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quarta-feira, fevereiro 28, 2018

SIGRID UNDSET, MOLIÈRE, IVAN LINS, FLEW, JULIANA MERÇON, MÔNICA SALMASO, GAMEIRO & CARLA VAN DE PUTTELAAR

MAIS DIA, MENOS DIA E O AMOR VALEU – Imagem: arte da fotográfa & artista plástica holandesa Carla Van de Puttelaar - UMA: QUEM SABERIA PERDER - Desde menino cara pro vento vida solta que eu sei o tempo e o vento voam. Aprendi a crescer, mas não de todo, como fruta no pé, madurando. Hoje, como na canção, vivo do que faz meu braço e a Terra manda. Fui lá e fiz, antes tarde os meus desígnios, afianço que cumpri o meu dever até agora, conquanto não tenha mais nada pra dizer, tudo é relâmpago na escuridão, pisando em falso diante das emboscadas, espias de tocaia e desforras, sem âncora nem cais, as ciladas nas surdinas da morte, acossado pela urgência, a perder o eixo nos moldes da lógica diante da desconstrução de tudo e o eterno retorno. E de noite levanto insone entre estrelas de um céu que sequer existe e a errar dos pés os caminhos do chão, pisadas sem direção pra voar, voa vento, voa tempo, os segredos perdidos que se revelam na manhã esquecida. Vejo o que não existe, a Alfa Centauro e a humanimaldade de Cummings, o peito destroçado de amores escondidos que se perderam sem saudades nem lembranças, apenas uma, definitivamente apenas uma reina no meu coração de cavaleiro sem montaria, desmontado. E o mundo cheio de gente mal-agradecida a fazer da cidade o istmo de sempre arrodeado de canavial e meretrício por todos os lados, enquanto as pessoas vivem encapsuladas nas cavernas de si mesmo de não sair jamais das janelas sem vida nas paredes desbotadas pela fé e desavença, varrendo das ruas a sanidade de viver. Eu não sabia da dor, nunca soube, menino que era e ainda sou, crescido de nada. Ontem não sabia nada, hoje muito menos, sou labaredas mesmo que vulnerável, vou além dos extremos. Já fui longe demais, acho, tanto por fazer. De que outro modo eu poderia viver, quem saberia perder? OUTRA: TINO DE CAÇADOR – Nunca levei jeito pra caçadas, nem queria. Mas com a ruma de tios, um deles, me vendo menino taludo, já me queria com jeito de homem: Hoje vai caçar comigo, seu cabra! Todo sábado, meio dia, eu escapulia. Já vinha não sei quantas vezes eu enrolava e me esgueirava mundo afora. No entanto, neste dia, não deu. O compadre Jaime me aplacou a fuga: Vai pra onde menino? Hoje você não escapa, vai com a gente. E mostrava o risinho diabólico dele. Meu tio logo chegou: Ah, capturou o fujão. Vambora. A gente amontava no jipe e rumava pra mata pertinho. Pra quê tanta arma, tio? Cada espingarda dessa é prum tipo de bicho: uma pra paca ou tatu, outra pra veados e o que aparecer de graúdo, essas mais finas pros passarinhos. Caçar passarinho? Sim. Oxe, não era pra mim não. Eu já havia soltado os das gaiolas do meu pai, arengava com os meninos da rua por conta das suas petecas, coisa mais sem propósito, imagine caçar passarinho, astúcias dessas, era pra mim não. Destá. Meu tio e o compadre eram mateiros calejados, perseguiam impenitentes todos os bichos que aparecessem na frente, vigilantes, armados até os dentes, com todo tipo de cartucho no alforje e no cinturão, tudo muito extravagante e injusto, pareciam mais cangaceiros de Lampião. Eles subiam afoitos pelas capoeiras e eu atrás, arrastavam tudo nos peitos, mata escura, somente chiados, estalidos e zoadas das mais estranhas, coisa de meter medo num sujeitinho como eu não familiarizado com as surpresas da mata. Eu pensava em Cumadre Fulosinha e noutras abusões, coisas que metem medo, e meu tio e o compadre Jaime sorriam das minhas leseiras. Todavia, no meio da pisada, um canto estranho se fez ouvir e, ao que parece, amoleceu o coração da gente bulindo na superstição, bastante conhecido sinal de advertência, coisas das ocultas e sortilégios, parece, adiava a impiedade. O compadre Jaime fez sinal de silêncio, psiu, aguçou as ouças e disse: Tem coisa! Deitou os ouvidos no chão: É bicho grande, tomara que não seja onça. Ah! É menor, parece mais veado. E ficou atento, ouvido no chão, levantava e virava a cabeça para os lados. Por prevenção, vamos subir!, mandou, e subimos cada um em árvores – eu mesmo mais que amedrontado deslizava o pé no tronco, relei-me todo para conseguir me trepar no pé de não sei o quê, um toro roliço que não dava nem para abarcar com os braços. Fiquei lá no galho, balançando as pernas, atento ao que vinha. O barulho das patas nas folhas aumentava e a música era mais audível, até então eu nem ouvia, mas agora estava nítida: as pisadas e a música. Era coisa de veado, daqueles galhudos, com mais de vinte chifres ocos e furados feito flauta, pra quando o vento soprar sair aquela pungente sonoridade. Eu num disse! O compadre Jaime já acenava pro meu tio, apontando, eu não via, ouvi quando disseram: É veado mesmo! Melhor ir embora. Arrumamos as coisas e zarpamos pro jipe do lado de fora da mata. Bem na saída já respirando o ar livre, perguntei a razão da desistência, explicaram não ser dia apropriado para caça, era dia de reunião das proteções deles, dia que não se deve caçar. Não ousavam contrariar as forças da natureza, transgredir era arcar com consequências bastante funestas, coisas do encantado que nunca se sabe. De caso pensado, retornamos, ficou pro próximo sábado. Livrei-me mais uma pra nunca mais. (Historieta apresentada nas minhas atividades de contação de história, releitura das lendas do folclore, baseada em material recolhido por folcloristas brasileiros). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do cantor, compositor e pianista Ivan Lins: San Javier Jazz Live, Somos todos iguais nesta noite & Quem saberia perder; da cantora Mônica Salmaso: Voadeira, Iaiá & Alma Lírica Brasileira; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA[...] algumas das coisas tidas previamente como característica do universo que nos rodeia são na verdade propriedades da nossa própria constituição interna. [...]. Trecho da introdução à obra On human nature and the undestanding (Macmillan, 1962), do filósofo e professor britânico Antony Flew (1923-2010).

