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sexta-feira, maio 27, 2016

PAGU, SCARTABELLO, BOAL, J. VEIGA, ROUAULT, PRISTINE CARTERA, TOM FEDRO & MATA ATLÂNTICA


SOU MATO, SOU MATA, SOU MATA ATLÂNTICA – Sou do mato e a mata é minha, o meu habitat atlântico no que sou chão, Terra. Sou mato, a flora e floresta ombrófila, sou bromélia, palmeiras, babaçu, vegetais heterogêneos, campos abertos, regiões montanhosas, florestas chuvosas perenes, mangues, restingas, manguezais. Sou mata, a fauna carismática do mico-leão-dourado & do preto & o da cara preta, da onça-pintada, do cervo-do-pantanal, do tucano-de-bico-preto, muriqui-do-norte, macaco-prego, sabiá-laranjeira, jacutinga, macaco-prego, rã-de-alcatráses & rã-cachoeira, tapaculo-ferrerinho, buchudinho-do-brejo, porco-espinho, arara-azul-pequena & antas. Sou mato, sou mata há mais de 10 mil anos desde o Eoceno, sou pau-brasil desde antes de 1502 na Terra Brasilis. Sou mato, sou mata, sou bioma de floresta tropical até o leste do Paraguai, até a província de Misiones da Argentina. Sou mato, sou mata e o intenso desmatamento e o que resta de pequenos fragmentos e dos danos das voçorocas e dos latifúndios, a cana e o café, o ouro, as ferrovias, cacau e papel, a caça e extração predatória, extração ilegal de madeira, queimadas, as hidrelétricas, sou residência pra 70% da população, sou floresta secundária & amparados da Serra, depleção das florestas e da diversidade de espécies, sou empobrecimento por erosão, sou redução da biodiversidade, sou perda da cobertura vegetal, sou assoreamento dos cursos d’água, sou o que resta do uso descontrolado e das consequentes contaminações por agrotóxicos, sou o que resta da poluição das águas, do ar e do solo, das savanas, matagais, pastagens, campos rupestres. Sou mato, sou mata e ecorregiões e ecossistemas, sou quase toda Serra do Mar, Sou do litoral de Pernambuco, sou Una no sul da Bahia e Espírito Santo, sou a Serra dos Órgãos, sou Mata de Aracáuria , sou Lagoa Santa das Minas Gerais, sou Pontal do Paranapanema, o Morro do Diabo, Lagoa São Paulo, Iguaçu, Sobral no Ceará, Mata dos Cocais no Maranhão, o Planalto da Borborema, Serra da Mantiqueira, Santa Maria dos pampas de solos ricos em calcário, Jurubatiba, Pico da Bandeira, Serra do Espinhaço, Ilha Grande, Rio Piranhas, Rio São Francisco, Paranapiacaba, Monte Pascoal, Sooretama, Linhares, Itabó de Itaipu, Serra de Baturité, Serra da Bocaina, Ilha do Cardoso, Superagui. Sou Lei, sou Vida, sou quase mais nada, sou Mata Atlântica. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui

 Imagem: a arte do pintor e artista gráfico francês Georges Rouault (1871-1958). Veja mais aqui.

 Curtindo a Symphony nº 3 - City of the Singing Flame Op. 40 for orchestra. (2015), do compositor para cinema e da sala de concertos. instrutor de música e engenheiro de áudio, multi-instrumentista, pintor e escritor Peter Scartabello.

PESQUISA
Técnicas latino-americanas de teatro popular: uma revolução copernicana ao contrário & Teatro do Oprimido na Europa (Hucitec, 1979), do dramaturgo e ensaísta Augusto Boal (1931-2009). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

LEITURA 
A hora dos ruminantes (Civilização Brasileira, 1978), do escritor do realismo fantástico brasileiro José J. Veiga (1915-1999). Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
A arte da polêmica, irreverente e emancipada escritora, diretora de teatro, tradutora, desenhista, jornalista e militante política Patricia Galvão – Pagu (1910-1962). Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
Turkus Florals - Dia de los Muertos, Tree of Life, by Pristine Cartera.

