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segunda-feira, fevereiro 07, 2022

LAURA INGALLS WILDER, IZAURA RUFINO FISCHER, RITA VON HUNTY & JOÃO CÂMARA

 

 

TRÍPTICO DQP – Entre devires e distopias... - Ao som do álbum Dedicado a você (1967), de Rogério Duprat. – Ouço a música do dia, as ruas dão nas estradas caminhos afora e se por trás das montanhas ao redor da minha cidade, o dia dorme, a noite é viva para que ninguém, ninguém mesmo, Anteu vunerável arrede dali - resíduos que sobram de mim entre o latente e o que se perdeu. Não vejo ninguém e voo perdido, até que a escritora estadunidense Laura Ingalls Wilder (19867-1957) me saúda com um sorriso: Uma boa risada supera mais dificuldades e dissipa mais nuvens negras do que qualquer outra coisa. Estou começando a entender que são as coisas simples e doces da vida, que são as verdadeiras. Entendo o que fala, mas sei que meu povo teima temores de certo fantasma vermelho que atenta suas vidas e pode se danar pelo precipício. Nada mais bizarro porque não enxergam nada mais além do colorido das vitrines ou imersos nos seus rancores por desejar o ócio da riqueza dos seus sonhos triturados queimando a carne, enquanto singram pela milenar mentira do crucifixo entre as mãos, pedintes de paz que só fazem guerrear porque a escola é a grande vaca reprodutora dos estúpidos que se escondem medrosos com a tela acesa na sala. É só o que veem e não vivem. Eu sei que a vergonha do meu país não é de hoje! Como disse Antônio Cândido: A vergonha do Brasil sobreviveria até em páginas de poetas imortais, como uma de Heine em que o poeta fala no capitão negreiro que deixou trezentos escravos no Rio. É tudo tão deprimente, quando nem me dou conta de cruzar com Michel Laub que me fala: ... sobre o que era ser jovem numa América tomada por corporações, individualismo e falta de perspectivas... Bem que me lembro que me vivi ilhado por tudo isso, nada mais sem graça e os que passam e voltam logo somem nas sombras que se alimentam do meu sangue e não viverei tanto para ver este século 21 seguir à revelia de todos.

 


Duas ou três coisas de nada... – Imagem: Arte de Carybé – Mas que dia é hoje e nem sei das horas, faz tempo que ontem se repete cabisbaixo por quantos anos de escuridão e incúria. Vivo de acenos esporádicos, quando não abruptos encontros, a exemplo do escritor hondurenho Augusto Monterroso Bonilla (1921-2003) que de longe traz suas dores: Você sofre de uma das doenças mais normais da raça humana: a necessidade de se comunicar com seus pares... Sim? E prossegue: Acredite em si mesmo, mas não tanto; duvide de você, mas nem tanto. Quando você sentir dúvida, acredite; quando você crê, duvide. Nisto reside a única sabedoria verdadeira que pode acompanhar um escritor. Sim, eu sei, e como apareceu, sumiu. Às vezes um ou outro aparece sem novidades, a exemplo de Amos Oz que me dizia baixinho coisas que gritava dentro dele a me surpreender: Às vezes é exatamente a fala tranquila que desperta a ira e a agressão dos opositores... Nossos ancestrais inventaram o sentimento de culpa. Depois vieram os cristãos e fizeram o marketing com um sucesso colossal por todo o mundo. Mas a patente é nossa. Eu, como judeu, tenho sentimentos de culpa terríveis por termos inventado o sentimento de culpa. E mais adiante apenas o canavial de nenhuma esperança. Ele deu-me as costas para que a pesquisadora Izaura Rufino Fischer alertasse: O problema tem raízes na concentração da terra e se expressa de forma diferenciada nos vários recantos do país. Na Zona da Mata de Pernambuco, a cultura própria do latifúndio dá nitidez às desigualdades sociais e ao antagonismo de classes... O que resta de dor, pés no chão, olhar no horizonte, voo sem rota prevista porque a tarde é quase a mesma no calendário.

 


De pés e caminhos... - Imagem: Arte de João Câmara. - O tempo sangra e mais adiante o que poderia ser e não é. Se não tenho onde cair morto, resta penar vida afora, tropeços e falência. A mãe que se foi ainda vive em mim órfão da vida. De um lado pra outro a soberba deselegante, vozes do umbigo e desfile da indiferença. Quase não reconheço ninguém porque tudo é muito estranho e hostil, exceto sorrisos amigáveis e passageiros que logo se vão sem deixar rastro. E se uma ou outra vistosa me chama a atenção, logo fenece pro meu desinteresse. Outra é a Mamie Van Doren: Eu nunca quis ser uma esposa troféu. Eu queria fazer sozinha. Eu não queria depender de um homem... O meu melhor trunfo é o meu cérebro. Sem meu cérebro, não acho que o resto de mim estaria muito quente. Sou solidário e compreendo a milenar imposição patriarcal. Surpresa agradável é dar de cara com a professora e atriz Rita Von Hunty: Precisamos visibilizar os corpos e vozes ainda tão invisíveis... Ao mesmo tempo eu tento quebrar o estereótipo também de que todo professor é homem, branco e pedante. Não existe só um jeito de ser intelectual... Com a possibilidade da morte, podemos criar mecanismos para realizar os próprios desejos, antes que seja tarde demais. E isto pode ser positivo. Ouço dela o eco que povoa minhas ideias insistindo que não temos nada a perder, a não ser quebrar de vez e definitivamente todos os nossos grilhões: não ceder à paralisia do medo nem à tristeza da maldade é o primeiro passo... O que sei é que certeza alguma ditará o que fazer, as dúvidas me fazem respirar e sinto que posso renascer a cada momento. Até mais ver.