APRENDIZADO ÉTICO-AFETIVO - [...] a coesão social e a submissão às regras do Estado resultam do medo que temos de vivenciar um mal maior e da esperança de um bem maior [...] Por serem as paixões constitutivas do nosso viver, ou, em outras palavras, por não podermos ser guiadas por um pensar constantemente ativo, haverá também, na organização e regulamento das associações sociais produzidas pela educação, elementos ligados ao medo de punições e à esperança de recompensas, cuja força varia conforme experienciemos ou não a potência de nosso próprio pensar. [...] embora paixões tristes participem da formação e exercício dos poderes da educação, é também para próprio beneficio do todo social que a educação venha a promover a ativação de nosso pensar. [...] O princípio que movimenta a educação, tanto no exercício de seu poder produtor de paixões alegres como de seu poder controlador por meio das paixões tristes, é conatus da coletividade. [...] A capacidade de agir com base no conhecimento e na virtude, e não no medo ou na punição, é o que distingue uma educação sábia de uma educação que exerce um poder que se mantém pela inadequação de suas paixões e de seus mecanismos opressores. [...]. Trecho extraído da obra Aprendizado ético-afetivo: uma leitura sponizana da educação (Alinea, 2009), da educadora, professora e filósofa Juliana Merçon. Veja mais aqui.

PRIMAVERA - [...] Via-se literalmente nua, debaixo de vestes invisíveis. Parecia-lhe que estava nadando sem rumor, e sem que ninguém pudesse vê-la, no fundo de um mar de nevoeiro misturado com fumaça. Que lhe importava todo esse vaivém de gente atarefada? E todas aquelas pessoas, nenhuma das quais lhe era conhecida? Esses também escondiam, debaixo da roupa, um corpo nu, esses também tinha um “eu” que para ela era invisível. Este pensamento parecia-lhe justificação o seu desejo de solidão. Tentara, lealmente e com a melhor disposição do mundo, fazer relaç~~oes, mas não o conseguira. Agora, quando descobria que todas essas criaturas, além doq eu via delas, tinham um corpo, uma individualidade, sentia-se justificada por ter tido aquela repulsa a quase todas as pessoas com quem topara... “Tenho todo o direito de evitá-las e de exigir delas que não se dispam diante de mim...” [...] “Sou excluída das alegrias dos outros”, dizia consigo... “Os outros, esses possuem alguem a quem amam, ou com quem privam, ouy de quem falam mal, ou com quem fazem o mal, dançam, saem à rua. Quanto a mim, tenho pequenas alegrias diferentes, só minhas, e protejo-as com estas mãos, como se fossem cálidos passarinhoas”. [...] Sentira-se profundamente humilhada ao saber que ele pudera, diante de uma oportunidade, introduzir outra mulher em sua vida. Sabia hoje que uma mulher, se nada concede, nem para o bem nem para o mal, àquele que a adora, não pode pretender continuar sendo sempre a única. Pouco lhe falava, agora, para lamentar haver-se esforçado por permanecer leal e honesta com ele, e não ter usado de coquetismo ou de outras armas femininas para cativá-lo definitivamente. [...] Soava como uma música uma música maravilhosa. Era pois isto, amar. Era isto, o amor. Tomou entre as mãos, num arremesso, o rosto de Torkild e o contemplou demoradamente. Sim, era ele, o amado; ele era assim. Atraiu para a cabeça dele e, desta vez, foi ela quem o beijou, enquanto das árvores da rua tranqüila, erma, uma poeira branca e fina caia sobre ambos. [...]. Trecho extraído do romance Primavera (Delta, 1964), da escritora norueguesa & Prêmio Nobel de 1928, Sigrid Undset (1882-1949).