Veja mais sobre Brincarte do Nitolino, Peter Sloterdijk, Louis-Ferdinand Céline, Antonio Januzelli – Janô, Sharon Tate, Isadora Duncan, Georges Rouaul, Barbara Parkins & Ivete Sangalo aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Nude abstract, by Tom Fedro.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.




sábado, janeiro 30, 2016

A MULHER NA IDADE MÉDIA, AUTISMO, GERSÃO, FRITZ LANG, BENITA PRIETO, MAISA VIBANCOS & MUITO MAIS!!!

TODO DIA É DIA DA MULHER: A MULHER NA IDADE MÉDIA – No período compreendido historicamente como a Era do Obscurantismo, ler e escrever era um privilégio dos mosteiros, mantendo-se a igreja cristã a consideração de que a mulher era um zero, desprezadas tanto pelos homens como por elas mesmas, mantendo a condução secular de Eva como a arquiteta responsável pela queda do homem. Contudo, após mais de cinco mil anos de inferioridade da mulher, começou-se a perceber o que era vigente desde os tempos aristotélicos: o homem não era o elemento crucial na procriação. Isso se deve à descoberta de que em Bizâncio, a Virgem Maria era devotada, promovendo o surgimento da Mariolatria, no século XII, pela devoção de Bernard de Clairvaux da Ordem Cisterciense. Também ocorre no século XIII, Tomás de Aquino, o Doctor Angelicus, definir a mulher de então: como ela tinha sido criada da costela de Adão, era destinada à união social com o homem e, portanto, era sua companheira, mas somente em assuntos para os quais se tornava biologicamente indispensável, ou seja, a procriação. Com a Mariolatria, surgem as Martas, aquelas que vivem e morrem nas cidades, e o culto à Maria Madalena que era a figura da prostituta que se arrependera para seguir Jesus, dando-se oportunidade à construção de lares para arregimentar e converter as decaídas que haviam reconhecido o erro de sua trajetória. A mulher secularmente desdenhada se transformava em dama honorável pelo jogo do amor palaciano, oriundo do amor puro dos árabes e da importação do culto à Virgem Maria de Bizâncio. Tratava-se de uma condução em que era honrada apenas por sua virtude de dama pura, inatingível, virtuosa, admirável. Surgia, então, na Idade da Grosseria a dama da Idade da Cavalaria que passou a ser o grande tema da literatura e da vida da classe superior, resultado das Cruzadas, nas quais muitas mulheres se viram na necessidade de cuidar das propriedades e administrar terras, impostos, dízimos e até a política, além de descobrirem os prazeres de serem cantadas por poetas e trovadores, como Mocadem de Córdoba, Ibn Sara e Ibn Hazn, com canções de amor de um romântico herói que lutaria com o mundo para merecer o amor da amada. Esses eventos tiravam-nas da vida monótona com seu senhor e seu séquito fora de casa: a vida imitava a arte. Exemplo disso foi Eleanor de Aquitânia que ajudou a estabelecer o ideal do amor palaciano, ao casar-se com Luiz VII em 1137, cultuando o roman, um romance contando uma história em versos rimados sobre as maravilhosas aventuras no amor e na guerra. Quando ela se casou com Henrique II da Normandia e Inglaterra, patrocinava muitos trovadores notáveis, entre os quais Bernart de Ventadom. Suas filhas, principalmente Marie de Champagne, convenceram Chrétien de Troyes a fundir histórias de amor com ação, surgindo a partir de então a cavalaria: a dama era a insígnia do comando. Foi daí que surgiu o romance que se tornou lenda, dando conta do amor de Jaufré Rudel pela condessa de Trípole, na Síria, uma legendária beldade sobre quem ele ouvira falar através de peregrinos que retornavam da Terra Santa, ou da Graça Divina, buscando a felicidade de expirar nos braços de sua dama bem-amada. Também Guillaume de Larris exaltara a ideia alegórica da mulher virtuosa e Jean de Meun que desclassificava aquelas que não eram suficientemente nobres, ricas ou belas, para serem qualificadas como heroínas do amor palaciano. É durante esse período que surgem os demônios, súcubus e íncubus que, segundo Hinemar, bispo de Reims, atormentavam e tentavam homens e mulheres. Assinalam ser o demônio que aparecia para tentar as mulheres, ao tomar aparência do homem que ela amava, como o caso de uma freira atormentada pelas visitas de um íncubo até o exorcismo. Bernard de Chivaux diz que lidou com um caso de uma mulher que fora visitada todas as noites, durante seis anos, por um demônio que extraía dela o seu prazer, sem ao menos despertar-lhe o marido. Ocorre, porém, que o costume das damas em terem amantes foi transformado de um devaneio literário para uma visão noturna, clássica fantasia feminina da visita de homens, propagando que os demônios estavam em ação, como a súcubo visitava um homem e recebia sua semente; então transformado em íncubo visitaria uma mulher para transmitir-lhe aquela semente. Foi por essa razão que surgiu o Malleus Maleficarum, em 1486, o primeiro grande manual dos inquisidores de feitiçaria, para reprimir os desejos femininos e seus envolvimentos os demônios. Ocorre, por fim, no século XIV, que Eva finalmente cedeu lugar a Maria, com seu culto entre os franciscanos dos séculos XIV e XV, tornando-se uma cálida e compassiva mãe dos pobres e infelizes da terra. A crescente popularidade de Maria deveu-se muito aos trovadores, aos cistercienses e franciscanos, aos nobres, mercadores e burgueses, passando a ser ela a terna, amorosa e bondosa. Ao mesmo tempo, surgem os livros de cortesia, os quais passam a ser adotados pelas mulheres burguesas para aperfeiçoamento, como também os cintos de castidade que era usado para proteção contra estupro e para coibir a libertinagem da mulher. Como visto, na Idade Média o processo de desvalorização, sedimentado pela Primeira Mulher, se transformava com a visão da Virgem Maria como um meio de renovação, continuando, mesmo assim, a serem as mulheres consideradas pelo clero como criaturas débeis e suscetíveis às tentações do diabo, logo, deveriam estar sempre sob a tutela masculina. (Luiz Alberto Machado).

