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segunda-feira, janeiro 27, 2020

MOZART, KLÁRA WÜRTZ, SCHELLING, JENNA GRIBBON, CARTA DE AMOR, ARIANO & ARTE PERNAMBUCANA


CONSTANZE, UMA CARTA DE AMOR - Esta a minha carta de amor, o amor que me faz vivo até agora. O amor que me faz recordar da infância tão promissora nos meus olhos grandes de Salzburgo, eu já era a nona maravilha entre aplausos e gentilezas. Herdei a música do meu pai, reis e rainhas eram reais, não um jogo de tabuleiro, eu sentado à mesa com a distinção de grau de cavaleiro, logo via os homens que pouco se apreciavam uns aos outros. O amor pelos devaneios, La finita semplice, e com a adolescência tornei-me infeliz criatura: desprezado, humilhado, a frieza das amargas verdades. Era o amor sempre e vivia tocando para as mesas e cadeiras, indiferença e hostilidades. Mesmo assim, a Missa da Coroação, a Sinfonia Concertante, a Posthornserenade, Idomeneu, tudo pelo amor. Eu sonhava quartetos de cordas, concertos, sinfonias, óperas. E ao despertar, a insatisfação corroía, valia-me das carícias e beijos da priminha e de outras saltitantes moças que me caíam às graças. Logo Rosa foi a primeira paixão para os andantes de deusa. Fui para Mannhein e me apaixonei pela Aloysia, a voz soprano de ouro na beleza estonteante. Para ela muitas árias e sequer me reconheceu no segundo encontro, fui rejeitado. Caí no mundo por força de um pontapé, fui bater em Viena, não menos recusado, expulso. Logo Constanze, antes cunhada, com seus olhos penetrantes deu-me abrigo nos seus braços abertos e o Rapto de Serralho na nossa fuga. O amor, altos e baixos, extravagâncias, as minhas angústias: melancólico, irrequieto, a busca pela conquista da liberdade e amava demais até As Bodas de Fígaro! Apesar do sucesso, a pobreza não era o único obstáculo: o ataque secreto dos inimigos. Quanto desamor. Na verdade, mais um fracasso: ondas exitosas seguiam-se por desastradas. Até Don Giovanni, a tragédia do amante de tantas conquistas amorosas: a ópera da morte e da noite. Eu caminhava para a ruina. Apesar dos aplausos, morria de fome, o ânimo fraquejava. O coração invernou, caminhava num pesadelo. Um estalo: A flauta mágica. Perseverava, persistia. Nenhum reconhecimento, ninguém que me amasse e eu à procura de estima e afeto. Valia-me apenas de Constanze, ah, querida, não fique triste, esteja sempre segura do meu amor. É por você que falo de amor enquanto sonho e ao despertar pelos campos, fontes e ventos. É por você que falo de amor até comigo mesmo, quando não há ninguém para escutar nem receber o meu amor universal. Porque é preciso um grande amor para se viver ou criar uma obra de arte, o amor é fundamental. Ah, minha Constanze como a amo, apesar da nossa quase miséria beirando ao desespero, eu a amo e muito e demais. Sei fui derrotado, todos me deram as costas, fracassei. A vida não tem nenhum valor, só um réquiem, a presença da morte prematura e a vala comum. Adeus, meu amor, meu único amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Aquilo que conhecemos na história ou na arte é essencialmente o mesmo que também existe na natureza: é que a absolutez inteira é conatural a cada um deles, mas essa absolutez se encontra em potencias diferentes na natureza, na história e na arte [...] A música nada mais é que o ritmo prototípico da própria natureza e do próprio universo, que por intermédio dessa arte irrompe no mundo afigurado [...]. Trechos extraídos da obra Filosofia da arte (Edusp, 2001), do filósofo do Idealismo alemão Friedrich Wilhelm Joseph Schelling (1775-1854), que em outro de seus estudos, “Primeiro projeto de um sistema da filosofia da natureza: esboço do todo (EDIPUCRS, 2004), assinala que: [...] A inteligência é produtiva de dois modos, ou cega e inconsciente ou livre e com consciência; inconscientemente produtiva na intuição do mundo, com consciência na criação de um mundo ideal. [...]. Veja mais aqui & aqui.

