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sexta-feira, novembro 27, 2015

FECAMEPA, RADUAN, FILOLAU, ADRIENNE, DEPALMA, MIGUEL PAIVA, EFIGÊNIA & MUITO MAIS!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? POR QUE BRASIL, HEM? (Texto originalmente publicado na antologia Guardados e contextos, organizada por Clarisse Maia-Guedes, Editora Guarajás, 2005). - O FECAMEPA - Festival de cagadas melando o país, o mais afuleirado genérico do legendário Febeapá -, passando a limpo tudo daqui, resolve, então, saber: por que Brasil, hem? Isso mesmo: por que Brasil? Bem, pelo menos se propõe a esclarecer a origem, razão e significado do nome, ou não, sempre levado pelo estímulo da doctilóquia sentença chacrínica: vim para confundir e não para explicar. De antemão, eita, parece que esta é mais uma lorota danada, daquelas só para provar que tudo aqui ou não se deve levar realmente a sério, ou como tudo que se planta dá, sem ter mesmo razão de ser ou jeito, melhor deixar como está, num é? É, mas vamos lá! Para começar, melhor esclarecer a origem do nome Brasil. Ih, depois que botei as ventas na direção de tão nobre empreitada, de uma coisa, precavido, eu me certifiquei: nossa, é uma confusão dos diabos. E olhe que quase que me arrependo desde o dia que nasci, quando me deparei com todo nó-cego, ajudado pela empáfia e esquisitice dos pesquisadores e pedantes de sempre. Foi mesmo, é que esses caras se empolgaram tanto, mas tanto tanto, que hoje a gente sabe que tem muita fuleragem e precisa checar direitinho, conferir no amiudado. Mas olhe só, nem esquente. Tudo isso se deu porque várias cordas de guaiamum puxaram cada uma das teorias para a sua banda, coisa bastante comum aqui, né não? Inclusive e indubitavelmente é isso que caracteriza tudo daqui, num é mesmo? Apois, então. De antemão, uma coisa eu confesso: o buruçu é tão de tão que não sei como tudo num se estraçalha de vez na puxada. A corda só aguenta porque o arrumadinho é tão levado no empinado do nariz e na empolgação que, no ajeitado da pinóia, tudo vira carnaval, maior mangação. Pois bem, para se ter ideia, de primeira, uns assinalam ser o Brasil de origem celta, breasail, significando príncipe. Eita, será? Hum, sei não. Vamos nessa. Outros acham que veio do sânscrito bradshita, palavra que não se deve repetir porque pode dar um nó na língua, xá pra lá. Ou do grego brázein, que significa ferver (hum... tá esquentando!). Ou também do baixo latim brasile que significa pegando fogo, em brasa mesmo (eita, tá melhorando!). Ou ainda do toscano verzino, representando pequenas lascas ou cavacos de pau-brasil, na expressão verzino di brasili e do vêneto berzi (hum.... sei não!). Achando pouco, remexem dizendo que não é nada disso, pois que veio do genovês brazil ou brezill que significa coisa fragmentada (ah, agora vai!). Para esculhambar tudo e muito mais, dizem que procede do germânico bras, que quer dizer carvão ardente (lascou, tição!). Moendo mais ainda empestam tudo alegando ser oriundo do aríaco parasil, que significa terra grande (êta, mundo véio, arrevirado e de porteira escancarada, sô! Talqualzinho mermo, oxente!). Para embananar mais, arrotam ser mesmo proveniente da expressão Hy-Brazail, uma ilha do Atlântico povoada pelos índios vermelhos, referida pelos antigos irlandeses (ah, agora sim!). Mas estão pensando que findou a remoeta toda, é? Nada, para ainda mais aumentar o cu-de-boi todo, vem os que defendem ser o nome vindo do tupi ibira-ciri (que significa pau eriçado, ôpa! pau arrepiado, eita!), isso por causa da Caesalpina echinata, uma madeira vermelha mais popularmente conhecida como pau-brasil que, por sinal, também é cheia de espinhos e eriçada. E, também, porque a citada madeira servia para a fabricação de corantes de tinturaria, nada mais raiz carnavalesca, né? Também insistem mesmo assim ainda ser do tupi-guarani, paraci, que significa mãe do mar, mãe da água. É mole? E não bastando mesmo, tudo sem considerar as lengalengas de Pindorama, Vera Cruz e Terra de Santa Cruz. Ufa, enfim, o que existe na verdade é uma porrada de hipóteses que ninguém sabe mesmo de onde é que vem o raio de nome. Para deixar tudo às claras, é importante frisar, portanto, que tudo no nome gira em torno de pau, ou de arrepiado ou de vermelho, fato que é considerável tendo em vista que quando o brasileiro não bota o pau nos outros, significa que eventualmente é enrabado. De outra, o que fica de mesmo, para mim, é que vem de Hy Breazil, a lendária ilha do Atlântico, porque li não sei onde nem me pergunte, que Brasil sempre trouxe a ideia de paraíso terrestre por causa da crença de que todos viviam felizes na misteriosa e paradisíaca ilha. E é natural enfatizar isso porque os europeus já sabiam muito antes de Cabral & Cia., do topônimo Brasil. E também é pertinente porque os maiorais da nação sempre tiverem quizília com qualquer relação avermelhada na nossa vida, por isso os aborígenes da ilha em referência, serem escanteados daqui: são conhecidos como os vermelhos, fato que enfurecia, enraivece e agoniará de chapa a mania anticomunista dos daqui (como se a nossa índole anarquista desse nisso um dia). E para acabar com a confusão, eu digo duas coisas: a primeira, na maior, é que o bom dessa zorra toda é a misturada dando caldo grosso na sopa apetitosa daqui. E, a segunda, digo sem perder a piada na bucha: que é mais preferível admitir que o nome Brasil surgiu mesmo, digamos assim, como de costume, pela mesma circunstância que ele foi invadido, redescoberto, colonizado, virou república, eternizou a zona e é conduzido até hoje: por uma cagada da porra! É ou num é? E ponto final! Pronto, vamos aprumar a conversa aqui, aqui e aqui.