O AMORO amor é sempre avesso às leis da observação. / Gaba o amante na aleita os dons do coração, / nada sua paixão lhe acha de censurável. / Tudo, no amado ser, se lhe afigura amável. / Os defeitos que tem, conta-os por perfeições, / tornando-lhes gentis as denominações. / A pálida é ao jasmim, na alvura comparada; / é uma boa morena a negra desbeiçada; / a magra tem, grácil, talhe e desenvoltura; ] a que é desmazelada, imunda e displicente, / é, por atenuação, beleza negligente; / a que é alta é uma deusa aos olhos dos mortais; / a anã resume em si as graças celestiais; / faz jus a uma coroa a fonte da orgulhosa; / a hipócrita é engraçada; a idiota é generosa; / a faladeira tem agradável humor / e a muda, a sonsa, guarda um honesto puder. / Quem sente no seu peito arder do zelo a chama, / amara os erros, até da pessoa a quem ama. Poema extraído da peça O Misantropo (Zahar, 2014), cena IV, do ato I, da fala de Eliente a Celimène, do dramaturgo, ator e encenador francês Molière (Jean-Baptiste Poquelin – 1622-1673). Veja mais aquiaqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

INSTITUTO EDUCACIONAL SÃO FRANCISCO DE ASSIS
Recepcionando a garotada estudantil do Instituto Educacional São Francisco de Assis, com as professoras Rosilda dos Santos Silva & Nataly Neves, na Biblioteca Fenelon Barreto – Palmares – PE.

Veja mais:
Quando a folia é maior em mim!, A árvore de Tamoromu & a música de Antúlio Madureira aqui.
O lobisomem de Alagoinhanduba aqui.
Biritoaldo: a vingança no formigueiro aqui.
Ferreira Gullar, Oscar Wilde, Lisztomania, Michel de Montaigne, Louis Malle, Luhan Dias, Juliette Binoche, Virginia Lane, O Morto & A Lua, Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva aqui.
Crimes contra a pessoa aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando a adversidade aperta, o biltre bota o rabinho entre as pernas aqui.
As trelas do Doro: o escambau aqui.
Antígona de Sófocles, Gradiva de Freud, Seminário As Psicoses de Jacques Lacan & Cronquetas Tataritaritatá aqui.
Charles Baudelaire, Bem na Hora & Noveletas Tataritaritatá aqui.
Jean-Paul Sartre aqui.
Francesco Petrarca, Adrian Pãunescu, Erik Axel Karlfeldt, Carlos Santana, László Modoly-Nagy, Max Liebermann, Luiz Edmundo Alves & Psicologia da Gestalt aqui.
Walter Benjamin, Philippe Ariès, Isaac Stern, Charlotte Gainsbourg, Emil Orlik, Ruy Jobim Neto, Marco Leal, Neuropsicologia & Educação Sexual aqui.
Basílio da Gama, Silviane Bellato, Odete Maria Figueiredo, Edward Hopper, Mentes & Máquinas, Gerontodrama & Neurociência, Zacarias Martins & Programa Tataritaritatá aqui.
Gaston Bachelard, Steven Pinker, Holística, Renato Borghetti, Antonio Rocco, Menalton Braff, Diego Lucas & Mácia Malucelli aqui.
Carlos Drummond de Andrade, Antônio Cândido, Adolphe-Charles Adam, Antonio Bedotti Organofone, Ana Mello & Benedito Pontes aqui.
Aldous Huxley, Terceira idade & envelhecimento, Jean-Baptiste Camille Corot, Armando José Fernandes, Ivaldo Gomes, Monica & Monique Justino aqui.
Elias Canetti, Alfredo Casella, Gestão de Pessoas, Paula Valéria de Andrade, Célia Mara & Lou Albergaria aqui.
Passando a Limpo & Zygmunt Bauman aqui.
Carl Gustav Jung, Ariano Suassuna & Programa Tataritaritatá aqui.
O retorno da deusa de Edward C. Whitmont aqui.
A troça do Fabo aqui.
Folia Tataritaritatá & o Recife do Galo da Madrugada aqui.
Caboclinhos aqui.
O Frevo aqui.
Auto Maracatu aqui.
Baile de Carnaval aqui.
Bacalhau do Batata aqui.
Os assassinos do Frevo aqui.
A folia do prazer na ginofagia aqui.
Padre Bidião, o retiro & o séquito das vestais aqui.
Aijuna, o mural dos desejos florescidos aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.

