Mostrando postagens com marcador Luz del Fuego. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luz del Fuego. Mostrar todas as postagens

terça-feira, abril 01, 2025

GLÓRIA STEINEM, MIN JIN LEE, LINDA SUE PARK & LADY TEMPESTADE

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Apimentada (2018) e Nossa Melhor Visão de Mundo (2023), da compositora, pianista e professora Deborah Levy, como parte de um olhar sensível ao processo da humanidade no momento difícil da pandemia, baseado numa visão holística da artista que provoca, por meio da música, a reflexão sobre uma nova visão de mundo. Ela é Bacharel em Música Popular Brasileira - Arranjo Musical na UNIRIO em 2005 e completou o Mestrado na mesma instituição em 2016, com a dissertação O Brazilian Jazz no eixo Rio-São Paulo na década de 1980.

 

Manguaba & o outro lado da existência... - Lugaroutro, mais um dia, nada demais, parecia. Não fosse a margem da lagoa o espetáculo, as águas transbordariam por meus olhos, peito inchado além das vontades e fruindo dos diferentes lugares e instantes dali. Na verdade, me sentia como se renascesse em cada momento, do tamanho de tudo que via: o universo unânime e todas as coisas imortais, o repertório da diversidade da causa primordial e na tarde crepuscular o amanhecer do dia se realizasse imorredouro – e fechasse os olhos para apreender o infinito, livre do que seria a morte e de qualquer lembrança. Dei-me a oportunidade de reviver ali a estadia na Ilha do Sol, com os fios de ouro dos dias estivais e a dançarina Dora de Cachoeiro do Itapemirim era Luz del Fuego, mãos e pernas no alvoroço da vida à flor d’água da Manguaba. Aquilo durava pouco, mas deixava marcas perenes. Por certo não haveria aquela quarta-feira de 19 de julho, muito menos a atroz vingança usurpando todas as margens de erro e ela não teria sido violentada e, seu corpo amarrado pelas pedras, jamais seria lançado ao mar para ser encontrado só dias depois. Jamais aconteceria e, no lugar de sua dança, uma fonte milagrosa brotaria para lavar as heresias civilizatórias e eu escaparia do presente inapreensível no simultâneo desconhecido, das sucessões de golpes inquisitoriais, da direção das vãs incertezas: a vida não se renderia coagida aos silêncios e olhares graves. As horas não seriam agora os que já foram, nem me perderia vencido pela tentação dos fins sinistros da vontade cega - quem à luz da razão enxergasse a hipocrisia e a loucura, o sacrifício de sobreviver aos flagelos mais imprevisíveis, aos disfarces de altruísmo pela dissonância cognitiva geral. Tudo era mais que impensável e poderia sorrir jeito que fosse, até por teimosia, a provar do que melhor ou pior entre a sabedoria e a insensatez. Quem perderia tempo, cada escolha não seria em detrimento de outras alternativas disponíveis. Afinal, a ausência de erros não confirmaria quaisquer acertos, porque até os clamorosos passavam, o difícil era ter de superá-los e distingui-los entre hediondos e fúteis. Quem proscrito suspenso no quase, emoções represadas, sentimentos rasurados, fronteiras borradas, teria a coragem de enfrentar o que o cimento escondia, valendo-se de buracos nas paredes e muros, sem que precisasse aquilatar do ínfimo ou sintomático, ou do sucessivo na analogia do infiel. Viver é acordar dum sonho à beira do abismo. E viva! Até mais ver.

 

Malika Oufkir: Cada dia é um milagre que me intoxica. Eu quero mais. Saúdo cada manhã como um novo prazer. E ainda assim estou profundamente ciente de todos os artifícios da vida... Veja mais aqui & aqui.

Han Kang: Estou lutando sozinha, todos os dias. Luto com o inferno que sobrevivi. Luto com o fato da minha própria humanidade. Luto com a ideia de que a morte é a única maneira de escapar desse fato... Veja mais aqui & aqui.

Camille Paglia: Regra da arte: a hipocrisia mata a criatividade!... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

NENHUM OUTRO LUGAR PARA IR

Imagem: Acervo ArtLAM.