 Imagem: Naakt op divan, do artista plástico holandês Jan Sluyters (1881-1957)


Curtindo o álbum Cello Concertos (Olympia Records, 2003), com obras do compositor alemão Robert Schumann (1810-1856) e do compositor e jornalista russo-americano Alfred Schnittke (1934-1998), na interpretação da violoncelista russa Natalia Gutman & The London Phillarmonic.

O LIMITADO E O ILIMITADO – O filósofo pitagórico Filolau de Crotona viveu no sul da Itália, por volta do século V aC., foi mestre de Democrito e de Arquitas. Diz-se que, obrigado pela pobreza, escreveu um livro sobre a doutrina pitagórica, fato que se reveste da máxima importância porque os fragmentos que chegaram até o presente, representando o mais antigo testemunho escrito sobre a doutrina pitagórica. Esse livro exerceu influencia no pensamento de Platão. Do seu pensamento recolheu-se que: [...] O cosmos é um e começou a vir a ser a partir do centro, e do centro para cima, nos mesmos intervalos de distância que os de baixo. Pois o que está acima do centro se encontra em oposição ao que está abaixo; pois para o que está muito baixo o que está no cetro constitui o mais alto, e assim o restante. Pois com o centro ambos estão nas mesmas relações, apenas invertidos. [...] Há quatro princípios no ser racional: cérebro, coração, umbigo e órgãos genitais. Cabeça é o princípio da inteligência; coração, da alma e da sensação; umbigo, do enraizamento e crescimento do embrião; e os órgãos genitais, da emissão do sêmen e da criação. O cérebro indica o princípio do homem; o coração, o do animal; o umbigo, o da planta; e os órgãos genitais, o de todos eles. Pois tudo floresce e cresce de um sêmen. [...] Com natureza e harmonia, dá-se o seguinte: a essência das coisas, que é eterna, e a própria natureza requerem conhecimento divino e não humano, e seria absolutamente impossível que alguma das coisas existentes se tornasse conhecida por nós, se não existisse a essência das coisas das quais se constituiu o cosmos, tanto nas limitadas como nas ilimitadas. [...]. Veja mais aqui , aqui e aqui.

