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terça-feira, julho 13, 2021

PAULINA CHIZIANE, RÓMULO GALLEGOS, TERESINHA GONZAGA, BRENDA MARQUES PENA & IMERSÃO LATINA

 

 

TRÍPTICO DQP –- Da arte vida... Imagens: Arte do artista visual & poeta Tchello D’Barros, ao som do tema de Impressões Seresteiras, de Villa Lobos, com arranjo e adaptação para violão de Silvio Santisteban. - Geruzilda enviuvou ainda jovem, só lhe restava o filho que era os pés da doida: todo mundo aparecia com reclamações por conta das suas travessuras. Ao chamá-lo para a reprimenda, a cara mais lisa dele amolecia o coração dela. Até que a parentalha pegou pesado. Ora, o menino tinha os maus bofes do pai: Veja se não é, cagado e cuspido! A todo instante ela conferia: parecia mesmo que o defunto esculpia nele todas as maledicências. Ela entristeceu com isso: não havia nele nada dela, era incorrigível, puxava em tudo ao pai. Encostada na desolação do canto da casa, guardava o sono dele. Eis que aparece a madrinha, Gelcidália: Que é que há comadre? Ao tomar ciência de tudo, olhou pro afilhado, virou-se para ela e parecia copiar o ocorrido d’O escultor invisível, do escritor venezuelano Rómulo Gallegos (1884-1969): - Que coisa tão esquisita! – disse. – Você não reparou que esta criança tem duas caras? Uma quando está acordado: cara de mau; outra, quando está adormecida. Então, parece-se muito com você. Repare: é o seu vivo retrato quando era pequena. Aí ela animou-se: É mesmo, comadre? Ora se é, anime-se. Pelo menos; então, tem jeito num tem? Sossegue, é só um menino. E assim disse com aquele tom poético de Paulina Chiziane: A vida é como a água, nunca esquece o seu caminho. A água vai para o céu, mas volta a cair na terra. Vai para o subterrâneo, mas volta à superfície. A vida é um eterno ir e voltar. O corpo é apenas uma carcaça onde a alma constrói a sua morada... Pois é, a vida passa e ao mundo tudo se revela.

 


Ah, a vida imita a arte sempre... - Essa foi a primeira entre as colisões do Bidião com o padre Quiba. E se deu no dia em que a matriarca Maroca bateu as botas. Foi assim: certa manhã lá ia o menino de calças curtas e seboseira nas ventas, passando pela casarão da ricaça. Estranhou as portas abertas, pulou o muro, roubou umas pitangas e foi entrando casa adentro. Procurou dos empregados e deu com o lugar mais limpo. Ouviu um choramingado distante e seguiu procurando onde, bateu pra todo lado e seguiu escadaria acima, até o quarto suntuosíssimo da baronesa. Passou pela porta entreaberta e lá estava ela deitada na sua enorme cama. Ao vê-lo chamou com um gesto de mão, pediu que se aproximasse e com dificuldade disse para ele chamar o padre urgentemente. Que foi? Ela insistia. Assim foi num pé e voltou no outro. Aboletou-se do lado dela: Vou morrer, meu filho, cadê o padre que não chega para a extrema-unção. Depois de horas chegou o vigário todo afobado, expulsando-o do ambiente. Saiu a contragosto, sentou-se na escadaria e ali ficou matutando. Não demorou muito o pároco saiu às pressas revirando tudo dentro da casa. Ao se livrar das passadas avexadas do religioso, ele levantou-se e foi até ela que dava os últimos suspiros. Ao percebê-la imóvel, resolveu ir embora e na saída o padre mandou-o carregar uma poltrona velha e jogar no lixo. Tentou pegá-la e não conseguia de tão pesada. Saiu e voltou com um carro-de-mão. Muito esforço para conduzir aquela cadeira grandiosa. Até que conseguiu colocá-la sobre a sua condução e, ao invés de sacudi-la, levou pro seu próprio quarto e aboletou-se como o barão. Ali ficou ajeitando canto para ela. No outro dia seguiu pro enterro postando-se na cabeceira do caixão. Nisso, percebeu que o olho da defunta abria e fechava. Psiu! Era ela, estava viva. Foi conferir de perto e, antes que pudesse gritar, ela sussurrou um segredo ao seu ouvido e, depois da revelação, morreu de vez. Seguiu toda cerimonia até se certificar de que fora mesmo sepultada. Pronto, acabou-se. Aquilo remoía sua cabeça e preferiu transparecer, ficando o resto da tarde toda intrigado com o que ela disse. Chegou a noite, resolveu passear. Ao passar pelo cinema estava em cartaz a comédia The Twelve Chairs (1970), do Mel Brooks, anunciada como Banzé na Rússia. Juntou os trocados do bolso e foi assistir. Não sabia ele que era uma entre as dezoito adaptações da película de 1928, da dupla Ilya Ilf e Yevgeny Petrov e que ganhara, inclusive, uma versão brasileira intitulada Treze cadeiras (1957), estrelada por Oscarito e produzido pela memorável Atlântida. Olhos grudados na tela, bastaram as primeiras cenas: matou a charada. No outro dia a cidade em peso acordava com um manuscrito embaixo da porta: O padre Quiba surrupiou as poltronas da Maroca! Pense numa bronca!

