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quarta-feira, novembro 27, 2019

JACK LONDON, DUÍLIA DE MELLO, ISADORA DUNCAN & MINEHAHA MULHER DO BÚFALO


OS SEIOS DE ISADORA - A vida não é um sonho. Como se fosse, assim se fez para a caçula do banqueiro que faliu e se foi, da professora de música numa casa onde só o amor à arte e sonhos, mais nada, frio e fome a cada dia. O incêndio a desapropriou: a vida na rua, à beira da indigência. A escola sufocava o fogo ardente de sua meninice maltrapilha, nem um centavo no bolso. Os sonhos continuavam sonhos, selvagem de nascença, geminiana jamais domesticada, o lema sem limites. Até que seu corpo as ondas do mar, a água, o vento, as plantas: a nudez grega, a vitalidade desinibida e avassaladora, nenhuma ninfa ou fada, música e poesia na rebeldia descalça de seios à mostra na túnica transparente, cabelos soltos, corpo livre aos improvisos irreverentes, decididamente escandalosa, desnudada, aplaudida, exaltada. Fez-se raposa comunista e os horrores dos fuzilados do czar pelo pão da miséria, engasgada pelas lágrimas indignadas: cortejo interminável dos infelizes, aos ombros seus mártires mortos e era só uma menina dançando num jardim, a dança futura pela causa da humanidade, impulsiva, imprevidente. Até na morte dos filhos no rio Sena, a tristeza com os nervos em frangalhos. Os sonhos continuavam sonhos e descia do Olimpo, os seios à mostra com seu inesquecível fascínio, sua dissimulação a girar cabeças coroadas e casacudas, sempre ardente, às breves e arrasadoras aventuras amorosas, generosa e maternal com seus recursos secretos e imprevisíveis A alma se desprendia do corpo e os seios à mostra: o amor fraternal: o sonho do adeus ao brutal velho mundo. Incorrigível perdulária a ruminar, era assim que era: revolucionária e espontânea. O rosto devastado pelo ocaso: álcool e dívidas, a autobiografia. Os sonhos continuavam sonhos, seios à mostra e a echarpe no Bugatti conversível vermelho, a despedida para o amor insólito e o estrangulamento. O estopim decadente. Não mais sonhos para dormir o pesadelo de nunca mais nos seios floridos e finalmente escondidos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aquiaqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Estamos passando por um momento muito difícil, de descrédito. As pessoas acham que ciência é religião, que se acredita ou não se acredita. Não é assim. Ciência é baseada em fatos, não precisa de crença. O fato existe, a gente interpreta o fato com método científico. É com muita tristeza que vejo esse passo que a humanidade está dando. Tenho impressão que isso é passageiro, que é só uma regressão que estamos vivendo porque houve um certo descuido, principalmente, dos cientistas que precisam comunicar a ciência todos os dias ao público, e precisa educar o jovem para a ciência. Os cientistas no mundo todo acharam que a escola estava educando o suficiente e demonstrando a importância da ciência. Espero que todos os cientistas acordem, porque passou da hora de comunicar a ciência. É uma coisa muito difícil, não é todo mundo que tem talento de passar conhecimentos difíceis para uma linguagem simples. [...]. Trecho da entrevista Estamos no caminho errado (Agência Brasil-EBC, 2019), da astrônoma e professora de Física e Astronomia da University Washington, pesquisadora do Goddard Space Flight Center – NASA, e autora do livro Vivendo com as Estrelas (PandaBooks, 2009), Duília de Mello, falando sobre pesquisa espacial e divulgação científica, concedida ao jornalista Gilberto Costa. Veja mais aqui.

