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terça-feira, julho 13, 2021

PAULINA CHIZIANE, RÓMULO GALLEGOS, TERESINHA GONZAGA, BRENDA MARQUES PENA & IMERSÃO LATINA

 

 

TRÍPTICO DQP –- Da arte vida... Imagens: Arte do artista visual & poeta Tchello D’Barros, ao som do tema de Impressões Seresteiras, de Villa Lobos, com arranjo e adaptação para violão de Silvio Santisteban. - Geruzilda enviuvou ainda jovem, só lhe restava o filho que era os pés da doida: todo mundo aparecia com reclamações por conta das suas travessuras. Ao chamá-lo para a reprimenda, a cara mais lisa dele amolecia o coração dela. Até que a parentalha pegou pesado. Ora, o menino tinha os maus bofes do pai: Veja se não é, cagado e cuspido! A todo instante ela conferia: parecia mesmo que o defunto esculpia nele todas as maledicências. Ela entristeceu com isso: não havia nele nada dela, era incorrigível, puxava em tudo ao pai. Encostada na desolação do canto da casa, guardava o sono dele. Eis que aparece a madrinha, Gelcidália: Que é que há comadre? Ao tomar ciência de tudo, olhou pro afilhado, virou-se para ela e parecia copiar o ocorrido d’O escultor invisível, do escritor venezuelano Rómulo Gallegos (1884-1969): - Que coisa tão esquisita! – disse. – Você não reparou que esta criança tem duas caras? Uma quando está acordado: cara de mau; outra, quando está adormecida. Então, parece-se muito com você. Repare: é o seu vivo retrato quando era pequena. Aí ela animou-se: É mesmo, comadre? Ora se é, anime-se. Pelo menos; então, tem jeito num tem? Sossegue, é só um menino. E assim disse com aquele tom poético de Paulina Chiziane: A vida é como a água, nunca esquece o seu caminho. A água vai para o céu, mas volta a cair na terra. Vai para o subterrâneo, mas volta à superfície. A vida é um eterno ir e voltar. O corpo é apenas uma carcaça onde a alma constrói a sua morada... Pois é, a vida passa e ao mundo tudo se revela.

 


Ah, a vida imita a arte sempre... - Essa foi a primeira entre as colisões do Bidião com o padre Quiba. E se deu no dia em que a matriarca Maroca bateu as botas. Foi assim: certa manhã lá ia o menino de calças curtas e seboseira nas ventas, passando pela casarão da ricaça. Estranhou as portas abertas, pulou o muro, roubou umas pitangas e foi entrando casa adentro. Procurou dos empregados e deu com o lugar mais limpo. Ouviu um choramingado distante e seguiu procurando onde, bateu pra todo lado e seguiu escadaria acima, até o quarto suntuosíssimo da baronesa. Passou pela porta entreaberta e lá estava ela deitada na sua enorme cama. Ao vê-lo chamou com um gesto de mão, pediu que se aproximasse e com dificuldade disse para ele chamar o padre urgentemente. Que foi? Ela insistia. Assim foi num pé e voltou no outro. Aboletou-se do lado dela: Vou morrer, meu filho, cadê o padre que não chega para a extrema-unção. Depois de horas chegou o vigário todo afobado, expulsando-o do ambiente. Saiu a contragosto, sentou-se na escadaria e ali ficou matutando. Não demorou muito o pároco saiu às pressas revirando tudo dentro da casa. Ao se livrar das passadas avexadas do religioso, ele levantou-se e foi até ela que dava os últimos suspiros. Ao percebê-la imóvel, resolveu ir embora e na saída o padre mandou-o carregar uma poltrona velha e jogar no lixo. Tentou pegá-la e não conseguia de tão pesada. Saiu e voltou com um carro-de-mão. Muito esforço para conduzir aquela cadeira grandiosa. Até que conseguiu colocá-la sobre a sua condução e, ao invés de sacudi-la, levou pro seu próprio quarto e aboletou-se como o barão. Ali ficou ajeitando canto para ela. No outro dia seguiu pro enterro postando-se na cabeceira do caixão. Nisso, percebeu que o olho da defunta abria e fechava. Psiu! Era ela, estava viva. Foi conferir de perto e, antes que pudesse gritar, ela sussurrou um segredo ao seu ouvido e, depois da revelação, morreu de vez. Seguiu toda cerimonia até se certificar de que fora mesmo sepultada. Pronto, acabou-se. Aquilo remoía sua cabeça e preferiu transparecer, ficando o resto da tarde toda intrigado com o que ela disse. Chegou a noite, resolveu passear. Ao passar pelo cinema estava em cartaz a comédia The Twelve Chairs (1970), do Mel Brooks, anunciada como Banzé na Rússia. Juntou os trocados do bolso e foi assistir. Não sabia ele que era uma entre as dezoito adaptações da película de 1928, da dupla Ilya Ilf e Yevgeny Petrov e que ganhara, inclusive, uma versão brasileira intitulada Treze cadeiras (1957), estrelada por Oscarito e produzido pela memorável Atlântida. Olhos grudados na tela, bastaram as primeiras cenas: matou a charada. No outro dia a cidade em peso acordava com um manuscrito embaixo da porta: O padre Quiba surrupiou as poltronas da Maroca! Pense numa bronca!