 


Vidarte & vice-versa... - Ao desembarcar no aeroporto do Recife, oriundo do Rio de Janeiro, ao invés de seguir o meu roteiro, fui levado por um desvio de percurso, atendendo um pedido irrecusável: conhecer a arte da ceramista e artesã Teresinha Gonzaga, lá no Alto do Moura, em Caruaru. Gente! Diante daquilo tudo, fiquei sabendo que era de uma família de louçeiros que vendiam peças utilitárias confeccionadas em barro, para serem vendidas na feira da cidade, o que a fez iniciar no ofício desde menina. Herdou o nome do marido artesão, substituindo o sobrenome familiar de Gonçalves Simões, e junto com seus filhos expõe peças decorativas, figurativas e utilitárias. Pense no monte de potes, jarras, panelas, pratos, luminárias, bonecos de barro e o cotidiano nordestino. Tudo muito surpreendente. Acontece que, ao mesmo tempo, sou contemplado com outra grata surpresa: a de conhecer a arte da ativista-imersiva-poeta-baterista-jornalista, Brenda Marques Pena, que se assina sujeita coletiva multifacetária, que me chegou com um mote bem glosado: O que podemos fazer é ter bastante paciência e aproveitar para ler muito, fazer o que gosta em casa e também nos comunicarmos virtualmente. Nós estamos separados por hora e quanto mais nos isolarmos agora, estaremos em breve juntos. Aproveitemos para aprender com este momento que tem muitas lições para a humanidade. Podemos aprimorar nós mesmos sempre. Seja solidário. Há muita gente que precisa de apoio e uma ligação, um carinho, mesmo que virtual, faz muita diferença! Curioso como sou, fiquei logo sabendo que ela é a fundadiretora do Instituto Imersão Latina (IMEL), do Círculo de Poetas e Narradores do Mercosul e da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB), em Minas Gerais, afora ser integrante dos coletivos de escrituras Migrante e o Nós da Poesia. Não perdeu tempo e me convidou para participar do Semanário Latinoamericano, produzido e apresentado por ela e Raúl Larrosa, no Imersão Migrante, em homenagem aos 85 anos do Hermeto Pascoal, com participação de Lucia Helena Issa (Rio de Janeiro/RJ), Alexandre Santos (Recife/PE), Nelson Giles (São Lourenço/RS) e Izabel Gadelha (Acará/PA). Tudo muito bom. Infelizmente não pude entrar ao vivo, mas a minha martelada Tataritaritatá se fez presente, com a intervenção luxuosa do Tchello d’Barros. Muito obrigado, beijabrações paratodos & até mais ver.

 

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terça-feira, junho 30, 2020

ANN BRASHARES, GALEANO, BLACKMORE, GRADA KILOMBA, JAUME PLENSA, FERNANDO SPENCER, RUMIN & VÍCIO DA LIBERDADE DE EVANDRO LINS E SILVA



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: AUTORRETRATO, ALTER EGO & OUTROS – De mim pouco mais que pouca coisa: montagens, remontagens, desconstruções, descontinuidades, impermanências, diluições. Protagonista quixotesco quase me esvaindo: a solidão do mar que beija a terra e o poema na garrafa, ah, joguei fora, nenhum verso a vista, nenhuma canção. Um gesto vão e o Una escorre solto coração apertado, o desespero de quem chegou de longe, tudo inóspito, nada mais que um astronauta na lua. Esse meu mundo é tão pequeno, o abandono de quem ergueu um contíguo pardieiro entre antípodas inebriantes do que nem sei, ouvindo Audre Lorde na escuridão: Sinto, logo sou livre. Seu silêncio não o protegerá. Sem comunidade, não há libertação. Lavrador dos dias que venham depois, abro os olhos, despojado, jamais cajado e grandes palácios, sou apenas o que me resta.

