Mostrando postagens com marcador Carla Van de Puttelaar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carla Van de Puttelaar. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, agosto 30, 2019

GILBERTO FREYRE, JULIO CORREA, REMBRANDT & SASKIA, EVELYNE AXELL & CARLA VAN DE PUTTELAAR


SASKIA AMADA DO QUE FUI – Era a descoberta do amor, uma vez e nunca mais. Era ela, ao lado do tio: a deusa de Leeuwarden, a imagem do fascínio. Eu já vivia lá no canal Amstel, e ela sorriu por baixo da aba de um amplo chapéu de palha: seus lábios brilhavam mais que a grandeza do ouro, seus olhos brilhavam mais que o Sol radiante. Em sua mão uma flor, excelsa ternura, exaltada generosidade. E eu era apenas a sua pele fresca e brilhante, os lábios sutis e sensuais, pequenos dentes perolados, face cheia de reluzente inteligência, tão astuta e constante, juventude eterna. Tudo nela era como um veludo vermelho e dourado, voluptuoso, à luz do dia, a água fluindo, as íngremes escadas de madeira, seus movimentos apressados. Eu nunca fui páreo para uma linda mulher de família rica respeitada, só um reles rebelde, tropical Niágara, que saí do Lácio para a vida: o puro prazer de viver. Era ela toda para mim e foi contra todas as convenções na flor da idade e me fez feliz. Ela com todas as poses: a pentear os cabelos, deitada na cama, dormindo, sonhando, o olhar provocante no pátio, exultante à janela, ah, infinidade de nuances, era ela, a compreensão da mente e dos olhos. Ah, minha Saskia, mulher destemida, educada, o meu diário: todo meu afeto, memórias, vida, a minha arte humana roubada dos céus para os filhos dos homens, a noite da alegria, a eterna fé e coragem. Ah, como adorava Saskia, minha musa amada, deusa esvoaçante. Era ela a minha Flora, deusa das flores; a minha Danae nua na cama, a minha Betsabea com la lettera di David, a minha Andromeda Chained to the rocks, o meu asteroide iluminado, a minha noiva judia: a sua mão na minha, o gesto de adoração. Todas elas e mais tantas que é ela e só ela no meu coração. Deu-me tudo: a alma do cronista de todos os rostos humanos. E nela conheci a ascensão e o declínio. Sobrevivi a todos que amava, a minha luz subitamente perdida nos ares, as trevas, difamações, e eu com camponeses, pescadores, velhos moradores; e sem ela, cego, fracassado, envelhecido prematuramente: o meu sorvedouro de dívidas, o funeral da reputação, tristeza, privações, o grande silêncio da minha solidão devastadora, da minha tristeza destrutiva. Só ela vive no meu coração indigente que tudo ganhei e perdi, nem ela está mais aqui. Sou apenas meu rosto invernal, alma solitária. Empobreci, reduzido a nada e sem ela. Desconsolado, sou cônscio da minha própria mortalidade. Vivo apenas dela, para ela, nada mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] as canções de berço portuguesas, modificou-as a boca da ama negra, alterando nelas palavras; adaptando-as às condições regionais; ligando-as às crenças dos índios e às suas. Assim a velha canção "escuta, escuta, menino" aqui amoleceu-se em "durma, dur-ma, meufilhinho", passando Belém de "fonte" portuguesa, a "riacho" brasileiro. Riacho de engenho. Riacho com mãe-d'água dentro, em vez de moura-encantada. O riacho onde se lava o timãozinho de nenê. E o mato ficou povoado por "um bicho chamado carrapatu". E em vez do papão ou da coca, começaram a rondar o telhado ou o copiar das casas-grandes, atrás dos meninos malcriados que gritavam de noite nas redes ou dos trelosos que iam se lambuzar da geléia de araçá guardada na despensa - cabras-cabriolas, o boitatá, negros de surrão, negros velhos, papa-figos. [...] E havia o papa-figo, homem que comia fígado de menino. Ainda hoje se afirma em Pernambuco que certo ricaço do Recife, não podendo se alimentar senão de fígados de crianças, tinha seus negros por toda parte pegando menino num saco de estopa. E o Quibungo? Este, então, veio inteiro da África para o Brasil. Um bicho horrível. Metade gente, metade animal. Uma cabeça enorme. E no meio das costas um buraco que se abre quando ele abaixa a cabe-ça. Come os meninos abaixando a cabeça: o buraco do meio das costas se abre e a criança escorrega por ele. E adeus! está no papo do Quibungo. [...].
Trechos extraídos da obra Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal (Livros do Brasil, 1957), do sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987). Veja mais aqui, aqui & aqui.