MINEHAHA, A MULHER DO BÚFALO
[...] É uma lenda básica da tribo Blackfoot que originou seu ritual da dança dos búfalos onde eles invocam a cooperação dos animais no jogo da vida. Se você levar em conta o tamanho de algumas dessas tribos percebe que para alimentá-los era preciso muita carne. E uma forma de ter carne para o inverno era fazer estourar uma manada de búfalos e fazê-los cair do alto de um rochedo. Essa história se passa com a tribo Blackfoot muito tempo atrás. Eles não conseguiam fazer os búfalos cair do penhasco; os animais se aproximavam e se desviavam. Eles não iam conseguir carne para o inverno. Certa manhã uma mocinha de uma das cabanas vai buscar água no poço para a família. E ela diz: "Ah, se vocês caíssem eu me casaria com um de vocês". E para sua surpresa eles todos vêm e começam a despencar. Essa foi a primeira surpresa. A segunda surpresa foi quando um dos búfalos velhos, o feiticeiro do rebanho, diz: "Tudo bem, você vem comigo". Ela diz: "Ah, não!" Ele diz: "Sim, você prometeu. Nós cumprimos a nossa parte, minha família está morta lá embaixo. Agora você virá comigo". De manhã, a família dela acorda e cadê a Minehaha? O pai procura e diz: "Ela fugiu com um búfalo". Ele percebe pelas pegadas. Então diz: "Vou busca-la". Calça seus mocassins, seu arco e flecha e vai para a planície. Depois de caminhar bastante fica com vontade de descansar e chega a um lugar chamado Charco dos Búfalos, onde os animais gostam de vir rolar na lama para se refrescar e se livrar dos piolhos. Ali começa a pensar no que fazer quando chega uma pega; é um pássaro de plumagem vistosa que tem dons especiais qualidades mágicas. Sim, mágicas. E o homem lhe diz: "Oh, belo pássaro, minha filha fugiu com um búfalo. Você a viu? Poderia encontrá-la nessa planície?" Ele responde: "Vi uma linda garota junto com os búfalos perto daqui". E o homem diz: "Você poderia ir até lá e dizer a ela que seu pai está aqui?" O pássaro voa até a garota no meio dos búfalos que estão dormindo. Não sei o que ela estava fazendo, tricô ou algo assim. O pássaro chega e diz: "Seu pai está lá no charco esperando por você". Diz ela: "Isso é terrível; é muito perigoso! Esses búfalos podem nos matar. Diga a ele que me espere, vou dar um jeito". Então seu marido búfalo acorda, tira um dos chifres e lhe diz: "Vá até o charco buscar água para mim". Ela pega o chifre, vai até o charco e lá está seu pai. Ele lhe diz: "Venha". Ela diz: "Não, é muito perigoso. O rebanho inteiro vai nos perseguir. Acharei um jeito; agora me deixe voltar". Ela apanha água e volta. Seu marido búfalo diz: "Fi, fá, fo sinto um cheiro de índio!". Ela diz: "Nada disso!". E ele diz: "Sim, com certeza". Ele dá um mugido de búfalo, todos se levantam e fazem uma dança lenta, com os rabos levantados. Vão até o charco e pisoteiam o pobre homem até ele desaparecer; ficar em pedacinhos. A garota chora e seu marido búfalo diz "Você está chorando?". "Esse é o meu pai", diz ela. "Ah é? E nós? Ali estão nossos filhos, mulheres, pais; todos mortos. E você aqui chorando pelo seu pai!", diz ele. Mas parece que ele era bonzinho; fica com pena e diz: "Se você conseguir trazer seu pai de volta à vida, eu a deixo ir embora". Então ela diz ao pássaro: "Procure pelo chão e veja se encontra um pedacinho do meu pai". O pássaro vai ciscando e acaba trazendo um ossinho. E a garota diz: "Isso já basta. Vamos colocar isso aqui no chão"; ela coloca o cobertor sobre o ossinho e canta uma canção mágica, de grande poder. E veja só, um homem debaixo do cobertor. Ela olha, é seu pai, mas ainda não está respirando. Ela continua cantando; ele fica de pé e os búfalos ficam espantadíssimos. Dizem: "Por que você não faz isso por nós? Nós ensinaremos vossa dança e depois que vocês matarem nossas famílias, você dança, canta essa canção e nós voltaremos à vida". Esta é a ideia básica: que através do ritual se alcança a dimensão que transcende a temporalidade, a dimensão de onde vem a vida e para onde volta. [...]
MINEHAHA, A MULHER DO BÚFALO – Extraída da obra O poder do mito (Palas Athena, 1990), do mitologista, escritor e professor estadunidense Joseph Campbell (1904-1987), com edição de Bill Moyers e organizado por Betty Sue Flowers, fruto de uma série de conversas mantidas entre o autor e o jornalista editor, numa combinação de sabedoria e humor, tratando sobre o casamento, os nascimentos virginais, a trajetória do herói, o sacrifício ritual, entre outras. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte não é, de modo nenhum, necessária. Tudo o que é preciso para tornarmos o mundo mais habitável é o amor. O corpo do bailarino é simplesmente a manifestação luminosa da alma.
Não me lembro de nenhum sofrimento que tivera por causa da pobreza de minha casa. Essa pobreza nos parecia muito natural. Eu sofria somente na escola. Para uma criança sensível e orgulhosa, o sistema da escola pública era tão humilhante como o cárcere. Eu estava sempre em rebeldia.
ISADORA DUNCAN – A arte da coreógrafa e bailarina estadunidense Isadora Duncan (1877-1927), considerada a precursora da dança moderna, aclamada por suas apresentações em todo o planeta. Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.