MOZART
Falo do amor ao despertar, falo do amor quando sonho, com as flores, com os campos, as fontes, os ecos, o ar, os ventos, e se não houver alguém que me escute, falo deste amor comigo mesmo. Para fazer uma obra de arte não basta ter talento, não basta ter força, é preciso também viver um grande amor.
MOZART - O compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) teve uma vida repleta de amor e fracasso. Na adolescência e já professor, envolveu-se com a pianista alemã Rose Cannabich (1764-1839), a quem dedicou uma sonata para piano. Depois se apaixonou pela bela soprano Aloysia Weber (1760-1839), pela qual foi rejeitado, para quem dedicou muitas de suas árias. Por fim, apaixonou-se por Constanze Weber (1762-1842), irmã de Aloysia, com quem conviveu até a sua morte. Várias obras dão conta da vida de Mozart e de suas paixões, entre elas, Mozart, sociologia de um gênio (Jorge Zahar, 1995), de Norbert Elias; Constanze Mozart: Eine Biographie (Bohlau Verlag, 2018), de Viveca Servatius; Constanze Mozart geb. Weber: Ein biografischer Roman (Kaufmann Ernst, 2006), de Heidi Knoblich; Mozart (Objetiva, 1999), de Peter Gay; e o drama de época Amadeus (1984), do cineasta Milos Forman. Veja mais aqui & aqui.

A MÚSICA DE MOZART: KLÁRA WÜRTZ
Devemos agradecer ao movimento histórico da performance, que colocou de volta ao centro da cena a estrutura da obra e se despediu da abordagem egocêntrica e de sua obsessão pela perfeição instrumental. Essa obsessão, que culminou nos anos quarenta e cinquenta, enfatizou aquelas seções do trabalho que permitiam exibir a perfeição instrumental, tornando assim os mecanismos de ação pretendidos pelo compositor muito mais difíceis de se comunicar com sucesso.
KLÁRA WÜRTZ – A arte da premiada pianista húngara Klára Würtz, que fez quase 20 gravações em CD, entre as quais as Sonatas para Piano completas de Mozart, entre outras. Ela é professora de piano no Conservatório de Artes de Utrecht e vive em Amsterdã, na Holanda. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Sensualidade, beleza e romantismo são todos aspectos da minha realidade em minhas interações com as mulheres e com o meio da tinta, e isso se reflete no trabalho. Sim, o trabalho é, em parte, sobre minha complicada relação com a história da pintura - não apenas com a maneira como as mulheres foram retratadas na pintura, mas também com a linhagem patrilinear de artistas dos quais meu trabalho descende. Estou tão mergulhado na história da maneira como os homens brancos traduziram idéias e imagens em tinta, que tenho certeza de que nunca poderei pensar em uma abordagem masculina eurocêntrica da pintura como algo além de pintura. A pintura de mim mesmo com um bigode, a pintura de um "banhista" poderia ter sido alternadamente intitulada "Problemas com o papai". Adoro o trabalho de tantos homens dessa história, mas estou lutando com minha própria inclinação para fazer um trabalho que vem diretamente de uma tradição que me deixaria de fora até muito recentemente, e que continua a excluir muitas vozes.
JENNA GRIBBON – Arte da artista visual estadunidense Jenna Gribbon, que tem realizado exposições consagradores em diversos países. Veja mais aqui & aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A arte do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014) aqui & aqui.
O premiado dramaturgo Luiz Marinho (1926-2002) aqui.
O filme Amarelo Manga, de Claudio Assis aqui.
A poesia de Valmir Jordão aqui.
A arte de Zé Galdino aqui.
A música de Bonny Brown aqui & aqui.
O Brasil Holandês aqui.
Lia de Itamaracá aqui.
O município de São Bento do Una aqui & aqui.
&
A arte palmarense de Luciah Lopez aqui, aqui & aqui.


