DITOS & DESDITOS:
[...] um executivo alemão foi mandado à China para
projetar uma grande instalação industrial. Durante algumas semanas, devido ás
exigências de sua profissão, ele se vê obrigado a viver uma experiência amarga.
Não fala chinês, desconhece os costumes locais, ressente-se da falta dos
automóveis, encontra-se na contingência de partilhar um modesto quarto de
hotel com outro viajante qualquer. De retorno a Hong Kong, sua conexão para
voltar à Europa, respira aliviado. A paisagem que o cerca é sua velha
conhecida. Mas por que um alemão se “sente em sua casa” em Hong Kong? O que lhe
é familiar neste lugar longínquo? [...] A
China Popular, para nosso executivo alemão, é um “mundo” distante, inóspito. Em
seu território, tudo lhes é estranho. Em contrapartida, Hong Kong representa
algo próximo, um recanto povoado por coisas de sua vida prosaica (hotéis,
padrão de refeição e de conforto, táxis, etc.). Envolvido por uma miríade de
objetos-mobilias, ele sente-se à vontade neste mundo-mundo. Familiaridade que
se realiza no anonimato de uma civilização que minou as raízes geográficas dos
homens e das coisas. [...].
Trechos
extraídos da obra Mundialização
e cultura (Brasiliense, 1994), do
sociólogo e antropólogo Renato Ortiz,
refletindo sobre a condição de cidadão do mundo diante da mundialização da
cultura e a inevitável reorientação das sociedades atuais. No primeiro
capítulo, trata sobre Cultura e sociedade global, discutindo a distinção entre
mundialização, internacionalização e globalização, cultura e sociedade
mundializada; o segundo capítulo trata do advento de uma civilização, efetuando
uma abordagem do séc. XV até a atualidade, tratando sobre a sobremodernidade e
alta modernidade de Giddens; no terceiro capítulo trata sobre a cultura e
modernidade-mundo, procurando o entendimento sobre o contato entre as
civilizações, trabalhando conceitos de mapa cultural; no quarto capítulo,
aborda sobre cultura internacional-popular, a desterritorialização e os não-lugares;
o quinto capítulos aborda sobre os artífices mundiais de cultura, em que as pessoas
são praticamente forçadas a perder toda a relação com as antigas culturas da
nação, diferentemente dos seus antecessores pré-globais (as ditas antigas
multinacionais), estabelecendo a cultura-mundo; no sexto, a legitimidade e
estilos de vida são o foco da sociologia; no sétimo, a digressão final,
elucidando os conceitos de tradição, o fim do Estado, entre outros assuntos.
MUCUNÃ
O documentário Mucunã
(2019), direção e roteiro de Carol
Correia, trata sobre a história das mulheres do Sítio Rodrigues,
vilarejo situado próximo a cidade de Belo Jardim, agreste pernambucano, povoado
em que todos descendem de uma índia, que ainda criança, foi capturada nas
margens do Rio Ipojuca, levada para casa, “amançada” e obrigada a casar com seu
algoz. Da indiazinha, as mulheres herdaram o exímio traquejo com o barro e
através da sua arte subverteram a lógica devastadora do patriarcado se tornando
provedoras do lar e revolucionando uma realidade de violência e miséria
extrema. O filme foi vencedor do Prêmio
Naíde Teodósio de Estudos de Gênero – Ano IX, na categoria Roteiro, promovido
pela Secretaria da Mulher de Pernambuco, em 2016. Veja mais aqui.
CRÔNICA
DE AMOR POR ELA
A arte
da escultora Nicolina Vaz de Assis
(1874-1941).
&
A OBRA DE ERNESTO SÁBATO
A história não é mecânica, porque os homens
são livres para a transformar.
A obra do
escritor e artista plástico argentino Ernesto Sábato (1911-2011) aqui,
aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
