 

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Vem aí o Programa Tataritaritatá. Enquanto isso, em 2022: 40 anos de ArtLAM & 20 anos do TTTTT. Veja mais aqui.

 


sexta-feira, julho 24, 2020

BELLA AKHMADULINA, SOLANO TRINDADE, AMELIA EARHART & MONIQUE SCHENKELS



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: O QUE SOU AGORA - O amor me fez e eu me reconstruo a cada dia. Onde a vida eclodiu, lá estava e fui pleno. O tempo passou e Junichiro Tanizaki ensina: Quanto mais velhos ficamos, mais pensamos que tudo estava melhor no passado. Se não fosse pelas sombras, não haveria beleza. O meu coração é apenas um, não pode ser conhecido por ninguém além de mim. Fui feito pelo que passou, hoje sou apenas isso. Olho para frente e o futuro se desfaz no instante, a vida é só agora.

DUAS: O TEMPO & O TEMPO – Tudo o que fiz, agora eu sei, foi uma luta contra o relógio e o calendário. Vencê-lo era o meu propósito. Até que Antônio Cândido me avisar com sabedoria: Isso é uma monstruosidade. Tempo não é dinheiro. Tempo é o tecido da nossa vida, é esse minuto que está passando. Ao sair, ele ainda acrescentou: Portanto, eu tenho direito a esse tempo. Esse tempo pertence a meus afetos. Antes era tudo. Agora, sou apenas feito de lembranças, remorsos e sofreguidão. Não quero mais a pressa, para onde vou nada mais restará.

TRÊS: PARA QUEM VAI & QUAL O LUGAR – Trilhei o que pude de emoção, não foi tudo, algo mais; nem nunca tive sangue frio, calor nas mãos. Cada trajeto, uma aventura; cada retorno, um aprendizado. Ouvi Alexandre Dumas: Por vezes é penoso cumprir o dever, mas nunca é tão penoso como não cumpri-lo. O mais feliz dos felizes é aquele que faz os outros felizes. Fiz a minha parte, ou pelo menos tentei por mais desmazelado, quando o hostil rondava ao fazer o meu próprio caminho. Nisso ele reiterou: Só os que padecem um extremo infortúnio estão aptos a usufruir uma extrema felicidade. Talvez esta a esperança que me reste, seguir em frente, nada mais importa. Até segunda. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Coragem é o preço que a vida exige em troca de paz. A alma que não aceita, não se desapega das coisas pequenas. Uma aventura só por si já tem valor. Nunca interrompa alguém que está fazendo algo que você disse que não poderia ser feito. Quanto mais a pessoa faz, enxerga e sente, mais será capaz de fazer e mais autêntico, poderá ser o seu modo de apreciar as coisas fundamentais como o lar, o amor e uma companhia compreensiva. O jeito mais eficiente de fazer algo é fazendo. Todos têm oceanos para sobrevoar, desde que você tenha coragem para fazer isso. É inconsequência? Talvez... Mas o que os sonhos sabem sobre limites? As mulheres devem tentar fazer as coisas que os homens tentaram. Quando falhamos, o erro deve ser um desafio para outras. Todas as coisas que eu nunca disse, por tanto tempo, estão aqui, em meus olhos. A coisa mais difícil é a decisão de agir, o resto é apenas tenacidade. Pensamento da aviadora estadunidense Amelia Earhart (1897-1937), pioneira na aviação do seu país, autora e defensora dos direitos das mulheres. Foi a primeira mulher a voar sozinha sobre o Oceano Atlântico, estabelecendo recordes e escrevendo livros sobre suas experiências. Durante a pandemia da Gripe Espanhola, ela estava ocupada com a tarefa de enfermeira em um hospital de Toronto, quando teve complicações e foi hospitalizada por mais de um ano. Ao iniciar seus voos tornou-se uma celebridade internacional e lembrada como um ícone por sua forma de viver e agir. Ela desapareceu no Oceano Pacífico, enquanto tentava realizar um voo ao redor do globo terrestre, declarada morta em 5 de janeiro de 1939. Sobre ela muitas obras: o filme Flight for Freedom (1943), de Rosalind Russel; a música Amélia (1976) de Joni Mitchel; o documentário televisivo Amelia Earth (1976); o livro Sahara (1992), de Clive Cussler; o filme Amelia Earhart: The Final Flight (1994); a biografia I Was Amelia Earhart (1996); a canção Someday We'll Know (1999), dos New Radicals; a canção Thinking Amelia (2000), de Deb Talan; a canção Aviator (2004), de Nemo; a canção I Miss My Sky (2005), de Heather Nova; a canção Amelia Earhart (2005), de Curtis Eller's American Circus; a The Ballad of Amelia Earhart (2007), de Tom McRae; a canção Amelia's Missing (2007), de Jon Mclaughlin; o filme Amelia (2009), de Mira Nair; entre outras homenagens e registros. Veja mais aqui e aqui.

