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segunda-feira, novembro 11, 2019

DOSTOIÉVSKI, MIRIAM MAKEBA, LEÏLA SLIMANI, FRANCESCA CRICELLI, JANIN NUZ & AMIGOS DA BIBLIOTECA


QUE VAI, VAI; SÓ NÃO SE SABE PARA ONDE – UMA: OUTRA DAS FILHAS DA DOR – Danina, 19 anos, linda de morrer, primeiro emprego: caixa no Frigorífico de Sitonho. Assédio, licenciosidades, investidas maliciosas do patrão, ela na dela, contornava. Mais de três anos nessa pisada, até ela noivar com Zedinildo e pedir demissão. Pronto. Acertaram as contas, homologadas as verbas rescisórias com entidade sindical e laboral, na saída, o patrão sugeriu: Ao invés de pegar fila para sacar seu cheque, passe amanhã de manhã na firma que dou em dinheiro. Está certo. Horário acertado, entregou o cheque indenizatório, conforme combinado. Sitonho simplesmente rasgou o cheque e disse em tom mordaz: Pronto, tudo pago. E saiu. Ela ficou paralisada no meio da sala. Uma funcionária antes amiga encaminhou sua saída, estava na porta da rua, completamente passada. Foi socorrida pela solidariedade das outras filhas da dor, Gilvanícila, Gersoca, Samira, Sulina, DerluzaElvira e Gracinaura. (Veja mais aqui). DUAS: NO PAÍS DO FECAMEPA SEGURA O TOMBO! – O Fecamepa já dava em desgoverno desde as arrepiadas da República de Curitiba ao golpe parlamentar, para entrar na fase dos arrumadinhos cabeludos e grotescos do pandemônio instaurado com a posse depois das eleições. Bate o centro do ano o bumba-bumbado: logo as manguinhas de fora e a coisa começou a feder, a ponto da Amazônia pegar fogo por ela mesma, óleo nas praias nordestinas assim do nada, Jesus aparecer na goiabeira da ministra doida para salvar meninos de azul e meninas de rosa; cardumes suicidas, Ministério da Deseducação, da Injustiça e da Ignorância institucionalizada; racionamento de cocô, do Queiroz que se envulta, do Guedes que se embatuca batendo cabeça para pisar nos pobres, da patetatada ministerial geral, dos vexames diplomáticos, do desmonte constitucional e do aparelhamento coisonário – afora outras tantas tresloucadas presepadas vergonhosas e diárias que parecem não ter fim, taoquei, porra! -, a coisa escorrega ribanceira abaixo, melecada toda coisada e a gente no maior deus nos acuda, valha-me! Qual é, hem? O que fica mesmo pras comemorações de final de ano é que no país do Fecamepa é cada um por si e foda-se quem quiser (ou tome no cu, que dá no mesmo). Já se ligou? Ah, não! TRÊS: LAVA A ALMA DE NOVO DE QUALQUER JEITO – É festa desde sexta. Dá pro gasto, ora. Não era bem assim que se queria a libertação do Lula. Era para ser com a anulação completa do eivado processo fabricado nas garras do ministreco do Coiso depois da Vaza-Jato, com aquela máxima do Ministério Público: Não tenho prova, mas tenho convicção. Zás! Era uma vez Direito no Brasil, agora na lata do lixo. Como tudo do Judiciário brasileiro é casuístico, a coisa embola da gente sequer imaginar o tamanho da anomalia – coisa que vem desde mil e quinhentos, ora! Zorra por bagaça, dá tudo no mesmo. Será que tem jeito? Quem sabe! Vamos ver se a coisa que se queria endireitada, finda mesmo se aprumando para alguma outra direção mais apontada para a gente de todos os nossos Brasis. E vamos aprumar a conversa pelamordeus!!!!! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Mentir com graça, de uma maneira pessoal, é quase melhor que dizer a verdade à maneira de todos. [...] Não há no mundo coisa mais difícil do que a sinceridade e mais fácil do que a lisonja. [...]. Trechos extraídos da obra Crime e castigo (Estudios Cor, 1968), do escritor russo Fiódor Mikhailovich Dostoiévski (1821 - 1881), que narra a história de um jovem estudante que comete um assassinato e se vê perseguido por sua incapacidade de continuar sua vida após o delito. Atormentado por uma vida de insucessos, o protagonista resolve colocar em prática a sua tese, segundo a qual, existem sujeitos ordinários e extraordinárias, uns pela incapacidade, outros pela capacidade de transgredir as normas sociais e levar a sociedade a um novo estágio. Veja mais aqui e aqui.

 

TRÊS POEMAS DE FRANCESCA CRICELLI

I - Existe uma perda que só é suportável \ Se você esquecer que os mortos tinham corpos \ Eu coloquei fotos e as derrubei \ Não pode decidir o que é mais excruciante \ Eu recebi alguma coisa, minha filha pede, de seus irmãos que estão mortos \ Eu tiro um pequeno saco de ketchup e uma coruja feita de papel machê \ Quando eles morreram, eu digo, eu comecei a chamá-los de irmãos \ Aqui, eles acham que primo significa estranho \ Eles eram a minha família mais próxima se a família é o que liga a história ao futuro. \ Eu os segui até o submundo e quase permaneci \ E então, eu tive você.