A OBRA DE JACK LONDON
Eu não vivo para o que o mundo pensa de mim, mas para o que eu penso de mim mesmo.
A obra do escritor, jornalista e ativista estadunidense Jack London (1876-1916) aqui e aqui.


quarta-feira, setembro 18, 2019

STEVEN PINKER, NEILA TAVARES, ISADORA DUNCAN, RITA JOANA, GINÁSIO MUNICIPAL DOS PALMARES & RESSURREIÇÃO DO BARÃO


A PRIMEIRA RESSURREIÇÃO DO BARÃO - Depois da perda trágica do segundogênito, teibei! E da fuga ruidosa de sua primogênita atrepada na cacunda dum robusto afrodescendente pintudo mundo afora - deu o créu! -, o Barão andou trocando as catracas do quengo e birutou assim sem mais nem meses. Foi. Arriou acamado trocando os olhos e fazendo bico, depois de um aluamento sem precedentes na terrinha boa de Alagoinhanduba. O homem virava a noite aos boticões, a dizer coisa sem nexo dia atrás de outro. Será que se cura, cochichavam. De repente, ele acordou mais endoidado do cabeção, às providências: Quero gemadas! Cadê a garrafada? Chamou o primeiro xeleleu que apareceu e despachou providência: Vá lá no armazém e traga isso aqui. O chaleira espiou a lista que não tinha mais fim: dez caixas de catuaba da boa, duas mil caçambas de ovos de codorna, duas toneladas de pimenta malagueta e por aí vai, tudo de revigorante e afrodisíaco. Tomou um bom bocado de talagadas vitamínicas, arrumou-se todo, pisou forte, bateu na caixa dos peitos e atravessou a ponte como quem vai ganhar o mundo. Chegava aonde fosse, à marra, distribuía picadas adoidadas no primeiro rabo de saia que encontrasse pela frente e não parou mais. Estava virado, impando nos cangotes cheirosos, com umbigadas de garanhão no cio. Não demorou muito, superpovoou o lugar de perder a conta do tanto da filharada: ora bastardos, enfurecido; ora afilhados, indiferente; fila enorme de bênção daqui, dali e dacolá: Deus te abençoe comboio de peste!. Lá pras tantas teve recaída de um malthusianismo escatológico, resolveu botar ordem nas coisas e dividiu a localidade em três partes: a do meio, direto da ponte morro acima e que separava tudo de um lado a outro, o Domatouro: simples, de lá de cima ele cagava raio, mandava capar maluvidos e adiantados, acabando com as raposas do harém, a jogar tudo ladeira abaixo, pro lado da Reicoa – o lado esquerdo da ponte, no qual instalou prestigiado prostíbulo em homenagem ao inferno, propício para as orgias e velórios, sepultamentos e missas de sétimo dia, templo construído em homenagem ao santo São Benedito, e, logo ao lado deste, um cemitério novinho em folha: Passou da conta, quebro o espinhaço e, se morreu, lascou. Já do lado direito da ponte, o Chocantão, esse mais arrumado - que dará cloro para o reduto das afilhadas do Barão, as melindrosas queridinhas exclusivas dele. No meio desse pastoril, eis que de uma das suas apadrinhadas, surgiu uma beldade reboculosa – paga de língua, filha dele. Pense numa formosura de menina que virou moça de quebrar pescoços e açodar defunto. Imagine o vexame! A adolescente tomou corpo de atiçar almas do Hades e esbugalhar olhos de anjos e arcanjos, um colosso de perdição. Nome dela? Repara só: Lili. O que ela tinha de belezura, tinha de jeitosice. Avalie o desmantelo. O que apareceu de piração na macharia, não está nem no gibi nem nas manchetes jornalísticas que sequer havia por ali. O Barão perdeu o siso e as estribeiras, partiu pro incesto e findou infartado numa maca hospitalar, vítima de priaprisma – dizem que comendo merda e rasgando dinheiro de tão pinel, gritando: Lili, é ela! Liliiiiiiiith! Lililili! A menina dava trabalho. O pior: bonitona e inteligentíssima. Cada vez que ela aparecia, um alvoroço se armava: tal Paulina de Viguière do sonho de Vera. Pois é, a Frineia