A POESIA DE BELLA AKHMADULINA
PENSEI QUE ERAS MEU INIMIGO - Pensei que eras meu inimigo, / a minha grande infelicidade. / Mas inimigo não és - só um mentiroso / e são vãs as tuas manobras. / Diante do carrossel / eu joguei cara ou coroa. / Queria, com essa moeda, / saber se te amo ou não. / Meu lenço ficou caído / no chão, no jardim Aleksándrov. / Aqueci as mãos; mas todos souberam / o que eu pensava - e que também mentia. / As mentiras devem estar voando / à minha volta como corvos. / Mas da próxima vez que te despedires / não verás, em meus olhos, nem azul nem negro. / Ah, continua vivendo, não fique triste. / Por mim está tudo bem. / Mas como tudo isso é inútil, / como é tudo absurdo! / Você indo para um lado, / eu indo para outro.
BELLA AKHMADULINA - Poemas da poeta Bella Akhmadulina (1937-2010), extraídos do livro Poesia Soviética (Algol.2007), com seleção, tradução e notas de Lauro Machado Coelho. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da premiada artista visual, designer gráfica e industrial Monique Schenkels. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Salve os que amam a vida / sem ter medo da morte / Salve os que amam a liberdade / sem ter medo de prisões e fuzilamentos / Porque a história continua / “devagar e sempre” / como diz um negro velho / meu vizinho...
Salve, poema extraído da obra O poeta do povo (Ediouro/Segmento Farma, 2008), do poeta, teatrólogo, pintor, cineasta, ator e folclorista Solano Trindade (1908-1974), que militante do Movimento Negro. Veja mais aqui.
&
A obra do poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto (1920-1999) aqui, aqui, aqui & aqui.
A história de amor de Fernando e Isaura, do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014) aqui.
A música do arranjador, maestro, compositor e multi-instrumentista Moacir Santos (1926-2006) aqui.
Contribuição à história do Ginásio Municipal dos Palmares, do Professor Brivaldo Leão de Almeida aqui.
Poetas de Pernambuco aqui.
Labatut, Zé Cravo & Maria Rosa aqui.
&
O município de Escada aqui & aqui.


quarta-feira, julho 01, 2015

LEIBNIZ, ANTÔNIO CÂNDIDO, LOPE DE VEGA, EMMA GOLDMAN, MACKELLAR, KOZORIZ, ALCEU & SAMICO.

 VAMOS APRUMAR A CONVERSA? DEVAGAR E SEMPRE! (Imagem: The Letter, da artista plástica Nina Kozoriz) - Sempre fui muito avexado, tanto que parecia mais que eu tinha um cotoco de não parar quieto. Era mesmo inheto e para quem já viu bem de perto cipó de boi zunindo no toitiço, eu era o que se convencionava chamar de os pés da doida – o nome popular do que hoje, com certeza, diagnosticam de TDAH. Galhos de urtiga? Da muita. A-há, era cada lamborada de esquentar o esqueleto. E não me emendava, sempre reincidente a maluvido: o casmurro das trelas. Tanto que fui criado na base de meizinhas e xarope brabo. Assim fui menino até adulto e, por isso mesmo, errei demasiadamente, mas o que acertei – certo que pouco – teve primazia. Afinal, quem anda apressado não acha o que procura. E o que achei não estava perdido, nem era de ninguém. Era o merecido. Por bem ou por mal. Tinha comigo que sapo não pulava por gosto, mas por precisão. E que precisão eu tinha? Sei lá, vexames da idade, urgência de viver. Hoje estou, como se diz no popular, tuxelando. Cinquentão, mais pra poeta de arrumação com meus versos de obra de carregação: só no balanço do navio. Já paguei todos os patos, os meus e até os dos outros. O que me resta? Feito xexéu, vou cantarolando Tocando em frente, dos poetas Almir Sater e Renato Teixeira: Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais... e vou arremedando com os versos da minha canção Cantador: ...vou com meu canto em cada canto, lado a lado, vou com cuidado e afinando o meu gogó, sem ter espanto todo só de luz armado, tino aceso e aprumado, evitando um quiproquó... Hoje estou mais para repetir o poeta romano clássico Virgílio: Omnia vincit Amor! Ou seja, o amor tudo vence. E o também escritor romano Publílio Siro: Nec mortem effugere quisquam, nec amorem potest. Ou melhor: Ninguém pode fugir nem ao amor, nem à morte. Sabedor disso, vou agora devagar e sempre! E vamos aprumar a conversa. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

Imagem: xilogravura do pintor, desenhista e gravurista Gilvan Samico (1928-2013).

