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segunda-feira, julho 13, 2020

JO DUNKLEY, MARIA HOMEM, TRINNY WOODALL, FORBES, JOSELY CARVALHO, CLODES JAGUARIBE, COCO DE ARCOVERDE & LITERÓTICA



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: APESAR DOS CONTRAS, A GENTE PERSEVERA - Em que pese a plena vigência de duas tragédias agora, seja pela hecatombe da pandemia, seja pela maledicência, despudor e crueza do malsucedido desgoverno da morte com seus cacoetes mancos e sectários, nada banal para a indignação que a miopia quanto o antiintelectualismo, a gente persevera. Que o diga Nadine Gordimer: A arte desafia a derrota pela sua própria existência, representando a celebração da vida, apesar de todas as tentativas para degradá-la e destruí-la. Não podia ser de outro jeito, escapando para sobreviver.

DUAS: QUE ENROLEM ALÉM DA CONTA, A GENTE SABE! - A herança deixada pela festa do golpe tornou tudo insalubre pras nossas bandas. Há cinco anos que a insolência subestima nossa capacidade de raciocínio e entendimento, pensam que somos massa de manobra mesmo. Não há o menor pudor no disfarce para o engodo de um pacto que perde sua justificativa todo momento que legitima todas as forças retrogradas em detrimento dos anseios e desejos da população. Ah, como enganam. Ouço Wole Soyinka: Poder é dominação, controle e, portanto, uma forma muito seletiva de verdade, que é uma mentira. O homem morre em todos aqueles que se calam diante da tirania. Como tudo se dissipa, até o que em mim é feriado no que ensaio para encontrar um espaço para respirar meu país.

TRÊS: POETAR MESMO ASSIM – Mesmo que as máscaras desabem e outras sejam repostas no truque das intenções, valho-me do que fez Arnold Schönberg: Nunca vi rostos, porque olhei nos olhos das pessoas, apenas no olhar delas. E mesmo que a constatação contrarie e consterne como naquela frase duma canção da dupla João Bosco/Abel Silva: O amor quando acontece a gente logo esquece que sofreu um dia, há sempre o que ressuscitar com Pablo Neruda: A poesia tem comunicação secreta com os sofrimentos do homem. Os poetas odeiam o ódio e fazem guerra à guerra. A verdade é que não há verdade. Assim voo, até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Estamos sendo duramente apresentados a uma das formas do incompleto das nossas vidas, na figura desse vírus avassalador. Estamos em perigo! Freud diferenciava - em um texto escrito há exatos 100 anos, Além do Princípio do Prazer - três formas distintas de reagir ao perigo: Angústia, Medo e Terror. Cito-o: "Angústia" designa um estado como de expectativa do perigo e preparação para ele, ainda que seja desconhecido; "Medo" requer um determinado objeto, ante o qual nos amedrontamos; "Terror" se denomina o estado em que ficamos ao correr um perigo sem estarmos para ele preparados, o terror enfatiza o fator surpresa. A atual pandemia nos aterroriza. É como se vivêssemos um combate de guerrilha. Nosso inimigo é pequenininho, sabemos da sua existência, mas não temos ideia de como, quando e aonde ele vai nos atacar. Ele nos surpreende dolorosamente. Não é correto diagnosticar os efeitos psíquicos dessa pandemia como uma histeria. Ela é um terror. As reações a esse terror é que podem assumir matizes variáveis, entre outros: histéricos, obsessivos, perversos, paranoicos, psicóticos. Em uma situação dessas, cada pessoa vai escarafunchar em seus sintomas de base e os expressa. O histérico pode dramatizar excessivamente esse momento, ou fazer o contrário, ficar indiferente (La belle indifférence). O obsessivo encontrará justificativa para suas manias de limpeza, de distância, de rituais, ou pode hipertrofiar a arrogância do 'comigo ninguém pode', do 'eu sou imbatível'. O perverso terá dificuldade em disfarçar seu prazer sádico. O paranoico consolidará suas teorias persecutórias. O psicótico se verá tomado de sentimentos desagregadores. Em ocasiões desestabilizadoras, como dito, a pessoa recua e hipertrofia seus sintomas mais habituais. É um mau tratamento do terror. O que podemos almejar? Um duplo movimento: de um lado, no que é passível de compreensão, ganhar terreno sobre o terror invasivo transformando-o em um medo racional e objetivo. É o trabalho que médicos e profissionais de saúde estão fazendo. Que ninguém pense que do terror virá uma grande alegria. Bobagem. Se vier o medo, já teremos um caminho mais trilhável. Por outro lado, uma vez que o incompleto e a surpresa não vão desaparecer, é de se esperar um aumento da solidariedade humana, no momento em que um vírus desmascara nossa fragilidade constitutiva comum. O 'eu preciso de você' é universal e não local. O que pode nos preocupar? Que esse momento de confiança no laço social seja abalado pelo desprezo de uma civilização que nos maltrata com suas respostas ruins, no limite, com a possibilidade da fome e da morte. Aí, se isso ocorrer, o terror se consolidará. Artigo Que terror! - não temos ideia de como, quando e aonde ele vai nos atacar (HSM, maio 2020), do do médico psiquiatra e psicanalista Jorge Forbes. Veja mais aqui.

 

OUTROS DITOS

Eu gosto de acordar de manhã e pensar: ‘Quem eu quero ser hoje?’... Acho que só uma mulher entende o corpo de outra mulher... A ideia do que é uma feminista mudou tanto que precisa haver uma nova palavra para isso...

Pensamento da escritora e designer de moda inglesa, Trinny Woodall.

