Mostrando postagens com marcador Tom Zé.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tom Zé.. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, junho 01, 2020

EDGARD VARÈSE, LYUDMILA TOMOVA, TOM ZÉ, LUCIA HELENA GONDRA & DEMOCRACIAS MORREM


DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: É CADA UMA QUE NEM CONTO – Pois é, chega! Quebrei a caixa, mudei de casca, troquei de pele, juntei os trapos e as mirradas lembranças para saber o que envergonha e o desesperador: apenas o silêncio e a solidão. Tudo que fiz até agora foi em vão, tão inútil quanto saber-me nem cético, nem cínico, apenas que já estava no sangue o louco de nascença atravessando anos de desencontros pelo insólito, para me perder por tão poucos reencontros. É tarde demais, nem sei quantos remorsos, tantas travessias, a vida eclipsada pisando em falso, engolindo mosquitos, tentando me desvencilhar de socos no estômago por escapulidas nem sempre escorregadias. A despeito dos embaraços envelheci desgracioso e desajustado, nada mais, apenas menino pés alados e desajeitado, levado pela corrente ao vento entre pedras e margens da minha desordem e indignação. Queria apenas contar uma historinha simplesmente humana, e em voz alta como uma oração estranha e própria aos que se foram e saudando os vivos, fazer a minha parte, apenas, como se salvasse o planeta do lixo um tantinho assim, feito o beija-flor de Crema: é pouco, mas sou eu, não sou nada. DUAS: APRENDIZ DE FEITICIEIRO, AEQUO AMENOS – Mesmo assim, extenuado dos inúteis esforços diante das inconveniências e misérias, tanto nado contra a corrente e do estresse da normalidade para não ser apenas um código de barras, ou um animal pensante ou sei lá o quê. O normótico é tão desumano e não me basta por ser tão aborrecido e enlouquecedor. Nem ligo pras galhofas se sou um fracassado de Jung, sei que não sou mais estúpido por absoluta falta de espaço, enquanto o grotesco está na esquina e eu encaro em cima da fivela sem sair da raia. Por incrível que pareça, já fiz de tudo tanto por vocação da necessidade em alta voltagem que nem sei mais, só não quero confundir as coisas: sou a favor de tudo que não seja contra o sujeito, apenas. Com os dias contados botei todas as portas abaixo para enfrentar o flagelo das interdições, tudo desapareceu, graças. Mesmo que tenha que aturar a chatura, dou umas risadas esclarecedoras com o GregNews, ou refletindo com o Meteoro e o Normose, ou seguindo o coletivo ciberativistas Sleeping Giants, enquanto vou xexéu assobiando Quintana passarinho. TRÊS: PANTA RHEI – Tudo passa, tudo flui. O assobio segue morros e abismos, quer ser indene e distingue vis-à-vis o que vem do bem e bom, quase premonitório visionário suplantando as nuvens de cocô de alcestes coisonários com seu negacionismo da distopia transnacional e estereótipos ad bestias! Sem nem saber vai arrebentando a anomia catingosa feita de coprólitos e flatulências dos que insistem suplícios nas arenas, ah, ignoro o desprezível com suas tolices letais do cúmulo da parvoíce humana. Ainda ouço a sátira de Bernard Shaw: A democracia é um sistema que faz com que nunca tenhamos um governo melhor do que merecemos. Sorrio e persigo solfejando a Carta à República de Milton e Brant: Quero um país melhor! Se der jeito, ou se quiser, vamos aprumar a conversa, gente! Até mais ver! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Uma das grandes ironias de como as democracias morrem é que a própria defesa da democracia é muitas vezes usada como pretexto para a sua subversão. Aspirantes a autocratas costumam usar crises econômicas, desastres naturais e, sobretudo, ameaças à segurança – guerras, insurreições armadas ou ataques terroristas – para justificar medidas antidemocráticas. [...] Como não há um momento único – nenhum golpe, declaração de lei marcial ou suspensão da Constituição – em que o regime obviamente “ultrapassa o limite” para a ditadura, nada é capaz de disparar os dispositivos de alarme da sociedade. Aqueles que denunciam os abusos do governo podem ser descartados como exagerados ou falsos alarmistas. A erosão da democracia é, para muitos, quase imperceptível. [...] As democracias funcionam melhor – e sobrevivem mais tempo – onde as constituições são reforçadas por normas democráticas não escritas [...] a tolerância mútua, ou o entendimento de que partes concorrentes se aceitem umas às outras como rivais legítimas, e a contenção, ou a ideia de que os políticos devem ser comedidos ao fazerem uso de suas prerrogativas institucionais. Trechos extraídos da obra Como as democracias morrem (Zahar, 2018), dos professores e cientistas políticos estadunidenses, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, realizando uma análise crua e perturbadora do fim das democracias em todo o mundo, comparando o caso de Trump com exemplos históricos de rompimento da democracia nos últimos cem anos, tais como da ascensão de Hitler e Mussolini nos anos 1930 à atual onda populista de extrema-direita na Europa, passando pelas ditaduras militares da América Latina dos anos 1970, fazendo uma alerta: a democracia atualmente não termina com uma ruptura violenta nos moldes de uma revolução ou de um golpe militar; agora, a escalada do autoritarismo se dá com o enfraquecimento lento e constante de instituições críticas – como o judiciário e a imprensa – e a erosão gradual de normas políticas de longa data. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A MÚSICA DE EDGARD VARÈSE
Deve-se pensar em termos de som e não em termos de notas sobre o papel. Minha linguagem é naturalmente atonal ainda que certos temas, certas notas repetidas, à maneira das tônicas, constituam eixos em torno dos quais as massas parecem se aglomerar. Deste modo o desenvolvimento musical cresce pouco à pouco graças à repetição de certos elementos que se apresentam sempre sob diferentes aspectos, e o interesse aumenta graças à oposição dos planos e graças ao movimento das perspectivas. Se os temas reaparecem, eles ocupam sempre uma função distinta num meio novo (os volumes). Quando os novos instrumentos me permitirem escrever música tal como a concebo, os movimentos das massas e o deslocamento dos planos sonoros serão claramente perceptíveis na minha obra e tomarão o lugar do contraponto linear. Eu pessoalmente gosto muito da definição de H. Wronsky: 'A música é a corporificação da inteligência nos sons'.
EDGARD VARÈSE - Trechos extraídos da obra Écrits (C. Bourgeois, 1983), do compositor francês Edgard Varèse (1883-1965), reunidos e apresentados pela professora e musicóloga canadense, Louise Hirbour. O compositor definiu os parâmetros para uma nova ética da pesquisa musical, com o rigor da firmeza artística desligada de teorias apriorísticas, com o propósito visionário de referência do estado de inquietude.
&
A DEMOCRACIA DE TOM ZÉ
Democracia que me engana / na gana que tenho dela / cigana ela se revela, aiê; / democracia que anda nua / atua quando me ouso / amua quando repouso. / É o demo o demo a demo / é a democracia / é o demo o demo a demo / é a democracia. / Democracia, me abraça / com tua graça me atira / desfaz esta covardia, aiê; / democracia não me fere / mira aqui no meio / atira no meu receio. / Democracia que escorrega / na regra não se pendura / na trégua não se segura, aiô; / democracia pois me fere / e atira-me bem no meio / daquilo que mais eu mais receio. / Democracia, não me deixe / sou peixe que fora d'água / se queixa, morre de mágoa, aiê; / democracia não se dita / maldita seja se dura, / palpita pela doçura.
Democracia, do álbum No Jardim da Política (1984), parceira de Tom Zé e Vicente Barreto. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
No meu trabalho, mesclo elementos abstratos e realistas para criar clima, movimento e uma impressão do mundo ao nosso redor e dentro de nós. Minhas pinceladas estão se movendo, empurrando, emergindo e esmagando, mas nunca estão quietas e quietas. No meu trabalho recente, eu pintei o estilo alla prima, acrescentando espontaneidade, ousadia e elegância de uma só vez. Eu pinto contando histórias mágicas e evocando emoções complexas.
LYUDMILA TOMOVA – A arte da premiada pintora, ilustradora e designer editorial búlgara Lyudmila Tomova, que estudou realismo clássico na Academia de Belas Artes de Sofia e mais tarde na FIT em Nova York, onde estudou ilustração, além de sua experiência artística diversificada há mais de 20 anos. Veja mais aqui e aqui. E mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A arte da pianista e compositora Lucia Helena Gondra, autora de frevos como Riso largado no passo rasgado, Vou de reboque, Os bordões, entre outros sambas, choros e frevos de blocos.
&
A música do pianista, maestro e compositor Marlos Nobre aqui.
Outro sol se levanta, do escrito Pelópidas Soares (1922 – 2007) aqui.
Rio Una: poemas, do poeta, jornalista, economista e folclorista Jayme Griz (1900-1981) aqui.
A realidade social da ficção, do sociólogo Sebastião Vila Nova aqui.
A arte da fotógrafa, artista visual e pesquisadora Ana Lira aqui.
&
A Praieira em Água Preta aqui.