A POESIA DE JULIO CORREA
A PRÓDIGA - Eu a conheci uma noite, doce e tentadora, / Como uma fruta no tempero. / Risos acariciando aleatoriamente / Um presente tão celestial. / De sua boca fluiu / em excitação louca / sua risada musical, / docemente infernal. / Quando a vi, fingi / uma sacerdotisa, / rainha da alegria, / de amor, de riso / e prazer; / alguns Messalina / par carnal e divino, / de feitiço irresistível / isso para muitos Claudios / fez o amor enlouquecer. / Depois de quatro anos eu achei mentirosa / para se proteger do frio em uma porta, / e vi sobre sua boca desbotada / um sorriso morto, / e olhando nos olhos dela / Eu vi um arrependimento / que sede de perdão / colocar erva-doce / inutilmente triste com o fatal / Distribuidor do bem e do mal.
MATERIAL DE MARIONETES – Ele fez o marionetista como vinte fantoches. / Por muitas noites, / em frente ao pobre retábulo, / para o príncipe, a rainha e o arlequim e o diabo, / feito de madeira encontrada aleatoriamente, / as pessoas humildes e boas aplaudiram incessantemente. / Eles disseram na vila, / dos bonecos: -Todos, bons artistas são; / e o marionetista, também com essa ideia, / Ele sentiu seu coração dançar alegremente. / Ele foi beijar suas marionetes e dormiu em paz / em uma calma doce, / amarrou os fios / dos fantoches à sua alma. / E o marionetista acordou de seu sonho de paz / e ele ouviu os bonecos gritarem em coro: / -Nós somos homens, sim, senhor, e também / Ser artista é um desperdício, / Sr. marionetista: você passa, boa noite - / e quebrando os fios os fantoches deixaram. / O deserto é o retábulo. / O príncipe, a rainha e o arlequim e o diabo, / o rei com sua coroa, / ouro falso brilhante / e aquela Polichinela que a fez rir tanto, / Eles foram embora. Com choro / chora o marionetista: -É um andaime / este meu retábulo; / Eu sinto que eles te matam, oh, coração, frio, / de um resfriado que quebra você / em pedaços de lágrimas, em pedaços de morte! / Oh malditos fantoches, você roubou sua sorte / ser artistas, ser capaz de fazer arte! / Oh! fantoches, fantoches, / fantoches, amaldiçoados, / perdido à noite / De todo o anônimo, de todo o esquecimento. / Eu te fiz de tarugos, / Eu coloquei em você todas as minhas preocupações, / e você era meus carrascos, / e você até me abandonou ... o mesmo que algumas crianças.
Poemas do poeta paraguaio Julio Correa (1890-1953).

A ARTE EVELYNE AXELL
A arte da artista pop belga, Evelyne Axell (1935- 1972), conhecida por suas obras psicodélicas e eróticas, autorretratos em plexiglas que misturam os impulsos hedonistas e pop dos anos 1960. Veja mais aqui.

A OBRA DE REMBRANDT
A obra do pintor e gravador holandês Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606-1669), com destaque para sua obra dedicada à sua amada Saskia van Uylenburgh (1612-1642) aqui e aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da série The Rembrandt Series (Rembrandt House Museum in Amsterdam, 2016), da fotógrafa & artista plástica holandesa Carla Van de Puttelaar. Veja mais aquiaqui.