A ESCULTURA DE RUY ROQUE GAMEIRO
A arte do escultor português Ruy Roque Gameiro (1906-1935).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa & artista plástica holandesa Carla Van de Puttelaar.
Veja mais aqui.

segunda-feira, outubro 23, 2017

ERNESTO SÁBATO, EDWIGES DE SÁ PEREIRA, MARIA FIRMINA DOS REIS, ADMAURO, LUCIAH, FENELON & PNTANDO NA PRAÇA

PINTANDO NA PRAÇA - Manhã ensolarada de sábado, nuvens em trânsito e chuva passageira para amainar o calor, olhares dispersos, muita conversa, afagos, afetos, telas, sons e solidariedade. Gente de muito tempo aos abraços e apertos de mãos se perdia entre esboços de mãos inquietas na imageninação dos cavaletes. Gente da mais profunda estima, parceiros, amigos, irmãos que são e outros que se achegam entte coqueiros, bancos, flores de outubro, transeuntes que não sei. Gente que nunca vi por ali entre livros de Hermilo, de Ascenso, de outros palmarenses de ontem e de hoje: livros da Biblioteca que é minha e de todos. A praça estava em festa, trânsito de idas e vindas. Ali acontecia o mundo margeado pelo comércio alheio, passos incertos por direções opostas, passando, chegando e indo embora. Gente que ia e vinha, algumas interrogativas com toda movimentação: que droga é nove? Gente curiosa que queria saber o que era aquilo, ugnorando as doidices estranhas de outros doidos que vão além de ver e passar, comprar e vender. Gente do passado ressuscitada, gente que sequer poderia ser gente, gente que veio doutras cidades e até de longe para bulir lindamente no coração, mas gente, muita gente. No anfietatro eu me esgoelava no palco cantando das coisas coração: Pirangi, Martelada, Nina do Ripe, Severina de Acioly, Nunca chore por mim e Desejo. Saudava quem chegava, assistia a tudo, a arte, na verdade, estava da outro lado, bem na minha frente: a arte na plateia. Pincéis, lápis, tintas, espátulas, riscos, brebotes, garatujas, cores, contemplação, paisagens, inspiração, estalos, transpiração. O Sol dava o tom do que fervia na cabeça de pintores, desenhistas, faz de conta e tudo o mais. Linaldo fez festa com um jeito todo seu de cantar e tocar. Depois chamou Marquinhos e fizeram um duo no mormaço da manhã. O que antes indecifrável nos rascunhos das telas, agora tomava corpo: dava pra se ter ideia o que queria dizer cada um dos artistas na moldura da vida. Zé Ripe deu show com coro da plateia e aplausos muitos: coisas da terra e de poesia que nem devia mais sair mais do palco. Pintou-se o sete e o escambau por toda a manhã pra mais de meio dia, coisas e ideais: a vida pintou na praça e a gente passou a viver mais. Parabéns Paulo Profeta. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do cantor e compositor Vital Farias: Sagas brasileiras, Taperoá & solo; da pianista Magda Tagliaferro (1893-1986): Rosa Amarela, Saudade das selvas brasileiras & Impressões seresteiras, todas de Heitor Villa-Lobos; do pianista Rogerio Tutti: Sonata ao luar do sertão, Deep in your soul & Libertango de Astor Piazzolla; da cantora Mônica Salmaso: Voadeira, Iaiá & Noites de gala, samba na rua. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] romance é algo mais que uma sucessão de aventuras: é o testeminho trágico de um artista diante do qual ruiiram os valores seguros de uma comundiade sagrada. [...] pavoroso processo de desmistificação do mundo [...] Os homens escrevem ficções porque estão encarnados, porque são imperfeitos. Um Deus não escreve romances. Trechos extraídos da obra O escritor e seus fantasmas (Companhia das Letras, 2003), do escritor e artista plástico argentino Ernesto Sábato (1911-2011). Veja mais aqui e aqui.
 Poema do dramaturgo, advogado, professor e poeta palmarense Fenelon Barreto, em placa na Praça Paulo Paranhos – Palmares - PE. Veja mais aqui e aqui.