quarta-feira, outubro 11, 2017

KAFKA, COCTEAU, FOUCAULT, DELEUZE & GUATTARI, TANUSSI CARDOSO & MARGARET DYER

UMA COISA E OUTRA MAIS – Imagem: art by Margaret Dyer - Sou vivo e estou espontâneo andejo. Nada me faz melhor que outros, nenhum privilégio. Por que haveria de ser melhor? Não há pra quê. A única distinção: eu os vejo e eles nem ninguém a mim. A chuva molha o meu corpo e dela vejo o contorno dos seios nus colados na blusa, água na boca, imã nas mãos do que sou nela a calça apertada nas coxas estufando o ventre saboroso que é dela pra mim e vou como quem é premiado pelo amor maior. O Sol brilha para todos e esquenta a minha pele que deseja a dela bronzeada em tons de rosa, pra que eu tenha o pomar e seja seu jardineiro e possa seguir na tarde por dias infindos e teimar no dia que não sou melhor que ninguém, apenas dela e pra ela. Mais que nunca a noite dela fosse a lua ao alcance da mão no nosso céu estrelado de todas as alvoradas e crepúsculos, no meio do caminho entre ela e eu o hálito das rosas dela, a parte que me cabe do que vem antes ou depois do amor, despedidas, acenos, quão longe tivera ido dentro dela para ser-me e ao que me dou de prazer nela. De longe ouço as malsinações: rumores plangentes de coisas e nada: escarcéu de misérias, turba de insurretos. Não temo, todos temem entre céus e infernos, prospectados e ejaculados, os gritos dos desejos, as lamentações dos quereres não alcançados, frustrações, lamúrias, exacerbações. Ninguém mais sabe o que é justo nem justiça, não se sabe o que é direito, só o prazer do umbigo e todos que se danem com suas olheiras e clausuras. Passo ao largo tudo isso, ela é o meu olhar e direção, nada além do que me seduz o olhar pedinte e lânguido, o ombro requerente que vai dar nos seus seios nus, o ventre em brasa pronto pra me incendiar, as coxas de tocaia pronta nas pernas pros botes e me aprisionar no que dela será todo meu e poder romper seus limites e os meus além dos seus quadris enfeitiçadores, além do seu dorso nu a me servir de guarida e possessão, além dos seus cabelos aos ventos que me aprisionam Medusa de todos os seus redutos e presságios, além das suas mãos firmes agarradas ao meu membro viril e à minha carne toda exposta ao seu apetite para servi-la do que possa ter a me dar em troco muito mais que o esperado. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do cantor e compositor Tom Zé: Todos os olhos, Com defeito de fabricação & Canções eróticas de ninar; da pianista Sonia Maria Vieira: Sonatas de Ricardo Tacuchian, Mizael Domingues & Sugestões poéticas de Guerra Peixe; do tecladista e compositor japonês Isao Tomita (1932-2016): The Ravel Album, Concert de Aranjuez, The Planets & The Bermuda Triangle; e da violonista Cristina Azuma: Sonhos latinos, Contatos, É de lei, Álbum & Santiago de Murcia a Portrait. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Penso efetivamente que não há um sujeito soberano, fundador, uma forma universal de sujeito que poderíamos encontrar em todos os lugares. Sou muito cético e hostil em relação a essa concepção do sujeito. Penso, pelo contrário, que o sujeito se constitui através de práticas de liberação, de liberdade, como na Antigüidade – a partir, obviamente, de um certo número de regras, de estilos, de convenções que podemos encontrar no meio cultural. [...]. Trecho de Uma estética da existência, extraído da obra Ditos e escritos: ética, sexualidade, política (Forense Universitária, 2004), do filósofo, historiador, filólogo, teórico social e crítico literário francês Michel Foucault (1926-1984). Veja mais aqui, aqui e aqui.

LITERATURA & SOLIDARIEDADE – [...] Uma literatura menor não é a de uma língua menor, mas antes a que uma minoria faz em uma língua maior. No entanto, a primeira característica é, de qualquer modo, que a língua aí é modificada por um forte coeficiente de desterritorialização. [...] Mas sobretudo, ainda mais porque a consciência coletiva ou nacional está "sempre inativa na vida exterior e sempre em vias de desagregação", é a literatura que se encontra encarregada positivamente desse papel e dessa função de enunciação coletiva, e mesmo revolucionária: é a literatura que produz uma solidariedade ativa, apesar do ceticismo; e se o escritor está à margem ou afastado de sua frágil comunidade, essa situação o coloca ainda mais em condição de exprimir uma outra comunidade potencial, de forjar os meios de uma outra consciência e de uma outra sensibilidade. [...]. Trechos da obra Kafka: por uma literatura menor (Imago, 1977), do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995) e do filósofo, psicanalista e militante revolucionário francês Félix Guattari (1930-1992). Veja mais aqui e aqui.

OS SONHOS DE KAFKA - Escrever uma autobiografia me daria grande prazer, pois seria tão fácil quanto anotar sonhos. [...] Há momentos em que, falando ou ditando, durmo melhor do que sonhando [...] Mas o verdadeiro espólio só se encontra nas profundezas da noite, na segunda, terceira, quarta hora [...] Na penúltima ou antepenúltima noite sonhei com dentes sem parar: não com dentes alinhados na dentadura, mas formando uma massa, é isso, dentes encaixados como em brinquedos para criança montar, e que eram guiados por meus maxilares num movimento corrediço. [...]. Trechos extraídos da obra Sonhos (Iluminura, 2003), do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924). Veja mais aqui, aqui e aqui.

O TESTAMENTO DE ORPHEU - Você tem certeza de não ter fugido voluntariamente para fundir essas personalidades que dividem vocês e porque o incomoda vocês serem dois? Vocês não estavam tentados em formar apenas uma personalidade, ao serviço da extravagância desse homem, igualmente duplo, seu pai verdadeiro e seu pai adotivo? Trecho do filme O Testamento de Orfeu (Le Testament d’Orphée, ou ne me demandez pourquoi! - 1960), do poeta, cineasta, designer, dramaturgo, romancista, ator e encenador francês Jean Cocteau (1889-1963), que afirma que: O ser humano procura no mito uma forma de fugir de si mesmo. E para tal utiliza-se de todas as formas. Drogas, álcool ou mentira. Incapaz como é de adentrar em si mesmo, o ser humano se disfarça. As mentiras e as imprecisões lhe proporcionam alguns minutos de alívio, o mesmo conforto provocado por um baile de máscaras. Desta forma, destaca-se daquilo que sente e daquilo que vê. Inventa. Disfarça. Mitifica. Cria. Congratula-se por definir-se artista, imita em escala reduzida os pintores que, igualmente, acusa de serem loucos. Veja mais aqui.