UM COPO DE CÓLERA – Na obra Um copo de cólera (Companhia das Letras, 2013), do escritor Raduan Nassar, destaco o trecho Na cama: Por uns momentos lá no quarto nós parecíamos dois estranhos que seriam observados por alguém, e este alguém éramos sempre eu e ela, cabendo aos dois ficar de olho no que eu ia fazendo, e não no que ela ia fazendo, por isso eu me sentei na beira da cama e fui tirando calmamente meus sapatos e minhas meias, tomando os pés descalços nas mãos e sentindo-os gostosamente úmidos como se tivessem sido arrancados à terra naquele instante, e me pus em seguida, com propósito certo, a andar pelo assoalho, simulando motivos pequenos pra minha andança no quarto, deixando que a barra da calça tocasse ligeiramente o chão ao mesmo tempo que cobria parcialmente meus pés com algum mistério, sabendo que eles, descalços e muito brancos, incorporavam poderosamente minha nudez antecipada, e logo eu ouvia suas inspirações fundas ali junto da cadeira, onde ela quem sabe já se abandonava ao desespero, atrapalhando-se ao tirar a roupa, embaraçando inclusive os dedos na alça que corria pelo braço, e eu, sempre fingindo, sabia que tudo aquilo era verdadeiro, conhecendo, como conhecia, esse seu pesadelo obsessivo por uns pés, e muito especialmente pelos meus, firmes no porte e bem-feitos de escultura, um tanto nodosos nos dedos, além de marcados nervosamente no peito por veias e tendões, sem que perdessem contudo o jeito tímido de raiz tenra, e eu ia e vinha com meus passos calculados, dilatando sempre a espera com mínimos pretextos, mas assim que ela deixou o quarto e foi por instantes até o banheiro, tirei rápido a calça e a camisa, e me atirando na cama fiquei aguardando por ela já teso e pronto, fruindo em silêncio o algodão do lençol que me cobria, e logo eu fechava os olhos pensando nas artimanhas que empregaria (das tantas que eu sabia), e com isso fui repassando sozinho na cabeça as coisas todas que fazíamos, de como ela vibrava com os trejeitos iniciais da minha boca e o brilho que eu forjava nos meus olhos, onde eu fazia aflorar o que existia em mim de mais torpe e sórdido, sabendo que ela arrebatada pelo meu avesso haveria sempre de gritar “é este canalha que eu amo”, e repassei na cabeça esse outro lance trivial do nosso jogo, preâmbulo contudo de insuspeitadas tramas posteriores, e tão necessário como fazer avançar de começo um simples peão sobre o tabuleiro, e em que eu, fechando minha mão na sua, arrumava-lhe os dedos, imprimindo-lhes coragem, conduzindo-os sob meu comando aos cabelos do meu peito, até que eles, a exemplo dos meus próprios dedos debaixo do lençol, desenvolvessem por si sós uma primorosa atividade clandestina, ou então, em etapa adiantada, depois de criteriosamente vasculhados nossos pelos, caroços e tantos cheiros, quando os dois de joelhos medíamos o caminho mais prolongado de um único beijo, nossas mãos em palma se colando, os braços se abrindo num exercício quase cristão, nossos dentes mordendo ao outro a boca como se mordessem a carne macia do coração, e de olhos fechados, largando a imaginação nas curvas desses rodeios, me vi também às voltas com certas práticas, fosse quando eu em transe, e já soberbamente soerguido da sela do seu ventre, atendia precoce a um dos seus (dos meus) caprichos mais insólitos, atirando em jatos súbitos e violentos o visgo leitoso que lhe aderia à pele do rosto e à pele dos seios, ou fosse aquela outra, menos impulsiva e de lenta maturação, o fruto se desenvolvendo num crescendo mudo e paciente de rijas contrações, e em que eu dentro dela, sem nos mexermos, chegávamos com gritos exasperados aos estertores da mais alta exaltação, e pensei ainda no salto perigoso do reverso, quando ela de bruços me oferecia generosamente um outro pasto, e em que meus braços e minhas mãos, simétricos e quase mecânicos, lhe agarravam por baixo os ombros, comprimindo e ajustando, área por área, a massa untada dos nossos corpos, e ia pensando sempre nas minhas mãos de dorso largo, que eram muito usadas em toda essa geometria passional, tão bem elaborada por mim e que a levava invariavelmente a dizer em franca perdição “magnífico, magnífico, você é especial”, e eu daí entrei pensando nos momentos de renovação, nos cigarros que fumávamos seguindo a cada bolha envenenada de silêncio, quando não fosse ao correr das conversas com café da térmica (escapávamos da cama nus e íamos profanar a mesa da cozinha), e em que ela tentava me descrever sua confusa experiência do gozo, falando sempre da minha segurança e ousadia na condução do ritual, mal escondendo o espanto pelo fato de eu arrolar insistentemente o nome de Deus às minhas obscenidades, me falando sobretudo do quanto eu lhe ensinei, especialmente da consciência no ato através dos nossos olhos que muitas vezes seguiam, pedra por pedra, os trechos todos de uma estrada convulsionada, e era então que eu falava da inteligência dela, que sempre exaltei como a sua melhor qualidade na cama, uma inteligência ágil e atuante (ainda que só debaixo dos meus estímulos), excepcionalmente aberta a todas as incursões, e eu de enfiada acabava falando também de mim, fascinando-a com as contradições intencionais (algumas nem tanto) do meu caráter, ensinando entre outras balelas que eu canalha era puro e casto, e eu ali, de olhos sempre fechados, ainda pensava em muitas outras coisas enquanto ela não vinha, já que a imaginação é muito rápida ou o tempo dela diferente, pois trabalha e embaralha simultaneamente coisas díspares e insuspeitadas, quando pressenti seus passos de volta no corredor, e foi então só o tempo de eu abrir os olhos pra inspecionar a postura correta dos meus pés despontando fora do lençol, dando conta como sempre de que os cabelos castanhos, que brotavam no peito e nos dedos mais longos, lhes davam graça e gravidade ao mesmo tempo, mas tratei logo de fechar de novo os olhos, sentindo que ela ia entrar no quarto, e já adivinhando seu vulto ardente ali por perto, e sabendo como começariam as coisas, quero dizer: que ela de mansinho, muito de mansinho, se achegaria primeiro dos meus pés, que ela um dia comparou com dois lírios brancos. Veja mais aqui.