Veja mais:
 
PICADINHO
 Imagem: Prostitute, do pintor do Expressionismo e Fauvismo francês, Georges Rouault (1871-1958).


Curtindo o álbum Flutes Sonatas (Flötensonaten nº 272-277 – Naxos, 2006), com obras do compositor alemão Johann Joachim Quantz (1697-1773), com a flautista Verena Fischer, o cello de Klaus-Dieter Brandt e o cembalo de Leon Berben.

EPÍGRAFEQuem olha para uma montanha distante não repara na beleza de um dente-de-leão que está bem na sua frente. E quem se aproxima para olhar o dente-de-leão não vê como é bela a montanha ao longe. Para nós, as vozes das pessoas são mais ou menos assim, frase extraída do livro O que me faz pular (Intrínseca, 2014), do premiado jovem escritor autista japonês Naoki Higashida. Veja mais aqui.

A MULHER, O PATRIARCADO E A ESCRAVIDÃO – No livro Mulheres: o gênero nos une, a classe nos divide (Sunderman, 2008), de Cecília Toledo, encontro que no processo de origem do patriarcado, a esposa passou a ser uma propriedade do marido, como os outros bens, confirmadas por descobertas antropológicas que permitiram afirmar que a mulher não nasceu oprimida, mas passou a sê-lo devido a inúmeros fatores, dentre os quais, os decisivos foram as relações econômicas, que depois determinaram toda a superestrutura ideológica de sustentação dessa opressão: as crenças, os valores, os costumes, a cultura em geral. Nesse sentido, autora assinala que [...] a opressão da mulher está vinculada à existência da propriedade privada dos meios de produção, e apenas poderá ser superada com uma mudança total na infraestrutura das sociedades assentadas neste tipo de relação. Tal fato sinaliza diretamente um regime escravocrata que submetia à mulher aos mandos do homem. Pensamento similar é encontrado no livro Ser humana: quando a mulher está em discussão (DP&A, 2002), de Marcia Moraes, ao observar que no período da escravidão [...] desde os tempos mais remotos, exercitava o extremo sexismo necessário às praticas patriarcais, e essa foi a forma pela qual nasceu a diferenciação das classes sociais [...] As mulheres eram escravizadas não apenas pela força do trabalho, mas também pelos serviços sexuais prestados aos seus donos e pela reprodução”. Tal fato define que a exploração de mulheres de classes sociais baixas pelos homens de classe alta pode ser facilmente observada em toda história humana, incluindo o feudalismo e os tempos atuais. Veja mais aqui e aqui.