DE SENTIR & VIVER - [...] – Que ventura! = então disse ele, erguendo as mãos ao céu – que ventura podê-lo salvar! O homem que assim falava era um pobre rapaz, que ao muito parecia contar vinte e cinco anos,e que na franca expressão de sua fisionomia, deixava adivinhar toda a nobreza de um coração bem formado. O sangue africano refervia-lhe nas veias; o mísero ligava-se à odiosa cadeia da escravidão; e embalde o sangue ardente que herdara de seus pais, e que o nosso clima e a servidão não puderam resfriar, embalde – dissemos – se revoltava; porque se lhe erguia como barreira – o poder do forte contra o fraco!... Ele entanto resignava-se; e se uma lágrima desesperação lhe arrancava, escondia-a no fundo de sua miséria. [...]. Trecho extraído da obra Úrsula (Presença/INL, 1988), da escritora Maria Firmina dos Reis (1825-1917), considerada a primeira romancista brasileira.


Coqueiros no céu de Palmares: Praça Paulo Paranhos, Palmares – PE.

MULHER
De ser não sei, na seriação dos seres,
Que mais preocupa e que se estuda tanto:
Alma, razão de agir, paixões, misteres,
A essência do teu riso e do teu pranto!
Magos, poetas, filósofos, no entanto,
Mergulhando-as na orgia dos prazeres,
Ou elevando nas palmas como a um santo,
- Controversos que são quanto às mulheres!
Dessas vacilações, desses enganos
Surge o dogma, imutável, transcendente
Que ao homem sagra “senhor” entre os humanos...
E o dono, e chefe, e rei – por que padeces,
Ó forte, ó sábio, e vives tão somente
Na razão desse mal que mal conheces?!
Poema extraído da obra Horas inúteis (Imprensa Oficial, 1960), da educadora, jornalista, poeta e ativista feminina Edwiges de Sá Pereira (1884-1958).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

A poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez, participando do evento Pintando na Praça – Palmares – PE. Veja mais aquiaqui.

Veja mais:
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

ADMMAURO GOMMES
Recepcionando o poeta e professor Admmauro Gommes na exposição do projeto Pintando na Praça, na Biblioteca Fenelon Barreto, Palmares – PE. Veja mais aqui.
 

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

NIKI DE SAINT PHALLE, MARTÍN-BARÓ, LI TAI PO, RICOEUR & SAURA

 