INICIO, AGOSTO, DA PRISÃO – No libro The Dream of a Common Language – Poems 1974/1977 (Norton, 1978), da poeta, feminista e professora Adrienne Rich (1929-2012), destaco inicialmente o poema Início: Viver na insônia / sob o gesso cheio de cicatrizes / enquanto o gelo se forma sobre a terra / num momento em que nada pode ser feito / para cumprir qualquer decisão / para conhecer a composição do fio / dentro do corpo da aranha / primeiro os átomos da teia / visíveis da manhã / sentir o flamejante futuro / de cada palito de fósforo na cozinha / nada pode ser feito / senão aos poucos. Transcrevo minha vida / hora por hora, palavra por palavra / contemplando a ira de velhas no ônibus / numerando as estrias / de ar dentro dos cubos de gelo / imaginando a existência de alguma coisa incriada / este poema / nossas vidas. / Um homem está dormindo no quarto ao lado / nós somos seus sonhos / nós temos cabeças e seios de mulher / os corpos de aves de rapina / às vezes viramos serpentes prateadas / enquanto ficamos acordadas fumando e conversando sobre a vida / ele se vira na cama e murmura / um homem está dormindo no quarto ao lado / uma neurocirurgiã ingressa em seu sonho / e começa a dissecar seu cérebro / ela não parece uma enfermeira, / está absorvida em seu trabalho / e tem um rosto austero e delicado como o de Maria Curie / ela não é / podia ser uma de nós / um homem está dormindo no quarto ao lado / ele levou um dia inteiro / de pé, lançando pedras no lago escuro / que mantém sua escuridão / fora da moldura de seu sonho nós tropeçamos morro acima / de mãos dadas, tropeçando e guiando uma a uma a outra / sobre a pedra vulcânica cheia de cicatrizes. Também o poema Agosto: Dois cavalos na luz amarela / comendo, debaixo duma árvore, maçãs derrubadas pelo vento / enquanto o verão se desfaz, as plantas cambaleiam / e a relva fica crestada / dizem que há ions no sol / neutralizando campos magnéticos na terra / que maneira de explicar / o que foi esta semana e a que a precedeu! / Se eu sou carne tostando sobre pedras / se eu sou cérebro queimando na luz fluorescente / se eu sou sonho como um fio flamante / pulsando com ele / se eu sou morte para o homem / preciso sabê-lo / sua mente é simples demais. Não posso continuar / compartilhando seus pesadelos / os meus próprios tornam-se mais claros, abrem-se / para a pré-história / que parece um vilarejo aceso com sangue / onde todos os pais estão gritando: Meu filho me pertence! Por fim o poema Da prisão: Sob minhas pálpebras outro olho se abriu / e olha cruamente / a luz / que penetra vindo do mundo da dor / mesmo enquanto durmo / fixamente ele encara / tudo que eu enfrento / e mais / ele vê os cassetetes e as coronhas / levantando e baixando / ele vê / o detalhe que a TV não mostra / os dedos da polícia feminina / esquadrinhando a boceta da jovem prostituta / ele vê / as baratas caindo dentro da panela / onde preparam carne de porco / no presídio / ele vê / a violência / encravada no silêncio / este olho / não é para chorar, / sua visão / deve ser nítida / apesar das lágrimas em meu rosto / seu objetivo é lucidez / nada deve ser esquecido. Veja mais aqui.