II – Há um momento em que a lua está alta \ e os talos torcem em direção ao céu \ Se você sussurrar os nomes dos mortos, eles não respondem \ mas se os potros dormem na caixa \ Você pode ouvir-se bray.

EPITÁFIO – Perder \ era uma morte anunciada \ uma data no calendário do peito. \ Era um oráculo a morte \ – e pensar nela – \ cobria tudo com manto negro. \ Há algo na morte \ como o amor. \ Ainda assim, \ ocorrem-me abismos, \ diria Horácio. \ O júbilo carregava em si \ um prenúncio, \ no desenho do sorriso, \ a sombra da morte. \ Fixamos nas estrelas.

Poemas da poeta, pesquisadora e tradutora Francesca Cricelli.

 

DOCE CANÇÃO DE LEÏLA SLIMANI

[…] Só seremos felizes, disse ela a si mesma, quando não precisarmos mais um do outro. Quando pudermos viver nossas próprias vidas, uma vida que nos pertence, que não diz respeito aos outros. Quando formos livres. [...].

Trecho extraído da obra Chanson douce (Gallimard, 2019), da premiada escritora, diplomata e jornalista franco-marroquina Leïla Slimani, autora das obras The Perfect Nanny (2019), Adele (Faber & Faber, 2019) e Dans le jardin de l'ogre (2014). Sobre a leitura ela expressa que: Tenho plena consciência de que, se eu não tivesse sido a leitora que sou, não seria a pessoa que sou. Ela foi fundamental na construção da minha moralidade, de quem eu sou como cidadã, como mulher. Sei o quão carnal é a relação que se pode ter com a literatura, a ponto de ela se tornar parte de você, um órgão por si só. Veja mais aqui.

 

A MÚSICA DE MIRIAM MAKEBA, A MAMA ÁFRICA
Olho para uma formiga e me vejo: um sul-africana nativa, dotada de uma força muito maior que o meu tamanho, para poder lidar com o peso do racismo que esmaga meu espírito. É meio doloroso ficar longe de tudo que você já conheceu. Ninguém conhecerá a dor do exílio até que você esteja no exílio. Não importa para onde você vá, há momentos em que as pessoas lhe mostram bondade e amor, e há momentos em que eles o fazem saber que você está com eles, mas não com eles. É quando dói. A tragédia das guerras civis em países como Angola e Moçambique é que eles deixaram muitos civis mutilados. A pobreza é a razão pela qual o HIV/AIDS se espalhou tão rapidamente nos municípios e favelas da África. A pobreza é o verdadeiro assassino. Eu não sou uma cantora política. Não sei o que a palavra significa. As pessoas pensam que eu decidi conscientemente contar ao mundo o que estava acontecendo na África do Sul. Não! Eu estava cantando sobre minha vida, e na África do Sul sempre cantamos sobre o que estava acontecendo conosco - especialmente as coisas que nos machucavam. Provavelmente vou morrer cantando.
MIRIAM MAKEBA, A MAMA ÁFRICA – Pensamento da cantora e ativista sul-africana Miriam Makeba (1932-2008), conhecida mundialmente como Mama África, símbolo internacional contra a segregação racial, que saiu do seu país em 1959, tendo seu passaporte revogado no ano seguinte, quando tentou voltar ao país para o funeral da sua mãe. Por conta disso, viveu no exílio por 31 anos, até o seu emocionante regresso em 1990, por conta das reformas do então presidente, W. De Klerk. Ela morreu após um show realizado em homenagem ao escritor e jornalista italiano Roberto Saviano, que se encontrava ameaçado de morte pela máfia napolitana, conhecida como Camorra. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Eu sempre gostei de desenho e ilustração, então, no graffiti, encontrei uma técnica para desenvolver o que desenho, gostei tanto que fiquei lá, comecei a fazer grafite ilegal e um ano depois comecei com o legal. É algo que já faz parte de mim, da minha identidade, um amor indescritível; Só sei que quando tomo um spray me desconecto de tudo, e é apenas a parede, a tinta e eu. Sim, é muito motivador ver até onde eles chegaram, em termos de técnicas e qualidade, você sempre aprende tudo.
JANIN NUZ – A arte da desenhista gráfica, grafiteira e artista urbana mexicana Janin Nuz Garcin, que possui um trabalho marcado por uma perspectiva feminista e seu compromisso como ativista, isso em um contexto em que os artistas visuais dedicados à arte de rua são uma minoria e o ativismo não é generalizado. Com base na hipótese de que sua prática criativa pode ser entendida como um ativismo questionador da arte, cultura patriarcal e dinâmica tradicional do campo artístico, considerando que são áreas construídas principalmente a partir de uma forte hierarquia centralista e controladas por redes de poder. Veja mais aquiaqui.