 


Vidarte & vice-versa... - Ao desembarcar no aeroporto do Recife, oriundo do Rio de Janeiro, ao invés de seguir o meu roteiro, fui levado por um desvio de percurso, atendendo um pedido irrecusável: conhecer a arte da ceramista e artesã Teresinha Gonzaga, lá no Alto do Moura, em Caruaru. Gente! Diante daquilo tudo, fiquei sabendo que era de uma família de louçeiros que vendiam peças utilitárias confeccionadas em barro, para serem vendidas na feira da cidade, o que a fez iniciar no ofício desde menina. Herdou o nome do marido artesão, substituindo o sobrenome familiar de Gonçalves Simões, e junto com seus filhos expõe peças decorativas, figurativas e utilitárias. Pense no monte de potes, jarras, panelas, pratos, luminárias, bonecos de barro e o cotidiano nordestino. Tudo muito surpreendente. Acontece que, ao mesmo tempo, sou contemplado com outra grata surpresa: a de conhecer a arte da ativista-imersiva-poeta-baterista-jornalista, Brenda Marques Pena, que se assina sujeita coletiva multifacetária, que me chegou com um mote bem glosado: O que podemos fazer é ter bastante paciência e aproveitar para ler muito, fazer o que gosta em casa e também nos comunicarmos virtualmente. Nós estamos separados por hora e quanto mais nos isolarmos agora, estaremos em breve juntos. Aproveitemos para aprender com este momento que tem muitas lições para a humanidade. Podemos aprimorar nós mesmos sempre. Seja solidário. Há muita gente que precisa de apoio e uma ligação, um carinho, mesmo que virtual, faz muita diferença! Curioso como sou, fiquei logo sabendo que ela é a fundadiretora do Instituto Imersão Latina (IMEL), do Círculo de Poetas e Narradores do Mercosul e da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB), em Minas Gerais, afora ser integrante dos coletivos de escrituras Migrante e o Nós da Poesia. Não perdeu tempo e me convidou para participar do Semanário Latinoamericano, produzido e apresentado por ela e Raúl Larrosa, no Imersão Migrante, em homenagem aos 85 anos do Hermeto Pascoal, com participação de Lucia Helena Issa (Rio de Janeiro/RJ), Alexandre Santos (Recife/PE), Nelson Giles (São Lourenço/RS) e Izabel Gadelha (Acará/PA). Tudo muito bom. Infelizmente não pude entrar ao vivo, mas a minha martelada Tataritaritatá se fez presente, com a intervenção luxuosa do Tchello d’Barros. Muito obrigado, beijabrações paratodos & até mais ver.

 

Veja mais aqui e aqui.

 


segunda-feira, outubro 31, 2016

PORTINARI, BOWLBY, PLATÃO, IVAN ILLICH, NELSON RODRIGUES, IMAMURA, GERALDO AZEVEDO, BASTINHA JOB, RACHEL HOWARD, KOLBE, ZAP MAMA, KATHERINE LAWRENCE, MARIO TESTINO & PARA VIVER O PERSONAGEM DO HOMEM


INEDITORIAL: O QUE DEU, DEU; O QUE NÃO DEU, SÓ NA OUTRA – Imagem: Guerra & Paz, Cândido Portinari (1903-1962) - Salve, salve, gentamiga! Acorda Maria Bonita, acorda pra fazer café, o dia já vem raiando e a polícia já está de pé! Como a gente ainda está respirando o pleito eleitoral, já era tempo da gente eleger a pessoa mais importante da vida de cada um: aquela que, quando bate a fome, nos dá de comer; na sede, nos dá de beber; e na hora da precisão, está sempre por perto. Por isso já elegi: todo dia é Dia da Dona de Casa, aquela que, de segunda a sábado – sem contar certos domingos e feriados -, começa suas tarefas logo quando acorda e só para quando vai dormir. Um salve estrondoso pra todas elas. Vivaaaaaaaa! Hoje, também, é o Dia Mundial da Poupança: o que sobrou depois da crise golpista, dá pra poupar, ainda? Destá. No meu Pernambuco a coisa foi danada: de um lado, GePSBJú & uma tuia enganchada de siglas – inté pessedebê & demô engrossando o caldo do escambau anti-PT, tudo contra o JoãoPT & quatro gatos pingados. Não tinha como dar outra. Nas Alagoas, a maior baixaria levou o Ciuço pro saco com tudo que ele disse que fez que não fez! Infelizmente pros cariocas, ontem era dia de Freixo, mas o eleitorado daquele que Ri-na-Fivela-do-Edir que era só domingo que vem, contrariou tudo. Que coisa!?! Vale o dito! E como hoje é Dia do Saci, a coisa toda vai só à base do Brasil rachado em bandas e todo mundo assistindo o cavalo-mago entre o golpista TemerOsso & Aercio da Catinga – um no outro, nem quero torna e xô pra lá! -, diz o Doro que arremeda: in Sumpaulo é tudo ingrês, mas num é novainhóqui nem ninhuma capitá das zeuropia! Pro causa disso o saci, cumade Fulôsinha, Boitatá e todas adorávi abusão, tudim se lascô no raluruiiiim. Vai lá que ainda hoje se aprecie as imagens eróticas das deusas celtas Morrigan ou Beltane, mas o tarzinho do raloruim é mesmo que purgante! E vamos aprumar a conversa pras novidades do dia: na edição de hoje destaque para a educação e escolarização de Ivan Illich, a Teoria do Afeto de Bowlby, a educação de Platão, o teatro de Nelson Rodrigues, a entrevista de Geraldo Azevedo, o cinema de Shohei Imamura & Misa Shimizu, o Congresso Brasileiro de Direito Ambiental, a pintura de Rachel Howard, a fotografia de Mario Testino, a música do Zap Mama, a bailarina Katherine Lawrence, a escultura de Georg Kolbe, a poesia de Bastinha Job, A Notícia & Jamilton Barbosa Correia, o meu livro Para viver o personagem do homem & a croniqueta Depois das eleições. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Despertar, Friedrich Perls, Ezra Pound, Paul Valéry, Hilary Hahn, Consuelo de Castro Lopes, Carlos Reichenbach, Lev Chitovsky, Aldine Muller & Bruno Braquehais aqui.

