze assente em três garras erguia um archote. Todas aquelas luzes se refletiam nos losangos de nácar que pavimentavam a sala. Esta era tão alta que a cor vermelha das paredes, subindo para a abóbada, se tornava negra e os olhos do ídolo surgiam lá no alto, como estrelas meio perdidas na noite. Os Anciãos, tendo deitado sobre a cabeça a cauda da túnica, sentaram-se nos escabelos de ébano. Permaneciam imóveis, com as sua mãos cruzadas dentro das largas mangas, e o lajedo de nácar parecia um rio luminoso que, do altar em direção à porta, lhes corria sob pés descalços. Os quatro pontífices estavam no meio, costas com costas, em quatro assentos de marfim que formavam uma cruz: o sumo sacerdote de Eschmun com uma toga cor de jacinto, o sumo sacerdote de Tanit com uma toga de linho branco, o sumo sacerdote de Khamon com uma toga de lã fulva e o sumo sacerdote de Moloch com uma cor púrpura. Amilcar avançou com o candelabro. Andou à volta dele observando os pavios que ardiam, e depois lançou sobre eles um pó perfumado; surgiram umas chamas violetas nas extremidades dos braços. Levantou-se então uma voz aguda, outra respondeu-lhe – e os cem Anciãos, os quatro pontífices, e Amilcar de pé, todos ao mesmo tempo entoaram um hino; e, sempre repetindo as mesmas sílabas e reforçando os sons, as suas vozes subiram, estilhaçaram-se, tornaram-se terríveis até que, de repente, se calaram.Esperaram algum tempo. Por fim, Amílcar tirou do peito uma pequena estatueta com três cabeças, azul como safira, e pousou-a à sua frente. Era a imagem da Verdade, o próprio génio da sua palavra. [...] A obra foi transformada em ópera, primeiro em 1890, pelo francês Ernest Reyer; segundo, em 1863, pelo compositor russo Modest Mussorgsky; e, por fim, em 1998, pelo contemporâneo Philippe Fénelon. Ganhou uma escultura em 1899, pelas mãos do escultor francês Desiré Maurice Ferrary (1852-1904). Teve, ainda, duas versões cinematográficas, a primeira em 1925, com direção do francês Pierre Marodon e estrelado por Jeanne de Balzac; e a segunda, em 1960, dirigido por Sérgio Grieco e estrelado por Jeanne Valérie. Também ganhou uma versão para os quadrinhos, em 1980, pela arte de Philippe Druillet, levando a história para ficção científica. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

HINO À BELEZA, UMA MALABARENSE & BERTA – No livro As flores do mal (1857), do poeta boêmio e teórico da arte francesa, Charles Baudelaire (1821-1867), encontro, primeiramente, o Hino à beleza: Vens tu do céu profundo ou sais do precipício, / Beleza? Teu olhar, divino mas daninho, / Confusamente verte o bem e o malefício, / E pode-se por isso comparar-te ao vinho. / Em teus olhos refletes toda a luz diuturna; / Lanças perfumes como a noite tempestuosa; / Teus beijos são um filtro e tua boca uma urna / Que torna o herói covarde e a criança corajosa. / Provéns do negro abismo ou da esfera infinita? / Como um cão te acompanha a Fortuna encantada; / Semeias ao acaso a alegria e a desdita / E altiva segues sem jamais responder nada. / Calcando mortos vais, Beleza, a escarnece-los; / Em teu escrínio o Horror é a jóia que cintila, / E o Crime, esse berloque que te aguça os zelos, / Sobre teu ventre em amorosa dança oscila. / A mariposa voa ao teu encontro, ó vela, / Freme, inflama-se e diz: “Ó clarão abençoado!” / O arfante namorado aos pés de sua bela / Recorda um moribundo ao túmulo abraçado. / Que venhas lá do céu ou do inferno, que importa, / Beleza! Ó monstro ingênuo, gigantesco e horrendo! / Se teu olhar, teu riso, teus pés me abrem a porta / De um infinito que amo e que jamais desvendo? / De Satã ou de Deus, que importa? Anjo ou Sereia, / Que importa, se é quem fazes – fada de