 

A ASTROFÍSICA DE JO DUNKLEY

[...] Cem anos atrás, se você fosse uma astrônoma, não usaria telescópios porque era considerado muito físico e talvez você se sujasse... [...] Eu não tinha a mínima ideia sobre astronomia, só achava que era uma maneira divertida de resolver problemas, e aí, na universidade, comecei a perceber o quão estranha e mágica a astrofísica podia ser... [...] Descobrir que algo estava errado e que precisávamos encontrar uma nova teoria... é como a emoção máxima. [...] Então, continuei, mas não tinha o grande sonho de ser astrônomo, nem mesmo professor. Não achei que acabaria no meio acadêmico. [...] Conhecemos muito bem o nosso próprio sistema solar, mas quando pensamos em todas essas estrelas com seus próprios planetas e em como eles podem ser... Alguns serão rochosos, alguns serão bolas de gás, alguns poderão ser habitáveis. Provavelmente, se você perguntasse à maioria dos astrônomos, a maioria deles pensaria que alguns desses planetas terão a chance de abrigar vida. [...].

Trechos da entrevista concedida ao The Saturday Paper (2020), pela professora e astrofísica britânica Jo Dunkley (Joanna Dunkley), que investiga as origens do universo aplicando radiação cósmica de fundo em micro-ondas e utilizando o Atacama Cosmology Telescope, o Simons Observatory e o Large Synoptic Survey Telescope (LSST).

 

EDUCAÇÃO PSÍQUICA MENTAL

A transformação é lenta, é dureza, é trabalho. Só você pode fazer... O que chamamos vida talvez seja uma coisa muito mais caótica do que gostaríamos. É uma sucessão contingencial de encontros, desencontros, eventos, erros e acertos; a eterna batalha entre o caos e a ordem. Buscamos ordenações, e isso é muito importante, mesmo que sejam ficcionais. O simbólico não é nem verdadeiro nem falso, mas uma ferramenta de ancoragem, de ordenação... A lógica do ideal é sempre estar longe do eu, mostrar que aquilo que você tem não dá a completude imaginada, sempre é sofrimento, é incompletude. O que te move é a cenourinha na frente do burrinho. Cadê a totalidade? Você não conseguiu aquilo que idealizou. É preciso mais um ano para reprojetar e ter gás para continuar o movimento...

Pensamento da psicóloga psicanalista, professora e escritora Maria Homem (Maria Lucia Stacchini Ferreira Homem), autora do livro No limiar do silêncio e da letra (Boitempo, 2012) e coautora dos livros Coisa de menina? (Papirus, 2019) e Lupa da alma (Todavia, 2020).

 

A MÚSICA DE MARIA CLODES JAGUARIBE
A arte da pianista Maria Clodes Jaguaribe (1928-2015) que foi uma das mais conceituadas mestras do departamento de piano na Escola de Música da Universidade Boston, nos Estados Unidos, e diretora das classes de verão para jovens pianistas do famoso Festival de Tanglewood, desde 1975 e, por isso, construindo um dos mais respeitados nomes entre os mestres de piano do terriotório estadunidense. Ela realizou a gravação integral da obra para piano do músico e compositor alemão Robert Schumann (1810-1856). Veja mais aqui.
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A MÚSICA DE RENATA ROSA
É uma experiência enriquecedora. Cada plateia reage de uma forma diferente. Algumas músicas ganham sentidos diferentes para cada tipo público. Essa é a melhor parte, nós já fizemos shows em teatros, com todo mundo sentado, e também fizemos festivais ao ar livre. A influência disso acaba indo para o processo de composição também.
RENATA ROSA - A arte da premiada cantora, atriz, compositora, rabequeira, poeta e pesquisadora Renata Rosa, que estudou Letras e Fonoaudiologia na USP (1992-1998) e Música com habilitação em Canto na Universidade Livre de Música Tom Jobim (1995 - 2000) em São Paulo e integrou o Núcleo de Ação e Performance do Polo Sul Americano do Ator Contemporâneo (1998 – 2002) no Rio de Janeiro e em Cleveland (Ohio). Ela já gravou os álbuns Zunido da mata (2002), Manto dos sonhos (2008) e Encantações (2015), atuando no Cavalo-Marinho Boi Brasileiro, de Condado – PE, desde 1998, e se apresentando por palcos europeus e mundo afora. Veja mais aqui.

A ARTE DE JOSELY CARVALHO
Minha obra como artista tem sido sempre baseada em longas pesquisas onde a história se entrelaça e fortalece o momento atual. Houve também uma identificação com o emigrante já que vivi muitos anos fora do Brasil presenciando a realidade daquele que por várias razões sai do seu país e enfrenta as dificuldades de não pertencer.
JOSELY CARVALHO - A arte da premiada poeta, pintora, escultora, gravurista e artista de livros, vídeo e instalação, Josely Carvalho, que se tornou uma artista multidisciplinar por incorporar em sua obra diversas mídias e procura dar voz à memória, à identidade e à justiça social, enquanto desafia consistentemente as fronteiras entre artista e público, arte e política. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A arte musical do Samba de Coco Raízes de Arcoverde, fundado em 1992 pelo Mestre Lula Calixto (1952-1999), e incorpora elementos das culturas indígena e negra, apresentando-se por todo país e exterior, a exemplo da Alemanha, Bélgica, Itália Noruega e França com sua sonoridade percussiva, depois de lançar dois álbuns, o primeiro em 2000 com o nome do grupo e, o segundo, Godê pavão (2002), mantendo o mote: A caravana não morreu não morreu nem morrerá.
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A música do arranjador, maestro, compositor e multi-instrumentista Moacir Santos (1926-2006) aqui.
Sem fraude nem favor: estudos sobre o amor romântico (Rocco, 1998), do psicanalista e professor Jurandir Freire Costa aqui.
A arte do poeta, compositor e intérprete Jessier Quirino aqui.
O protagonismo da mulher rural no contexto da dominação, da pesquisadora Isaura Rufino Fischer aqui.
Jerry Xemenexem aqui.
&
Ibirajuba aqui & aqui.

