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quarta-feira, novembro 22, 2017

OSWALD, FOUCAULT, ELIANE ELIAS, WHITEHEAD, FESTIVAL ARTE NA USINA, GRIMM, TERRA CHAPMAN, AGLAURA CATÃO & SÃO JOAQUIM DO MONTE

A MÚSICA É DELA – Imagem: art by Terra Chapman. - Lá vem ela cabelo ao vento com sua chuva de verão e ilha de Gauguin a embalar meus sonhos nascidos dos abismos, a me fazer Orfeu esculpindo música no seu ser. Vem com seus olhos de esfinge numa avalanche de beijos para que eu me molhe na tempestade da sua entrega, minha anfitriã da música que é dela ao desabotoar a blusa e me mostrar a fera esguia que faz do seu corpo o meu assombradado, casa de muitos lugares para eu me arranchar como quiser e aprouver. É na música de sua carne que percorro suas avenidas e vou de uma a outra de suas ruas para beber o dia no seu ventre porque é meu abrigo e encantado a lamber suas siuosidades e sorver suas bordas lúbricas, seus contornos deleitosos, seu lascivo tatear a remover pedras e areia do que sou e nem tenho mais. A música é dela para me dar e se doando se cala sobre o meu falo por suas entranhas de vulcão movente e propício à mão que não se detém e dou fé da sua nudez que mastigo a soberania da fonte de mel silvestre no gozo de não sei quantas reencarnações vida afora e toco sua pele e ela é minha lira e me aposso de suas raízes expostas, abro suas coxas até ver-lhe o átrio para o fervedouro das minhas libações nos seus quadris que se fazem viola pro meu canto quando ela é a medusa que me enrijece o sexo entre as pernas com circunvoluções e não me escapa o seu dorso nu como meu piano para recolher a canção no fogo da dança do seu ser e eu sob a sua sobre ela e suas curvas pra gruta áurea na relva úmida, meus dedos mergulhados por entre suas amarras às minhas epifanias e sua língua no pêndulo do prazer a rastejar acordes, a decifrar tons no meu diapasão pro combate que é pacífico porque o que se quer é o mesmo que de mim pra ela e dela pra mim. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.  Veja mais aquiaqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a premiada pianista e cantora Eliane Elias, reunindo seus álbuns Made in Brazil (2015), Swept Away (2012), Light My Fire (2011), Bossa Nova Stories (2008), Brazilian Classics (2003), Sings Jobim (1998) e apresentações ao vivo em Festivais de Jazz. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] um moleiro pobre havia morrido, deixando o moinho para seu filho mais velho, um sno para o segundo e apenas um gato para o terceiro. Nem um tabelião bem um advogado foram chamados. Eles teriam devorado o pobre patrimônio. [...]. Trecho extraído da obra O gato de botas (Kuarup, 1987), dos Irmãos Grimm. Veja mais aqui.

EDUCAÇÃO & SABEDORIA -  [...] O perimeiro passo da sabedoria consiste em reconhecer que os principais avanços da civilização representam processos que quase destroem as sociedades em que ocorrem. Pensamento do filósofo e matemático britânico Alfred Whitehead, fundandor da filosofia do processo e autor da obra Os fins da educação e outros ensaios (Nacional/Edusp, 1969), da qual recolhemos o seguinte excerto: [...] A educação é a aquisição da arte da utilização do conhecimento. Esta arte é muito difícil de comunicar. Sempre que um livro de real valor educativo é escrito, é certo e sabido que um crítico virá dizer que é difícil de ensinar através dele. Claro que será difícil ensinar através dele. Se o livro fosse fácil deveria ser queimado, pois se o é, não pode ser educativo. Na educação, como em tudo, o caminho mais largo e fácil leva a um mau lugar. Este mau caminho é representado pelo livro que apenas habilite o estudante a aprender de cor as questões que, muito provavelmente, serão perguntadas no próximo exame externo.

O SISTEMA ESCOLAR - [...] O sistema escolar é também inteiramente baseado em uma espécie de poder judiciário. A todo momento se pune e se recompensa, se avalia, se classifica, se diz quem é o melhor, quem é o pior. [...] Por que, para ensinar alguma coisa a alguém, se deve punir e recompensar? [...]. Trechos extraídos da obra A verdade das formas jurídicas (Nau, 2002), do filósofo, historiador, filólogo, teórico social e crítico literário francês Michel Foucault (1926-1984), reunindo conferência sobre as condições políticas e econômicas que formam os sujeitos de conhecimento e, consequentemente, as relações de verdade, defendendo que: [...] Poder e saber encontram-se assim firmemente enraizados; eles não se superpõem às relações de produção, mas se encontram enraizados muito profunda mente naquilo que as constitui [...]. Veja mais aqui e aqui.

SÃO JOAQUIM DO MONTE – O município pernambucano São Joaquim do Monte é constituídos pelos distritos sede, Barra do Riachão e Santana do São Joaquim. Começou a ser povoado em 1896, com a construção da Casa Nova na Aba de Serra, que se tornou o primeiro nome do lugarejo por estar ao pé da serra, hoje Serra do Monte. Em 1912, quando foi criado o distrito no município de Bonito, o povoado recebe este nome. O distrito foi elevado à categoria de município com a denominação de São Joaquim, pela Lei estadual 1931, de 11 de setembro de 1928 e pelo Decreto-lei estadual 952, de 31 de dezembro de 1943, o município passou a chamar-se Camaratuba. Pela Lei estadual nº 416, de 31 de dezembro de 1948, passou a denominar-se São Joaquim do Monte, localizada no Planalto da Borborema e na área das bacias hidrográficas dos rios Una e Sirinhaém, tendo como principais tributários os riachos Seco e do Sapo, dispondo da Barragem Cianinha. Veja mais aqui.