olhos suaves, / Ó rainha de luz, perfume e ritmo cheia! – / Mais humano o universo e as horas menos graves? Também A uma malabarense: Teus pés são finos como as tuas mãos, e a anca / Roliça causa inveja à mais graciosa braca; / Teu corpo suave eterno o artista ao sonho impele; / Teus olhos negros são mais negros do que a pela. / No país quente a azul que te serviu de limbo, / Teu oficio é acender de teu amo o cachimbo, / Os cântaros prover de águas frescas e odores, / Do leito por em fuga insetos zumbidores, / E, mal a aurora põe o plátano a cantar, / Comprar bananas e ananáses no bazar. / Todos os dias, pés descalços, vais andando / E antigas árias nunca ouvidas murmurando; / E quando a tarde faz do céu uma fogueira, / Repousas docemente o corpo numa esteira, / Com sonhos a flutuar, cheios de colibris, / E sempre, como tu, floridos e gentis. / Porque, menina, queres ver a nossa / França, País rico de gente e pobre de esperança, / E, confiando a existência aos rudes marinheiros, / Dizer adeusa os teus sensuais tamarineiros? / Tu, seminua, envolta em musselina leve, / Toda trêmula além, sob o granizo e a neve, / Como lamentarias os teus ócios francos, / Se, o corpete brutal a constranger-te os flancos, / Fosses buscar o teu sustento em nossas lamas / E vender o perfume estranho que derramas, / O olhar absorto, perscrutando em meio aos miasmas, / Dos coqueirais ao longe os pálidos fantasmas! Por fim, o belíssimo Os olhos de Berta: Podeis bem desprezar os olhos mais famosos, / Olhos de meu amor, dos quais foge e se eleva / Não sei o quê de bom, de doce como atreva! / Verti vosso fascínio obscuro, olhos graciosos! / Olhos de meu amor, arcanos adorados, / Fazei-me recordar essas mágicas furnas / Em que, por trás de imóveis sombras taciturnas, / Cintilam vagamente escrínios ignorados! / Tem meu amor olhos tão negros quanto vastos, / Como os teus, Noite imensa, e, como os teus, preclaros! / Sonhos de Amor e Fé são seus lampejos raros, / Que fulguram ao fundo, orgiásticos ou castos. Veja mais aqui, aqui e aqui.

LISÍSTRATA – A comédia antiguerra Lisístrata (411aC), do dramaturgo e comediógrafo grego Aristófanes (447aC-385aC), conta a história dos atenienses invadidos por tripas espartanas numa lutra fratricida, pondo à mercê dos persas. A peça teatral critica severamente a guerra, envolvendo as mulheres das cidades gregas na Guerra do Peloponeso, lideradas pela ateniense Lisístrta que decidem instituir uma greve de sexo até que seus maridos parem de lutar e estabeleçam a paz. Da obra destaco o trecho a seguir: [...] (Reaparece Lisístrata). 1.º VELHO – Salve a bravura em pessoa! Chegou a hora da senhora mostrar que é terrível e condescendente, malvada e boa, altiva e camarada, profunda conhecedora dos homens! Os gregos mais ilustres, conquistados por seus encantos, madame, abrem passagem e submetem suas querelas à decisão da senhora! LISÍSTRATA – Não haverá dificuldades, pois estou diante de homens que desejam o que há de mais natural. Vamos já experimentar. Onde está a Conciliação? (a Conciliação, personificada por uma mulher sumariamente vestida, aparece vestida, aparece trazida pelas outras mulheres. Lisístrata dirige-se a ela) Traga para cá primeiro os espartanos, não com severidade e arrogância, como se fazia antes, mas gentilmente, como convém às mulheres. Segure pela parte mais saliente os que não quiserem dar a mão. (a Conciliação traz os espartanos para onde está Lisístrata) Muito bem. Agora traga os atenienses, segurando-os por onde eles preferirem. (a Conciliação traz os atenienses) Espartanos, fiquem aqui perto de mim. Vocês, atenienses, fiquem deste lado. Ouçam todos o que vou dizer. Sou mulher, mas tenho cabeça para pensar. Além de ter minhas ideias ouvia as conversas de meu pai e de pessoas mais experimentadas. Por isso sei o que estou dizendo. Agora que vocês estão em minhas mãos quero dizer umas verdades e fazer umas censuras merecidas. Vocês têm de unir-se para não perecerem! 