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sexta-feira, novembro 27, 2015

FECAMEPA, RADUAN, FILOLAU, ADRIENNE, DEPALMA, MIGUEL PAIVA, EFIGÊNIA & MUITO MAIS!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? POR QUE BRASIL, HEM? (Texto originalmente publicado na antologia Guardados e contextos, organizada por Clarisse Maia-Guedes, Editora Guarajás, 2005). - O FECAMEPA - Festival de cagadas melando o país, o mais afuleirado genérico do legendário Febeapá -, passando a limpo tudo daqui, resolve, então, saber: por que Brasil, hem? Isso mesmo: por que Brasil? Bem, pelo menos se propõe a esclarecer a origem, razão e significado do nome, ou não, sempre levado pelo estímulo da doctilóquia sentença chacrínica: vim para confundir e não para explicar. De antemão, eita, parece que esta é mais uma lorota danada, daquelas só para provar que tudo aqui ou não se deve levar realmente a sério, ou como tudo que se planta dá, sem ter mesmo razão de ser ou jeito, melhor deixar como está, num é? É, mas vamos lá! Para começar, melhor esclarecer a origem do nome Brasil. Ih, depois que botei as ventas na direção de tão nobre empreitada, de uma coisa, precavido, eu me certifiquei: nossa, é uma confusão dos diabos. E olhe que quase que me arrependo desde o dia que nasci, quando me deparei com todo nó-cego, ajudado pela empáfia e esquisitice dos pesquisadores e pedantes de sempre. Foi mesmo, é que esses caras se empolgaram tanto, mas tanto tanto, que hoje a gente sabe que tem muita fuleragem e precisa checar direitinho, conferir no amiudado. Mas olhe só, nem esquente. Tudo isso se deu porque várias cordas de guaiamum puxaram cada uma das teorias para a sua banda, coisa bastante comum aqui, né não? Inclusive e indubitavelmente é isso que caracteriza tudo daqui, num é mesmo? Apois, então. De antemão, uma coisa eu confesso: o buruçu é tão de tão que não sei como tudo num se estraçalha de vez na puxada. A corda só aguenta porque o arrumadinho é tão levado no empinado do nariz e na empolgação que, no ajeitado da pinóia, tudo vira carnaval, maior mangação. Pois bem, para se ter ideia, de primeira, uns assinalam ser o Brasil de origem celta, breasail, significando príncipe. Eita, será? Hum, sei não. Vamos nessa. Outros acham que veio do sânscrito bradshita, palavra que não se deve repetir porque pode dar um nó na língua, xá pra lá. Ou do grego brázein, que significa ferver (hum... tá esquentando!). Ou também do baixo latim brasile que significa pegando fogo, em brasa mesmo (eita, tá melhorando!). Ou ainda do toscano verzino, representando pequenas lascas ou cavacos de pau-brasil, na expressão verzino di brasili e do vêneto berzi (hum.... sei não!). Achando pouco, remexem dizendo que não é nada disso, pois que veio do genovês brazil ou brezill que significa coisa fragmentada (ah, agora vai!). Para esculhambar tudo e muito mais, dizem que procede do germânico bras, que quer dizer carvão ardente (lascou, tição!). Moendo mais ainda empestam tudo alegando ser oriundo do aríaco parasil, que significa terra grande (êta, mundo véio, arrevirado e de porteira escancarada, sô! Talqualzinho mermo, oxente!). Para embananar mais, arrotam ser mesmo proveniente da expressão Hy-Brazail, uma ilha do Atlântico povoada pelos índios vermelhos, referida pelos antigos irlandeses (ah, agora sim!). Mas estão pensando que findou a remoeta toda, é? Nada, para ainda mais aumentar o cu-de-boi todo, vem os que defendem ser o nome vindo do tupi ibira-ciri (que significa pau eriçado, ôpa! pau arrepiado, eita!), isso por causa da Caesalpina echinata, uma madeira vermelha mais popularmente conhecida como pau-brasil que, por sinal, também é cheia de espinhos e eriçada. E, também, porque a citada madeira servia para a fabricação de corantes de tinturaria, nada mais raiz carnavalesca, né? Também insistem mesmo assim ainda ser do tupi-guarani, paraci, que significa mãe do mar, mãe da água. É mole? E não bastando mesmo, tudo sem considerar as lengalengas de Pindorama, Vera Cruz e Terra de Santa Cruz. Ufa, enfim, o que existe na verdade é uma porrada de hipóteses que ninguém sabe mesmo de onde é que vem o raio de nome. Para deixar tudo às claras, é importante frisar, portanto, que tudo no nome gira em torno de pau, ou de arrepiado ou de vermelho, fato que é considerável tendo em vista que quando o brasileiro não bota o pau nos outros, significa que eventualmente é enrabado. De outra, o que fica de mesmo, para mim, é que vem de Hy Breazil, a lendária ilha do Atlântico, porque li não sei onde nem me pergunte, que Brasil sempre trouxe a ideia de paraíso terrestre por causa da crença de que todos viviam felizes na misteriosa e paradisíaca ilha. E é natural enfatizar isso porque os europeus já sabiam muito antes de Cabral & Cia., do topônimo Brasil. E também é pertinente porque os maiorais da nação sempre tiverem quizília com qualquer relação avermelhada na nossa vida, por isso os aborígenes da ilha em referência, serem escanteados daqui: são conhecidos como os vermelhos, fato que enfurecia, enraivece e agoniará de chapa a mania anticomunista dos daqui (como se a nossa índole anarquista desse nisso um dia). E para acabar com a confusão, eu digo duas coisas: a primeira, na maior, é que o bom dessa zorra toda é a misturada dando caldo grosso na sopa apetitosa daqui. E, a segunda, digo sem perder a piada na bucha: que é mais preferível admitir que o nome Brasil surgiu mesmo, digamos assim, como de costume, pela mesma circunstância que ele foi invadido, redescoberto, colonizado, virou república, eternizou a zona e é conduzido até hoje: por uma cagada da porra! É ou num é? E ponto final! Pronto, vamos aprumar a conversa aqui, aqui e aqui.

 Imagem: Naakt op divan, do artista plástico holandês Jan Sluyters (1881-1957)


Curtindo o álbum Cello Concertos (Olympia Records, 2003), com obras do compositor alemão Robert Schumann (1810-1856) e do compositor e jornalista russo-americano Alfred Schnittke (1934-1998), na interpretação da violoncelista russa Natalia Gutman & The London Phillarmonic.

O LIMITADO E O ILIMITADO – O filósofo pitagórico Filolau de Crotona viveu no sul da Itália, por volta do século V aC., foi mestre de Democrito e de Arquitas. Diz-se que, obrigado pela pobreza, escreveu um livro sobre a doutrina pitagórica, fato que se reveste da máxima importância porque os fragmentos que chegaram até o presente, representando o mais antigo testemunho escrito sobre a doutrina pitagórica. Esse livro exerceu influencia no pensamento de Platão. Do seu pensamento recolheu-se que: [...] O cosmos é um e começou a vir a ser a partir do centro, e do centro para cima, nos mesmos intervalos de distância que os de baixo. Pois o que está acima do centro se encontra em oposição ao que está abaixo; pois para o que está muito baixo o que está no cetro constitui o mais alto, e assim o restante. Pois com o centro ambos estão nas mesmas relações, apenas invertidos. [...] Há quatro princípios no ser racional: cérebro, coração, umbigo e órgãos genitais. Cabeça é o princípio da inteligência; coração, da alma e da sensação; umbigo, do enraizamento e crescimento do embrião; e os órgãos genitais, da emissão do sêmen e da criação. O cérebro indica o princípio do homem; o coração, o do animal; o umbigo, o da planta; e os órgãos genitais, o de todos eles. Pois tudo floresce e cresce de um sêmen. [...] Com natureza e harmonia, dá-se o seguinte: a essência das coisas, que é eterna, e a própria natureza requerem conhecimento divino e não humano, e seria absolutamente impossível que alguma das coisas existentes se tornasse conhecida por nós, se não existisse a essência das coisas das quais se constituiu o cosmos, tanto nas limitadas como nas ilimitadas. [...]. Veja mais aqui , aqui e aqui.