A NAMORADA DO CÉU - [...] - Corno de padre! Lírio passara a cerca que separava a casa da chácara plantada. Na paz vegeral, sentiu o labor construtivo da mão imigrante. O brasileiro era uma vítima do latifúndio. Nunca aprendera oficio nenhum. A fazenda era um núcleo de vida autônoma que dispensava a própria cidade. Sobre o solo terroso e vermelho, abria-se nítida e negra a sombra das laranjeiras pequenas, carregadas de frutos prematuros nas precocidades de abril, quando já a luz equinocial enviesava nas manhãs enxutas. De um ninho oculto, partiu de repente o ruflar de asas. Eucaliptos esguios indicavam o ribeirão que ia desaguar longe nos pântanos de Bartira. O horizonte alinhava-se de mangueiras preguiçosas. O negro teve uma vontade ancestral de ficar ali, desitado à sombra da gigantesca árvore e deixar tudo correr – o sogro, o padre, o japonês e os agudos de Ludovica. Trecho extraído de A revolução melancólica (Civilização Brasileira, 1974), do escritor, ensaísta e dramaturgo do Modernismo brasileiro, Oswald de Andrade (1890-1954). Veja mais aqui e aqui.

SORRATEIRAMENTENão que fossem frágeis / a voz, os gestos, / mas sorrateiramente ele chegou, / como folhas de canela / que recendem em dias de festa / como algodão doce em mãos infantis / enfeitando a tarde. / Eu que guardava o coração / a tantas chaves, / que trazia as mãos vazias / e o vestido junto a rosas, / no rosto a palidez da espera, / no corpo o segredo das conchas... / não que fossem frágeis / a voz, os gestos, / mas sorrateiramente ele chegou. Poema da poeta Aglaura Catão, extraído da antologia Poetas no Século XXI (Recife, 2004), organizada por Benito Araújo.

HERMILO NO FESTIVAL ARTE NA USINA
Na última segunda, 20/11, aconteceu uma mesa de diálogo com o tema Hermilo Borba Filho e a cultura popular, com o mediador e curador do evento José Rufino (PB), o professor de História e Pedagogia do Teatro na UFPE, Igor de Almeida, Luiz Alberto Machado, de Palmares, e os professores de literatura Admmauro Gommes e Antonino Matias, de Xexéu, no Festival Arte na Usina – Safra 2017, na Usina Santa Tereza, em Água Preta – PE. O evento acontece até o dia 25;11, com oficinas, mesas de diálogos, shows, circuitos culturais, exibição de filmes, exposições, performances, passeios, entre outros, com a proposta de transformar a cultura em uma nova oportunidade de sustentabilidade para a região.

Veja mais:
A literatura de Aldous Huxley aqui e aqui.
A literatura de André Gide aqui.
A poesia de Endre Ady aqui.
A literatura de Jack London aqui e aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Terra Chapman.
Veja mais aqui.


quarta-feira, outubro 11, 2017

KAFKA, COCTEAU, FOUCAULT, DELEUZE & GUATTARI, TANUSSI CARDOSO & MARGARET DYER

UMA COISA E OUTRA MAIS – Imagem: art by Margaret Dyer - Sou vivo e estou espontâneo andejo. Nada me faz melhor que outros, nenhum privilégio. Por que haveria de ser melhor? Não há pra quê. A única distinção: eu os vejo e eles nem ninguém a mim. A chuva molha o meu corpo e dela vejo o contorno dos seios nus colados na blusa, água na boca, imã nas mãos do que sou nela a calça apertada nas coxas estufando o ventre saboroso que é dela pra mim e vou como quem é premiado pelo amor maior. O Sol brilha para todos e esquenta a minha pele que deseja a dela bronzeada em tons de rosa, pra que eu tenha o pomar e seja seu jardineiro e possa seguir na tarde por dias infindos e teimar no dia que não sou melhor que ninguém, apenas dela e pra ela. Mais que nunca a noite dela fosse a lua ao alcance da mão no nosso céu estrelado de todas as alvoradas e crepúsculos, no meio do caminho entre ela e eu o hálito das rosas dela, a parte que me cabe do que vem antes ou depois do amor, despedidas, acenos, quão longe tivera ido dentro dela para ser-me e ao que me dou de prazer nela. De longe ouço as malsinações: rumores plangentes de coisas e nada: escarcéu de misérias, turba de insurretos. Não temo, todos temem entre céus e infernos, prospectados e ejaculados, os gritos dos desejos, as lamentações dos quereres não alcançados, frustrações, lamúrias, exacerbações. Ninguém mais sabe o que é justo nem justiça, não se sabe o que é direito, só o prazer do umbigo e todos que se danem com suas olheiras e clausuras. Passo ao largo tudo isso, ela é o meu olhar e direção, nada além do que me seduz o olhar pedinte e lânguido, o ombro requerente que vai dar nos seus seios nus, o ventre em brasa pronto pra me incendiar, as coxas de tocaia pronta nas pernas pros botes e me aprisionar no que dela será todo meu e poder romper seus limites e os meus além dos seus quadris enfeitiçadores, além do seu dorso nu a me servir de guarida e possessão, além dos seus cabelos aos ventos que me aprisionam Medusa de todos os seus redutos e presságios, além das suas mãos firmes agarradas ao meu membro viril e à minha carne toda exposta ao seu apetite para servi-la do que possa ter a me dar em troco muito mais que o esperado. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do cantor e compositor Tom Zé: Todos os olhos, Com defeito de fabricação & Canções eróticas de ninar; da pianista Sonia Maria Vieira: Sonatas de Ricardo Tacuchian, Mizael Domingues & Sugestões poéticas de Guerra Peixe; do tecladista e compositor japonês Isao Tomita (1932-2016): The Ravel Album, Concert de Aranjuez, The Planets & The Bermuda Triangle; e da violonista Cristina Azuma: Sonhos latinos, Contatos, É de lei, Álbum & Santiago de Murcia a Portrait. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Penso efetivamente que não há um sujeito soberano, fundador, uma forma universal de sujeito que poderíamos encontrar em todos os lugares. Sou muito cético e hostil em relação a essa concepção do sujeito. Penso, pelo contrário, que o sujeito se constitui através de práticas de liberação, de liberdade, como na Antigüidade – a partir, obviamente, de um certo número de regras, de estilos, de convenções que podemos encontrar no meio cultural. [...]. Trecho de Uma estética da existência, extraído da obra Ditos e escritos: ética, sexualidade, política (Forense Universitária, 2004), do filósofo, historiador, filólogo, teórico social e crítico literário francês Michel Foucault (1926-1984). Veja mais aqui, aqui e aqui.