Curtindo o álbum ao vivo Oropa, França e Bahia (BMG Ariola, 1989) do cantor e compositor Alceu Valença. Veja mais aqui.

BRINCARTE DO NITOLINO – O projeto Brincarte do Nitolino compreende uma série de atividades voltadas para o público infanto-juvenil. Nasceu na segunda metade da década dos anos 1990, com o Prêmio Nascente de Arte Infanto-Juvenil que culminou com a publicação de duas antologias Brincarte, editadas pelas Edições Nascente, nos anos de 1998 e 1999. A partir de então foi transformado em blog, peças teatrais, recreações educativas, livros, músicas e estudos que envolvem as áreas de Educação Infantil, Psicologia Infantil e Direito da Criança e dos Adolescentes. A partir de 2008 foi transformado em programa radiofônico e que, nos últimos anos, é apresentado pela garota Isis Corrêa Naves, no Projeto MCLAM, todos os domingos, a partir das 10hs e com reprise todas as quartas, nos horários das 10hs e das 15hs. Confira detalhes aqui e aqui.


MONADOLOGIA – A obra Os princípios da filosofia ditos a monadologia (1714), do cientista, filósofo, matemático, diplomata e bibliotecário alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716), foi publicado postumamente em 1720, apresentando a sustentação de uma metafísica das substâncias simples e expondo globalmente o seu sistema das mônadas – elementos máximos do universo: eternos, indecompostos, individuais, sujeitos às suas próprias leis, refletindo o universo dentro de uma harmonia preestabelecida. As mônadas estão fundamentadas na matemática pelo cáculo infinitesimal e suas conclusões antiatomistas; na física pelas teorias das forças vivas; na metafisica pelo principio da razão suficiente; na psicologia pelo postulado das ideias inatas dos Novos ensaios sobre o entendimento humano; e na biologia pela pré-formação seminal dos corpos e a subdivisão de funções em seu desenvolvimento orgânico. Da obra destaco os trechos: [...] Ora, onde não há partes, não há extensão, nem figura, nem divisibilidade possíveis. E tais Mônadas são os verdadeiros Átomos da Natureza e, em uma palavra, os Elementos das coisas. [...] Tampouco há dissolução a temer e não há como se conceber um modo pelo qual uma substância simples possa perecer naturalmente. Pela mesma razão, não há modo pelo qual uma substância simples possa começar naturalmente, já que não pode ser formada por composição. Portanto, pode dizer-se que as Mônadas só podem começar e acabar instantaneamente, isto é, que só podem começar por criação e acabar por aniquilamento, ao passo que o composto começa e acaba por partes. Tampouco há meios de explicar como uma Mônada possa ser alterada ou modificada internamente por qualquer outra criatura, pois nada se lhe pode transpor, nem se pode conceber nela qualquer movimento interno que possa ser excitado, dirigido, aumentado ou diminuído lá dentro, tal como ocorre nos compostos, onde há mudança entre as partes. As Mônadas não possuem janelas através das quais algo possa entrar ou sair. Os acidentes não podem destacar-se, nem passear fora das substâncias, como faziam outrora as espécies sensíveis dos Escolásticos. Assim, nem substância, nem acidente podem entrar em uma Mônada a partir do exterior. Todavia, as Mônadas precisam ter algumas qualidades, do contrário nem mesmo seriam entes. E se as substâncias simples não diferissem por suas qualidades, não haveria modo de apercebermos qualquer modificação nas coisas, já que aquilo que está no composto só pode vir de seus ingredientes simples, e se as Mônadas carecessem de qualidades, seriam indistinguíveis umas das outras, já que também não diferem em quantidade; e, conseqüentemente, suposto o pleno, cada lugar receberia sempre, no movimento, só o Equivalente do que antes havia tido, e um estado de coisas seria indiscernível de outro. É mesmo necessário que cada Mônada seja diferente de qualquer outra. Pois nunca há, na natureza, dois seres que sejam perfeitamente idênticos e nos quais não seja possível encontrar uma diferença interna, ou fundada em uma denominação intrínseca. Dou também por aceito que todo ser criado está sujeito à mudança, e, consequentemente, também a Mônada criada e inclusive que tal mudança é contínua em cada uma delas [...]. Veja mais aqui ,aqui e aqui.