UM COPO DE CÓLERA – Na obra Um copo de cólera (Companhia das Letras, 2013), do escritor Raduan Nassar, destaco o trecho Na cama: Por uns momentos lá no quarto nós parecíamos dois estranhos que seriam observados por alguém, e este alguém éramos sempre eu e ela, cabendo aos dois ficar de olho no que eu ia fazendo, e não no que ela ia fazendo, por isso eu me sentei na beira da cama e fui tirando calmamente meus sapatos e minhas meias, tomando os pés descalços nas mãos e sentindo-os gostosamente úmidos como se tivessem sido arrancados à terra naquele instante, e me pus em seguida, com propósito certo, a andar pelo assoalho, simulando motivos pequenos pra minha andança no quarto, deixando que a barra da calça tocasse ligeiramente o chão ao mesmo tempo que cobria parcialmente meus pés com algum mistério, sabendo que eles, descalços e muito brancos, incorporavam poderosamente minha nudez antecipada, e logo eu ouvia suas inspirações fundas ali junto da cadeira, onde ela quem sabe já se abandonava ao desespero, atrapalhando-se ao tirar a roupa, embaraçando inclusive os dedos na alça que corria pelo braço, e eu, sempre fingindo, sabia que tudo aquilo era verdadeiro, conhecendo, como conhecia, esse seu pesadelo obsessivo por uns pés, e muito especialmente pelos meus, firmes no porte e bem-feitos de escultura, um tanto nodosos nos dedos, além de marcados nervosamente no peito por veias e tendões, sem que perdessem contudo o jeito tímido de raiz tenra, e eu ia e vinha com meus passos calculados, dilatando sempre a espera com mínimos pretextos, mas assim que ela deixou o quarto e foi por instantes até o banheiro, tirei rápido a calça e a camisa, e me atirando na cama fiquei aguardando por ela já teso e pronto, fruindo em silêncio o algodão do lençol que me cobria, e logo eu fechava os olhos pensando nas artimanhas que empregaria (das tantas que eu sabia), e com isso fui repassando sozinho na cabeça as coisas todas que fazíamos, de como ela vibrava com os trejeitos iniciais da minha boca e o brilho que eu forjava nos meus olhos, onde eu fazia aflorar o que existia em mim de mais torpe e sórdido, sabendo que ela arrebatada pelo meu avesso haveria sempre de gritar “é este canalha que eu amo”, e repassei na cabeça esse outro lance trivial do nosso jogo, preâmbulo contudo de insuspeitadas tramas posteriores, e tão necessário como fazer avançar de começo um simples peão sobre o tabuleiro, e em que eu, fechando minha mão na sua, arrumava-lhe os dedos, imprimindo-lhes coragem, conduzindo-os sob meu comando aos cabelos do meu peito, até que eles, a exemplo dos meus próprios dedos debaixo do lençol, desenvolvessem por si sós uma primorosa atividade clandestina, ou então, em etapa adiantada, depois de criteriosamente vasculhados nossos pelos, caroços e tantos cheiros, quando os dois de joelhos medíamos o caminho mais prolongado de um único beijo, nossas mãos em palma se colando, os braços se abrindo num exercício quase cristão, nossos dentes mordendo ao outro a boca como se mordessem a carne macia do coração, e de olhos fechados, largando a imaginação nas curvas desses rodeios, me vi também às voltas com certas práticas, fosse quando eu em transe, e já soberbamente soerguido da sela do seu ventre, atendia precoce a um dos seus (dos meus) caprichos mais insólitos, atirando em jatos súbitos e violentos o visgo leitoso que lhe aderia à pele do rosto e à pele dos seios, ou fosse aquela outra, menos impulsiva e de lenta maturação, o fruto se desenvolvendo num crescendo mudo e paciente de rijas contrações, e em que eu dentro dela, sem nos mexermos, chegávamos com gritos exasperados aos estertores da mais alta exaltação, e pensei ainda no salto perigoso do reverso, quando ela de bruços me oferecia generosamente um outro pasto, e em que meus braços e minhas mãos, simétricos e quase mecânicos, lhe agarravam por baixo os ombros, comprimindo e ajustando, área por área, a massa untada dos nossos corpos, e ia pensando sempre nas minhas mãos de dorso largo, que eram muito usadas em toda essa geometria passional, tão bem elaborada por mim e que a levava invariavelmente a dizer em franca perdição “magnífico, magnífico, você é especial”, e eu daí entrei pensando nos momentos de renovação, nos cigarros que fumávamos seguindo a cada bolha envenenada de silêncio, quando não fosse ao correr das conversas com café da térmica (escapávamos da cama nus e íamos profanar a mesa da cozinha), e em que ela tentava me descrever sua confusa experiência do gozo, falando sempre da minha segurança e ousadia na condução do ritual, mal escondendo o espanto pelo fato de eu arrolar insistentemente o nome de Deus às minhas obscenidades, me falando sobretudo do quanto eu lhe ensinei, especialmente da consciência no ato através dos nossos olhos que muitas vezes seguiam, pedra por pedra, os trechos todos de uma estrada convulsionada, e era então que eu falava da inteligência dela, que sempre exaltei como a sua melhor qualidade na cama, uma inteligência ágil e atuante (ainda que só debaixo dos meus estímulos), excepcionalmente aberta a todas as incursões, e eu de enfiada acabava falando também de mim, fascinando-a com as contradições intencionais (algumas nem tanto) do meu caráter, ensinando entre outras balelas que eu canalha era puro e casto, e eu ali, de olhos sempre fechados, ainda pensava em muitas outras coisas enquanto ela não vinha, já que a imaginação é muito rápida ou o tempo dela diferente, pois trabalha e embaralha simultaneamente coisas díspares e insuspeitadas, quando pressenti seus passos de volta no corredor, e foi então só o tempo de eu abrir os olhos pra inspecionar a postura correta dos meus pés despontando fora do lençol, dando conta como sempre de que os cabelos castanhos, que brotavam no peito e nos dedos mais longos, lhes davam graça e gravidade ao mesmo tempo, mas tratei logo de fechar de novo os olhos, sentindo que ela ia entrar no quarto, e já adivinhando seu vulto ardente ali por perto, e sabendo como começariam as coisas, quero dizer: que ela de mansinho, muito de mansinho, se achegaria primeiro dos meus pés, que ela um dia comparou com dois lírios brancos. Veja mais aqui.