LITERATURA & SOLIDARIEDADE – [...] Uma literatura menor não é a de uma língua menor, mas antes a que uma minoria faz em uma língua maior. No entanto, a primeira característica é, de qualquer modo, que a língua aí é modificada por um forte coeficiente de desterritorialização. [...] Mas sobretudo, ainda mais porque a consciência coletiva ou nacional está "sempre inativa na vida exterior e sempre em vias de desagregação", é a literatura que se encontra encarregada positivamente desse papel e dessa função de enunciação coletiva, e mesmo revolucionária: é a literatura que produz uma solidariedade ativa, apesar do ceticismo; e se o escritor está à margem ou afastado de sua frágil comunidade, essa situação o coloca ainda mais em condição de exprimir uma outra comunidade potencial, de forjar os meios de uma outra consciência e de uma outra sensibilidade. [...]. Trechos da obra Kafka: por uma literatura menor (Imago, 1977), do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995) e do filósofo, psicanalista e militante revolucionário francês Félix Guattari (1930-1992). Veja mais aqui e aqui.

OS SONHOS DE KAFKA - Escrever uma autobiografia me daria grande prazer, pois seria tão fácil quanto anotar sonhos. [...] Há momentos em que, falando ou ditando, durmo melhor do que sonhando [...] Mas o verdadeiro espólio só se encontra nas profundezas da noite, na segunda, terceira, quarta hora [...] Na penúltima ou antepenúltima noite sonhei com dentes sem parar: não com dentes alinhados na dentadura, mas formando uma massa, é isso, dentes encaixados como em brinquedos para criança montar, e que eram guiados por meus maxilares num movimento corrediço. [...]. Trechos extraídos da obra Sonhos (Iluminura, 2003), do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924). Veja mais aqui, aqui e aqui.

O TESTAMENTO DE ORPHEU - Você tem certeza de não ter fugido voluntariamente para fundir essas personalidades que dividem vocês e porque o incomoda vocês serem dois? Vocês não estavam tentados em formar apenas uma personalidade, ao serviço da extravagância desse homem, igualmente duplo, seu pai verdadeiro e seu pai adotivo? Trecho do filme O Testamento de Orfeu (Le Testament d’Orphée, ou ne me demandez pourquoi! - 1960), do poeta, cineasta, designer, dramaturgo, romancista, ator e encenador francês Jean Cocteau (1889-1963), que afirma que: O ser humano procura no mito uma forma de fugir de si mesmo. E para tal utiliza-se de todas as formas. Drogas, álcool ou mentira. Incapaz como é de adentrar em si mesmo, o ser humano se disfarça. As mentiras e as imprecisões lhe proporcionam alguns minutos de alívio, o mesmo conforto provocado por um baile de máscaras. Desta forma, destaca-se daquilo que sente e daquilo que vê. Inventa. Disfarça. Mitifica. Cria. Congratula-se por definir-se artista, imita em escala reduzida os pintores que, igualmente, acusa de serem loucos. Veja mais aqui.

CARTA ABERTA AOS BRUXOS
Estou em paz, amor
Como os bruxos costumam estar
Se te disser que estou triste ou alegre
Será apenas detalhes de uma lâmina que corta
Será apenas o fio da faca
Que enfeita faces para ceifar:
Palavras restando inúteis querendo sangrar
Absolutamente te digo:
Não estou alegre nem triste – estou em paz
Que é o outro lado do eclipse
Que não vejo
Mas que sutilmente, amor,
Posso tocar.
Poema do livro Viagem em torno de (Sette Letras, 2000), do poeta Tanussi Cardoso. Veja mais aqui, aqui e aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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domingo, setembro 14, 2014

NAJA MARIE AIDT, JENNIFER LYNCH, NELLY SACHS & KOONING

 