terça-feira, janeiro 27, 2015

ANA MENDIETA, CARMEN LAFORET, LYGIA CLARK & GÜLTEN AKIN CANKOÇAK

 


ANA & A ARTE INTERROMPIDA – De Havana para a casa de praia de Varadero foi a sua infância. Aos doze anos o exílio Peter Pan num orfanato dos Estados Unidos - um êxodo forçado clandestino pro orfanato de Dubuquet: Lá eu era um ser erótico (o mito da latina ardente), agressivo e de certa forma diabólico. Isso criou em mim uma atitude muito rebelde. Desterrada, a arte foi a sua salvação em Iowa. O abalo com o estupro e assassinato de uma sua colega, motivou performar com corpo coberto por sangue: Rape Scene - uma homenagem para Sara Ann Otten: uma festa em que ela debruçou-se imóvel sobre a mesa da cozinha, com as mãos amarradas e as calças arriadas, coberta por sangue. Depois Untitled (People Looking at Blood, Moffitt) e como as pessoas viam uma poça de sangue na calçada. Todos indagavam quem seria aquela corajosa jovem estudante cubana: estava muito à frente do seu tempo. Ao sair da faculdade, sem dinheiro nem contatos, foi tentar a sorte em New York depois de ter sido vítima de extremas experiências racistas e xenófobas. Sua arte pioneira e original na transcendência e singularidade experimental foi formada pelo dialeto pessoal na busca pela conexão com um passado não vivido, a ancestralidade. Integrou a A.I.R Gallery (Artists in Residence) – ampliando as experiências de imigrante excluída, desqualificada, hipersexualizada e à procura pelo pertencimento em um país avesso ao diverso: A população branca dos Estados Unidos, diversa, mas de origem europeia básica, exterminou a civilização indígena e deixou de lado as culturas negras e não-brancas para criar uma cultura homogênea dominada pelos homens acima da divergência interna... Como mulheres não brancas, nossas lutas são duplas... O contentamento com a carreira em andamento, pois havia se apaixonado, casou-se, sua arte crescia e o relacionamento se deteriorava. Demitiu-se diante de um desentendimento. Vídeos, fotografias, landart, bodyart, a recuperação do elo terra-corpo, a conexão e o envolvimento da escala humana no não-lugar e um corpo almejando abrigo imolando seus ícones: Tendo sido arrancada da minha terra natal durante a adolescência, estou oprimida pela sensação de ter sido expulsa do útero. Minha arte é a forma em que restabeleço os laços que me conectam ao universo... A transmutação e a transitoriedade levavam ao fascínio e assombro do seu labirinto expurgando, restaurando e perlaborando a sua experiência no mundo. Sentia-se arrancada do seu chão, expulsa do ventre, buscando restabelecer os laços que a uniam ao universo, por meio da sua geopolítica ecosófica e feminista. Foi pra cidade-ruína do Pueblo Viejo – Árvore Velha e seguiu para as tumbas e cavernas nas pedras vulcânicas de Yagul, em Oaxaca, México, para conceber a Silueta Series. Quando se decidiu pelo divórcio, despencou pela janela do 34º de um prédio em Greenwich Village. Ela tinha pânico de altura e muitas evidências e versões contraditórias. A sua arte e liberdade foram atacadas, interrompidas, excluída da história pelo protocolo do silêncio. Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Minha arte é a forma como restabeleço os laços que me unem ao universo. Minha arte é fundamentada na crença de uma energia universal que atravessa tudo: do inseto ao homem, do homem ao espectro, do espectro à planta, da planta à galáxia. Minhas obras são as veias de irrigação desse fluido universal. Por elas ascendem a seiva ancestral, as crenças originais, as acumulações primordiais, os pensamentos inconscientes que animam o mundo. Pensamento da pintora, escultora, performer e vídeo artista cubana Ana Mendieta (1948–1985). Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Quantos seres sou eu para buscar sempre do outro ser que me habita as realidades das contradições? Quantas alegrias e dores meu corpo se abrindo como uma gigantesca couve-flor ofereceu ao outro ser que está secreto dentro de meu eu? Dentro de minha barriga mora um pássaro, dentro do meu peito, um leão. Este passeia pra lá e pra cá incessantemente. A ave grasna, esperneia e é sacrificada. O ovo continua a envolvê-la, como mortalha, mas já é o começo do outro pássaro que nasce imediatamente após a morte. Nem chega a haver intervalo. É o festim da vida e da morte entrelaçadas... Pássaros e leões nos habitam, são nosso corpo-bicho... Pensamento da pintora e escultora Lygia Clark (1920-1988). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