INICIO, AGOSTO, DA PRISÃO – No libro The Dream of a Common Language – Poems 1974/1977 (Norton, 1978), da poeta, feminista e professora Adrienne Rich (1929-2012), destaco inicialmente o poema Início: Viver na insônia / sob o gesso cheio de cicatrizes / enquanto o gelo se forma sobre a terra / num momento em que nada pode ser feito / para cumprir qualquer decisão / para conhecer a composição do fio / dentro do corpo da aranha / primeiro os átomos da teia / visíveis da manhã / sentir o flamejante futuro / de cada palito de fósforo na cozinha / nada pode ser feito / senão aos poucos. Transcrevo minha vida / hora por hora, palavra por palavra / contemplando a ira de velhas no ônibus / numerando as estrias / de ar dentro dos cubos de gelo / imaginando a existência de alguma coisa incriada / este poema / nossas vidas. / Um homem está dormindo no quarto ao lado / nós somos seus sonhos / nós temos cabeças e seios de mulher / os corpos de aves de rapina / às vezes viramos serpentes prateadas / enquanto ficamos acordadas fumando e conversando sobre a vida / ele se vira na cama e murmura / um homem está dormindo no quarto ao lado / uma neurocirurgiã ingressa em seu sonho / e começa a dissecar seu cérebro / ela não parece uma enfermeira, / está absorvida em seu trabalho / e tem um rosto austero e delicado como o de Maria Curie / ela não é / podia ser uma de nós / um homem está dormindo no quarto ao lado / ele levou um dia inteiro / de pé, lançando pedras no lago escuro / que mantém sua escuridão / fora da moldura de seu sonho nós tropeçamos morro acima / de mãos dadas, tropeçando e guiando uma a uma a outra / sobre a pedra vulcânica cheia de cicatrizes. Também o poema Agosto: Dois cavalos na luz amarela / comendo, debaixo duma árvore, maçãs derrubadas pelo vento / enquanto o verão se desfaz, as plantas cambaleiam / e a relva fica crestada / dizem que há ions no sol / neutralizando campos magnéticos na terra / que maneira de explicar / o que foi esta semana e a que a precedeu! / Se eu sou carne tostando sobre pedras / se eu sou cérebro queimando na luz fluorescente / se eu sou sonho como um fio flamante / pulsando com ele / se eu sou morte para o homem / preciso sabê-lo / sua mente é simples demais. Não posso continuar / compartilhando seus pesadelos / os meus próprios tornam-se mais claros, abrem-se / para a pré-história / que parece um vilarejo aceso com sangue / onde todos os pais estão gritando: Meu filho me pertence! Por fim o poema Da prisão: Sob minhas pálpebras outro olho se abriu / e olha cruamente / a luz / que penetra vindo do mundo da dor / mesmo enquanto durmo / fixamente ele encara / tudo que eu enfrento / e mais / ele vê os cassetetes e as coronhas / levantando e baixando / ele vê / o detalhe que a TV não mostra / os dedos da polícia feminina / esquadrinhando a boceta da jovem prostituta / ele vê / as baratas caindo dentro da panela / onde preparam carne de porco / no presídio / ele vê / a violência / encravada no silêncio / este olho / não é para chorar, / sua visão / deve ser nítida / apesar das lágrimas em meu rosto / seu objetivo é lucidez / nada deve ser esquecido. Veja mais aqui.

A ARTE DO ATOR – No livro A aprendizagem do ator (Ática, 1986), de Antonio Januzelli - Janô, encontro a parte denominada A arte do ator, a qual destaco: O ator em cena atua sempre em sua própria pessoa. Ele não fala de uma personagem imaginária. Sua arte consiste em se por numa situação análoga à da personagem, acrescentando novas suposições e deixando-se envolver por sua natureza inteira: intelectual, física, emocional e espiritual. O objetivo do ator é transmitir suas ideias e sentimentos usando suas próprias emoções, sensações, instintos, sua experiência pessoal de vida, mostrando seus próprios traços, sempre os mais íntimos e secretos, sem ocultar nada. O ator deve comparar os atos da personagem a fatos semelhantes em sua vida, que lhe são familiares. Stanislavski cita um exemplo: Chatski, personagem de um texto russo, é um homem apaixonado. O que faz um homem apaixonado quando, depois de ausente por vários anos, retorna para ver a amada? Que faria o ator, enquanto individuo, se fosse Chatski? Ele deve falar por si mesmo, como alguém colocado nas circunstancias da personagem Chatski. O ator deve encontrar na alma do papel um fragmento de si mesmo, de sua alma, de seus desejos; deve atacar o papel como ele mesmo, segundo a vida, sua, aqui e aqui, e não segundo apenas instruções do autor nem de acordo com os carimbos convencionais. [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.

BODY DOUBLE – O suspense Body double (Dublê de corpo, 1984), dirigido pelo cineasta estadunidense Brian DePalma, explora a desordem psíquica e assassinatos, contando a história de um ator de filmes de de terror de segunda categoria, desempregado e claustrofóbico, começa a sentir uma descontrolada obsessão por uma mulher que se despe na janela, no prédio em frente. Mas, vendo que ela está com problemas, ele decide ajudá-la, sem perceber que ele sem querer entra em um jogo de perversão. O destaque do filme é em dose dupla: a premiada atriz estadunidense Melanie Griffith e a também atriz e rainha da beleza estadunidense Deborah Shelton, esta última ex-Miss USA. Veja mais aqui.
 

IMAGEM DO DIA
Sandrão Nua & Crua, do cartunista, escritor, diretor de arte, autor de teatro, ilustrador, publicitário, roteirista e jornalista Miguel Paiva. Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à poetamiga carioca radicada em Santa Catarina, Efigênia Coutinho Mallemont. Veja aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!!!
Veja mais aqui.

 