quarta-feira, fevereiro 28, 2018

SIGRID UNDSET, MOLIÈRE, IVAN LINS, FLEW, JULIANA MERÇON, MÔNICA SALMASO, GAMEIRO & CARLA VAN DE PUTTELAAR

MAIS DIA, MENOS DIA E O AMOR VALEU – Imagem: arte da fotográfa & artista plástica holandesa Carla Van de Puttelaar - UMA: QUEM SABERIA PERDER - Desde menino cara pro vento vida solta que eu sei o tempo e o vento voam. Aprendi a crescer, mas não de todo, como fruta no pé, madurando. Hoje, como na canção, vivo do que faz meu braço e a Terra manda. Fui lá e fiz, antes tarde os meus desígnios, afianço que cumpri o meu dever até agora, conquanto não tenha mais nada pra dizer, tudo é relâmpago na escuridão, pisando em falso diante das emboscadas, espias de tocaia e desforras, sem âncora nem cais, as ciladas nas surdinas da morte, acossado pela urgência, a perder o eixo nos moldes da lógica diante da desconstrução de tudo e o eterno retorno. E de noite levanto insone entre estrelas de um céu que sequer existe e a errar dos pés os caminhos do chão, pisadas sem direção pra voar, voa vento, voa tempo, os segredos perdidos que se revelam na manhã esquecida. Vejo o que não existe, a Alfa Centauro e a humanimaldade de Cummings, o peito destroçado de amores escondidos que se perderam sem saudades nem lembranças, apenas uma, definitivamente apenas uma reina no meu coração de cavaleiro sem montaria, desmontado. E o mundo cheio de gente mal-agradecida a fazer da cidade o istmo de sempre arrodeado de canavial e meretrício por todos os lados, enquanto as pessoas vivem encapsuladas nas cavernas de si mesmo de não sair jamais das janelas sem vida nas paredes desbotadas pela fé e desavença, varrendo das ruas a sanidade de viver. Eu não sabia da dor, nunca soube, menino que era e ainda sou, crescido de nada. Ontem não sabia nada, hoje muito menos, sou labaredas mesmo que vulnerável, vou além dos extremos. Já fui longe demais, acho, tanto por fazer. De que outro modo eu poderia viver, quem saberia perder? OUTRA: TINO DE CAÇADOR – Nunca levei jeito pra caçadas, nem queria. Mas com a ruma de tios, um deles, me vendo menino taludo, já me queria com jeito de homem: Hoje vai caçar comigo, seu cabra! Todo sábado, meio dia, eu escapulia. Já vinha não sei quantas vezes eu enrolava e me esgueirava mundo afora. No entanto, neste dia, não deu. O compadre Jaime me aplacou a fuga: Vai pra onde menino? Hoje você não escapa, vai com a gente. E mostrava o risinho diabólico dele. Meu tio logo chegou: Ah, capturou o fujão. Vambora. A gente amontava no jipe e rumava pra mata pertinho. Pra quê tanta arma, tio? Cada espingarda dessa é prum tipo de bicho: uma pra paca ou tatu, outra pra veados e o que aparecer de graúdo, essas mais finas pros passarinhos. Caçar passarinho? Sim. Oxe, não era pra mim não. Eu já havia soltado os das gaiolas do meu pai, arengava com os meninos da rua por conta das suas petecas, coisa mais sem propósito, imagine caçar passarinho, astúcias dessas, era pra mim não. Destá. Meu tio e o compadre eram mateiros calejados, perseguiam impenitentes todos os bichos que aparecessem na frente, vigilantes, armados até os dentes, com todo tipo de cartucho no alforje e no cinturão, tudo muito extravagante e injusto, pareciam mais cangaceiros de Lampião. Eles subiam afoitos pelas capoeiras e eu atrás, arrastavam tudo nos peitos, mata escura, somente chiados, estalidos e zoadas das mais estranhas, coisa de meter medo num sujeitinho como eu não familiarizado com as surpresas da mata. Eu pensava em Cumadre Fulosinha e noutras abusões, coisas que metem medo, e meu tio e o compadre Jaime sorriam das minhas leseiras. Todavia, no meio da pisada, um canto estranho se fez ouvir e, ao que parece, amoleceu o coração da gente bulindo na superstição, bastante conhecido sinal de advertência, coisas das ocultas e sortilégios, parece, adiava a impiedade. O compadre Jaime fez sinal de silêncio, psiu, aguçou as ouças e disse: Tem coisa! Deitou os ouvidos no chão: É bicho grande, tomara que não seja onça. Ah! É menor, parece mais veado. E ficou atento, ouvido no chão, levantava e virava a cabeça para os lados. Por prevenção, vamos subir!, mandou, e subimos cada um em árvores – eu mesmo mais que amedrontado deslizava o pé no tronco, relei-me todo para conseguir me trepar no pé de não sei o quê, um toro roliço que não dava nem para abarcar com os braços. Fiquei lá no galho, balançando as pernas, atento ao que vinha. O barulho das patas nas folhas aumentava e a música era mais audível, até então eu nem ouvia, mas agora estava nítida: as pisadas e a música. Era coisa de veado, daqueles galhudos, com mais de vinte chifres ocos e furados feito flauta, pra quando o vento soprar sair aquela pungente sonoridade. Eu num disse! O compadre Jaime já acenava pro meu tio, apontando, eu não via, ouvi quando disseram: É veado mesmo! Melhor ir embora. Arrumamos as coisas e zarpamos pro jipe do lado de fora da mata. Bem na saída já respirando o ar livre, perguntei a razão da desistência, explicaram não ser dia apropriado para caça, era dia de reunião das proteções deles, dia que não se deve caçar. Não ousavam contrariar as forças da natureza, transgredir era arcar com consequências bastante funestas, coisas do encantado que nunca se sabe. De caso pensado, retornamos, ficou pro próximo sábado. Livrei-me mais uma pra nunca mais. (Historieta apresentada nas minhas atividades de contação de história, releitura das lendas do folclore, baseada em material recolhido por folcloristas brasileiros). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do cantor, compositor e pianista Ivan Lins: San Javier Jazz Live, Somos todos iguais nesta noite & Quem saberia perder; da cantora Mônica Salmaso: Voadeira, Iaiá & Alma Lírica Brasileira; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA[...] algumas das coisas tidas previamente como característica do universo que nos rodeia são na verdade propriedades da nossa própria constituição interna. [...]. Trecho da introdução à obra On human nature and the undestanding (Macmillan, 1962), do filósofo e professor britânico Antony Flew (1923-2010).

APRENDIZADO ÉTICO-AFETIVO - [...] a coesão social e a submissão às regras do Estado resultam do medo que temos de vivenciar um mal maior e da esperança de um bem maior [...] Por serem as paixões constitutivas do nosso viver, ou, em outras palavras, por não podermos ser guiadas por um pensar constantemente ativo, haverá também, na organização e regulamento das associações sociais produzidas pela educação, elementos ligados ao medo de punições e à esperança de recompensas, cuja força varia conforme experienciemos ou não a potência de nosso próprio pensar. [...] embora paixões tristes participem da formação e exercício dos poderes da educação, é também para próprio beneficio do todo social que a educação venha a promover a ativação de nosso pensar. [...] O princípio que movimenta a educação, tanto no exercício de seu poder produtor de paixões alegres como de seu poder controlador por meio das paixões tristes, é conatus da coletividade. [...] A capacidade de agir com base no conhecimento e na virtude, e não no medo ou na punição, é o que distingue uma educação sábia de uma educação que exerce um poder que se mantém pela inadequação de suas paixões e de seus mecanismos opressores. [...]. Trecho extraído da obra Aprendizado ético-afetivo: uma leitura sponizana da educação (Alinea, 2009), da educadora, professora e filósofa Juliana Merçon. Veja mais aqui.