E mais:
Só porque hoje é sábado, Carlos Drummond de Andrade, John Keats, Raphael Rabello, Claude Lelouch, Marguerite Arosa, Larissa Maciel, Anouk Aimée, Helmut Newton & Atenção sistemática à saúde aqui.
O romance do pavão misterioso, de João Melchíades da Silva aqui.
A arte fotográfica de Andréia Kris aqui.
Biogênese, sadismo & outras loas tataritaritatá aqui.
Violência, Assírios & Sodoma, Antiguidades Judaicas, Alexandre, A guerra e a fé, O fantástico blitzkrieg, Colombo & as terras do Brasil aqui.
Literatura de cordel: História do capitão do navio, de Silviano Pirauá de Lima aqui.

DESTAQUE: EDUCAÇÃO & ESCOLARIZAÇÃO
[...] O aluno é ‘escolarizado’ a confundir ensino com aprendizagem, obtenção de graus com educação, diploma com competência, fluência no falar com capacidade de dizer algo novo. Sua imaginação é ‘escolarizada’ a aceitar serviço em vez de valor. Identifica erroneamente cuidar da saúde com tratamento médico, melhoria de vida comunitária com assistência social, segurança nacional com aparato militar, trabalho produtivo com concorrência desleal. [...].
Trecho extraído da obra Sociedade sem escolas (Vozes, 1985), do pensador da ecologia política e polímata austríaco Ivan Illich (1926-2002), reunindo uma série de críticas às instituições da cultura moderna, sobre educação, medicina, trabalho, energia, ecologia e gênero. Veja mais aqui.

DEPOIS DAS ELEIÇÕES - Alagoinhanduba parecia em paz naquela segunda feira. Parecia mesmo, depois de tantas bombas todas estouradas no dia das eleições. Como havia ficado em pé de guerra durante a campanha, finalmente parecia que reinava a mais absoluta tranquilidade: amigos que se tornaram inimigos dormiam, adversários acoloiados em novo vínculo de amizade roncavam, a cidade ficou rachada meio a meio e mais parecia que não havia nada acontecido. Se de um lado estava o padre Quiba, com o apoio do bispo Sardinha e toda cristandade católica com os conservadores patriarcas, moralistas, coronéis do açúcar e usufrutuários do poder; do outro, estava Zé Peiúdo, que pela milésima vez e depois de muito aprontar, era candidato com apoio dos evangélicos, neobarrabás, tucanos & demos, peemedebistas & outros cheleléus aproveitadores no maior balaio de gatos & gatunos. Pra dar maior condimento, nas outras candidaturas só fuxico, delas nem se ouvia falar, vez que sequer faziam cócegas na polarização que havia rachado o eleitorado geral no meio. Só se ouvia os esturros, malquerenças, tapas a granel, empurrões e dedadas, disse-me-disse e sai pra lá. O calor subiu pra coisa assim mais de 100º centígrados no dia da votação. O que houve de xingamentos, ameaças, bofetes, riscos de peixeira no chão, balas perdidas no meio do foguetório, não está no gibi. Animosidade espetacularizada maior que os sanguinolentos programas de radio e TV no maior zoadeiro. Em todo canto havia um risco no chão: cara dum, cara doutro, quem não pisar vira gafanhoto! Isso até o domingo. Na segunda, os ânimos descansavam. Parecia que ninguém dava conta da tragédia e que tudo voltara ao normal: o prometido jamais cumprido, novas arengas, novos deboches, novas desconsiderações e tome pano pras mangas dos linguarudos. No final, tudo findava no cemitério, seja de morte morrida, seja de morte matada. E Alagoinhanduba quando dava um passo pra frente, dava uns dez pra trás. Coisas do Brasil, assim caminha a humanidade. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo o álbum ReCreation (2009), do grupo polifônico feminino de Afro-pop, Zap Mama, comandado pela artista belga Marie Daulne.

VÍNCULO, AFETO & APEGO - [...] O vínculo inc1ui 0 choro e 0 chamamento, que suscitam cuidados e desvelos, 0 seguimento e 0 apego, e também os vigorosos protestos se uma criança ficar sozinha ou na companhia de estranhos. Com a idade, a frequência e intensidade com que esse comportamento se manifesta diminuem gradativamente. No entanto, todas essas formas de comportamento persistem como parte importante do equipamento comportamental do homem. Nos adultos, elas são especialmente evidentes quando uma pessoa está consternada, doente ou assustada. Os padrões de comportamento de ligação manifestados por um indivíduo dependem em parte, de sua idade atual, sexo, e circunstâncias, e, em parte, das experiências que teve com figuras de ligação nos primeiros anos de sua vida. [...]. Trecho extraído da obra Apego: a natureza do vínculo (Martins Fontes, 1990), do psicólogo, psiquiatra e psicanalista britânico Edward John Bowlby (1907-1990). Veja mais aqui. 