A SOLIDÃO DE NACHO, EL ROJO… -  O menino de Valladolid cresceu adolescendo no noviciado em Orduña aos 17 anos. Tornou-se viajante e foi pra Villagarcía e, de lá, prAmérica Central. Estudava muito em Quito, fez filosofia em Bogotá, bacharelou-se e seguiu prum Externato de El Salvador. Depois foi professor na Centroamericana, viajou pra Frankfurt, bacharelou-se de novo na Bélgica, retornou à San Salvador para lecionar psicologia na Academia de Santa Ana. Contribuiu para a revista dos Estudios Centroamericanos, fez mestrado em Chicago, onde, depois, também fez seu doutoramento em Psicologia Social. Acompanhava de perto os conflitos de El Salvador, com a fundação do Iudop, escrevendo para a revista costarriquenha Polómica. Foi professor na Venezuela, em Porto Rico, em Bogotá, em Madrid e publicou seus livros e artigos científicos e culturais, contemplando as sociedades alternativas da América Latina. Mas era tempo de opressão, repressão e da anormalidade normal das injustiças sociais com suas anomalias na violência estrutural. Vivia no meio da guerra civil financiada pelos USA, que mantinham o governo militar repressor e os esquadrões da morte. Era 16 de novembro daquele ano de 1989: ele foi executado no massacre da UCA, a chacina promovida pelo exército salvadorenho. Um tiro na nuca e o mártir da teologia da libertação sucumbiu juntamente com outros 5 professores jesuítas, mais a caseira e sua filha de 16 anos. Os soldados do Atlacatl destruíram livros, documentos e computadores e deixaram no local um cartaz político na tentativa de imputar o crime à FMLN contra os “traidores da causa”. Não foi e a voz nunca se calou. Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - É claro que ninguém vai devolver ao dissidente preso a sua juventude; à jovem que foi violada a sua inocência; à pessoa que foi torturada a sua integridade. desaparecidos para as suas famílias. O que pode e deve ser publicamente restituído são os nomes das vítimas e a sua dignidade, através do reconhecimento formal da injustiça do ocorrido e, sempre que possível, da reparação material... Aqueles que clamam por isso. a reparação social não pede vingança nem acrescenta cegamente dificuldades a um processo histórico que já não é nada fácil. Pelo contrário, promove a viabilidade pessoal e social de uma nova sociedade, verdadeiramente democrática... Pensamento do filósofo e psicólogo social espanhol Ignacio Martín-Baró (1942-1989), uma das vítimas da chacina de El Salvador, em 1989, que no seu estudo La violencia en centroamerica: una vision psicossocial (Revista de Psicologia de ElSalvador, 1990), expressa que: [...] A verdade do povo latino-americano não está no seu presente de opressão, mas na sua manhã de liberdade […]. Se toda forma de violência exige uma justificação, é porque não a tem em si. O que leva à consequência de que a violência não pode ser considerada em abstrato como boa ou má, o que contradiz uma das suposições implícitas da maioria das abordagens psicológicas; a bondade ou maldade da formalidade violenta advém do ato que a substantiva, isto é, daquilo que um ato tão violento socialmente significa e historicamente produz. E é aqui que o caráter ideológico da violência aparece claramente [...]. Já no seu livro Acción y ideologia: Psicología Social desde Centroamérica (UCA, 1985), ele expressa que: [...] Uma sociologia do conhecimento psicológico sobre violência e agressão mostra que, com honrosas exceções, geralmente a “matéria violenta” que é tomada como objeto de análise é o ato contrário o prejudicial ao regime estabelecido, a agressão física individual, a violência delinquencial ou a violência das massas, assumindo em todos esses casos que seu caráter negativo deriva do dano causado à convivência sob a ordem social imperante. [...] A exploração dos trabalhadores, sobretudo o campesino e indígena, a contínua repressão a seus esforços organizativos, o bloqueio a satisfação de suas necessidades básicas e às exigências para o desenvolvimento humano, e tudo isso como parte de um funcionamento “normal” das estruturas sociais, constitui uma situação em que a violência contra as pessoas está incorporada à natureza da ordem social, bem chamado de “desordem organizada” ou “desordem estabelecida”. [...] A violência aberta como uma possibilidade ao ser humano assumida e desenvolvida através do processo de socialização encontra sua formalização última em sua justificação. [...] todo ato de violência requer uma justificação social e, quando carece dela [...] a gera por si mesma. [...]. Já no seu estudo O papel do psicólogo (Estudos de Psicologia, 1996), ele expressa que: [...] A consciência não é simplesmente o âmbito privado do saber e sentir subjetivo dos indivíduos, mas, sobretudo, aquele âmbito onde cada pessoa encontra o impacto refletido de seu ser e de seu fazer na sociedade, onde assume e elabora um saber sobre si mesmo e sobre a realidade que lhe permite ser alguém, ter uma identidade pessoal e social. A consciência é o saber, ou o não saber sobre si mesmo, sobre o próprio mundo e sobre os demais [...] Ao assumir a conscientização como horizonte do quefazer psicológico, reconhece-se a necessária centralização da psicologia no âmbito do pessoal, mas não como terreno oposto ou alheio ao social, mas como seu correlato dialético e, portanto, incompreensível sem a sua referência constitutiva. Não há pessoa sem família, aprendizagem sem cultura, loucura sem ordem social; portanto, não pode tampouco haver um eu sem um nós, um saber sem um sistema simbólico, uma desordem que não se remeta a normas morais e a uma normalidade social [...] Uma simples consciência sobre a realidade não supõe, por si só, a mudança dessa realidade, mas dificilmente se avançará com as mudanças necessárias enquanto um véu de justificativas, racionalizações e mitos encobrir os determinismos últimos da situação dos povos centro-americanos. A conscientização não só possibilita, mas facilita o desencadeamento de mudanças, o rompimento com os esquemas fatalistas que sustentam ideologicamente a alienação das maiorias populares [...] os problemas específicos dos nossos povos sem as proteções dos marcos teóricos apriorísticos, que filtram, de forma enviesada, a realidade e limitam, não isentos de interesses, nossa capacidade de compreensão [...]. No seu artigo acadêmico Para uma psicología da Libertação (Alínea, 2011), ele chama atenção para a necessidade de: [...] fazer algo que contribua significativamente para dar resposta aos problemas cruciais de nossos povos"? [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.


 


ALGUÉM FALOU: A vida... nunca é como a gente imagina. Ela te surpreende, te espanta, e te faz rir ou chorar quando você não espera. Eu amo o redondo, as curvas, a ondulação, o mundo é redondo, o mundo é um seio. A música é a almofada mais macia do mundo. A pintura acalmou o caos que abalava minha alma. Pensamento da pintora, escultora e cineasta francesa Niki de Saint Phalle (1930-2002), que no seu livro Mon Secret (Différence, 1994), ela expressa que: [...] Meu pai, secretamente, teve que sufocar em sua vida, mas faltou-lhe a coragem de uma verdadeira revolta. A garotinha que eu era será a única vítima de sua lamentável rebelião. [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

