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quarta-feira, fevereiro 28, 2018

SIGRID UNDSET, MOLIÈRE, IVAN LINS, FLEW, JULIANA MERÇON, MÔNICA SALMASO, GAMEIRO & CARLA VAN DE PUTTELAAR

MAIS DIA, MENOS DIA E O AMOR VALEU – Imagem: arte da fotográfa & artista plástica holandesa Carla Van de Puttelaar - UMA: QUEM SABERIA PERDER - Desde menino cara pro vento vida solta que eu sei o tempo e o vento voam. Aprendi a crescer, mas não de todo, como fruta no pé, madurando. Hoje, como na canção, vivo do que faz meu braço e a Terra manda. Fui lá e fiz, antes tarde os meus desígnios, afianço que cumpri o meu dever até agora, conquanto não tenha mais nada pra dizer, tudo é relâmpago na escuridão, pisando em falso diante das emboscadas, espias de tocaia e desforras, sem âncora nem cais, as ciladas nas surdinas da morte, acossado pela urgência, a perder o eixo nos moldes da lógica diante da desconstrução de tudo e o eterno retorno. E de noite levanto insone entre estrelas de um céu que sequer existe e a errar dos pés os caminhos do chão, pisadas sem direção pra voar, voa vento, voa tempo, os segredos perdidos que se revelam na manhã esquecida. Vejo o que não existe, a Alfa Centauro e a humanimaldade de Cummings, o peito destroçado de amores escondidos que se perderam sem saudades nem lembranças, apenas uma, definitivamente apenas uma reina no meu coração de cavaleiro sem montaria, desmontado. E o mundo cheio de gente mal-agradecida a fazer da cidade o istmo de sempre arrodeado de canavial e meretrício por todos os lados, enquanto as pessoas vivem encapsuladas nas cavernas de si mesmo de não sair jamais das janelas sem vida nas paredes desbotadas pela fé e desavença, varrendo das ruas a sanidade de viver. Eu não sabia da dor, nunca soube, menino que era e ainda sou, crescido de nada. Ontem não sabia nada, hoje muito menos, sou labaredas mesmo que vulnerável, vou além dos extremos. Já fui longe demais, acho, tanto por fazer. De que outro modo eu poderia viver, quem saberia perder? OUTRA: TINO DE CAÇADOR – Nunca levei jeito pra caçadas, nem queria. Mas com a ruma de tios, um deles, me vendo menino taludo, já me queria com jeito de homem: Hoje vai caçar comigo, seu cabra! Todo sábado, meio dia, eu escapulia. Já vinha não sei quantas vezes eu enrolava e me esgueirava mundo afora. No entanto, neste dia, não deu. O compadre Jaime me aplacou a fuga: Vai pra onde menino? Hoje você não escapa, vai com a gente. E mostrava o risinho diabólico dele. Meu tio logo chegou: Ah, capturou o fujão. Vambora. A gente amontava no jipe e rumava pra mata pertinho. Pra quê tanta arma, tio? Cada espingarda dessa é prum tipo de bicho: uma pra paca ou tatu, outra pra veados e o que aparecer de graúdo, essas mais finas pros passarinhos. Caçar passarinho? Sim. Oxe, não era pra mim não. Eu já havia soltado os das gaiolas do meu pai, arengava com os meninos da rua por conta das suas petecas, coisa mais sem propósito, imagine caçar passarinho, astúcias dessas, era pra mim não. Destá. Meu tio e o compadre eram mateiros calejados, perseguiam impenitentes todos os bichos que aparecessem na frente, vigilantes, armados até os dentes, com todo tipo de cartucho no alforje e no cinturão, tudo muito extravagante e injusto, pareciam mais cangaceiros de Lampião. Eles subiam afoitos pelas capoeiras e eu atrás, arrastavam tudo nos peitos, mata escura, somente chiados, estalidos e zoadas das mais estranhas, coisa de meter medo num sujeitinho como eu não familiarizado com as surpresas da mata. Eu pensava em Cumadre Fulosinha e noutras abusões, coisas que metem medo, e meu tio e o compadre Jaime sorriam das minhas leseiras. Todavia, no meio da pisada, um canto estranho se fez ouvir e, ao que parece, amoleceu o coração da gente bulindo na superstição, bastante conhecido sinal de advertência, coisas das ocultas e sortilégios, parece, adiava a impiedade. O compadre Jaime fez sinal de silêncio, psiu, aguçou as ouças e disse: Tem coisa! Deitou os ouvidos no chão: É bicho grande, tomara que não seja onça. Ah! É menor, parece mais veado. E ficou atento, ouvido no chão, levantava e virava a cabeça para os lados. Por prevenção, vamos subir!, mandou, e subimos cada um em árvores – eu mesmo mais que amedrontado deslizava o pé no tronco, relei-me todo para conseguir me trepar no pé de não sei o quê, um toro roliço que não dava nem para abarcar com os braços. Fiquei lá no galho, balançando as pernas, atento ao que vinha. O barulho das patas nas folhas aumentava e a música era mais audível, até então eu nem ouvia, mas agora estava nítida: as pisadas e a música. Era coisa de veado, daqueles galhudos, com mais de vinte chifres ocos e furados feito flauta, pra quando o vento soprar sair aquela pungente sonoridade. Eu num disse! O compadre Jaime já acenava pro meu tio, apontando, eu não via, ouvi quando disseram: É veado mesmo! Melhor ir embora. Arrumamos as coisas e zarpamos pro jipe do lado de fora da mata. Bem na saída já respirando o ar livre, perguntei a razão da desistência, explicaram não ser dia apropriado para caça, era dia de reunião das proteções deles, dia que não se deve caçar. Não ousavam contrariar as forças da natureza, transgredir era arcar com consequências bastante funestas, coisas do encantado que nunca se sabe. De caso pensado, retornamos, ficou pro próximo sábado. Livrei-me mais uma pra nunca mais. (Historieta apresentada nas minhas atividades de contação de história, releitura das lendas do folclore, baseada em material recolhido por folcloristas brasileiros). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do cantor, compositor e pianista Ivan Lins: San Javier Jazz Live, Somos todos iguais nesta noite & Quem saberia perder; da cantora Mônica Salmaso: Voadeira, Iaiá & Alma Lírica Brasileira; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA[...] algumas das coisas tidas previamente como característica do universo que nos rodeia são na verdade propriedades da nossa própria constituição interna. [...]. Trecho da introdução à obra On human nature and the undestanding (Macmillan, 1962), do filósofo e professor britânico Antony Flew (1923-2010).