CARTA ABERTA AOS BRUXOS
Estou em paz, amor
Como os bruxos costumam estar
Se te disser que estou triste ou alegre
Será apenas detalhes de uma lâmina que corta
Será apenas o fio da faca
Que enfeita faces para ceifar:
Palavras restando inúteis querendo sangrar
Absolutamente te digo:
Não estou alegre nem triste – estou em paz
Que é o outro lado do eclipse
Que não vejo
Mas que sutilmente, amor,
Posso tocar.
Poema do livro Viagem em torno de (Sette Letras, 2000), do poeta Tanussi Cardoso. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais:
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Margaret Dyer.
Veja mais aqui.
 

quinta-feira, março 07, 2013

ROSA MONTERO, LUCRETIA MOTT, DOREEN MASSEY, ALEKSIS KIVI, ADORNO & ABACAXI

 


O FRUTO COROADO DA BROMÉLIA, A PINA DOS 100 OLHOS – Que abacaxi é esse, hem! Ah, vou contar: a bromélia tem mais de três mil irmãs, todas bonitas ao seu modo e jeito. A primeira foi a Piña, presente dado pelos nativos da ilha de Guadalupe, no mar das Antilhas, ao forasteiro Cristóvão Colombo, que aportava da sua segunda viagem por aquelas bandas. A outra, a Karatas, caiu nas graças dum explorador francês no século XVII, um tal Charles que era Plumier. E este, por causa dum botânico chamado de Olav Bromel, mudou o nome dela para bromélia. Ah, tem a africana Pitcairnia Feliciana, lá em Guiné. E a maior delas está num povoado do Altiplano Andino, distante somente uns oitenta quilômetros de La Paz. É a Puya raimondii Harms, uma grandona duns 14 metros de altura, com mais de cem anos e uma inflorescência de seis metros ou mais, que se encontra no povoado de Comanche, do aymara: pedra lisa. Quando madura ela emite um pendão altíssimo, com milhares de flores, e morre queimando sozinha, de dentro pra fora. No Brasil ela tem vasta titulatura, sendo conhecida como carauá, caraguatá, carandá e caraguá, influenciando nomes de algumas cidades, como Caraguatatuba, Gravataí. Afinal, bromélia que se preze tem um fruto coroado, senão não vale nada! Sabe da Pina... Ah, a que Colombo quando viu chamou de Piña! Não, a menina que era muito bonita, porém, egoísta e preguiçosa. Não ajudava nos afazeres domésticos. Um dia, sua mãe e irmãs estavam doentes e ela recusou-se ao serviço caseiro. Irritada com isso a mãe rogou-lhe uma praga: que ganhasse cem olhos para ver o tratamento que dispensava aos parentes.  No dia seguinte ela desapareceu e, meses depois de muita procura, foi encontrada, de pé e plantada no chão com os cem olhos, conforme os desejos maternos. Será o Ananás! Na colina da Guia do jardim de Macau há um poço. Pela redondeza vive um ferreiro muito pobre na Travessa dos Diabinhos que pede ajuda todo santo dia aos vizinhos porque precisava sustentar sua esposa e filhos. Um dia ele ganhou do vizinho três sacas de arroz e ficou muito feliz. E foi só. Passaram os dias e ele resolveu ir à cidade e só voltaria quando juntasse dinheiro. Foi ao bairro mais rico do lugar e o pedinte não arranjou nada. Sem coragem de voltar com as mãos abanando decidiu ficar na rua. Começou, então a chover de repente. Abrigou-se e uma senhora deu-lhe uma manta velha para se cobrir. Ele agradeceu e se dirigiu até o jardim. Lá as ramagens das arvores e folhas bailavam e ele com os ossos enregelados, perseguia sua caminhada cambaleante de sono e sem ter pra onde ir. Foi então que sentiu o cheiro de ananás, mas não havia plantação ao redor, nem era época. Questionou-se sonhar ou mesmo delirar de faminto. Perscrutou e percebeu que o aroma vinha do poço. Já amanhecia, descalçou-se e foi até o fundo do poço que estava seco e dava pruma caverna. Dentro dela, ananases. Pegou um dos maiores, enrolou na manta e voltou a subir para o rebordo do poço. Agradeceu e seguiu para casa. No dia seguinte lá voltou e colheu outro para vender no mercado. Assim feito, voltou pra casa, abraçou a esposa e os filhos. Ela, então, fez-lhe um pedido: Não vá mais embora. Ele então comentou que tinha um segredo que resolveria os problemas, prometendo sair de manhã para trabalhar e logo regressar ao final do dia. Segredo? Sim. E assim foi por vários dias, até o momento que ao sair do poço deu de cara com um rapaz cheio de perguntas. Não sabia mentir e contou. Não era a época do fruto, mas assegurou que se reproduzia todos os dias. Quero ver! Ao descerem o rapaz caiu desamparado. Ele preocupou-se e não obteve resposta, desceu e chegando lá, não havia plantas mágicas, o rapaz foi encontrado sem vida. A família do rapaz caiu em prantos quando