A CIDADE DE ULISSES – No livro Cidade de Ulisses (Sextante, 2011), da escritora portuguesa Teolinda Gersão, destaco os trechos: [...] Expor-se é também esconder-se. E também no disfarce os criadores são mestres [...]. Ao longo dos séculos também nós vivemos essa história de mulheres esperando, sozinhas, de filhos crescendo sem pai. Foi assim nas cruzadas, nos Descobrimentos, na guerra colonial, na emigração, até ao século XX. [...] Penelópe cansa de esperar por Ulisses e cede aos pretendentes, sobretudo a um deles, Anfínomo. Ulisses regressa e mata-a, ao saber dos seus amores com Anfínomo; [...] Penélope cansa-se de esperar por Ulisses e deita-se com os cento e vinte e nove pretendentes. Desses amores nasce o grande deus Pã; Mas não existia nenhuma versão em que Penélope escolhesse um dos pretendentes, que se tornaria rei de Ítaca, e ela rainha a seu lado. E em nenhuma versão se tornava ela própria rainha de Ítaca, no lugar de Ulisses, dissemos. No entanto seria provavelmente assim que hoje contaríamos a história. Veja mais aqui.

POEMEL & MULHERA poeta e professora Maisa Vibancos, que também se assina Maísa Pupila, já foi selecionada e publicada no Painel Brasileiro de Novos Talentos, da Câmara Brasileira de Jovens Escritoas, foi moderadora do Fórum do Guia de Poesia do Projeto SobreSites – RJ e edita o excelente blog Olhares poéticos... não poesias – Maísa Pupila. Dela destaco inicialmente o Poemel: Mistura/ sem culpas / servido em versos, / adoçam o tempo / e vem tictacteando; / o mel cai e inspira / sinestesicamente... / o poema transpira / - grudam-se os sabores: / Poemel nascente. E também o seu poema Mulher: Mulher / sinfonia constante - / em silêncio / ou no último volume, / música eterna / de todas as idades, / calma ou estressada / sempre mulher; / companheira, mãe, namorada, / amiga, avó, serena ou descontrolada - /afaga qualquer momento, / acaba com qualquer solidão. / Mulher / Sempre Grande, / Intensa e Única, / é como a natureza, / não desperdiça nada / recicla valores, / e em suas raízes eterniza / o milagre do amor. Veja mais aqui.

MLLE DUMESNILMarie Dumesnil, pseudônimo de Marie-Françoise Marchand (1713-1803), foi uma grande atriz francesa que estreou na Comédie Française, como Clitemnestra, em Iphigénie em Aulide, de Racine. Foi uma das principais intérpretes de Voltaire, de quem fez Mérope (1743), seu maior sucesso. Garrick apreciou com entusiasmo seu talento dramático, fruto mais de instinto e sensibilidade que de estudo. Em 1800, depois de abandonar o teatro, ela publica suas memórias escritas que contem importantes informações sobre declamação. Veja mais aqui.

BLUE GARDÊNIA – O filme Blue Gardênia (A Gardênia Azul, 1953), do cineasta austríaco Fritz Lang (1890-1976), é baseado na história homônima de Vera Caspary, contando a historia de um assassinato sensacional que representa uma imagem da vida norte-americana, quando uma garota ingênua torna-se suspeita desse crime, em mais uma análise das origens do mal. O destaque é para premiada atriz estadunidense Anne Baxter (1923-1985). Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Sonhando (1985), do artista plástico Siron Franco.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à escritora e contadora de história Benita Prieto. Veja aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA 
Veja aqui.

Veja as homenageadas aqui.

E veja mais Mahatma Gandhi, Educação, Michelangelo Antonioni, Vanessa Redgrave, Genesis & Phil Collins, Carlos Zéfiro, Jennifer R. Hale, Maria Luísa Mendonça & muito mais aqui.



quarta-feira, maio 27, 2015

SLOTERDIJK, CÉLINE, JANUZELLI, ISADORA DUNCAN, ROUAULT & IVETE SANGALO.