Apague as luzes. \ Use outra camada. \ (Parece um pai.) \ (Parece uma mãe.) \ Você diz "de segunda mão". \ Eu digo retrô. \ Andar. \ Bicicleta. \ Ande um pouco mais. \ Reciclar. \ (Veja o que eu fiz lá, \ bicicleta—reciclar?) \ Seu nome em Sharpie \ em uma boa garrafa de água. \ Mochila. Novos hábitos. \ Não, obrigado, não preciso de uma bolsa. \ O que mais. \ Oh sim. \ Conte a dez amigos \ quem pode contar a dez amigos \ quem pode contar a dez amigos... \ Faça barulho suficiente, \ talvez os adultos \ finalmente ouvirão \ o grito no título.

Poema da escritora estadunidense Linda Sue Park. Veja mais aqui & aqui.

 

A VIDA & O VIVER – [...] Viver todos os dias na presença daqueles que se recusam a reconhecer sua humanidade exige muita coragem. [...] Você quer ver um homem muito mau? Faça um homem comum ter sucesso além da imaginação. Vamos ver o quão bom ele é quando pode fazer o que quiser. [...] A história falhou conosco, mas não importa. [...] Ninguém é limpo. Viver te deixa sujo. [...] O destino de uma mulher é sofrer. [...] A vida faz você pagar...todo mundo paga alguma coisa [...]. Trechos extraídos da obra Pachinko (Intrínseca, 2020), da escritora e jornalista coreana Min Jin Lee.

 

MINHA VIDA NA ESTRADA - [...] Eu mesma chorava quando ficava com raiva, então me tornei incapaz de explicar por que estava com raiva em primeiro lugar. Mais tarde, eu descobriria que isso era endêmico entre seres humanos do sexo feminino. A raiva é supostamente "não feminina", então a reprimimos - até que ela transborde. Eu podia ver que não falar fazia minha mãe se sentir pior. Esta foi minha primeira dica do truísmo de que a depressão é a raiva voltada para dentro; portanto, as mulheres têm duas vezes mais probabilidade de ficar deprimidas. Minha mãe pagou um alto preço por se importar tanto, mas ser capaz de fazer tão pouco sobre isso. Dessa forma, ela me levou a um lugar ativista onde ela mesma nunca poderia ir. [...] Às vezes penso que a única divisão real em dois é entre as pessoas que dividem tudo em dois e aquelas que não o fazem. [...] Quando os humanos são classificados em vez de vinculados, todos perdem. [...] O riso é um resgate [...]. Trechos extraídos da obra My Life on the Road (Random House, 2016), da escritora, jornalista e ativista estadunidense Glória Steinem, que no prefácio da obra The Vagina Monologues (Virago, 2001), de Eve Ensler, expressou que: [...] Não é de se admirar que os líderes religiosos masculinos digam com tanta frequência que os humanos nasceram em pecado — porque nascemos de criaturas femininas. Somente obedecendo às regras do patriarcado podemos renascer por meio dos homens. Não é de se admirar que padres e ministros de saias borrifem fluido de parto de imitação sobre nossas cabeças, nos dêem novos nomes e prometam o renascimento para a vida eterna. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

O DIÁRIO DE LADY TEMPESTADE

[...] Deixou claro que só poderei engravidar se deixar de advogar. Meu estado emocional perturba o metabolismo. É por demais cômico, luto pelos filhos dos outros, entram em minha vida, amarguram-me a existência e ainda me privam de ter filhos. [...] Em 1965, recebi um telefonema avisando-me que havia uma ordem de prisão contra mim. Quando desliguei bateram na porta, era a polícia. Abri e disse: vou me trocar. Sentaram-se na sala. No quarto fiz um bilhete para Dona Pepe, mãe de Ivo Valença, coloquei-o numa garrafa, e desci pela varanda recomendando meu filho recém-nascido. Tirei os lençóis do berço, para evitar que meu bebê sufocasse. Fui mais uma vez conduzida para a Secretaria de Segurança Pública. [...].

