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quarta-feira, janeiro 29, 2020

BECKETT, SVEVO, CHIZIANE, SWEDENBORG, MISTY COPELAND, ANTOLOGIA DE CANTADORES & O JEGUE DE PAUL


OUTRAS DO JEGUE DE PAUL - O Jegue de Paul não tinha nome não, era só isso mesmo. Dele, conta Tó Zeca – a maior autoridade em lorotas e pinoias – ter fugido das páginas de um Bestiário da Biblioteca Pública, só para atazanar as pessoas boas dali e nunca mais voltar para a invencionice de um mentiroso escritor. Ademais, muitas outras contam no amiudado, como a de que ele é fruto do cruzamento da Besta Fubana com uma mula sem cabeça de fogo no rabo e adjacências; ou que é filho dum pangaré com uma égua voadora chamada Pégasa, que apareceu assim do nada por essas bandas lá pelos idos de não sei quando. Também de que o desgraçado era fruto de um amancebamento dum calunga pintudo que era enjeitado por todas as mulheres, com a jumenta Fulorita, presumindo-se que ela seja a mãe do famigerado e que nunca dela ouvira falar. Vez em quando, asseveram, ele se passa por cavalo-marinho e sai pelo rio Una à procura de fêmeas que lhe saciem a incontinência sexual, de bater no mar, tanto que ouviu-se dizer dele ter acasalado com uma égua do mar, uma bicha selvagem da ilha de Bornéu, com umas crinas crescidas, cascos partidos feito bovinos, longa cauda e a trotar com o vento ocidental, chegando a parir uma tuia de lêmures, sacis e outras desgraças, mesmo de quase ele trocar tapa com o Asno de três patas de Zaratustra, que fica lá no fim dos oceanos com seus três cascos, seis olhos, nove bocas, duas orelhas imensas e um corno grandiosíssimo, causando desastres e agonias, dele parar e ficar assuntando aquela descomunal aparição, botar o rabinho entre as pernas e voltar pro seu bem-bom. Ditos outros baseados em boatos e dizeres inventados e tantos mesmos dados por líquido e certo, como de suas qualidades, aventando que se tivesse, de mesmo, qualquer serventia, não se tinha lá como dizer ou pudesse aferir lá nos anais do autenticado e checado. De exato e conferido mesmo, sabe-se que ele era pontualíssimo em dar a hora certo ao meio dia, na hora do Ângelus e no raiar do dia, isso sim, era inequívoco e todos testemunhavam. Afora isso, que não simpatizava com cacete, fugindo de tabica, relho, açoite ou chicote, e que ninguém nunca viu dele nem um murro numa cocada, nunca servindo por montaria, para puxar arado que fosse ou carroça no lombo ou na cacunda. Gostava de sair por ali assim nas quebradas e gandaia, por Japaranduba, Riacho dos Cachorros, Pirangi, Ribigudo, seguindo rastro de jumentas, jegas, burras, mulas e éguas, quando não, enrabando um potro desavisado ou mesmo muares e asnos que catasse, para se fartar de liambas e canabis, arranchado numa capoeira qualquer. Isso tudo sem contar que fora responsabilizado sob acusação de autoria de crimes escabrosos e insolúveis, da crise e miséria dos ricaços do canavial, das enchentes intermitentes que desabava tudo nas cidades da região, ou mesmo por provocar o fiasco que ficou sendo a festa da padroeira do dia oito de dezembro e, de quebra, pelo endoidecimento dos políticos na afanagem geral do erário público, levando à bancarrota geral todo o território estadual. Na vera, o que dele se certificou quantos vivos ou mortos, é que ele era achegado era de se meter com libidinagens entre as lavadeiras de rios e riachos, num esfregado até se ajeitar na intimidade de uma delas. Isso sim. Quando não, vivia de dar carreira no povo passante pelo arruado, pela rodagem ou rodovia, de preferência mesmo gostava de provocar carreira nas mulheres para ver-lhe a caçola com a saia na cabeça. Assim ficava se lambendo, estirando o prativai no maior rinchado. Hoje só reaparece em dias de carnaval, pisoteando do sábado até a terça de Zé-pereira, fantasiado de Burak: máscara de gente, orelhas de coelho, corpo de dragão e rabo de pavão, todo afogueado na frevada, para se envultar nas cinzas e se deixar ouvir o relinchado nas matas pela invernada. Exatamente por essas razões e gaitadas que ele é cultuado e foi cantado nos Dez de Queixo Caído de ficar na caraminhola lendária até os dias de hoje. Depois conto mais, ora se. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] O amor nada, faz senão em conjunção com a sabedoria ou o entendimento. O amor se conjunta à sabedoria ou ao entendimento e faz com que a sabedoria ou o entendimento seja reciprocamente conjunto. A sabedoria ou o entendimento pelo poder que lhe dá o amor, pode ser elevado, e perceber as coisas que pertencem à luz procedente do Céu, e as receber. [...] Trecho extraído da obra Divina Providência (Nova Jerusalém, 2010), do polímata sueco, com destacada atividade como cientista, inventor e filósofo, Emanuel Swedenborg (1688-1772), que inventou uma máquina de voar e, afamado alquimista, fundou a primeira revista científica da Suécia e publicar obras em campos diversos como a geologia, biologia, astronomia e psicologia. Veja mais aqui e aqui.

