A SANTA FREIRA - Luisa era Maria e atendi o
seu convite ao convento d'Ambrogio, uma instituição de reputação, exclusivamente
feminino habitado por freiras franciscanas. Havia ela assumido o lugar da abadessa
fundadora Mariagna, que havia sido acusada de envolvimentos
espúrios, falsos milagres e rumorosos escândalos, sendo condenada por
obscenidade e santidade fingida. Ela recepcionou-me com um longo vestido preto decotado
que realçavam seus robustos seios, com saia com dois recortes que destacavam suas
coxas abundantes e sensuais, preocupada com a mancha na imagem do Vaticano,
adiantando-se por me explicar que se tratavam de atos espirituais, mas que um falso
padre alcaguete denunciou equivocadamente por lascivos, corroborado pela princesa
duas vezes viuva Katharina, tão pudica quanto fervorosa, a alardear ao inquisidor.
Pura invencionice, um jogo de interesses, um estratagema sobrecarregado de blasfêmias
inescapáveis, que envolviam clérigas e noviças. Estava ela um tanto nervosa, levou-me
à alcova e segredou-me acusações de heresia e outros crimes, o que havia
desestabilizado sua administração e deixando-a encurralada com tal situação. Não
deixei de vê-la estonteantemente exuberante com o frescor dos seus 27 anos,
venerada por todos que sabiam de seus poderes milagrosos, inclusive eu, seu
fiel confidente. Líamos o evangelho de Madalena, discutíamos a liberdade e, também,
sobre a necessidade de evolução humana: amar jamais fora pecado, os religiosos
sectários que, por serem invejosos e infelizes, não aceitavam a felicidade dos
que amava. Pouco importava seu passado sombrio, se ela desafiava os códigos
morais, apenas era o amor e, por isso, fora acusada de envenenamentos, heresias
e outros abusivos crimes dentro do convento. Tudo mentira, mas as consequências
foram explosivas e levaram-na à irreversível queda. O conservadorismo vencia, aplacava
tudo que fosse vida, como sempre. Tentei protegê-la o quanto pude, não era
páreo para poderosos. Fiz o que pude, solidário. E ela desapareceu
sobrecarregada pela incompreensão humana, deixou-me lembranças inesquecíveis: sabia
eu todos os segredos daquela verdadeira santa viva e herege. Veja mais aqui, aqui
& aqui.
DITOS & DESDITOS - Os sonhos são necessários
para a vida... Jogue seus sonhos no espaço como uma pipa, e você não sabe o que
isso trará de volta, uma nova vida, um novo amigo, um novo amor, um novo país...
A posse do conhecimento não mata o sentido de maravilha e mistério. Há sempre
mais mistério... Nós não vemos as coisas como elas são, nós as vemos como nós
somos... Pensamento da escritora francesa Anaïs Nin (1903-1977). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,
aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
ALGUÉM FALOU: Nunca
desperdice uma boa crise...
Pensamento da acadêmica e ativista britânica, Mary Mellor, que no seu
estudo Feminism & Ecology (New York Univerity Press, 1997), ela
expressa que: [...] O ecofeminismo é um movimento que vê uma conexão entre a
exploração e degradação do mundo natural e a subordinação e opressão das
mulheres. Ele surgiu em meados da década de 1970, junto com o feminismo de
segunda onda e o movimento verde. O ecofeminismo reúne elementos dos movimentos
feminista e verde, ao mesmo tempo em que oferece um desafio a ambos. Ele tira
do movimento verde uma preocupação sobre o impacto das atividades humanas no
mundo não humano e do feminismo a visão da humanidade como generificada de
maneiras que subordinam, exploram e oprimem as mulheres. [...]. Já no seu livro Debt or Democracy:
Public Money for Sustainability and Social Justice (Pluto Press, 2015), ela
expressa que: […] Existem dois circuitos monetários nas economias
contemporâneas, um circuito de dinheiro público e um circuito de dinheiro
comercial. Ambos criam e circulam a moeda pública. A diferença entre eles é que
um é baseado em dívida, o outro não. [...] O Estado deixou de ser o
principal criador de dinheiro público para se tornar uma "dona de
casa" suplicante [...].
EU VOLTAREI AO
SOL DA PRIMAVERA – O livro Eu voltarei ao
sol da primavera (Fundação Hermilo Borba Filho/SE-PE/Depto. Cultura, 1985),
do do poeta modernista Ascenso Ferreira
(1895-1956), organizado por Jessiva Sabino de Oliveira, reúne sonetos e outros
poemas do autor, entre os quais destaco Banquete de Beijos (I): Dos beijos ao banquete apaixonado / em
sonhos o amor levou-me um dia. / Ah! Foi tão doce o gozo que eu fruia! / Ah!