APRENDIZADO ÉTICO-AFETIVO - [...] a coesão social e a submissão às regras do Estado resultam do medo que temos de vivenciar um mal maior e da esperança de um bem maior [...] Por serem as paixões constitutivas do nosso viver, ou, em outras palavras, por não podermos ser guiadas por um pensar constantemente ativo, haverá também, na organização e regulamento das associações sociais produzidas pela educação, elementos ligados ao medo de punições e à esperança de recompensas, cuja força varia conforme experienciemos ou não a potência de nosso próprio pensar. [...] embora paixões tristes participem da formação e exercício dos poderes da educação, é também para próprio beneficio do todo social que a educação venha a promover a ativação de nosso pensar. [...] O princípio que movimenta a educação, tanto no exercício de seu poder produtor de paixões alegres como de seu poder controlador por meio das paixões tristes, é conatus da coletividade. [...] A capacidade de agir com base no conhecimento e na virtude, e não no medo ou na punição, é o que distingue uma educação sábia de uma educação que exerce um poder que se mantém pela inadequação de suas paixões e de seus mecanismos opressores. [...]. Trecho extraído da obra Aprendizado ético-afetivo: uma leitura sponizana da educação (Alinea, 2009), da educadora, professora e filósofa Juliana Merçon. Veja mais aqui.