REGRAS PARA O PARQUE HUMANO – A obra Regras para o parque humano: uma resposta à carta de Heidegger sobre o humanismo (Estação Liberdade, 2000), do filósofo alemão Peter Sloterdijk, que é dividida em partes que abordam desde a caracterização literária-epistolar do humanismo, o exame da crítica de Heidegger ao humanismo, o exame da crítica de Nietzsche ao humanismo, o exame da antropotécnica no diálogo Político, de Platão, até a reflexão final sobre o colapso contemporâneo do humanismo literário-epistolar, levantado áspero debate sobre o destino do ser humano na época da bioengenharia. Dessa obra destaco os trechos: [...] Com o estabelecimento midiático da cultura de massas no Primeiro Mundo em 1918 (radiodifusão) e depois de 1945 (televisão) e mais ainda pela atual revolução da Internet, a coexistência humana nas sociedades atuais foi retomada a partir de novas bases. Essas bases, como se pode mostrar sem esforço, são decididamente pós-literárias, pós-epistolares e, consequentemente, pós-humanistas. Quem considera demasiado dramático o prefixo “pós–” nas formulações acima poderia substituí-lo pelo advérbio “marginalmente” – de forma que nossa tese diz: é apenas marginalmente que os meios literários, epistolares e humanistas servem às grandes sociedades modernas para a produção de suas sínteses políticas e culturais [...] Nos ânimos fundamentalistas dos anos pós–1945, para muitos, e por motivos compreensíveis, não era suficiente retornar dos horrores da guerra para uma sociedade que mais uma vez se apresentasse como um público pacificado de amigos da leitura – como se uma juventude goetheana pudesse fazer esquecer uma juventude hitlerista. Naquele momento, parecia para muitos absolutamente indispensável, ao lado das recém-instauradas leituras romanas, retomar também as segundas, as leituras bíblicas básicas dos europeus, e evocar os fundamentos do recém-descoberto Ocidente no humanismo cristão. Esse neo-humanismo, que desesperadamente volta os olhos para Roma passando por Weimar, foi um sonho de salvação da alma européia por meio de uma bibliofilia radicalizada – um entusiasmo melancólico esperançoso pelo poder civilizador e humanizador de leitura clássica – se, por um momento, nos dermos a liberdade de conceber Cícero e Cristo lado a lado como clássicos.  [...] O que ainda domestica o homem se o humanismo naufragou como escola da domesticação humana? O que domestica o homem se seus esforços prévios de autodomesticação só conduziram, no fundo, à sua tomada de poder sobre todos os seres? O que domestica o homem se em todas as experiências prévias com a educação do gênero humano permaneceu obscuro quem ou o quê educa os educadores, e para quê? Ou será que a pergunta pelo cuidado e formação do ser humano não se deixa mais formular de modo pertinente no campo das meras teorias da domesticação e educação? [...] Assim como na Antigüidade o livro perdeu a luta contra o teatro, hoje a escola poderá ser vencida na batalha contra as forças indiretas de formação: a televisão, os filmes violentos e outras mídias desinibidoras, se não aparecer uma nova estrutura de cultivo (Kultivierungsstruktur) capaz de amortecer essas forças violentas. [...] há um desconforto no poder de escolha, e em breve será uma opção pela inocência recusar-se explicitamente a exercer o poder de seleção que de fato se obteve [...] Se o desenvolvimento a longo prazo também conduzirá a uma reforma das características da espécie – se uma antropologia futura avançará até um planejamento explícito de características, se o gênero humano poderá levar a cabo uma comutação do fatalismo do nascimento ao nascimento opcional e à seleção pré-natal [...] Veja mais aqui.

Imagem: Le Maillot Rose (1917), do pintor e artista gráfico francês Georges Rouault (1871 - 1958)

Curtindo a coletânea Se eu não te amasse tanto assim (2002), reunindo baladas românticas oriundas do álbum homônimo e outros álbuns anteriormente gravados pela cantora baiana Ivete Sangalo.