ESTUDO DO POEMA – O livro O estudo analítico do poema (Humanitas/USP, 1996), do ensaísta e escritor Antônio Cândido, realiza comentários e interpretações literárias acerca do poema, da teoria de Grammont, rima, o destino das palavras no poemas, as modalidades de palavras figuradas, a retórica tradicional, a natureza da metáfora, estudo analítico do poema, os fundamentos, a sonoridade, ritmo, metro, figura, unidades expressivas, imagem, tema, alegoria, símbolo, estrutura, princípios estruturais e organizadores, os significados, sistemas de integração, sentido ostensivo e latência, tradução ideológica, poesia direta e oblíqua, clareza e obscuridade, unidade, entre outros temas. Da obra destaco o trecho Os fundamentos do poema / Sonoridade: [...] Todo poema é basicamente uma estrutura sonora. Antes de qualquer aspecto significativo mais profundo, tem esta realidade liminar, que é um dos níveis ou camadas da sua realidade total. A sonoridade do poema, ou seu "substrato fônico" como diz Roman Ingarden, pode ser altamente regular, muito perceptível, determinando uma melodia própria na ordenação dos sons, ou pode ser de tal maneira discreta que praticamente não se distingue da prosa. Mas também a prosa tem uma camada sonora constitutiva, que faz parte do seu valor expressivo total [...] Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

MY COUNTRY – A escritora australiana Dorothea Mackellar (1885-1968) possui um dos poemas mais belos e dedicados a um país de nascimento, denominado My Country (Meu País) do qual destaco os versos a seguir: O amor pelo campo e moitas, / Pelo verde e pelas veredas sombreadas, / Pelas madeiras ordenadas e jardins, / Está correndo em suas veias. / Amor forte pela distância azul-acinzentada, / Córregos marrons e macios céus turvos, / Eu conheço mas não posso compartilhar, / Meu amor é diferente. / Amo um país bronzeado, / Uma terra de planícies vastas, / De uma cordilheira escarpada, / De secas e chuvas inundantes. / Amo seus horizontes distantes, / Amo a jóia de seu oceano, / Sua beleza e seu terror, / Esta vasta terra marrom pra mim. / As florestas de áspera cobertura branca, / Todas trágicas para a Lua, / As montanhas de névoa safira, / A tranquilidade dourada do meio-dia, / A bagunça verde das moitas, / Onde as flexíveis trepadeiras se enrolam, / E orquídeas vestem as copas das árvores, / E samambaias aquecem o solo quente. / Essência do meu coração, meu país! / Seu incansável céu azul, / Quando doente no coração ao nosso redor / Vemos o gado morrer – / Mas as nuvens cinzas se ajuntam, / E podemos dar graças outra vez, / O rufar de um exército, / A constante chuva que encharca. / Essência do meu coração, meu país! / Terra do ouro arco-íris, / Por inundação e fogo e penúria / Ela nos retribui três vezes. / Sobre os pastos sedentos / Assiste, depois de muitos dias, / O indistinto véu de verdura / Que engrossa enquanto encaramos. / Um país de coração opala, / Uma terra teimosa, pródiga – / Todos vocês que não a amaram, / Não irão entender – / Mesmo a terra tendo muitos esplendores, / Aonde quer que eu morra, / Sei pra qual país marrom / Meus pensamentos patriotas irão voar. Veja mais aqui.

ARTE DE FAZER COMÉDIAS – A obra A arte nova de fazer comédias neste tempo (1609), do poeta e dramaturgo espanhol Lope de Vega (1562-1635), realizou uma nova concepção do teatro por meio de uma ruptura com os preceitos do teatro classicista, misturando o trágico e o cômico, versos e estrofes, intercalação de elementos líricos e variedade de estilo: Quando tenho de escrever uma comédia, / encerro os preceitos com seis chaves; / saco a Terencio e Plauto de meu estudo, / para que não me dêem vozes: que costuma / dar gritos a verdade em livros mudos; / e escrevo pela arte que inventaram / os que o vulgar aplauso pretenderam; [...] Mas contra nenhum deles me permito / levantar minha voz, porque me atrevo / a dar preceitos de arte e na corrente / vulgar me deixo ir... Já ignorante / me chamam França e Itália! Que fazer?!? / Que poderei fazer, se tenho escritas, / com uma que acabei esta semana, / quatrocentas e oitenta e três comédias, / e, fora seis, todas as mais pecaram, / pecaram gravemente contra a arte? / Sustento, enfim, o que escrevi e eu sei / que, embora bem melhor de outra maneira, / não teriam o gosto que tiveram, / que, às vezes, o que está contra o que é justo / por essa razão mesma apraz ao gosto. / porque, como as paga o vulgo, é justo / falar-lhe em néscio para dar-lhe gosto. Ele é autor de mais de mil e quinhentas obras teatrais, em sua maioria perdidas no tempo. Veja mais aqui.

