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sábado, maio 09, 2015

MARY MELLOR, ANAÏS NIN, ASCENSO, REICH & A SANTA FREIRA

 


A SANTA FREIRA - Luisa era Maria e atendi o seu convite ao convento d'Ambrogio, uma instituição de reputação, exclusivamente feminino habitado por freiras franciscanas. Havia ela assumido o lugar da abadessa fundadora Mariagna, que havia sido acusada de envolvimentos espúrios, falsos milagres e rumorosos escândalos, sendo condenada por obscenidade e santidade fingida. Ela recepcionou-me com um longo vestido preto decotado que realçavam seus robustos seios, com saia com dois recortes que destacavam suas coxas abundantes e sensuais, preocupada com a mancha na imagem do Vaticano, adiantando-se por me explicar que se tratavam de atos espirituais, mas que um falso padre alcaguete denunciou equivocadamente por lascivos, corroborado pela princesa duas vezes viuva Katharina, tão pudica quanto fervorosa, a alardear ao inquisidor. Pura invencionice, um jogo de interesses, um estratagema sobrecarregado de blasfêmias inescapáveis, que envolviam clérigas e noviças. Estava ela um tanto nervosa, levou-me à alcova e segredou-me acusações de heresia e outros crimes, o que havia desestabilizado sua administração e deixando-a encurralada com tal situação. Não deixei de vê-la estonteantemente exuberante com o frescor dos seus 27 anos, venerada por todos que sabiam de seus poderes milagrosos, inclusive eu, seu fiel confidente. Líamos o evangelho de Madalena, discutíamos a liberdade e, também, sobre a necessidade de evolução humana: amar jamais fora pecado, os religiosos sectários que, por serem invejosos e infelizes, não aceitavam a felicidade dos que amava. Pouco importava seu passado sombrio, se ela desafiava os códigos morais, apenas era o amor e, por isso, fora acusada de envenenamentos, heresias e outros abusivos crimes dentro do convento. Tudo mentira, mas as consequências foram explosivas e levaram-na à irreversível queda. O conservadorismo vencia, aplacava tudo que fosse vida, como sempre. Tentei protegê-la o quanto pude, não era páreo para poderosos. Fiz o que pude, solidário. E ela desapareceu sobrecarregada pela incompreensão humana, deixou-me lembranças inesquecíveis: sabia eu todos os segredos daquela verdadeira santa viva e herege. Veja mais aquiaqui & aqui.



 

DITOS & DESDITOS - Os sonhos são necessários para a vida... Jogue seus sonhos no espaço como uma pipa, e você não sabe o que isso trará de volta, uma nova vida, um novo amigo, um novo amor, um novo país... A posse do conhecimento não mata o sentido de maravilha e mistério. Há sempre mais mistério... Nós não vemos as coisas como elas são, nós as vemos como nós somos... Pensamento da escritora francesa Anaïs Nin (1903-1977). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Nunca desperdice uma boa crise... Pensamento da acadêmica e ativista britânica, Mary Mellor, que no seu estudo Feminism & Ecology (New York Univerity Press, 1997), ela expressa que: [...] O ecofeminismo é um movimento que vê uma conexão entre a exploração e degradação do mundo natural e a subordinação e opressão das mulheres. Ele surgiu em meados da década de 1970, junto com o feminismo de segunda onda e o movimento verde. O ecofeminismo reúne elementos dos movimentos feminista e verde, ao mesmo tempo em que oferece um desafio a ambos. Ele tira do movimento verde uma preocupação sobre o impacto das atividades humanas no mundo não humano e do feminismo a visão da humanidade como generificada de maneiras que subordinam, exploram e oprimem as mulheres. [...]. Já no seu livro Debt or Democracy: Public Money for Sustainability and Social Justice (Pluto Press, 2015), ela expressa que: […] Existem dois circuitos monetários nas economias contemporâneas, um circuito de dinheiro público e um circuito de dinheiro comercial. Ambos criam e circulam a moeda pública. A diferença entre eles é que um é baseado em dívida, o outro não. [...] O Estado deixou de ser o principal criador de dinheiro público para se tornar uma "dona de casa" suplicante [...].

 