QUANDO A GENTE VAI À LUTA NÃO ADIANTA TRASTEJAR: OU VAI OU RACHA! - O que não é ou foi ou está pra ser, inevitável a dura realidade: uma coisa ou outras, afora tantas e quantas. É melhor saber que além do 8 ou 80 maniqueístas, tem também o plano cartesiano com positivos e negativos pra baixo e pra esquerda, e uma infinidade de possibilidades quânticas na relatividade das coisas, formas, tempos e espaços. Não endoide tentando decifrar: é paradoxo atrás de outro e em cadeia infinita. Certo? Errado. Pra se prevenir pegue logo o fio de Ariadne pra carreira, ao descobrir que está no cúmulo dos labirintos enfrentando o Minotauro que é você mesma. Não esquente. Nem vá naquela de imaginação de menos, desespero de mais. Se peitar a desgraça não abra da guarda: bote pra torar tudo. E depois tenha o regozijo de se deleitar com o prurido coçando as perebas futuras. Não use da desculpa de que tudo está fodida e meia, afinal virgindade tem cura e sexo é a prova de que nem tudo tem limite. Se todos roubam não precisa seguir o exemplo, nem precisa enlouquecer pela desonra dos escrúpulos, nada é pior que passar na cara aquele: Eu num disse! Nada é tão importante que possa ser levada tão a sério: é só perder a vergonha e se esconder naquela de que apenas cumpriu o seu dever – é um ato para lá de honesto e nem se importe com aqueles boatos de que você andou chupando a rola e babando os ovos do chefe. Nem ligue, o que vale mesmo é respeitar os mortos e descascar os vivos. E mais: alguém já disse por aí que se trabalho fosse bom o rico tomava para ele mesmo. Ao contrário de Voltaire: não vai tirar você nunca da pobreza, vai fazê-la fumar mais ainda por conta da rotina insípida e entediante. Se a coisa estiver insossa pra sua banda adoce com uma loucura qualquer que der na telha e manje como é amargo não ter com quem brigar. Todo remédio, antes de tudo, é puro veneno. Destile e tome uns goles, fará bem pra saúde: sanidade mental é coisa do outro mundo e você não é alienígena pra se arrumar numa normose, né? Qual foi o santo de casa que obrou milagre? Você, com certeza, não será a primeira canonizada. A vida é isso mesmo: é sair fazendo merda a torto e a direito, sem ter que contabilizar os danos: os outros farão isso por nós mesmos e tudo será a mesma bosta de sempre. Viva! E se puder viva muito: quando virar a casa dos 100 verá que já passou pelo pior – dias melhores virão e se foi a última a apagar a luz é porque acertou na mosca ou no interruptor ou na lâmpada, das três, uma, tá? Se você se acha maravilhosa não fite o espelho, pode ser que não veja Narciso e que não deu certo mesmo, até ficar fora de moda. Saiba: toda unanimidade quando não é burra, com certeza é falsa. Além do mais você pode ter sido um erro. Já pensou? Por isso nunca queira ver a luz no fim do túnel: tudo de errado que a gente faz é feito um bumerangue e volta pra gente com força redobrada. O pior é que a gente nunca se lembra o que fez, né? Você pode ter sido a invenção que não era pra ter, mas teve futuro, entende a sutileza? Bote sua mola, dê seus pulos, bala perdida só quer alvo móvel. Andar perdido em ziguezague é melhor que encarar a linha do trem, nunca se sabe. Não resista a qualquer tentação, pode ser a última vez ou tarde demais. Se na horagá ficar sem graça, pense que está gozando férias na Suécia e pronto! Não jogue lixo fora, recicle e poderá virar um programa da tevê ou do rádio – ninguém vai assistir mesmo e nem se preocupe se isso envenenar um pouco os outros, eles merecem – tenha certeza disso! Gafe foi feita mesmo pra soltar inadvertidamente! É feito peido: fede, mas passa. E ninguém esquecerá: você entrou na hestória. Se tiver coragem diga na cara, resolva logo. Caso se acovarde e fale pelas costas descobrirá que tem mais uns 15 ou 20 inimigos tocando fogo na sua alma. Nem se aflija se seu sal estiver pisando. Não se choque nem se deprima se os espelhos de hoje não forem como os de antigamente; como já foi dito por alguém: é que agora eles têm o triste defeito de não pensar duas antes de refletir. Vai ver que você nem se reconheça com o que esteja vendo: não é mais a mesma porque deixou de sê-la faz tempo. Quem se importa? Além do mais vão querer subestimar sua superestimação, sabia? Se você pensa que é a rainha tamposa da primeira esquina, verão logo que não entende do riscado: antes de você alguém esteve ali e se fodeu faz tempo. Dirão que não dará certo e que é de brincadeira: a humanidade tanto fracassou que a Terra é redonda e que tem gente que sai cagando pelos 4 cantos do mundo. Então: não grite, o mau hálito empesta tudo. Não precisa contar nada pros seus pais, não corte os pulsos! Birutou? Está louca! Sorria... Mais vale um riso na cara que dois choros encarreirados. Educado é aquele que engole todo tipo de sapo cururu no trampo de todo santo dia e não tem uma náusea mínima sequer que seja pra se queixar no descanso do guerreiro. Bote fé e vamos aprumar a conversa!!! Veja mais aqui e aqui.

 

DITOS & DESDITOS - Todo artista retorna às coisas. Os desenhos que você faz quando criança ou adolescente e as ideias que você tem quando é um jovem artista iniciante, sem dúvida surgem continuamente. As mulheres também podem ser criativas em total isolamento. Conheço excelentes artistas mulheres que fazem trabalhos originais sem nenhuma resposta digna de menção. Talvez eles estejam acostumados com a falta de feedback. Talvez eles sejam mais difíceis. Por um lado, quero um gesto – qualquer tipo de gesto, todo tipo de gesto – gentil ou brutal, alegre ou trágico; o gesto do espaço subindo, afundando, fluindo, girando; os gestos da luz fluindo ou jorrando através da cor. Vejo tudo como possuidor ou possuído por gesto. Muitas vezes pensei nas minhas pinturas como tendo um eixo em torno do qual tudo gira. Uma pintura para mim é principalmente um verbo, não um substantivo, primeiro um evento e só secundariamente uma imagem. Pensamento da pintora estadunidense Elaine de Kooning (1918-1989).

 

ALGUEM FALOU: Em vez de uma pátria guardo as metamorfoses do mundo. Nós, mães, levamos ao coração do mundo a melodia da paz. Respirávamos o ar da liberdade sem conhecer a língua nem ninguém. Mas o silêncio é onde moram as vítimas. Pensamento da escritora alemã Nelly Sachs (1891-1970). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