soube, condenando que havia um espírito mau no poço. Então tamparam e junto do poço emergiu uma lápide de pedra com dois ananases e duas tíbias cruzadas. Foi aí que ele percebeu que não deveria ter revelado o segredo. Tem outra: Um dia uma princesa muito doce e perfumada declarou seu amor pro guerreiro mais forte, mas ele a rejeitou. Então, a princesa decidiu que não se casaria com mais ninguém e encomendou uma roupa para afastar qualquer pretendente que aparecesse. Coberta de espinhos, ela pôs sua coroa e desapareceu na mata. Mais tarde, naquele lugar surgiu um doce e perfumado fruto. Mas não é fruta! Nem o morango e o figo, também não. Que droga é nove, então? Os tupis chamavam de yvá kati. E dele tem o vermelho espanhol do Caribe, o Smooth Cayenne do Havaí, o Monte Lírio, o Roja Espanola, o Rondon, o de Cingapura, o Cabezona, o Montufar, o James Queen, o Ripley, o Espanhola, o Baron, o Maipure, o Cayena lisa, o Brechechem, o Burmanguês, o Champaka, o Masmerah, o Valera, o da Maurícia, o PR 1-67, o Pernambucano, o Perolera e, como o africano, tem o rainha que também é estrangeiro e cultivado na Austrália e na África. Eita! Pros portugueses é o rei dos frutos e pode ser degustado aos pedaços, em fatias, ou como petisco, bem como na salada com hortelã. E é bom? Além de gostoso previne gripes e resfriados, saúde óssea, absorve o ferro, alivia dores, ajuda na digestão das proteínas e na prevenção de doenças, como o câncer, doenças cardíacas. inchaços e dores musculares; evita fadiga, fortalece as células de defesa do organismo por causa da vitamica C, e traz benefícios pro sexo. Mesmo? Pode não ser, mas há quem diga que é afrodisíaco... sim, na horagá: açucara a vagina, sêmen adocicado – umas mocinhas mais atiradas de sapecas dizem que o cara tem a rola doce por isso, elas que o digam. E se tomar com romã vira um poderoso estimulante. Rapaz! E a casca? O chá da casca, quente ou frio, é uma infusão: bote litro e meio de água numa vasilha, junte as cascas com cinco cravos, um pau de canela e dez folhas de hortelã. Pronto. Depois é só tomar que é um santo remédio! Previne doenças dos ossos e é um anti-inflamatório porreta! Num diga! Ah, melhor mesmo é o aluá ou aruá que também é feito da casca – o nome é derivado do aloá dos índios do alto Velho Chico, uma bebida fermentada e espumante, preparada em grandes talhas de barro e depositados na igaçaba ou no Camocim; ou mesmo do luá dos negros Aussás, da Costa do Marfim. Maior birinaite! É bronca! Ah, o maior buruçú! Nada. No canto XII e na estrofe XLIII do poema Caramuru, Santa Rita Durão o louva: He o Regio Ananas, fruta táo boa,... Que a mefma \ Natureza namorada... Quiz como rei cingilla da \ coroa:...Táo grato cheiro dá, que huma \ talhada....Surprende o olfato de qualquer peffoa;...\ Que a náo ter do Ananas diftincto avilo,... Fragrancia \ a cuidará do Paraifo... E eu vou entoando o de Irará de Tom Zé: ... Moça emperrada namora \ E o noivo não quer casar \ Se apega ao bom Santo Antônio \ E o noivo este ano ainda vai pensar... \ Falou véio \ Dá um chá de abacaxi \ De Irará \ Que é pro noivo se animar \ Falou véio \ Dá um chá de abacaxi \ De Irará... Tem mais: tá lá no vocabulário do seuPereira: Vôte, esse não é lá muito bom no rastapé! Ouviu-se muito na campanha abolicionista: Oxe, o Tuim ou fugiu ou foi mandado pras terras do cabeça-chata! Mas pelo que se sabe veio mesmo do Maranhão, pelas mãos do doutor naturalista, Arruda Câmara, lá pras bandas de Goiana. Dizem que é um ribeiro lá das bandas do distrito da Vila de Borba, como falou um certo seu Milliel de não sei lá das quantas – na verdade Saint’Adolphe que não era santo nem nada. Se é duma aldeia do Xingu ou afluente amazônico, ninguém sabe mesmo se foi o fruto que deu nome a tribo ou o contrário. O que se sabe, de mesmo, é que é do Tupi: iba, caxi. E é cultuado pelos guaranis do Paraguai, mas não é falso não. Expliquei amiúde o significado da encrenca e no Terceiro Ato dos Manuscritos do Caderno, Novela Instantânea. Já descascou! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - O mundo nunca viu uma nação verdadeiramente grande e virtuosa porque, na degradação das mulheres, as próprias fontes da vida são envenenadas em sua fonte. Cresci tão profundamente imbuída dos direitos das mulheres que essa foi a questão mais importante da minha vida desde muito cedo. Pensamento da ativista Quaker estadunidense Lucretia Mott (1793-1880), defensora antiescravagista e ativista dos direitos da mulher.