 

CRÔNICA DE AMOR POR ELA:

Quando ela é mar rompendo meus limites, sou mergulho voluntário pra me afogar nela.

Veja mais Literótica aquiaqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

  


quinta-feira, agosto 08, 2019

WOLE SOYINKA, OUSPENSKY, ANNEGRET SOLTAU, SAFFIOTI & FUGA DA PASSARINHADA


FUGA DA PASSARINHADA - Ainda ontem de muito antes, meus passarinhos embalavam ruidosos toda minha fantasia. Chilreios encantavam infância e juventude, traquinagens de papa-capim, tiziu, guriatã, sabiá, patativa, curió, canário da terra, azulão, galo de campina, chorão, bem-te-vi, xexeu, caboclinho, sibitos, quantos outros e muitos com seus gorjeios, nem lembro mais. Cada um com seu trinado mirabolante, encanto para os ouvidos na plenitude da vida: chega dava uma grandeza na alma e no coração. Meu pai colecionava em centenas de gaiolas. Bastava ele descuidar, soltava um por um, os canários-do-império, a coleção de sabiás, todos avoando no quintal. Ele só desconfiou porque as gaiolas esvaziaram. Todavia, ouvia os cantos, pensava que eu havia colocado noutras gaiolas do lado de fora. Qual nada, estavam todos soltos ao redor das árvores no quintal. Tanto é que eu saía perambulando como se a cantoria da passarada me acompanhasse o passo pelas manhãs e tardes ensolaradas. Como eu saía ancho, feliz. Porém, se estivesse vestido de roupas com cores amarelas ou vermelhas, logo era surpreendido por um ataque de lacerdinhas que pousavam sobre minha camisa, afora, invariavelmente, uma delas aos meus olhos. Era um ardor insuportável: expelia um líquido cáustico e provocava uma irritação ocular acompanhada de uma ardência prolongada. Pense num coisa ruim, mal-estar danado. Não sabia eu que esses insetos oriundos da Ásia Oriental invadiram diversos estados brasileiros no início dos anos de 1960. Só me lembro do padecimento às vistas irritadas. Qualquer pessoa que transitasse pelas praças, logo saía vitimada dos pela repulsiva situação. Para combatê-los, muita providência e depois de se pensar todas as formas de uso preventivo ou para remediar o vexame, deram conta do pardal, aquele mesmo que aparece em salmos bíblicos, nas lendas religiosas e que era a ojeriza de Hornoday e do rei da Prússia. Foi importado do Velho Mundo para combater pragas, colaborando com Oswaldo Cruz na higienização das cidades por ser insetívero, tornando-se, porém, numa calamidade de pena e bico, ganhando até má fama em marcha carnavalesca dos Namorados da Lua, afora ter sido por séculos, devidamente caçado na Europa e no Brasil numa verdadeira matança, por hostilizar outras espécies de aves e causar danos na lavoura. Só carcará, gavião carijó, falcões e corujas amedrontam os pardais, enquanto estes dizimam aves autóctones, sendo muito resistente e comendo de tudo que nem se imagine, aninhado em forros de telhados, fiações, buracos na parede, coqueiros e muros. Desapareceram as tais lacerdinhas execráveis e com elas a passarada canora, restando apenas, na minha solidão, o piado insosso de pardais pelos dias. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] É próprio da espécie humana elaborar socialmente fenômenos naturais. Por esta razão é tão difícil, senão impossível, separar a natureza daquilo em que ela foi transformada pelos processos socioculturais. A natureza traz crescentemente a marca da intervenção humana, sobretudo nas sociedades de tecnologia altamente sofisticada. Há, portanto, ao longo da historia, uma humanização da natureza, uma domesticação da natureza por parte do ser humano. Este processo caracteriza-se, como tudo na vida social, pela contradição. Se, por um lado, revela a capacidade humana de colocar a natureza a seu serviço, por outro, interfere no ecossistema, destruindo, muitas vezes, o equilíbrio ecológico. [...] Não basta conhecer á capacidade humana de transformar o reino natural. É preciso atentar para o processo inverso, que consiste em naturalizar processos socioculturais, quando se afirma que é natural que a mulher se ocupa do espaço domestico, deixando livre para o homem o espaço público, está-se rigorosamente, naturalizando um resultado. [...] A história oficial pouco ou nada registra da ação feminina no devenir histórico. Isto não se passa apenas com mulheres. Ocorre com outras categorias sociais discriminadas, como negros, índios, homossexuais. Deste fato decorrem movimentos sociais, visando ao resgate da memória, geralmente não registrada, destes contingentes humanos que, atuando cotidianamente, ajudaram e ou ajudam a fazer história. E de extrema importância compreender como a naturalização dos processos socioculturais de discriminação contra a mulher e outras categorias sociais constitui 0 caminho mais fácil e curto para legitimar a "superioridade" dos homens, assim como a dos brancos, a dos heterossexuais, a dos ricos. [...].
Trechos extraídos da obra O poder do macho (Moderna, 1987), da socióloga, professora e militante feminista Helena Iara Bongiovani Saffioti (1934-2010). Veja mais aqui & aqui.