HETEROTOPIA – Na obra Ditos & Escritos III de Outros espaços (Forense Universitária, 2009), encontra-se que para o filósofo, historiador, filólogo, teórico social e crítico literário francês Michel Foucault (1926-1984), heterotopia significa um espaço onde se vive no interior de um conjunto de relações, ou seja: [...] como uma rede que religa pontos e que entrecruza sua trama [...]. Esclarece o autor que a heterotopia tece sobre [...] o espaço no qual vivemos, pelo qual somos atraídos para fora de nós mesmos, no qual decorre precisamente a erosão de nossa vida, de nosso tempo, de nossa história, esse espaço que nos corrói e nos sulca é também em si mesmo um espaço heterogêneo [...]. Noutra obra do mesmo autor, O corpo utópico, as heterotopias (n-1 Edições, 2013), encontra-se que: [...] vive-se, morre-se, ama-se em um espaço quadriculado, recortado, matizado, com zonas claras e sombras, diferenças de níveis, degraus, escadas, vãos, relevos, regiões duras e outras quebradiças, penetráveis, porosas [...]. Observa-se, portanto, tratar-se de um conceito da geografia humana para descrever lugares e espaços que funcionam em condições não hegemônicas. Neste sentido, o autor usa o termo para descrever espaços que têm múltiplas camadas de significação ou de relações a outros lugares e cuja complexidade não pode ser vista imediatamente. Assim, para Foucault, a heterotopia por excelência é o navio: [...] A maior reserva de imaginação do Séc. XVI, nas civilizações sem barcos, a espionagem substitui a aventura e a polícia substitui os piratas [...]. Define assim que estes espaços são alteridades, que não estão definidos em determinados lugares, mas que são simultaneamente físicos e mentais, tais como o espaço de uma chamada telefônica ou o momento em que alguém se vê ao espelho. A heterotopia possui seus princípios, quais sejam: todas as culturas formaram heterotopias por toda a história da humanidade; heterotopias variam em funcionalidade com o passar do tempo e de acordo com a cultura; heterotopias podem unir múltiplos espaços incompatíveis entre si; heterotopias podem conectar diferentes períodos de tempo; heterotopias são locais separados da sociedade e com regras limitando a entrada e saída; e, por fim, heterotopias têm uma função relacionada ao espaço ao redor. Existe uma tipologia específica para as heterotopias, a exemplo da Heterotopia de crise (refere-se a lugares privilegiados, sagrados ou proibidos, reservados para indivíduos que estão em estado de crise em relação à sociedade em que vivem, destinados a expressão de comportamentos socialmente indesejado longe dos olhos da sociedade. P. ex., motéis, quando usados por amantes, gays e para solteiros em sociedades em que o sexo deve ser apenas entre um marido e sua esposa), Heterotopias de desvio (que são instituições onde são internados indivíduos cujo comportamento é indesejado. Ex: Hospitais psiquiátricos, asilos, prisões, internatos, enfermarias...), Heterotopias temporais (como museus reúnem objetos de todos os tempos e estilos em um lugar. Eles existem no tempo, mas também existem fora do tempo, porque eles são construídos e preservados para serem fisicamente incapazes de se deteriorar com tempo), Heterotopias de purificações (que são espaços que estão isolados e penetráveis ao público sem permissão usados para se purificar, seja por motivos religiosos, ou meramente por higiene. Ex: Templos religiosos, prisão, sauna), Heterotopia de ilusão (que usa objetos reais para criar ilusões e fantasias. Ex: Espelho, livros e filmes de ficção) e Heterotopia de compensação (Lugar real e único que simula e se relaciona a condições de outro lugar. Um jardim botânico é uma heterotopia porque é um espaço real, mas que simula ser um ambiente diferente, adequando-se às plantas de todo o mundo. Outros exemplos incluem zoológicos, estufas, colônias, enclaves, etc). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

MEDITAÇÕES: TONS DE CEFALÔNIA - [...] Índigo, o azul profundo contém uma abundância de safiras que brilham através da densidade, despertando e agitando a nossa consciência. À luz do dia o mar vai mudar, mas por enquanto permanece misterioso, alcançável através da nossa imaginação. [...] Vestidos de noiva brancos deslumbrantes e puros, trazendo promessas, unindo duas almas, forças vitais conectadas, mantendo a mesma visão. [...]. Trechos extraídos da obra Shades of Kefalonia: Meditations (Independent Publishing, 2014), da atriz, escritora, roteirista e diretora estadunidense Jennifer Lynch, autora de frases tais como: Encontrei luz e prazer dentro do horror. A alegria é encontrada no sopro da aceitação, sabendo que tudo está bem em nosso mundo, se nos rendermos com graça. Não consigo deixar de ter pensamentos tristes às vezes. Às vezes são as coisas mais próximas em minha mente. Veja mais aqui.

 

DOIS POEMASTUDO BRILHA - Então, de repente, bosques de faias, todos verdes por trás dos olhos sonolentos \ um cervo salta pela estrada da floresta\ aromas de ácido e musgo e bochecha contra casca, luz do sol\ entre troncos, estou em casa e ouço o Mar Báltico\ bato contra grandes pedras distantes e eu descanso como um\ fada ou bruxa nos cheiros doces do chão da floresta\ podemos facilmente esquecer o que somos, quem somos\ que somos, mas basta uma pequena ligação\ acordar os adormecidos, como agora, na floresta, para \ A ESCUTA, não é aquela música e o toque das taças\ soando nas câmaras verdes? SIM, caramba, uma celebração\ para a criança de dezessete anos, que nunca\ fui mais feliz e nunca serei mais feliz; o mundo brilha\ tudo inimaginavelmente possível enquanto uma cambalhota\ e uma sensibilidade nova, mas não perturbadora, instalou-se\ no meio de sua irresistivelmente marzipanescente \ corpo. TUDO PISCA - Então, de repente, uma floresta de faias, toda verde por trás dos olhos semicerrados \ uma traseira salta sobre a estrada de terra batida\ aqui cheira a ácido e musgo e a bochecha contra casca, sol chuva\ entre tribos, estou em casa e ouço o Mar Báltico\ ataque contra grandes rochas distantes, estou descansando como um só\ fada ou bruxa nos aromas do chão da floresta\ podemos facilmente esquecer que somos quem somos\ que somos, mas é necessário apenas um pequeno sinal\ despertar o adormecido, como agora, na floresta, para\ OUÇA AGORA, não é cantar e tilintar de copos\ isso soa nos corredores verdes? SIM, uma festa\ para a criança de dezessete anos que nunca teve\ tive melhor e nunca vou melhorar; o mundo pisca\ tudo inimaginavelmente possível durante um power jump\ e uma sensibilidade nova, mas não perturbadora, se instalou\ no meio do irresistível maçapão\ corpo. Poemas da escritora dinamarquesa Naja Marie Aidt.