sábado, outubro 24, 2015

ZIRALDO, LYGIA TELLES, JANUZELLI, NILZA MENEZES, BERIO, VIOLÊNCIA, STORYTELLING & APRENDENDO A JOGAR!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? VIVENDO E APRENDENDO A JOGAR (Imagem: charge de Dálcio) - Pelo que você já viu, deu pra notar que nunca fui muito achegado a jogar nada. Quer dizer, achegado fui, mas nunca me dei bem ou gozei da vitória. Talvez seja por isso que nunca gostei de andar militando em política partidária, preferindo minha atitude política por outros meios e recursos, como nos escritos, nos dizeres, nas expressões que são as minhas grandes merdas. Votar, sim, sempre votei, voto e votarei. Nunca me negarei a esse direito da cidadania. No entanto, devo dizer mais uma vez, a bem da verdade, que quando era menino me esgueirava atrás de uma bola, me achando mais que um Rivelino, um Pelé, um craque qualquer, quando, na vera, nada mais era que um perna-de-pau incorrigível de levar rasteira até de aleijado. Verdade. Foi que certa vez, na maior correria - esta era a minha única habilidade no trato com a bola: empurrá-la pra frente e sair pé na bunda atrás que nem louco -, dei de inventar a driblar o que não sabia e, aproveitando da deficiência do zagueiro, tentei dar um toque daquele da vaca. O cabra mais sabido que eu, passou a rasteira com a moleta na maior cama-de-gato, e estuporei o joelho na quina dum paralelepído rebentado num esgoto limítrofe do campinho de barro batido. Resultado: sangreiro espirrou na lata, uma pisa da gota porque estava todo limpinho de banho tomado e jogando bola, e uma lavagem com álcool, vinagre e creolina para tirar as impurezas adquiridas com o fato. Berreiro triste, o meu. Minha mãe ali, braba: - Vou costurar esse talho com linha de vara-de-pescar, seu desgraçado! Ôxe, aí é que eu me escondia para não ver nem médico nem enfermeira, só mertiolate e mercúrio, assoprando que nem doido para não doer tanto como doía. Mais nada. Por esta razão abandonei o futebol aos onze anos de idade e juro que seria um atleta renomado não fossem minhas presepadas de mangar de todo mundo, levando chapuletada a cada ironia. Também não vou negar que de meninote até aborrecente não tenha virado tabuleiros com cartas de baralho, pedras de dominó, tacos de sinuca e tentar adivinhar uma vez na vida o palpite na porrinha. Confesso, era péssimo: não distinguia valete de rei, copas de pau ou ouros. Não sabia armar direito uns toques quando possuía uma trinca de sena e o cara adversário mais batido que trem atrasado, ainda, eu perder a partida do dominó. Também era contemplado com uma imperícia pura no taco, não distinguindo as cores e o valor das bolas na sinuca, perdendo mais pelos finos de cego que por ausência de encaçapá-las. Muito menos havia comido bosta de cigano para adivinhar com quantos palitos o sujeito viria num blefe de carregado quando o indistinto vinha de lona. Ora, mau jogador que se preze, recolhe seus muafos e parte para outra. Nada, inventei de aprender xadrez. Tá, esse eu gostei, muito embora nunca tenha conseguido dar nenhum xeque mate em qualquer principiante que mal saiba o nome das pedras. Mas gostei e perdura até hoje essa mania de perder tempo mexendo com bispos, rainhas, reis, cavalos e torres, como se fosse um sabichão de tão ultrajante imodéstia. Só nas raríssimas horas vagas e de brincadeira, só. Com os outros tipos de jogo tenho verdadeiro horror. Assim, também, na política partidária. Primeiro que percebi que os outros acham a gente com cara de besta. Segundo, só eles possuem a razão de tudo. E eu só via golpe na zona abaixo da cintura. Nem no futebol do meu tempo lá no interior das grotas, onde a perna começava do pescoço pra baixo e a gente só via nego com a língua de fora, pedindo penico. Isso sem contar com a tuia de faca, canivete e desaforos, no maior arranca-rabo quando acabava a partida. Pois é, começava na risadagem e findava no maior quebra-pau, um intrigado do outro. Piormente vi a política partidária na provinciazinha e, depois, nas de âmbito nacional. É cada golpe baixo, tanta sujeira, meio-mundo de hipocrisia, nego armando falcatrua e mentindo deslavadamente e aparecendo mais que vagalume na escuridão com paparicado vergonhoso, intrigas despropositais, front de oportunismos, oposições de conveniências, patifarias amoitadas, pilantragens sórdidas, nossa! Foi quando um amigo meu doido de pedra me disse: - Política é feito cozinhar feijão! O que é bom desce. E o que não presta aparece! Ai veio uma raposa profissional me dizendo que a militância só serve para se eleger. Porque para governar só com ajeitado dos adversários. Babau, perdi a noção de tudo. Maquiavel já ensinava. Ora, com tudo isso, eu que sempre fui um mau jogador, nunca que poderia entrar nessa não. E da vez que ventilei me afiliar nalgum partido, este mesmo amigo me disse: - Quer botar a família na roda, entre pra política! Você vai ver como é que se degenera fácil qualquer sujeito decente! E eu? Um cachorro-do-rabo-fino prezando a mãe (que Deus a tenha no melhor dos seus cômodos!), jamais poderia entrar nessa enrascada, né não? Principalmente porque um dos simpatizantes insistia que o cara entrava na política probo e saía mais sujo que bueiro de esgoto! É só ver a cara-de-pau dos sujeitos negando o fisiologismo clientelista. Tá cá gota! Verdade. Considere, então, num país como o nosso onde tudo é enrolada! Tô fora dessa embrulhada, meu! Vejo quem pergunta: - Em quem acreditar, afinal? Digo: no discernimento. A gente só não pode dar uma de abestalhado e nunca reempossar defenestrados sem-vergonha que já foram banidos em nome da moral e da lei e que pela insistência no uso do óleo de peroba na cara-de-pau, ainda posam de vítimas do sistema nocivo que eles próprios criaram. É de lascar mesmo! A briga é só pelo poder, ninguém está preocupado com quem pintou a zebra! Ainda tem quem acredite nesses melepeiros. Sabe como eles findam? Esconjurados, milhões de palmos inferno adentro enfiados. Basta o que a gente passou de 1500 até agora: um replay. Então, por enquanto vou enfiando as mãos pelas pernas, dando pirueta pra arranjar o ganha-pão e cheio de nó pelas costas remoendo os desatinos do Brasil. E vamos aprumar a conversa aqui e aqui.

 Imagem: Nude Woman at Sunset #1, da artista plástica, ilustradora e designer gráfica britânica Christine Lau.


Curtindo o álbum da Sinfonia Ekphrasis (Deutsche Grammophon, 2005), do compositor do vanguardismo musical italiano Luciano Berio (1925-2003), com a Orquestra Sinfónica de Gotemburgo & Péter Eötvös.