PRIMAVERA - [...] Via-se literalmente nua, debaixo de vestes invisíveis. Parecia-lhe que estava nadando sem rumor, e sem que ninguém pudesse vê-la, no fundo de um mar de nevoeiro misturado com fumaça. Que lhe importava todo esse vaivém de gente atarefada? E todas aquelas pessoas, nenhuma das quais lhe era conhecida? Esses também escondiam, debaixo da roupa, um corpo nu, esses também tinha um “eu” que para ela era invisível. Este pensamento parecia-lhe justificação o seu desejo de solidão. Tentara, lealmente e com a melhor disposição do mundo, fazer relaç~~oes, mas não o conseguira. Agora, quando descobria que todas essas criaturas, além doq eu via delas, tinham um corpo, uma individualidade, sentia-se justificada por ter tido aquela repulsa a quase todas as pessoas com quem topara... “Tenho todo o direito de evitá-las e de exigir delas que não se dispam diante de mim...” [...] “Sou excluída das alegrias dos outros”, dizia consigo... “Os outros, esses possuem alguem a quem amam, ou com quem privam, ouy de quem falam mal, ou com quem fazem o mal, dançam, saem à rua. Quanto a mim, tenho pequenas alegrias diferentes, só minhas, e protejo-as com estas mãos, como se fossem cálidos passarinhoas”. [...] Sentira-se profundamente humilhada ao saber que ele pudera, diante de uma oportunidade, introduzir outra mulher em sua vida. Sabia hoje que uma mulher, se nada concede, nem para o bem nem para o mal, àquele que a adora, não pode pretender continuar sendo sempre a única. Pouco lhe falava, agora, para lamentar haver-se esforçado por permanecer leal e honesta com ele, e não ter usado de coquetismo ou de outras armas femininas para cativá-lo definitivamente. [...] Soava como uma música uma música maravilhosa. Era pois isto, amar. Era isto, o amor. Tomou entre as mãos, num arremesso, o rosto de Torkild e o contemplou demoradamente. Sim, era ele, o amado; ele era assim. Atraiu para a cabeça dele e, desta vez, foi ela quem o beijou, enquanto das árvores da rua tranqüila, erma, uma poeira branca e fina caia sobre ambos. [...]. Trecho extraído do romance Primavera (Delta, 1964), da escritora norueguesa & Prêmio Nobel de 1928, Sigrid Undset (1882-1949).

O AMORO amor é sempre avesso às leis da observação. / Gaba o amante na aleita os dons do coração, / nada sua paixão lhe acha de censurável. / Tudo, no amado ser, se lhe afigura amável. / Os defeitos que tem, conta-os por perfeições, / tornando-lhes gentis as denominações. / A pálida é ao jasmim, na alvura comparada; / é uma boa morena a negra desbeiçada; / a magra tem, grácil, talhe e desenvoltura; ] a que é desmazelada, imunda e displicente, / é, por atenuação, beleza negligente; / a que é alta é uma deusa aos olhos dos mortais; / a anã resume em si as graças celestiais; / faz jus a uma coroa a fonte da orgulhosa; / a hipócrita é engraçada; a idiota é generosa; / a faladeira tem agradável humor / e a muda, a sonsa, guarda um honesto puder. / Quem sente no seu peito arder do zelo a chama, / amara os erros, até da pessoa a quem ama. Poema extraído da peça O Misantropo (Zahar, 2014), cena IV, do ato I, da fala de Eliente a Celimène, do dramaturgo, ator e encenador francês Molière (Jean-Baptiste Poquelin – 1622-1673). Veja mais aquiaqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

INSTITUTO EDUCACIONAL SÃO FRANCISCO DE ASSIS
Recepcionando a garotada estudantil do Instituto Educacional São Francisco de Assis, com as professoras Rosilda dos Santos Silva & Nataly Neves, na Biblioteca Fenelon Barreto – Palmares – PE.