 

HUMOUTRARTES


PENSAMENTO DO DIA – Quando a gente enfia o pé na jaca, não adianta judiar da mãe do guarda, nem do fiofó afolosado do prefeito. É só sair tropicando pra tirar o meladeiro e mandar ver como se nada tivesse acontecido.

HORÁRIO ELEITORAL GRATUITO – Doro apareceu como sempre: candidato presidenciável sem partido, sem vergonha e sem ter onde cair morto. E foi logo dizendo: “Vote em Doro pela mudança!”. Oxe, aí eu perguntei: - Como é? Ele na lata respondeu: “Os caras tão falando tanto de mudança que num sei se eu tô fora do negóço ou se eles que enlouquecero”. Ué? Aí ele arremedou: “Será que desindoidei de vez ou os caras tão piradinhos de bigu na fumaça do braquearo que não me disseram que tá queimando, hem?”. Já vi a lorota. “Mudança? Pra mim a mudança tá só na cor da bosta que a fedentina entuia!”. Pra mim, os caras estão parafraseando Clarice Lispector: a mudança da mudança da mudança da mudança da mudança... ou, ainda, eles querem voltar antes da mudança da mudança da mudança e cair na ditadura dos milicos de 1964/85? É mudança demais pra meu juízo pouco. Claro, ora, que a coisa num tá lá que se diga que tá maior das lindezas, claro que não, ora ora! Longe de léguas de lonjura de chegar nem no chulé do que a gente deveria ter por básico. Valha-me esse negócio de horário eleitoral gratuito.

ÉTICA – “A ética pode ser definida como um estudo de padrões de conduta e de julgamento moral. É especialmente útil quando permite solucionar padrões ou julgamentos morais conflitantes. Não é algo assim tão simples quando decidir o que é certo ou errado. Dilemas éticos mais difíceis surgem quando dois princípios aparentemente corretos estão em conflito. Existem muitos exemplos desse tipo de conflito no mundo atual. O debate em prol da vida em contraposição ao direito de escolha (a opção de uma mulher por abortar o filho, por exemplo) é um conflito clássico entre dois valores – a vida e o direito de escolha. Existem várias outras situações. [...]”. Em vista disso, seja verdadeiro, proteja a privacidade, não crie comportamentos inadequados, não seja ofensivo, seja justo e equilibrado, evite estereótipos e proteja as crianças. E durma em paz (recolhido de Alan R. Andreasen, do livro Ética e marketing social: como conciliar os interesses do cliente, da empresa e da sociedade numa ação de marketing). Veja mais aqui.

PASSADO, PRESENTE & FUTURO – “[...] O conhecimento histórico organiza a desordem e estabelece um significado ao que parece ser um caos, colocando o passado em perspectiva para explicar o presente. [...] o que fomos no passado pode mostrar o que somos no presente”. (Duane Schultz & Sidney Schultz, História da psicologia moderna).

NÃO DESISTA! – “Quando as coisas derem errado, como às vezes dão, quando sua estrada parecer uma subida sem perdão, quando as dívidas forem altas e os recursos a expirar, e você quiser sorrir, e só conseguir suspirar; quando a preocupação for a única coisa diante da sua vida – descanse, se precisar, mas não desista. A vida é caprichosa, vivem dizendo, conforme todos um dia acabam aprendendo, e muitos dos que lutam, acabam desistindo quando teria vencido se continuassem insistindo. Não desista, ainda que seu progresso pareça lento – você pode conseguir, com outra investida a contento. Muitas vezes o lutador deixa de perseverar quando a taça da vitória tão perto estava de conquistar, e acaba percebendo, já muito tarde, quando sobre a terra a lua lança sua luz prateada quão próximo ele estava da coroa dourada. O sucesso é o avesso do fracasso – continue lutando, ainda que o mais duro golpe possa vir – porque quando piores estão as coisas é que não se pode desistir”. E aconselho: leia Cândido e o Otimista de Voltaire, será um santo remédio. (recolhido de Charles M. Futrell, do livro Vendas: fundamentos e novas práticas de gestão).

O HOMEM DO MUNDO DESPEDAÇADO – Aos 23 anos de idade, um soldado russo, subtenente Zasetsky, levou um tiro no lado esquerdo da cabeça. O ferimento alterou seu comportamento de forma abrupta, conforme verificado no seu diário. Uma mudança experimentada por ele foi de visão fragmentada: “Desde que fui ferido, não pude mais ver um único objeto inteiro – nem uma única coisa. Mesmo agora, preciso usar minha imaginação para completar objetos, fenômenos ou qualquer coisa viva. Isto é, preciso representar sua imagem na mente e tentar lembrar-me deles como elementos completos – depois de poder observá-los, tocá-los ou obter alguma imagem deles”. Partes do corpo de Zasetsky aparecem distorcidas para ele: “Às vezes, quando estou sentado, subitamente sinto como se minha cabeça fosse do tamanho de uma mesa – exatamente desse tamanho -, enquanto minhas mãos, pés e tronco tornam-se bem pequenos. Quando fecho os olhos, sequer tenho certeza de onde está minha perna; por alguma razão, costumava pensar (e até sentir) que estava acima do ombro, e até mesmo acima da cabeça”. A percepção de espaço dele foi prejudicada de outra forma. Segundo ele: “Desde que fui ferido, às vezes tenho dificuldade para me sentar em uma cadeira ou em um sofá. Primeiro olho onde a cadeira está, mas, quando tento sentar, subitamente tenho de agarrar a cadeira porque sinto medo de cair no chão. Às vezes isso ocorre por que a cadeira está mais adiante do que eu imagino”. Talvez o mais triste de tudo é que as habilidades intelectuais dele ficaram profundamente prejudicadas: perdeu a capacidade de ler e escrever. Teve dificuldade de compreender o sentido de uma conversa ou de entender uma história simples. Outrora excelente estudante e pesquisador competente, não podia mais lidar com assuntos que lhe eram básicos: gramática, aritmética, geometria, física. Começando do zero, ele tentou desesperadamente reaprender. Procurou meios de compensar as capacidades intelectuais que perdera. Porém, nisso, jamais teve êxito, apesar dos diligentes esforços ao longo de mais de 25 anos. O caso dele frisa a importância do cérebro para o comportamento e a cognição (Registrado por Luria e recolhido de Linda Davidoff, Introdução à Psicologia).