DUAS: SOLILÓQUIO VENCIDO - Um asteroide cruzou a minha noite e deixou claro que o A quer dizer antes de mais nada será quase nove fora do que sequer passei por adição, enquanto eu dou conta do meu abecedário laudatório rimado a 3 por 4. Se não é como eu digo, Peter Paul Rubens avisa que: Sou apenas um homem simples em pé, sozinho com seus antigos pincéis, pedindo a Deus por uma inspiração. Daí, alimento a solidão e tudo é como se fosse pintado de branco nas minhas releituras: reprises, escrutínios e o crime da pena, só o que sou.

TRÊS: MUDANDO DE PAU PARA CACETE, A MAIOR MISE-EN-SCÈNE ESCATOLÓGICA! – Desde que o Coisonário se instalou por estas bandas que as coisas viraram de cabeça para baixo! Ele desenterrou múmias pros ministérios (Um educador que inventou o diploma e não tem nenhum porque o pinoteiro crasso anterior escapuliu com tudo pro USA só deixando a língua de fora; uma doida dos ares que prega suas ideias de cima duma goiabeira anunciando, inclusive, o fim do mundo & outras tresloucadas de palmos entre as mãos!; outros doidões despreparadíssimos que brincam do que não sabem na saúde, meio ambiente, finanças e etc e tal, pei bufe, ploft!). Só que dá tudo errado pras bandas deles (o pior pra gente, ora!). Eles metem as mãos pelas pernas, arengam entre si e a gente morre de rir do flagelo que nos vitima na lama até o pescoço (a gente não saber fazer outra coisa senão rir e dar um jeitinho em tudo na horagá!). Só que não tem graça nenhuma essa reprodução da pior cafonália! Ele conseguiu deixar a terra plana e trouxe as pragas do Egito: tingiu o mar de óleo, fez aparecer uma praga de gafanhotos, uma pandemia dizimando tudo, incêndios e disparates, afora um monte de pinoias cagadas todos os dias desde então. Até a Doidares empiora nossa sina ao vaticinar aos berros saltitantes com o coro do mão-de-figa Guedeconômico tchutchuca, Ricardendroclasta impune, o Flagrenrique abilolado, Friculturisadinha e o Decoltildo (ainda está no cargo? Sei não, é um cai cai balão que não tem festa junina que vingue!), a tropa da reserva e milicos milicianos, anunciam que as rãs cobrirão a terra, os piolhos atormentarão todos os animais, inclusive o humano; as moscas escurecerão o ar e atacarão tudo; todos os animais morrerão com uma chuva de granizo que destruirá até a selva amazônica, o pantanal mato-grossense e todo território nacional; pústulas cobrirão todo ser vivo (pensei que só ocupassem cargos públicos!!!! Mas não...); o Sol escurecerá por três dias; e os primogênitos morrerão! Aí o Coiso endoidou: Meus filhos, não!!!!! Bateu a maior doidice de blindagem e tiro pela culatra! Uma coisa eu sei: eles têm a força, afinal são bregas entusiasmados e nada convincentes que querem passar por cima de tudo para alegria da sua embotada corriola. Isso quando não falam o que dá na telha e jogam tudo no ventilador. Para não perder a piada, Mel Brooks sapeca: Uma gafe é apenas uma verdade dita na hora errada. O que os presidentes não fazem com suas esposas, eles fazem com seu país. Espere o melhor. Espere o pior. A vida é uma peça de teatro. Nós não estamos ensaiando. Pelo jeito, os caras são poderosos mesmo! O que será do meu Brasilzilzilzilzil!?!?! Sei lá, tomara nos mantenha vivos até ruírem não sei quando! Até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Enquanto o sujeito Negro se transforma em inimigo intrusivo, o branco torna-se a vítima compassiva, ou seja, o opressor torna-se oprimido e o oprimido, o tirano [...] No mundo conceitual branco, o sujeito Negro é identificado como o objeto ‘ruim’, incorporando os aspectos que a sociedade branca tem reprimido e transformando em tabu, isto é, agressividade e sexualidade. Por conseguinte, acabamos por coincidir com a ameaça, o perigo, o violento, o excitante e também o sujo, mas desejável – permitindo à branquitude olhar para si como moralmente ideal, decente, civilizada e majestosamente generosa, em controle total e livre da inquietude que sua história causa [...]. Trechos de The mask, extraído de Plantation memories: episodes of everyday racism (Unrast Verlag, 2010), da escritora, psicóloga e artista interdisciplinar portuguesa Grada Kilomba, tratando sobre o exame da memória, trauma, gênero, racismo e pós-colonialismo, ao realizar atividades multidisciplinares que utilizam escrita, leitura encenada dos seus textos, instalações de vídeo e performance, nomeado por ela de Performing Knowledge. Ela também é autora de obras como Secrets to Tell (EDP, 2017) e The Most Beautiful Language (EGEAC, 2018).