PRIMAVERA - [...] Via-se literalmente nua, debaixo de vestes invisíveis. Parecia-lhe que estava nadando sem rumor, e sem que ninguém pudesse vê-la, no fundo de um mar de nevoeiro misturado com fumaça. Que lhe importava todo esse vaivém de gente atarefada? E todas aquelas pessoas, nenhuma das quais lhe era conhecida? Esses também escondiam, debaixo da roupa, um corpo nu, esses também tinha um “eu” que para ela era invisível. Este pensamento parecia-lhe justificação o seu desejo de solidão. Tentara, lealmente e com a melhor disposição do mundo, fazer relaç~~oes, mas não o conseguira. Agora, quando descobria que todas essas criaturas, além doq eu via delas, tinham um corpo, uma individualidade, sentia-se justificada por ter tido aquela repulsa a quase todas as pessoas com quem topara... “Tenho todo o direito de evitá-las e de exigir delas que não se dispam diante de mim...” [...] “Sou excluída das alegrias dos outros”, dizia consigo... “Os outros, esses possuem alguem a quem amam, ou com quem privam, ouy de quem falam mal, ou com quem fazem o mal, dançam, saem à rua. Quanto a mim, tenho pequenas alegrias diferentes, só minhas, e protejo-as com estas mãos, como se fossem cálidos passarinhoas”. [...] Sentira-se profundamente humilhada ao saber que ele pudera, diante de uma oportunidade, introduzir outra mulher em sua vida. Sabia hoje que uma mulher, se nada concede, nem para o bem nem para o mal, àquele que a adora, não pode pretender continuar sendo sempre a única. Pouco lhe falava, agora, para lamentar haver-se esforçado por permanecer leal e honesta com ele, e não ter usado de coquetismo ou de outras armas femininas para cativá-lo definitivamente. [...] Soava como uma música uma música maravilhosa. Era pois isto, amar. Era isto, o amor. Tomou entre as mãos, num arremesso, o rosto de Torkild e o contemplou demoradamente. Sim, era ele, o amado; ele era assim. Atraiu para a cabeça dele e, desta vez, foi ela quem o beijou, enquanto das árvores da rua tranqüila, erma, uma poeira branca e fina caia sobre ambos. [...]. Trecho extraído do romance Primavera (Delta, 1964), da escritora norueguesa & Prêmio Nobel de 1928, Sigrid Undset (1882-1949).

O AMORO amor é sempre avesso às leis da observação. / Gaba o amante na aleita os dons do coração, / nada sua paixão lhe acha de censurável. / Tudo, no amado ser, se lhe afigura amável. / Os defeitos que tem, conta-os por perfeições, / tornando-lhes gentis as denominações. / A pálida é ao jasmim, na alvura comparada; / é uma boa morena a negra desbeiçada; / a magra tem, grácil, talhe e desenvoltura; ] a que é desmazelada, imunda e displicente, / é, por atenuação, beleza negligente; / a que é alta é uma deusa aos olhos dos mortais; / a anã resume em si as graças celestiais; / faz jus a uma coroa a fonte da orgulhosa; / a hipócrita é engraçada; a idiota é generosa; / a faladeira tem agradável humor / e a muda, a sonsa, guarda um honesto puder. / Quem sente no seu peito arder do zelo a chama, / amara os erros, até da pessoa a quem ama. Poema extraído da peça O Misantropo (Zahar, 2014), cena IV, do ato I, da fala de Eliente a Celimène, do dramaturgo, ator e encenador francês Molière (Jean-Baptiste Poquelin – 1622-1673). Veja mais aquiaqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

INSTITUTO EDUCACIONAL SÃO FRANCISCO DE ASSIS
Recepcionando a garotada estudantil do Instituto Educacional São Francisco de Assis, com as professoras Rosilda dos Santos Silva & Nataly Neves, na Biblioteca Fenelon Barreto – Palmares – PE.