Veja mais:
Quando a folia é maior em mim!, A árvore de Tamoromu & a música de Antúlio Madureira aqui.
O lobisomem de Alagoinhanduba aqui.
Biritoaldo: a vingança no formigueiro aqui.
Ferreira Gullar, Oscar Wilde, Lisztomania, Michel de Montaigne, Louis Malle, Luhan Dias, Juliette Binoche, Virginia Lane, O Morto & A Lua, Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva aqui.
Crimes contra a pessoa aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando a adversidade aperta, o biltre bota o rabinho entre as pernas aqui.
As trelas do Doro: o escambau aqui.
Antígona de Sófocles, Gradiva de Freud, Seminário As Psicoses de Jacques Lacan & Cronquetas Tataritaritatá aqui.
Charles Baudelaire, Bem na Hora & Noveletas Tataritaritatá aqui.
Jean-Paul Sartre aqui.
Francesco Petrarca, Adrian Pãunescu, Erik Axel Karlfeldt, Carlos Santana, László Modoly-Nagy, Max Liebermann, Luiz Edmundo Alves & Psicologia da Gestalt aqui.
Walter Benjamin, Philippe Ariès, Isaac Stern, Charlotte Gainsbourg, Emil Orlik, Ruy Jobim Neto, Marco Leal, Neuropsicologia & Educação Sexual aqui.
Basílio da Gama, Silviane Bellato, Odete Maria Figueiredo, Edward Hopper, Mentes & Máquinas, Gerontodrama & Neurociência, Zacarias Martins & Programa Tataritaritatá aqui.
Gaston Bachelard, Steven Pinker, Holística, Renato Borghetti, Antonio Rocco, Menalton Braff, Diego Lucas & Mácia Malucelli aqui.
Carlos Drummond de Andrade, Antônio Cândido, Adolphe-Charles Adam, Antonio Bedotti Organofone, Ana Mello & Benedito Pontes aqui.
Aldous Huxley, Terceira idade & envelhecimento, Jean-Baptiste Camille Corot, Armando José Fernandes, Ivaldo Gomes, Monica & Monique Justino aqui.
Elias Canetti, Alfredo Casella, Gestão de Pessoas, Paula Valéria de Andrade, Célia Mara & Lou Albergaria aqui.
Passando a Limpo & Zygmunt Bauman aqui.
Carl Gustav Jung, Ariano Suassuna & Programa Tataritaritatá aqui.
O retorno da deusa de Edward C. Whitmont aqui.
A troça do Fabo aqui.
Folia Tataritaritatá & o Recife do Galo da Madrugada aqui.
Caboclinhos aqui.
O Frevo aqui.
Auto Maracatu aqui.
Baile de Carnaval aqui.
Bacalhau do Batata aqui.
Os assassinos do Frevo aqui.
A folia do prazer na ginofagia aqui.
Padre Bidião, o retiro & o séquito das vestais aqui.
Aijuna, o mural dos desejos florescidos aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.

A ESCULTURA DE RUY ROQUE GAMEIRO
A arte do escultor português Ruy Roque Gameiro (1906-1935).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa & artista plástica holandesa Carla Van de Puttelaar.
Veja mais aqui.

quarta-feira, abril 16, 2008

PAULO FREIRE, LEONTIEV, SIBONY, CORDEL & FRANCISCO PEQUENO, CARLA VAN DE PUTTELAAR, MEDICAMENTOS, CONSUMIDOR & BIRITOALDO

 
A arte da fotógrafa holandesa Carla van de Puttelaar.