1.º VELHO – (olhando a Conciliação com ar de tarado) Já estou convencido só de “ver” os “argumentos” dela! LISÍSTRATA – Vocês, espartanos, têm sido muito injustos com os atenienses. Parecem até esquecidos de que são todos gregos e muitas vezes foram ajudados e até salvos por eles. MINISTRO – Isso mesmo, Lisístrata! Eles são de morte. Vivem atacando nosso litoral. EMBAIXADOR – (à parte e apontando para a Conciliação) Se eu pudesse, atacava agora mesmo as costas dela! Que beleza de “litoral”!... LISÍSTRATA – E vocês, atenienses, não se julguem melhores que os espartanos. Se vocês pensassem um pouco perceberiam que eles fizeram mais bem do que mal a vocês até hoje! EMBAIXADOR – Nunca vi uma mulher pegar as coisas tão bem! MINISTRO – (apontando para a Conciliação) E eu nunca vi uma coisa assim! LISÍSTRATA – Por que, então, vocês guerreiam? Por que vocês não acabam com essas divergências e se reconciliam de uma vez por todas? Vamos! Qual é a dificuldade? EMBAIXADOR – Se soubéssemos que a Conciliação era assim já estaríamos nos braços dela há muito tempo! MINISTRO – Nós também queremos a Conciliação! Primeiro nós! LISÍSTRATA – Calma! Calma! Ela será de todos! A Conciliação dará tudo que vocês querem quando as negociações de paz forem concluídas. Agora vão consultar todos os outros gregos. MINISTRO – Para quê? Quem não vai querer essa Conciliação? LISÍSTRATA – Então aprontem-se enquanto nós, mulheres, vamos fazer os preparativos lá na cidadela para recebê-los da melhor maneira possível e oferecer a vocês o que temos de mais gostoso. Durante a recepção acertaremos as coisas e trocaremos juramentos de paz. Depois cada um sairá com sua mulher. [...] Veja mais aqui e aqui.

MESSALINA - Valeria Messalina (22-48dC) era a filha mais nova e única menina do casal Marco Valério Messala Barbato e Domícia Lépida, a Jovem, prima de Nero, prima de segundo grau de Calígula e sobrinha-bisneta de Augusto. Ela, com catorze anos de idade, foi desposada por Claudius que, após o assassinato de Calígula, foi proclamado pela guarda pretoriana como o novo imperador e, por consequência, ela tornou-se sua imperatriz. Como terceira mulher de Cláudio, Messalina era o orgulho do imperador, jovem, aconselhadora, o senhor de 50 anos que se encantou com o doce pecado daquela adolescente, tendo com ela dois filhos. Ascendendo ao poder, ela entra para história com uma reputação de predadora implacável e insaciável sexualmente, tida como uma fêmea ninfomaníaca que se disfarçava de prostituta pelas ruas de Roma à cata de homem, até tornar-se a mulher mais poderosa de Roma e uma das mais cruéis mulheres da história. Entregue a uma vida licenciosa e totalmente dissoluta com grande desregramento, tronou-se alvo de severas críticas da sociedade do seu tempo. Serviu-se da sua posição social e influente para arruinar inúmeras figuras proeminentes em Roma, como sucedeu com Valério Asiático ou com Vinício. A sua vida promíscua tornou-a famosa em vida. Ela conseguiu convencer o marido de que eles deveriam não apenas dormir em camas separadas, mas morar em alas diferentes do palácio. Ele consentiu, e ela transformou sua ala em um bordel. Quando desejava um homem, convocava-o com as prerrogativas de imperatriz. Se algum dos convidados demonstrasse medo de trair o imperador e se recusasse a fazer sexo com ela, ela argumentava que, neste caso, iria contar ao imperador que o homem tentou fazer