AMIGOS DA BIBLIOTECA
Aconteceu no último sábado, 09 de novembro, na Biblioteca Pública Fenelon Barreto, a Assembleia Geral dos Amigos da Biblioteca, ocasião em que foi aprovado o Estatuto e empossada a sua diretoria executiva e os Conselhos Fiscal e Administrativo. A partir de então será elaborado o Regimento Interno e o plano de ação dos Núcleos da instituição. Veja mais aqui e aqui.
 

terça-feira, outubro 02, 2018

VALÉRY, DOSTOIÉVSKI, BADEN POWELL, EFLAND, IRENE VÅTVIK & VERNAIDE WANDERLEY


ALMA DE CREDIÁRIO – Imagem: Blue Shadows (2016), art by Irene Våtvik - Por aí cantarolando Belchior entre aqueles que se dizem conhecer o seu próprio lugar e sem saber que sangram com as dúvidas e o que se pode fazer de tão comovido com o incerto agora, já que surrupiaram a razão de viver em encéfalos condicionados implantados subliminarmente e equipados com vistas hipnotizadas, paladares formatados, ouvidos equalizados e os corpos cheios de próteses gerais tunadas, porque pode ter uma cara nova, outra casa, quantas posses, que importa se outros não tenham, nem todos possuem privilégios, vez que uns são escolhidos e os demais são para servir coadjuvantes do sucesso de quem tem e não precisa de ética nem vergonha ou sentimentos, bastam comprar um coração na primeira promoção médica que aparecer, ou mesmo um cérebro livre aparentemente de todas as ideologias, ou outro corpo num negócio vantajoso com garantia de duzentos anos de exigência dando nó cego na humanidade, porque essa coisa de alma é papo furado, só morre mesmo quem não tem dinheiro para bancar tecnologia, só tem solidão quem não tem onde cair morto, e ser feliz por estar por cima da carniça, isso sim, é bom e nenhum direito e nada a reclamar porque tudo foi de mão beijada pelos anjos da guarda de Boal que cantam o desenvolvimento no progresso do mercado, tudo para todo mundo, lugar na mesa do bolo repartido, desde que se tenha dinheiro no bolso, o mundo todo e o universo ao dispor, sem precisar mendigar praqueles que todos pagam e não fazem nada nem nunca estão quando se mais precisa deles, ou se aparecem e impõem seus implacáveis caprichos, não se precisa mais deles, basta ter grana e serão sempre servis pra lamber os pés do primeiro que trouxer um molho de cédulas, tudo vendávcl e comprável só bastando querer e ter, pouco importa ninguém sabe o que se passa pelas cabeças, só que se quer amar e ter o amor dos sonhos, carro zero, muita gaita verdinha no pé do cipa pra estibado, posses, aplausos, sucesso e felicidade passeando pelas vitrines, a comprar o que faz feliz por ser assim que se chama a atenção de todos e se habilita ao clube no qual se brinca com a vida alheia do humano ultrapassado, o desumanizado que vive – coração mole e caridade só botam pra trás! – e a fazer a sua parte puxando a língua estirada de quem mingua para tirar-lhe a cueca pela cabeça e a reinar na ordem dos outros superiores, tratá-los aos pontapés porque jamais souberam o que é carinho, só entendem os bofetões e por isso mesmo é preciso chupar o sangue de quem estiver abaixo até exaurí-lo arrebentado de fadiga, e dormir sem culpa confortavelmente porque sabe que o seu anjo da guarda existe em conluio com os demais e os protegem da violência que só acontece com os outros, e os fazem dotados de uma vida boa que jamais será atrapalhada por quem quer que seja com o paroxismo da fúria do destino com malsinados e imprevisíveis acidentes, porque a vida é uma festa, muitos morrem e outros tantos vivem, tão normal quanto falir de uma hora pra outra e um dia após dia o amanhã distante será sempre agora para quem incólume se ache para nada fazer fora dos procedimentos legais, bem comportado nas ruas e salas, a vida eterna, o céu é perto, a morte ausente e tudo certo agora e sempre. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do saudoso violonista brasileiro Baden Powell de Aquino (1937-2000): Poema em Guitar, Afrosambajazz, Live at Rio Jazz Club & Trio Au Petit Journal & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS – [...] Nós, civilizações, sabemos que somos mortais. Vemos agora que o abismo da história é suficientemente grande para todo mundo. Sentimos que uma civilização tem a mesma fragilidade de uma vida [...]. Extraído da obra Variedades (Iluminuras, 1999), do filósofo e poeta do Simbolismo francês, Paul Valéry (1871-1945). Veja mais aquiaqui.

ARTE-EDUCAÇÃO - [...] Uma arte-educação pós-moderna enfatiza a habilidade de interpretar obras de arte sob o aspecto do seu contexto social e cultural como principal resultado da instrução. Isso é válido não apenas para a supostamente séria, a arte erudita, mas também para as tendências e impactos da cultura popular e cotidiana. [...] Ela pode enfatizar o fato de o passado tornar-se referência numa obra contemporânea, haja vista as maneiras pelas quais os artistas pós-modernos reciclam imagens e citações de obras de arte e estilos anteriores. O pós-modernista enfatiza a continuidade com relação aos estilos artísticos do passado. Porém, as tradições do passado não são necessariamente reverenciadas como tradições sagradas, mas podem ser exploradas por meio da sátira e da paródia. [...]. Trechos de Cultura, sociedade, arte e educação num mundo pós-moderno, do professor estadunidense Arthur Efland (1942-2009), extraído da obra O pós-modernismo (Perspectiva, 2005), de J. Guinsburg e Ana Mae Barbosa. Veja mais aqui e aqui.