Trechos extraídos da obra Diários 1973-74 escritos por Mércia Albuquerque Ferreira (Potiguariana, 2023), da advogada Mércia Albuquerque Ferreira (1934-2033), organizado por Roberto Monte e conta que, em 1964, ao testemunhar a tortura pública do líder Gregório Bezerra nas ruas do Recife, decidiu dedicar-se à defesa de presos políticos durante a ditadura militar (1964-1985), sendo reconhecida como a maior advogada nordestina de presos políticos, ao atuar em aproximadamente 500 casos, defendendo indivíduos perseguidos pelo regime militar. Por conta disso enfrentou riscos significativos e foi presa diversas vezes. Após falecer seu acervo, composto por diários, cartas e documentos jurídicos, foi doado ao Centro de Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP), no Rio Grande do Norte. A obra inspirou o monólogo Lady Tempestade (2024), solo da atriz Andréa Beltrão, dirigido por Yara Novaes e roteiro da dramaturga Silvia Gomez, em cartaz no Teatro Poeira, São Paulo: Mércia dizia que era uma contadora de histórias de pessoas que reconstruíram a liberdade. Eu sou uma contadora de histórias. Eu acredito que contar histórias é uma maneira amorosa de pensarmos juntos no nosso passado, nosso presente e nosso futuro. Contar histórias amorosamente, para nunca esquecer. Para tentarmos responder às perguntas que nos fazemos aqui e agora... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

& mais:

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Diário TTTTT aqui.

Literatura Indígena: Cosmovisões & Pela Paz aqui & aqui.

Poemagens aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.

 


quarta-feira, abril 01, 2015

JENNIFER TREMBLAY, VÉRONIQUE OVALDÉ, AVA GARDNER, LUZ DEL FUEGO & NAURO MACHADO

 