Veja mais:
Quando a folia é maior em mim!, A árvore de Tamoromu & a música de Antúlio Madureira aqui.
O lobisomem de Alagoinhanduba aqui.
Biritoaldo: a vingança no formigueiro aqui.
Ferreira Gullar, Oscar Wilde, Lisztomania, Michel de Montaigne, Louis Malle, Luhan Dias, Juliette Binoche, Virginia Lane, O Morto & A Lua, Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva aqui.
Crimes contra a pessoa aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando a adversidade aperta, o biltre bota o rabinho entre as pernas aqui.
As trelas do Doro: o escambau aqui.
Antígona de Sófocles, Gradiva de Freud, Seminário As Psicoses de Jacques Lacan & Cronquetas Tataritaritatá aqui.
Charles Baudelaire, Bem na Hora & Noveletas Tataritaritatá aqui.
Jean-Paul Sartre aqui.
Francesco Petrarca, Adrian Pãunescu, Erik Axel Karlfeldt, Carlos Santana, László Modoly-Nagy, Max Liebermann, Luiz Edmundo Alves & Psicologia da Gestalt aqui.
Walter Benjamin, Philippe Ariès, Isaac Stern, Charlotte Gainsbourg, Emil Orlik, Ruy Jobim Neto, Marco Leal, Neuropsicologia & Educação Sexual aqui.
Basílio da Gama, Silviane Bellato, Odete Maria Figueiredo, Edward Hopper, Mentes & Máquinas, Gerontodrama & Neurociência, Zacarias Martins & Programa Tataritaritatá aqui.
Gaston Bachelard, Steven Pinker, Holística, Renato Borghetti, Antonio Rocco, Menalton Braff, Diego Lucas & Mácia Malucelli aqui.
Carlos Drummond de Andrade, Antônio Cândido, Adolphe-Charles Adam, Antonio Bedotti Organofone, Ana Mello & Benedito Pontes aqui.
Aldous Huxley, Terceira idade & envelhecimento, Jean-Baptiste Camille Corot, Armando José Fernandes, Ivaldo Gomes, Monica & Monique Justino aqui.
Elias Canetti, Alfredo Casella, Gestão de Pessoas, Paula Valéria de Andrade, Célia Mara & Lou Albergaria aqui.
Passando a Limpo & Zygmunt Bauman aqui.
Carl Gustav Jung, Ariano Suassuna & Programa Tataritaritatá aqui.
O retorno da deusa de Edward C. Whitmont aqui.
A troça do Fabo aqui.
Folia Tataritaritatá & o Recife do Galo da Madrugada aqui.
Caboclinhos aqui.
O Frevo aqui.
Auto Maracatu aqui.
Baile de Carnaval aqui.
Bacalhau do Batata aqui.
Os assassinos do Frevo aqui.
A folia do prazer na ginofagia aqui.
Padre Bidião, o retiro & o séquito das vestais aqui.
Aijuna, o mural dos desejos florescidos aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.

A ESCULTURA DE RUY ROQUE GAMEIRO
A arte do escultor português Ruy Roque Gameiro (1906-1935).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa & artista plástica holandesa Carla Van de Puttelaar.
Veja mais aqui.