 LA REBELIÓN DE LAS MASAS – Este livro foi um presente do meu amigo espanhol radicado em Pernambuco, José Duran y Duran. Trata-se da obra La rebelión de las masas (A rebelião das massas – Espasa-Calpe, 1964), do filósofo e ativista político espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955), autor da célebre frase: "Debaixo de toda vida contemporânea se encontra latente uma injustiça”. O livro trata de temas como o fato das aglomerações, a ascensão do nível histórico, a altura dos tempos, o crescimento da vida, um dado estatístico, começa a dissecação do homem-massa, vida nobre e vida vulgar ou esforço e inércia, porque as massas intervêm em tudo e porque só intervêm violentamente, primitivismo e técnica, primitivismo e história, a época do “mocinho satisfeito”, a barbárie do “especialismo”, o maior perigo: o Estado, quem manda no mundo: desemboca-se na verdadeira questão, quanto ao pacifismo, dinâmica do tempo, as vitrinas mandam, juventude, masculino e feminino, entre outros importantes assuntos. Da obra destaco o trecho: Há um fato que, para bem ou para mal, é o mais importante na vida pública européia da hora presente. Este fato é o advento das massas ao pleno poderio social. Como as massas, por definição, não devem nem podem dirigir sua própria existência, e menos reger a sociedade, quer dizer-se que a Europa sofre agora a mais grave crise que a povos, nações, culturas, cabe padecer. Esta crise sobreveio mais de uma vez na história. Sua fisionomia e suas conseqüências são conhecidas. Também se conhece seu nome. Chama-se a rebelião das massas. Para a inteligência do formidável fato convém que se evite dar, desde já, às palavras “rebelião”, “massas”, “poderio social”, etc. um significado exclusivo ou primariamente político. A vida pública não é só política, mas, ao mesmo tempo e ainda antes, intelectual, moral, econômica, religiosa; compreende todos os usos coletivos e inclui o modo de vestir e o modo de gozar. Talvez a melhor maneira de aproximar-se a este fenômeno histórico consista em referir-nos a uma experiência visual, sublinhando uma feição de nossa época que é visível com os olhos da cara.  Simplicíssima de enunciar, ainda que não de analisar, eu a denomino o fato da aglomeração, do “cheio”. As cidades estão cheias de gente. As casas cheias de inquilinos. Os hotéis cheios de hóspedes. Os trens, cheios de viajantes. Os cafés, cheios de consumidores. Os passeios, cheios de transeuntes. As salas dos médicos famosos, cheias de enfermos. Os espetáculos, desde que não sejam muito extemporâneos, cheios de espectadores. As praias, cheias de banhistas. O que antes não era problema, começa a sê-lo quase de contínuo: encontrar lugar. Nada mais. Há fato mais simples, mais notório, mais constante, na vida atual? Vamos agora puncionar o corpo trivial desta observação, e nos surpreenderá ver como dele brota um repuxo inesperado, onde a branca luz do dia, deste dia, do presente, se decompõe em todo o seu rico cromatismo interior. Que é o que vemos e ao vê-lo nos surpreende tanto? Vemos a multidão, como tal, possuidora dos locais e utensílios criados pela civilização. Apenas refletimos um pouco, nos surpreendemos de nossa surpresa. Mas quê, não é o ideal? O teatro tem suas localidades para que se ocupem; portanto, para que a sala esteja cheia. E do mesmo modo os assentos o vagão ferroviário e seus quartos o hotel. Sim; não há dúvida. Mas o fato é que antes nenhum destes estabelecimentos e veículos costumavam estar cheios, e agora transbordam, fica fora gente afanosa de usufruí-los. Embora o fato seja lógico, natural, não se pode desconhecer que antes não acontecia e agora sim; portanto, que houve uma mudança, uma inovação, a qual justifica, pelo menos no primeiro momento, nossa surpresa. Surpreender-se, estranhar, é começar a entender. E o esporte e o luxo específico do intelectual. Por isso sua atitude gremial consiste em olhar o mundo com os olhos dilatados pela estranheza. Tudo no mundo é estranho e é maravilhoso para umas pupilas bem abertas. Isso, maravilhar-se, é a delícia vedada ao futebolista e que, ao contrário, leva o intelectual pelo mundo em perpétua embriaguez de visionário. Seu atributo são os olhos em pasmo. [...] A aglomeração, ou cheio, antes não era freqüente. Por que o é agora? Os componentes dessas multidões não surgiram do nada. Aproximadamente, o mesmo número de pessoas existia há quinze anos. Depois da guerra pareceria natural que esse número fosse menor. Aqui topamos, entretanto, com a primeira nota importante. Os indivíduos que integram estas multidões preexistiam, mas não como multidão. Repartidos pelo mundo em pequenos grupos, ou solitários, levavam uma vida, pelo visto, divergente, dissociada, distante. Cada qual – indivíduo ou pequeno grupo – ocupava o lugar, talvez o seu, no campo, na aldeia, na vila, no bairro da grande cidade. Agora, de repente, aparecem sob a espécie de aglomeração, e nossos olhos vêm por toda a parte multidões. Por toda a parte? Não, não; precisamente nos lugares melhores, criação realmente refinada da cultura humana, reservados antes a grupos menores, em definitiva, a minorias. A multidão, de repente, tornou-se visível, e instalou-se nos lugares preferentes da sociedade. Antes, se existia, passava inadvertida, ocupava o fundo do cenário social; agora adiantou-se até às gambiarras, ela é o personagem principal. Já não há protagonistas: só há coro. O conceito de multidão é quantitativo e visual. Traduzamo-lo, sem alterá-lo, à terminologia sociológica. Então achamos a idéia de massa social. A sociedade é sempre uma unidade dinâmica de dois fatores: minorias e massas. As minorias são indivíduos ou grupos de indivíduos especialmente qualificados. A massa é o conjunto de pessoas não especialmente qualificadas. Não se entenda, pois, por massas só nem principalmente “as massas operárias”. Massa é “o homem médio”. Deste modo se converte o que era meramente quantidade – a multidão – numa determinação qualitativa: é a qualidade comum, é o mostrengo social, é o homem enquanto não se diferencia de outros homens, mas que repete em si um tipo genérico. Que ganhamos com esta conversão da quantidade para a qualidade? Muito simples: por meio desta compreendemos a gênese daquela. E evidente, até acaciano, que a formação normal de uma multidão implica a coincidência de desejos, idéias, de modo de ser nos indivíduos que a integram. Dir-se-á que é o que acontece com todo grupo social, por seleto que pretenda ser. Com efeito; mas há uma diferença essencial. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Imagem: Orgasmo, do designer gráfico e ilustrador Renato Alarcão.