LOPE – O drama espanhol brasileiro Lope (2011), do cineasta brasileiro Andrucha Waddington com roteiro de Jordi Gasull e Ignácio del Moral, e música de Fernando Velázquez, é baseado na vida do poeta e dramaturgo espanhol Lope de Vega (1562-1635), contando a história de um jovem poeta ambicioso e eterno apaixonado que vive mais o presente que pensar no futuro, entregando-se ao amor de duas mulheres para desafiar as regras que podem transformá-lo de herói a vilão, trazendo ao mesmo tempo glória e desgraça para sua vida. Diante desses conflitos, surgem centenas de peças teatrais, poemas, romances, comédias, lirismo, tragicidade e força dramática do autor. Como apresentado mais acima, o autor teve uma atividade artística bastante criativa e envolvendo os mais diversos gêneros, desde teatro, poesias, romances e outras modalidades literárias para expressão do seu talento. Destaque para atuação das atrizes Leonor Watling e Pilar López de Ayala. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
 
Foto em homenagem à anarquista e ativista libertária lituana Emma Goldman (1869-1940), o livro da sua autobiografia Living my life (1931), cartaz da IWW (1911) ilustrando a pirâmide de exploração do capitalismo e uma faixa sustentada por jovens anarcofeminista com citação do seu pensamento: Aos que ousam o futuro pertence.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Imagem: Ciranda, Cirandinha, do artista popular e xilogravador Amaro Francisco Borges.


Veja mais sobre:
Lagoa da Prata, O folclore no Brasil de Basílio de Magalhães, Chão de mínimos amantes de Moacir da Costa Lopes, Culturas e artes do pós-humano de Lucia Santaella, a música de Belchior, a fotografia de Tatiana Mikhina, a arte de Joseph Mallord William Turner & Wesley Duke Lee aqui.

E mais:
Folia Caeté, O trabalho do antropólogo de Roberto Cardoso de Oliveira, Monções de Sérgio Buarque de Holanda, a poesia de Luis de Góngora y Argote, O poeta dramático e a história de Karl Georg Büchner, a música de Antônio Carlos Gomes, o cinema de Alfred E. Green & Carmen Miranda, a arte de William Orpen, a pintura de Ivan Gregorewitch Olinsky & Charles-Antoine Coypel aqui.
Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda, a música de Antonio Carlos Gomes & Quinteto Violado, Joana Ramos & Givaldo Kleber aqui.
Recontando Caetano Veloso & Podres poderes aqui.
História dos hebreus de Flávio Josefo, Vidas paralelas de Plutarco, A civilização hispano-moura de Philipe Aziz, Cronologia pernambucana de Nelson Barbalho, Violência: crimes de trãnsito & arma de fogo aqui.
Umas do Doro & o jabá, Multimidiação do processo artístico de Augusto de Campos, Vila dos confins de Mário Palmério, Artêmis, a música de Rossini & Olga Peretyatko, o cinema de Jacques Rivette, a arte de Mademoiselle Rachel & Marie McDonald, a fotografia de Greg Williams & a poesia de Dalinha Catunda aqui.
Paixão Legendária & Santanna O Cantador, A patente de Luigi Pirandello, A história do mundo de Mel Brooks, As ciências e as artes de Jean-Jacques Rousseau, Guilhermina Suggia, a xilogravura de Nena Borges, Brincarte do Nitolino, a crônica de Aldemar Paiva, a poesia de Marly de Oliveira, a música de Felipe Radicetti & pintura de Maria Luisa Persson aqui.
A culpa é da Dilma, O Projeto Atman de Ken Wilber, a música de Heitor Villa-Lobos, O sermão do bom ladrão de Padre Antônio Vieira, a pintura de Peter Paul Rubens, a poesia de Henriqueta Lisboa, Prometeu acorrentado de Ésquilo, o cinema de Abbas Kiarostami & Juliette Binoche, a arte de Alex Toth & Ekaterina Mortensen aqui.
Preciso de um culpado, Platónov de Anton Tchékov, Peri Physeos de Anaxímenes de Mileto, A arte de furtar de Padre Antônio Vieira, As odes píticas de Píndaro, o cinema de Walter Lang & Susan Hayward, a arte de Dave Saint-Pierre, a música de Stanley Clarke, a pintura de Horace Vernet & Malcolm Liepke aqui.
Lugome, sua familia, seu infortúnio, A poesia erótica de José Paulo Paes, a música de Gina Biver, Fundamentos da História do Direito, O combate à corrupção nas prefeituras do Brasil, a pintura de Sofan Chan, a fotografia de Luiza Machado, a arte de Eiko Ojala & Rudson Costa aqui.
A arte de Tunga, Estética teatral de Redondo Junior, a poesia de César Vallejo, a música de Ná Ozzetti, a fotografia de Ruy Carvalho, a arte de Sônia Braga, Fecamepa & Os sapos na política de Edson Moura aqui.
Semáforos de sempre, vida adiante, Amor em tempos sombrios de Colm Tóibín, O serviço social de Marilda Villela Iamamoto, Ética & Marketing Social, a fotografia de Spencer Tunick & Esdras Rebouças Nobre, a arte de Vik Muniz & a música de Claudio Nucci aqui.
A sexta é dia da deusa, da musa, rainha, poeta, mulher, A história de Goethe, a literatura de Machado de Assis, Gozo fabuloso de Paulo Leminski, a música de Alexandra Stan, a fotografia de Marcos Guerra & a arte de Luciah Lopez aqui.
Na Volta da Jurema, Semiologia & comunicação lingüística de Eric Buyssen, Arrowsmith de Sinclair Lewis, O pensamento de Confúcio, a música de Guinga, a arte de Ida Zam & Laerte Coutinho aqui.
O amor dos namorados, A arte de amar de Erich Fromm, Sonetos de amor de Pablo Neruda, Cânticos dos Cânticos, A música de Edith Piaf, o cinema de Derek Cianfrance & Michelle Williams, a pintura de Julia Watkin & Cornelis le Mair, a arte de Henry Asencio & Grupo Femen aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
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terça-feira, outubro 21, 2014