Imagens: Ballet West principal Katherine Lawrence, in The Sleeping Beauty (photo by Ryan Galbrath)

PENSAMENTO DO DIA: LEI DA EDUCAÇÃO PLATÔNICA - [...] a cultura que tende à aquisição da riqueza ou uma cultura que tende ao vigor corporal ou bem, ainda, a algum talento, independentemente de toda inteligência e de toda justiça, essa cultura, digo eu, é sem dignidade nem liberdade, completamente indigna de ser chamada de educação. [...]. Trecho extraído da obra Leis (Edições 70, 2004), do filósofo e matemático grego racionalista, realista, idealista e dualista Platão (428-347aC), o último dos diálogos filosóficos do autor, que se ocupa da discussão acerca da conduta do cidadão da promulgação de leis, perpassando por elementos da psicologia gnosiologia, ética, política, ontologia, astronomia e matemática. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 Imagens: a arte do escultor alemão Georg Kolbe (1877-1947)

A POESIA DE BASTINHA JOB – I – Professora aposentada, / cordelista na ativa, / Assaré do Patativa / é minha terra amada; / Crato é a mãe idolatrada, / que me acolheu em seu seio, / aqui encontrei o veio / da joia da Educação, / da completa Formação /que me deu força e esteio. II – Eu faço poesias críticas / com pitadas de humor / e alfinetadas políticas, / mas também falo de amor; / meu poetar é a arma / que incita ou que desarma, / que faz rir, que faz chorar; / em suma ela é catarse / autêntica e sem disfarce / um compromisso a se honrar! Poesias da cordelista, professora e responsável pela inclusão da disciplina de Literatura Popular no curso de Letras da Universidade Regional do Cariri, Bastinha Job. Veja mais aqui, aqui e aqui. 


TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA –  [...] Escuta, você tem uma alma, meu filho outra e há uma ferida. Eu sou um bêbado que passou pela sua vida e sumiu [...] Eu tenho pena do teu filho, e quando tenho pena sou uma santa! [...]. Trechos extraídos da peça teatral Toda nudez será castigada (Nova Fronteira, 1990), do dramaturgo, jornalista e escritor Nelson Rodrigues (1912-1980), que conta a história sobvre a estreita ligação entre o puritanismo e a sexualidade exacerbada, através de um humor cheio de contundência e de um senso trágico transparente. Veja mais aqui.


UNAGI – O premiado filme Unagi (A enguia, 1997), dirigido por Shohei Imamura, é baseado no romance On Parole, do escritor Akira Yoshimura, conta a história de um homem que volta para casa mais cedo para flagrar sua esposa na cama com outro, razão pela qual ele a mata e se entrega à polícia. Ao ser libertado, torna-se barbeiro e cuida de uma enguia de estimação, quando salva uma bela jovem do suicídio. O destaque fica por conta da atuação da atriz japonesa Misa Shimizu. Veja mais aqui.

Publicação editada pelo artista plástico e gráfico Jamilton Barbosa Correia. Veja aqui e aqui.

AGENDA: CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO AMBIENTAL – Acontecerá entre os dias 03 e 06 de junho de 2017, na Fundação Mokiti Okada (Rua Morgado de Mateus, 77 – Vila Mariana São Paulo), o XXII Congresso Brasileiro de Direito Ambiental, sobre a temática Direito e Sustentabilidade na Era do Antropoceno: Retrocesso Ambiental, Balanço e Perspectivas. Na ocasião também terão lugar o XII Congresso de Estudantes de Graduação e Pós-Graduação em Direito Ambiental, que acontecerá no dia 03 de junho de 2017, como também o XII Congresso de Direito Ambiental dos Países de Línguas Portuguesa e Espanhola, no dia 05 de junho de 2017, com a temática Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e Informação no Antropoceno. Informações: http://congresso.planetaverde.org/. Veja mais aqui e aqui.

 ENTREVISTA: GERALDO AZEVEDO – Quando assumi o Departamento de Jornalismo da Quilombo FM, e comecei a apresentar o programa Panorama – o inventário da música universal, a primeira entrevista que fiz pra seção Destaque, foi com o cantor e compositor Geraldo Azevedo, ocasião em que ele lançava o álbum Eterno Presente (RCA, 1988). Depois emplaquei outra exclusiva com ele, quando do lançamento do seu álbum Bossa Tropical (RCA, 1989). Por fim, uma terceira, para a edição do tabloide Nascente, nº 8, de outubro de 1997. Confira detalhes de tudo aqui, aqui e aqui. 

Imagens: a arte da premiada pintora, desenhista e ilustradora britânica Rachel Howard.

REGISTRO: PARA VIVER O PERSONAGEM DO HOMEM
Reuni os meus poemas da adolescência e publiquei o meu primeiro livro Para viver o personagem do homem (Nordestal, 1982), com capa do artista plástico Ângelo Meyer, apresentação do poeta e artista plástico Paulo Profeta e coordenação editorial de Juhareiz Correya. Veja detalhes aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagens: a arte do fotógrafo anglo-peruano Mario Testino.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


quarta-feira, outubro 24, 2007

CHAPLIN, CORTÁZAR, BRECHT, NISE DA SILVEIRA, REICH, KAREL KOSIK, PROBIDADE, TERPSÍCORE, PADRE BIDIÃO & HAGIOMAQUIA EM ALAGOIANHANDUBA


“Eu continuo sendo apenas um palhaço, o que já me coloca em nível bem mais alto do que o de qualquer político". (Charles Chaplin). Veja mais aqui e aqui. 