NADA - [...] Quem poderá compreender os mil fios que unem as almas dos homens e o alcance das suas palavras? [...] Parece-me que não adianta correr se temos que seguir sempre o mesmo caminho fechado da nossa personalidade. Alguns seres nascem para viver, outros para trabalhar e outros para olhar a vida. Tive um papel pequeno e mesquinho como espectador. Impossível sair disso. Impossível me libertar. Uma angústia tremenda era a única coisa real para mim naqueles momentos [...] Não procuro gentileza nem mesmo bons modos nas pessoas..., embora acredite que estes últimos sejam essenciais para conviver com eles. Gosto de pessoas que veem a vida com olhos diferentes dos outros, que consideram as coisas de forma diferente da maioria... Talvez isso aconteça comigo porque sempre convivi com seres muito normais e satisfeitos consigo mesmos... [...] Talvez o sentido da vida para uma mulher consista apenas em ser descoberta assim, olhada de uma forma que a faça sentir-se radiante de luz.[...]. Trechos extraídos da obra Nada (Alfaguara, 2008), da escritora espanhola Carmen Laforet (1921-2004).

 

TRES POEMAS – POEMA - A poesia é nossa velha cúmplice. \ Tudo o que cometemos, cometemos com ela. AREIA - Tive um amante que me mandou a areia da cidade em que morava. E sempre me \ perguntei sobre o vento daquele lugar\ É bem comportado ou louco É permanente?\ céu? O que\ tirou do chão\ Tínhamos cidades que partilhávamos Então\ o vento era mestre, eu era novato\ Ele soprou e passou com pressa\ A areia encheu meus olhos. A PRÓXIMA VEZ - Quando as coisas não acontecem do seu jeito\ Você está passando pela próxima vez\ Uma estrela cai no mundo\ De repente a terra treme\ Crianças com olhos mortos\ Esperando o sol que não nasce Tanta neve e vento\ nas montanhas O narciso esquecido Até florescer. Poema da escritora turca Gülten Akın Cankoçak (1933- 2015).

 

SACADOUTRAS

 

O SÍMBOLO DA LUTA PELOS DIREITOS – “- Por que você nos importuna”, perguntou ao policial que a abordava dentro do ônibus. – Eu não sei, mas lei é lei e você está presa!”. Esta é a abertura da narrativa do capítulo Triunfo do multiculturalismo, escrito por Demétrio Magnoli em seu Uma gosta de sangue: história do pensamento racial (Contexto, 2009). Esse caso traz a luta da costureira negra estadunidense, Rosa Parks, oficialmente Rosa Louise McCauley (1913-2005), que se tornou o símbolo do movimento dos direitos civis. A prisão ocorreu em 1955 quando ela se recusou a ceder seu lugar num ônibus para os brancos, marcando o estopim do preconceito racial que irá deflagrar o Boicote aos Autocarros de Montgomery, no Alabama. Por causa disso, por 381 dias, atendendo o chamado da Associação pelo Progresso de Montgomery, conhecida pelas iniciais MIA, a população negra da cidade parou de utilizar ônibus. Caminhando, pedalando, pegando carona ou usando táxis que, em solidariedade, cobravam o mesmo preço das tarifas dos ônibus, eles atraíram as atenções de todo país. Ativistas negros sofreram atentados e todo tipo de violência, inclusive, Luther King passou duas semanas na cadeia por conta deste evento. Uma Corte Federal do distrito julgou inconstitucional a segregação nos ônibus do Alabama e, no final de 1956, a Corte Suprema pronunciou um veredicto contra a apelação e o movimento alcançou uma vitória histórica. Depois de se aposentar, ela escreveu sua autobiografia e perseguiu seus últimos dias marcados pelo Mal de Alzheimer. Veja mais aqui e aqui.