quinta-feira, dezembro 07, 2017

LYOTARD, JULIANA MERÇON, JOÃO ANTONIO, ELIANE ELIAS, ELP, BERNINI, ÚRSULA GARCIA & JUCATI

A CAÇA & A FUGA DO CAÇADOR – Imagem: arte da pintora inglesa Lucinda Lyons. - De noite todo gato é pardo e ele, temporada de caça, armado de unhas e dentes, flagrou os olhos perdidos dela de presa por ser abatida. Perseguiu com faro de bom caçador todos os passos dela, conferindo-lhe a realeza de extraordinária espécime pro rol da conquista: olhos vivos amendoados na face formosa de lábios rubros e carnudos próprios pros beijos e felação, o corpo esbelto de bom talhe pras investidas ao bel prazer, os seios protuberantes pras mãos em conchas e soltos por baixo da blusa negra colada na carne suculenta quais frutas maduras da drupa de bicos aduncos ao seu alcance, quadris desenhados com esmeros na saia justa a dar-lhe o molde da cintura ideal de toda assimetria desejada e a encaminhar todo desejo pro ventre abissal de todos os prazeres dispostos pra sua concupiscência se fartar entre coxas roliças de torres abraçáveis por pernas torneadas no realce do salto das maiores volúpias. Olhos nos olhos, libido à flor da pele, à espreita, o preparo do bote certeiro. No ataque tomou-lhe a mão, envouveu-lhe o corpo na dança do confronto: face a face, corpo a corpo, o confronto e o perfume dela inebriando nervos e gula com a respiração ofegante ao seu ombro na pegada de jeito, dois pra lá, dois pra cá, o molde perfeito do tope ao domínio completo, a cessão às tomadas de decisão, prali, por aqui, a domesticação, agora assim, assado, amansada completamente, aquiescente. Com tudo a favor, hora de iniciar o abate, perícia de domador no afago pelos contornos geográficos da escultura corporal com a sua sedosa pele, tudo propício para fincar bandeiras de posses, a servidão de súdita e benevolência de fiel aprisionada, pronta para todos os quereres. Hora de quebrar o gelo: o que você faz da vida? Ela sussuRra docemente: sou tanatoesteticista, especializada em taxidermia e tanatopraxia. Hem? Ele disfarça a ignorância ao pensamento compensador: pelo menos faz alguma coisa, menos mal. A vez dela: você não tem medo? De que? Sou necromaquiadora, lido só com gente morta. Hum? Valha-me! Pior que viúva-negra, pensou pra si. Cadê chão pra se socar. Coincidentemente a música parou e ele: vou ao banheiro, volto já. E nunca mais voltou. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aquiaqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a banda de rock progressivo britânica Emerson, Lake & Palmer (ou ELP), formada por Keith Emerson (teclados), Greg Lake (guitarra, baixo e vocais) e Carl Palmer (bateria): From the beginning, C’est La vie & Pictures at na exhibition; e a premiada pianista e cantora Eliane Elias: Live in Jazz, Light my fire & Bye, bye blackbird. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui & aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] a educação atua organizando encontros buscando promover concórdia e ajuda mutua entre seus membros, constituindo, com suas regras, um viver comum. A educação pode ser nesse sentido, considerada um auxilio formador, derivado da potência coletiva em seu esforço para preservar em sua existência. A eucação formal, como produtora de encontros que expandem as nossas potências de pensar e agir, soma-se, assim, ao aprendizado ético-afetivo individual, o qual se constitui como uma experiência longa, lenta e árdua, sempre atravessada pelos riscos postos por potências superiores e contrárias. [...] a educação busca oferecer caminhos práticos para a transição de nossa passividade e impotência à atividade que alcançamos pelo exercício do nosso pensar. Trecho extraído da obra Aprendizado ético-afetivo: uma leitura sponizana da educação (Alinea, 2009), da educadora, professora e filósofa Juliana Merçon. Veja mais aqui.

JUCATI – O município de Jucati é adinistrativamente formado apenas pelo distrito sede e pela Vila Neves. Grande parte do que hoje é o município, foi no final do século XIX, quatro fazendas de gado que pertenciam a imigrantes italianos, na antiga Pindorama. Estas fazendas tinham por denominação: Divisão, Raposa, Salgado e Malhada do Couro. O nome de Jucati foi alterado para Pindorama em 1938, quando o povoado foi elevado à categoria de vila. Em 1943 foi denominada Jucati. Sobre a origem do nome, atribuída a uma planta local pelos indígenas, possivelmente derivativo do pau-ferro jucá, com o significado de terreno pedregoso, argila forte. O município está localizado na unidade geoambiental do Planalto da Borborema, nos domínios das Bacias Hidrográficas dos rios Mundaú e Una. Tem como principais tributários são os rios da Chata e Canhoto, além dos riachos da Pracinha e S. Pedro, todos de regime intermitente. A Vila Neves é um distrito pertencente ao município de Jucati, localizada entre Jupi e Garanhuns. Veja mais aqui.