 

OUTROS DITOS

Quando digo que a consciência é uma ilusão, não quero dizer que ela não exista. Quero dizer que a consciência não é o que aparenta ser. Se ela parece ser um fluxo contínuo de experiências ricas e detalhadas, acontecendo uma após a outra a uma pessoa consciente, isso é ilusão...

Pensamento da psicóloga, radialista e escritora britânica Susan Blackmore (Susan Jane Blackmore), autora dos livros Zen and the Art of Consciousness (2009), Consciousness: A Very Short Introduction(2005), Susan Blackmore, Conversations on Consciousness: What the Best Minds Think about the Brain, Free Will, and What It Means to Be Human (2005) e The Meme Machine (1999).

 

O LIVRO DOS ABRAÇOS, DE GALEANO

[...] Havia um homem velho e solitário que passava a maior parte do tempo na cama. Havia rumores de que ele tinha um tesouro escondido em sua casa. Um dia, alguns ladrões invadiram, revistaram em todos os lugares e encontraram um baú no porão. Eles saíram com ele e quando o abriram, descobriram que estava cheio de cartas. Eram as cartas de amor que o velho tinha recebido ao longo de sua longa vida. Os ladrões iam queimar as cartas, mas conversaram e finalmente decidiram devolvê-las. Um por um. - Uma por semana. Desde então, todas as segundas-feiras ao meio-dia, o velho estaria esperando que o carteiro aparecesse. Assim que o viu, ele começaria a correr e o carteiro, que sabia tudo sobre isso, segurava a carta pronta em sua mão. E até mesmo St. Pedro podia ouvir o bater daquele coração, enlouquecido de alegria ao receber uma mensagem de uma mulher. [...]

Trecho extraído da obra O livro dos abraços (L&PM, 2005), do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

MEU NOME É MEMÓRIA, DE ANN BRASHARES

[...] Ame quem você ama enquanto os tem. É tudo o que você pode fazer. Deixe-os ir quando for preciso. Se você sabe amar, nunca ficará sem. [...] O amor exige tudo, dizem, mas o meu amor exige apenas isto: que não importa o que aconteça ou quanto tempo leve, você mantenha a fé em mim, lembre-se de quem somos e nunca sinta desespero. [...] você se lembra do que está perdido e esquece o que está bem na sua frente. [...].

Trechos extraídos da obra My Name Is Memory (Riverhead Hardcover, 2010), da escritora estadunidense Ann Brashares, autora dos livros Forever in Blue: The Fourth Summer of the Sisterhood (2007), Girls in Pants: The Third Summer of the Sisterhood (2007) e The Sisterhood of the Traveling Pants (2001), entre outros. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

DESTAQUE: [...] Nada disso tira o fato de que enxergo o extraordinário dentro de você, algo acobertado por sua beleza exterior e que poucas pessoas, hoje em dia, têm o dom de desvendar. Isso talvez seja coisa de escritor, desses metidos a poeta, como eu, que enxergam tudo dentro de rimas. [...] Trecho de Realidade clandestina, da escritora, advogada e professora G. P. Silva Rumin, autora dos livros Kátharsis, com poesias de celebração ao amor próprio e empoderamento humano, e a narrativa ficcional June (2015). Ela também edita o blog GPensadora. Veja mais aqui.

O VÍCIO DA LIBERDADE
Liberdade Liberdade Habeas Corpus sobre nós. Apesar dos anos passados, sinto ainda o mesmo amor, que nada arrefece, pelo ministério da advocacia, embora outros haja exercido. Eu tenho o vício da defesa da liberdade. Não escolho causas para defender alguém. Minha maior glória seria morrer no Tribunal do Júri. Não é preciso defender ‘bonito’, é preciso defender ‘útil’.
O VÍCIO DA LIBERDADE - O documentário O Vício da Liberdade (2002), dirigido e roteirizado por Flavia Lins e Silva, Vinicius Reis e Eduardo Vaisman, conta a trajetória do jurista, jornalista, professor e escritor Evandro Lins e Silva (1912-2002), que foi procurador-geral da República, ministro-chefe da Casa Civil e das relações exteriores, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e teve seu mandato cassado pelos militares com a instituição do AI-5. Anos mais tarde, ele foi o advogado de acusação no processo de impeachment de Fernando Collor e, em 2000, defendeu José Rainha Júnior, líder do MST. Era membro da Academia Brasileira de Letras e sobre sua vida foi escritor o livro Liberdade Liberdade Habeas Corpus Sobre Nós (Impresso no Brasil, 1994), de Nélio Roberto Seidl Machado. Veja mais aqui.