 

ALGUÉM FALOU - Para mim, os lugares são articulações de relações 'naturais' e sociais, relações que não estão totalmente contidas no próprio lugar. Então, primeiro, os lugares não são fechados ou limitados – o que, politicamente, abre caminho para críticas à exclusividade. Em segundo lugar, os lugares não são 'dados' - eles estão sempre em um processo aberto. Eles são, nesse sentido, "eventos". Em terceiro lugar, eles e sua identidade sempre serão contestados (quase poderíamos falar sobre lutas locais pela hegemonia). Se o tempo é a dimensão da mudança, então o espaço é a dimensão da diferença coexistente. E isso é tanto uma fonte de nutrição (algo que os gurus da globalização parecem ter renunciado) quanto um desafio (como negociar a diferença, como lidar com a desigualdade e assim por diante). Pensamento da geógrafa e ativista política britânica Doreen Massey (1944-2016).

 

O REI TRANSPARENTE – [...] Quero dizer que nunca ninguém ganhou uma luta denfendendo-se. Para vencer, é preciso atacar. [...] Todos estes livros, reparo, estão a mudar-me por dentro. Eu não podia imaginar que isto de ler era como viver. [...]. Trechos extraídos da obra Historia del rey transparente (Alfaguara, 2005), da escritora e jornalista espanhola Rosa Montero, que em outra obra, Histórias de Mulheres (Nova Fronteira, 2008) expressa que: [...] Talvez todos tenhamos dentro de nós o nosso próprio perseguidor; talvez ele acabe sempre por nos apanhar; talvez saber isto e não nos assustarmos seja o próprio segredo da existência [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

A TERRA FINLANDESA - I - Adormecer em seu abraço, Terra dos nossos sonhos, que felicidade, ó você, nosso berço, você, nosso túmulo, Você, a nova esperança que sempre desejamos, Península tão bonita, Finlândia para sempre! II - O que é aquela terra de colinas e vales Que é tão bela, A terra que brilha com os dias de verão, A terra com as luzes do norte acesas, Cuja beleza todas as estações compartilham, O que é essa terra tão bela? Lá muitos milhares de lagos são brilhantes Com estrelas cintilantes à noite Lá muitos kanteles ressoam E por toda parte fazem as encostas cantar E na charneca dourada ressoam os abetos: Essa é a terra finlandesa. III - Bosque de Tuoni, bosque da noite! Lá teu leito de areia é leve. Para lá, meu bebê, eu levo. Alegria e alegria cada longa hora rende Nos campos do Príncipe de Tuoni Cuidando do gado Tuonela. Alegria e alegria meu bebê conhecerá, Embalado para dormir no brilho da noite Pela donzela pálida de Tuonela. Certamente horas de alegria durarão, Deitado em teu berço de ouro, Ouvindo o canto do nightjar. Bosque de Tuoni, bosque de paz! Ali cessam todas as lutas e paixões. Distante do mundo traiçoeiro. Poemas do escritor e dramaturgo finlandes Aleksis Kivi (1834-1872).

 