VAMOS APRUMAR A CONVERSA? REPRISE BRINCARTE DO NITOLINO – O blog do Projeto Brincarte do Nitolino reúne os trabalhos voltados para a Literatura, Música, Teatro, Educação, Direito e Psicologia da Criança, bem como atividades desenvolvidas de contação e cantanção de história, palestras, oficinas e outros eventos que contemplem esse universo. Hoje a gente faz uma saudação dedicada ao Dia Nacional da Mata Atlântica – esse patrimônio da vida – e também para o Dia do Serviço de Saúde – com os propósitos de uma ação integralizada, humanista, universal e que se contraponha à política da medicalização e atuação no universo da doença. Afinal o que devemos pretender é a promoção da saúde e da qualidade de vida paratodos, com ações e políticas preventivas que contemplem a todos os brasileiros. Merece registro também a passagem do Dia Mundial dos Meios de Comunicação - sempre na proposta de democratização e de respeito aos direitos à informação, ao conhecimento e à educação -, e Dia do Profissional Liberal. A todos nosso salve, salve! E como não poderia esquecer, hoje é dia da reprise do programa Brincarte do Nitolino para as crianças de todas as idades, nos horários das 10hs e das 15hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação de Isis Corrêa Naves. Para conferir online clique aqui ou aqui.

VIAGEM AO FIM DA NOITE – O romance Viagem ao fim da noite (1932 - Companhia das Letras, 2009), do escritor maldito francês Louis-Ferdinand Céline (1894-1961), é considerada a obra-prima do autor e que denuncia no absurdo da vida – crueldades, mentiras, desesperanças, futilidades, cupidez, indiferença, pobreza, mesquinharia, inveja - o sofrimento da condição humana do século XX. Da obra destaco o trecho: [...] Assim é! Século de velocidade! é o que dizem. Onde? Grandes mudanças! é o que contam. Como assim? Na verdade nada mudou. Continuam a se admirar, e mais nada. E isso também não tem nada de novo. Palavras, e ainda assim poucas, mesmo entre as palavras, que mudaram! Duas ou três aqui e acolá, umas palavrinhas...”. E aí, muito orgulhosos de termos proclamado essas verdades úteis, ficamos ali sentados, radiantes, olhando as mulheres do bar. Depois, o papo voltou para o presidente Poincaré que ia inau­gurar, justamente naquela manhã, uma exposição de cachorri­nhos; e depois, conversa vai conversa vem, para o Le Temps, onde isso estava escrito. “Esse aí é um jornal do barulho, o Le Temps!”, Arthur mexe comigo. “Igual a ele para defender a raça francesa não tem outro! — Bem que ela precisa, a raça francesa, já que não existe!”, respondi na bucha, para mostrar que eu sabia das coisas. — Claro que sim! que existe uma! E uma bela de uma raça! — insistia ele —, e é até a raça mais bonita do mundo, e é um veado quem disser o contrário! — E aí, partiu para me escu­lhambar. Aguentei firme, é claro. — É mentira! Araça, o que você chama de raça, não passa dessa grande corja de fodidos de minha espécie, catarrentos, pulguentos, espezinhados, que vieram parar aqui perseguidos pela fome, pela peste, pelas doenças e pelo frio, os vencidos dos quatro cantos do mundo. Não podiam ir mais longe por causa do mar. A França é isso e os franceses são isso. — Bardamu — diz-me então, grave e um pouco triste —, nossos pais valiam tanto quanto nós, não fale mal deles!... — Tem razão, Arthur, nisso você tem razão! Cheios de ódio e dóceis, estuprados, espoliados, sangrados e eternamente baba­cas, valiam tanto quanto nós! Isso você não pode negar! Nós não mudamos! Nem de meias, nem de mestres, nem de opiniões, ou então tão tarde que não vale mais a pena. Nascemos fiéis, estamos morrendo por causa disso! Soldados gratuitos, heróis para todo mundo e macacos falantes, palavras que sofrem, nós é que somos os xodós do Rei Miséria. É ele que nos possui! Quando a gente se comporta mal, ele nos aperta... Seus dedos estão sempre no nos­so pescoço, sempre, isso atrapalha para falar, temos que prestar muita atenção se queremos poder comer... Basta uma coisinha à toa e ele nos estrangula... Isso não é vida... — Existe o amor, Bardamu! — Arthur, o amor é o infinito posto ao alcance dos cachor­rinhos, e eu tenho minha dignidade, ora essa! — respondo. — Vamos falar de você! Você é um anarquista, e mais nada! Em todo caso, um espertinho, o que vocês já devem estar notando, e com opiniões para lá de avançadas. — Você está coberto de razão, sou um anarquista mesmo! Ea melhor prova é que escrevi uma espécie de oração vingativa e social pela qual você vai me dar já já os parabéns: as asas de ouro! É o título!... — E aí recito para ele: Um Deus que conta os minutos e os tostões, um Deus desesperado, sensual e resmungão como um porco. Um porco com asas de ouro, que cai por todo lado, de barriga para cima, pronto para ser acariciado, é ele, é nosso mestre. Beijemo-nos! — Sua historinha não se sustenta diante da vida, sou a favor da ordem estabelecida e não gosto de política. E aliás no dia em que a pátria me pedir para derramar meu sangue por ela, há de me encontrar, é claro, e nem um pouco preguiçoso, disposto a lhe dar. Foi isso que ele me respondeu. [...] Veja mais aqui.