A ESCULTURA DE JAUME PLENSA
Eu cresci em uma família obcecado por livros. Meu pai, ele estava sempre comprando livros e lendo e lendo. Minha educação visual era mais texto, do que arte ou imagens. Eu usei um tipo muito denso de madeira. Não flutua. E é ótimo porque é tão denso que não há flambagem. É realmente como uma pedra e eu adoro isso, porque na escultura você tem esse tipo de veia, e essa cor estranha no rosto e nas mãos também é uma posição que diz: 'Silêncio'. Eu realmente não sei pedir silêncio hoje, porque estamos em um momento muito barulhento, em termos de ideias.
A arte do escultor e artista espanhol Jaume Plensa. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A arte do cineasta e jornalista Fernando Spencer (1927-2014), autor dos premiados Caboclinhos do Recife (Super-8, 10m); Valente é o galo (1974, Super-8, 10 m); Bajado – um artista de Olinda (Super-8, 1975), O teu cabelo não nega (Super-8, 1975); Domingo de fé (Super-8, 1976), Quem matou Marilyn (melhor montagem do IV Festival de Cinema Nacional de Sergipe, 1976); Toré a Nossa Senhora das Montanhas (Super-8, 1976), Farinhada (Super-8, 1977), A eleição do Diabo e a posse de Lampião no Inferno (Super-8, 1977), Frei Damião: um santo no Nordeste? (Super-8, 1977), Adão foi feito de barro (1978) RH positivo, As corocas se divertem (1978), Noza - santeiro do Carirí (1979) Cinema Glória (1979), Eróticos Corbinianos (1981); Santa do Maracatu (1981); Memorando Ciclo do Recife (1982); Estrelas de celuloide (1987); O último bolero no Recife (1987); Trajetória do frevo (1987); Evocações Nelson Ferreira (1988); A arte de ser profano (1999); e Almery, a estrela (2007).
&
Fome, criança e vida, do cientista e médico nutrólogo Nelson Chaves (1906-1982) aqui.
Desmanchando o nordeste em poesia, do poeta popular Manoel Bentevi aqui.
A música da cantora, compositora, percussionista, poeta e atriz Karina Buhr aqui.
Alvará de soltura, meu amor, do advogado e produtor teatral Bóris Trindade aqui.
Antes que ele chegue, com roteiro e direção de Clara Angélica Barbosa Rodrigues Santos aqui.
A arte da fotógrafa, artista plástica e professora Yêda Bezerra de Mello aqui.
A tapa e o infarto aqui.
&
Xexéu aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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domingo, junho 28, 2015

ROUSSEAU, PIRANDELLO, ALDEMAR PAIVA, MARLY, MEL BROOKS, GUILHERMINA, RADICETTI, PERSSON & SANTANNA O CANTADOR


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? JAPONÊS IMITA GONZAGÃO! (Fotos de lançamento do livro Paixão Legendária – Edições Bagaço, 1991)– Não era ele ainda o Santanna O Cantador de hoje, mas um graduado bancário que nas horas vagas já esbanjava seu talento cantando sucessos do Rei do Baião – na verdade, não só cantava como rendia homenagem praquele que o tivera por filho postiço. Eu fazia vez de jornalista numa emissora de rádio, quando batemos o centro na nossa primeira parceria: Nunca chore por mim – que na festa do lançamento de um livro meu – vide as fotos -, tornamos pública. E estávamos motivados pra mais uma dezena de parcerias, quando fomos entrevistar o renomado cantor e compositor cearense Belchior no Recife. Conversa boa regada a revelações e depoimentos que se prolongou por umas duas horas registradas no meu gravador, mas não podíamos esticar muito no papo porque, no outro dia, o meu amigo tinha que se aprontar pra mais um espetáculo pro povinho bom da minha terra. Assim foi e na hora da apresentação dele, como de costume, gente pendurada de todo jeito de cair pelo ladrão. E o cabra lá fazendo bem feito o que sabia melhor fazer metendo xote, baião, forró, rastapé e tudo que foi sucesso de boca em boca do grande cantor da alma nordestina. Lá pras tantas, eis que um biltre dum pinguço que já estava meio lá, meio cá, trocando as pernas e a vida dele e de todo mundo, chegou pra mim aos tombos e na maior da ingresia berrou na língua enrolada: - Já vi neguinho de todo jeito imitando o véi Lua, mas japonês é a premera veizi! E cuspiu no chão, passou insistentemente as mãos às vistas pra enxergar direito o que via e não acreditava, quando abusado reclamou: - Ou eu tô bêbo dimai, ou é o véi Lua qui ressuscitou num japa? Veja mais aqui, aqui e aqui.

 Imagem: Olhos observantes e pássaro curioso, da artista plástica Maria Luisa Persson. Veja mais aqui e aqui.