A ARTE DO ATOR – No livro A aprendizagem do ator (Ática, 1986), de Antonio Januzelli - Janô, encontro a parte denominada A arte do ator, a qual destaco: O ator em cena atua sempre em sua própria pessoa. Ele não fala de uma personagem imaginária. Sua arte consiste em se por numa situação análoga à da personagem, acrescentando novas suposições e deixando-se envolver por sua natureza inteira: intelectual, física, emocional e espiritual. O objetivo do ator é transmitir suas ideias e sentimentos usando suas próprias emoções, sensações, instintos, sua experiência pessoal de vida, mostrando seus próprios traços, sempre os mais íntimos e secretos, sem ocultar nada. O ator deve comparar os atos da personagem a fatos semelhantes em sua vida, que lhe são familiares. Stanislavski cita um exemplo: Chatski, personagem de um texto russo, é um homem apaixonado. O que faz um homem apaixonado quando, depois de ausente por vários anos, retorna para ver a amada? Que faria o ator, enquanto individuo, se fosse Chatski? Ele deve falar por si mesmo, como alguém colocado nas circunstancias da personagem Chatski. O ator deve encontrar na alma do papel um fragmento de si mesmo, de sua alma, de seus desejos; deve atacar o papel como ele mesmo, segundo a vida, sua, aqui e aqui, e não segundo apenas instruções do autor nem de acordo com os carimbos convencionais. [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.