MARÍA NEGRONI, SHIN KYUNG SOOK, STRASBERG, ROLLO MAY, HOLLAND & LITERÓTICA



PUXAVANQUE DO PRAZER

Nua e linda, nuvem clara alva dada
Nem se repara, toda minha, lua deitada
Encolhidinha, alma nua tez exaltada
Deusa flor, jóia rara, carne almejada
Quase calada dou-me verso em homenagem
Vem da miragem e dá de bruços e espalmada
Feito a canção que sou do pulso em serenata
Quase tão grata vem sem fuso, fera indomada
Agoniada enquanto ferve a vacilada
Serve de graça, sem saída, encurralada
Dá por vencida e não retira até gozada.
© Luiz Alberto Machado.
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DITOS & DESDITOS - A mente criativa brinca com os objetos que ama. Praticar qualquer arte, por melhor ou pior que seja, é uma forma de fazer crescer a alma. Atuar é a arte da autodescoberta. Atuar é mágico. Mude sua aparência e sua atitude, e você poderá ser qualquer pessoa. Um ator deve interpretar a vida e, para isso, deve estar disposto a aceitar todas as experiências que a vida tem a oferecer. Você deveria ser ator porque não pode ser feliz em nenhuma outra profissão. A missão do ator é servir a humanidade. Um artista é um poeta em ação. Ideias poderosas estão no seu bolso. Pensamento do ator, diretor, produtor e professor de teatro húngaro, Lee Strasberg (Israel Strassberg - 1901-1982), que desenvolveu sua atividade artística nos Estados Unidos. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: É um hábito irônico dos seres humanos correr mais rápido quando se perdem. O oposto da coragem na nossa sociedade não é a covardia, é a conformidade. O ódio não é o oposto do amor; apatia é... do psicólogo existencialista estadunidense Rollo May (19O9-1994). Veja mais aqui.

 

COMPLEXIDADE – [...] Uma vantagem importante de comparações precisas é que as atividades que são fáceis de observar num sistema complexo muitas vezes sugerem “onde procurar” noutros sistemas complexos onde as atividades são difíceis de observar. [...] Analisando a complexidade A análise de sistemas complexos quase sempre envolve a descoberta de padrões recorrentes nas configurações em constante mudança do sistema. O jogo de xadrez oferece uma analogia útil: uma dúzia de regras determinam [...]. Trechos extraídos da obra Complexity: A Very Short Introduction (Oxford University Press, 2014), do cientista e professor estadunidense John Henry Holland (1929-2015), que noutra obra Hidden order: how adaptation builds complexity (Basic Books, 1996), expressa que: […] A novidade perpétua é a marca registrada do 'cas'. […] A diversidade de 'cas' (sistemas adaptativos complexos) é um padrão dinâmico, muitas vezes persistente e coerente como a onda estacionária a que aludimos anteriormente. Se você perturbar a onda, digamos com uma vara ou remo, a onda se reparará rapidamente assim que a perturbação for removida. Da mesma forma, em 'cas', um padrão de interações perturbado pela extinção de agentes componentes frequentemente se reafirma, embora os novos agentes possam diferir em detalhes dos antigos. Existe, no entanto, uma diferença crucial entre o padrão de ondas estacionárias e os padrões “cas”: os padrões “cas” evoluem. A diversidade observada em 'cas' é produto de adaptações progressivas. Cada nova adaptação abre a possibilidade para novas interações e novos nichos [...] Uma breve análise do papel dos blocos de construção testados nas inovações técnicas ajudar-nos-á a compreender o papel dos blocos de construção no caso específico da inovação de regras. Uma análise da história mostra que as inovações técnicas surgem quase sempre como uma combinação particular de blocos de construção bem conhecidos. Vejamos duas inovações tecnológicas que revolucionaram a sociedade do século XX: o motor de combustão interna e o computador digital. O motor de combustão interna combina o dispositivo de faísca de Volta, o pulverizador de Venturi (perfume), os pistões de uma bomba d'água, as rodas dentadas de um moinho e assim por diante. Os primeiros computadores digitais combinavam o contador de partículas de Geiger, a persistência (desbotamento lento) de imagens de tubos de raios catódicos, o uso de fios para direcionar correntes elétricas e assim por diante. Em ambos os casos, a maior parte dos blocos de construção já estava em uso, em diferentes contextos, no século XIX. Foi a combinação específica, entre tantas possíveis, que proporcionou a inovação. Quando um novo alicerce é descoberto, o resultado geralmente é uma série de inovações. O transistor revolucionou dispositivos que vão desde os principais aparelhos até rádios portáteis e computadores. Mesmo novos blocos de construção são muitas vezes derivados, pelo menos em parte, da combinação de blocos de construção mais elementares. Os transistores foram fundados no conhecimento de retificadores e semicondutores de selênio. [...]. Veja mais aqui.