Curtindo as músicas do cd América, o décimo terceiro autoral do músico, compositor e arranjador Felipe Radicetti dedicado ao escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015) e contando com parcerias com Sérgio Ricardo, Felipe Cerquize, Marcelo Biar, Luhli, Socorro Lira, Etel Frota, entre outros. Confira o projeto aqui, aqui e aqui.

PROGRAMA BRINCARTE DO NITOLINO – Todo domingo, a partir das 10hs, realiza-se o programa Brincarte do Nitolino, desta feita Especial de São Pedro, no blog do Projeto MCLAM - programa Domingo Romântico. Na programação festiva de hoje comandada pela Ísis Corrêa Naves muitas atrações: Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Quintal da Cultura, Mario Zan & banda & coro, Festa Junina, Nita, Sandra Fayad, Tia Conça, Meimei Corrêa, Marquinhos & Marcelo, As Viagens de Oliva, Arraíá da Xuxa, Mastruz com Leite, Falamansa & muita música, muita poesia, histórias e brincadeiras pra garotada. E mais no blog sobre Psicologia Infantil, Educação Infantil, Direito das Crianças e Adolescentes, Teatro Infantil, Música Infantil & Literatura Infantil. Para conferir ao vivo e online clique aqui ou aqui.


AS CIÊNCIAS E AS ARTES – A obra Discurso sobre as ciências e as artes (1750), do escritor, teórico político, um dos principais filósofos do Iluminismo e precursor do Romantismo francês, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), conquistou o prêmio da Academia de Dijon ao questionar se o restabelecimento das ciências e das artes contribuiu para purificar os costumes. Do livro destaco os trechos seguintes: [...] Antes da arte modelar as nossas maneiras e ensinar as nossas paixões a falar uma linguagem apurada, nossos costumes eram rústicos, porém naturais; e a diferença dos procedimentos anunciava, ao primeiro golpe de vista, a dos caracteres. A natureza humana, no fundo, não era melhor; mas, os homens encontravam sua segurança na facilidade de se penetrarem reciprocamente; e essa vantagem, cujo valor não sentimos, lhes evitava muitos vícios. Hoje, que pesquisas mais sutis e um gosto mais fino reduziram a arte de agraciar a princípios, reina nos costumes uma vil e enganadora uniformidade, parecendo que todos os espíritos foram atirados num mesmo molde: a polidez sempre exige, o decoro ordena ; sem cessar, todos seguem os usos, jamais o seu próprio gênio. Ninguém mais ousa parecer aquilo que é; e, nesse constrangimento perpétuo, os homens que formam esse rebanho chamado sociedade colocados nas mesmas circunstâncias farão todos as mesmas coisas, se motivos mais poderosos não os desviarem. Jamais saberemos bem a quem nos dirigirmos: precisamos pois, para conhecer um amigo, esperar as grandes ocasiões, isto é esperar que não haja mais tempo, pois que é precisamente nesse tempo que seria essencial conhecê-lo. Que cortejo de vícios não acompanhará essa incerteza! Não há mais amizades sinceras não há mais estima real; não há mais confiança fundada. As suspeitas, as desconfianças, os temores, a frieza, a reserva, o ódio, a traição, hão de ocultar-se sempre sob o véu uniforme e pérfido da polidez sob essa urbanidade tão louvada, que devemos às luzes do nosso século. Não será mais profanado com juramentos o nome do senhor do universo; mas, será insultado com blasfêmias, sem que os nossos ouvidos escrupulosos se ofendam. Ninguém mais se gabará do próprio mérito, mas rebaixará o dos outros. Ninguém ultrajará grosseiramente seu inimigo, mas o caluniará com habilidade. Os ódios nacionais se extinguirão, mas será com o amor da pátria. A ignorância desprezada será substituída por um perigoso pironismo. Haverá excessos proscritos, vícios desonrados: mas, outros serão decorados com o nome de virtudes; será preciso tê-los ou os afetar. Gabar-se-á quem tiver a sobriedade dos sábios do tempo; quanto a mim, não vejo nisso senão um requinte de intemperança tão indigno de meu elogio quanto a sua artificiosa simplicidade. Tal é a pureza adquirida pelos nossos costumes: é assim que nos tornamos gente de bem. Cabe às letras, às ciências e às artes reivindicar o que lhes pertence em obra tão salutar. Acrescentarei apenas uma reflexão: o habitante de alguma região afastada que procurasse formar uma idéia dos costumes europeus sobre o estado das ciências entre nós, sobre a perfeição das nossas artes, sobre a afabilidade dos nossos discursos, sobre as nossas perpétuas demonstrações de benevolência, e sobre essa multidão tumultuosa de homens de toda idade e de todo estado que parecem ter pressa, desde o amanhecer até ao pôr-do-sol, de se obsequiarem reciprocamente; esse estrangeiro repito, adivinharia exatamente nos nossos costumes o contrário do que eles são. [...] Todo artista quer ser aplaudido. Os elogios dos seus contemporâneos constituem a parte mais preciosa de suas recompensas. Que fará, pois, para os obter, se tem a desgraça de ter nascido no seio de um povo e nos tempos em que os sábios em moda puseram uma juventude frívola em estado de dar o tom; em que os homens sacrificaram seu gosto aos tiranos de sua liberdade; em que, não ousando um dos sexos aprovar senão o que é proporcional à pusilanimidade do outro, se deixa que se percam obras-primas de poesia dramática e se joguem fora prodígios de harmonia? Que fará ele, senhores? Rebaixará seu gênio ao nível do seu século e preferirá compor obras comuns, que se admirem durante a sua vida, a maravilhas que seriam admiradas muito tempo depois de sua morte. Dizei-nos, célebre Arouet o que não sacrificastes de belezas másculas e fortes à nossa falsa delicadeza! E como o espírito da galanteria, tão fértil em pequeninas coisas, vos custou grandes! [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