Foi tão doce e tão alcandorado, / que me julguei, por certo, transportado / nas
asas do prazer e da alegria / às sublimes regiões onde apoesia / edificou seu
fúlgido reinado. / Na taça do prazer e da ternura, / taça dos lábios cheios de
doçura / de uma donzela, o símbolo do pejo / eu fruia do amor e da paixão / o
néctar, que suaviza o coração / - Supremo néctar que oferece o beijo. (II):
Tudo era puro, santo e sublimado, / em
tudo se notava essa magia / tão suave, que ao meu ver só existia / no céu
deista tão glorificado. / Muitos convivas via do meu lado / no meio da puraza
desta orgia / também sorvendo o néctar que eu sorvia, / - Néctar do amor, nos
beijos encarnado. / Sim, foi tão doce, tão divina e pura / deste meu sonho a
mágica ventura / que de outra igual jamais eu tive ensejo. / Sim; foi tão doce
a minha sensação, / que eu inda guardo a sã recordação / desse banquete mágico
de beijos. Também o seu Estrelas é meritório de destaque: Em mil constelações, estrelas luminosas /
espagerm-se no céu a brilhar, a brilhar... / Reflete-se em meu dorso o
portentoso mar, / que na praia desfaz-se em ondas espumosas. / Sentindo o
perpassar das brisas rumorosas / e as estrelas fitado, eu começo a exclamar: /
“Quem m´as dera a prender! Quem m´as dera pegar! / Ao menos conseguir uma entre
as mais formosas! / Ouvindo-me falar, diria alguém assim: / “P´ra que queres
pegar uma estrela formosa? Não vês que elas de nós estão léguas sem fim?” / Mas
eu responderia: “Eu quisera prendê-las / somente p´ra adornar a fronte luminosa
/ de uma Estrela terra, estrela entre as estrelas”. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,
aqui e aqui.
O ORGASMO DE
ESPERANTINA
– Numa cidade da região Norte do Piauí, no Baixo Parnaíba, distante 180
quilômetros da capital, denominada Esperantina, que desde 1943 deixou de ser Boa Esperança, há uma comemoração para lá de ótima. A população esperantinense, segundo IBGE 2010, de 37.765 habitantes, comemora no
dia de hoje o seu Dia do Orgasmo, depois que uma lei municipal decretou: “Fome
Zero, Orgasmo Dez”. Imagino como será a comemoração! U-hu! O Piauí já é
quente, dá pra sentir o calor na bacorinha. O projeto do vereador proposto no
início dos anos 2000, virou polêmica na cidade, ganhando as páginas dos
principais jornais do Brasil. Instado pela imprensa nacional, o vereador
informou que o propósito de tal comemoração é levar a educação sexual a todos
os recantos da cidade. Como o poeta Manuel Bandeira queria ir pra Pasárgada, eu
que sou um poeta menor tão ínfimo bem miúdo, quero é ir pra Esperantina! Veja
mais aqui.
A FUNÇÃO DO
ORGASMO – O
livro A função do orgasmo: problemas
econômico-sexuais da energia biológica (Brasiliense, 1975), do médico,
psicanalista e cientista natural Wilhelm
Reich (1897-1957), trata da descoberta do orgônio, a biologia e a sexologia
antes de Freud, Peer Gynt, lacunas na psicologia e na teoria do sexo, o prazer
e o instinto, sexualidade genital e não genital, fundação do seminário de
técnica psicanalítica de Viena, dificuldades psiquiátricas e psicanalíticas na
compreensão da enfermidade psíquica, o desenvolvimento da teoria do orgasmo,
suplemente a ideia freudiana da neurose de angustica, potência orgástica, a
extase sexual: fonte de energia das neuroses, análise do caráter, dificuldades
e contradições, a economia sexual da angústica neurótica, a couraça do caráter
e a estratificação dinâmica dos mecanismos de defesa, destruição, agressão,
sadismo, o caráter genital e o caráter neurótico, o principio de
auto-regulagem, revolução biológica abortada, a higiene mental e o problema da
cultura, origem social da repressão, o irracionalismo fascista, a irrupção no
campo biológico, a solução do problema do masoquismo, o funcionamento de uma
bexiga viva, a antítese funcional de sexualidade e angustia, energia
biopsiquica, a fórmula do orgasmo, a tensão, a carga, descarga, relaxação,
prazer (expansão) e angustia (contração), antítese principal da vida
vegetativa, o reflexo do orgasmo e a técnica da vegetoterapia de análise do
caráter, a atitude muscular e a expressão corporal, a tensão abdominal, o
reflexo do orgasmo, o estabelecimento da respiração natural, a mobilização da
pélvis morta, enfermidades psicossomáticas típicas e resultados da
simpaticotonia crônica, psicanalise e biogênese, a função bioelétrica do prazer
e da angustia, solução teórica do conflito entre mecanismo e vitalismo, a
energia biológica é energia do orgônio atmosférico (cósmico). Da obra destaco o
seguinte trecho: [...] Até 1923, ano em que nasceu a teoria do
orgasmo, apenas as potências ejaculativa e eretiva eram conhecidas da sexologia
e dos psicanalistas. Sem a inclusão dos componentes funcionais, econômicos e
experimentais, o conceito de potência sexual não teria existido. Potência
eretiva e ejaculativa eram apenas pré-condições indispensáveis da potência
orgástica. Potência orgástica é a capacidade
de abandonar-se, livre de quaisquer inibições, ao fluxo de energia biológica; a
capacidade de descarregar completamente a excitação sexual reprimida, por meio
de involuntárias e agradáveis convulsões do corpo.