BIRITOALDO - XVI - Quando o bicho leva um puxavanque da vida, para baixo todo santo ajuda numa queda só: tei bei! Era uma vez, hem hem.... - Birito estava matutando sozinho, amuado e se enrolando com suas caraminholas tolas, se abufelando do gênio ruim trupicando nas adversidades, remoendo as catracas da cachola fundida que um Júnior sairia melhor, enquanto ronronava de revolta prendida no peito de ficar entalado com um nó travoso cuspindo seco, enraivado fulo de num se servir para bosta nenhuma. Mas, destá. Vão ver. Ficou assim horas e horas emburrado e atiçando o juízo até esfumaçar o quengo e derreter umas gaias rebeladas que se encruavam atrapalhando o tirocínio. O seu mal-estar danando fundura na caixa dos peitos como se uma camisa-de-força apertasse seu elã. Engolia cada cururu tinhoso na careta apertada de ficar incendiando o bucho horas esquecidas. Nem arenga para se entreter podia. Arre, égua! Pisaram seu sal e estão torcendo seu nó. - Trilhei rasto de corno, só sendo! -, arremedava. Depois de muito engolir mosquito bocejando, a ponto de tomar iniciativa e partir largando astúcia pro seu próprio negócio. Claro, tinha de se virar! Olhe o cara! Que poderia ele armar na vida? Só sabia fazer arte pintando o sete, maior bundão enviesado no destino de nada saber. Botou os neurônios para brigarem, acoitando saída pro seu bunsuntão. Acoloiou-se com todo tipo de gente da pá virada mode achar vereda pra desatino. Só cascaviando idéia. Deu luz. Apropriou-se duns centavos da algibeira e saiu trocando maconha por isqueiro de ouro, dando troco, repassando a maconha por pistola bala U, desta para um punhado de pó, daí foi transando de tudo que chegasse à sua mão. Transou mesmo, às escondidas, o diabo a quatro. Envolveu-se com rufinol, cola, loló, craque, maconha, cânhamo, canabis sativa, diamba, liamba, dirígio, pango, soruma, fumo-de-angola, daí pro roubo, tráfico, barriga-verde, foi só um pinote. As bombinhas a preços populares, maior liquidação, ralou pra caralho, e foi subindo de produção, se engabelando e tramoiando os outros. Astuto virou sabido a ponto capaz de quase se chegar a ter a petulância de ser o principal concorrente do sogro, sonhando dobrá-lo até saber quem era ele. Aprendendo, assim, a conjugar o verbo: um olho dormindo, outro acordado. Para isso, dormia o dia inteiro que só São João e dava de zumbi da boquinha da noite até o quase clarear do dia. Sem nada dizer, nem reclamar, escapulia furtivo pelas beiradas da cidade. Duvido quem achasse! Envultava-se de ninguém mais vê-lo até sol raiando no dia seguinte. Sua presença em casa nem era mais notada. Munga achava era bom suas fugas, continuava perversa e só queria abafar desfilando feito uma sereia sexy com plumas, de quando passar a cauda aumentar a temperatura na Argentina, no Uruguai, em grande estilo, um giro estonteante e vestida na cor do pecado, as pernas torneadas e o colo exuberante à mostra. Ela se parecia mais a Cashemira de tão cobiçada. Nem fazia tanta vista grossa assim, mas ficava de olho no canto para ver se o Birito não andava se enrabichando por mocréias da vida. Fiscalizava quando ele chegava: fazia ele tirar a cueca, olhava de lado a lado, nos mínimos detalhes; ficava inspecionando os colhões e mandava ele assoprar, se tivesse murcho, a casa caía; fazia ele fuder à pulso, ela arreganhada só para ver se a gala havia afinado, insensível às delongas e tergiversações vistas como malandras no jeito do marido, o bicho numa secura de dias sem fuçar carne mijada, quando esporrava, melava até o migué! Ela só na veneta, querendo era pegar o pulo arisco dele. Constatava, assim, que ele tava só zanzando de noite. E era, arrepiando na ilegalidade, nas contravenções, só. Com isso foi até subindo de vida, comprou um carro meio usado pra não abrir o olho de seca-pimenteira de ninguém. Também abriu uma conta com uns tostões no banco só pra ele, nada de chamar a atenção, discretíssimo, enquanto escondia o resto dentro do travesseiro. Armando das suas. Nesses contornos escusos, eis que reencontra Ilmena, mais velha, mas ainda um pedaço de mau caminho: pandeiruda, solaçosa, bucetuda e viçosa. Vendo-a assim de perto lembrava-se das punhetas que virava a noite tencionando os guardados delas. Eita! Chegara a Ilvete. Duas duma vez é para matar o cristão. De sopetão, lá ia a gostosona da banca, ainda estava cada vez mais reboculosa, eita mulé boa da gota! Não sabia qual queria. Só falta o quê? -, inquiria ele, doidinho sem saber qual pegar. Primeiro uma no papo, outra no saco. E investiu pesado na professora até que granjeou-lhe a simpatia. Estava todo folgado, cheio de adiantamento, ficou logo de olho aboticado pra cima do decote dela. Que badejo bom! É o dicomer mais apetitoso! Comendo com os olhos. Lambendo os beiços na maior folastria. - Fessôra, deixa eu pegar no seu pevide! -, disse ele, timidamente, na maior malacia. - Meu filho, como já dizia Cortázar: um amor não vive de palavras bonitas nem de promessas à distância. O bicho queimou ruim. Nem sabia quem era aquele condenado, ora! Nem corta-jaca, nem corta azar, nem nada. Partiu pra cima dela cheio de mimos e regalos, ela se fazendo de dura não queria nada com ele, enquanto Birito buliçoso remexia suas entranhas, suas curvas, suas saliências, ela foi gostando, fraquejando, dilatando, se arreando, ele agarrado no cangote dela, ui, num vupe o cabra enfiou o nabo até o talo na perseguida dela! Eita! Foi o maior rojão. E tome impado da gota! - Tô vendo, viu? -, era aquela voz fanhosa que lhe perseguia com um fedor da porra de alho. - Que foi isso? -, perguntou ele atarantado. - O quê? -, inquiriu ela ainda mais estranhando a fisionomia dele! - Isso! -, respondeu com os olhos já soltando fora. - Que isso? - Isso, mulher, isso, não ouviu, não? - Não ouvi nada, você é que está ficando doido varrido! -, argumentou ela, já se ajeitando e saindo de perto dele, - pode ser que seja contagioso. Já de fininho, se safando dele. - Ora! -, reclamou irado, batendo com força na parede! - Tô vendo, viu? -, falou de novo aquela perseguição. - Vôte, capiroto! O negócio foi enfeiando no ambiente, Ilmena deu logo uma carreira dali pro lado de fora, ficando escondida atrás da porta para ver no que é que dava. Ela ouvia um zoadeiro enquanto Biritoaldo soltava os cachorros pra cima de alguém. - Apareça, desgraçado! Venha, se for homem! A cada desafio dele, o negócio andava com uma voz estranha, parecia mais que falava em volapuk. Era aquele anjo da guarda que se dizia seu e ele marretava os maiores palavrões pra banda da entidade. De repente tudo ficou mudo, um silêncio tumular. Birito sentou-se no chão e ficou pensando. Ilmena entrou na ponta dos pés mais arrepiada de medo. Quando ele viu-a, assustou-se mais! Foi uma