UM AR CONDICIONADO DIFERENTE – Esse foi um dos presentes que tive a honra de ser contemplado pela médica, crítica literária e fotógraga, amiga Cidinha Madeiro. Trata-se da obra Saga do 44º Espada D’Água e outros causos e mais causos (EBGE, 2005), do saudoso poeta, cordelista, radialista, compositor, produtor e publicitário Aldemar Paiva (1925-2014), fundador da Rádio Difusora de Alagoas e que atuou na Rádio Clibe de Pernambuco, substituindo Chico Anísio como produtor, apresentador e diretor artístico. Tive a honra de conhecê-lo na segunda metade da década de 1980, quando fui diretor do Sindicato dos Radialistas de Pernambuco. Ler o livro foi como ouvi-lo contar das suas. E entre tantas e ótimas narrativas, destaco Ar condicionado: O cinema de Moacir possuía excelente aparelhagem, poltronas confortáveis, tela panorâmica, som maravilhoso e boa localização. Faltava apenas um sistema de refrigeração para o público. Um dia, causou estranheza aquela tabuleta enorme na fachada do Lux, anunciando Elizabeth Taylor em Cleópatra e com ar condicionado. Efetivamente eu não pisei lá, porém dias depois, ao encontrar Moacir na Praça Pirulito, decidi cumprimentá-lo: - Parabéns pela inauguração do ar! – Que inauguração que nada! Aquilo é um sistema proprip bolado por mim desde o ano passado. Veja como funciona: cadastrei vinte e cinco asmáticos da Ponta Grossa, com endereço e tudo. Quando faço lançamento de uma superprodução mando buscá-los. Eles chegam a partir das cinco horas da tarde. Aí eu distribuo pastilhas e clicetes de hortelã pimenta, e vou colocando todos eles em pontos estratégicos da plateia. Ao final eles começam mascando e botando aquele ar bem friinho pela boca. Em menos de uma hora o salão está praticamente refrigerado. Solto o filme e os funcionários vão cuidando de reabastecê-los durante a projeção. Como são asmáticos crônicos não existe perigo de esquentar o ambiente. O público adora e não reclama pelo ingresso um bocadinho mais caro. Entendeu? Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

ELEGIA QUANDO ESTIVER MORTA & SONETO – Na Antologia poética (Nova Fronteira, 1998), da poeta e professora Marly de Oliveira (1935-2007), destaco o seu Elegia: Teu rosto é o íntimo da hora / mais solitária e perdida, / que surge como o afastar-se / de ramos, brando, na noite. / Não choro tua partida. / Não choro tua viagem / imprevista e sem aviso. / Mas o ter chegado tarde / para o fechar-se da flor / noturna do teu sorriso. / O não saber que paisagens / enchem teus olhos de agora, / e este intervalo na vida, / esta tua larga, triste, / definitiva demora. O belíssimo Quando um dia estiver morta: Quando um dia estiver morta / e sobre mim caírem os adjetivos mais ternos, / não vou mover um dedo / de dentro do meu silêncio: / vou desdenhar do eterno / o que sempre chegou tarde, / demais, quando já nem era preciso. Por fim o seu Soneto: Ficou do amor, das tardes luminosas / à beira de mim mesmo transparente / e imóvel como os remos de alabastro / que o sonho vai movendo em minha mente, / entre algas finas e entre esquivos peixes / à margem de violetas assombradas, / do jogo eterno e cada vez mais sábio / das aves silenciosas e prateadas, / das águas sem memória e dos adeuses / que aprendi contemplando os horizontes, / este espinho que faz brotar da sombra / um apelo de campos e de montes, / e arranca à pedra em que me fui tornando / o delírio ou o grito de uma fonte. Veja mais aqui, aqui,  aqui, aqui e  aqui.