Tudo
acontece espontaneamente com base nas experiências de anteprazer
individualmente diferentes, por uma mudança de posição, pela natureza da
fricção, pelo ritmo, etc. Segundo a maior parte dos homens e mulheres potentes,
quanto mais lentas e delicadas são as fricções, e mais estreitamente sincronizadas,
mais intensas são as sensações de prazer. Isso pressupõe um alto grau da
afinidade entre o homem e a mulher. Um correspondente patológico disso é o
desejo de fazer fricções violentas, especialmente pronunciado nos caracteres
sádicos compulsivos que sofrem de anestesia do pênis e da incapacidade de
descarregar o sêmen. Outro exemplo é a pressa nervosa dos que sofrem de
ejaculações prematuras. Os homens e mulheres orgasticamente potentes nunca riem
ou falam durante o ato sexual exceto, possivelmente, para trocar palavras de
carinho. Falar e rir indicam sérias perturbações da capacidade de entregar-se;
entregar-se pressupõe completa concentração na ondulante sensação de prazer. Os
homens que sentem o entregar-se como "feminino" são sempre orgasticamente
perturbados. 5. Nesta fase, a interrupção da fricção é em si mesma agradável
por causa das sensações especiais de prazer que acompanham essa pausa, e não
exigem esforço psíquico. Dessa forma, prolonga-se o ato. A excitação diminui um
pouco durante a pausa. Não desaparece inteiramente, entretanto, como nos casos
patológicos. A interrupção do ato sexual pela retração do pênis não é desagradável
na medida em que ocorra após uma pausa tranqüila. Ao continuar a fricção, a
excitação aumenta firmemente além do nível anteriormente atingido. Toma
gradualmente, mais e mais, posse do
corpo inteiro, enquanto o próprio genital mantém um nível mais ou menos
constante de excitação. Finalmente, como resultado de um novo aumento
habitualmente repentino de excitação genital, inicia-se a fase de contração
muscular involuntária. Fase de
contrações musculares involuntárias 6. Nesta fase, o controle voluntário
do desenvolvimento da excitação não é mais possível. Apresenta os seguintes
traços característicos: a) O aumento da excitação não pode mais ser controlado;
antes, a excitação domina a personalidade total e causa uma aceleração do pulso
e uma exalação profunda. b) A excitação física torna-se cada vez mais
concentrada no genital; ocorre uma suave sensação que se pode descrever melhor
como um eflúvio de excitação do genital para outras partes do corpo. c) Em
primeiro lugar, essa excitação causa contrações involuntárias de toda a
musculatura das regiões genital e pélvica. Essas contrações se experimentam sob
a forma de ondas: a elevação da onda coincide com a total penetração do pênis,
enquanto a descida da onda coincide com a retração do pênis. Mas logo que a
retração ultrapassa um certo limite, ocorrem imediatamente contrações espasmódicas,
que aceleram a ejaculação. Na mulher é a musculatura lisa da vagina que se
contrai. d) Neste estágio, a interrupção do ato é totalmente desagradável,
tanto para o homem como para a mulher. Havendo interrupção, as contrações
musculares que levam ao orgasmo na mulher e à ejaculação no homem são
espasmódicas em vez de rítmicas. As sensações causadas são sumamente desagradáveis
e, 'ocasionalmente, sentem-se dores nas regiões pélvica e sacra. Além do mais,
como resultado do espasmo, a ejaculação ocorre mais cedo que no caso do ritmo
imperturbado. A prolongação voluntária da primeira fase do ato sexual (1 a 5)
não é dolorosa quando levada até um certo ponto, e tem um efeito intensificador
do prazer. 
ORGAZMO – A comédia
Orgazmo (1997), escrito e dirigido por Trey Park e produzido por Matt Stone que
mais tarde vão criar a série animada South Park, conta a história de um
missionário mórmon que encontra hostilidade para realizar seu trabalho
religioso, até encontrar um diretor pornô desprezível, finda contratado para estrelar
no papel principal de um super-herói pornográfico. Nessa hora entra em choque o
milionário salário e a sua fé religiosa, enquanto se vê famoso com sucesso
surpreendente. Veja mais aqui.