O TEATRO DE WOLE SOYINKA
MORTE E CAVALEIRO DO REI – [...] LOUCO DE ELOGIO O seu nome será como o doce que uma criança coloca debaixo da sua língua para adoçar a passagem da comida. O mundo nunca vai cuspir. ELESIN Venha então, este mercado é meu abrigo. Quando venho entre as mulheres, sou uma galinha com cem mães. Eu me torno um monarca cujo palácio é construído com dez dureza e beleza. ELOGIO-CANTOR Eles adoram estragar, mas cuidado. As mãos das mulheres também enfraquecem os desavisados. ELESIN Esta noite vou deitar minha cabeça no colo deles e dormir. Esta noite eu vou tocar os pés com os pés em uma dança que não é mais desta terra. Mas o cheiro da carne deles, o suor deles, o cheiro de índigo nos tecidos deles, esse é o último ar que eu desejo respirar enquanto vou ao encontro dos meus grandes antepassados. CULPA DE LOUCO Em seu tempo as grandes guerras iam e vinham, as pequenas guerras iam e vinham; os negociantes de escravos brancos iam e vinham, eles tiravam o coração de nossa raça, eles afastavam a mente e o músculo de nossa raça. A cidade caiu e foi reconstruída; a cidade caiu e nosso povo se arrastou através da montanha e da floresta para encontrar um novo lar, mas - Elesin Oba, você me ouve? ELESIN Eu ouço sua voz Olohun-iyo. CULPA DE LOUVOR Nosso mundo nunca foi arrancado de seu verdadeiro curso. [...] ELESIN O mundo que conheço é bom. MULHERES Assim vai deixá-lo, nós sabemos. ELESIN O mundo que conheço é a dádiva Das colmeias quando se foram as abelhas. Não há bondade que profunda de mãos assim abertas Mesmo nos sonhos das deidades. MULHERES E assim vai deixá-lo, nós sabemos. ELESIN Nasci pra assim mantê-lo. [...] ELESIN Esta noite não está em paz, ser fantasmático. O mundo não está em paz. Você destruiu a paz do mundo para sempre. Não há sono no mundo esta noite. PILKINGS Ainda assim, é um bom negócio que o mundo perca uma noite de sono se esse é o preço de se salvar a vida de um homem. ELESIN Você não salvou minha vida, Oficial Distrital. Você a destruiu. [...].
Trechos da peça teatral Morte e Cavaleiro do Rei (Death andthe King’s Horseman – W.W. Norton, 2003), do poeta e dramaturgo nigeriano Wole Soyinka. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Eu tenho uma relação de amor e ódio com técnicas como tricô, crochê ou costura. Minha inspiração vem da minha vida pessoal e do ambiente; estou ciente do que está acontecendo em nossa sociedade de forma sismográfica. Meus ideais mudam com o tempo.
A arte da fotógrafa alemã Annegret Soltau. Veja mais aquiaqui.

A OBRA DE OUSPENSKY
É somente quando percebemos que a vida não está nos levando a lugar algum que ela começa a ter significado.
A obra do filósofo e psicólogo russo Piotr Demianovitch Ouspensky (1878-1947) aqui, aqui e aqui.


sexta-feira, julho 13, 2018

CLARICE, JOCY OLIVEIRA, AGOSTINHO SILVA, GORDIMER, WOLE SOYINKA, BRANDEN & GENÉSIO CAVALCANTI


OS OLHOS DE CLARICE - Ao mergulhar nos olhos crepusculares de Clarice, ainda não era noite e eu não tinha mais que dezessete anos de idade, a minha nada lisonjeira adolescência. Descobri no seu olhar oceânico o faroleiro caleidoscópico de antes da pré-história da pré-história da pré-história em que fui menino no meio nada. Para não me perder nos desvãos da sina, ela tomou minhas mãos e levou-me por ermas paragens da cidade sitiada na desaparição de tudo. Nada via pela íngreme vertigem de seus mistérios, até à beira do precipício. Convidou-me a pular, ela comigo. E diante dos laços de família esgarçados na minha solidão perene, abraçou-me acendendo o lustre e era o oásis do seu quarto pra guarida do meu desassossego. Deitou-me qual criança exaltada de temores e pra visão do esplendor ela se despiu como a mãe que se banha sem perder o filho de vista. Deitou-se com o aroma incensado de sua carne fresca, minha cabeça ao seu ombro, alisando meus cabelos, beijando-me as faces na minha felicidade clandestina. Achegou-se mais e sua pele na minha pele, senti seu ventre quente na via-crucis do corpo. Era quase de verdade, como se sonho que sonha real nos ponteiros loucos do tempo, a me mostrar da água viva e da legião estrangeira, a maçã no escuro, e eu a revolver seus mares, constelações e galáxias, até bem perto do coração selvagem. A cada beijo para não esquecer, mais me abraçava com as pulsações de um sopro de vida, a ensinar a imitação da rosa de corpo inteiro. E me contou histórias da mulher que matou os peixes, o mistério do coelhinho pensante, a bela e a fera, a vida íntima de Laura, a paixão segundo G. H., para que eu adormecesse sobre seus seios nus, uma aprendizagem no livro dos prazeres. À hora da estrela perguntou por onde estive nas noites de antes e sem me deixar dizer nada,  me falou da morte em pleno dezembro e que ia morrer dali a pouco pra guardar o seu momento pra mim. Eu tinha apenas dezessete anos e ela prestes a morrer na hora chegada e eu soubesse ela viva para sempre em mim no seu silêncio inatingível. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da compositora, pianista e escritora Jocy de Oliveira: Estórias para voz, instrumentos acústicos e eletrônicos, Noturno de um piano, Esferas rítmicas & Revisinting Stravinsky & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] O amor é uma criação de beleza, [...]. E quando o amor surge é uma obra de arte e o criador tem com ele todos os cuidados que se tem com uma obra de arte [...]. Pensamento extraído da obra Educação de Portugal (Ulmeiro, 1990), do filósofo, poeta e ensaísta português Agostinho da Silva (1906-1994), que em outra obra, Vida conversável (NEP/ CEAM/UnB, 1994), expressou que: [...] a capacidade de contemplação e de criação do homem, aproveitando tudo aquilo que foi feito com o sacrifício dos trabalhadores durante séculos e séculos. [...] esperança de que se estabeleça na Terra um paraíso terreal, de que, pela meditação, os homens cheguem a um tempo em que o paraíso terreal e o espiritual, o do Céu, sejam exatamente a mesma coisa [...] em que o homem deixa que brote de si tudo quanto é de possibilidade divina ao mesmo tempo que não perde nada da sua humanidade [...]. Veja mais aqui, aquiaqui, aqui e aqui.