Ouvindo o poema sinfônico Le Poeme De L'Extase, Op. 54 (1905-1908, Deutsche Grammophon), do compositor e pianista russo Alexander Scriabin (1872-1915), com a Boston Symphony Orchestra sob a regência de do maestro Claudio Abbado. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

EU VOLTAREI AO SOL DA PRIMAVERA – O livro Eu voltarei ao sol da primavera (Fundação Hermilo Borba Filho/SE-PE/Depto. Cultura, 1985), do do poeta modernista Ascenso Ferreira (1895-1956), organizado por Jessiva Sabino de Oliveira, reúne sonetos e outros poemas do autor, entre os quais destaco Banquete de Beijos (I): Dos beijos ao banquete apaixonado / em sonhos o amor levou-me um dia. / Ah! Foi tão doce o gozo que eu fruia! / Ah! Foi tão doce e tão alcandorado, / que me julguei, por certo, transportado / nas asas do prazer e da alegria / às sublimes regiões onde apoesia / edificou seu fúlgido reinado. / Na taça do prazer e da ternura, / taça dos lábios cheios de doçura / de uma donzela, o símbolo do pejo / eu fruia do amor e da paixão / o néctar, que suaviza o coração / - Supremo néctar que oferece o beijo. (II): Tudo era puro, santo e sublimado, / em tudo se notava essa magia / tão suave, que ao meu ver só existia / no céu deista tão glorificado. / Muitos convivas via do meu lado / no meio da puraza desta orgia / também sorvendo o néctar que eu sorvia, / - Néctar do amor, nos beijos encarnado. / Sim, foi tão doce, tão divina e pura / deste meu sonho a mágica ventura / que de outra igual jamais eu tive ensejo. / Sim; foi tão doce a minha sensação, / que eu inda guardo a sã recordação / desse banquete mágico de beijos. Também o seu Estrelas é meritório de destaque: Em mil constelações, estrelas luminosas / espagerm-se no céu a brilhar, a brilhar... / Reflete-se em meu dorso o portentoso mar, / que na praia desfaz-se em ondas espumosas. / Sentindo o perpassar das brisas rumorosas / e as estrelas fitado, eu começo a exclamar: / “Quem m´as dera a prender! Quem m´as dera pegar! / Ao menos conseguir uma entre as mais formosas! / Ouvindo-me falar, diria alguém assim: / “P´ra que queres pegar uma estrela formosa? Não vês que elas de nós estão léguas sem fim?” / Mas eu responderia: “Eu quisera prendê-las / somente p´ra adornar a fronte luminosa / de uma Estrela terra, estrela entre as estrelas”. Veja mais  aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aqui e aqui.

O ORGASMO DE ESPERANTINA – Numa cidade da região Norte do Piauí, no Baixo Parnaíba, distante 180 quilômetros da capital, denominada Esperantina, que desde 1943 deixou de ser Boa Esperança, há uma comemoração para lá de ótima. A população esperantinense, segundo IBGE 2010, de 37.765 habitantes, comemora no dia de hoje o seu Dia do Orgasmo, depois que uma lei municipal decretou: Fome Zero, Orgasmo Dez”. Imagino como será a comemoração! U-hu! O Piauí já é quente, dá pra sentir o calor na bacorinha. O projeto do vereador proposto no início dos anos 2000, virou polêmica na cidade, ganhando as páginas dos principais jornais do Brasil. Instado pela imprensa nacional, o vereador informou que o propósito de tal comemoração é levar a educação sexual a todos os recantos da cidade. Como o poeta Manuel Bandeira queria ir pra Pasárgada, eu que sou um poeta menor tão ínfimo bem miúdo, quero é ir pra Esperantina! Veja mais aqui.