alagoinhandubense mexia, sem querer, com vivos e mortos de todas as classes sociais, fosse distinto, pé-rapado, plenipotenciários, caboetas e quejandos: todos enlouquecidos de paixonite aguda por ela. Era uma multidão na porta de sua residência, de não ter mais tamanho, tudo esperando qualquer pontinha da sua aparição. E quando ela dava as caras, valha-me quem quer que seja, lá estava ela nem aí, faceira às leituras - diz-se dela airosa filósofa de coisas, ditos e fatos de ontens e amanhãs; que aprendeu sem se ensinar, sabia de tudo e sobre todas as coisas pretéritas, porvires e devires. Dizem mais: escreveu um tanto incalculável de obras, desde alfarrábios volumosos sobre as teorias da origem da vida e da morte, como opúsculos e fascículos sobre as ocorrências diárias das mais inusitadas temáticas, desde a receita de arroz doce saboroso à sobremesa, à explosão galáctica de não sei quantos milênios de anos-luz de distância. Só dizem. De mesmo, ninguém nunca viu nem capa de relance, muito menos encadernação que fosse dos seus valiosos escritos. Mas que era douta, era, batiam o pé. Para encurtar a história, ninguém sabe dizer ao certo se ela casou, morreu ou como foi que deu a vida dela de certo, só reprodução da memória repetida dos avós, bisavós e tataravós. Bote lonjura no tempo, lá para nem sei quando. Depois conto mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] A razão pela qual os especialistas têm dificuldade para se comunicar é que eles estão sujeitos à “maldição do conhecimento” – a dificuldade de entender como é não saber algo que eles sabem. Como resultado disso, autores usam abreviações e jargões ou falham em descrever o concreto, detalhes visuais de uma cena; eles pressupõem que seus leitores já sabem o que eles sabem e não se preocupam em explicar. Há inúmeras maneiras de evitar a maldição do conhecimento. A primeira é estar ciente dela, perguntar a si mesmo “o que meu leitor já sabe sobre o que eu estou escrevendo?”. Boa escrita requer empatia. A segunda coisa é colocar o texto de lado por um tempo e voltar para ele depois quando ele já não é familiar para você. Você se verá dizendo “o que eu quis dizer com isso?”. A melhor estratégia de todas é mostrar um rascunho para um leitor representativo e ver o que ele entende. Você se surpreenderá ao ver que o óbvio para você não é óbvio para todo mundo. [...] O erro é definido em relação às expectativas de determinado conjunto de leitores – um grupo de pessoas alfabetizadas que se importam com a escrita e esperam que determinadas convenções sejam seguidas. As línguas mudam, mas isso não acontece de terça para quarta-feira. Se sim, ninguém poderia compreender o outro e se você pegasse um jornal do ano anterior não entenderia nada [...] Os pensamentos ocorrem ao autor por meio de associações – uma ideia lembra outra que leva a uma terceira ideia. Em seguida, você se lembra que você quis dizer três coisas diferentes e que acabou omitindo-as. Aí você antecipa uma objeção e responde à essa objeção e assim por diante. Mas o fluxo da consciência de um autor não corresponde ao modo como o leitor consegue absorver uma informação. O mais importante princípio na hora de apresentar ideias é “dado, agora algo novo” – comece cada sentença com aquilo que o leitor já está pensando, então apresente a informação nova para o leitor no final da frase. Trechos de Boa escrita requer empatia (Carta Educação, 2016), entrevista do escritor, linguista e psicólogo canadense-americano Steven Pinker, concedida à jornalista Thais Paiva, sobre o lançamento da obra do autor, Guia de Escrita: como conceber um texto com clareza, precisão e elegância (Contexto, 2016). Veja mais aqui, aqui e aqui.