O AMOR ENTRE TODOS - [...] ele declarou em tom solene que em toda a face da terra não existe absolutamente nada que obrigue os homens a amarem seus semelhantes, que essa lei da natureza, que reza que o homem ame a humanidade, não existe em absoluto e que, se até hoje existiu o amor na Terra, este não se deveu à lei natural mas tão-só ao fato de que os homens acreditavam na própria imortalidade. Ivan Fiodorovitch acrescentou, entre parênteses, que é nisso que consiste toda a lei natural, de sorte que, destruindo-se nos homens a fé em sua imortalidade, neles se exaure de imediato não só o amor como também toda e qualquer força para que continue a vida no mundo. E mais: então não haverá mais nada amoral, tudo será permitido, até a antropofagia. Mas isso ainda é pouco, ele concluiu afirmando que, para cada indivíduo particular, por exemplo, como nós aqui, que não acredita em Deus nem na própria imortalidade, a lei moral da natureza deve ser imediatamente convertida no oposto total da lei religiosa anterior, e que o egoísmo, chegando até ao crime, não só deve ser permitido ao homem mas até mesmo reconhecido como a saída indispensável, a mais racional e quase a mais nobre para a situação [...]. Trecho extraído da obra Os Irmãos Karamazov (34, 2008), do escritor russo Fiódor Mikhailovich Dostoiévski (1821 - 1881). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

SEXTILHAS PARA AS MENINAS DE RUA - De vocês, / roubei um dia os pés em trapos, / não porque Papai Noel / esquecesse meus sapatos, / mas pela vontade antecipada / de pisar seixos de meus rios. / De vocês, / roubei o esgarçado das vestes, / não porque máquinas de costura / ignorassem o vigor de linhos, / mas pelo destino de espionar espinhos / sob a fúria dos verões. / De vocês, / roubei a alma exposta às chuvas, / não porque o granizo / perfurasse minha casa e telhados, / mas por imitar espantalhos, / afugentando canários nas sobremanhãs. / Tudo isso foi pouco / para enrijecer minha face de palácio, / assim lhes trago nesses versos, / o azul de meu vestido de fustão, / pasteis de todos os Natais, / os carrosséis e seus cavalos brancos. / Tudo isso foi pouco / para enrijecer minha face de palácio, / assim lhes trago o filho que perdi / e os braços para niná-lo, / o hímen adolescente / e a verdade aprendida com as fadas. Poema da escritora Vernaide Wanderley.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual norueguesa Irene Våtvik. 
Veja mais aqui.

AGENDA
Primavera das Mulheres - 03/10, 15hs, Parque 13 de Maio – Recife – PE & muito mais na Agenda aqui.
&
Prazer de viver, nada mais, Jorge de Lima, André Breton, Immanuel Kant, Cintia Moscovich, Thomas Ruff, Sexualidade & Silvana Mara de Morais dos Santos, Adriana Calcanhoto, Steve Howe, Jukka-Pekka Saraste & Rosana Sabença aqui.


quarta-feira, novembro 11, 2015

DOSTOIÉVSKI, BIOÉTICA, STRAVINSKI, LARANJEIRA, MAZINHO, MEIMEI, QUERÊNCIA & MUITO MAIS!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? QUERÊNCIA & OUTRAS PARCERIAS – Tudo começou quando eu compus uma canção e entreguei pro Mazinho letrar. Dias depois, ele me apresentou Molhado de sonhar. Batemos o centro na parceria, bebemoramos, gravamos, saudamos, u-lalá! Passou-se o tempo, ele perdeu a letra, eu esqueci a música. Sei que está guardada numa tuia de trocentas fitas cassetes que tenho e que um dia, oxalá, vasculharei para resgatá-la. Depois dessa ele me peitou preu dar-lhe uma letra prele musicar. Como não sou bom como ele – Mazinho é ótimo em tudo, é o cara -, passei um bom tempo, acho que mais de ano, quando reuni uns versos e entreguei. Poucos dias depois estávamos emocionados, tomando umas e outras, comemorando com Rolandry Silvério a música Entrega. Ah, essa canção me deu muitas alegrias. A primeira delas foi Cikó e Linaldo gravarem no álbum Edição Extraordinária. E entre tantas outras, uma delas foi a incrível surpresa quando, um certo, abri o mail e estava lá um avisando que essa música estava tocando numa rádio do interior de Minas Gerais. Nossa, surpresa para lá de agradável. Fui conferir. Ah, era a maravilhosa Meimei, a encantadora radialista que tocava a nossa no seu programa. Tive o topete de ligar pra ela agradecendo e ela simpaticíssima disse: - É muito linda a sua música! Claro, é lindíssima a música do Mazinho. Já disse, tudo que ele faz é bom demais, seja letra ou música. E por causa disso nasceu uma daquelas recíprocas emoções que vão além da amizade! Nossa, a incrível Meimei, a partir de então, nos premiou muito mais, levando a nossa música para outras emissoras tanto de Minas, como do Rio de Janeiro e do Brasil afora. Veio então a terceira peitada do Mazinho preu novamente repetir a dose. Entreguei novos versos e nasceu a canção Cobiça que, anos depois, eu inseri no meu show Crônica de Amor por Ela (2011), evitando que se perdesse mais uma. Veio então a terceira leva. Desta vez, Mazinho trouxe a canção na minha letra Cilada. Lindíssima. Mas com o tempo, perdemos, a letra se salvou porque inseri no meu livro Primeira Reunião. Porém, a música... sei não. Acho que ele perdeu no esquecimento. Aí um belo dia abro o mail e está lá um recado dele me pedindo nem que seja duas frases para ele musicar. Demorei um tanto de tempo e enviei outros versos que tinham endereço certeiro: o coração da sempre magnífica criatura do meu coração, Meimei Corrêa. Mazinho caprichou e compôs a música de Querência. Nossa, que bela canção. Esse cara é tampa, mesmo. Pra salvá-la ele gravou no mais recente cd dele e eu, cheio das pregas, inventei de gravá-la voz e violão, com desafinando, trastejando e tudo. E o prêmio? Ah, não bastasse a sua sempre maravilhosa participação, Meimei achou pouco e fez o clipe das três canções: Entrega, Cobiça e Querência. E pra passar da conta, inventou ainda de fazer também um clipe com a minha interpretação solo de Querência. Coração lindo o dessa mulher, gente, razão pela qual enfeitiçou o meu de deixar-me apaixonado por ela até hoje. É isso. Das cinco parcerias com Mazinho, três se salvaram. Graças, claro, a iniciativa sempre providente e carinhosa da Meimei que registrou tudo, não deixando de fora nossa parceria. Obrigado, parceiramigo Mazinho – o Jucimar Luiz de Melo Siqueira; obrigado, querida Meimei, você estará sempre no meu coração. Obrigado procês. E veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagem: Nude In A Landscape, do artista plástico estadunidense Joseph Tomanek (1889-1974).