AVE, AVA! - A caçula Lavínia era capricorniana filha de pobres produtores de tabaco e algodão que perderam tudo, findando o pai trabalhar numa serraria. Sua mãe era cozinheira e impôs a ela a fé batista. Foram para a Virgínia e lá perdeu o pai para a bronquite: Ninguém queria conhecer o papai quando ele estava morrendo. Ele estava tão sozinho. Ele estava com medo. Eu podia ver o medo nos olhos dele quando ele estava morrendo. Eu fui ver o pregador, o cara que me batizou. Eu implorei que ele viesse visitar o papai, só para falar com ele, sabe? Dê-lhe uma bênção ou algo assim. Mas ele nunca o fez. Ele nunca veio. Deus, eu o odiava, bastardos frios assim deveriam... eu não sei... eles deveriam estar em outra raquete, eu sei disso. Eu não tinha tempo para religião depois disso. Eu nunca orei. Eu nunca disse outra oração... Aí se mudaram para a Carolina do Norte. Foi uma foto tirada pelo marido de sua irmã que a levou para New York. Estava com 18 anos e, mesmo não sabendo cantar, falar ou atuar, acharam-na fantástica. E depois de anos treinando a fala com pequenos papéis, ela interpretou Kitty Collins no The Killers. Seus atributos físicos falavam mais alto. Casou-se e foi só o começo: atuou como a beleza da Maria Vargas no He Barefoot Contessa; estrelou como Guinevere no Cavaleiros da Távola Redonda; e foram tantos, até se mudar para Londres, passando por uma histerectomia eletiva, atendendo reivindicação materna. Divorciou-se em segredo e partiu para um segundo casamento também breve. A mulher fatal foi logo prum tumultuado terceiro casamento e o sucesso com Show Boat. Outros relacionamentos apimentaram sua vida de ateia convicta, mudando-se para a Espanha, onde abundaram amantes, aventuras extraconjugais e tórridos romances que transitavam por seus olhos verdes agateados, seus volumosos cabelos castanhos e um semblante bem esculpido, inaugurando aquela do ditado: solteira, mas nunca sozinha: a destruidora de lares. Fumante inveterada – sofria de enfisema e distúrbio autoimune. Veio então o derrame: o corpo paralisado parcialmente, impediu-a de atuar - Ou escrevo o livro ou vendo as joias... Vitimada por uma pneumonia, levou uma queda e ficou sozinha: Eu estou tão cansada... Veja mais abaixo e também aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Desejo viver até os 150 anos, mas quando eu morrer, desejo que seja com um cigarro em uma mão e um copo de uísque na outra. A verdade é que o único momento em que estou feliz é quando não estou fazendo absolutamente nada. Não entendo pessoas que gostam de trabalhar e falam sobre isso como se fosse algum tipo de dever. Não fazer nada é como flutuar em água morna para mim. Delicioso, perfeito. É uma pena que ninguém mais acredite em luxúria simples... Pensamento da atriz e cantora estadunidense Ava Gardner (Ava Lavinia Gardner – 1922-1990), que no seu livro Ava: My Story (Bantam, 1990), ela mencionou: [...] Sexo não é tão importante assim, mas é quando você ama muito alguém. [...] Quando você tem que encarar o fato de que o casamento com o homem que você ama realmente acabou, isso é muito difícil, pura agonia. Nesse tipo de situação angustiante, eu sempre vou embora e me isolo do mundo. Além disso, eu fico sóbrio imediatamente quando há más notícias genuínas na minha vida; eu nunca enfrento isso com álcool no meu cérebro. Eu apenas aluguei uma casa em Palm Springs e sentei lá e sofri por algumas semanas. Eu sofri lá até que eu estava forte o suficiente para enfrentá-lo [...] Talvez, na análise final, eles me vissem como algo que eu não era e eu tentasse transformá-los em algo que eles nunca poderiam ser. Eu os amava todos, mas talvez eu nunca tenha entendido nenhum deles. Eu não acho que eles me entenderam. [...] Deus sabe que eu tenho tantas fragilidades, eu deveria ser capaz de entendê-las e perdoá-las nos outros. Mas eu não consigo. [...]. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: As razões pelas quais ficamos nem sempre são fáceis de explicar... Cuidado com a paixão amorosa, essa doença mental... Era simplesmente sobre mim, eu que talvez não me desejasse bem, eu contra mim, eu sozinha contra mim... Pensamento da escritora francesa Véronique Ovaldé, que no seu livro Des vies d'oiseaux (l'Olivier, 2011) expressou: [...] A evitação é certamente uma das formas de convivência. [...] Basta convencer o seu interlocutor de que você é mais digno que ele e que tem mais razão que ele, e às vezes nem precisa dizer uma palavra, é só uma questão de levantar o queixo, levantar o queixo e você sempre será o mais forte. [...]. Já no livro Ce que je sais de Vera Candida (l'Olivier, 2009), ela expressa que: [...] Sua memória é uma enorme comoda com milhões de gavetas e as vezes as dadas ficam presas. [...]. No livro Les hommes en général me plaisent beaucoup (Actes Sud, 2003), ela assinala que: [...] Fecho bem as janelas e espero até que fique líquido, é uma forma como qualquer outra de eliminar tudo de ruim que há em mim, passa pelos poros da minha pele, evaporando imediatamente, desaparecendo tudo. [...]. No seu livro Et mon cœur transparente (l'Olivier, 2008), ela menciona: […] Um homem arranja uma amante para ficar com a esposa, enquanto uma mulher arranja uma amante para deixar o marido. […].

 

A LISTA - [...] A administração das listas é uma atividade complexa. Os itens numa lista não têm a mesma importância. Não sou nada racional. Minhas listas são intermináveis. [...] 'Achar o número da médica'. Eu não considerei corretamente essa tarefa. Eu devia tê-la considerado de imediato. Sem dúvida. Era urgente. Eu a considerei uma tarefa flutuante. Eu a reescrevia de uma lista à outra. Às vezes nem reescrevia. Eu a achava numa lista antiga. Isso me lembrava que eu tinha prometido. E eu a copiava novamente. [...]. Trechos extraídos da obra A Lista (Autêntica, 2015), da escritora canadense Jennifer Tremblay.