ANTOLOGIA ILUSTRADA DOS CANTADORES
Nunca fui mal procedido, / nunca fiz mal a ninguém; / se acaso fiz algum bem / não ‘stou disso arrependido. / Se mal pago tenho sido, / são defeitos pessoais, / todos seremos iguais / no reino da Eternidade: / na balança da Verdade / Deus sabe quem pesa mais.
ANTOLOGIA ILUSTRADA DOS CANTADORES – A obra Antologia ilustrada dos cantadores (EdUFCE, 1976), de Francisco Linhares e Otacilio Batista, trata sobre a poesia e suas raízes, o cantador no conceito dos mestres e gêneros de poesia popular, ricamente ilustrado por personagens que compõe o panteão dos poetas poetas populares, cantadores e repentistas do Nordeste brasileiro. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
O balé foi definitivamente minha fuga. Foi a primeira coisa que eu já experimentei na minha vida que era minha - apenas minha, não meus cinco outros irmãos". Isso me deu uma voz, me fez sentir poderoso. Poderíamos ter histórias que realmente refletem diferentes culturas de uma maneira nova. O balé é mundano, então vamos representar o que todos nós somos.
MISTY COPELAND - A arte da bailarina estadunidense do American Ballet Theatre, Misty Danielle Copeland, que se tornou a primeira mulher afro-americana a ser promovida a dançarina principal nos 75 anos de história da ABT. Ela é autora de obras como Ballerina Body: Dancing and Eating Your Way to a Leaner, Stronger, and More Graceful You (Grand Central Publishing, 2017); Your Life in Motion: A Guided Journal for Discovering the Fire in You (Aladdin, 2018); Life in Motion: An Unlikely Ballerina (Touchstone, 2014); Life in Motion: An Unlikely Ballerina (Aladdin, 2016) e Firebird (G.P. Putnam's, 2014), com ilustrações de Christopher Myers e, também, o documentário Um Conto de Bailarina (2015), com direção de Nelson George, abordando a sua ascensão e a fratura que poderia ter acabado com sua carreira, além de tocar em temas como raça e imagem corporal. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

DO MURPHY DE BECKETT

[…] E a vida que levava no espírito lhe dava um prazer tamanho que prazer não era mais a palavra certa [...].

Trecho extraído da obra Murphy (Companhia das Letras, 2022), do dramaturgo e escritor irlandês Samuel Beckett. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

DA CONSCIÊNCIA DE ZENO DE SVEVO

[…] A verdadeira religião é exatamente aquela de que não se tem necessidade de professar em alta voz para obter – embora raramente – o conforto que algumas vezes nos é indispensável. [...] Uma confissão escrita é sempre mentirosa [...] sob a lei do possuidor do maior número de artefatos é que prosperam as doenças e os enfermos. [...].

Trecho extraído da obra A consciência de Zeno (Globo/Folha de São Paulo, 2003), do escritor e dramaturgo italiano Italo Svevo (Aron Hector Schmitz – 1861-1928). Veja mais aqui & aqui.

 

DO NIKETCHE DE PAULINA CHIZIANE

[...] Cada tempo a sua história [...] a prosperidade mede-se pelo número de propriedades. A virilidade pelo número de mulheres e filhos. Um grande patriarca deve ter várias cabeças sob seu comando. Quando se tem poder é preciso ter onde exercê-lo. [...] Num lar polígamo não há filhos ilegítimos. [...].