 

LEITURA: [...] Através da leitura literária são estimulados o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso de beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do amor [...]. Trecho extraído da obra Vários Escritos (Ouro sobre Azul, 2013), do sociólogo e crítico literário Antonio Cândido (1918-2017). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

POR FAVOR, CUIDE DA MAMÃE - [...] Você percebe que costuma pensar na mamãe quando algo em sua vida não vai bem, porque quando você pensa nela é como se algo voltasse aos trilhos e você se sentisse revigorado. [...] Tenho tantos sonhos meus e me lembro de coisas da minha infância, de quando era menina e jovem, e não esqueci nada. Então, por que pensamos na mamãe como mãe desde o início? Ela não teve a oportunidade de perseguir seus sonhos, e sozinha, enfrentou tudo o que a época lhe causou, pobreza e tristeza, e ela não podia fazer nada sobre sua péssima situação na vida a não ser sofrer com isso e ir além. e viver sua vida com o melhor de sua capacidade, entregando seu corpo e seu coração a isso completamente. Por que nunca pensei nos sonhos da mamãe? [...] Ou mãe e filha se conhecem muito bem ou são estranhas [...] Se você só faz o que gosta, quem fará o que você não gosta? [...] Só depois que mamãe desapareceu você percebeu que as histórias dela estavam empilhadas dentro de você, em pilhas intermináveis. A vida cotidiana da mãe costumava se repetir, sem interrupção. Suas palavras cotidianas, nas quais você não pensava profundamente e às vezes considerava inúteis quando ela estava com você, despertavam em seu coração, criando maremotos. [...] A vida às vezes é incrivelmente frágil, mas algumas vidas são assustadoramente fortes. [...]. Trechos extraídos da obra Please Look After Mom (Vintage Canada, 2012), da escritora sul-coreana Shin Kyung Sook.

 

DOIS POEMAS - CASA . 1. Uma pessoa que prefere a introspecção à ação e por isso vive em um castelo de sonhos diurnos. 2. Alguém que transforma o inatingível na sua mais pura paixão, não porque a busca pelo inatingível o impeça de alcançar uma vida emocional real, mas precisamente porque o inatingível é o que a nutre. 3. Na arte, alguém que não pertence a um grupo específico, que detesta classificações, que considera qualquer postura uma prisão: como um jogador sem marcação. 3. (fam.) Uma espécie de gênio autista, dedicado a desaprender. II - A nudez é um fruto aberto. Talvez, se um deus segurasse a garota diante do fogo, ele pudesse queimar sua mortalidade. Mas não há deuses nesta paisagem. Há um castelo onde florescem as festas, assim como as batalhas, a noite de asas escuras e a porta dupla que se abre para uma visão interior. Isto não é pouca coisa. A menina avança, e os cabelos que a cobrem a dispensam, por enquanto, de cumprir o mais árduo dos deveres divinos: fazer amor. Mas a caça ao amor, com as suas revoluções lunares e os seus ciclos sanguíneos, o seu encanto e o seu preço, já a persegue. O ventre da escuridão, sem fazer barulho, segue-a rapidamente. A morte não lança sombra. Poemas da escritora argentina María Negroni, autora da frase: O corpo nada mais é do que uma versão mais lenta daquilo que o corpo não é.

 

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aqui. Logo mais, a partir das 21hs, acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá, com apresentação de Meimei Corrêa e com as seguintes atrações na programação: Chico Buarque, Milton Nascimento, Ricardo Machado Sonekka Genésio Cavalcanti, Raphael Veronese, Juareiz Correya, Ivo Hass, Denise Krammer & Cláudio Vilela, Allan Bastos, Carlos Barros & Jana Vasconcellos, Elliott Smith, Banda Zé Guela, Mirianês Zabot, The Sunmeet & muito mais! Veja mais aqui.

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá
Quando? Hoje, terça, 21 de outubro, a partir das 21hs
Onde? No MCLAM 
Apresentação: Meimei Corrêa


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Do que foi pro que é quase nada, Friedrich Nietzsche, Vaughan Williams & Suzanne Valadon aqui.
Coisas do sentir que não pra entender, A República de Cícero, Emil Nolde & Nivian Veloso aqui.
A carta do barbeiro & Leda Catunda aqui.
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Piotr Ouspensky, Marcio Souza, Antonio Vivaldi, Ronald Searle, Adryan Lyne, Ademilde Fonseca & Inezita Barroso, Kim Basinger, A mulher que reina & O Lobisomem Zonzo aqui.
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A cidade das torres & Antônio Cândido aqui.
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Quando a gente vai à luta não adianta trastejar: ou vai ou racha aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Ula... - Art by Ísis Nefelibata
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

    Imagem: Pulsações caósmicas , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Em rota de colisão, a sorte...