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domingo, agosto 17, 2014

FANON, BAE SUAH, SOLEDAD ALTAMIRANO, MNOUCHKINE & RACHEL BLOOM

 


ENCONTROS, DESENCONTROS, REENCONTROS – O encontro é sempre uma surpresa, nunca se sabe o que virá depois. O universo parece conspirar a favor: o olhar, o sorriso, a hesitação inicial, as mãos e tudo bem, quase um convite mútuo. As conversas, compartilhamentos, as coincidências, os encaixes, risos e olhares cúmplices, emoções e sentimentos intensos e mútuos. Tudo escorre até que os desencontros ditem a separação e a refletir com a partida de quem se foi por novos horizontes, os desencontros definitivos, a perda e os momentos de dor e saudade. Entre perdas e danos cresci e me transformei, acredito: a impermanência e a necessidade de valorização de cada conexão. Seis que os encontros e desencontros permeiam a condição humana: é quando sabemos nossa capacidade de amar e de nos reinventar, carregando as lembranças e ensinamentos daqueles que cruzaram os devires. Celebrei muitos encontros, aceitei os desafios dos desencontros e estive pronto para quantos reencontros, alguns mágicos, outros nem tanto. E reviver novas e antigas emoções, laços esgarçados, celebrações, gratidões, redescobertas. No reencontro, há uma mistura de alegria, saudade, surpresa e nostalgia. É como se o tempo parasse por um instante, permitindo que as pessoas se reconheçam novamente, não apenas fisicamente, mas também emocionalmente. É um momento de conexão profunda, onde as palavras muitas vezes são desnecessárias, pois os olhares, os gestos e os sorrisos falam por si só. Em qualquer caso, um lembrete de que, no final das contas, o que realmente importava é que estiveram ali e, apesar de todas as mudanças e desafios da vida, os laços verdadeiros nunca se fortaleceram ou se perderam de vez. A dança da vida segue seu curso, entre encontros que nos inspiram, desencontros que nos desafiam e reencontros que nos emocionam. Cada um desses momentos é uma peça importante no quebra-cabeça da existência individual, moldando quem somos e quem queremos ser. E, no fim das contas, o que realmente importa não são os encontros perdidos, mas sim os reencontros que nos fazem acreditar na magia da vida e na força dos laços que nos unem. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Se eu pudesse criar a minha própria utopia, seria um mundo sem gênero, onde não teríamos de falar sobre isso. Quando você combina sua autoestima com seu talento e, de repente, você pode não ser o mais talentoso, isso é realmente assustador. Foi emocionante ficar bom em algo onde eu não tinha medo de não ser o melhor. A primeira coisa pela qual me sinto sinceramente atraída é a inteligência. Os escritores são, portanto, o auge da inteligência. Embora os atores sejam ótimos e incríveis, os escritores literalmente criam novos mundos do zero. O que é mais sexy do que isso? Pessoalmente, não sei por que nem todas as pessoas estão namorando um escritor. Pensamento da atriz, humorista, cantora e compositora estadunidense Rachel Bloom.

 

ALGUÉM FALOU: Estou no presente e só o presente me importa... O teatro não deveria representar a psicologia, mas sim as paixões, o que é totalmente diferente. Seu papel é representar os diferentes estados emocionais da alma e os da mente, a história mundial. Você deveria sair do teatro mais forte e mais humano do que quando entrou. Pensamento da diretora de teatro e cinema francesa Ariane Mnouchkine. Veja mais aqui e aqui.

 

A CARTA DE FANON - O que eu queria dizer a você [...] é que a morte está sempre conosco e que o importante não é saber como evitá-la, mas ter certeza de que fazemos o nosso melhor pelas ideias que acreditamos. A única coisa que me choca, desenganado nesta cama e perdendo as forças do meu corpo, não é que eu estou morrendo, mas que eu estou morrendo de leucemia aguda em Washington, DC, quando eu poderia ter morrido há três meses, de frente para o inimigo no campo de batalha, quando eu já sabia que tinha esta doença. Nós não somos nada nesta terra, se não servirmos antes de tudo uma causa, a causa do povo, a causa da liberdade e da justiça. Eu quero que você saiba que, mesmo quando os médicos tinham perdido toda a esperança, eu ainda estava pensando, em uma névoa concedida, mas pensando, no entanto, no povo argelino, nos povos do Terceiro Mundo [...]. Se eu consegui segurar, foi por causa deles [...]. Trecho da Carta de despedida ao amigo Roger, escrita pelo psiquiatra e filósofo martinicano Frantz Fanon (1925-1961), extraída de A Philosophical Introduction to His Life and Thought (A Fordham University Press, 2015), de Lewis Ricardo-Gordon. A obra mais mais conhecida de Fanon, Les Damnés de la Terre, foi publicada em 1961, um ano após sua morte, e é considerada um manifesto da luta anticolonial. Neste livro, Fanon analisa os efeitos psicológicos e sociais do colonialismo e defende a violência como meio legítimo de resistência contra a opressão colonial. Um dos conceitos-chave em sua obra é o da "violência purificadora", que desafia a ideia convencional de que a violência é sempre negativa. Fanon argumenta que, no contexto da luta pela libertação nacional, a violência pode ser uma forma legítima e necessária de resistência contra a opressão colonial, uma maneira de os colonizados se afirmarem como agentes de sua própria história. Além de sua análise política e social, Fanon também fez importantes contribuições para a compreensão da psicologia do colonialismo. Outra obra importante de Fanon é Peau noire, masques blancs, publicada em 1952, na qual ele explora a psicologia do racismo e da colonização, examinando como os colonizados internalizam os valores e as normas do colonizador, afetando sua autoestima e identidade. Além de suas contribuições teóricas, Fanon também foi um militante ativo, envolvendo-se em movimentos de libertação nacional em países africanos, como a Argélia, onde trabalhou como membro do Front de Libération Nationale (FLN). O seu legado continua a influenciar pensadores, ativistas e movimentos sociais em todo o mundo, que buscam compreender e combater as estruturas de poder coloniais e racistas que ele tão incisivamente criticou em sua obra. Em resumo, Frantz Fanon foi um pensador corajoso e visionário que desafiou as estruturas de poder colonial e racial de sua época. Sua obra continua a ser uma fonte de inspiração para aqueles que lutam por justiça, igualdade e libertação em todo o mundo. Veja mais aqui e aqui.