THEODOR ADORNO (1903-1969) – Filósofo e musicólo alemão,Theodor Wiesengrund Adorno nasceu em Frakfurt, em 1903, e morreu na Suiça, em 1969. Um dos filósofos de maior influencia sobre a sociedade européia e norte-americana na década de 60, foi ainda agudo critico musical, defendendo o dodecafonismo de Schonberg e Webern contra o neoclassicismo de Stravinski. Juntamente com Walter Benjamim, Max Horkeheimer, Herbet Marcuse e Siegfried Kracauer formou o chamado Instituto de Frankfurt. O grupo trabalhou no Instituto de Pesquisas Sociais e na revista Arquivo para a História do Socialismo e do Movimento Operário. Em Viena, Adorno estudou música, especialmente composição, com Alban Berg e escreveu uma tese sobre Kierkgaard. A ascensão de Hitler ao poder levou Adorno a exilar-se na Inglaterra em 1933. Em 1937 mudou-se para os Estados Unidos, onde integrou o grupo encarregado de fazer pesquisas sociais, o qual haveria de iniciar a elaboração de um trabalho sobre o autoritarismo. Em 1950, Adorno retorna à Alemanha e, juntamente com Max Horkheimer, reconstitui o Instituto de Frankfurt. Os dois e Samuel Flowerman publicam a obra clássica A personalidade autoritária, em 1950. Adorno é considerado um dos mais importantes críticos de meados do sec. XX. Interessou-se pelos aspectos sociais da arte, especialmente a sociologia da música, tendo abordado, ainda, questões sobre a sociedade de consumo. Defendeu um novo método dialético, em parte hegeliano, em parte marxista, de modo que seus críticos mais radicais, especialmente entre os estudantes, o combateram como revisionista.
Através da Escola de Frankfurt, a análise e compreensão da comunicação é discutida de maneira objetiva, fazendo entender que todo processo de dominação, manipulação saiu da esfera física, biológica para o universo psiquico controlando consciências. Entre os principais conceitos elaborados pela Escola de Frankfurt estão o da industria cultural que é o nome genérico que se dá ao conjunto de empresas e instituições cuja principal atividade econômica é a produção de cultura, com fins lucrativos e mercantis. No sistema de produção cultural encaixam-se a TV, o rádio, jornais, revistas, ect; que são elaborados de forma a aumentar o consumo, modificar hábitos, educar, informar, podendo pretender ainda, em alguns casos, ter a capacidade de atingir a sociedade como um todo.
O conceito de cultura de massas elaborado pela escola, é conseqüência das tecnologias de comunicação aparecidas no século XX, e das circunstâncias geopolíticas configuradas na mesma época, a cultura de massa desenvolveu-se a ponto de ofuscar os outros tipos de cultura anteriores e alternativos a ela.A chegada da cultura de massa, porém, acaba submetendo as demais "culturas" a um projeto comum e homogêneo — ou pelo menos pretende essa submissão. Por ser produto de uma indústria de porte internacional (e, mais tarde, global), a cultura elaborada pelos vários veículos então surgentes esteve sempre ligada intrinsecamente ao poder econômico do capital industrial e financeiro. A massificação cultural, para melhor servir esse capital, requereu a repressão às demais formas de cultura — de forma que os valores apreciados passassem a ser apenas os compartilhados pela massa.O que a indústria cultural percebeu mais tarde (e Adorno constatou, pessimista), é que ela possuía a capacidade de absorver em si os antagonismos e propostas críticas, em vez de combatê-los. Desta forma, sim, a cultura de massa alcançaria a hegemonia: elevando ao seu próprio nível de difusão e exaustão qualquer manifestação cultural, e assim tornando-a efemêra e desvalorizada.
O conceito de reprodutibilidade técnica da obra de arte, possibilitada com os avanços tecnológicos consolidados na atualidade, gerou novas formas de encarar a arte, tanto do ponto de vista do espectador, quanto do criador. Conforme Walter Benjamin, pensador da Escola de Frankfurt, essa possibilidade "multiplicativa fere os valores que convertiam, até agora, a obra numa espécie de sucedâneo de uma experiência religiosa". A arte seria suportada por 3 elementos: aura, valor cultural e autenticidade. Esses três valores geravam a noção de beleza sobre a qual a estética clássica repousava.
O conceito de teoria crítica é uma teoria sociológica que se contrapõe aos conceitos da Teoria funcionalista. A Teoria crítica tem seu início a partir de 1923, com a fundação do Instituto de Pesquisa Social, que ficou mundialmente conhecido como Escola de Frankfurt.Um dos principais objetivos do Instituto era o de explicar, historicamente, como se dá a organização dos trabalhadores. Entretanto, os pressupostos teóricos da Escola de Frankfurt se estenderam à diversas áreas das relações sociais, entre elas a Comunicação Social. A teoria parte do princípio de uma crítica ao caráter cientificista da ciência, ou seja, crítica à base de dados empíricos e a administração destes dados para explicar os fenômenos sociais (crítica ao funcionalismo). A preocupação, pautada pela organização dos trabalhadores, está centrada, principalmente, em entender a cultura como elemento de transformação da sociedade. Neste sentido, a Teoria Crítica utiliza-se de pressupostos do Marxismo para explicar o funcionamento da sociedade e a formação de classes, e da Psicanálise para explicar a formação do indivíduo, enquanto elemento que compõe o corpo social. Esta postura se fortalece, principalmente, com o Nazismo e o Fascismo na Europa. Um dos principais questionamentos se dava no sentido de entender como os indivíduos se tornavam insensíveis à dor do autoritarismo, negando a sua própria condição de indivíduo ativo no corpo social.