Curtindo Rite Of Spring/Pertrouchka (Classica D'oro, 2002), do compositor, pianista e maestro russo Igor Stravinsky (1882-1971), conductor Ernest Ansermet & L'Orchestra De La Suisse Romande. Veja mais aqui.

MEIO AMBIENTE – No livro Bioética: meio ambiente, saúde e pesquisa (Érica, 2009), organizado por José Victor da Silva, encontro o capítulo Meio Ambiente e bioética, de Manoel Araujo Teixeira, do qual destaco os trechos: [...] O homem ainda está pouco esclarecido em relação à fundamental importância do meio ambiente em sua vida. Por questões culturais, por ser distinto dos outros seres vivos e por possuir a seu favor a capacidade de pensar, julga que todos os outros seres integrantes dos ecossistemas em que vivem sejam subordinados a seus desejos e aos seus anseios de bem-estar. O homem ainda não percebeu que para que a vida de todos os seres vivos continue neste planeta, faz-se necessário que ele também se integre na biosfera como parte, e não como o todo, como tem pensado ao longo de sua existência. A história recente de percepção da interferência do homem no meio ambiente também contribui para o quadro negro da relação humana com a natureza. [...] O século XXI terá de ser o século da evolução do ser humano em termos éticos e também de evolução da nossa forma de condução da política ambiental. A tendência neste período é que uma nova fase nos movimentos ecológicos seja estabelecida. Esta será caracterizada pelo agir ético com o meio ambiente. O homem tem a árdua missão de parar com a destruição ambiental e preservar os poucos recursos naturais que sobraram para essa geração e para as outras que virão. A terceira fase do movimento ecológico tem como obrigação dar continuidade ao processo de conscientização ambiental e ao mesmo tempo estabelecer um convívio bioético com todos os seres vivos e não vivos do planeta. Veja mais aqui, aqui e aqui.

OS IRMÃOS KARAMAZOV – O romance Os irmãos Karamázov (1879 - 34, 2008), do escritor russo Fiódor Mikhailovich Dostoiévski (1821 - 1881), é uma obra composta por doze livros e um epílogo, aclamada pela crítica e trata-se de uma narração muito pormenorizada como que de uma testemunha dos aludidos fatos numa cidade afastada russa, tratando da história de uma conturbada família, tendo por patriarca  um palhaço devasso que subiu na vida principalmente devido aos dotes de suas duas mulheres, ambas mortas de forma precoce, e à sua mesquinharia. De uma querela financeira entre o pai e seu primogênito, também devasso porém honrado, nasce também a disputa por uma mulher que levará ambos a descomedidos atos que resultarão na morte do pai. Da obra destaco os trechos na tradução de Paulo Bezerra: [...] -Não, Deus não existe. -Aliócha, Deus existe? - Deus existe. - Ivan, a imortalidade existe? Vamos, alguma que seja, mesmo uma pequena, a mais ínfima? - Também não existe imortalidade. - Nenhuma? - Nenhuma. - Ou seja, o zero mais absoluto ou algo? Será que existe algo, alguma coisa? Apesar de tudo não é o nada! - Zero absoluto. - Aliócha, existe a imortalidade? - Existe. - E Deus, e a imortalidade? - Tanto Deus como a imortalidade. É em Deus que está a imortalidade. - Hum, o mais provável é que Ivan esteja certo. [...] Porque é só eu dizer aos verdugos: “Não, eu não sou cristão e amaldiçoo o meu verdadeiro Deus”, que imediatamente serei anatemizado pelo supremo tribunal divino e totalmente excomungado pela santa Igreja como se eu fosse um pagão, e isso no mesmo instante – não assim que eu acabar de pronunciar, mas assim que eu pensar em pronunciar – de maneira que não se passará um quarto de segundo e eu já estarei excomungado. É assim ou não é Grigori Vassílievitch? [...] – E se não sou mesmo cristão, quer dizer que não menti para os verdugos quando me perguntaram se era ou não era cristão, porque eu já havia sido afastado de meu Cristianismo pelo próprio Deus simplesmente por causa da intenção e inclusive antes que eu conseguisse dizer minha palavra aos verdugos. E se eu já estava degradado, então de que maneira e com base em que justiça haveriam de cobrar de mim no outro mundo, como se cobra de um cristão, por eu ter renegado Cristo, quando eu, só pela intenção, ainda antes da excomunhão, já tinha sido privado de meu batismo? [...] - Mas que raio de sentimentalismo é esse em que vocês todos caíram? A turma inteira de vocês vai lá? - Não são todos, são uns dez da nossa turma que vão sempre lá, todo dia. Isso não tem importância. - Em tudo me surpreende o papel de Alieksêi Karamázov: amanhã ou depois de amanhã o irmão dele vai ser julgado por aquele crime, mas ele fica gastando tanto tempo em sentimentalismo exagerado com garotos! - Aí não existe nenhum sentimentalismo exagerado. Agora tu mesmo estás indo fazer as pazes com Iliúcha. - As pazes? Expressão ridícula. Aliás, não permito que ninguém analise os meus atos. [...] - Eu sou um socialista. - E o que é socialista? – perguntou Smúrov. - É quando todos são iguais, têm uma opinião comum, não há casamentos, e cada um pratica a religião e todas as leis como quer, assim como o resto. Tu ainda não cresceste para entender isso, ainda é cedo para ti. [...] Veja mais aqui e aqui.