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aqui. Logo mais, a partir das 21hs (horário de Brasília), acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá com muita festa e a apresentação da querida Meimei Corrêa. E com as seguintes atrações na programação: Mozart, Heitor Villa-Lobos, Quarteto Radamés Gnattali, Waldir Azevedo, Lenine, Rildo Hora, Geraldo Azevedo, Moraes Moreira, Milton Nascimento, Leila Pinheiro, Chico Buarque, Maria Rita, Sonia Mello, Wilson Monteiro, Milane Hora, Jan Cláudio, Eliste Retter, Monsyerrá Batista, Júlio Uçá, Ricardo Machado, Marcio Celli, Mazinho, Marisa Serrano, um especial de aniversário do Djavan & muito mais! Veja mais aqui.

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá Especial de Ano Novo
Quando? Hoje, terça, 27 de janeiro, a partir das 21hs (horário de Brasília)
Onde? No MCLAM - blog do Programa Domingo Romântico
Apresentação: Meimei Corrêa

O programa de hoje é dedicado à memória do poetamigo Jaorish Gomes Telles.

Imagem: Mulher nua de costas, da pintora portuguesa Paula Rego. Veja mais aqui.

Ouvindo: Não é azul mas é mar (1987) de Djavan. Veja mais aqui.

PORQUE CANTAR JÁ NÃO MUDA EM MANHÃ – Quando tive o prazer e a honra de musicar este poema de Fernando Fábio Fiorese Furtado, o fiz inserir no meu show Tataritaritatá. É que o poema diz muito do que eu quero dizer no palco e na vida, e a música surgiu tão logo comecei a lê-lo. Na verdade, a música já existia no poema, eu apenas a descobri. Confira aqui e aqui.


A DIVINA COMÉDIA – O filósofo alemão Friedrich Schelling (1775-1854), entre os seus estudos desenvolvidos, tratou a respeito da obra A divina comédia, o poema sagrado do poeta e político italiano, Dante Alighieri (1265-1321), em um ensaio que expressa que: “[...] tão longínquo monumento da filosofia ligada com a poesia como são as obras de Dante, há muito recobertas pela santidade da antiguidade. [...] A admirável grandeza do poema, que refulge na interpenetração de todos os elementos da poesia e da arte, chega inteiramente, desse modo, à aparição exterior. Essa obra divina não é plástica, nem pitoresca, nem musical, mas estudo isso ao mesmo tempo e em concordante harmonia: não é dramática, nem épica, nem lírica, mas também deste gêneros uma mistura inteiramente própria, única, sem exemplo. Acredito ter mostrado, ao mesmo tempo, que ele é profético, exemplar, para toda a poesia moderna. Capta em si todas as suas determinações e sobressai-se à sua maestria, ainda multiplamente misturada, como a primeira planta que se espraia sobre a terra e para o céu, o primeiro fruto da transfiguração. Aqueles que querem conhecer a poesia do tempo mais tardio, não segundo conceitos superficiais, mas em sua fonte, que frequentem este grande e rigoroso espírito, para saber por que meios a totalidade do tempo moderno é abrangida – e que não é tão fácil de atar o elo que a unifique. Aqueles que não estão destinados a isso, que desde já apliquem a si mesmo as palavras do inicio da primeira parte: deixai partir toda esperança, ó vós que entrais!”. A obra é inquestionavelmente um clássico da literatura universal, dividido em três partes: inferno, purgatório e paraíso, descrevendo a viagem do poeta na busca pela sua musa Beatriz, num cenário de riqueza de alegorias para um relato atemporal.Veja mais aqui, aqui e aqui.