BODY DOUBLE – O suspense Body double (Dublê de corpo, 1984), dirigido pelo cineasta estadunidense Brian DePalma, explora a desordem psíquica e assassinatos, contando a história de um ator de filmes de de terror de segunda categoria, desempregado e claustrofóbico, começa a sentir uma descontrolada obsessão por uma mulher que se despe na janela, no prédio em frente. Mas, vendo que ela está com problemas, ele decide ajudá-la, sem perceber que ele sem querer entra em um jogo de perversão. O destaque do filme é em dose dupla: a premiada atriz estadunidense Melanie Griffith e a também atriz e rainha da beleza estadunidense Deborah Shelton, esta última ex-Miss USA. Veja mais aqui.
 

IMAGEM DO DIA
Sandrão Nua & Crua, do cartunista, escritor, diretor de arte, autor de teatro, ilustrador, publicitário, roteirista e jornalista Miguel Paiva. Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à poetamiga carioca radicada em Santa Catarina, Efigênia Coutinho Mallemont. Veja aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!!!
Veja mais aqui.

 

quarta-feira, janeiro 21, 2015

MARY O'MALLEY, KAMILA SHAMSIE, GERDA TARO & LINA WERTMÜLLER

 


GERDA SORRI NO MEU CORAÇÃO... - Aquela pequena sorridente, uma judia charmosa e bela tão corajosa era Gerta de Stuttgart: uma pequena ruiva com seu sorriso cativante e modos para lá de confiantes. Oriunda de uma família judia que foi pra Leipzig, logo foi presa por distribuir material antinazista: colava cartazes de propaganda comunista nas paredes, sob o manto da escuridão. Ao ser libertada, ela usou um passaporte falso para viajar por terra até Paris, onde foi cuidada por uma rede comunista. La pequeña rubia teve que deixar sua casa e nunca mais voltou. Adotou o nome Taro – homenagem à Tarō Okamoto e Greta Garbo – e suas fotos passaram a resplandecer no Ce Soir já contrariavam a propaganda nacionalista. Foi enfrentar o fascismo com viagens à Espanha para documentar combates: tinha um fascínio e empatia pelo sofrimento do povo espanhol. Foi ali que começou a desenvolver um estilo próprio de fotografar, construía sua carreira recusando-se ao casamento. Deveria retornar à França, mas não: estava lá na linha de frente da guerra, a brutalidade da Guerra Civil Espanhola: bombas caíam do céu e aviões metralhavam o solo e ela desejava tirar as fotos mais dramáticas que pudesse, razão pela qual se colocava sempre em risco, situações altamente perigosas. Fugia das perseguições e lutava para conseguir trabalho. Tirava o maior proveito de si mesma: um agudo sentimento de exílio no seu radicalismo. Autorreinventava-se com imprudência e bravura na carreira pelas linhas de batalha, movida por uma mistura de humanidade e compromisso político, uma compreensão astuta. Numas férias curtas dançou o Dia da Bastilha nas ruas abaixo do Sacré Coeur, traçando planos pro futuro. Regressou sozinha à Espanha desafiando a proibição de jornalistas viajarem para o front. Tudo era possível: amar, se arriscar, viver. Contava apenas com 26 anos, capturava a carnificina escondida nas trincheiras enfrentando uma batalha perigosa e, num retiro em Brunete, a guerra a consumiu: um tanque a esmagou e ela não deveria estar lá. A heroína sucumbiu, a anarquista se calou, a pioneira partiu. As suas fotos deste dia foram todas perdidas e ela quase esquecida, suas conquistas foram desvanecidas. Os negativos da cronista visual da guerra esquecidos por muito tempo na Mala Mexicana. Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Sinto-me confiante em mim mesma. Eu me comporto com equilíbrio, sem medo... Quando você pensa em todas as pessoas boas que nós dois conhecemos que foram mortas mesmo em uma ofensiva, você tem uma sensação absurda de que de alguma forma é injusto ainda estar vivo. Tenho fotos fantásticas, tenho champanhe, vamos dar uma festa. Eles cuidaram da minha câmera?... Últimas palavras da fotógrafa, jornalista e anarquista alemã Gerda Taro (Gerta Pohorylle – 1910-1037), a primeira mulher fotojornalista a morrer enquanto fazia cobertura de guerra. Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Amar é estar engajado, é trabalhar, é estar interessado, é criar. Se amo algo eu faço, e se não amo, não faço. Acho que esta é a escolha mais importante que qualquer um de nós pode fazer na vida, na arte, na história: fazer aquilo que amamos. Se você ama, é importante. Se você ama isso, enquanto faz isso, você é uma verdadeira expressão de si mesmo, de seu tempo e de sua história. Você é autêntico. Se você não ama isso, você trai não apenas a si mesmo, mas também a sua história, a sua cultura, a sua posição na sociedade. Sinto que as regras são feitas para serem quebradas, principalmente na arte! Prefiro a desordem criativa a regras rígidas. O importante não é que você tenha uma derrota, mas como você reage a ela. Sempre existe a possibilidade de transformar uma derrota em outra coisa, algo novo, algo forte. Todas as boas histórias, todas as pessoas que lembramos são aquelas que fazem isso, que fazem vitórias com seus fracassos. Porque as vitórias não ensinam nada. As vitórias não são úteis. Muitas vezes são perigosos. Quando você pode usar palavrões em todas as situações com todos, isso é uma grande libertação. Pensamento da cineasta italiana Lina Wertmüller (Arcangela Felice Assunta Wertmüller von Elgg Spanol von Braucich  - 1928- 2021), diretora de filmes como Peperoni ripieni e pesci in faccia (2004), Ferdinando e Carolina (1999), Ninfa plebea (1996), Io speriamo che me la cavo (1992), In una notte di chiaro di luna (1989), Imago urbis (1987), entre tantos outros. Veja mais aqui.