A FUNÇÃO DO ORGASMO – O livro A função do orgasmo: problemas econômico-sexuais da energia biológica (Brasiliense, 1975), do médico, psicanalista e cientista natural Wilhelm Reich (1897-1957), trata da descoberta do orgônio, a biologia e a sexologia antes de Freud, Peer Gynt, lacunas na psicologia e na teoria do sexo, o prazer e o instinto, sexualidade genital e não genital, fundação do seminário de técnica psicanalítica de Viena, dificuldades psiquiátricas e psicanalíticas na compreensão da enfermidade psíquica, o desenvolvimento da teoria do orgasmo, suplemente a ideia freudiana da neurose de angustica, potência orgástica, a extase sexual: fonte de energia das neuroses, análise do caráter, dificuldades e contradições, a economia sexual da angústica neurótica, a couraça do caráter e a estratificação dinâmica dos mecanismos de defesa, destruição, agressão, sadismo, o caráter genital e o caráter neurótico, o principio de auto-regulagem, revolução biológica abortada, a higiene mental e o problema da cultura, origem social da repressão, o irracionalismo fascista, a irrupção no campo biológico, a solução do problema do masoquismo, o funcionamento de uma bexiga viva, a antítese funcional de sexualidade e angustia, energia biopsiquica, a fórmula do orgasmo, a tensão, a carga, descarga, relaxação, prazer (expansão) e angustia (contração), antítese principal da vida vegetativa, o reflexo do orgasmo e a técnica da vegetoterapia de análise do caráter, a atitude muscular e a expressão corporal, a tensão abdominal, o reflexo do orgasmo, o estabelecimento da respiração natural, a mobilização da pélvis morta, enfermidades psicossomáticas típicas e resultados da simpaticotonia crônica, psicanalise e biogênese, a função bioelétrica do prazer e da angustia, solução teórica do conflito entre mecanismo e vitalismo, a energia biológica é energia do orgônio atmosférico (cósmico). Da obra destaco o seguinte trecho: [...] Até 1923, ano em que nasceu a teoria do orgasmo, apenas as potências ejaculativa e eretiva eram conhecidas da sexologia e dos psicanalistas. Sem a inclusão dos componentes funcionais, econômicos e experimentais, o conceito de potência sexual não teria existido. Potência eretiva e ejaculativa eram apenas pré-condições indispensáveis da potência orgástica. Potência orgástica é a capacidade de abandonar-se, livre de quaisquer inibições, ao fluxo de energia biológica; a capacidade de descarregar completamente a excitação sexual reprimida, por meio de involuntárias e agradáveis convulsões do corpo. 
Nem um único neurótico é orgasticamente 'potente, e as estruturas de caráter da esmagadora maioria dos homens e mulheres são neuróticas. No ato sexual livre de angústia, de desprazer e de fantasias, a intensidade de prazer no orgasmo depende da quantidade de tensão sexual concentrada nos genitais. Quanto maior e mais abrupta é a "queda" da excitação, tanto mais intenso é o prazer. A seguinte descrição do ato sexual orgasticamente satisfatório refere-se apenas ao desenvolvimento de algumas fases e modos de comportamento típicos e naturalmente determinados. Não levei em conta o prelúdio biológico, determinado pelas necessidades individuais, e que não apresenta um caráter universal. Além do mais devemos observar que os processos bioelétricos da função orgástica não foram explorados e, portanto, esta descrição é incompleta. Fase de controle voluntário da excitação 1. A ereção não é dolorosa como no caso do priapismo, espasmo da região pélvica ou do duto espermático6. É agradável. O pênis não está superexcitado, como após um período prolongado de abstinência ou em casos de ejaculação prematura. O genital feminino torna-se hiperêmico e úmido de forma específica, pela profusa secreção das glândulas genitais; isto é, no caso de funcionamento genital não perturbado, a secreção tem propriedades químicas e físicas que faltam quando a função genital está perturbada. Uma característica importante da potência orgástica masculina é o desejo de penetrar. Podem ocorrer ereções sem esse desejo, como em certos caracteres narcisistas eretivamente potentes, e na satiríase. 2. O homem e a mulher mostram-se ternos um para com o outro; não há impulsos contraditórios. São os seguintes os desvios patológicos desse comportamento: agressividade proveniente de impulsos sádicos, como em alguns neuróticos compulsivos eretivamente potentes, e inatividade do caráter passivo-feminino. A ternura também está ausente no "coito onanista" com um objeto não amado. Normalmente a atividade da mulher não difere de modo algum da do homem. A passividade da mulher, embora comum, é patológica e resulta habitualmente de fantasias masoquistas de violação. 3. A excitação agradável, que permaneceu mais ou menos no mesmo nível durante a atividade do anteprazer, aumenta subitamente em ambos, no homem e na mulher, com a penetração do pênis na vagina. O sentimento do homem de "estar sendo absorvido" é o corresponde do sentimento da mulher de "estar absorvendo" o pênis. 4. Aumenta o desejo do homem de penetrar mais profundamente, mas não assume a forma sádica de "querer transpassar" a mulher, como ocorre no caso dos caracteres neuróticos compulsivos. Pela fricção mútua, gradual, rítmica, espontânea e sem esforço, a excitação vai-se concentrando na superfície e na glande do pênis, e nas partes posteriores da membrana mucosa da vagina. A sensação característica que precede e acompanha a descarga do sêmen está ainda totalmente ausente (não nos casos de ejaculação prematura). O corpo ainda está menos excitado que o genital. A consciência está inteiramente dirigida para a assimilação das sensações ondulantes de gozo. O ego participa ativamente, na medida em que tenta explorar todas as possíveis fontes de prazer e atingir o mais alto grau de tensão antes do momento do orgasmo. Intenções conscientes obviamente não têm lugar aqui.  