AUTOESTIMA & HOJE – [...] A turbulência de nossa época exige indivíduos fortes, com um claro senso de identidade, competência e valor. Diante do colapso do consenso cultural, da falta de modelos de papéis dignos, das poucas coisas públicas que inspirem nossa fidelidade, e das rápidas e desorientadoras mudanças que são a feição permanente de nossa vida, é perigoso não saber, neste momento de nossa história, quem somos, ou não confiarmos em nós mesmos. A estabilidade que não podemos encontrar no mundo terá que ser criada dentro de cada um. Enfrentar a vida com baixa autoestima é estar em séria desvantagem [...] A mente que confia em si mesma não pesa sobre os pés.[...] a confiança em nossa capacidade de pensar; confiança em nossa habilidade de dar conta dos desafios básicos da vida; e confiança em nosso direito de vencer e sermos felizes; a sensação de que temos valor, e de que merecemos e podemos afirmar nossas necessidades e aquilo que queremos, alcançar nossas metas e colher frutos de nossos esforços [...] O que hoje se necessita e se exige, numa era de trabalhadores inteligentes, não é a obediência robotizada, mas pessoas que possam pensar.[...]. Trechos extraídos da obra Autoestima e seus seis pilares (Saraiva, 2002), do escritor e psicoterapeuta canadense Nathaniel Branden (1930-2014). Veja mais aqui.

O MELHOR TEMPO É O PRESENTE – [...] Ela era negra, ele era branco. Nada mais importava. Identidade era só isso, naquele tempo. Simples como as letras negras nesta página branca. Por causa dessas duas identidades, eles transgrediam. E conseguiram se dar bem, mais ou menos. Não eram tão visíveis, nem politicamente tão conhecidos, que vales-se a pena processá-los nos termos da Lei da Imoralidade: melhor seria mantê-los em observação, segui-los, por um lado, na expectativa de que deixassem pistas que levassem a militantes de mais peso, ou pela possibilidade de que fossem recrutados para fazer relatórios referentes ao seu nível de envolvimento, fosse o de dissidentes ou o de revolucionários. Na verdade, ele era um daqueles que, quando estudante, fora abordado discretamente com indiretas sutis baseadas no patriotismo ou, talvez, na suposição igualmente natural de que os jovens precisam de dinheiro, tendo sido deixado claro que ele não deveria se preocupar, pois sua segurança pessoal estaria garantida, bem como sua situação financeira, se ele se lembrasse das coisas que eram ditas nas reuniões a que ele estava presente e desempenhava seu papel. Engolindo uma golfada de repugnância e imitando o tom da abordagem, ele recusou a oferta — sem que o homem se desse conta de que a rejeição não era apenas da oferta, mas também da pessoa que se prestava ao papel de cafetão da polícia política. Ela era negra, mas isso agora é muito mais complexo do que o início e o fim da existência conforme registrada num arquivo ultrapassado de um país ultrapassado, muito embora o nome permaneça o mesmo. Ela nasceu naquele tempo; seu nome é uma assinatura do passado de sua origem, batizada na igreja metodista em que um de seus avôs fora pastor, e seu pai, diretor de uma escola local para meninos negros, era presbítero, sendo sua mãe presidente da sociedade feminina da igreja. A Bíblia era a fonte do primeiro nome de batismo, seguido do segundo, africano, o qual as pessoas brancas — que a criança teria que aprender a agradar, e com quem teria de lidar neste mundo — não associavam a nenhuma identidade. Rebecca Jabulile. Ele era branco. Mas também isso não é tão definitivo quanto era codificado nos arquivos antigos [...]. Trecho extraído do romance O melhor tempo é o presente (Companhia das Letras, 2014), da escritora sul-africana e Prêmio Nobel de Literatura em 1991, Nadine Gordimer (1923-2014). Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA – Umedece /teus lábios com sal, /  que não seja o de tuas lágrimas. / Esta chuva-água é presente dos deuses / bebe sua pureza, frutifica na hora certa. / Leva, pois, os frutos à boca, / corre para devolver o milagre de teu nascimento. / Cria marés humanas como as ondas, / imprime tua lembrança nas areias que ainda guardarão / fósseis. Poema do poeta e dramaturgo nigeriano Wole Soyinka. Veja mais aqui.

CLARICE LISPECTOR
UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES
I
Veja mais Clarice Lispector aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Lançamento do livro Porto Solidão & do filme Palmares, arte, poesia e amor, de Genésio Cavalcanti & muito mais na Agenda aqui.
&
O dedo mindinho do pé direito, Nasrudin de Indries Shah, o pensamento de Richard Orage, a arte de Liz West, a música dos Beatles, Gênesis, Pink Floyd & Led Zeppelin aqui.
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É ela todas as musas, a literatura de Dalton Trevisan, O ocasionalismo de Al-Ghazzali, a arte de Kazimierz Mikulski & Luciah Lopez, a música de Marlos Nobre, Galina Ustvolskaya, Gilberto Mendes & Miriam Ramos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo. Fone: 11 98499-2985.


segunda-feira, julho 13, 2015

SOYINKA, EMIR SADER, KUREISHI, PISCATOR, JOÃO BOSCO, KRICHELDORF, VÁCLAV & CINEMA!!!!!