ALGUÉM FALOU: (Foto: Bárbara Nunes) - [...] Fico muitas vezes abismada com o desconhecimento geral das novas gerações de brasileiros (e nem sempre tão novas assim, já que isto inclui pessoas de 40, 50 anos de idade) de parte relevante de nossa História recente, relativa aos anos de ferro da Ditadura Militar no Brasil e América Latina. Saber daqueles dias é tão necessário para que se conheça a identidade de nosso povo e de nosso país e continente, de forma coletiva, como para que se entenda cada um de nós, pais e avós dos que chegam hoje à idade madura, que trazemos inevitavelmente no corpo e na alma as marcas e cicatrizes dos dias negros que vivemos. [...]. Trechos de Ditadura, esqueceu?, extraído do blog Geleia Geral, da atriz, escritora, jornalista e apresentadora de televisão, Neila Tavares. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

RITA JOANA DE SOUSA, FILÓSOFA BRASILEIRA
[...] Tão inacreditável, contudo, é o fato, que os historiadores de nossa cultura tacham-na de lenda literária, muito embora a filósofa houvesse existido em carne e osso, lenda sendo apenas a sua filosofia ao que parece. E mais extraordinário que tudo, a filósofa brasileira foi uma dessas frutificações tropicalmente precoces. Fruta temporã, bem cedo amadureceu e bem cedo caiu do galho, como a camélia do samba. Aos vinte e dois anos de idade, finou-se, não deixando versos de amor à posteridade, em que chorasse a tristeza da morte prematura que antevia, ou as decepções amorosas da juventude, mas tratados de filosofia natural e memórias histórias. [...] D. Rita Joana de Sousa, única filósofa brasileira, de que se tem noticia quase cinco séculos de vida do Brasil [...] era uma flor, era uma rosa, pela beleza, pelo encanto, pelos dotes e prendas. Não somente se perdia em complicados raciocínios filosóficos, mas também pintava, dizendo seus biógrafos que deixou quadros dignos de louvor e, além de tudo, a filósofa era bonita. [...] Era dotada de imensa erudição, dizem os que a ela se referem, adquirida em tão poucos anos de vida não sabemos como. Atribuem-lhe contudo a autoria de memórias históricas e até mesmo um tratado de filosofia natural [...] A formosa filósofa olindense continua como um dos tantos mistérios de nossa história literária. Nem um retrato, nem um verso, nem um livro dessa que foi um fenômeno de precocidade na vida do Brasil colonial. [...].
RITA JOANA DE SOUSA - Trechos de Uma filósofa brasileira, extraído da obra Vamos conversar sobre... (Itatiaia, 1972), do advogado, crítico literário, tradutor e escritor Oscar Mendes (1902-1983), sobre a filósofa, pintora, poeta e historiadora Rita Joana de Souza que, segundo o autor, nasceu em Olinda –PE, no dia 12 de maio de 1696 e faleceu em abril de 1718, enquanto são registradas as datas de 1595-1618 em diversas outras publicações. Ela tornou-se conhecida torna-se conhecida em 1902, quando no Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro divulgou-se o livro, até então inédito, Desagravos do Brasil e Glórias de Pernambuco, de Domingos do Loureto Couto, beneditino pernambucano. Segundo o crítico José Roberto Teixeira Leite, o monge dedicou à pintora um dos 17 capítulos de sua obra, cujo tema são as mulheres famosas de Pernambuco. Essa artista é tida como a primeira mulher pintora que trabalhou no Brasil, tendo se dedicado também as letras e a filosofia. Todos os seus manuscritos e obras artísticas desapareceram. Outras referências dão conta com o nome dela surgiu por conta da obra do padre Manuel Tavares, sob o pseudônimo de Diogo Manuel de Azevedo, publicada em 1734, em Lisboa, dando conta de sua grandeza. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Dançar é sentir, sentir é sofrer, sofrer é amar... Tu amas, sofres e sentes. Dança! O corpo do bailarino é simplesmente a manifestação luminosa da alma. A arte não é, de modo nenhum, necessária. Tudo o que é preciso para tornarmos o mundo mais habitável é o amor.
A arte da bailarina estadunidense Isadora Duncan (1878-1927). Veja mais aquiaqui.

GINÁSIO MUNICIPAL DOS PALMARES
Nesta terça-feira, dia 17 de setembro, foi dia de visita, juntamente com o parceiramigo Carlos Calheiros, ao Ginásio Municipal dos Palmares, ocasião que apresentamos à diretora da instituição educacional, professora Gelza Graça Barreto da Fonseca Assis, o projeto piloto do Festival TTTTT de Arte Estudantil, uma parceria deste blog com a SEMED/Biblioteca Fenelon Barreto. Veja mais aqui.
&
Outras do Barão aqui & O sonho de Vera aqui.


quarta-feira, maio 27, 2015

SLOTERDIJK, CÉLINE, JANUZELLI, ISADORA DUNCAN, ROUAULT & IVETE SANGALO.