Trechos extraídos da obra Niketche: uma história dc poligamia (Companhia das Letras. 2004), da escritora moçambicana Paulina Chiziane. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A ARTE PERNAMBUCANA
A arte do artista multimídia Paulo Bruscky aqui e aqui.
A literatura do premiadíssimo escritor Gilvan Lemos (1928-2015) aqui e aqui.
A neurociência médico e nutrólogo Nelson Chaves (1906-1982) aqui e aqui.
Os tempos da Praieira de Costa Porto (1909-1984) aqui.
A poesia de Andréa Borba aqui.
A música de Lucas Kallango aqui.
O teatro As Loucas da Mata Sul aqui.
A fotografia de Osmário Marques aqui.
Guiomar Verdureira aqui
&
Coral da Orquestra Criança Cidadã dos Meninos de Ipojuca & o Município de Ipojuca aqui e aqui.


terça-feira, março 11, 2008

GUIMARÃES ROSA,HABERMAS, CUMMINGS, LITERATURA DE CORDEL, PEARSALL, DIAMANDA GALÁS & BIRITOALDO


A arte da cantora, compositora e instrumentista avant-grad e experimental estadunidense Diamanda Galás. Veja mais aqui.

PROEZAS DO BIRITOALDO - XIII - Quando Deus Num Quer, Santo Num Voga. Estava Birito naquela noite todo atarantado com a tuia de coisas que aconteciam na reviravolta de sua vida: a Munga, seu Ostrogésilo, o emprego, o futuro se projetando, era mesmo um redemoínho de tempo desarrumando-lhe a idéia para arrumar sua vida. Sabia, de antemão, que algo estava por trás disso e martelava no seu quengo aquele encosto roendo por dentro, não sabendo se vindo dos ventos bons, ou se das grotas malignas. Alguém lhe perseguia os passos, isso sabia, fungando no seu cangote, vigiando-lhe as passadas. Pior que se amedrontava de noite, querendo fugir dessa assombração. E quando ouvia: - tô aqui, viu? - ele se desesperava de deixar as bolas do olho virando mais que na roleta do bingo, caçando os quatro cantos onde estivesse algo suspeito, até constatar que aquilo só se comunicava consigo e que mais ninguém notava. Quando conseguia cochilar, acordava atônito, a tempo de explodir seu pânico e acordando todo mundo da casa, aperreado por algo embaixo da cama, em cima do guarda-roupa, atrás da porta, no quintal, remexendo nas telhas, escondido alhures. Um buliçoso temor de num deixar ninguém se afastar dali. Mãe Nega mesmo se danava a rezar prenunciando que algo das coisas mais estranhas estavam por acontecer. E o bicho só dormia depois de uns murros pesados de deixá-lo molinho, roncando a noite toda. - Mulé, nosso filho tá se auto-enlouquecendo! - dizia Manuel Bertulino sob a maior preocupação. - Isso é olho grande dos invejosos! -, defendia Mãe Nega. De manhãzinha, com as olheiras pronunciadas, arrumado todo, seguiu para o local onde estaria o seu futuro promissor, esquecendo aquele tormento. Lá chegando, deparou-se com um prédio enorme, um galpão que num tinha mais tamanho, no centro uma construção circular, com uma torre no meio, panóptica, de onde se podia ver tudo o que se passasse no interior do gradiosíssimo vão, através das grandes janelas envidraçadas. Era o maior zoadeiro num entra e sai de gente apressada, aos gritos, tudo se estufando de raiva, no meio de caminhões, utilitários, carregadeiras, empacotadeiras, calungas embrutecidos, gente como a praga correndo entre galões de combustíveis, animais em extinção enjaulados de papagaio à onça jaguaretê; sacos mais sacos de açúcar amontoados do piso ao teto; pacotes de cigarro; caixas de leite enlatado, comida, bebida, cereais, meio mundo de mercadoria encaixotada, nos fardos, nos sacos, nas grades, nos conteineres, nos frigoríficos, tranqueiras das muitas não identificáveis, trabalho pesado, de dia e de noite, os barriga verde falando em código, parecia mais um fuá doido de tanta gente que azarava serviço. Ele lá, espiando tudo e esperando que alguém notasse sua presença ali. - Qué que tais vendo aí plantado, paiaço? - Tô esperando seu Ostrogésilo