A VIOLÊNCIA - No livro Retorno da deusa (Summus, 1991), do psicoterapeuta da psicologia junguiana e homeopata MD Edward C. Whitmont (1912-1998), destaco o trecho destinado à violência: [...] No passado, a violência era contida com melhores resultados pelos canais sociais competentes. Não era, como acontece agora, vista quase sempre como errada. Uma vez que havia limites para a sua manifestação legitima, sua proibição dentro do organismo social também podia ser imposta. O herói de antigamente combinava bravura física e espiritualidade com habilidade muscular para destroçar o adversário. Aquiles, Sansão, o cavaleiro medieval são exemplos desse tipo de herói. Hoje encontramo-nos numa situação esquizofrênica: apesar de protestos conscientes, ainda vemos inconscientemente, a violência, a agressão, a exploração ambiciosa, como feitos admiráveis. Analisemos a mídia atual. A televisão e os filmes glorificam a violência, o horror e o sexo explicito a ponto de esses desempenhos se tornarem praticamente ritualizados. O apelo de tais imagens parece derivar do efeito catártico do drama. Esses violentos dramas contemporâneos são, na verdade, secularizações decadentes e caricaturais das solenes representações da tragédia da antiguidade. Em grego, trag-odia significa “o canto do bode”, numa referencia a Dioniso. Originalmente, tratava-se de uma apresentação catártica do surgimento, da destruição violenta e da glorificação do protagonista humano que incorpora o destino de Dioniso, o bode do sacrifício, o poder vital que morre e renasce eternamente, a criança necessitada e o deus que se imola. A tragédia da vida era apresentada como um embate inexorável, conquanto cvão, contra o destino imposto po deus, que decretava a destruição em prol do renascimento, ou como punição pela hubris. Enquanto a agressão e a violência foram consideradas uma manifestação do poder de uma divindade tutelas (como Dioniso, Áries, Shiva, Thyr, Sekmet e Morrigan) ou serviram à gloria maior do imperador, da Igreja ou da pátria, foiram integradas num sistema moral e ético. Por pertencerem a uma divindade, a violência e a agressão podiam ser vistas como componentes de um sistema cultural auto-regulador dotado de um equilíbrio intrínsecos. [...] Junto com a extinção de Deus de nossa era contemporânea, o último traço de respeito pela ordem imposta pelos antigos deuses também desapareceu. A lei e as regras já não nos protegem contra a violência. A raiva, o ódio, a agressão, a cobiça e a violência são oficialmente consideradas incondicionalmente mas. Ao mesmo tempo, tornaram-se prerrogativa do eggo moderno, podendo ser acionada do modo mais arbitrário a serviço de propósitos egoicos, sem qualquer consideração pelas forças abolidas. [...] Ao discutir a relevância do comportamento animal para a psicologia humana, Konrad Lorenz, o etologista, postula que os animais agem como humanos emotivos que não têm ou usam muita inteligência. [...] Lorenz diferencia a agressão intra-especifica da agressão predatória ou de defesa. A primeira acontece entre animais da mesma espécia, como luta ou competição entre parentes próximos. Ele assinala que animais de espécies diferentes costumam deixar-se relativamente em paz. Isto é surpreendente, uma vez que seria de esperar que parentes próximos se amassem e se protegessem e que a agressão fosse direcionada para fora, contra outras espécies. a constatação seguinte é ainda mais surpreendente. A capacidade de formar algo semelhante a um vinculo pessoal e de prestar apoio reciproco ocorre em razão direta do grau de agressão intra-especifica. O vinculo e a agressão fazem parte do mesmo padrão. [...] Ele era um homem muito agressivo, independente, autoconfiante e excessivamente racional. Esperava que toda situação e todas as pessoas se submetessem à sua vontade e insistia em fazer tudo de seu jeito. Embora fosse bem-sucedido nos negócios, era pobre de sentimentos, de relações pessoais e, em particular, carecia de qualquer orientação no tocante a um significado mais elevado de vida. O sonho evidenciava ainda que era vulnerável sua postura heroica, derivada de sua necessidade de fortificar a posição egoica apoiando-se em uma coragem agressiva [...] um homem e uma mulher, viviam digladiando, não importava qual fosse o assunto em discussão, pareciam totalmente incapazes de chegar à raiz de seu antagonismo ou de resolvê-lo. [...] O homem começou a arrastar-se na direção da mulher. Ela ficou paralisada em seu lugar. À medida que ele ia chegando mais perto, ela começou a mexer o corpo numa dança sinuosa, altamente convidativa. Quando ele estava suficientemente perto para alcança-la, ela parou de repente e deu-lhe as costas. Ao ver que ele tentava, muito desajeitado, virá-la de frente para ele à força, ela voou para a garganta dele como se quisesse estrangulá-lo. No mesmo instante, entraram num combate violento, engalfinhando-se e rolando pelo chão. Depois disseram que aquela briga cheia de raiva estava repleta de nítidas implicações eróticas. Diante da descoberta dessa ambivalência, pararam e começaram a examinar o que tinha acontecido. [...] Ela se arriscava à violência, e talvez até mesmo a desejasse, para poder ser notada como mulher. Sentia-se negligenciada e inferior como mulher e precisava provar para si mesma que conseguia atrair os homens, pelo menos fisicamente. No entanto, quando teve sucesso nessas manobras, não estava mais disposta (na verdade, sentia-se incapaz) a encarar as consequências de sua provocação. Queria que a notassem como pessoa, e não apenas como corpo e a aproximação física direta que ela provocava constantemente (embora de modo inconsciente) só intensificava seus sentimentos de inferioridade e a deixava cada vez mais irada. Aquele homem, por sua vez, tinha medo das mulheres. Sentia-se inferior em virtude de sua noção de que os homens eram heróis conquistadores, modelo que se sentia incapaz de copiar. Achava que devia ser um conquistador emérito de mulheres. Consequentemente, vivia testando sua masculinidade através de demonstrações de uma força crua, até mesmo brutal. Essa sua resposta de macho, no entanto, era só um frágil disfarce para seu sentimento de inferioridade, que explodia numa fúria desesperada quando se ele se sentia seduzido, logrado e ludibriado pelas artimanhas femininas. Então os papes foram invertidos. Agora a mulher era o macho desajeitado; e o homem, a mulher vamp. Agora ele sentia que a atitude dela encontrava eco dentro de si. Ao desempenhar o papel dela, ele descobriu que, embora à revelia, gostava de alguma coisa ali. Começou a ver sua própria necessidade de seduzir e seu desejo desesperado de chamar a atenção. Por sua vez, a mulher descobriu e integrou a brutalidade de sua postura julgadora, que decretava a inferioridade dos valores femininos e que a fazia considerar-se especialmente destituída de valor. Tudo isto ela até então projetara nos homens, sem perceber que realmente provinha de seu próprio superego muito severo. Ao reconhecerem o que tinha acontecido em suas experiências e feedbacks mútuos, ambos puderam ver os próprios problemas e começar a entender o outro, a simpatizar com ele. Abriu-se para eles um caminho de comunicação e de ajuda recíproca onde antes só tinha havido mútuos ressentimentos [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

EU ERA MUDO E SÓ – No livro Antes do baile verde (José Olympio, 1973), da premiada escritora Lygia Fagundes Telles, destaco os trechos do conto Eu era mudo e só: [...] Penso agora como ela ficaria espantada se me visse aqui nesta sala que mais parece a página de uma dessas revistas da arte de decorar, bem vestido, bem barbeado e bem casado, solidamente casado com uma mulher divinamaravilhosa: quando borda, o trabalho parece sair das mãos de uma freira e quando cozinha!... Verlaine em sua boca é aquela pronúncia, a voz impostada, uma voz rara. E se tem filho então, tia Vicentina?! A criança nasce uma dessas coisas, entende?... Tudo tão harmonioso, tão perfeito. [...] Ou a mulher fica aquele tipo de amigona e etc. e tal ou fica de fora. Se fica de fora, com a famosa sabedoria da serpente misturada à inocência da pomba, dentro de um tempo mínimo conseguirá indispor a gente de tal modo com os amigos que quando menos se espera estaremos distantes deles as vinte mil léguas submarinas. No outro caso, se ficar a tal que seria nosso amigo se fosse homem, acabará gostando tanto dos nossos amigos, mas tanto, que logo escolherá o melhor para se deitar. Quer dizer, ou vai nos trair ou chatear. Ou as duas coisas... [...] Era o círculo eterno sem começo nem fim. [...] A perplexidade do moço diante de certas considerações tão ingênuas, a mesma perplexidade que um dia senti. Depois, com o passar do tempo, a metamorfose na maquinazinha social azeitada pelo hábito: hábito de rir sem vontade, de chorar sem vontade, de falar sem vontade, de fazer amor sem vontade... O homem adaptável, ideal. Quanto mais for se apoltronando, mais há de convir aos outros, tão cômodo, tão portátil. [...] Tive então uma vontade absurda de me levantar e ir embora, sumir para sempre, sumir. Largar ali na sala o senador com suas máquinas, Fernanda com suas baladas, adeus, minha noiva, adeus! Tão forte a vontade de fugir que cheguei a agarrar os braços da poltrona para me levantar de um salto. A música, o conhaque, o pai e a filha, tudo, tudo era da melhor qualidade, impossível mesmo encontrar lá fora uma cena igual, uma gente igual. Mas gente para ser vista e admirada do lado de fora, através da vidraça. Acho que cheguei mesmo a me levantar. [...] Fiquei. Fui relaxando os músculos, sentei-me de novo, bebi mais um pouco e fiquei. Veja mais aqui, aqui e aqui.