APRENDIZAGEM DO ATOR – O livro Aprendizagem do ator (Ática, 1986), do diretor, advogado, ator, professor, pesquisador das práticas do ator e criado da Cia. Simples de Teatro, Antonio Januzelli – Janô, aborda temas como a proposta de Constantin Stanislavski, a arte do ator, normas básicas, o corpo, o gesto, a fala, as práticas, a proposta de Antonin Artaud, Jerzy Grotowski, Joseph Chaikin, o palco e a vida, o homem-ator, o método da subtração, a via negativa, o autodesenvolvimento, a atuação, o grupo, laboratório dramático, transgressão dos limites, organismo vivo, improvisação, exercícios específicos, descobertas e práticas, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho Uma preliminar: Existe uma senda muito particular no processo da aprendizagem humana que possibilita uma experiência de auto-investifação do individuo, cuja proposta não se situa na área da terapia, e que tem nos jogos, nas improvisações, em exercícios específicos e na atitude reflexiva o seu centro de gravidade. A meta dessa atividade, endereçada inicialmente ao ator de teatro, que no sistema Stanilavski é atingir o oceano do subconsciente, na proposta de Artaud é produzir a metafisica da ação, com Grotovski se destina ao desnudamento do ator, com Chaikin visa ao encontro do espaço sem limites, e que nas experiências que desenvolvido pretende conduzir o ator à prontidão global, é, em síntese, a eliminação de tudo o que obstrui os verdadeiros canais por onde flui o cósmico humano, isto é, o homem em sua plena individualidade, única e insubstituível, como senhor absoluto do poder de refletir e gerar um infinito de possibilidade de ser [...] Veja mais aqui e aqui.

VALLEY OF THE DOLLS – O drama Valley of the Dolls (O vale das bonecas, 1967), dirigido pelo realizador, editor e produtor canadense Mark Robson (1913-1978), roteiro de Helen Deutsch e Dorothy Kingsley e música de Doru Previn, Adré Previn e John Williams, é baseado no best-seller homônimo da atriz e escritora estadunidense Jacqueline Susann (1918-1974), e conta a história de três jovens mulheres aspirantes ao sucesso por meio da arte: uma cantora, uma atriz e uma funcionária de uma agência de artistas. Elas se tornam amigas e compartilham da ambição profissional até seguirem rumos distintos e viverem seus problemas insuperáveis. O destaque do filme são as participações no elenco da atriz canadense Barbara Parkins e da memorável atriz e modelo estadunidense brutalmente assassinada grávida pelos membros da seita de jovens seguidores da Família Manson, Sharon Tate (1943-1969). Veja mais aqui e aqui.