LAMENTO DO GUARDIÃO DA FRONTEIRA – O poeta predestinado ou imortal chinês Li Tai Po (701-762) possui uma obra composta de mais de mil poemas reunidos em vinte e quatro livros e divididos em doze cadernos, nos quais manifesta sua imaginação extravagante ao comunicar sua personalidade e espírito livre que exorta a vida faustosa, suas interações com a natureza, o amor pelo vinho, a amizade e o olhar aguçado sobre a vida, tendo sido condenado à morte por mais de uma vez, suicidando-se embriago ao se atirar no rio Yang-tsé Kiang. Dele destaco o poema Lamento do Guardião da Fronteira, inserido no ABC da Literatura, de Ezra Pound, traduzido por Augusto de Campos: Pelo Portão do Norte sopra o vento carregado de areia, / solitário desde a origem do tempo até agora! / Árvores caem, no outro a relva amarelece. / Galgo torres e torres / para vigiar a terra bárbara: / desolado castelo, o céu, o amplo deserto. / Nenhum muro de pé sobre esta aldeia. / Ossos alvos com milhares de geadas, / altas pilhas, cobertas de arvores e grama; / quem fez com que isto acontecesse? / Quem trouxe a cólera imperial flamante? / Quem trouxe o exército com tambores e timbales? / Bárbaros reis. / De uma primavera suave a um outono de sangue e sangue, / trezentos e sessenta mil, / e tristeza, tristeza como chuva. / Tristeza para ir, tristeza no regresso. / Desolados, desolados campos, / e nenhuma criança de campanha sobre eles, / não mais os homens para a ofensa e a defesa. / Ah! Como sabereis de toda esta tristeza no Portão do Norte, / com o nome de Rihaku esquecido / e nós, guardiões, pasto de tigres? Veja mais aqui, aqui e aqui.

  Imagem: Infanta nude (2011), do premiadíssimo fotógrafo estadunidense Ralph Gibson.

Curtindo o dvd Alma Lírica Brasileira ao vivo (2011), da cantora Mônica Salmaso.

INTERPRETAÇÃO E IDEOLOGIAS – A obra Interpretação e ideologias (F. Alves, 1990), do filósofo francês Paul Ricoeur (1913-2005) aborda temas como a tarefa da hermenêutica numa trajetória que vai da epistemologia à ontologia, a função hermenêutica do distanciamento, a efetuação da linguagem como discurso, o discurso como obra, a relação entre a fala e a escrita, o mundo do texto, compreender-se diante da obra, a ciência e a ideologias, os critérios do fenômeno ideologia, as ciências sociais e ideologia, a dialética da ciência e da ideologia, a alternativa de uma hermenêutica crítica, os neoconflitos das sociedades industriais avançadas, ausência de projeto coletivo, o mito do simples e esgotamento da democracia representativa, a ideologia da conciliação e do conflito a todo preço, a nova estratégia do conflito, entre outros assuntos. Na obra destaco o seguinte trecho: A marginalização constitui, sem dúvida, o maior perigo, que correm atualmente os grupos de contestação. Essa marginalização é a contrapartida do reforço de todos os poderes estabelecidos, num sentido cada vez mais repressivo e policialesco. A polarização —que se pretende nos impor a todo preço — está em vias de produzir no mundo todo seus frutos amargos: o ciclo contestação repressão está esboçado, mas funciona cada vez mais em proveito do poder e em detrimento das liberdades públicas. Quanto à ação, ou antes, à pseudo-ação, já se encontra contaminada pela busca do espetacular, pela teatralização. Ê interessante notar como a ação, ao tornar-se ineficaz, tende a converter-se em espetáculo. Certamente' compreendo a intenção: quando a palavra ordinária perdeu sua eficácia, pode parecer hábil aplicar uma terapêutica de choque nas massas cloroformadas. Mas o efeito é tão desastroso sobre aqueles que aplicam o remédio quanto sobre os que o recebem. É o que chamo de a teatralização. Por teatralização, entendo a substituição da política real por uma espécie de política-ficção, incapaz de separar a fantasia do real, e reduzida a uma encenação. Bem que eu gostaria que a "guerilla-theater", tal como a vi funcionar nas universidades americanas, fosse um meio novo e eficaz para abrir as massas à política, mas parece que ela indica apenas que a própria ação se tornou teatral. Sem dúvida, a ação simbólica tem sua força, como a tinham os gestos simbólicos dos antigos profetas de Israel. Mas o que há de mais perigoso que uma ação reduzida a uma fantasia e sub-repticiamente subtraída às condições reais da ação eficaz? A ação possui suas leis, sua racionalidade própria. Um dos sinais da contracultura consiste em negar essas leis e essa racionalidade. Mas há um preço a pagar: a impotência de influir sobre a sociedade. O mais grave de tudo é o progresso da não-comunicação na sociedade. A patologia do conflito em nossa sociedade chega ao cúmulo quando o adversário nem mesmo é reconhecido. Já se falou da sociedade em migalhas, em todos os planos: profissional, cultural, religioso. O aspecto mais grave da sociedade em migalhas consiste na ruptura do vínculo social no nível do casamento, dos estilos de vida, e no surgimento de uma sociedade paralela ou, como dizem os americanos, da altemative society. Mas que alternativa, senão a dissidência que deixa tudo no mesmo lugar, que inquieta e ameaça, mas sem lançar as sementes de mudança? Veja mais aqui, aquiaqui.