 

EDUCAÇÃO INFANTIL – Desde quando tive o primeiro contato com a criançada para uma manifestação artística, que tenho dedicado o meu trabalho nesses últimos trinta anos ao teatro, música e literatura infantis, e, ao mesmo tempo, me concentrado na pesquisa da Educação, tanto a Educação Infantil, como o Ensino Fundamental. O objetivo dos estudos voltados para a área de Educação é o de buscar a contribuição da arte na aprendizagem, desenvolvimento e formação da criança e do adolescente. Nesse sentido, o blog Brincarte do Nitolino tem dedicado especial atenção a esta temática. ATENÇÃO: Um recadinho pras crianças de todas as idades: Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino, nos horários das 10hs e das 15hs. Para conferir online é só clicar aqui ou aqui.

Imagem: Nude blonde woman, do pintor estadunidense Edgar Leeteg (1904-1953)

Ouvindo a ópera Francesca da Rimini, op. 25 (1905), do compositor, pianista e maestro russo Sergei Rachmaninoff (1873-1943), com Chor and Orchesta of The Bolshoi Theatre, Moscowm Mark Ermler, 1975. Ópera baseada no quinto canto da primeira parte de A Divina Comédia – poema épico parte do Segundo Círculo do Inferno, do poeta italiano Dante Alighieri (1265-1321). Veja mais aqui, aqui e aqui.

A PESCA DAS MULHERES – Imagem de J. Lanzelotti (In: Estórias e lendas dos índios, Humberto Galdus (Org.) - Edigraf, s/d) - No livro Os Bororos Orientais (Companhia Editora Nacional, 1942), de Antonio Colbacchini & César Albisetti, encontrei a narrativa A pesca das mulheres: Por muitos dias a fio os homens foram pescar sem resultado nenhum e à tarde voltavam de mãos vazias à aldeia. Vinham tristes não só pela má figura que tinham feito como também pela desagradável recepção que lhes faziam as mulheres. Elas chegaram ao ponto de desafiar os homens para vem quem pescava mais. Certa manhã todas juntas foram ao rio onde, com altos gritos, chamaram as lontras. As lontras atenderam logo e, conhecido o desejo das mulheres, mergulharam na água e pescaram abundantemente. Então as mulheres voltaram à aldeia sobrecarregadas, entre admiração e a vergonha dos homens, que no dia seguinte pensaram em tirar desforra. Mas não pescaram coisa nenhuma e regressaram de mãos abanando, entre o escarnio das mulheres as quais, no dia seguinte, com o auxilio das lontras, realizaram nova e abundantíssima pescaria. A coisa era de fato extraordinária e os homens começaram a recear alguma cilada. E o quituiréu, que é uma ave, tomou a si o encargo de esclarecer o mistério. Ele, com toda cautela, seguiu as mulheres na pesca e viu o que acontecia. Feita a descoberta, voltou à aldeia, reuniu os homens e, juntos estabeleceram o que era preciso fazer: cada um devia preparar uma corda com visgo, e ficar pronto para o dia seguinte. À volta das mulheres, mantiveram-se mudos e indiferentes, a tal ponto que elas se queixavam dessa inesperada atitude. Na manhã seguinte, os homens foram pescar. Levando a corda com visgo, chegaram ao rio e, industriados pelo quituiréu, chamaram as lontras que, como de costume, saíram da água pensando que fossem as pescadoras de sempre. Mas, quando chegaram bem perto, os homens lhes atiraram a corda ao pescoço e estrangularam-nas. Uma apenas conseguiu fugir. Tendo saído tão bem a empresa, os homens voltaram satisfeitos à aldeia, combinando entre si nada contar às mulheres. Estas, mais uma vez, vaiaram os homens enquanto eles, no fundo do seu coração, riam a bom rir. No dia seguinte, as mulheres foram pescar, mas voltaram do rio com os cestos quase vazios. Cheias de raiva por terem os homens descoberto a sua esperteza, urdiram logo uma vingança. Prepararam uma bebida com certa fruta chamada pequi, mas sem lhe tirar os numerosíssimos e pequeninos espinhos que, debaixo da carne, rodeiam a semente. Os homens beberam, mas sufocados por causa dos espinhos que se fincaram na garganta, começaram a fazer ú ú ú ú, para libertar-se dos mesmos. E ficaram transformados em porcos, que também fazem ú ú ú ú... Veja mais aqui.