Tudo acontece espontaneamente com base nas experiências de anteprazer individualmente diferentes, por uma mudança de posição, pela natureza da fricção, pelo ritmo, etc. Segundo a maior parte dos homens e mulheres potentes, quanto mais lentas e delicadas são as fricções, e mais estreitamente sincronizadas, mais intensas são as sensações de prazer. Isso pressupõe um alto grau da afinidade entre o homem e a mulher. Um correspondente patológico disso é o desejo de fazer fricções violentas, especialmente pronunciado nos caracteres sádicos compulsivos que sofrem de anestesia do pênis e da incapacidade de descarregar o sêmen. Outro exemplo é a pressa nervosa dos que sofrem de ejaculações prematuras. Os homens e mulheres orgasticamente potentes nunca riem ou falam durante o ato sexual exceto, possivelmente, para trocar palavras de carinho. Falar e rir indicam sérias perturbações da capacidade de entregar-se; entregar-se pressupõe completa concentração na ondulante sensação de prazer. Os homens que sentem o entregar-se como "feminino" são sempre orgasticamente perturbados. 5. Nesta fase, a interrupção da fricção é em si mesma agradável por causa das sensações especiais de prazer que acompanham essa pausa, e não exigem esforço psíquico. Dessa forma, prolonga-se o ato. A excitação diminui um pouco durante a pausa. Não desaparece inteiramente, entretanto, como nos casos patológicos. A interrupção do ato sexual pela retração do pênis não é desagradável na medida em que ocorra após uma pausa tranqüila. Ao continuar a fricção, a excitação aumenta firmemente além do nível anteriormente atingido. Toma gradualmente, mais e mais, posse do corpo inteiro, enquanto o próprio genital mantém um nível mais ou menos constante de excitação. Finalmente, como resultado de um novo aumento habitualmente repentino de excitação genital, inicia-se a fase de contração muscular involuntária. Fase de contrações musculares involuntárias 6. Nesta fase, o controle voluntário do desenvolvimento da excitação não é mais possível. Apresenta os seguintes traços característicos: a) O aumento da excitação não pode mais ser controlado; antes, a excitação domina a personalidade total e causa uma aceleração do pulso e uma exalação profunda. b) A excitação física torna-se cada vez mais concentrada no genital; ocorre uma suave sensação que se pode descrever melhor como um eflúvio de excitação do genital para outras partes do corpo. c) Em primeiro lugar, essa excitação causa contrações involuntárias de toda a musculatura das regiões genital e pélvica. Essas contrações se experimentam sob a forma de ondas: a elevação da onda coincide com a total penetração do pênis, enquanto a descida da onda coincide com a retração do pênis. Mas logo que a retração ultrapassa um certo limite, ocorrem imediatamente contrações espasmódicas, que aceleram a ejaculação. Na mulher é a musculatura lisa da vagina que se contrai. d) Neste estágio, a interrupção do ato é totalmente desagradável, tanto para o homem como para a mulher. Havendo interrupção, as contrações musculares que levam ao orgasmo na mulher e à ejaculação no homem são espasmódicas em vez de rítmicas. As sensações causadas são sumamente desagradáveis e, 'ocasionalmente, sentem-se dores nas regiões pélvica e sacra. Além do mais, como resultado do espasmo, a ejaculação ocorre mais cedo que no caso do ritmo imperturbado. A prolongação voluntária da primeira fase do ato sexual (1 a 5) não é dolorosa quando levada até um certo ponto, e tem um efeito intensificador do prazer. 
Por outro lado, a interrupção ou mudança voluntária do seguimento da excitação na segunda fase é dolorosa por causa da natureza involuntária dessa fase. 7. Por meio de nova intensificação e do aumento de freqüência das contrações musculares involuntárias, a excitação sobe rápida e intensamente em direção ao clímax (III a C no diagrama); isso coincide, normalmente, com as primeiras contrações musculares ejaculatórias no homem. 8. Neste ponto, a consciência se torna mais ou menos nublada; seguindo-se a uma pequena pausa no "auge" do clímax, as fricções aumentam espontaneamente e o desejo de penetrar "completamente" se torna mais intenso com cada contração muscular ejaculatória. As contrações musculares na mulher seguem o mesmo curso que seguem no homem; há apenas uma diferença psíquica, isto é, a mulher sã quer "receber completamente" durante, e logo após, o clímax. 9. A excitação orgástica toma conta do corpo inteiro e produz fortes convulsões da musculatura do corpo todo. Auto-observações de pessoas sãs de ambos os sexos, e também a análise de certas perturbações do orgasmo, provam que o que chamamos alívio da tensão e experimentamos como uma descarga motora (curva descendente do orgasmo) é, essencialmente, o resultado da reversão da excitação do genital ao corpo. Essa reversão é experimentada como uma súbita redução da tensão. Por isso, o clímax representa o ponto decisivo no seguimento da excitação; isto é, antes do clímax, a direção da excitação é para o genital; após o clímax, a excitação reflui do genital. Essa completa volta da excitação do genital para o corpo é que constitui a satisfação. Isso significa duas coisas: refluir da excitação para o corpo inteiro, e relaxação do aparelho genital. 10. Antes de ser alcançado o ponto neutro, a excitação desaparece em curva suave e é imediatamente substituída por uma agradável relaxação física e psíquica. Habitualmente há também grande vontade de dormir. As relações sensuais se abrandam, mas permanece em relação ao companheiro uma atitude "saciada" e terna, a que se junta o sentimento de gratidão. Ao contrário, a pessoa orgasticamente impotente experimenta um esgotamento plúmbeo, desgosto, repulsa, aborrecimento ou indiferença e, ocasionalmente, aversão ao companheiro. Nos casos de satiríase e ninfomania, a excitação sexual não desaparece. A insônia é uma das características essenciais da falta de satisfação. Não se pode, entretanto, concluir automaticamente que uma pessoa experimentou a satisfação quando cai no sono imediatamente após o ato sexual. Se reexaminarmos as duas fases do ato sexual, veremos que a primeira fase é essencialmente caracterizada pela experiência sensorial de prazer, enquanto a segunda fase é caracterizada pela experiência motora de prazer. [...] (Imagens: Orgasmic Soul nº 2, by Michael G Quain/Foto: La petit mort, by Santillo). Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

