sexta-feira, março 27, 2015

SERTÕES DO ROSA, KÜHNER, AFFONSO, YAMAMOTO, ROSTROPOVICH, MARQUET & SWANSON


PÉROLAS DOS SERTÕES DO ROSA – Algumas das pérolas do magistral livro Grande Sertão: Veredas (José Olympio, 1982), do escritor, médico e diplomata mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967): Razão por que fiz? Sei ou não sei. De ás, eu pensava claro, acho que bês não pensei. O senhor pense outra vez, repense o bem pensado [...] No real da vida as coisas acabam com menos formato, nem acabam. Melhor assim. Pelejar por exato dá erro contra a gente. Não se queira. Viver é muito perigoso [...] Tem verdade que se carece de aprender, do encoberto, e que ninguém não ensina: o beco para a liberdade se fazer. [...] Digo: o real não está na saída nem na chegada, ele se dispõe para a gente é no meio da travessia. [...] O sertão é confusão em grande demasiado sossego [...]. Veja mais aqui.

Imagem: Standing female nude (1910) do pintor francês Albert Marquet (1875-1947).

Ouvindo: Sinfonia nº 11, in G minor The Year 1905, op. 103, do compositor russo Dmitri Dmitriyevich Shostakovich (1906-1975) com regência do maestro e violoncelista russo Mstislav Rostropovich (1927-2007) na London Symphont Orchestra.

TEATRO POPULAR – O livro Teatro popular: uma experiência (Francisco Alves, 1975), da dramaturga, escritora e pesquisa mineira Maria Helena Kühner, trata de temas como de Édipo a Galileu: e o verbo se faz carne, Édipo e o espelho, Hamlet e o descobridor, Galileu e o transformador, a função da arte e do teatro hoje, a importância atual da cultura, a principal contradição, opções e caminhos, des-encontros possíveis, a linguagem, de cultura popular e cultura nacional, aplicação da função a nosso tempo e lugar, surgimento da exigência de uma cultura nacional, expressões e transformações nas décadas de 1930-1970, a cultura popular, a experiência, o processo de trabalho seguido, etapas de desenvolvimento, o texto/espetáculo, entre outros assuntos. Destaco o trecho: [...] Se a cultura não se reduz ao código, mas exige uma busca e uma experiência permanentes, desestruturantes e reestruturantes, de normas e valores, para que se torne realmente criadora; se uma vida cultural só é autentica se não se mantem compartimentada e elitista, fechada a toda uma minoria marginalizada; se também lhe é especial não manter os objetos de cultura como simples mercadorias de consumo ou peças inertes com a existência (hoje sonho ou mito que serve de bússola a toda busca) cria a necessidade daquele retorno às origens, à matriz – quer sob a forma simbólica e social de reencontro com a natureza, que infiltra toda a linha da contracultura e que a cultura dominante por vezes absorve tranquilamente (artesanato, vida rústica, campings, macrobiótica, et.); quer sob a forma individual, de busca de autodefinição ou individuação, que tem por vezes como instrumento a psicanálise; quer sob a forma histórico-antropológica , que unifica os vários planos da atividade e pensamento do homem em um projeto comum de encontrar a linguagem de grupos humanos reduzidos ao silêncio pela civilização e assim dar expressão social às maiorias silenciosas e às minorias marginalizadas – para obter delas a cédula regeneradora desse homem planetário que se vê ou se quer cada vez mais como organismo vivo. O desenvolvimento das forças produtivas torna hoje historicamente possível tal projeto. E é a própria sanidade e unidade do homem que hoje exige que supere sua divisão interna (corpo/mente) e externos (cultura dominante/cultura dominada). E neste sentido dirige sua busca, em todos os seus campos de pensamento e ação. Veja mais aqui, aqui e aqui.