que mandou vir hoje aqui. - Dr. Ostrogesilo inda num chegou e vê se num fica ai coarando, cabeça desocupada é oficina do diabo! Arriba, ou entra no pesado ou sai fora! - O que é que eu faço? - Arrume logo uma lavagem de roupa! Pegue aqueles saco ali e jogue na carroceria daquele caminhão! Depois de uma intervenção inamistosa dessa, que mais parecia oriunda de educados na Suíça, ele nem pestanejou e já carregava os pesados sacos, sacudia no caminhão no meio de outros tantos mudos calungas que só ronronavam carregando o peso. O negócio era pesado de quase arrebentar-lhe a espinha dorsal. Mal carregou dois sacos, estava todo desconjuntado. - Mais uma marica práqui, num dá! - gritou um paquiderme lá de dentro, - ou trabaia ou vai alinhá o cu na rola mais grossa que te estroncar por aí. Não se deu por vencido e foi se danar na labuta. Lá para as tantas, mais ofegante prá morte que escravo vivo, lá vem o homem com o séquito, uma penca de gente pendurada nas partes pudendas do dono de tudo, varrendo-lhe o chão com a própria bunda, limpando, ajeitando tudo para que ele num tivesse nenhum motivo para contragosto. Sabia-se que ele era uma raposa de mil astúcias, somítico, papando as coisas a preço de enforcado, um cavalo-batizado cheio das enrolanças, maldoso, exagerado, impenitente; um zoilo, chamando a todos apenas de suínos chorões; um alceste, indiscreto, não guardando conveniência nos momentos que requeriam condolências, fazendo cobranças a viuvas em pleno velório do marido, e nas ocasiões extremas, situações embaraçosas. Quando ele queria, o mundo girava ao seu redor. Extravagante, ruidoso no maior trupé. O homem num falava com ninguém, cara de poucos amigos. Era grito e mais grito. Quando diziam que a charque estava estragada, mandava distribuir de presente para a população. A sardinha tá passada, venceu o prazo de validade. Dá pro povo. E quando alguém cochichava no seu ouvido, via-lhe nas faces a raiva, gritava ameaçando matar alguém que atrapalhasse seus negócios, ficais de renda, cobradores, o que fosse! Lá pro final da tarde, ele perguntou quem era aquele novato e disseram-no que ninguém sabia quem era que mandou o cara aparecer. Ah! lembrou-se e mandou chamar-lhe. Trouxe-lhe pro canto e disse-lhe: - Nu-num qui-quero vo-você nesse servi-viço não, te-tenho uma-ma mi-missão espe-pe-cial pa-para vo-você! O Chefão puxou-lhe pelo braço que doía que só, sacudiu-lo no canto e mandou que um certo Ernestinildo passasse as instruções. O cara sapecou oratória mais parecendo que chamava na grande. Depois de uma hora de esporro, fez distribuir as normas de convívio naquele empreendimento. Era o regulamento interno, com os direitos e deveres dos empregados. Um do patrão; outro, da esposa; dos filhos do patrão, também; das irmãs, idem. Eram nove irmãos, seis homens, tres mulheres e um calhamaço de não ter fim com o código de conduta e tratamento. Cada um se achava dono do seu pedaço. Enquanto recebia aquelas apostilas com as orientações que obrigavam-no a ler, decorar e praticar em cima da risca, Birito pensava como aquele bruto enriquecera, ninguém sabia. Estava mudado daquela noite na sua casa, todo simpático, cordato. O homem, agora, para ele, era um bicho ruim. Folheando as páginas, o Ernestinildo disse-lhe que seria cabo-eleitoral e que, para isso, liberaria todo dia dinheiro para ele falar bem, muito bem, bem demais dele aos que encontrasse na rua. Birito aquiescente, sim-senhor. - Olhe, tem que falar bem demais, coisas de santos, milagres de Jesus, poderes de Deus, alma de anjo, ouviu? E trnasformar essas conversas em voto, certo? - E onde vou ter que inventar isso? - Com seus parelhas, seus pariceiros, todos do seu convivio. Você tem que conhecer todo mundo para dizer a todo mundo isso que tô lhe dizendo. Bote prá rachar que nem pé de cabra: deixe tudo em bandas, crentes disso, que o homem tem que ser prefeito, deputado, senador, presidente da república, tudo, seu cabra! Se vire, viu! - Sim-senhor. - Olhe, a gente vai liberar dinheiro, carro, prestígio e você só tem que falar bem do homem. Onde ele chegar que alguém num souber dele, a gente arranca um culhão seu, ouviu? Depois arranca o outro, depois um dedo, todos os dedos, uma orelha, todas duas, vai ficar maneta, perneta, caolho, sem o pau da venta, banguelo, até num sobrar nem a alma, se você num cumprir o que está obrigado, ouviu? Tá mouco, tá! - Sim-senhor. - Arrede daqui e só volte com notícia boa que o homem num quer lhe ver nem a cara! Pronto. Birito saia do inferno e estava no céu, amontado num mandú, cheio das granas, pago para limpar a barra dum velhaco onde quer que exista lugar que tenha gente. Virou cabo eleitoral do sujeito mais biltre. O bicho soltou-se na buraqueira na maior mamata. Tão doido de dar volta atrás do próprio rabo feito cachorro doido. Num podia ver um pé de gente já soltava a maior tocarola, parecia que o político era ele. E quando o vivente se abestalhava ele largava o maior paralogismo de cheleleu de juntar matula. Ele nem-nem, superava suas ataqueiras na maior corta-brocha. Parecia mais beluário. Nego mais esperto arreliava: - Gastar cera com defunto ruim, é bronca, meu! - O home é a reencarnação de Pedro I, maior gente-fina, coração dos bons, bicho! - Cai noutra, deslavado!
Birito no maior cipoal ficava entupigaitado coçando a gaforinha e abusando do psitacismo e da boa fé dos ouvintes. Mão-de-obra das brabas dobrar aquela gente. - Ou esse povo tá sabido, ou o home é um defunto ruim de tanger! Estava já desencorajando no meio da locafa de abaeté quando viu com os dentes de fora a fulustreca Pé-de-quengo, qual não foi o riso sardônico que dispensara ao vê-la desfilando, truct-truct, na calçada. - O home é um santo! - dissera-lhe ela na presença de todos! E a mulher largou elogios cabeludos ao Ostrogésilo a ponto de desenterrar-lhes virtudes nunca dantes vista. O maior ó da paróquia soou de deixar nego de boca aberta o tempo todo com o testemunho dela. A negada se convencendo logo e apoiando a candidatura. Pé-de-quengo salvou a lavoura do Birito. - Daqui a pouco tu me paga direitinho, viu? - disse pro Birito aos cochichos. O povo já tava chamando pelo nome do homem quando Pé-de-quengo fechou a oratória mandando que todos votassem nele para o que ele aparecesse candidato. Maior ovação. A multidão se dispersando, Birito aproximou-se dela agradecendo. - Agradecimento, uma ova! Prepare-se logo para molhar minha mão! Birito todo empolgado e metido a cheio das lábias, encostou-se no maluvido da manquejante e deitou pilhérias picantes a ponto dela arrevirar os olhos e se agarrar no cacete dele. Ele avexado, pronto prá enfiar o esfolado no arreganhado, arrumou-se todo e levou-la prá trás da igreja de São Sebastião. No escurinho ele começou o seu pega-pega, levantava saia, alisava a bunda, a doida se espremendo. O cara doido para quebrar o cabresto dele, ela foi, levantou a moleta com a perna pendurada. Arreganhou-se e ele se enfiou. Tome, tome. Um fungado aperreado. Foi uma gozada da gala lambuzar tudo e afogar Pé-de-quengo dela estatelar-se no chão desmaiada. Biritoaldo assustou-se, que seria aquilo? Que dirão dele? E o emprego? Correu, escafedendo-se dali e quando chega na rua, todo mundo: - rapaz, comesse a aleijadinha!!!! Que mangação. A vergonha foi tanta que deu-lhe um estreluque na hora do bicho ficar abetesgado com cólicas de arrepiar monturo. Deu uma carreira pro cagatório vítima da maior piloura. No amaro-bocão cagou-se chega esvaziar-se, esborrando tudo da bacia sanitária, maior meladeiro de bosta escorrendo frouxa pelo assoalho. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui. 