 

CARTOGRAFIA - [...] Por um segundo, quase fiquei com ciúmes das nuvens. Por que ele estava olhando para elas como uma fuga quando eu estava bem aqui ao lado dele? [...] A definição dela de romance era intimidade distraída, a maneira como a mão de outra pessoa se desvia para o seu prato de comida. Eu respondi: não, isso é apenas amizade; romance é sempre saber exatamente onde estão as mãos dessa outra pessoa. Ela sorriu e disse, houve um tempo em que eu também pensava assim. Mas no cerne do romance está o conhecimento de que essas mãos podem vagar para outro lugar, mas de alguma forma, por sorte, destino ou tateando às cegas, elas encontrarão um caminho de volta para você, e talvez você seja inteligente o suficiente para ser grato por tudo o que ainda é possível, apesar de suas próprias fraquezas - e as dele [...] Você tem essa habilidade de encontrar beleza em lugares estranhos. [...] Eles adoram você porque acham que você oferece sua amizade e não pede nada em troca. Mas isso não é verdade-' Ele respirou fundo. 'Você pede alguma coisa. Você pede que nunca esperemos que você precise de nós. [...]. Trechos extraídos da obra Kartography (Harper Paperbacks, 2004), da escritora paquistanesa Kamila Shamsie, que no livro Broken Verses (Harper Paperbacks, 2005), expressa que: [...] Não há mistério algum-- essa é a beleza disso. Somos inteiramente explicáveis um ao outro, e ainda assim ficamos. Que milagre é esse. [...]. No livro Salt and Saffron (Bloomsbury, 2001), ela traz: [...] Que horror é aquela manhã quando você acorda e seu primeiro pensamento não é sobre a pessoa que foi embora. É quando você sabe, eu nunca vou morrer de um coração partido [...] Decisões. Onde, o quê, por quê. Não consigo lidar com elas. Então, estou prolongando a indecisão com o ensino superior. [...]. Por fim, no livro Burnt Shadows (Bloomsbury, 2009), ela expressa que: [...] Tantas coisas que você promete a si mesmo que não vai se acostumar, e então se acostuma. [...], como também é autora da frase: Deveríamos ter histórias em comum, eu me peguei pensando. Deveríamos ter histórias, e piadas que ninguém entende, e memórias que sabemos que permanecerão vivas porque nenhum de nós deixará o outro esquecer.