MAÇÃ, VINGANÇA, A TOALHA & NOSSO NINHO – A apaixonante e fascinantemente encantadora poeta & radialista Meimei Corrêa tem cometido poemas belíssimos e mantido o seu trabalho profissional no blog que ela edita: Baú de Ilusões. Da sua lavra, destaco inicialmente o belíssimo poema Maçã: Símbolo do amor / Gosto de pecado / Delicioso sabor / A provocar o amado / Uma mordida / A vida / A morte / Cruel serpente / Querendo definir / O destino da gente / Um cesto delas / Geleias e caldas / Sua boca / Minha boca / Os corpos quentes / Querendo mostrar / O futuro da gente / Eu o atiço / E todo feitiço / Deixa-o submisso / Você me envenena / E assim me condena / Ao paraíso eterno / Comemos da mesma maçã / Seja noite, tarde / Manhã / E sem qualquer castigo / Você é o meu céu / Eu sou o seu abrigo / Entreguei-me / Você se entregou / Pequei, pecamos / E o mundo não acabou / Amamos / E o desejo nos tatuou. Não menos deliciosíssimo é o seu poema Vingança: Ah, vingar-me-ei de toda esta saudade / que ocupa lugar nas minhas entranhas; / vingar-me-ei, sim, com toda vontade / até que me chegues com tuas manhas. / Ah,vingar-me-ei dos sons do sembrol / que nada tem a ver com tua voz; / vingar-me-ei desses dias sem sol, / vingar-me-ei dessas noites sem nós. / Ah, vingar-me-ei de ti, meu amado, / Quando em meus abraços te aconchegares. / "Tu me pagas"... Tu me dizes, jurado / E pagar-te-ei com minhas vinganças. / Terás também, contas para acertares / Neste justo acerto, loucas vinganças... O estonteantemente saboroso A toalha: Sem qualquer dilema, / Era apenas um poema / Que escorria com a água do banho, / Caía no corpo, rimas mornas / E a toalha a esperar / O momento de prazer sem tamanho. / Melhor que tudo, / Além da poesia e de me secar, / É a pele dele, pura seda, / Ser meu sobretudo. / A toalha fica esquecida, / Continua a me esperar... Por fim, o seu maravilhoso Nosso ninho: Quando as noites chegarem mais frias / Estarei lá para te levar calor / Esquentar tua alma num doce louvor / E te encantar com a leveza de mil passarinhos / Fazer só de amor o nosso próprio ninho... Veja mais dessa adorável poeta aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

OS PALCOS, CAUSOS & HUMOR – A trajetória do multiartista – ator, narrador, humorista, cantor, compositor e apresentador – Saulo Laranjeira passa pelo teatro, pela música, pelo rádio e pela televisão. Ele é apresentador do programa televisivo Arrumação que divulga o trabalho de artistas de raiz, como músicos, cantores, poetas e contadores de causos, entremeando apresentação com causos e personagens humorísticos. Laborioso no resgate e preservação das tradições nordestinas, ele tem gravado trabalhos de grandes poetas, além de participar de diversos espetáculos, tanto como narrador quanto como ator. Aqui a nossa homenagem a esse grande artista. Veja mais aqui.