PENSAMENTO DO DIA – Considerando que o sentimento é quem primeiro presta alguma atenção à sintaxe das coisas, ele jamais a beijará por inteiro. Pensamento do poeta estadunidense Edward Estlin Cummings ( e.e.cummings 1894-1962). Veja mais aqui.

MEMORIA DAS CELULAS – [...] Parece que estamos imersos nela, todos nós. É menos algo que “transmitimos” e “recebemos” do que algo que “somos”. [...] Visto que está perpetuamente em toda parte, nada constitui um escudo contra sua influência. [...] O cem do coração é cinco mil vezes mais intenso que o campo criado pelo cérebro e, além de sua imensa potência, tem efeitos sutis e não-locais que se propagam dentro dessas formas de energia. [...] Freqüentemente julgamos que matéria é uma coisa e energia é outra, mas, como já ficou dito, o fato quântico é que energia e matéria são manifestações da mesma substância energético-informativa. [...] Enquanto existir a divisão entre a biociência e as medicinas baseadas na energia, o cérebro continuará a romper o encanto que o coração proporciona. [...] O coração ama e sente, mas você sabia que ele também pensa, lembra, comunica-se com outros corações, ajuda a regular o sistema imunológico e armazena informações que pulsam continuamente através de seu corpo? [...]. Trechos extraídos da obra Memória das células: a sabedoria e o poder da energia do coração (Mercuryo, 1999), do neuroimunilogista Paul Pearsall (1942-2007).

LINGUAGEM - [...] A linguagem pode tornar-se autônoma (no lugar da subjetividade) assumindo forma de destino epocal do ser, do delírio dos significantes, da concorrência de repressão dos discursos, ao ponto de se diluírem – na corrente de um evento textual geral (administrado indistintamente por pensadores e poetas) – as fronteiras entre o significado textual e metafórico, entre a lógica e a retórica, entre a fala séria e a fictícia; mas para isso é preciso que todas as conotações da autoconsciência, autodeterminação e auto-realização tenham sido expulssas dos conceitos básicos da filosofia [...] Esse movimento de pensamento anulou de tal modo os vestígios da subjetividade transcendental, a ponto de arrastar com ela o sistema de referência com o mundo, de perspectivas de falantes e de pretensões de validez inerentes à própria comunicação lingüística. Ora, sem esse sistema de referencias torna-se impossível e, inclusive, sem sentido a distinção entre nivies diferentes de realidade, entre ficção e realidade, entre prática cotidiana e experiência extraordinária, entre os correspondentes tipos de textos e gêneros. A própria morada do ser é arrastada para o torvelinho de uma tormenta de linguagem desordenada. [...] Trechos extraídos da obra Pensamento pós-moderno (Tempo Brasileiro, 1990), do filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas. Veja mais aqui.

SAGARANA - [...] E, no bramido daquele mar, os muitos sons se dissociavam – grugulejos de remoinhos, sussurros de remansos, chupões de panelas, chapes de encontros de ondas, marulhar de raseiras, o tremendo assobio dos vórtices de caldeirões, circulares, e o choro apressado dos rabos-de-corredeira borborinhantes [...] Trecho de O burrinho pedrês, extraído da obra Sagarana (José Olympio, 1974), do escritor, médico e diplomata João Guimarães Rosa (1908-1967). Veja mais aqui.

MOIRÃO DE SETE PÉS COM PEDRA AZUL & SEVERINO PINTO - Pedra Azul: Vou dar começo à questão / pra quem ganha no fim! Severino Pinto: Eu morro e não tenho medo / dum pinto pelado assim! / Sou pelado, sem canhão / por causa de um beliscão / que a tua mãe deu em mim. Extraído da Antologia ilustrada dos cantadores (Fortaleza, 1976), de Francisco Linhares e Otacilio Batista. Veja mais aqui.


A arte da cantora, compositora e instrumentista avant-grad e experimental estadunidense Diamanda Galás. Veja mais aqui.





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Quando os anjos pagam o pato pela bagunça no céu!, Karlheinz Stockhausen, Rubem Braga, Catulo da Paixão Cearense, Dominique Regnier, Herbert James Draper, Julio Conte, Bob Swaim, Sigourney Weaver & Psicologia da aprendizagem aqui.
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Aristóteles, Rachel de Queiroz, Ariano de Suassuna, Chick Corea, Costa-Gavras, Aldemir Martins, José Terra Correia, Teresa Ann Savoy, Combate à corrupção, Garantismo penal & provas ilícitas aqui.
As trelas do doro: o bacharel das chapuletadas aqui.
Yoram Kaniuk, Sarah Kane, Robert E. Daniels, Meir Zarchi, Thelonious Monk, Eugene de Blaas, Tono Stano, Eliane Auer, Prefeituras do Brasil, Juizados Especiais & A responsabilidade civil bancária aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando a corda arrebenta, a covardia fica de plantão aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora parabenizando o Tataritaritatá (Arte Ísis Nefelibata).
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA

Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui. 

GLAUCE ROCHA, KRISZTINA TÓTH, JERRY JENKINS, JACQUES VALLÉE & OLINDA.

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