INTRODUÇÃO À PSICOLOGIA DO SER – O livro Introdução à psicologia do ser (Eldorado, 1962), do médico e psicólogo estadunidense Abraham Maslow (1908-1970), aborda temas como a jurisdição mais ampla para a psicologia, a psicologia da saúde, o existencialismo, crescimento e motivação, necessidade de saber e o medo do conhecimento, crescimento e cognição, cognição do ser em experiências culminantes e como agudas experiências de identidade, alguns perigos da cognição do ser, resistência à rubricação do ser, criatividade nas pessoas individuacionantes, dados psicológicos e valores humanos, crescimento e saúde, saúde como transcendência do ambiente, tarefas para o futuro, proposições básicas para uma psicologia do crescimento e da individuação, psicologia social normativa, entre outros assuntos. Da obra destaco: Está surgindo agora no horizonte uma nova concepção de doença humana e de saúde humana, uma Psicologia que acho tão emocionante e tão cheia de maravilhosas possibilidades que cedi à tentação de apresentá-la publicamente, mesmo antes de ser verificada e confirmada, e antes de poder ser denominada conhecimento científico idôneo. Os pressupostos básicos desse ponto de vista são: 1. Cada um de nós tem uma natureza interna essencial, biologicamente alicerçada, a qual é, em certa medida, “natural”, intrínseca, dada e, num certo sentido limitado, invariável ou, pelo menos, invariante. 2. A natureza interna de cada pessoa é, em parte, singularmente sua e, em parte, universal na espécie. 3. É possível estudar cientificamente essa natureza interna e descobrir a sua constituição (não inventar, mas descobrir). 4. Essa natureza interna, até onde nos é dado saber hoje, parece não ser intrinsecamente, ou primordialmente, ou necessariamente, má. As necessidades básicas (de vida, de segurança, de filiação e de afeição, de respeito e de dignidade pessoal, e de individuação ou autonomia), as  emoções humanas básicas e as capacidades humanas básicas são, ao que parece, neutras, pré-morais ou positivamente “boas”. A destrutividade, o sadismo, a crueldade, a premeditação malévola etc. parecem não ser intrínsecos, mas, antes, constituiriam reações violentas contra a frustração das nossas necessidades, emoções e capacidades intrínsecas. A cólera, em si mesma, não é má, nem o medo, a indolência ou até a ignorância. É claro, podem levar (e levam) a um comportamento maligno, mas não forçosamente. Esse resultado não é intrinsecamente necessário. A natureza humana está muito longe de ser tão má quanto se pensava. De fato, pode-se dizer que as possibilidades da natureza humana têm sido, habitualmente, depreciadas. 5. Como essa natureza humana é boa ou neutra, e não má, é preferível expressá-la e encorajá-la, em vez de a suprimir. Se lhe permitirmos que guie a nossa vida, cresceremos sadios, fecundos e felizes. 6. Se esse núcleo essencial da pessoa for negado ou suprimido, ela adoece, por vezes de maneira óbvia, outras vezes de uma forma sutil, às vezes imediatamente, algumas vezes mais tarde. 7. Essa natureza interna não é forte, preponderante e inconfundível, como os instintos dos animais. É frágil, delicada, sutil e facilmente vencida pelo hábito, a pressão cultural e as atitudes errôneas em relação a ela. 8. Ainda que frágil, raramente desaparece na pessoa normal — talvez nem desapareça na pessoa doente. Ainda que negada, persiste subjacente e para sempre, pressionando no sentido da individuação. 9. Seja como for, essas conclusões devem ser todas articuladas com a necessidade de disciplina, privação, frustração, dor e tragédia. Na medida em que essas experiências revelam, estimulam e satisfazem à nossa natureza interna, elas são experiências desejáveis. Está cada vez mais claro que essas experiências têm algo a ver com um sentido de realização e de robustez do ego; e, portanto, com o sentido de salutar amor-próprio e autoconfiança. A pessoa que não conquistou, não resistiu e não superou continua duvidando de que possa consegui-lo. Isso é certo não só a respeito dos perigos externos; também é válido para a capacidade de controlar e de protelar os próprios impulsos e, portanto, para não ter medo deles. Assinale-se que, se a verdade desses pressupostos for demonstrada, eles prometem uma ética científica, um sistema natural de valores, uma corte de apelação suprema para a determinação do bem e do mal, do certo e errado [...]. Veja mais aqui, aquiaqui.