I MARRIED A WITCH – A deliciosa comédia fantástica I Married a Witch (Casei-me com uma feiticeira, 1942), dirigida pelo cineasta, ator, produtor e roteirista francês René Clair (1898-1981), conta a história de uma bela jovem e seu pai que são queimados por bruxaria em uma fogueira na Salem do século XVII. Enquanto estão sendo queimados, a jovem joga uma praga numa família importante de um puritano responsável por suas mortes e, a partir daí, todos os membros masculinos dessa família estão condenados a ser infelizes no casamento. De repente, em 1942, acontece o caso de um candidato a governador que está noivo, quando um raio atinge uma árvore em que foram executados o casal, quando uma série de trapalhadas vai trazer situações nefastas para os envolvidos. O destaque do filme vai para a sempre bela mulher fatal e atriz estadunidense Veronica Lake (1922-1973). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do cartunista e ilustrador austríaco Erich Sokol (1933-2003).
Veja mais aqui.

sábado, junho 02, 2012

FRANZ WERFEL, ÉRICO VERÍSSIMO, HUXLEY, MERLEAU-PONTY, DOSTOIÉVSKI, DÓRIS MONTEIRO, LITERATURA ERÓTICA & BREBOTES NOS DROPS ARRUELADOS

 
Curtindo a arte da sempre bela e diva, a cantora e atriz Dóris Monteiro, eleita em 1952 como a Rainha dos Cadetes e Rainha do Rádio em 1956, gravou seu primeiro álbum musical em 1954 – Vento soprando (Continental) e atuou como atriz na extinta TV Tupi, além de participar de diversos filmes.

BIBLIOTECA EROTOLÓGICA: SUMÉRIA & BABILÔNIA – Entre 5 a 6 mil aC, os sumérios na Mesopotâmia, veneravam, entre os rios Tigre e Eufrates, a deusa da Terra, Inini, como criadora do amor e “abridora do ventre das mulheres”. Os sumérios realizavam festas de fertilidade onde as mulheres casadas poderiam fazer sexo com qualquer homem, além do marido, desde que se cumprisse uma regra: deixar cair na terra o sêmen do homem que não era seu marido, a fim de não fecundá-la, pois, do contrário, faltaria com o respeito ao marido. Além disso, a população dos sumérios era governada pelos sacerdotes como reis do Estado, e eram eles os escolhidos pelos maridos para tirar a virgindade de suas futuras esposas. Também na Suméria encontra-se o Épico de Gilgamesh, um herói dois terços deus e um terço homem, que tem no povo da sua cidade Urak, o inicio das suas aventuras, quando sua lubricidade não deixava nenhuma virgem para o próprio amante, nem a filha do guerreiro nem a esposa do nobre. Para enfrentar a criatura brutal Enkidu, Gilgamesh envia uma “prostituta do templo do amor, uma filha do prazer” para seduzi-lo. Ao cabo de seis dias e seis noites Enkidu conheceu as maravilhas da civilização e foi conduzido pela prostituta para sempre. Também entre os sumérios era corrente a frase “peixe quente no umbigo dela” quando os amorosos usavam este orifício humano como repositório para uma vasta faixa de objetos eroticamente estimulantes. Concluiu-se com isso que “peixe quente” era um dos razoáveis números de pitorescos coloquialismos da época para o pênis, fato repetido em outras civilizações, como os antigos gregos que atribuíam símbolo fálico aos peixes quando empunhavam suas imagens gigantescas nas procissões dionisíacas. BABILÔNIA – Na antiga Babilônia, só se reconheciam as conexões sexuais dentro da união natural do marido e mulher, quando se condenava à abominação e à morte a união homossexual. No entanto, a zoofilia nas sociedades pastoris já não era incomum, como também a homossexualidade e o intercurso anal heterossexual. Veja mais aqui, aqui e aqui.


DITOS & DESDITOS - Felicidade é a certeza de que nossa vida não está se passando inutilmente. Pensamento do escritor Érico Veríssimo (1905-1975). Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: A castidade é a mais anormal das perversões sexuais. Expressão do escritor inglês Aldous Huxley (1894-1963). Veja mais aqui.

PRIMAZIA DA PERCEPÇÃO – [...] Ele vê-se ao ver; toca-se ao tocar; é visível e sensível para si mesmo. É um eu, não por transparência, como o pensamento, que nunca pensa em nada, a não ser assimilando-o, constituindo-o, transformando-o em pensamento - mas um eu de confusão, narcisismo, inerência daquele que vê naquilo que vê, que toca naquilo que toca, da sensação no que sente [...] Devemos entender literalmente o que a visão nos ensina: nomeadamente, que através dela tocamos o sol e as estrelas, que estamos em toda parte ao mesmo tempo, e que até mesmo o nosso poder de nos imaginar noutro lugar – “Estou em Petersburgo na minha cama, em Paris, os meus olhos vêem o sol” – ou de imaginar livremente seres reais, onde quer que estejam, é emprestado da visão e emprega meios que devemos à mesma. [...]. Trechos extraídos da obra The primacy of perception: And other essays on phenomenological psychology, the philosophy of art, history, and politics (Northwestern University Press, 1964), do filósofo fenomenólogo francês Maurice Merleau-Ponty (1908-1961). Veja mais aqui.