QUE PAÍS É ESTE – No livro Que país é este? (Rocco, 1980), do poeta Affonso Romano de Sant´Anna, destaco o seguinte fragmento: Uma coisa é um país, / outra um ajuntamento./ Uma coisa é um país, / outra um regimento. / Uma coisa é um país, / outra o confinamento. / Mas já soube datas, guerras, estátuas / usei caderno "Avante" / — e desfilei de tênis para o ditador. / Vinha de um "berço esplêndido" para um "futuro radioso" / e éramos maiores em tudo / — discursando rios e pretensão. / Uma coisa é um país, / outra um fingimento. / Uma coisa é um país, / outra um monumento. / Uma coisa é um país, / outra o aviltamento. / [...] Há 500 anos caçamos índios e operários, / há 500 anos queimamos árvores e hereges, / há 500 anos estupramos livros e mulheres, / há 500 anos sugamos negras e aluguéis. / Há 500 anos dizemos: / que o futuro a Deus pertence, / que Deus nasceu na Bahia, / que São Jorge é que é guerreiro, / que do amanhã ninguém sabe, / que conosco ninguém pode, / que quem não pode sacode. / Há 500 anos somos pretos de alma branca, / não somos nada violentos, / quem espera sempre alcança / e quem não chora não mama / ou quem tem padrinho vivo / não morre nunca pagão. / Há 500 anos propalamos: / este é o país do futuro, / antes tarde do que nunca, / mais vale quem Deus ajuda / e a Europa ainda se curva. / Há 500 anos / somos raposas verdes / colhendo uvas com os olhos, / semeamos promessa e vento / com tempestades na boca, / sonhamos a paz da Suécia / com suíças militares, / vendemos siris na estrada / e papagaios em Haia, / senzalamos casas-grandes / e sobradamos mocambos, / bebemos cachaça e brahma / joaquim silvério e derrama, / a polícia nos dispersa / e o futebol nos conclama, / cantamos salve-rainhas / e salve-se quem puder, / pois Jesus Cristo nos mata / num carnaval de mulatas. [...] Veja mais aqui.

O ASSISTENTE SOCIAL EM TEMPO DE CAPITAL FETICHE – O livro Serviço Social em tempo de capital e fetiche – capital financeiro, trabalho e questão social (Cortez, 2006), da professora e doutora em Ciências Sociais, Marilda Vilela Yamamoto, trata sobre a sociabilidade na orbita do capital: a invisibilidade do trabalho e radicalização da alienação, o capital fetiche diante da questão social e do Serviço Social, trabalho e reprodução das relações sociais na teoria de Marx, desvendando o fetiche e a produtividade do capital, a propriedade capitalista e a renda fundiária, o capital fetiche, capital financeiro na expansão monopolista, mundialização da economia, a produção teórica brasileira sobre os fundamentos do trabalho do assistente social, a forma histórica da individualidade social na sociedade burguesa, processo capitalista de trabalho e indivíduo social, classe e cultura, o trabalho do assistente social, entre outros assuntos. Da obra destaco o seguinte trecho: [...] A mundialização financeira, em suas refrações no país, impulsiona a generalização das relações mercantis às mais recônditas esferas e dimensões da vida social, que afetam transversalmente a divisão do trabalho, as relações entre as classes e a organização da produção e distribuição de bens e serviços. Ela espraia-se na conformação da sociabilidade e da cultura, reconfigura o Estado e a sociedade civil, redimensionando as lutas sociais. O resultado tem sido uma nítida regressão aos direitos sociais e políticas públicas correspondentes, atingindo as condições e relações sociais, que presidem a realização do trabalho profissional. O capital expande sua face financeira integrando grupos industriais associados às instituições financeiras (bancos, companhias de seguros, fundos de pensão, sociedades financeiras de investimento coletivos e fundos mútuos) que passam a comandar o conjunto da acumulação. Na busca incessante e ilimitada do aumento exponencial da riqueza quantitativa – o crescimento do valor pelo valor -, os investimentos financeiros tornam a relação social do capital com o trabalho aparentemente invisível. Intensifica-se a investida contra a organização coletiva de todos aqueles que, destituídos da propriedade, dependem de um lugar nesse mercado (cada dia mais restrito e seletivo) para produzir o equivalente de seus meios de vida. Crescem as desigualdades e o contingente de destituídos de direitos civis, políticos e sociais, potenciados pelas orientações (neo)liberais, que capturam os Estados nacionais, erigidas pelos poderes imperialistas como caminho único para animar o crescimento econômico, cujo ônus recais sobre as grandes maiorias [...]. Veja mais aqui e aqui


PRA FRENTE BRASIL – O drama e ficção histórica Pra frente, Brasil (1982), dirigido e escrito por Roberto Farias, baseado em argumento do diretor e Paulo Mendonça, com música de Egberto Gismonti, traz a história ocorrida em 1970, em plena época do milagre econômico e dos anos de chumbo da ditadura militar, enquanto o país vibra com a seleção brasileira na copa do mundo do México, prisioneiros políticos são torturados por agentes da repressão patrocinados por empresários, envolvendo vítimas inocentes, como é o caso do personagem Jofre Godoi da Fonseca, um trabalhador pacato da classe média, quando ele divide um táxi com um militante de esquerda, é preso e submetido a sessões de tortura. Um filme obrigatório para assistir. Veja mais aqui.



HOMENAGEM ESPECIAL
GLORIA SWANSON



Homenagem especial para a atriz estadunidense Gloria Swanson (1897-1983). Veja mais aqui.