O conceito de comunicação social é um campo de conhecimento acadêmico que estuda a comunicação humana em sociedade. Entre as subdisciplinas da comunicação, incluem-se a teoria da informação, comunicação intrapessoal, comunicação interpessoal, marketing, propaganda, relações públicas, análise do discurso, telecomunicações e Jornalismo. A comunicação é um processo que envolve a troca de informações, e utiliza os sistemas simbólicos como suporte para este fim. O estudo da Comunicação é amplo, e sua aplicação é ainda maior. Para a Semiótica o ato de comunicar é a materialização do pensamento/sentimento em signos conhecidos pelas partes envolvidas. Estes símbolos são então transmitidos e reinterpretadas pelo receptor.
O PENSAMENTO DE ADORNO - Embora devendo a maior parte de suas reflexões a Benjamin, Adorno acreditava que passou despercebido àquele que a técnica se define em dois níveis: primeiro "enquanto qualquer coisa determinada intra-esteticamente" e, segundo, "enquanto desenvolvimento exterior às obras de arte". Para ele, ao visarem à produção em série, à homogeneização e as técnicas de reprodução, eles acabavam com aquilo que tornava aquela "peça", uma obra de arte e, por conseguinte, a técnica começa a exercer uma força tão grande na sociedade mostrando que quem gerencia as obras são aqueles economicamente mais fortes dentro desse grupo. Enquanto negócios, seus fins comerciais são realizados por meio metódico e programada exploração de bens considerados culturais. Tal exploração Adorno chamava de "indústria cultural".
Há cinqüenta e dois anos, Adorno formulou o conceitos de indústria cultural, que hoje permanece entre os homens e a cultura. Atualmente o melhor sinônimo para a indústria cultural é a globalização, pois foi à mesma que acelerou o processo de capitalização, iniciado desde a pré-história até a atualidade. Hoje a globalização transforma as relações e influencia o mundo contemporâneo. A globalização intervém e transforma a vida da sociedade, extrapola os limites físicos, além de transformar as representações culturais. O ideário da burguesia nos séculos XVII e XVIII, que tinha a formação como meio de purificação do homem ,como cultivo do espírito, como condição para elevação do homem, em substratos políticos , éticos, com objetivo de integração social, de construção de cidadania, que visava a formação de indivíduos livres e igualitários assim como Adorno "a formação devia ser aquela que dissesse respeito, de uma maneira pura como seu próprio espírito, ao indivíduo livre e radicado em sua própria consciência, ainda que não tivesse deixado de atuar na sociedade e sublimasse seus impulsos.A formação era tida como condição implícita a uma sociedade autônoma: quando mais lúcido o singular, mais lúcido o todo ." [1] Porém,o mesmo não corresponde ao ideário de formação da educação contemporânea.Este foi se degenerando, a própria burguesia revolucionária passou a ser uma burguesia contra-revolucionária, a burguesia do século XX visa à formação voltada aos interesses particulares, ideológicos, políticos e econômicos.Onde a escola como papel principal para a difusão da mesma,contribui para uma educação mercantilista, formadora de indivíduos acríticos, alienados da sua própria condição de cidadão.
Theodor Adorno mostra que a arte é a última barreira, a "reserva ecológica" da sociedade, a esperança para que a massa saia desse mundo alienador. Conseguimos perceberna arte momentos críticos que leva o ser a entender o real nos seus múltiplos aspectos. No desenvolvimento histórico do homem, ou o processo de humanização, que Adorno caracteriza como progresso da civilização, o homem cria melhores condições com os avanços tecnológicos, mas à medida que se humaniza, utiliza-se desses novos recursos para "dominar", cometer atrocidades contra a própria espécie, há um retrocesso que é anticivilizatório ou desumano.
No que tange à educação para a cultura, Adorno adota o sentido de desenvolver a autoconsciência, ele fez sérias criticas sobre os rumos que a educação estava tomando, se colocando a serviço do poder econômico. Apesar dele reconhecer que a escola exerce seu papel como socializadora, adaptadora e transformadora, defende que a educação não deve moldar os indivíduos aos interesses do sistema econômico. Adverte que no pós-guerra a educação estava prestando um serviço no sentido de adaptar o homem transmitindo novos conceitos morais buscando transformar a sociedade conseqüentemente fugindo da sua realidade. Ele defende a educação como libertadora, sendo capaz de tornar o individuo consciente da realidade social na qual ele está inserido, despertando por meio deste conhecimento sua consciência crítica e conseqüentemente a emancipação em busca das mudanças na sociedade. Nesta perspectiva a educação age como instrumento de conscientização e mediação entre o homem e sociedade, contribuindo para seu desenvolvimento. Com isso, a educação deve, simultaneamente, evitar a barbárie e buscar a emancipação humana. Ele questiona a educação autoritária e pensa uma educação emancipatória, mas, ao não apresentar um projeto de transformação social global, deixa de lado uma compreensão da totalidade da sociedade repressiva e realiza um isolamento do processo educacional, atribuindo a ele um papel transformador que dificilmente pode realizar isoladamente.
Segundo Adorno a organização da sociedade impõem dificuldades, se a cultura forma na ordem da dominação, forma deformando por negar a diferenciação. Para ele, o que nos impulsiona a buscar a segurança e lutar pela sobrevivência é o medo da morte, desde os primitivos. As formas de organização social devem proporcionar meios para a elaboração desse medo, assim negam as diferenças e a cisão entre homens e sociedade é intensificada.
Por fim, Adorno criticou o otimismo de Walter Benjamin sobre o poder revolucionário do cinema, pois acreditava que ele não discutia o antagonismo existente no interior da técnica. Discutiu também a indústria cultural como portadora da ideologia dominante e comprometida em determinar o consumo. Veja mais aqui, aquiaqui.