ORGAZMO – A comédia Orgazmo (1997), escrito e dirigido por Trey Park e produzido por Matt Stone que mais tarde vão criar a série animada South Park, conta a história de um missionário mórmon que encontra hostilidade para realizar seu trabalho religioso, até encontrar um diretor pornô desprezível, finda contratado para estrelar no papel principal de um super-herói pornográfico. Nessa hora entra em choque o milionário salário e a sua fé religiosa, enquanto se vê famoso com sucesso surpreendente. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Imagem: Orgasmo y Una Mujer Que Disfruta, do artista plástico argentino Pablo Garat.


Veja mais sobre:
Sou mato, sou mata, sou Mata Atlântica, A hora dos ruminantes de José J. Veiga, a música de Peter Scartabello, o teatro popular de Augusto Boal, a pintura de Georges Rouault & Tom Fedro, a arte de Pristine Cartera & Patricia Galvão – Pagu aqui.

E mais:
Todo homem que maltrata a mulher não merece jamais qualquer perdão, Aracelli de José Louzeiro. Violência doméstica e sexual de Lucidalva do Nascimento, a música de Geraldo Azevedo & Neila Tavares, Violência contra a Mulher, Gershwin & Geneviève Salamone, a arte de Yukari Terakado & Nina Kuriloff, Marcha das Vadias & O desenlace da paquera entre Melzinha & Brothão aqui.
Brincarte do Nitolino, As regras humanas de Peter Sloterdijk, Viagem da noite de Louis-Ferdinand Céline, Aprendizagem do ator de Antonio Januzelli – Janô, a arte de Barbara Parkins & Sharon Tate, a dança de Isadora Duncan, a pintura de Georges Rouault & a música de Ivete Sangalo aqui.
Espera & Primeira Reunião, Glosas críticas de Karl Marx, Sóror Saudade de Florbela Espanca, a música de Maki Ishii, o teatro pedagógico de Arthur Kaufman, Musicoterapia de Rolando Benezon, o cinema de Silvio Soldini & Licia Maglietta, a pintura de Carl Larsson & o atletismo de João do Pulo aqui.
Traquinagens do amor, a pintura de Rodolfo Barral & Programa Tataritaritatá aqui.
A afetividade & a pedagogia do afeto & Sabedoria popular de Valério Arcary aqui.
Ética & moral aqui.
Ascenso Ferreira: Oropa, França & Bahia aqui.
A poesia de Mariza Lourenço aqui.
A imprensa e o Dia Mundial da Comunicação aqui, aqui, aqui. aqui & aqui.
A saúde no Brasil & o Dia do Serviço de Saúde aqui, aqui, aqui, aqui. aqui, aqui, aqui. aqui & aqui.
Diálogo entre ninguém e coisa alguma, a música de Cláudio Santoro & Lilian Barreto, Natália de Jussara Salazar, a pintura de Viktor Lyapkalo $ Aprumando a conversa aqui.
A menina morta, o pai assassino, Debaixo da ponte de Dalton Trevisan, a música de Caetano Veloso & Ute Lemper, a escultura de Jeff Koons, a arte de Jemima Kirke & Dani Acioli, Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é aqui.
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Quem vai pra chuva é pra se molhar, Da competição à cooperação de Pierre Weil, a música de José Miguel Wisnik, a arte de Jasper Johns & George Segal, Na lei da competição só se colabora pra vencer, o resto é conversa pra boi dormir aqui.
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quinta-feira, janeiro 01, 2015

AMINA EL BAKOURI, COLLEEN HOOVER, WISŁAWA SZYMBORSKA, SONITA ALIZADEH & LITERÓTICA

 


PROFANAÇÃO (Ou: o gosto perene da primeira vez) - Prólogo: descortinando os mistérios – a revelação. (Ao som de Qualquer coisa a haver com o paraíso, Mílton Nascimento & Flávio Venturini, Ângelus). À hora do Ângelus, ela espera. Ungida e provocante no trâmite das horas. Emborcada de Mandel: a nudez do corpo esguio à meia luz (Isso: lenço na cabeça, terço entre os lábios, crucifixo nas mãos). A espera na noite: uma alma desnuda no oratório. Apenas duas velas num castiçal e uma esperança fincada alumiando a pele acetinada que aguça o meu desejo de ontens. (Formoso perfil de Vasti – lindeza de Leonor Watling na cena de Almodóvar. Fervorosa fé de Rute, orações exaltadas de Ester: o olhar na crença e mãos sobre a Bíblia). Resignadas orações: escapulário e hozanas imaculadas lavando culpas, dores e passado. Não se dá conta na réstia da obscenidade do meu beijo ateu: a profanação de véspera, partícipe do ritual. Ela contrita, resignada; eu, danação. Atração de opostos, conflitos redundam. Mas convergem, porque de mim: bem-aventurado o que goza porque dele é o reino parais(s)o. Estribilho: a hóstia & comunhão – a carne do sal da terra. (Ao som de Um anjo, Egberto Gismoti, Zig Zag) Flagro o instante e a pele acetinada aguça o desejo de ontens: tudo candura dela e perversidade de mim (seu sangue, meu vinho). E o meu olhar insolente na aura destrancada: um anjo caído. Meu corpo e a salvação pro que é, foi e será: um feito deus sem criação, sem éden, sem nada. Misérias de ser encanto de mulher. Pela angelical candura sou atraído até me perder nas linhas da palma de sua mão (um convite ao turbilhão atávico de suas reencarnações). Nela, juro que me perco a bel prazer. E numa tentação advena alcançando seus dedos, um carinho na graça manual. Tomo seu pulso e logo seus braços, seios, ombros, faces, tudo é magia pura como irrevelável segredo desvelado. E vou me perder mais ao roçar-lhe a boca com o anular: respiração e espasmos. Rezas, suspiros e pálpebras cerradas. (Revirando os olhos, mordendo os lábios, lambendo meu dedo). E mais me perdendo me encontro com sua voz sussurrada a tomar meu nome ofegante de rei adorado. Manhosa de sangue quente no bico da chaleira fervendo. Dengosa revel aos caprichos das minhas investidas certeiras. E faz de conta que alheia num truque sagaz quando cheiro seus cabelos em desalinho nos olhos – grandes olhos inocentes e fugazes - até o pescoço num beijo que lambe o ombro e dá na mandíbula pra expirar devagar por trás das orelhas, até sentir-lhe a pele eriçada no seu corpo clareira e eu ébrio com o aroma exalado. E se contorce serpente irresistível e desfalece se esfregando ao meu toque. E se submete e subjugo: nossa liturgia profana. E envolvo a cintura até os seios de mil ternuras e cravo-lhe os dentes na carne, encosto o meu membro ativo ao que rebola com ar de menina dengosa, ah, minha doce pessoínha exalando uma aura de zis infâncias da adulteza alada. Fica minha e inteira e toda e de suas costas imantadas emerge de bruços toda eletricidade atrativa do convite irrecusável: o cálice do paraíso no gozo da carne, a glória da vida eterna que equivale a se afogar no redemoinho de nossas mais indecentes poses íntimas. Refrão: a marca aguda na memória da pele (Ao som de Naávu Javassarê, Edson Natale & Carmina Juarez, Lavoro). Ah, ela nua é linda, um anjo destamaínho: no meu tope. A pele e o desejo. Iluminou-se de mim agarrada às cortinas do templo irreal. Sabia: meu café da manhã, almoço e janta. Era ela. (A cruz entre os dentes na vulva. A saliva reluz meu cetro como hóstia dessacralizada). Ah, minha estóica de peitinhos miúdos, franzina e sedutora, safada e minha, me aproprio de seu corpo louvando todas as suas maravilhas: não existem asas nos flancos, só o hálito de sangue, sexo e prazer. (A beleza que vem de dentro). E eis que suspira esfolada com voz rouca safada, se derretendo inebriante sob o seu garanhão puro-sangue - a pressão do meu membro contra a sua pele translúcida de válvula aberta, fantasias delirantes no delta inexplorado. (O lenço à boca para sufocar suspiros maiores às alturas de um forno que não há como escapar). Apoio-me em seu dorso para salpicar sua fonte de areia movediça. E se acende o gozo que se faz luz no meu prazer. Só noite e gemidos – o bramir das ondas da tesão. Epílogo: a glória altissonante na satisfação do amor (Romance de Minervina, romance nordestino procedente do séc. XIX, recriado por Antonio José Madureira para Orquestra Armorial, Do Romance ao Galope Nordestino) Descalça e nua, faz de mim seu refúgio: carinha de anjo e olhos nas estrelas, aquele molho de prazer. Ri como quem habita o céu depois do batismo, crisma e beatificação – riso de sol no mar -, depois dos gemidos e salmos. Depois do gozo na noite interminável. Resta espremida exausta quase encolhida nos meus braços: apascentada fera que cavalgou delícias franziu semblante e se esgoelou inteira a se deleitar com as minhas investidas pelos terraços, salas e oitões. E pendendo sobre mim no impulso do afeto, vou retesado arrimo e aprumo. Nada dito: só o flagra do triunfo. E exulta meu nome cantando louvores. E eu feliz e grato, retomo o repasto. Um gozo renovado. Revolvidas entranhas e trevas da noite, chega a se aninhar até dormir em mim com todas as bênçãos e misericórdias para todos os sacrifícios. (Para a felicidade, todo prazer é doloroso). E, de mão beijada, se espalha toda sob o bombardeio das carícias a dar conta de tudo que é vida entre nós. E em paz deita como num repouso seguro, agora e para sempre dentro de mim, amem. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Há muito sofrimento e injustiça no mundo, e também há muita esperança. Quando você dá um passo à frente e começa a falar sobre o que vê e o que deseja mudar, pode começar a viver nessa esperança em vez de no desespero. Quando a minha mãe me disse que tinham de me vender, não consegui respirar; Eu não conseguia falar. Quando fui vendida para casamento, era difícil ver um futuro para mim. Uma boa menina no Afeganistão deveria ficar calada, não deveria falar sobre o seu futuro, deveria ouvir a sua família, ser como uma boneca para que todos possam brincar com ela. Vi meus amigos sendo espancados porque disseram não ao casamento infantil. Há um grande poder em falar a sua verdade e defender algo importante. Não houve desistência. Tentando e tentando. É disso que eu sou... Pensamento da rapper e ativista afegã Sonita Alizadeh, autora do vídeo Noivas para venda.