A Voluptuous Nude, do artista plástico alemão Carl Kricheldorf (1683-1934)


A CRISE HEGEMÔNICA NA AMÉRICA LATINA – No livro A nova toupeira: os caminhos da esquerda latino-americana (Boitempo, 2009), do sociólogo e cientista político Emir Sader, encontro A crise hegemônica na América Latina, em que o autor assim se expressa:  [...] A construção de um projeto hegemônico pós-neoliberal requer, antes de tudo, uma análise das transformações acontecidas nas décadas de aplicação de políticas neoliberais. a) Este tem, antes de tudo, de descobrir a nova geografia da força de trabalho, com sua nova morfologia, especialmente em todo o universo dos que sobrevivem nos multiplicados espaços informais da sociedade. Sem isso, o tema do trabalho que segue sendo estratégico - permanecerá reduzido às dimensões da força de trabalho formal e dos sindicatos. Sem essa reconstituição não se superará o isolamento da esquerda, de suas forças políticas e movimentos sociais, com respeito às novas gerações de juventudes pobres. b) Tem, assim mesmo, de definir a natureza do período histórico com clareza – de hegemonia neoliberal -, com todos os seus elementos de força e de debilidade. Para o qual necessita compreender a capacidade hegemônica maior do neoliberalismo, que reside na sua capacidade de influência ideológica, a partir do chamado american way of life, que disputa a mente de pessoas de praticamente todos os países do mundo, de todas as idades, gêneros e etnias. c) Teria, além do mais, de construir a força social, política, ideológica e organizativa para poder construir essa alternativa pós-neoliberal. A listagem de requerimentos poderia alongar-se demais. Para poder resumi-los, diríamos que dois princípios fundamentais têm de nortear a ação de uma força de esquerda hoje: o de que, “sem teoria revolucionária, não há prática revolucionária” e o de que, “nas sociedades de classe, a ideologia dominante é a ideologia das classes dominantes”. São princípios, porque estão profundamente ancorados na realidade e, embora às vezes se queira esquecê-los, reaparecem à nossa frente como constitutivos da luta contra as sociedades capitalistas, como vetores incontornáveis de qualquer prática social que se pretenda de transformação da realidade. O primeiro remete à ideia de que a prática é implacável frente aos erros teóricos ou à sua falta de elaboração teórica. Pois que, sem decifrar os nós que articulam a realidade concreta, não é possível transformar a teoria em instrumento de transformação. Ainda mais com fortes pressões institucionais e da mídia, via hegemonia do ideário liberal, a ausência de formulações teóricas que ancorem as propostas programáticas, estratégicas e táticas condena inevitavelmente as forças de esquerda à cooptação frente a essas pressões. O segundo representa a necessidade de construir projetos alternativos, para não facilitar uma tendência que hoje é dominante: a adaptação às políticas existentes, à institucionalidade existente, aos consensos fabricados pela grande mídia privada. Representa o reconhecimento da força da hegemonia liberal, tanto a nível econômico e político quanto social, como instrumento de disseminação dos valores da forma de viver estadunidense, que penetra praticamente em todos os setores da sociedade. No essencial, trata-se de reconhecer a dimensão da tarefa pela frente: a de elaborar um projeto pós-neoliberal e construir a força - social, política, cultural e moral - capaz de torná-lo realidade. Veja mais aqui.

NO COLO DO PAI – O livro No colo do pai (Companhia das Letras, 2006), do dramaturgo, cineasta e escritor paquistanês Hanif Kureishi, é um mist de memória e ensaio autobiográfico, construindo duas trajetórias que envolvem, de um lado, o pai angustiado por uma vida inteira que poderia ter sido, mas não foi; e de outro, o filho que conseguiu se afirmar pessoalmente num país repleto de intolerância racial, fascinado pela contracultura num ambiente ainda preso a tradições, correndo riscos e pagando o preço para se libertar dos modelos políticos, religiosos e familiares de seu tempo. Da obra destaco o trecho inicial: No chão, num canto do meu escritório, saliente sob a pilha de papéis diversos, há uma pasta verde velha e surrada que contém o texto capaz de, suponho, revelar muita coisa a respeito de meu pai e de meu próprio passado. Desde que o descobri, porém, fico olhando para ele, depois desvio a vista para me concentrar em outra coisa, pensando nele sem fazer nada a respeito. Recebi o original há poucas semanas, reaparecido depois de mais de onze anos. É um romance escrito por meu pai, um legado de palavras, um testamento prolongado, talvez - ainda não sei o que contém. Como o restante de sua obra de ficção, nunca foi publicado. Acho que devo lê-lo. Quando comecei a pensar no livro que estou escrevendo, deitado à noite na cama - antes de acharem o texto de meu pai - eu pretendia que a obra começasse com outros livros. Refletia sobre o passado, como agora faço frequentemente, recuando mais e mais nos devaneios, e pensava que reler os autores que apreciava na juventude talvez fosse um modo de captar meu jeito quando jovem. Retornaria, por exemplo, a Kerouac, Dostoiévski, Salinger, Orwell, Hesse, Ian Fleming e Wilde, para ver se conseguiria habitar novamente os mundos que um dia eles criaram em minha mente, e me reconhecer dentro deles. Além de tratar dos escritores mais importantes para mim, o livro deveria versar sobre os anos 1960 e 1970, postos ao lado do presente, incluindo material sobre o contexto no qual a leitura e depois a releitura ocorreram. Cada livro, eu esperava, reacenderia lembranças das circunstâncias em que fora lido. Isso faria então com que eu pensasse no que cada livro específico passara a representar para mim. Independentemente de quem mais constasse no livro, decidi desde logo concentrar o foco na obra de Tchecov, em suas cartas, peças e contos. Ele era um dos escritores favoritos de meu pai, e o discutíamos com frequência, o médico e o homem. Todos os livros contêm alguma atitude perante a vida, mas com o tempo abandonamos a maioria dessas abordagens; como relacionamentos extintos, elas não têm mais nada a nos oferecer. Mas ainda sinto curiosidade a respeito de Tchecov e das numerosas vozes que sua obra consegue sustentar, penso com freqüência em retornar não apenas a seus escritos mas a ele como homem, retornar ao modo como ele pensava e sentia e às questões que propunha. Atingi uma espécie de consciência pessoal e política nos anos 1970, uma época particularmente ideológica de auto-representação agressiva. Mulheres, gays e negros começavam a divulgar uma versão nova ou inédita de sua história. Para alguém que pretendia trabalhar no teatro, como eu, era impossível escapar ao argumento de que a cultura era inevitavelmente política. Depois de Trotsky ter dito que "a função da arte em nossa época é determinada por sua atitude perante a revolução", as únicas questões que restavam aos escritores eram: onde você se encontrava? O que você estava fazendo? (Ninguém poderia dizer: que revolução? sem ser excluído da conversa.) Quando eu não sabia qual era o objetivo de minha arte, ou quando queria pensar no que fazia como uma exploração de idéias e personalidades, eu me lembrava de Tchecov. Era um escritor sutil, o poeta supremo da desilusão, do sofrimento e da impotência; e, a exemplo de Albert Camus, um homem capaz de ver que ser empurrado para um nicho ideológico não beneficiava ninguém. O livro que eu pretendia escrever originalmente teria uma forma "livre", mais para o diário do que para a crítica, e trataria do modo como se lê ou se faz uso da literatura, tanto quanto de outras coisas. Afinal, é raro - para mim - ler um livro de ponta a ponta numa tacada. Leio, vivo, retorno ao livro, esqueço quem são os personagens (principalmente se eles têm nomes russos), pego outro livro, deixo de lado, saio de férias, e talvez chegue ao final sem me lembrar do começo. [...] Veja mais aqui.