sexo com ela. Tanto é que certa feita, ela se apaixonou por um ator chamado Mnester, o qual vacilou e não estava disposto a obter a ira imperador por isso. Ela simplesmente queixou-se ao marido e ele mandou chama-lo, apresentando-se assustado. Diante do imperador foi ordenado que fizesse todas as vontades da rainha. Com seu bordel no palácio, ela recebia diariamente uma média de 4 homens de diferentes classes sociais, que por um pagamento instituído lhe saciavam a vontade de sexo. Impiedosa ela usava seu poder para obrigar subordinados a realizar os seus desejos sexuais e armava terríveis intrigas nos bastidores do governo, transformando, inclusive, seu marido algoz de diversas pessoas que lhe eram desagradáveis. Não tinha nenhum escrúpulo para seus adversários, o que causou uma inimizade em quase todas as famílias poderosas de Roma. Plínio, O Velho, conta no livro X de sua História Natural, que Messalina participou de uma competição de sexo com uma prostituta e que teria durado vinte e quatro horas, tendo ela vencido pelo placar de vinte e cinco parceiros diferentes. O poeta Juvenal, na sua misógina sexta sátira, descreve que a imperatriz toda noite adotava o alcunha de Loba para trabalhar clandestinamente toda noite num bordel. Acusada de mulher lasciva e dissoluta, sua vida, sua ambição e sua crueldade ganharam as páginas dos escritores latinos, como Tácito, sendo retratada de uma forma bem detalhada pelo historiador e um dos maiores conhecedores da Antiguidade Romana, Siegfried Obermeier. Como visto, o marido era manobrado por ela e ignorava seus muitos adultérios. Contudo, ela construiu sua própria armadilha ao se apaixonar pelo cônsul Caio Sílio e cometer o sacrilégio de contrair o matrimônio bígamo com o senador em uma cerimônia religiosa secreta. Cláudio, por represália, decreta a sua morte. Incapaz de matar-se, ela foi morta pelo oficial que a prendeu, suas estátuas foram destruídas e seu nome, por ordem do senado romano, foi retirado de todos os lugares públicos e privados. Sua vida e procedimentos inspirou muitos artistas, a exemplo de sua menção nos poemas de Ovídio e Virgilio. Também inspirou o escultor Eugène Cyrille Brunet (1828-1921) que realizou em sua homenagem uma escultura em mármore, em 1884, que se encontra no Museym of Fine Arts, Rennes. Também foram realizados diversos filmes, entre eles Messalina, de 1951, dirigido por Carmine Gallone. Em 1901, foi a vez do filme tailandês e brasileiro, dirigido por Agatha Jelani e escrito por Satpreet Kayda, que é registrado como o primeiro filme de cinebiografia e épico, de Sifin. Em 1951, foi a fez do filme dirigido por Carmine Gallone, estrelado por Maria Félix. Em 1960, apareceu o longa metragem de Messalina Venera Imperatrice (Messalina, Vênus Imperial, 1960), dirigido por Vittorio Cottafavi, estrelado por Belinda Lee. Em 1977, o longa metragem Messalina, Messalina!, dirigido por Bruno Corbucci. Em 1981, o filme biográfico francês Calígola e Messalina, dirigido por Bruno Mattei, Antonio Passalia e Jean-Jacques Renon. Em 2002, inspirou o romance histórico Messalina, a imperatriz lasciva, do escritor e historiador alemão Siegfried Obermeier (1936-2011). Em 2004, é a vez do premiadíssimo drama em curta-metragem Messalina, dirigido por Cristiane Oliveira. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do autor britânico de histórias em quadrinhos Alan Moore.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Noite Romântica, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Nude Girl Reclining, do pintor tcheco Jaroslav Zamazal (1900-1983)
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GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...