HAGIOMAQUIA EM ALAGOIANHANDUBA – Alagoinhanduba nunca presenciara fato tão invulgar quanto ordinário arrepiando tudo. Não se sabe a causa, apenas o efeito devastador criado pelo insignificante estranhamento arredio entre Bidião, então coroinha da paróquia, com o Padre Quiba, ou vice-versa, por aí, não se sabendo ao certo quem começou o fuxico e a desavença. O certo de mesmo é que a coisa peidou, pipocou e estrondou ganhando línguas e ouvidos aos cochichos de disse-me-disse, coisa epidêmica que vai ganhando efeito crônico em cadeia até destampar na rixa de risco no chão a convocar quem é mais homem no confronto de pulhas, gestos indecorosos, saraivada de cuspidas e invectivas, tudo saindo dos devidos limites para esborrar salpicando na reputação da cidade inteira. Um meladeiro sem precedentes. O que se conseguiu apurar direitinho no amiudado é que o pároco andava desconfiado das práticas devotadas do sacristão pra banda das freiras, pois o cabra andava tão bem tratado por elas, do folgado posar cheio dos regalos a torto e a direito. A gota d’água foi o enterro voltando com a reclamação da madre superiora por parte de deduragem do quase noviço, de que o da batina andava ajoelhado em atitudes suspeitas, alisando e beijando as partes pudendas de Jesus na cruz. Que é que é isso?!? Um escândalo. Ah, isso não ia ficar assim, jurava o vigário, demovendo terra e mar para castigar o delator. Quanto mais ele espremia o toitiço de Bidião, mas ele escapulia ileso, como se expusesse a língua e a chamá-lo de banguelo viado: Rasgou a boca, véio! Ainda te pego, desgraçado – esbravejava inconsolável, armando todo tipo de estratagema para enquadrar o insolente. Para empiorar a trama, eis que inventa de aparecer assim do nada, um certo pastor de altura descomunal com sua vozeirão tonitruante, todo embecado no vinco dos trinques e segurado por uma Bíblia no sovaco, a se dizer Zebedeu da Redenção, o salvador dos céus e da terra, convocando todos para o culto do exorcismo e salver religiosos, pecadores e extraviados. O cara juntava gente e Bidião aproveitou-se da situação para embananar ainda mais o negócio. Ao final da palestra, procurou o pastor e confidenciou: Não me leve a mal, mas o padre da paróquia disse que o senhor um corno safado! Como é? É o que ele anda dizendo, pois diz que sua digníssima esposa foi lá confessar nos pés dele. Como é, rapaz? Isso mesmo, portador não merece pancada e o que digo entrou pela perna de pinto e saiu pela perna de pato, que eu vou ali no pulo gato! Fui! O pastor indignou-se e começou a detratar o padre nos seus cultos, fato esse que possibilitou uma trégua na intriga entre o padre e Bidião, que logo chegou nas ouças do padre e deitou veneno: Sabe aquele pastor, padre? Sei! Ele anda dizendo que o senhor é viado! Como é? E disse que vai estrompá-lo na frente de todo mundo! Ah, mas isso é desplante demais, ele quer guerra é? Sei não, não está mais aqui quem falou, ali pro lado agora eu vou. Fui! Pronto, Bidião armou o circo e agora assistia de camarote: o padre arreava a lenha no pastor e este descascava a alma do padre, desaforos pra todo lado, até chegarem ás vias de fato: frente a frente, primeiro numa quebra-de-braço, 1x0 pro pastor; jogo de ofensas, 1x1; tapa no maluvido, 2x1 pro pastor; rasteira de macumba, 2x2; aí foi juntando gente que tomavam as dores, cada um pro seu lado, engrossando o caldo dum jeito de não saber quem a favor ou do contra um ou outro, vez que o negócio envolvia asseclas dos dois lados misturados de um dar na cara do outro um bofete quando o vitimado era do mesmo lado e virou uma confusão dos diabos com santos e cacarecos, anjos e dízimos, crucifixos e maldições, irmãos e intrigados, fiéis e beatas, agiotas e bandidos, polícia e apenado, juiz e delegado, pai de santo e advogado, afinal um rebuliço tão grande que ninguém se salvou, porque que estava dentro não saía e quem estava fora era puxado e não saía mais. Ao cabo duns três meses a coisa só parou por falta de fôlego, todo mundo arriado, mortos-vivos num lugar que até o ar e o tempo ficaram parado desde do começo da refrega. E o Bidião? Ah, bem, isso aí é outra história, depois eu conto. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.



PENSAMENTO DO DIA – [...] O homem vive em múltiplos mundos, mas cada mundo tem uma chave diversa, e o homem não pode passar de um ao outro sem essa chave, quer dizer, sem mudar a intencionalidade e o correspondente modo de apropriação da realidade. [...] Trecho extraído da obra Dialética do concreto (Paz e Terra, 1976), do filósofo marxista tcheco Karel Kosik (1926-2003). Veja mais aqui e aqui.

TERPSÍCORE – Terpsícore é a musa da dança, representada como uma jovem viva, alegre, coroada de grinaldas, tocando uma harpa, ao som da qual dirige em cadência os seus passos. Alguns autores a consideram mãe das sereias. Veja mais aqui.

CONDIÇÃO HUMANA – [...] Em outubro de 1935, trezentos dos mais afamados psiquiatras chamaram o mundo à razão. A Itália acabava de invadir a Abissinia. Milhares de pessoas, entre as quais mulheres, ancião e crianças, foram trucidadas indefesas. Obtinha-se uma ideia das proporções do assassinatoem massa em caso de uma nova guerra mundial. O fato de uma nação como a italiana, em que massas da população passavam fome, seguir com tanto fanatismo o chamado às armas, sem qualquer rebelião, já estava sendo esperando, mas não é compreensível. Serviu para reforçar a crença geral de que não somente o mundo em alguns lugares é governado por indivíduos nos quais os psiquiatras têm forçosamente de descobrir sintomas de doença mental; mais ainda, os homens de toda parte do mundo na realidade são mentalmente enfermos; reagem mentalmente de forma anormal, acham-se em conflito com os seus próprios desejos e possibilidades reais. [...]. Trecho extraído da obra Revolução sexual (Zahar, 1968), do médico, psicanalista e cientista natural Wilhelm Reich (1897-1957). Veja mais aqui e aqui.