FADISTA: VIAGEM NAS PRIMEIRAS HORAS – O poeta e dramaturgo nigeriano Wole Soyinka foi o primeiro africano a ser contemplado com o Prêmio Nobel em 1986, autor de obras como Idanre and Other Poems (1967), Poems from Prison (1969), A Shuttle in the Crypt (1972), Poems of Black Africa (1975), Ogun Abibiman (1976), Mandela’s Earth and Other Poems (1988). Entre seus poemas destaco Viagem: Mesmo chegado ao fim da viagem, / jamais senti que tinha chegado. / Peguei a estrada / lentamente a subir a encosta das perguntas, e que me leva / inclusive a descer à terra que conduz a casa. Sei / que a minha carne está claramente mordiscada, perdida / para o perturbado peixe entre as vagas sussurrantes – deixei-os para trás em minha rota / E assim também com o pão e o vinho / necessito a partilha da derrota e da carestia / deixei-os para trás em minha rota / jamais senti que tinha chegado. / Embora amor e boas vindas me acolham em casa / os usurpadores gastam o meu copo em cada / banquete como se fosse a última ceia. Outro de seus poemas que merece destaque é Fadista: A minha pele está puída em demasia / De mim restam apenas as raízes capilares, os filtros fibrosos / Do nervo do tabaco puro / A tua rede está urdida com cordas de sitar / Para conter as mágoas dos deuses: muito deambulei / Em abóbadas de lágrimas da sublime / Rainha dos tormentos noturnos, tu tensas / suturas de música para suportar a imposição dos ritos / De vivos e mortos. Tu / Arrancas prantos estranhos da trovoada / Peneiras pedras raras das cinzas lunares, e elevas / Recados noturnos para o trono da angústia / Ai, há pétalas de mais machucadas / Para perfume, pesa de mais o passo do ar na asa da mariposa / Para uma xícara de pó de arco-íris / Dor de mais, ai, parteira no grito / Da ruptura, dedilha no cordão cósmico, imensas de mais / As dores pascais para um triz do eterno / Livrar-me-ia da tua tirania, livrar-me-ia / De súbitos mergulhos da carne no terremoto / Além de todo o abatimento de juízo / Livrar-me-ia de passeios precipitados / Em resmas de rochas e veias vulcânicas, puxado por corcéis escuros / sobre melódicas rédeas cinzentas. Por fim o poema Nas primeiras horas: Azul diáfano, o fumo do tabaco / Serpentine em filme molhado e esmalte de madeira, / Silencia cromo, grinaldas cortinas de veludo, / Escurece a caverna de espelhos. Dedos fantasma / Algas cabelo pente, veias Acquamarine derrame / Marooned de marinheiros, prisioneiros / De notas sensuais de Circe. O barman / Dispensa ígneas poções? / Somnabulist, a banda toca por diante. / Misturador cocktail, peixe prateado / Danças para clientes limpet. / Aplausos está mergulhada na lassidão, / Emaranhadas em teias de sussurros dos amantes / E cílios artful do andrógino. / O pairando carícia notas da noite / Mellowed índigo profunda? Ainda jogam. / Linger partidas. Ausências não / Empobrecem a taverna. Eles pairam sobre a neblina / Como exalações de margens recuaram. Em breve, / Noite retomar a posse do silêncio, mas até o amanhecer / As notas de dominar, smoky / Epifanias, possessivo das horas. / Perdoa essa música queixa, redime / A surdez do mundo. Noite se transforma / Para casa, envolto em notas de consolo, pregas / O silêncio quebrado do coração. Veja mais aqui.