Veja mais sobre:
Repente qualquer jeito para ver como é que fica, A vida antes do homem de Margaret Atwood, A servidão humana de Baruch de Espinoza, A tecnologia na arte de Edmond Couchot, a música de Jackson do Pandeiro, a pintura de Victoria Selbach & Leonel Mattos, a fotografia de Antonio Corradini & Nikolai Endegor aqui.

E mais:
O trâmite do visinvisível, a música de Alexander Scriabin & Maria Lettberg, a pintura de Paul-Émile Bécat & Berenice Barreto, Quadrigrafias & a arte de Elaine Pauvolid aqui.
Desabafo do dr. Zé Gulu: a civilização dos equívocos, a literatura de Juan Rulfo, a pintura de Henri Fantin-Latour & Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun, a música de Myriam Taubkin & Poemiudinho aqui.
Nitolino no reino encantado de todas as coisas, Toumal & a mulher de Bushman, De segunda a um ano de John Cage, a literatura de Henry James, a pintura de Leonardo da Vinci, a música de John McLaughlin, O suicídio de Émile Durkheim, o cartoon de Luiz Fernando Veríssimo, o cinema de Mel Smith & Emma Thompson aqui.
O Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci, a literatura de Anatole France, A epopéia de Damaianti do Maabárata, o teatro de Tristan Tzara, O grande ditador de Charlie Chaplin, a música de Edson Natale & a pintura de Henri Fantin-Latour aqui.
Ela, a incógnita do prazer & a pintura de Mark Tennant aqui.
A fibra na dieta alimentar aqui.
Literatura de Cordel: Ais coisa que tu me diz de Bob Motta aqui.
Literatura de Cordel: A mulher cariri, cariri mulher, de Salete Maria aqui.
As trelas do Doro: a vingança aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o bicho leva um puxavanque da vida, para baixo todo santo ajuda numa queda só: tei bei! Era uma vez, hem hem.... aqui.
Sanha, a música, Análise do homem de Erich Fromm, A mulher que escreveu a Bíblia de Moacyr Scliar, Sheherazade de Rimsky-Korsakov, a poesia de Menotti Del Picchia, Os sonhos de Akira Kurosawa & a pintura de Jean-Hippolyte Flandrin aqui.
Só desamparo no descompromisso social, Cidadania de Evelina Dagnino, Quadrinho de História de Gláucia Vieira Machado, a poesia de Micheliny Verunschk, a música de Viviane Hagner, a fotografia de Yi-chun Wu, a escultura de Michael Talbot, o teatro de Buraco D’Oráculo, o cinema de Niki Caro & Keisha Castle-Hughes, a pintura de Oresteia Papachristou & Hajime Sorayama, a arte de Márcio Baraldi, Luciah Lopez & a menina do sorriso ensolarado aqui.
Escapando & vingando sonhos, a literatura de Ricardo Piglia, A memória coletiva de Maurice Halbwachs, A fenomenologia do olhar de Alfredo Bosi, Na caça ao dinheiro de Nilson Araújo de Souza, a entrevista de Leila Miccolis, Cidadania na Escola, a pintura de Pablo Picasso& Roberto Chichorro, a música de Bob Dylan, a fotografia de Roberta Dabdab, a arte de Marcos Carrasquer, a coreografia de Sandro Borelli, o cinema de Álex de La Iglesia & Rosie Perez, a escultura de Johann Heinrich von Dannecker, as gravuras de Eugene Reunier, Lume Teatro & O poeta chora aqui.
Só a poesia torna a vida suportável, O trabalho contemporâneo de Harry Braverman, Mundo dos homens de Sérgio Lessa, O trabalho de Ricardo Antunes, a música de Nadja Salerno-Sonnenberg, a entrevista de Cláudia Telles, a escultura de Eduardo Paolozzi & Kvitka Anatoly, a fotografia de Dane Shitagi, Cinema de Rua, a pintura de Eugene Huc, Escambo de Teatro Livre de Rua, Coletivo Transverso, A arte na rua dos Municípios & Quando Tomé mostrou ao que veio aqui.
Poema em voz alta, A mulher suméria, a literatura de Georges Bataille, a pintura de Paul Cézanne & Olivia de Berardinis, Decameron de Pier Paolo Pasolini, a música de Karina Buhr, o ativismo de Maryam Namazie, a escultura de Leroy Transfield, Nupcias do NUA, a coreografia de Ângelo Madureira & Ana Catarina Vieira, a entrevista de Frederico Barbosa, a arte de Mozart Fernandes, Cidadania & Meio Ambiente aqui.
Minha voz, o poema, a poesia de Lawrence Ferlinghetti, o cinema de Peter Greenaway, o teatro de Dario Fo, a música de Milton Nascimento & Elis Regina, a fotografia de Edward Weston, a arte de Leo Lobos, Portal do Poeta Brasileiro, Programa Tataritaritatá & A coelhinha da páscoa aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
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