FLOR E CRONÓPIO – Um cronópio encontra uma flor solitária no meio dos campos. Primeiro pensa em arrancá-la, mas percebe que é uma crueldade inútil. Então se coloca de joelhos, junto dela e brinca alegremente com a flor, isto é, acaricia-lhe as pétalas, sopra para que ela dance, zumbe feito uma abelha, cheira seu perfume, e deita finalmente debaixo da flor envolvido em uma enorme paz. A flor pensa: “É como uma flor”. Extraído da obra Histórias de cronópios e de famas (Civilização Brasileira, 1972), do escritor argentino de origem belga Julio Cortázar (1914-1984). Veja mais aqui.

FELICIDADES – O primeiro olhar da janela de manhã / o velho livro perdido e reencontrado / rostos animados / a neve, a sucessão das estações / jornais / o cachorro / a dialética / tomar um banho, nadar um pouco / a música antiga / sapatos macios / compreender / a música nova / escrever, plantar / viajar, cantar / ser camarada. Poema do dramaturgo, encenador e poeta alemão Bertolt Brecht (1898-1956). Veja mais aqui.

NISE DA SILVEIRA
Querem transformar os doentes em normais, quando a sociedade é que está cheia de loucos.
O que interessa à psicologia é o conteúdo simbólico do trabalho alquímico e não os avanços da física que passou a admirar a profunda intuição dos alquimistas quanto ás possibilidades de transmutação da matéria.
É muito importante enfocar que o adoecer é um conjunto de fatores biológicos, psicológicos, sociais, espirituais e, também, ambientais, que formam um ser humano único, onde corpo, mente e alma é indissolúvel.
A verdade é que não somos nós que temos o complexo, o complexo é que nos tem, que nos possui. Deles depende o mal-estar ou o bem-estar da vida do individuo e está no conflito a sua origem. O complexo pode ser comparado a infecções ou tumores malignos, que se desenvolvem sem qualquer intervenção da consciência.
Necessita que o psiquiatra use vestimenta de escafandrista para mergulhar na mente do psicótico. Remédios sedam, mas não solucionam. Só o escafandrista é capaz de vasculhar o que se passa com o doente mental e após um mergulho profundo retornar à superfície, com algum achado indicativo de mistérios que habita a mente do psicótico.
É nos mitos que se acham condensadas e polidas em narrativas exemplares as imaginações criadas pela psique, quando vivencia situações típicas muito carregadas de afeto.
A alma das pessoas em sua totalidade era uma flor. E o psiquismo também poderia renascer como uma flor no sentido maior de viver, simplesmente viver.
Nem sempre é possível distinguir o médico do doente.
A psiquiatria é tão pobre de casos clínicos, principalmente os cheis de sentimento.
O inconsciente é um oceano. De vez em quando a gente pesca uma imagem.
Arte e afeto curam, muito mais do que os psicotrópicos.
A loucura está profundamente ligada ao desamor e, por isso, é preciso amor para salvar alguém da loucura.
A arte representa a mais alta atividade humana.
Aprendi mais psicologia com Machado de Assis do que em muitos textos técnicos. Ele era um profundo conhecedor da alma humana; que resta ao psicólogo fazer, ainda hoje, em relação á obra de Machado de Assis senão admirar o autor.
Estamos diante de símbolos que exprimem coisas universais.
Nunca se cure demais, gente muito curada é gente muito chata, por isso você é maravilhosa, porque conseguiu viver sua imaginação, que é a nossa realidade.
O Mito de Hórus é a história da luz divina que acaba de nascer... salvação do homem pela cultura, isto é, pela consciência.
O estudo da mitologia não será diletantismo de eruditos. Faz parte indispensável do equipamento de trabalho de todo psicoterapeuta.
O mito? Quem é que sabe? É a expressão do inconsciente, digamos assim. O mito é como uma espécie de trilha. Se você partir do mito, você chega aonde quiser.
O sonho é uma auto-representação espontânea, sob forma simbólica, da situação do inconsciente. Os sonhos revelam muitas vezes um fio dourado que liga pessoas profundamente afins e em outra oportunidade diz sorrindo que os sonhos eram como uma droga, viciavam uma pessoa, no bom sentido, é claro.
O corpo é manobrado como um robô, torturado de todas as maneiras, às vezes martirizados até o esquartajamento.
O olhar do cliente é um tesouro preciosíssimo. Sem a relação de uma pessoa para outra, não há cura possível.
A palavra paciente não deveria existir em nosso vocabulário. Esta palavra diminui a pessoa humana, colocando-a numa situação passiva, submetida ao poder do outro.
Todo mundo é uma personalidade. As pessoas geralmente vivem recobertas pela persona, que é a mascara do ator. As pessoas vivem representando com a roupa de ator.
O que caracteriza meu trabalho em psiquiatria, meu entusiasmo pela psiquiatria, meu apego ao que se chama psiquiatria é a pesquisa do mundo interno do processo psicótico. Do que se passa no mundo interno do psicótico, sem desprezar naturamente o mundo externo, porque nós vivemos simultaneamente em dois mundos, o mundo externo e o mundo interno.
Matéria e energia são a mesma coisa e, mesmo hoje, nas escolas ainda não é ensinado.
O sentido da vida está no inconsciente.
O self é o principio e o arquétipo da orientação e do sentido: nisso reside sua função criativa.
Pode-se representar a psique como um vasto oceano (inconsciente), no qual emerge pequena ilha (consciente). Na área do inconsciente desenvolvem-se as relações entre conteúdos psíquicos e o ego, que é o centro do consciente.
O estar vazio sugere que algo está faltando.
O terapeuta não deve esquecer das suas próprias feridas, da sua condição de um simples mortal, deixando a onipotência para Deus.
Todas as religiões são válidas. Na medida em que recolhem e conservam as imagens simbólicas oriundas das profundezas do inconsciente e as elaboram em seus dogmas, promovendo assim conexões com as estruturas básicas da vida psíquica. A religiosidade é suscetível de ser desenvolvida, cultivada e aprofundada, e poderá ser também negligenciada, deturpada ou reprimida.
Me assusto, porque as pessoas não são sensíveis. Uma pessoa sensível não agride. Não esqueça que todos os seres são sensíveis. Não digo só as pessoas... as plantas, os bichos. Ame as plantas, ame os bichos.
Ganhei algum dinheiro fazendo teses para psiquiatras.... uma imoralidade horrível (risos). Escrevi uma tese muito boa, eu tive uma pena enorme de entregá-la ao médico que a tinha encomendado.
Fofoca é um distúrbio do instinto, juntou duas, três pessoas, logo aparece. Tem muita coisa por baixo da fofoca: desejo de poder, desejo de roubar, desejo de riqueza, etc. O melhor será não dá atenção. Esta seria a forma de parar uma fofoca.
O que educa fundamentalmente a criança é a vida dos pais.
Quando vejo esses corruptos mentindo, com a maior desfaçatez, minha vontade é matar todos eles. Mas eu sei que isso não adiantaria nada.
Na época em que me encontrava na casa de detenção, como presa política, vi uma pequena gata dormindo. Olhava fixamente a gata um preso comum chamado Nestor... Perguntei: Nestor, porque você está olhando tão fixamente para esta gata?  Ele respondeu como um sábio: Essa gata é quem sabe tirar cadeia! Com efeito, refleti, o que importa à gata se está dormindo ao sol, no pátio da casa de detenção ou num terraço de uma bela mansão? Aprovei em várias ocasiões essa magnífica lição de Nestor.
Minha cor predileta é o azul. E para surpresa minha, uma cor de que eu não gostava e passei a gostar, não sei se por causa de Artaud, Van Gogh, Carlos Pertuis, é o amarelo. O Sol.
O bicho gente é pouco confiável. Prefiro os animais, os gatos, principalmente por sua liberdade. Identifico-me com eles.
Os gatos são seres perfeitos, velos, garbosos, sensuais, ensimesmados e capazes de nos ensinar a liberdade.
Quero vadiar como uma borboleta.
Prefiro ser uma loba faminta a ser um cão gordo e encoleirado. A palavra que mais gosto é liberdade. Gosto do som desta palavra.
Meus defeitos são tantos que até as minhas virtudes são defeituosas.
Eu não sou uma pessoa que tenha muita bossa histórica, a minha bossa é para o futuro. Tenho em meus arquivos material relativo ao passado, mas raramente uso. Eu nunca seria uma historiadora... se bem que me parece que não se pode tomar pé de um espaço sem antes conhecer algo da história desse espaço.
A morte não é uma coisa terrível, é dançável e alegre.
A pessoa que resiste à morte, quando chega o tempo de morrer, vai virar neurótica, e proporcionando a si próprio um morrer desesperado.
Não me leve para hospital, porque lá eu morro. Eu vou para outras galáxias.