 

ALGUÉM FALOU: Sou antiquada e acho que ler livros é o passatempo mais glorioso que a humanidade já inventou. A alegria de escrever. O poder de preservar. Vingança de uma mão mortal... Pensamento da da escritora polonesa e Prêmio Nobel de Literatura de 1996, Wisława Szymborska (1923-2012). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

BATEU - [...] Não leve a vida muito a sério. Dê um soco na cara quando ele precisar de um bom golpe. Ria disso [...] Há três perguntas às quais toda mulher deveria ser capaz de responder sim antes de se comprometer com um homem. Se você responder não a qualquer uma das três perguntas, corra como o diabo. [...] Ele trata você com respeito em todos os momentos? Essa é a primeira pergunta. A segunda pergunta é: se ele for exatamente a mesma pessoa daqui a vinte anos que é hoje, você ainda gostaria de se casar com ele? E, finalmente, ele inspirar para ser uma pessoa melhor? Você encontra alguém que pode responder sim a todas as três, então você encontrou um bom homem [...] Questionar tudo. Seu amor, sua religião, sua paixão. Se você não tiver perguntas, nunca encontrará respostas. [...]. Trechos extraídos da obra Slammed (Atria, 2012), da escritora estadunindense Colleen Hoover.

 

ELOGIO VISIONÁRIO (fragmento) - não sou objeto de desejo seu... \ As lâminas da minha alma \ Estão sobrecarregadas com racemos de luz. \ Manchadas com a escuridão misteriosa do brilho das palavras \ Minhas mãos confiscam meus dias \ brilhando com tinta \ que escorre dolorosamente opaca \ no seio dos sonhos... \ Horrorizado, bebo nas alturas \ Cujas bênçãos do orvalho marinho me cercam \ Com votos de nada \ E cabras selvagens de brancura... \ As fibras do céu testemunham \ Da minha desobediência \ E do meu desligamento do pecado da revelação original... \ Da dor que se esconde \ Atrás do sol branco \ E do minarete musical da fala. Poema da escritora e professora marroquina Amina el Bakouri, autora da obra Ra’ian Ya’tika Lmadih (2002) e que também se expressa: A jornada da escrita é uma narrativa paralela à jornada da vida... A poesia é um sentimento; nunca foi prerrogativa de um povo, raça ou nação. É uma plenitude, um brilho, um fogo abrasador. Se a poesia morrer, o que resta?... O artista hoje precisa contribuir para a amarga realidade com uma medida de imaginação criativa, algo belo mesmo que seja simples. Nos dias que virão, procurar o que é simples na vida seria como procurar um milagre.

 

SACADOUTRAS

 


Imagem: D´Ou Vennons-Nous? Qui-Sommes-Nous? Ou allons-Nous? (De Onde Viemos? Que Somos? Para Onde Vamos? - O ciclo da vida e a trajetória humana), Óleo sobre tela, Taiti - 1897, do pintor do pós-impressionismo francês Paul Gauguin (1848-1903). Veja mais aqui e aqui.