REGRAS PARA O PARQUE HUMANO – A obra Regras para o parque humano: uma resposta à carta de Heidegger sobre o humanismo (Estação Liberdade, 2000), do filósofo alemão Peter Sloterdijk, que é dividida em partes que abordam desde a caracterização literária-epistolar do humanismo, o exame da crítica de Heidegger ao humanismo, o exame da crítica de Nietzsche ao humanismo, o exame da antropotécnica no diálogo Político, de Platão, até a reflexão final sobre o colapso contemporâneo do humanismo literário-epistolar, levantado áspero debate sobre o destino do ser humano na época da bioengenharia. Dessa obra destaco os trechos: [...] Com o estabelecimento midiático da cultura de massas no Primeiro Mundo em 1918 (radiodifusão) e depois de 1945 (televisão) e mais ainda pela atual revolução da Internet, a coexistência humana nas sociedades atuais foi retomada a partir de novas bases. Essas bases, como se pode mostrar sem esforço, são decididamente pós-literárias, pós-epistolares e, consequentemente, pós-humanistas. Quem considera demasiado dramático o prefixo “pós–” nas formulações acima poderia substituí-lo pelo advérbio “marginalmente” – de forma que nossa tese diz: é apenas marginalmente que os meios literários, epistolares e humanistas servem às grandes sociedades modernas para a produção de suas sínteses políticas e culturais [...] Nos ânimos fundamentalistas dos anos pós–1945, para muitos, e por motivos compreensíveis, não era suficiente retornar dos horrores da guerra para uma sociedade que mais uma vez se apresentasse como um público pacificado de amigos da leitura – como se uma juventude goetheana pudesse fazer esquecer uma juventude hitlerista. Naquele momento, parecia para muitos absolutamente indispensável, ao lado das recém-instauradas leituras romanas, retomar também as segundas, as leituras bíblicas básicas dos europeus, e evocar os fundamentos do recém-descoberto Ocidente no humanismo cristão. Esse neo-humanismo, que desesperadamente volta os olhos para Roma passando por Weimar, foi um sonho de salvação da alma européia por meio de uma bibliofilia radicalizada – um entusiasmo melancólico esperançoso pelo poder civilizador e humanizador de leitura clássica – se, por um momento, nos dermos a liberdade de conceber Cícero e Cristo lado a lado como clássicos.  [...] O que ainda domestica o homem se o humanismo naufragou como escola da domesticação humana? O que domestica o homem se seus esforços prévios de autodomesticação só conduziram, no fundo, à sua tomada de poder sobre todos os seres? O que domestica o homem se em todas as experiências prévias com a educação do gênero humano permaneceu obscuro quem ou o quê educa os educadores, e para quê? Ou será que a pergunta pelo cuidado e formação do ser humano não se deixa mais formular de modo pertinente no campo das meras teorias da domesticação e educação? [...] Assim como na Antigüidade o livro perdeu a luta contra o teatro, hoje a escola poderá ser vencida na batalha contra as forças indiretas de formação: a televisão, os filmes violentos e outras mídias desinibidoras, se não aparecer uma nova estrutura de cultivo (Kultivierungsstruktur) capaz de amortecer essas forças violentas. [...] há um desconforto no poder de escolha, e em breve será uma opção pela inocência recusar-se explicitamente a exercer o poder de seleção que de fato se obteve [...] Se o desenvolvimento a longo prazo também conduzirá a uma reforma das características da espécie – se uma antropologia futura avançará até um planejamento explícito de características, se o gênero humano poderá levar a cabo uma comutação do fatalismo do nascimento ao nascimento opcional e à seleção pré-natal [...] Veja mais aqui.

Imagem: Le Maillot Rose (1917), do pintor e artista gráfico francês Georges Rouault (1871 - 1958)

Curtindo a coletânea Se eu não te amasse tanto assim (2002), reunindo baladas românticas oriundas do álbum homônimo e outros álbuns anteriormente gravados pela cantora baiana Ivete Sangalo.



VAMOS APRUMAR A CONVERSA? REPRISE BRINCARTE DO NITOLINO – O blog do Projeto Brincarte do Nitolino reúne os trabalhos voltados para a Literatura, Música, Teatro, Educação, Direito e Psicologia da Criança, bem como atividades desenvolvidas de contação e cantanção de história, palestras, oficinas e outros eventos que contemplem esse universo. Hoje a gente faz uma saudação dedicada ao Dia Nacional da Mata Atlântica – esse patrimônio da vida – e também para o Dia do Serviço de Saúde – com os propósitos de uma ação integralizada, humanista, universal e que se contraponha à política da medicalização e atuação no universo da doença. Afinal o que devemos pretender é a promoção da saúde e da qualidade de vida paratodos, com ações e políticas preventivas que contemplem a todos os brasileiros. Merece registro também a passagem do Dia Mundial dos Meios de Comunicação - sempre na proposta de democratização e de respeito aos direitos à informação, ao conhecimento e à educação -, e Dia do Profissional Liberal. A todos nosso salve, salve! E como não poderia esquecer, hoje é dia da reprise do programa Brincarte do Nitolino para as crianças de todas as idades, nos horários das 10hs e das 15hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação de Isis Corrêa Naves. Para conferir online clique aqui ou aqui.