BIBLIOGRAFIA
Adorno, T.W . 1995. Educação e Emancipação, Rio de Janeiro, Paz e Terra.
_____. A indústria Cultural. In COHN, G. Comunicação e Indústria Cultural. São Paulo: TA Queiroz, 1995.
_____. Teoria da semicultura.Educação e Sociedade.nº 56,1996.
_____. Teoria Estética. Lisboa/Portugal, Edições 70, 1970.
ARANTES, Paulo Eduardo. Os Pensadores. Benjamin, Habermas, Horkheimer, Adorno. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
ASSOUN, Paul-Laurent. A Escola de Frankfurt. Ática, 1991.




Veja mais sobre:
Convite no Crônica de amor por ela, Zygmunt Bauman, Sérgio Porto, Friedrich Hölderlin, Oswald de Andrade, George Gershwin, Anaïs Nin, Kiri Te Kanawa, Lucélia Santos, Pedro Almodóvar, Parmigiano, Penélope Cruz Sanchez, Sumi Jo & Luciah Lopez aqui.

E mais:
Marie Curie & Todo dia é dia da mulher aqui.
Beethoven, Eric Kandel, Hermeto Pascoal, Linda Lovelace & Nina Kozoriz aqui.
Hypatia, Mary Calkins, Oswald de Andrade, Parmigiano, Stanislaw Ponte Preta & Geraldo Azevedo aqui.
Dicionário Tataritaritatá aqui.
Galdino vive aqui.
A psicologia, os adolescentes & as DST/AIDS aqui.
Proezas do Biritoaldo: quando o balde tá entupido, a topada leva a merda pro ventilador aqui.
O vexame da maior presepada aqui.
Espera aqui.
Lavratura aqui.
A solidão de Toulouse aqui.
A lágrima de Neruda aqui.
Poema em voz alta aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!!!!
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.

SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...