Ouvindo: L´Acte préalable (Preparation to the final Mystery), do compositor russo Alexander Scriabin (1872--1915), com a Deutsches Symphonie-Orchester Berlin & St Peterburg Chamber Choir

PARA QUÊ AS RIQUEZAS? – Respondendo a essa indagação, o físico alemão Albert Einstein (1879-1955) assevera: “Todas as riquezas do mundo, ainda mesmo nas mãos de um homem inteiramente devotado à ideia do progresso, jamais trarão o menor desenvolvimento moral para a humanidade. Somente seres humanos excepcionais e irrepreensíveis suscitam idéias generosas e ações elevadas. Mas o dinheiro polui tudo e degrada sem piedade a pessoa humana. Não posso comparar a generosidade de um Moisés, de um Jesus ou de um Gandhi com a generosidade de uma Fundação Carnegie qualquer”. (Albert Einstein, Como vejo o mundo). Veja mais aquiaqui, aqui e aqui

A PAZ DE KRISHNAMURTI – Como hoje é o Dia Internacional da Paz, nada melhor que as palavras de reflexão do filosofo, escritor e educador indiano Jiddu Krishnamurti (1895-1986): [...] necessitamos de paz. A paz e a liberdade são uma necessidade absoluta, porque nada pode florescer, funcionar plena e completamente, a não ser na paz, e a paz não é possível sem a liberdade. Há milhões de anos que vivemos em conflito, não só interiormente, mas também exteriormente. Nos últimos cinco mil e quinhentos anos travaram-se catorze mil e tantas guerras – quase três guerras em cada ano, durante a história escrita do homem – e aceitamos tal maneira de viver, aceitamos a guerra como norma da vida. Mas, nada pode funcionar ou florescer no ódio, na confusão, no conflito. Como entes humanos, temos de encontrar uma diferente maneira de viver – de viver neste mundo sem conflito interior. Então, esse sentimento interior de paz poderá expressar-se, em ação, na sociedade. Cumpre, portanto, a cada um averiguar por si próprio se, vivendo em relação com o mundo, como ente humano, é capaz de encontrar aquela paz – não uma paz imaginária, mítica ou mística, fantástica; se é capaz de viver sem nenhuma espécie de conflito interior e de ser totalmente livre, não imaginariamente livre, num certo mundo místico, porem realmente livre, interiormente – pois então esse estado se expressará exteriormente, em todas as suas relações. Eis as duas questões principais. Cumpre-nos descobrir se o homem – vós e eu- tem possibilidade de viver e atuar neste mundo de maneira diferente, sem conflito de espécie alguma, tornando-se, assim, capaz de criar uma estrutura social não baseada na violência. Neste país pregou-se a não violência durante trinta, quarenta anos, ou mais, e todos vós aceitastes esse ideal da não violência, e incessantemente repetíveis essas frase. Durante milhares de anos vos disseram que não deveis matar. De repente, da noite para o dia, tudo isso desapareceu. Isso é um fato, e não uma opinião minha. E é bem estranhável que não hajam aparecido indivíduos capazes de dizer: Não quero matar – e dispostos a enfrentar as consequências. Tudo isso – isto é, viver verbalmente, aceitar facilmente ideais e com igual facilidade abandoná-los – denota uma mente sem nenhuma seriedade, nenhuma gravidade, uma mente leviana e não uma mente interessada a sério nos problemas mundiais. Um dos principais problemas do mundo é a guerra – não importa se ofensiva ou defensiva. Enquanto existirem Estados soberanos, nacionalidades separadas, governos separados, com seus exércitos, fronteiras, nacionalismos, tem de haver guerra. Serão sempre inevitáveis as guerras, enquanto o homem estiver vivendo entre as fronteiras de uma ideologia. Enquanto o homem existir dentro dos limites do nacionalismo, dentro dos limites religiosos ou dos limites dos dogmas – cristão, hinduísta, budista ou maometano – haverá guerras. Porque esses dogmas, essas nacionalidades, essas religiões separam os homens. E, escutando o que está dizendo, naturalmente direis: Que posso eu, como ente humano, fazer quando minha pátria me chama às armas? Tendes de ir para a luta, inevitavelmente. Isso faz parte desta estrutura social, econômica e política. Mas, dessa maneira não se resolve problema algum. Como já disse, houve nos últimos cinco mil e tantos anos quase três guerras em cada ano. Urge, pois, encontrarmos uma diferente maneira de viver – não no céu, porém sobre a terra – uma diferente norma de comportamento, um valor diferente. E isso não será possível se não compreender o problema da paz, que é também o problema da liberdade. Por conseguinte, a primeira necessidade é de descobrirmos se é possível a cada um de nós, nas suas relações – no lar, no trabalho, em todos os setores da vida – acabar com o conflito. Isso não significa isolar-se, tornar-se monge, refugiar-se num certo recesso da imaginação, da fantasia; significa, sim, viver neste mundo com compreensão do conflito. Porque, enquanto houver conflito de alguma espécie, nossa mente, nosso coração, nosso cérebro, não poderão funcionar com o máximo de eficiência. Só podem funcionar a pleno quando não há atrito, quando há clareza. E só há clareza quando a mente, que é o todo – o organismo físico, as células cerebrais – quando essa totalidade que se chama mente se encontra num estado de não conflito, funcionando sem atrito algum; só então pode haver paz. (Jiddu Krishnamurti, A mutação da mente). Veja mais aqui e aqui.

DIA INTERNACIONAL DA PAZ



REFERÊNCIAS
EINSTEIN, Albert. Como vejo o mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
KRISHNAMURTI, Jiddu. Viagem por um mar desconhecido. Rio de Janeiro: Três, 1973.


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