O SIGNIFICADO DA TÉCNICA TEATRAL – No ensaio Linhas Fundamentais da dramatologia sociológica (Estética Teatral, 1980), do diretor, produtor teatral e um dos expoentes do teatro épico alemão, Erwin Piscator (1893-1966), ele trata do significado da técnica assinalando que: [...] A economia e a política são o nosso destino, e como resultado de ambas a sociedade, o social. E é somente quando reconhecemos esses três fatores, por consentimento, pela luta contra eles, que estabelecemos ligações entre a nossa vida e o histórico do século vinte. Logo, quando apresenta a elevação das cenas particulares ao histórico como ideia fundamental de toda a ação cênica, não se pode entender outra coisa senão a elevação ao politico, ao econômico e ao social. É por eles que unimos o palco à nossa vida. Quem à arte do nosso tempo apresenta outras exigências, faz, consciente ou inconscientemente, que se verifique o desvio ou o entorpecimento de nossas energias. Não podemos deixar que irrompam na cena impulsos ideais, éticos ou morais, quando as suas molas verdadeiras são políticas, econômicas e sociais. Quem não quer ou não pode reconhecer isso, não vê a realidade. E igualmente não pode o teatro dar vazão a outros impulsos, se pretende ser realmente o teatro atual e representativo da nossa geração. [...] O teatro atual, como a mim se apresente e como eu o dirijo, não pode limitar-se a agir sobre o espectador apenas artisticamente, isto é, esteticamente, sob a forte acentuação do sentimental. A sua missão consiste em intervir ativamente no curso do fato histórico. E ele só cumpre a missão mostrando a história em seu curso. O teatro não pode aceitar nenhuma limitação a isso. Tem de reivindicar o direito de, no curso histórico de um determinado período como expoentes de forças sociais e políticas. A única limitação que o teatro atual reconhece, na representação de tais personalidades, é a verdade histórica [...]. Veja mais aqui.

FATAL CHARM – O suspense Fatal Charm (1977), dirigido por Stelvio Massi, tem uma bela imagem e uma razoável história sobre o desaparecimento de mulheres bonitas, até que um detetive passa a investigar o caso para descobrir o mistério por trás desses desaparecimentos. A película traz muita ação, aventura e suspense, culminando com a destacada atuação da atriz e escritora britânica Joan Collins que ficou famosa com a série Dynasty e pela sua participação especial na série A cidade a beira da eternidade. Em 2014 ela revelou que foi violada aos dezessete anos pelo ator Maxwell Reed, que viria a ser o seu primeiro marido. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do gravador tcheco Václav Hollar (1607-1677).

Veja mais sobre:
O passado escreveu o presente; o futuro, agora, Sociolinguística de Dino Preti, o teatro de Bertolt Brecht, Nunca houve guerrilha em Palmares de Luiz Berto, a música de Adriana Hölszky, a escultura de Antonio Frilli, a arte de Thomas Rowlandson, a pintura de Dimitra Milan & Vera Donskaya-Khilko aqui.

E mais:
A liberdade de expressão, A filha de Agamenon de Ismail Kadaré, A natureza de Parmênides de Eléia, Poema sujo de Ferreira Gullar, O teatro essencial de Denise Stoklos, a música de Badi Assad, o cinema de Ingmar Bergman & Liv Ullmann, a escultura de Emilio Fiaschi, Programa Tataritaritatá, a pintura de Gustav Klint & Vera Donskaya-Khilko aqui.
O discurso do método de René Descartes, a música de João Bosco, o teatro de Denise Stoklos, o cinema de Ingmar Bergman, a pintura de Gustav Klimt, Sandra Regina, Bernadethe Ribeiro & Danny Calixto aqui.
Literatura de cordel: História do capitão do navio, de Silviano Pirauá de Lima aqui.
Preconceito, ó! Xô pra lá, Diários de viagem de Franz Kafka, A revolta de Atlas de Ayn Rand, A lua e o infinito de Giacomo Leopardi, a música de Leoš Janáček & Cheryl Barker, o cinema de Alessandro Blasetti & Sophia Loren, Maguerite Anzieu & Jacques Lacan: caso Aimée, a arte de Liliana Castro, a pintura de Helmut Breuninger & Hermann Fenner-Behmer aqui.
Os vexames dum curau no sul, O absurdo de Thomas Nagel, Voragem de Junichiro Tanizaki, Pretidão de amor de Emílio de Meneses, Mão na luva de Oduvaldo Vianna Filho, o cinema de Olivier Assayas & Maggie Cheung, a música de Rosalia de Souza, a pintura de Pierre-Auguste Renoir & Suzanne Frie aqui.
Quadrilha das paixões mais intensas, Vaqueiros & cantadores de Luís da Câmara Cascudo, Terra de Caruaru de José Condé, a música da Orquestra Armorial & Cussy de Almeida, A Setilha de Serrador, O casamento de Maria Feia de Rutinaldo Miranda Batista, a arte de Roberto Burle Marx. a xilogravura de Severino Borges, J. Miguel & Vermelho aqui.
Entre nós, vivo você, as gravuras de Lasar Segall, a música de Sivuca, Cartilha do cantador de Aleixo Leite Filho, Cancão de fogo de Jairo Lima, a poesia de Belarmino França, a arte de Luciah Lopez, a xilogravura de J. Borges & José Costa Leite aqui.
Dos bichos de todas as feras e mansas, Cantadores de Leonardo Mota, O Romance da Besta Fubana de Luiz Berto, O martelo alagoano de Manoel Chelé, a música do Duo Backer, a escultura de Antoni Gaudí, a militância de Brigitte Mohnhaupt, a arte de Natalia Fabia & a xilogravura de J. Borges aqui.
Quem desiste jamais saberá o gosto de qualquer vitória, A linguagem & as ciências de Roman Jakobson, Nos caminhos de Swan de Marcel Proust, a arte de Regina José Galindo, a fotografia de Thomas Karsten, a pintura de Henry Asencio, a música de Secos & Molhados & Luiza Possi aqui.
Tudo em mim, mestiço sou, O povo brasileiro de Darcy Ribeiro, A história da minha vida de Helen Keller, Anarquismo & ensaios de Emma Goldman, a escultura de Luiz Morrone, a fotografia de Pisco Del Gaiso, Os Fofos Encenam & Viviane Madu, a música de Guilhermina Suggia & a pintura de Martin Eder aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Lezend naakt, do artista plástico holandês Isaac Lazarus Israels (1865-1934)
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

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