NISE DA SILVEIRA – O livro Nise: abecedário de uma libertadora, de Dídimo Otto Kummer, traz em forma de verbetes toda a trajetória de vida da médica psiquiatra e psicoterapeuta alagoana, Nise da Silveira (1905-1999). Ela estudou com Carl Jung e desenvolveu uma atividade com doentes mentais que foi reconhecida internacionalmente. Durante a Intentona Comunista, ela foi denunciada por uma enfermeira por posse de livros marxista, ficando no presídio onde se encontravam, entre outros, Graciliano Ramos e Olga Benário. Entre as suas obras estão Ensaio sobre a criminalidade da mulher no Brasil (Salvador: Imprensa Oficial do Estado, 1926); Jung: vida e obra (José Álvaro, 1968), Terapêutica ocupacional: teoria e prática (Casa das Palmeiras, 1979), Museu de Imagens do Inconsciente (MEC, 1980), Imagens do inconsciente (Alhambra, 1981), Casa das Palmeiras: a emoção de lidar (Alhambra, 1986), Artaud: a nostalgia do mais (Numem, 1989), A farra do boi: do sacrifício do touro na antiguidade à farra do boi catarinense (Nume/Espaço Cultural, 1989), O mundo das imagens (Ática, 1992), Cartas a Spinoza (Francisco Alves, 1995) e Gatos, a emoção de lidar (Leo Cristiano, 1998). Entre os seus feitos, em 1952 ela fundou no Rio de Janeiro o Museu da Imagem do Inconsciente, na condição de centro de estudo e pesquisa destinado à preservação dos trabalhos produzidos nos estúdios de modelagem e pintura, abrindo novas possibilidades para compreensão mais profunda do universo interior do esquizofrênico. Em 1956, ela criou a Casa das Palmeiras, uma clínica voltada à reabilitação de antigos pacientes de instituições psiquiátricas. Nessa instituição tornou-se pioneira com o tratamento de seus pacientes contando com auxílios de animais na condição de co-terapeutas. O cineasta Leon Hirszman realizou o filme Imagens do inconsciente, uma trilogia mostrando as obras realizadas pelos internos a partir de um roteiro de Nise. Por fim, com direção de Roberto Berlinder, foi lançando o filme Nise da Silveira – A senhora das imagens, protagonizado pela atriz Glória Pires. Dos seus relacionamentos pessoas surgiram vários apelidos e entre os seus cognomes estão de amiga dos animais, arquétipa, bandeirante, barulhenta, caralâmpia, cangaceira, desbravadora, Deusa Bastet, especial, feiticeira, Gata Nise, Gatilda, gênio do cotidiano, gênio vivo, gigante de metroemeio, grande alma, grande mãe, guerreira, humanista, leite de onça, luminosa, mãe caralâmpia, mulher do século, psiquiatra mor, Rui Barbosa de saia e Sofia tupiniquim. REFERÊNCIAS: KUMMER, Dídimo Otto. Nise: abecedário de uma libertadora. Maceió: Catavento, 2004. Veja mais aqui e aqui.