gritaria. - Porra, professora, quer me matar do coração é? Desse jeito eu morro logo! - Quem era que estava brigando com você? - Sei lá! - Nossa, quase eu morri de tanto medo, você brigando... - Vou s'imbora! - Ei, quando vai voltar para escola, meu filho? - Saber de escola? Escola é a vida, mesmo! - Não é isso que quero dizer, quero saber quando vem me ver de novo? - Logo, professora, logo, deixe eu ir que tô azuretado agora! -, e saiu esbaforido barroando com Ilvete, nem prestando atenção nisso. Foi direto pra casa, agarrando um litro de uísque e enchendo a cara. Munga que se encontrava sapecando umas duas de quinhentos na sua leseira, largou do urso e desconfiou seu retorno tão cedo. E mais ficou intrigada com a ingerência de bebida dele. Será que ele vai tomar alguma atitude precipitada? -, pensou ela, - ...será que ele vai querer me esfolar viva? Mulher liga o oitavo sentido na hora agá. Munga foi se achegando a ele tentando adivinhar aquela sofrência. - Sai prá lá! -, acotovelou-la, resignando-se de enfrentá-lo. Ficou só de molho, esperando no que ia dar. Ele botou pra chorar, espernear, amaldiçoar, desmunhecar, esmurrar, rastejar, se lascar todo e ela sem conseguir entender nada. O cabra tomou umas quatro dozes encarreadas sem nem fazer careta, quase queima o tampo do peito de rasgar-se todo. Ela pensou para si: - corno tem cada pantim, meu deus! Estava ali a cena mais patética que se possa imaginar. E tome gole atrás do outro. - Esse cabra vai amarrar o bode logo logo, do jeito que tá bebendo! -, disse Munga sem sequer ser ouvida por ele. Lá para as tantas, foi se achegando, enchendo Munga de carinhos. Ela só franzindo o cenho: - Tô vendo, abestalhado, seu achegamento! -, ela ainda estava mais ingicada porque ele atrapalhou a foda que ela andava sonhando nos últimos dias: - Isso é lá hora dum cabra desse chegar! Por que num foi atropelado no meio do caminho, meu deus? -, ele ouviu esse reclamo, fechou a cara, fitou-a como quem se apodera de uma fúria incontida, armou as mãos para estrangulá-la e saiu batendo as portas, perdido no meio da noite. - Pronto! Mais um corno vai se suicidar desta vez! -, zombou ela da besteira dele. Não tinha ele paradeiro pronde ir. Ficou zanzando ermo, doido de pedra. Sabia que aquilo tinha de mudar, tinha de mudar. Resolveu voltar para casa e recolher-se, melhor isso, sim. Voltou e encontrou a porta aberta. Fechou. Seguiu pro quarto e quase cai de costa: Munga estava sendo servida pelo crioulo que estuporou os dois naquele dia fatal. O negão viu-lhe paralisado de não poder correr. - Que foi, porra! Tá torando um aço de suspender a bosta, né? - Hum! -, balançou a cabeça, negando e assentindo, sem saber o que dizer. - Já sei! O negão puxou a manjuba e foi se dirigindo para ele. Dominado pelo susto, só fez arriar a calça e cair de joelhos, de quatro pés. O negão não se fez de rogado e empurrou a macaca no papeiro dele. O berro cobriu a noite. - Ei, negão, deixe esse fresco prá lá, venha me foder, venha! Depois de chapuletadas boas no anel do Birito, o negão arregaçou a pomba e saiu para estropiar os guardados dela que estava doida. E quando se aproximou dela viu-lhe zarolha de gozo só esperando a estocada brava na sua cheba. Ele, com suas manzorras sacudiu-la de banda, repuxou as ancas deixando o cu como um bico para ele esfolar a jega no frande dela. Tame! A nega gemia com a enfiada bruta de se engasgar doida de gozo. Foi tanto remexido da coisa durar uns cinco minutos de sacolejada. Esporrando, o negão foi passando pelo criado-mudo e pegando uns trocados que ali haviam. E vendo Birito estatelado no chão, deu-lhe um chute entre as pernas e partiu bufando. O dia já estava quase ao meio dia quando Birito abriu um dos olhos devagarinho para ver se o insano ainda estava ali, repassando a vista em todos os recantos do quarto e se certificando da ausência dele. Foi se levantando de mansinho e vendo Munga com a bunda empinada sobre as pernas dobradas e com a cabeça no meio da cama, nua e saciada. Que será do meu filho? -, pensava ele - depois de uma dessas, o menino vai nascer todo misturado, com sangue dum sujeito desses... Meu deus... Ele levantou-se e sentindo-se todo ardido dirigiu-se para o banho. Refeito, almoçou e se acomodou numa cama que existia na despensa e roncou a tarde toda. Quando anoitecia já para as vinte horas, levantou-se e foi cear. Deu por falta da Munga à mesa. - Cadê-la? -, perguntou para uma das empregadas da casa. - Não levantou-se ainda hoje, a patroa. - Ainda não? - Não tomou café da manhã, não almoçou e até agora não chegou para cear. - Deixa, a gravidez deve estar pesando, deve de estar indisposta feito as granfinas que ficam com enxaqueca. Deixa prá lá. Ceou e saiu. Caiu no mundo. Quando foi passando pela rua de Ilmena, viu-lhe danada na porta da casa e toda sestrosa. Num teve dúvida, invadiu sua residência e meteu bronca na priquita dela. A mulher uivava! Ele assustado demorando até para gozar. Nessa hora chega Ilvete. - Eita, que o negócio aí tá bom! Nem ligaram a chegada dela que ficou olhando aquele vuque-vuque. De tanto ver o pandemônio foi ficando molhadinha e a fim de topar bimba dura. E foi se desnudando devagarinho, aproximou-se da cômoda, abriu uma gaveta e retirou um objeto que não deu para identificar na hora. De posse disso, aproximou-se de Birito que estava com a bunda pra cima, enfiando-se nas carnes da irmã dela. Ilvete começou por alisar as costas dele, depois foi descendo, acariciando a bunda, até que pegou o objeto e mirou no bozó dele. O bicho deu um salto solto no ar. - Epa! - Calma! -, disse Ilvete vendo Ilmena com os olhos aboticados intrigada com a retirada dele de campo. - O que foi? - Ela que queria enfiar coisa no meu cu, pode? - O que foi, Ilvete? - Eu peguei meu vibrador e comecei a alisar Birito, achei que ele estava gostando e queria enfiá-lo nele, podia ser que gostasse, porque entrou fácil fácil. - Epa, cai fora! Pode? - Ah! Ilmena eu quero também! - Eu nem gozei ainda, mulher! - Deixa Ilmena, eu tô toda pegando fogo. - Vai menino, ajeita logo ela e vê se ainda arruma fogo para me apagar também, tá? Birito ficou intrigado. Comer as duas? Ilmena saiu, foi pra sala. Birito saltou em cima da Ilvete e tome bola pra frente. O cabra findou com falta de ar, todo lambuzado, cansado que só. Passou meia hora esperando a respiração normalizar. E nem bem se refazia, veio Ilmena alisando a pêia dele que saltou logo com vida, ela sentando em cima de num querer sair mais. O bicho fodeu mais por um tempo, gozou e saiu empurrando tudo. Sumiu na noite. Lá para as tantas Ilmena recebia na sua porta um moleque com um envelope. Foi Birito. Abriu, havia umas cédulas que dariam para fazer algumas compras. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui



PENSAMENTO DO DIA[...] não é a imaginação que determina a ação, mas são as condições da ação que tornam necessária a imaginação e dão origem a ela. [...]. Pensamento do psicólogo russo Alexis Leontiev (1903-1979).

ADOLESCÊNCIA [...] O adolescente não é um animal que nasce por volta dos doze e desaparece aos vinte. Não é uma entidade que se pode limitar, objetivar, mas um processo em que a própria pessoa se vê envolvida. [...] Pensamento do filósofo e psicanalista francês Daniel Sibony. Veja mais aqui.

ESTUDAR PARA PAULO FREIRE – “Estudar seriamente um texto é estudar o estudo de quem, estudando, o escreveu. É perceber o condicionamento histórico-sociológico do conhecimento. É buscar as relações entre o conteúdo em estudo e outras dimensões afins do conhecimento. Estudar é uma forma de reinventar, recriar, de reescrever – tarefa de sujeito e não de objeto. Desta maneira, não é possível a quem estuda, numa tal perspectiva, alienar-se ao texto, renunciando assim à sua atitude critica em face dele” (Paulo Freire, Ação cultural para a liberdade e outros escritos). Veja mais aqui.

SEXTILHAS DE CORDEL - Uma morrinha no gado / é derrota em fasendo, / e um cavalo ruim / é derrota dum vaqueiro! / A derrota do país / é dever de estrangeiro. Poema do repentista paraibano Francisco Pequeno. Veja mais aqui.

FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS NO TRATAMENTO MÉDICO-HOSPITALAR – Para o desenvolvimento de trabalho acadêmico a respeito da temática do fornecimento de medicamentos pela Administração Pública no tratamento médico-hospitalar, faz-se necessário abordar o direito à saúde à luz dos direitos humanos, ao princípio da dignidade humana, os direitos direitos e garantias fundamentais previstos constitucionalmente, o  direito à saúde como direito à vida, o Poder Judiciário na aplicação dos efeitos da tutela antecipada, a responsabilidade solidária e a organização administrativa para fornecimento de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A arte da fotógrafa holandesa Carla van de Puttelaar.



Veja mais sobre:

O caso de Tomé & Vitalina, Hannah Arendt, Stanislaw Ponte Preta, Edward Estlin Cummings, Paul Simon e Art Garfunkel, Irene Ravache, Marcus Vinicius Cesar, Cecília Kerche & Benedito Calixto de Jesus aqui.


E mais:
Fecamepa: quando o furacão dá no suspiro do bandido, de uma coisa fique certa: a gente não vale nada aqui.
Tolinho & Bestinha: Quando Bestinha emputecido prestou depoimento arrepiado aqui.
Onde não tem mata-burro a gente manda ver no trupé & Maíra Dvorek aqui.
Neuroeducação aqui.
Segure a onda & tataritaritatá aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora parabenizando o Tataritaritatá.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
 Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.
 

MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...