FLÁVIA, CABEÇA, TRONCO E MEMBROS – O texto teatral – ou como assinala o próprio autor: tragédia ou comédia em dois atos -, Flávia, cabeça, tronco e membros (L&PM, 1977), do saudoso escritor, dramaturgo, tradutor, desenhista, humorista e jornalista Milton Viola Fernandes, ou simplesmente Millôr Fernandes, é um dos primeiros projetos de uma mulher liberada em 1963, que usa seu fascínio e liberdade ao absurdo das caricaturas ao abordar sobre poder, força e a permanente capacidade de mistificação inerente ao ser humano. Destaco a cena do segundo ato, em que o Juiz Paulo Moral pega um papel na mesa e fala: Mao Tsé me mandou um telegrama, aplaudindo minha sentença. Esse me compreende, sabe o que estou dizendo. Que nosso irmão querido é uma ameaça no espaço. Constante. Nos roça mais de que devia. Nos aperta mais do que podia. É isso. Já nos aperta. Já somos gente demais. Assim, se não temo coragem de fazer uma eliminação sumária é preciso ao menos estimular os que têm e eliminam. (Bem coloquial). Inda ontem mesmo estava eu as seis horas da tarde na Avenida Copacabana e o fantasma da superpopulação esbarrou no meu braço. Quase me estrangulou. E além de tanta gente chafurdando nas ruas, milhões no aconchego de alcovas, camas de randevus e até leitos burgueses preparando mais gente. Mais gente e mais, mais gente, muito mais, muito mais gente. Até minha velha senhora espera um neto! Alguém pode evitar que se procrie? (Quase gritando). Eu absolvo todos! São todos livres para o novo exemplo. Vocês sabem, vocês sentem, se já não sentiam, se já não sabiam: o homem abdicou da alma. O avião da asa. Vem aí o omelete sem ovo! (Assina, rápido, um papel com uma grande pena de ave, colorida. Em tom geral). Ide, missa est. [...] (Em tom terrível) Posso. Pelas chagas de um Cristo fracassado, posso. Posso pelos princípios da força e da fraqueza. Posso por uma visão essencial da Queda. Pela felicidade que poucos merecem e menos compreendem também posso. Posso pois voltei ao Sinai e trouxe tabuas de matéria plástica. Novas revelações, novas palavras, novos vícios, erros novos. Quem será condenado se de repente explodir um astronauta e podre e em fragmentos ficar em torno de nos girando o seu fedor por toda Eternidade? Quem será condenado? Belle époque, lei seca, padrão-ouro, melindrosas, não morrestes em vão! O fogo é fresco, a água seca; o infinito uma limitação. Pela última dor do ser humano, posso. Posso por Hiroshima, amor de mis amores. Posso. Eu, Paulo Belmonte Joaquim Moral, juiz, posso. Pelo direito infernal, pela Santa Moral, por algo que me dói aqui no peito, pelos dez mandamentos idiotas, pela jura de Hipócrates hipócrita, por todos os códigos mais feitos, pelo feroz direito da impotência, posso, Meritíssimo, posso. Posso até fazer nascer um dia novo! (Sem transição, apenas mudando de tom). E além disso estou armado. (Puxa violentamente uma Lugger da toga. Arma-a com ruído violento. Avança lenta e firmemente para a frente. O promotor vai recuando rapidamente, some. Moral continua avançando, com o olhar firme no público. Quando atinge a linha do proscênio o pano cai). Fim. Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.


LARA, DUPLA IDENTIDADE – Neste sábado, dia 28 de fevereiro, acontecerá o lançamento de mais um romance da série "Lara - Dupla Identidade", do poeta e escritor tricordiano Ronaldo Urgel Nogueira. Serviço: Dia 28/02, das 17 às 21 horas, na Savel no Santa Tereza, em Três Corações, sul de Minas (Info: Meimei Corrêa). Veja mais aqui.


SALOMÉ DE AÍDA GOMEZ –O encantador filme Salomé (2002), do cineasta e roteirista espanhol Carlos Saura, começa como se fosse um documentário sobre os bastidores de preparação para o espetáculo Salomé, com o diretor passando as instruções para os bailarinos. Na cena os iluminadores e cenografistas estão trabalhando simultaneamente. Entre os ensaios, os bailarinos apresentam a encenação da peça. Eis que surge a magistral bailarina e coreógrafa Aída Gomez e encanta toda cena. Imperdível. Veja mais aquiaquiaqui.



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