VIAGEM AO FIM DA NOITE – O romance Viagem ao fim da noite (1932 - Companhia das Letras, 2009), do escritor maldito francês Louis-Ferdinand Céline (1894-1961), é considerada a obra-prima do autor e que denuncia no absurdo da vida – crueldades, mentiras, desesperanças, futilidades, cupidez, indiferença, pobreza, mesquinharia, inveja - o sofrimento da condição humana do século XX. Da obra destaco o trecho: [...] Assim é! Século de velocidade! é o que dizem. Onde? Grandes mudanças! é o que contam. Como assim? Na verdade nada mudou. Continuam a se admirar, e mais nada. E isso também não tem nada de novo. Palavras, e ainda assim poucas, mesmo entre as palavras, que mudaram! Duas ou três aqui e acolá, umas palavrinhas...”. E aí, muito orgulhosos de termos proclamado essas verdades úteis, ficamos ali sentados, radiantes, olhando as mulheres do bar. Depois, o papo voltou para o presidente Poincaré que ia inau­gurar, justamente naquela manhã, uma exposição de cachorri­nhos; e depois, conversa vai conversa vem, para o Le Temps, onde isso estava escrito. “Esse aí é um jornal do barulho, o Le Temps!”, Arthur mexe comigo. “Igual a ele para defender a raça francesa não tem outro! — Bem que ela precisa, a raça francesa, já que não existe!”, respondi na bucha, para mostrar que eu sabia das coisas. — Claro que sim! que existe uma! E uma bela de uma raça! — insistia ele —, e é até a raça mais bonita do mundo, e é um veado quem disser o contrário! — E aí, partiu para me escu­lhambar. Aguentei firme, é claro. — É mentira! Araça, o que você chama de raça, não passa dessa grande corja de fodidos de minha espécie, catarrentos, pulguentos, espezinhados, que vieram parar aqui perseguidos pela fome, pela peste, pelas doenças e pelo frio, os vencidos dos quatro cantos do mundo. Não podiam ir mais longe por causa do mar. A França é isso e os franceses são isso. — Bardamu — diz-me então, grave e um pouco triste —, nossos pais valiam tanto quanto nós, não fale mal deles!... — Tem razão, Arthur, nisso você tem razão! Cheios de ódio e dóceis, estuprados, espoliados, sangrados e eternamente baba­cas, valiam tanto quanto nós! Isso você não pode negar! Nós não mudamos! Nem de meias, nem de mestres, nem de opiniões, ou então tão tarde que não vale mais a pena. Nascemos fiéis, estamos morrendo por causa disso! Soldados gratuitos, heróis para todo mundo e macacos falantes, palavras que sofrem, nós é que somos os xodós do Rei Miséria. É ele que nos possui! Quando a gente se comporta mal, ele nos aperta... Seus dedos estão sempre no nos­so pescoço, sempre, isso atrapalha para falar, temos que prestar muita atenção se queremos poder comer... Basta uma coisinha à toa e ele nos estrangula... Isso não é vida... — Existe o amor, Bardamu! — Arthur, o amor é o infinito posto ao alcance dos cachor­rinhos, e eu tenho minha dignidade, ora essa! — respondo. — Vamos falar de você! Você é um anarquista, e mais nada! Em todo caso, um espertinho, o que vocês já devem estar notando, e com opiniões para lá de avançadas. — Você está coberto de razão, sou um anarquista mesmo! Ea melhor prova é que escrevi uma espécie de oração vingativa e social pela qual você vai me dar já já os parabéns: as asas de ouro! É o título!... — E aí recito para ele: Um Deus que conta os minutos e os tostões, um Deus desesperado, sensual e resmungão como um porco. Um porco com asas de ouro, que cai por todo lado, de barriga para cima, pronto para ser acariciado, é ele, é nosso mestre. Beijemo-nos! — Sua historinha não se sustenta diante da vida, sou a favor da ordem estabelecida e não gosto de política. E aliás no dia em que a pátria me pedir para derramar meu sangue por ela, há de me encontrar, é claro, e nem um pouco preguiçoso, disposto a lhe dar. Foi isso que ele me respondeu. [...] Veja mais aqui.

APRENDIZAGEM DO ATOR – O livro Aprendizagem do ator (Ática, 1986), do diretor, advogado, ator, professor, pesquisador das práticas do ator e criado da Cia. Simples de Teatro, Antonio Januzelli – Janô, aborda temas como a proposta de Constantin Stanislavski, a arte do ator, normas básicas, o corpo, o gesto, a fala, as práticas, a proposta de Antonin Artaud, Jerzy Grotowski, Joseph Chaikin, o palco e a vida, o homem-ator, o método da subtração, a via negativa, o autodesenvolvimento, a atuação, o grupo, laboratório dramático, transgressão dos limites, organismo vivo, improvisação, exercícios específicos, descobertas e práticas, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho Uma preliminar: Existe uma senda muito particular no processo da aprendizagem humana que possibilita uma experiência de auto-investifação do individuo, cuja proposta não se situa na área da terapia, e que tem nos jogos, nas improvisações, em exercícios específicos e na atitude reflexiva o seu centro de gravidade. A meta dessa atividade, endereçada inicialmente ao ator de teatro, que no sistema Stanilavski é atingir o oceano do subconsciente, na proposta de Artaud é produzir a metafisica da ação, com Grotovski se destina ao desnudamento do ator, com Chaikin visa ao encontro do espaço sem limites, e que nas experiências que desenvolvido pretende conduzir o ator à prontidão global, é, em síntese, a eliminação de tudo o que obstrui os verdadeiros canais por onde flui o cósmico humano, isto é, o homem em sua plena individualidade, única e insubstituível, como senhor absoluto do poder de refletir e gerar um infinito de possibilidade de ser [...] Veja mais aqui e aqui.