ECONOMIA LIBIDINAL - A questão do valer-para, não nos pressionamos a colocá-la, ainda menos a resolvê-la. [...] O que nos ameaça, economistas libidinais, é fabricar uma nova moral com esta consolação, é proclamar e difundir que a faixa libidinal é boa, que a circulação dos afetos é alegre, que o anonimato e a incompossibilidade das &guras são impressionantes e livres, que toda dor é reacionária e contém o veneno de uma formação saída do grande Zero – o que eu acabei de dizer.  Ora, não se tem necessidade de uma ética, desta ou de outra. Talvez de uma ars vitae, jovem homem, mas da qual convém ser os artistas e não os propagadores, os aventureiros e não os teóricos, os fazedores de hipóteses e não os censores. [...] concebendo a dor como o motor da teatralidade, Freud dá a esta a consistência metafísica do negativo, ele é, assim, vítima dessa teatralidade, já que é somente na representação com vocação unitária que o corte e a ussura fazem mal, somente para o corpo já puro [...] quando é claro que não existe mais e nunca haverá mesmo uma tal dissolução pelo bom motivo de que nunca houve e nunca haverá um tal corpo reunido em si mesmo na sua unidade e identidade, que este corpo é uma fantasia, ela mesma notavelmente libidinal [...] e que é em relação a esta fantasia que toda alienação é pensada e sentida como reconhecimento que é o sentimento suscitado pelo grande Zero como desejo de retorno. Mas o corpo dos selvagens primitivos não é um corpo mais inteiro do que aquele dos mineiros escoceses de um século atrás, não existe corpo inteiro. [...]. Trechos extraídos da obra Economia libidinal (Fondo de Culttura, 1990), do filósofo francês Jean-François Lyotard (1924-1998). Veja mais aqui, aqui & aqui.

AFINAÇÃO DA ARTE DE CHUTAR TAMPINHAS - [...] Dia desses, no lotação. A tal estava a meu lado querendo prosa. Tentava, uma olhadela, nos cantos os olhos se mexendo. Um enorme anel de grau no dedo. Ostentação boba, é moça como qualquer outra. Igualzinha às outras, sem diferença., e eu me casar com um troço daquele?... Parece-me que procurava conversa, por causa do Huxley qye viu repousando nos meus joelhos. Eu, Huxley e tampinhas somos coincidências. Que se encontraram e que se dão bem, perguntou o que eu fazia da vida. A pergunta veio com jeito, boas palavras, delicada, talvez não querendo ofender o silencio em que eu me fechava. Quase respondi... [...] Mas não sei. A voz mulata no disco me fala de coisas sutis e corriqueiras. De vez em quando um amor que morre sem recado, sem bilhete. Ciúme, queixa. Sutis e corriqueiras. Ou a cadencia dos versos que exaltam um céu cinzento, uma luba, um carro de praça... Se ouço um samba de Noel... Muito difícil dizer, por exemplo, o que é mais bonito – o “Feitio de Oração” ou as minhas tampinhas. Trecho do conto Afinação da arte de chutar tampinhas, extraído da obra Malagueta, Perus e Bacanaço (Civilização Brasileira, 1963), do escritor e jornalista João Antonio (1937-1996). Veja mais aqui.

DOIS RISOSQuando sorris, parece / que de minha alma o tenebroso véu, / que a dor teceu e não desfez a prece / se adelgaça e sutil desparece... / teu riso vem do céu! / Alheias alegrias / o teu sorriso amargo assim corroi / qual veneno cruel! Tais agonias / traduz. - Não choras? Pois também não rias! / Teu riso dói! Poema da poeta Úrsula Garcia (1865-1905), que em carta a Francisca Izidora escreveu: Hoje... para que renome? A mim que penso às vezes com uma espécie de nostalgia na paz do túmulo? Há 17 anos – vês – eu era noiva! Pequenina e gentil, como diziam, vaidosa mesmo, elegante e vivaz, era feliz. Inebriava-me de seu amor e de esperanças... Hoje sou pesada e feia, mesmo cheia de tédio e cansaço... E não tenho futuro. Ambos extraídos da antologia Em busca de Thargélia: poesia escrita por mulheres em Pernambuco no segundo Oitocentismo - 1870-1920 (Fundarpe, 1996), organizado por Luzilá Gonçalves Ferreira. Veja mais aqui.

ENCONTRO DOS PALMARENSES
 
Veja mais:
O pensamento de Noam Chomsky aqui, aqui & aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista italiano Gian Lorenzo Bernini (1598-1680).
Veja mais aqui.

MÁRIO QUINTANA, ANNE BOYER, KATE MANNE & JONES MANOEL

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Aroma da memória, flor despetalada... – Bella não era Isabella, a cantora perturbada do Blue Velvet . Nem a...