JAGUADARTE – O cultuado e traduzidíssimo poema nonsense de Lewis Carroll, pseudônimo do escritor, matemático, desenhista, fotógrafo e reverendo anglicano britânico Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898), Jaguadarte (em inglês Jabberwocky), tem sido apreciado pelos mais renomados críticos e estudiosos pela fusão e disposição espacial das palavras ao longo do poema, precursor da poesia de vanguarda. Eis o poema numa tradução de Augusto de Campos: Era briluz. As lesmolisas touvas roldavam e reviam nos gramilvos. Estavam mimsicais as pintalouvas, E os momirratos davam grilvos. "Foge do Jaguadarte, o que não morre! Garra que agarra, bocarra que urra! Foge da ave Fefel, meu filho, e corre Do frumioso Babassura!" Ele arrancou sua espada vorpal e foi atras do inimigo do Homundo. Na árvore Tamtam ele afinal Parou, um dia, sonilundo. E enquanto estava em sussustada sesta, Chegou o Jaguadarte, olho de fogo, Sorrelfiflando atraves da floresta, E borbulia um riso louco! Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta Vai-vem, vem-vai, para tras, para diante! Cabeca fere, corta e, fera morta, Ei-lo que volta galunfante. "Pois entao tu mataste o Jaguadarte! Vem aos meus braços, homenino meu! Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!" Ele se ria jubileu. Era briluz. As lesmolisas touvas roldavam e relviam nos gramilvos. Estavam mimsicais as pintalouvas, E os momirratos davam grilvos. Veja mais aqui.
E como todo dia é dia da mulher, hoje é dia de homenagear a linda atriz Carrie-Anne Moss. Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
Ovídio, Nikolai Gógol, Eduardo Giannetti, Xangai, Bob Rafelson, Diana/Ártemis, Theresa Russel & Agostino Carracci aqui.

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Oswald de Andrade, Stanislaw Ponte Preta, Mary Whiton Calkins, Hypatia de Alexandria, Geraldo Azevedo & Parmigiano aqui.
Hannah Arendt, Tarsila do Amaral, Edvard Hagerup Grieg, Rubem Braga & Eleanor Jack Gibson aqui.
Paul Feyerabend, Gilberto Mendes, Brian de Palma, Sandra Scarr, Chaim Soutine, Penelope Ann Miller & Programa Tataritaritatá aqui.
A vida é linda, apesar dos enrustidos & dos chatos de galocha, Selene, A lenda Bororo das duas pombas, Laura Tedeschi, Witold Lutoslawski & Ewa Kupiec aqui.
No país da sabiduria, só sabido ganha jogo, Alfosno Hernández Catá, Sebastião Salgado, Zé Paulo Becker, Pedro Sangeon & Michael Malfano aqui.
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O milagre do amor na festa do dia e da noite, Oscar Wilde, Richard Strauss & Inga Nielsen, Violante Placido & Luciah Lopez aqui.
A vida que sou na alma do Recife, Marlos Nobre, Osman Lins, Cicero Dias & André Cunha aqui.
No país do Fecamepa, até no dia da felicidade não dá pra ser feliz & João Câmara aqui.
Contratos Mercantis, Denise Dalmacchio, Fernanda Guimarães, Jussanam, Consiglia Latorre, Aline Calixto & Fátima Lacerda aqui.
Psicologia no Brasil, Armélia Sueli Santos Salles, Carmen Queiroz, Bárbara Rodrix, Verônica Ferriani, Paula Moreno & Liz Rosa aqui.
Mesmer & Mesmerismo, Nara Salles, Mirianês Zabot, Elaine Guedes, Eleonora Falcone, Juliana Farina & Dani Gurgel aqui.
Martin Buber, Elisabeth Carvalho Nascimento, Célia Mara, Adryana BB, Ivete Souza, Sandra Vianna & Elisete aqui.
Ayn Rand, Teca Calazans, Danny Reis, Tatiana Rocha, Valéria Oliveira, Natália Mallo & Dani Lasalvia aqui.
István Mészarós, Tetê Espíndola, Luciana Melo, Fhatima Santos, Thaís Fraga, Ana Diniz & Patty Ascher aqui.
Literatura de cordel: o papé da rapariga de Bob Motta aqui.
Proezas do Biritoaldo: quando o urubu tá numa de caipora, não há pau que escore: o de debaixo caga no de cima aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.



GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...