VALLEY OF THE DOLLS – O drama Valley of the Dolls (O vale das bonecas, 1967), dirigido pelo realizador, editor e produtor canadense Mark Robson (1913-1978), roteiro de Helen Deutsch e Dorothy Kingsley e música de Doru Previn, Adré Previn e John Williams, é baseado no best-seller homônimo da atriz e escritora estadunidense Jacqueline Susann (1918-1974), e conta a história de três jovens mulheres aspirantes ao sucesso por meio da arte: uma cantora, uma atriz e uma funcionária de uma agência de artistas. Elas se tornam amigas e compartilham da ambição profissional até seguirem rumos distintos e viverem seus problemas insuperáveis. O destaque do filme são as participações no elenco da atriz canadense Barbara Parkins e da memorável atriz e modelo estadunidense brutalmente assassinada grávida pelos membros da seita de jovens seguidores da Família Manson, Sharon Tate (1943-1969). Veja mais aqui e aqui.


IMAGEM DO DIA
Hoje é dia da dançarina estadunidense e precursora da dança moderna Isadora Duncan (1877-1927)


Veja mais sobre:
Em mim a vida & o estouro dos confins de tudo, Corpus Hermeticum de Hermes Trismegistus, Ísis sem véus de Helena Blavatsky, O jardineiro do amor de Rabindranath Tagore, a música de Kitaro, a arte de Ewa Kienko Gawlik, a fotografia de Jovana Rikalo & Tataritaritatá no Encontro dos Palmarenses aqui.

E mais:
E num é que a Vera toda-tuda virou a bruxa das pancs na boca do povo, Iluminações de Walter Benjamin, Os bruzundangas de Lima Barreto, Marxismo & literatura de Cliff Slaughter, a música de Guiomar Novaes, a pintura de Pedro Sanz & Sara Vieira, a arte de Paolo Serpieri & Tataritaritatá na Gazeta de Alagoas aqui.
Vamos aprumar a conversa: responsabilidade dos pais & da família, O amor e o ocidente de Denis de Rougemont, As recordações de Isaías Caminhas de Lima Barreto, a música de Stevie Wonder, a poesia de Murilo Mendes & Raimundo Correia, o teatro de Friedrich Schiller, o cinema de Nelson Pereira dos Santos, a coreografia de Martha Graham & a pintura de Georges Braque aqui.
Vamos aprumar a conversa, O homem, a mulher & a natureza de Allan Watts, Amar, verbo intransitivo de Mário de Andrade, a poesia de Pedro Kilkerry & Augusto de Campos, Amor de novo de Doris Lessing, a música de Christoph Willibald Gluck, o teatro de Machado de Assis, Eurídice, o cinema de Walter Hugo Khouri & Vera Fischer, a escultura de Joseph Edgar Boehm, a pintura de Jean-Baptiste Camille Corot & a arte de Patrick Nicholas aqui.
A responsabilidade do agente político, excesso de poder & desvio de finalidade aqui.
As trelas do Doro: olha a cheufra aqui.
Fecamepa: quando embola bosta, o empenado não tem como ter jeito aqui.
A vida dupla de Carolyne & sua cheba beiçuda, Psicologia da arte de Lev Vygotsky, a poesia de William Butler Yeats, a música de Leonard Cohen, a pintura de Boleslaw von Szankowski & Raphael Sanzio, o cinema de Paolo Sorrentino & World Erotic Art Museum (WEAM) aqui.
Divagando na bicicleta, Dulce Veiga de Caio Fernando Abreu, Os elementos de Euclides de Alexandria, O teatro e seu espaço de Peter Brook, a música de Billie Myers, a fotografia de Alberto Henschel, a pintura de Jörg Immendorff & Oda Jaune aqui.
A conversa das plantas, a poesia de Cruz e Sousa, Memória das Guerras do Brasil de Duarte Coelho, Arquimedes de Siracusa, a música de Natalie Imbruglia, Orientação Sexual, a arte de Hugo Pratt & Tom 14 aqui.
Leitoras de James leituras de Joyce, a literatura & a música de James Joyce, Ilustrações de Henri Matisse, a fotografia de Humberto Finatti & a arte de Wayne Thiebaud aqui.
Incipit vita nuova, A divina comédia de Dante Alighieri, Raízes árabes no sertão nordestino de Luís Soler, a música de Galina Ustvolskaya, a pintura de Paul Sieffert, Ilustrações de Gustave Doré, a arte de Jack Vetriano & Luciah Lopez aqui.
E se nada acontecesse, nada valeria..., Agá de Hermilo Borba Filho, Fábulas de Leonardo da Vinci, As glândulas endócrinas de M. W. Kapp, a música de Tomoko Mukaiyama, Compassos Cia de Danças, a pintura de Bruno Di Maio & Madalena Tavares, a arte de Eric Gill & a xilogravura de Perron aqui.
Manoel Bentevi, Sinhô, Marshal McLuhan, Andrea Camileri, Marcelo Pereira, Mario Martone, Giulia Gam, Anna Bonaiuto Fecamepa – quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério! & Parafilias aqui.
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NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...