PROBIDADE ADMINISTRATIVA – A Lei Federal n.º 8.429, de 02/06/1992, a Lei de Improbidade Administrativa, apelidada também de "Lei do Colarinho Branco", é o diploma de normatização das diversas formas de improbidade administrativa. A improbidade administrativa é o designativo técnico e jurídico para a chamada corrupção e má gestão administrativa, que, sob diversos tipos de ação e omissão dos agentes públicos, promove o desvirtuamento da condução das coisas públicas, afrontando os princípios constitucionais que regulam a atuação da administração pública, em especial aqueles previstos no art. 37 da CF. A probidade administrativa na gestão do patrimônio público, que abrange, não só os bens e direitos de valor econômico (erário) mas também de valor estético, histórico ou turístico, espécie de interesse difuso, pois bem de todos indivisível, cuja violação afeta a sociedade em geral. A probidade administrativa, princípio constitucional, intimamente relacionado com os princípios fundamentais da legalidade e da moralidade, significa, pois, a honestidade, a decência, a honradez no trato do patrimônio público. A improbidade administrativa revela-se desde a forma mais grave de alcance de vantagens patrimoniais ilícitas às expensas do erário (parcela do patrimônio público que tem conteúdo econômico-financeiro, isto é, bens e direitos de valor econômico) ao exercício nocivo ou ineficiente das funções públicas causando efetiva lesão ao erário, e à atuação do agente público que atenta contra os princípios constitucionais. A lei citada disciplinou os atos de improbidade administrativa em três categorias: Os atos que importam em enriquecimento ilícito do agente público provocando ou não prejuízo financeiro ao erário, discriminados no seu art. 9; Os atos efetivamente lesivos ao erário arrolados no seu art. 10; Os atos que atentam contra os princípios constitucionais da boa gestão administrativa, que não acarretem enriquecimento ilícito do agente público, nem lesão ao erário. Deve-se ressaltar que o art. 11 funciona com regra de reservar para os casos de improbidade administrativa que atentam contra princípio constitucionais, mas não carretam dano patrimonial para o poder público (art. 10), nem importam em enriquecimento ilícito do agente público que o cometeu (art. 9.º); A prática de atos de improbidade administrativa enseja, sem prejuízo da ação penal cabível nos termos do art. 37 parágrafo 4.º da CF, as seguintes sanções: Suspensão dos direitos políticos; Perda da função pública; Indisponibilidade de bens; Ressarcimento ao erário se for apurado dano a este. Tratam-se como se vê de sanções de cunho civil, político e administrativo. E a forma e gradação de sua aplicação, conforme o tipo de ato de improbidade administrativa praticado, estão reguladas no art. 12 da lei de improbidade administrativa. O Ministério Público, a advocacia pública, o Judiciário e os Tribunais de Conta têm um papel preponderante e decisivo na guarda da coisa pública, no combate à corrupção e na fiscalização do cumprimento da Carta Magna e da Lei, e estão dotados de preciosa ferramenta, para o cumprimento das determinações constitucionais. A bem da verdade, uma real revolução está ocorrendo no país, com o Ministério Público e advocacia pública, cada vez mais fortes, e a consciência nacional mais aguçada, permitindo crer que o império do crime não está tão consolidado como poderia parecer, conquanto falte muito para sua total erradicação. Qualquer agente público poderá vir a ser o sujeito ativo. Os agentes público vêm conceituado no art. 2.º , sendo todo aquele que, exercendo, mesmo que transitoriamente, ou sem remuneração, por eleição, contratação, designação ou qualquer outra forma de vínculo ou investidura, mandato, cargo ou função nas entidades indicadas no art. 1.º. A administração pública direta, indireta de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Município, obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, eficiência, moralidade, publicidade e todos os demais previstos na Constituição, advertindo o parágrafo 4.º do art. 37, que os atos de improbidade administrativa importarão na suspensão dos direitos de ressarcimento do erário público, sem prejuízo da ação penal cabível. O conceito de administração pública é bastante amplo, compreendendo, para os efeitos desta lei, também a empresa incorporada ao patrimônio público e a entidade, para cuja criação ou custeio, o Tesouro haja concorrido ou concorra com mais de 50% do patrimônio ou da receita anual. O sujeito passivo é toda pessoa jurídica de direito público interno - União, Estados, Distrito Federal, Município e autarquias. A lei inclui o território. Também o são os entes públicos ou provados, que participe direta ou indiretamente do dinheiro público, de seu patrimônio ou da receita anual. Assim, as sociedades de economia mista, as empresas públicas, fazendo parte da administração indireta, não estão alijadas da esfera de ação da lei, bem como as entidades para cuja criação ao tesouro público haja contribuído ou contribua com menos de 50% do patrimônio ou da receita anual. Neste caso, a sanção patrimonial limita-se aos prejuízos causados aos cofres públicos. Continua aqui.

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