 

EM NENHUM LUGAR – [...] Não importa o quão decadente e corrupto meu corpo se torne, eu irei, como uma orquídea do deserto que floresce uma vez a cada cem anos, até você carregando essa frieza em relação à vida. [...] Você tem os olhos de uma garota-lobo cujo coração nunca foi tocado. Quando pressiono meu ouvido em seu peito, ouço apenas vento e vazio. [...] Você nasceu com uma faca no coração. [...] De vez em quando, imagino um trem do metrô à noite lotado de pessoas que conheci e de pessoas aleatórias que encontrarei por acaso em algum futuro distante. A maioria das pessoas que conheci há muito tempo agora vivem suas vidas sem mim, e aqueles que um dia encontrarei por acaso não me conhecem agora. Eles passam apáticos, os rostos sombrios sob as luzes fracas da estação de metrô da prefeitura, empurrando meus ombros ao passarem. [...] Mesmo agora, acho que talvez minha família seja apenas uma coleção aleatória de pessoas que conheci há muito tempo e que nunca mais encontrarei, e pessoas que ainda não conheço, mas que um dia conhecerei por acaso. [...]. Trechos extraídos da obra Nowhere to Be Found (Amazon Crossing, 2014), da escritora e tradutora sul-coreana Bae Suah.

 

DOIS POEMAS - TUAS MÃOS - Te espero \ ao lado do pôr do sol \ até o dia \ que você volte \ e meu corpo \ torna-se transparente \ entre suas mãos. SONHAR - eu tenho apalpado \ seu corpo nu \ na solidão \ dos meus sonhos. \ Eu senti suas mãos \ tocando o meu \ e eu fui seu \ muitas vezes. \ Ao acordar \ você é apenas isso \ que desmorona \ na realidade da madrugada. Poemas da escritora e professora hondurenha Soledad Altamirano Murillo. Veja mais aqui.

 

OUTRAS DIC’ARTES

 


MICHEL FOUCAULT
– Resultado de leituras das obras do filósofo, historiador, teórico social e crítico literário francês Michel Foucault (1926-1984), encontramos sua opinião acerca da utilização da literatura em seus estudos filosóficos:  “[...] eu me interesso pela literatura, uma vez que ela é o lugar onde nossa cultura operou algumas escolhas originais”. Veja mais aqui e  aqui.


 Imagem da artista plástica e arte-educadora Edina Sikora.

Ouvindo Coltrane Plays The Blues (1962) do saxofonista e compositor de jazz norte-americano John Coltrane (1926-1967).


T.S. ELIOT – Na reunião de sua obra poética, o poeta modernista, dramaturgo e critico literário inglês nascido nos Estados Unidos e Prêmio Nobel de Literatura de 1948, Thomas Stearns Eliot, traz entre as mais belas páginas da poesia universal o seu poema Quatro Quartetos que destacamos esse fragmento: “As palavras se movem, a música se move / só no tempo; e o que vive só, / só pode morrer. / As palavras, depois de haver falado entram em silêncio. Unicamente / por meio da forma, do desenho, / a música ou as vozes conseguem a quietude, / como se move um jarro chinês imóvel / perpetuamente na imobilidade”. Veja mais aqui, aqui e aqui


WENDER MONTENEGRO – Esta semana tive a grata satisfação de conhecer melhor o trabalho do poeta e professor cearense Wender Montenegro que já foi premiado, participou de diversas antologias poéticas e editou ao lado de Chagas Conceição o jornal Universo e o livro Casca de Nós (2010). De sua verve poética destacamos Mea culpa ou profissão de fé: “Semear poeiras e andrajos de esperas / dissecar os ossos das metáforas / acender espantalhos no amarelo das espigas. / Decantar o silêncio que sustenta o cais / ostentar um colar de metonímias / despir a voz da louca, cuja febre anuncia / um evangelho apócrifo. / Caminhar sob pedras como por milagre / ouvir a foz rouca dos rios da infância / borrifar no azul as flores do arco-íris. / Pintar um verão vazio de andorinhas / se encharcar de sol e devaneios / hastear um lenço sujo de saudade / ajustar os ponteiros na cópula dos pardais”.

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aquiO programa Tataritaritatá desta terça, dia 19 de agosto, a partir das 21hs, no MCLAM, com apresentação de Meimei Corrêa, trará por destaque na programação Pat Metheny, Helio Delmiro, John Anderson & Vangelis, Ricardo Machado, Jarbas Barros, Danny Reis, Sonia Melo, Santanna o Cantador, Juliana Impaléa, Juareiz Correya, Jucimar Luiz de Melo Siqueira, Kel Monalisa, Ozi dos Palmares, Mariza Sorriso & muito mais. Confira mais aqui.


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Ela... - Art by Ísis Nefelibata
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MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...