SINA & FRUTA AZEDA COM SAL – A poeta, pesquisadora e historiadora paranaense radicada em Rodonia, Nilza Menezes, é autora de diversos livros, entre os quais, Fruta azeda com sal (Blocos, 1997), destaco o poema: Coloco o sapato vermelho / que você mais gosta, / a blusa do nosso primeiro encontro, / e a calça que você me deu / no nosso aniversário de casamento. / Resgato cada pedaço da nossa relação / e com pose para foto do álbum de família, / no canto da sala escuto Roberto. / Enfeitada, adormeço, / só pra você me levar pra cama. Na antologia Saciedade dos poetas vivos XII: Eros e Psique (Blocos, 1997), organizada por Urhacy Faustino e Leila Míccolis, destaco o poema sem título da autora: Vadio / vagueia meus sonhos, / meu sono / esse desejo de te desnudar. / Vadio / viaja meu sangue / esse desejo / de vadiar pelo teu corpo. / deixo meu olhar / prender-se ao seu / hipnotizada, / e, você, meu predador natural / me conduz ao espaço vazio / de mim mesma / desconsertada. Também este poema: O que ele me fez / ficou escrito nas páginas / de um velho diário. / O que ele me fez / ficou marcado no pensamento / e de vez em quando vem / como fotografia. / O que ele me fez / ficou aqui e ali / no desarranjo, no cheiro da pele. / Ficou no prato preferido, / numa canção / e bem fundo do coração. Ainda o poema: bate no peito / emoções novas, loucas / excita o sangue nas veias. / amando assim, / errada como todas as marias / dos dias, das filas, dos sonhos / e das poesias. / como todas as marias / das noites sem dias / de alma vazia. / eu amo você. Do seu livro Sina: troco ou vendo em bom estado (Blocos, 1999): Teu beijo, / sem gosto, / saliva fria / engasgando, / entrando, / emaranhando línguas e dentes. / Estranho o cheiro da tua pele / e fecho os poros / para não transpirar esse pavor. Por fim, o seu poema Meu corpo se resguarda do pecado: Tenho medo do inferno / e a todo momento me policio / para não cair em tentação. / Santos me fiscalizam desde criança / ameaçando meu corpo / que se transformará em pó. / Pela vida tem sido possível / não matar, não roubar / mas meus pensamentos e sentimentos / tem superado / o que me foi delimitado. Veja mais aqui, aqui e aqui.

O SISTEMA STANISLAVSKI – No livro Aprendizagem do ator (Ática, 1986), do diretor, advogado, ator, professor, pesquisador das práticas do ator e criador da Cia. Simples de Teatro, Antonio Januzelli – Janô, destaco o trecho O sistema e seus caminhos: do sistema e dos objetivos: O sistema de Stanislavski, que para seu criador significava apenas um livro de referencia, solicitando a aprendizagem de regras elementares, estabelece-se como uma proposta de encontrar atitudes lógicas em relação ao treinamento de atores, só aceitando leis incontestáveis como base de seu conhecimento e da sua prática. As experiências aí expostas foram postas à prova no palco, durante várias décadas, sempre numa prática coletiva. O sistema propõe estudar as bases, métodos e técnicas da criatividade por meio de um encadeamento de exercícios regulares e da sua revisão constante na busca de melhores caminhos. O programa de trabalho, consciencioso e cotidiano, vai exigir que o ator tenha muita força de vontade, determinação e resistência, e tem por objetivos: preparar um terreno favorável à criação do ator, ao dedicar-se àquilo que está nos domínios do controle humano consciente; ajudar o ator a descobrir quais são os seus obstáculos e aprender a lidar com eles; levar o ator a sentir o que está aprendendo por meio de um exemplo pratico vivo, para depois chegar à teoria; despertar no ator a consciência de suas próprias necessidades pessoais e das potencialidades dos instrumentos técnicos de sua arte: capacidades intelectuais, físicas, emocionais e espirituais; induzir as mais sutis forças criativas da natureza, que não estão sujeitas ao cálculo, a agirem por meios normais e naturais; conscientizar o ator a arrancar, sem dó, qualquer tendência à atuação mecânica, exagerada, abrindo mão de truques e professando um agudo senso de verdade através do treino da atenção e concentração; e preservar a liberdade do artista criador. Veja mais aqui, aqui e aqui.

STORYTELLING – O filme Storytelling (Histórias Proibidas, 2001), dirigido e roteirizado pelo cineasta estadunidense Todd Solondz, com música de Nathan Larson, reúne três histórias, a primeira Ficção, a segunda Não-Ficção, e a terceira Autobiography. A primeira história conta sobre um grupo de estudantes universitário em uma classe de escrita criativa, ministrada por um professor que possui estreitos relacionamentos com seus alunos, tendo como pano de fundo disfunções e turbulências pessoais. A segunda trata de uma filmagem de uma família suburbana disfuncional com seu filho adolescente que passa por processo de aplicação na faculdade. A terceira história fala de homossexualidade, contando a respeito de problemático jogado de futebol que se envolve em uma cena de sexo explícito com seu parceiro. Esta última parte foi cortada da versão final. Contudo, a exemplo de outros filmes do diretor, ele trabalha para extrair o lodo fétido da vida, mostrando mesquinharia, maldade, a pequenez do homem, a maldade e a crueldade mentais humanas. O destaque do filme vai para a versátil e bela atriz de teatro, cinema e televisão estadunidense Selma Blair. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia das Mulheres do escritor, chargista e quadrinista Ziraldo. Veja mais aqui e aqui

Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Noite Romântica, a partir das 21 horas (horário de verão), com apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Dê livros de presente para as crianças.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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quarta-feira, maio 27, 2015

SLOTERDIJK, CÉLINE, JANUZELLI, ISADORA DUNCAN, ROUAULT & IVETE SANGALO.