IMAGEM DO DIA
Hoje é dia da dançarina estadunidense e precursora da dança moderna Isadora Duncan (1877-1927)


Veja mais sobre:
Em mim a vida & o estouro dos confins de tudo, Corpus Hermeticum de Hermes Trismegistus, Ísis sem véus de Helena Blavatsky, O jardineiro do amor de Rabindranath Tagore, a música de Kitaro, a arte de Ewa Kienko Gawlik, a fotografia de Jovana Rikalo & Tataritaritatá no Encontro dos Palmarenses aqui.

E mais:
E num é que a Vera toda-tuda virou a bruxa das pancs na boca do povo, Iluminações de Walter Benjamin, Os bruzundangas de Lima Barreto, Marxismo & literatura de Cliff Slaughter, a música de Guiomar Novaes, a pintura de Pedro Sanz & Sara Vieira, a arte de Paolo Serpieri & Tataritaritatá na Gazeta de Alagoas aqui.
Vamos aprumar a conversa: responsabilidade dos pais & da família, O amor e o ocidente de Denis de Rougemont, As recordações de Isaías Caminhas de Lima Barreto, a música de Stevie Wonder, a poesia de Murilo Mendes & Raimundo Correia, o teatro de Friedrich Schiller, o cinema de Nelson Pereira dos Santos, a coreografia de Martha Graham & a pintura de Georges Braque aqui.
Vamos aprumar a conversa, O homem, a mulher & a natureza de Allan Watts, Amar, verbo intransitivo de Mário de Andrade, a poesia de Pedro Kilkerry & Augusto de Campos, Amor de novo de Doris Lessing, a música de Christoph Willibald Gluck, o teatro de Machado de Assis, Eurídice, o cinema de Walter Hugo Khouri & Vera Fischer, a escultura de Joseph Edgar Boehm, a pintura de Jean-Baptiste Camille Corot & a arte de Patrick Nicholas aqui.
A responsabilidade do agente político, excesso de poder & desvio de finalidade aqui.
As trelas do Doro: olha a cheufra aqui.
Fecamepa: quando embola bosta, o empenado não tem como ter jeito aqui.
A vida dupla de Carolyne & sua cheba beiçuda, Psicologia da arte de Lev Vygotsky, a poesia de William Butler Yeats, a música de Leonard Cohen, a pintura de Boleslaw von Szankowski & Raphael Sanzio, o cinema de Paolo Sorrentino & World Erotic Art Museum (WEAM) aqui.
Divagando na bicicleta, Dulce Veiga de Caio Fernando Abreu, Os elementos de Euclides de Alexandria, O teatro e seu espaço de Peter Brook, a música de Billie Myers, a fotografia de Alberto Henschel, a pintura de Jörg Immendorff & Oda Jaune aqui.
A conversa das plantas, a poesia de Cruz e Sousa, Memória das Guerras do Brasil de Duarte Coelho, Arquimedes de Siracusa, a música de Natalie Imbruglia, Orientação Sexual, a arte de Hugo Pratt & Tom 14 aqui.
Leitoras de James leituras de Joyce, a literatura & a música de James Joyce, Ilustrações de Henri Matisse, a fotografia de Humberto Finatti & a arte de Wayne Thiebaud aqui.
Incipit vita nuova, A divina comédia de Dante Alighieri, Raízes árabes no sertão nordestino de Luís Soler, a música de Galina Ustvolskaya, a pintura de Paul Sieffert, Ilustrações de Gustave Doré, a arte de Jack Vetriano & Luciah Lopez aqui.
E se nada acontecesse, nada valeria..., Agá de Hermilo Borba Filho, Fábulas de Leonardo da Vinci, As glândulas endócrinas de M. W. Kapp, a música de Tomoko Mukaiyama, Compassos Cia de Danças, a pintura de Bruno Di Maio & Madalena Tavares, a arte de Eric Gill & a xilogravura de Perron aqui.
Manoel Bentevi, Sinhô, Marshal McLuhan, Andrea Camileri, Marcelo Pereira, Mario Martone, Giulia Gam, Anna Bonaiuto Fecamepa – quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério! & Parafilias aqui.
Fecamepa – quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
Cordel Tataritaritatá & livros infantis aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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A croniqueta de antemão aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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VERA IACONELLI, RITA DOVE, CAMILLA LÄCKBERG & DEMOROU MUITO

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