DA UBIQUIDADE OBCESSIONAL – No livro O exercício do caos (1961 – Antologia Poética – Imago, 1998), do poeta maranhense Nauro Machado, encontro o poema Ubiquidade Obcessional: Morre um pouco de mim no meu inicio ambíguo / a mente circunscreve o mundo à minha forma, / a fonte à minha boca, teu sonho, Jocasta, / a terra estiolada, e teu sangue materno. / No entanto as bestas mesmas soem ser felizes / pois, quando – não pensadas – as carnes se empenham. / E o ter-me em outros! Falta-me, em mim, minha vida / embora em sua excedência, morro na escassez. / Tudo que vive sem mim minha essência ambígua / consubstancia, embora seja só e inconsútil. Veja mais aqui, aquiaqui.



LUZ DEL FUEGOLuz del Fuego é o nome artístico adotado pela bailarina, vedete, naturista e feminista brasileira Dora Vivacqua (1917-1967) que criou a Ilha do Sol, em 1954, a primeira área naturista do país e o Clube Naturista Brasileiro, na ilha de Tapuama de Dentro, na Baía de Guanabara (RJ). Ela foi assassinada em 1967, juntamente com seu caseiro, amarrados e seus corpos jogados no fundo do mar. Sua história foi adaptada para o cinema em 1982, pelo diretor David Neves e estrelado pela atriz Lucélia Santos. Veja mais aqui.



Veja mais sobre:
A terra & o porvir da humanidade, Fecamepa, a pintura de Paul Gauguin, a música de Nivaldo Ornelas & a literatura de Adelino Magalhães aqui.

E mais:
A literatura de Hilda Hilst, o teatro de Antonin Artaud, a História da Literatura de Silvio Romero, a Esfera Estética de Max Weber, a música de Al Di Meola & Cynthia Makris, o cinema de Russ Meyer & Lorna Maitland, a pintura de Ludovico Carracci, a poesia de Iramar Freire Guimarães & Programa Tataritaritatá aqui.
A literatura de Clarice Lispector, o pensamento de Emil Cioran & Hilton Japiassu, Darcy Ribeiro & Fecamepa aqui.
As fases da persecução penal brasileira e o prazo razoável aqui.
Cantarau, a poesia de Thiago de Mello & Paul Verlaine, Hannah Arendt, Melanie Klein, o teatro de José Celso Martinez Corrêa, a pintura de Francisco de Goya & Vincent Van Gogh, a música de Tracy Chapman, o cinema de Warren Beatty, a arte de Méry Laurent & Paulo Cesar Barros aqui.
Nênia de Abril, Os filhos do barro de Octavio Paz, Jorge Tufic & Rogel Samuel, o Cogito de René Descartes, a música de Joseph Haydn, o cinema de Nagisa Oshima, a pintura de William Morris Hunt & Programa Tataritaritatá aqui.
Do amor e da vida, a História da Sexualidade de Michel Foucault, a educação sexual de Isaura Guimarães, a pintura de Di Cavalcanti & Daphne Todd, a música de Giacomo Meyerbeer, a poesia de Antônio Cícero, Nascente & a entrevista de Marina Lima aqui.
Cantos do meu país, o Febeapá de Stanislaw Ponte Preta, o pensamento de Mário Schenberg, a música de Ivan Lins & Vitor Martins, o teatro de Plínio Marcos, a fotografia de Marcia Foletto, Claudia Alende & o cinema de José Mojica Marins aqui.
Pelo jeito, o doro agora vai, a literatura de Antônio Alcântara Machado, a poesia de Eugénio de Andrade, a biopsicologia de John P. J. Pinel, a música de Mary Jane Lamond, a fotografia de Harry Fayt & a pintura de Ana Maia Nobre aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.


SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...