REGRAS PARA O PARQUE HUMANO – A obra Regras para o parque humano: uma resposta à carta de Heidegger sobre o humanismo (Estação Liberdade, 2000), do filósofo alemão Peter Sloterdijk, que é dividida em partes que abordam desde a caracterização literária-epistolar do humanismo, o exame da crítica de Heidegger ao humanismo, o exame da crítica de Nietzsche ao humanismo, o exame da antropotécnica no diálogo Político, de Platão, até a reflexão final sobre o colapso contemporâneo do humanismo literário-epistolar, levantado áspero debate sobre o destino do ser humano na época da bioengenharia. Dessa obra destaco os trechos: [...] Com o estabelecimento midiático da cultura de massas no Primeiro Mundo em 1918 (radiodifusão) e depois de 1945 (televisão) e mais ainda pela atual revolução da Internet, a coexistência humana nas sociedades atuais foi retomada a partir de novas bases. Essas bases, como se pode mostrar sem esforço, são decididamente pós-literárias, pós-epistolares e, consequentemente, pós-humanistas. Quem considera demasiado dramático o prefixo “pós–” nas formulações acima poderia substituí-lo pelo advérbio “marginalmente” – de forma que nossa tese diz: é apenas marginalmente que os meios literários, epistolares e humanistas servem às grandes sociedades modernas para a produção de suas sínteses políticas e culturais [...] Nos ânimos fundamentalistas dos anos pós–1945, para muitos, e por motivos compreensíveis, não era suficiente retornar dos horrores da guerra para uma sociedade que mais uma vez se apresentasse como um público pacificado de amigos da leitura – como se uma juventude goetheana pudesse fazer esquecer uma juventude hitlerista. Naquele momento, parecia para muitos absolutamente indispensável, ao lado das recém-instauradas leituras romanas, retomar também as segundas, as leituras bíblicas básicas dos europeus, e evocar os fundamentos do recém-descoberto Ocidente no humanismo cristão. Esse neo-humanismo, que desesperadamente volta os olhos para Roma passando por Weimar, foi um sonho de salvação da alma européia por meio de uma bibliofilia radicalizada – um entusiasmo melancólico esperançoso pelo poder civilizador e humanizador de leitura clássica – se, por um momento, nos dermos a liberdade de conceber Cícero e Cristo lado a lado como clássicos.  [...] O que ainda domestica o homem se o humanismo naufragou como escola da domesticação humana? O que domestica o homem se seus esforços prévios de autodomesticação só conduziram, no fundo, à sua tomada de poder sobre todos os seres? O que domestica o homem se em todas as experiências prévias com a educação do gênero humano permaneceu obscuro quem ou o quê educa os educadores, e para quê? Ou será que a pergunta pelo cuidado e formação do ser humano não se deixa mais formular de modo pertinente no campo das meras teorias da domesticação e educação? [...] Assim como na Antigüidade o livro perdeu a luta contra o teatro, hoje a escola poderá ser vencida na batalha contra as forças indiretas de formação: a televisão, os filmes violentos e outras mídias desinibidoras, se não aparecer uma nova estrutura de cultivo (Kultivierungsstruktur) capaz de amortecer essas forças violentas. [...] há um desconforto no poder de escolha, e em breve será uma opção pela inocência recusar-se explicitamente a exercer o poder de seleção que de fato se obteve [...] Se o desenvolvimento a longo prazo também conduzirá a uma reforma das características da espécie – se uma antropologia futura avançará até um planejamento explícito de características, se o gênero humano poderá levar a cabo uma comutação do fatalismo do nascimento ao nascimento opcional e à seleção pré-natal [...] Veja mais aqui.

Imagem: Le Maillot Rose (1917), do pintor e artista gráfico francês Georges Rouault (1871 - 1958)

Curtindo a coletânea Se eu não te amasse tanto assim (2002), reunindo baladas românticas oriundas do álbum homônimo e outros álbuns anteriormente gravados pela cantora baiana Ivete Sangalo.



VAMOS APRUMAR A CONVERSA? REPRISE BRINCARTE DO NITOLINO – O blog do Projeto Brincarte do Nitolino reúne os trabalhos voltados para a Literatura, Música, Teatro, Educação, Direito e Psicologia da Criança, bem como atividades desenvolvidas de contação e cantanção de história, palestras, oficinas e outros eventos que contemplem esse universo. Hoje a gente faz uma saudação dedicada ao Dia Nacional da Mata Atlântica – esse patrimônio da vida – e também para o Dia do Serviço de Saúde – com os propósitos de uma ação integralizada, humanista, universal e que se contraponha à política da medicalização e atuação no universo da doença. Afinal o que devemos pretender é a promoção da saúde e da qualidade de vida paratodos, com ações e políticas preventivas que contemplem a todos os brasileiros. Merece registro também a passagem do Dia Mundial dos Meios de Comunicação - sempre na proposta de democratização e de respeito aos direitos à informação, ao conhecimento e à educação -, e Dia do Profissional Liberal. A todos nosso salve, salve! E como não poderia esquecer, hoje é dia da reprise do programa Brincarte do Nitolino para as crianças de todas as idades, nos horários das 10hs e das 15hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação de Isis Corrêa Naves. Para conferir online clique aqui ou aqui.

VIAGEM AO FIM DA NOITE – O romance Viagem ao fim da noite (1932 - Companhia das Letras, 2009), do escritor maldito francês Louis-Ferdinand Céline (1894-1961), é considerada a obra-prima do autor e que denuncia no absurdo da vida – crueldades, mentiras, desesperanças, futilidades, cupidez, indiferença, pobreza, mesquinharia, inveja - o sofrimento da condição humana do século XX. Da obra destaco o trecho: [...] Assim é! Século de velocidade! é o que dizem. Onde? Grandes mudanças! é o que contam. Como assim? Na verdade nada mudou. Continuam a se admirar, e mais nada. E isso também não tem nada de novo. Palavras, e ainda assim poucas, mesmo entre as palavras, que mudaram! Duas ou três aqui e acolá, umas palavrinhas...”. E aí, muito orgulhosos de termos proclamado essas verdades úteis, ficamos ali sentados, radiantes, olhando as mulheres do bar. Depois, o papo voltou para o presidente Poincaré que ia inau­gurar, justamente naquela manhã, uma exposição de cachorri­nhos; e depois, conversa vai conversa vem, para o Le Temps, onde isso estava escrito. “Esse aí é um jornal do barulho, o Le Temps!”, Arthur mexe comigo. “Igual a ele para defender a raça francesa não tem outro! — Bem que ela precisa, a raça francesa, já que não existe!”, respondi na bucha, para mostrar que eu sabia das coisas. — Claro que sim! que existe uma! E uma bela de uma raça! — insistia ele —, e é até a raça mais bonita do mundo, e é um veado quem disser o contrário! — E aí, partiu para me escu­lhambar. Aguentei firme, é claro. — É mentira! Araça, o que você chama de raça, não passa dessa grande corja de fodidos de minha espécie, catarrentos, pulguentos, espezinhados, que vieram parar aqui perseguidos pela fome, pela peste, pelas doenças e pelo frio, os vencidos dos quatro cantos do mundo. Não podiam ir mais longe por causa do mar. A França é isso e os franceses são isso. — Bardamu — diz-me então, grave e um pouco triste —, nossos pais valiam tanto quanto nós, não fale mal deles!... — Tem razão, Arthur, nisso você tem razão! Cheios de ódio e dóceis, estuprados, espoliados, sangrados e eternamente baba­cas, valiam tanto quanto nós! Isso você não pode negar! Nós não mudamos! Nem de meias, nem de mestres, nem de opiniões, ou então tão tarde que não vale mais a pena. Nascemos fiéis, estamos morrendo por causa disso! Soldados gratuitos, heróis para todo mundo e macacos falantes, palavras que sofrem, nós é que somos os xodós do Rei Miséria. É ele que nos possui! Quando a gente se comporta mal, ele nos aperta... Seus dedos estão sempre no nos­so pescoço, sempre, isso atrapalha para falar, temos que prestar muita atenção se queremos poder comer... Basta uma coisinha à toa e ele nos estrangula... Isso não é vida... — Existe o amor, Bardamu! — Arthur, o amor é o infinito posto ao alcance dos cachor­rinhos, e eu tenho minha dignidade, ora essa! — respondo. — Vamos falar de você! Você é um anarquista, e mais nada! Em todo caso, um espertinho, o que vocês já devem estar notando, e com opiniões para lá de avançadas. — Você está coberto de razão, sou um anarquista mesmo! Ea melhor prova é que escrevi uma espécie de oração vingativa e social pela qual você vai me dar já já os parabéns: as asas de ouro! É o título!... — E aí recito para ele: Um Deus que conta os minutos e os tostões, um Deus desesperado, sensual e resmungão como um porco. Um porco com asas de ouro, que cai por todo lado, de barriga para cima, pronto para ser acariciado, é ele, é nosso mestre. Beijemo-nos! — Sua historinha não se sustenta diante da vida, sou a favor da ordem estabelecida e não gosto de política. E aliás no dia em que a pátria me pedir para derramar meu sangue por ela, há de me encontrar, é claro, e nem um pouco preguiçoso, disposto a lhe dar. Foi isso que ele me respondeu. [...] Veja mais aqui.