CRIME & CASTIGO – [...] Tenho de proclamar a minha incredulidade. Para mim não há nada de mais elevado que a ideia da inexistência de Deus. O homem inventou Deus para poder viver sem se matar. Decididamente não compreendo por que é mais glorioso bombardear de projéteis uma cidade do que assassinar alguém a machadadas. [...] Às vezes o homem prefere o sofrimento à paixão. [...] A purificação pelo sofrimento é menos dolorosa que a situação que se cria a um culpado por uma absolvição impensada. [...] A tragédia e a sátira são irmãs e estão sempre de acordo; consideradas ao mesmo tempo recebem o nome de verdade. [...] Também na minha casa, hoje, nenhuma cadeira continua como estava ontem, pois eu já não sou o mesmo. [...] Trechos extraídos da obra Crime e castigo (Abril, 1972), do escritor russo Fiódor Mikhailovich Dostoiévski (1821 - 1881). Veja mais aqui.

POEMAMeu único desejo, Homem, é ser teu parente! / Sejas negro ou acrobata, repouses ainda nas profundezas / da guarda materna, / Vibre no pátio o teu canto de menina, / dirijas tua jangada ao fogo do crepúsculo, / Sejas soldado ou aviador de acirrada energia! / Não eras tu que, em criança , andavas de espingarda ao / suspensório verde? / E quando a arma escorregava, outro pedaço de gente se / esquivava. / Meu irmão Homem, se canto a tua lembrança, / Não me queiras mal, arrebenta em soluços comigo! / Pois eu vivi profundamente todos os destinos. Conheço bem / A angústia da harpista solitária nas orquestras das estações / de águas, / A da tímida governanta no seio da família estranha, / A do estreante, a tremer na frente do ponto. / Vivi nas florestas, fui um ferroviário, / Curvei-me sobre livros de contabilidade e servi fregueses / rabugentos. / Foguista, fiscalizei caldeiras, o rosto lambido pela chama crua; / Cule, comi os restos da cozinha. / Eu te pertenço como a qualquer homem! / Suplico-te: não te recuses! / Ah se isso pudesse acontecer, meu irmão, / Que caíssemos nos braços um do outro! Poema do poeta, dramaturgo e romancista austríaco Franz Werfel (1890-1945). Veja mais aqui.


ISTO É BRASIL - Pra que mesmo tanta lei se, apesar da compulsoriedade, jamais será cumprida, hem? Isto é Brasilsilsilsilsilsil. 



PIZZA NA CASSAÇÃO DO DEMÓSTENES – Um conluio entre parlamentares condimenta ainda mais a pizza nos trabalhos da CPMI do Cachoeira. A última é o arrumadinho de maracutaia pra salvar o Demóstenes da cassação. Mais uma pra aumentar a fedentina dos meandros do poder. É por isso que gente como o Ministro do STF, Gilmar Mendes diz: “O povo não é soberano nsas democracias constitucionais!”. E viva o Fecamepa!


PEIDO CAUSA APELO COMOVENTE DE MÃE – Vera – a que se acha a Carolina Dickman de Alagoinhanduba – mais uma vez passou da conta: topada dos birinaites deu uma gaitada espetacular ao assumir que o vibrador folheado a ouro supostamente roubado de sex shop e a calcinha que apareceu na Câmara dos Deputados era propriedade legítima dela. A marmanjada caiu em cima e, por causa disso, ela pilheriou tripudiando sobre a moçada, de se peidar toda às gargalhadas e infestar o ambiente com uma inhaca danada: - “Menina, tá na hora de cuidar da tripa gaiteira, hem?!”. Ora, o que foi de neguinho fugando às léguas não tava no gibi, fato que contribuiu para queimar o filme dela no maior fuxico da paróquia. Pela provocação, no outro dia, de ressaca, ela teve que encarar a reprimenda com um conselho comovente de mãe: - “Minha fia, largue dessa vida, tenha fé em Deus e tome um suquinho de graviola pra num causá tanta fedentina”. Na horagá, ela não deixou por menos: - “Ora, mãe, mulher também peida em cima do tamanco, afinal eu também tenho cu e não posso implodir com indigestão, né?!” E viva o Big ShitBôbras!!!!


CASAS LEGISLATIVAS DE ALAGOAS – Os deputados estaduais de Alagoas passaram a receber por vencimentos a partir do final de maio, a bagatela de R$ 20 mil por mês, enquanto os vereadores de Maceió ganham R$ 14 mil desde janeiro deste ano. Esses aumentos foram dados em virtude de equiparação com o salário mínimo de R$ 622 (isso no argumento deles, viu!?!?!) Equiparação? Nessa hora a trupe do Big ShitBôbras boquiaberta instou do Doutor Zé Gulu que, em resposta às peiticas deles, saiu com essa: - "Tá certo! Veja no dicionário: o ato ou efeito de equiparar é o mesmo que dar regalias ou vantagens iguais a pessoas ou funções diferentes! Tá justificado, ora! Essa é a lógica desse Brasilzão véio, arrevirado e de porteira escancarada: enquanto a maioria esmagadora arrombada de não ter onde cair morta de fudida e mal paga, os sabidos deitam e rolam com o dinheiro público". E viva o Fecamepa!!!!


ECO DO BADALO – Não bastando a questão dos vencimentos dos parlamentares alagoanos, ainda vem, em cima da bucha, aquela velha biziga do aumento deles na casa legislativa. Aí o Doro puto da vida sapecou: - “Agora qui o carrossé vai rodá dum jeito da fábrica di óleo di peroba num dá vencimento!”.





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