A PATENTE – A comédia em um ato A patente (1917), do dramaturgo, poeta e romancista siciliano Luigi Pirandello (1867 – 1936), retoma o tema do romance homônimo de 1911, revelando questões acerca das relações de entrelaçamento entre os homens corrompidos e poluídos por preconceitos e aparências para superficial julgamentos e conveniências, pendurados nas máscaras para sobrevivência. Da obra destaco o trecho inicial: (Gabinete do Juiz D’Andrea. Estante grande ocupa quase toda a parede ao fundo, cheia de caixas com arquivos, abarrotados de documentos. Escrivaninha sobrecarregada de papéis, à direita, ao fundo. Ao lado, à parede da direita, uma outra prateleira. A cadeira de braços de couro do juiz, junto à escrivaninha. Outra cadeira antiga. O ambiente é antiquado. Na parede direita, a porta. À esquerda, uma janela ampla, alta, com vitral antigo. Perto da janela, uma coluna sobre a qual vê-se uma grande gaiola. Num canto, uma portinhola oculta. D’Andrea entra pela porta com chapéu à cabeça e sobretudo. Carrega na mão uma gaiolinha um pouco maior que um palmo. Vai até a gaiola maior, abre a portinhola, depois a portinhola da gaiolinha donde retira um pintassilgo, transferindo-o para a gaiola maior) D’ANDREA - Aí, dentro! Entre, seu preguiçoso! Oh, pronto... Quietinho agora e basta. Me deixe conduzir a Justiça entre essa raivosa e mesquinha humanidade! (Retira o, sobretudo e o chapéu e colocando-os no cabide. Senta-se à escrivaninha; pega os autos do processo que deve instruir, os sacode ao ar impaciente, e resmunga) D’ANDREA - Ah, meu caro... Fica absorto, pensando, após um tempo toca a campainha. Entra o oficial de justiça Marranca. MARRANCA - Às ordens, senhor juiz! D’ANDREA - Tome, Marranca: vá ao Beco do Forno, aqui perto, à casa do Chiàrchiaro. MARRANCA - (num salto para trás, fazendo um sinal de esconjuro com as mãos) Pelo amor de Deus! Não diga este nome, senhor juiz! D’ANDREA - (irritadíssimo, batendo na escrivaninha com o punho) Basta, por Deus! Proíbo-lhe de proferir assim, na minha frente, tanta asneira, prejudicando um pobre homem. E que fique bem claro! MARRANCA - Desculpe, senhor juiz! Mas eu disse também pelo seu bem... D’ANDREA - Ah, e ainda insiste? MARRANCA - Não falo mais! Não falo mais! O que deseja que eu vá fazer na casa deste... Deste... Cavalheiro? D’ANDREA - Diga que preciso falar-lhe, e que se apresente imediatamente. MARRANCA - Imediatamente, senhor Juiz. Como deseja. Mais alguma ordem? D’ANDREA - Nenhuma. Vá! (Marranca sai, segurando a porta para dar passagem a outros três juízes, que entram vestindo toga e touca. Trocam saudações com D’Andrea, e vão os três olhar o pintassilgo na gaiola) [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.

HISTÓRIA DO MUNDO – A comédia antológica História do Mundo – Parte I (1981), escrito e dirigido pelo impagável cineasta e ator estadunidense Mel Brooks, é uma paródia histórica e bricadeira do autor da obra de Sir Walter Raleigh, que não segue cronologia alguma e traz ambientes ocorridos durante a Idade da Pedra com a invenção do fogo e os primeiros casamentos Homo sapiens entre homossexuais, o Antigo Testamento proclamando quinze mandamentos que devido a um acidente restam apenas dez, Império Romano e a paixão de Comicus pela vestal Miriam até o confronto bélico que é amainado pelas tapas na maconha, a Inquisição espanhola com Torquemada e as suas torturas, e a Revolução Francesa com o Conde Monet, seu sócio Béarnaise e a belíssima Mademoiselle Rimbaud, além de esquetes intermediários que incluem encenações dos Dez Mandamentos e da Última Ceia. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Imagem da violoncelista portuguesa Guilhermina Suggia (1885-1950), by Anita Mercier.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
(Imagem: Os violeiros, xilogravura de Nena Borges).
Aprume aqui.


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