APRENDIZAGEM DO ATOR – O livro Aprendizagem do ator (Ática, 1986), do diretor, advogado, ator, professor, pesquisador das práticas do ator e criado da Cia. Simples de Teatro, Antonio Januzelli – Janô, aborda temas como a proposta de Constantin Stanislavski, a arte do ator, normas básicas, o corpo, o gesto, a fala, as práticas, a proposta de Antonin Artaud, Jerzy Grotowski, Joseph Chaikin, o palco e a vida, o homem-ator, o método da subtração, a via negativa, o autodesenvolvimento, a atuação, o grupo, laboratório dramático, transgressão dos limites, organismo vivo, improvisação, exercícios específicos, descobertas e práticas, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho Uma preliminar: Existe uma senda muito particular no processo da aprendizagem humana que possibilita uma experiência de auto-investifação do individuo, cuja proposta não se situa na área da terapia, e que tem nos jogos, nas improvisações, em exercícios específicos e na atitude reflexiva o seu centro de gravidade. A meta dessa atividade, endereçada inicialmente ao ator de teatro, que no sistema Stanilavski é atingir o oceano do subconsciente, na proposta de Artaud é produzir a metafisica da ação, com Grotovski se destina ao desnudamento do ator, com Chaikin visa ao encontro do espaço sem limites, e que nas experiências que desenvolvido pretende conduzir o ator à prontidão global, é, em síntese, a eliminação de tudo o que obstrui os verdadeiros canais por onde flui o cósmico humano, isto é, o homem em sua plena individualidade, única e insubstituível, como senhor absoluto do poder de refletir e gerar um infinito de possibilidade de ser [...] Veja mais aqui e aqui.

VALLEY OF THE DOLLS – O drama Valley of the Dolls (O vale das bonecas, 1967), dirigido pelo realizador, editor e produtor canadense Mark Robson (1913-1978), roteiro de Helen Deutsch e Dorothy Kingsley e música de Doru Previn, Adré Previn e John Williams, é baseado no best-seller homônimo da atriz e escritora estadunidense Jacqueline Susann (1918-1974), e conta a história de três jovens mulheres aspirantes ao sucesso por meio da arte: uma cantora, uma atriz e uma funcionária de uma agência de artistas. Elas se tornam amigas e compartilham da ambição profissional até seguirem rumos distintos e viverem seus problemas insuperáveis. O destaque do filme são as participações no elenco da atriz canadense Barbara Parkins e da memorável atriz e modelo estadunidense brutalmente assassinada grávida pelos membros da seita de jovens seguidores da Família Manson, Sharon Tate (1943-1969). Veja mais aqui e aqui.


IMAGEM DO DIA
Hoje é dia da dançarina estadunidense e precursora da dança moderna Isadora Duncan (1877-1927)


Veja mais sobre:
Em mim a vida & o estouro dos confins de tudo, Corpus Hermeticum de Hermes Trismegistus, Ísis sem véus de Helena Blavatsky, O jardineiro do amor de Rabindranath Tagore, a música de Kitaro, a arte de Ewa Kienko Gawlik, a fotografia de Jovana Rikalo & Tataritaritatá no Encontro dos Palmarenses aqui.

E mais:
E num é que a Vera toda-tuda virou a bruxa das pancs na boca do povo, Iluminações de Walter Benjamin, Os bruzundangas de Lima Barreto, Marxismo & literatura de Cliff Slaughter, a música de Guiomar Novaes, a pintura de Pedro Sanz & Sara Vieira, a arte de Paolo Serpieri & Tataritaritatá na Gazeta de Alagoas aqui.
Vamos aprumar a conversa: responsabilidade dos pais & da família, O amor e o ocidente de Denis de Rougemont, As recordações de Isaías Caminhas de Lima Barreto, a música de Stevie Wonder, a poesia de Murilo Mendes & Raimundo Correia, o teatro de Friedrich Schiller, o cinema de Nelson Pereira dos Santos, a coreografia de Martha Graham & a pintura de Georges Braque aqui.
Vamos aprumar a conversa, O homem, a mulher & a natureza de Allan Watts, Amar, verbo intransitivo de Mário de Andrade, a poesia de Pedro Kilkerry & Augusto de Campos, Amor de novo de Doris Lessing, a música de Christoph Willibald Gluck, o teatro de Machado de Assis, Eurídice, o cinema de Walter Hugo Khouri & Vera Fischer, a escultura de Joseph Edgar Boehm, a pintura de Jean-Baptiste Camille Corot & a arte de Patrick Nicholas aqui.
A responsabilidade do agente político, excesso de poder & desvio de finalidade aqui.
As trelas do Doro: olha a cheufra aqui.
Fecamepa: quando embola bosta, o empenado não tem como ter jeito aqui.
A vida dupla de Carolyne & sua cheba beiçuda, Psicologia da arte de Lev Vygotsky, a poesia de William Butler Yeats, a música de Leonard Cohen, a pintura de Boleslaw von Szankowski & Raphael Sanzio, o cinema de Paolo Sorrentino & World Erotic Art Museum (WEAM) aqui.
Divagando na bicicleta, Dulce Veiga de Caio Fernando Abreu, Os elementos de Euclides de Alexandria, O teatro e seu espaço de Peter Brook, a música de Billie Myers, a fotografia de Alberto Henschel, a pintura de Jörg Immendorff & Oda Jaune aqui.
A conversa das plantas, a poesia de Cruz e Sousa, Memória das Guerras do Brasil de Duarte Coelho, Arquimedes de Siracusa, a música de Natalie Imbruglia, Orientação Sexual, a arte de Hugo Pratt & Tom 14 aqui.
Leitoras de James leituras de Joyce, a literatura & a música de James Joyce, Ilustrações de Henri Matisse, a fotografia de Humberto Finatti & a arte de Wayne Thiebaud aqui.
Incipit vita nuova, A divina comédia de Dante Alighieri, Raízes árabes no sertão nordestino de Luís Soler, a música de Galina Ustvolskaya, a pintura de Paul Sieffert, Ilustrações de Gustave Doré, a arte de Jack Vetriano & Luciah Lopez aqui.
E se nada acontecesse, nada valeria..., Agá de Hermilo Borba Filho, Fábulas de Leonardo da Vinci, As glândulas endócrinas de M. W. Kapp, a música de Tomoko Mukaiyama, Compassos Cia de Danças, a pintura de Bruno Di Maio & Madalena Tavares, a arte de Eric Gill & a xilogravura de Perron aqui.
Manoel Bentevi, Sinhô, Marshal McLuhan, Andrea Camileri, Marcelo Pereira, Mario Martone, Giulia Gam, Anna Bonaiuto Fecamepa – quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério! & Parafilias aqui.
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