 

DOIS POEMAS - SEGURANDO ROSA - O corpo não deseja ficar desimpedido. \ O braço quer que a criança se afaste \ da panela fervendo. Sinto falta: da sua fúria \ estridente como paramilitares juniores, \ das suas queixas extravagantes, do seu sono sem fundo. \ Sinto principalmente falta de seus pequenos corpos, \ doces como sorvetes de verão, como frutas silvestres. \ Podemos nos separar do mar e viver. \ É como superar uma gagueira ou um carrapato. \ Ao ensinar diariamente novos hábitos ao corpo, \ os planetas são persuadidos a sair de órbita. \ Em segundos tudo está desfeito. Segurar Rosa \ em um hotel em Dublin é dormir \ em uma casa na praia e acordar \ com o mesmo som. A doca magnética \ da criança ao quadril, da terra à lua, tempo roubado. O RETRATO - Eu não fui sempre assim. Aprendi \ a compostura da maneira mais difícil. Essas não eram cores \ que eu usava até que ele me vestisse. Eu sou a favor do monótono. \ Não é semelhança, é mais minha mãe ou uma irmã. \ Ele alongou meu rosto. Ele me pintou antes, \ linhas tensas e nítidas, meu rosto cortado como uma jóia \ Em um triângulo rígido, um brilho inquieto de índigo, \ vermelhão. Quando ele descobriu a tela, senti \ como quando me peguei no espelho \ e era o rosto dela. O estranho é que eles nunca se conheceram. \ Está nos ossos, disse ele, como uma doença. \ Somos a casa um do outro agora e me abraçamos a noite toda. \ Existem vidas piores. Ele me chama de companheiro \ de sua alma. Claro que ele trai modelos, \ mas um dos consolos da idade é um casamento sólido. \ Ele traça o entalhe abaixo da minha garganta com o polegar. \ Ele diz que é um V quase perfeito. Embora \ eu saiba que não é, algo ainda se agita entre meus quadris. \ Quando ele me pinta, vejo uma mancha ali, como um hematoma, \ como se ele quisesse deixar sua marca, uma resistência \ ao artifício. Ele deixa o fundo escuro \ para os nossos segredos. Eu o amo bastante. Ele fica. Poemas da poeta irlandesa Mary O'Malley, autora de obras tais como: A Consideration of Silk (Salmon Poetry Galway, 1990), Where the Rocks Float (Salmon, Galway, 19930, The Knife in the Wave (Salmon Co.Clare, 1997), Asylum Road (Salmon Publishing, 2001), The Boning Hall (Carcanet Press, 2002), A Perfect V (Carcanet Press, 20060 e Valparaiso (Carcanet Press, 2012).

 

SACADOUTRAS

 


FECAMEPA E OS PRIMÓRDIOS DA CORRUPÇÃO NO BRASIL – Por volta de 1534, registra Nelson Barbalho, no seu Cronologia pernambucana: subsídios para a história do agreste e do sertão, que: [...] Como nas demais cartas donatariais, também, nesta assinada El-Rei se reservara o direito de conservar integra ou de modificar a Capitania de acordo com os interesses do Estado ou da própria colonia, caso sugrisse necessidade disso, fato que torna patente o motivo central de cada doação: deveriam os donatários prover a prosperidade de suas terras, é claro, de modo, contudo, a beneficiar simultaneamente e preferencialmente a Coroa onipoente e onipresente. O fidalgo português Pero Lopes de Souza, 1º donatário da Capitania de Itamaracá, era filho de Lope de Souza, senhor do Prado e alcaide-mor de Bragança. Seu irmão Martin Afonso de Souza, era o donatário da Capitania de São Vicente. Não se conhecia a data de seu desembarque e posse na donataria itamaraquense, mas sabe-se que ele entregaria ou deixaria sua administração aos cuidados de Francisco de Braga, na qualidade de capitão-mor/governador, em nome do 1º donatário, permanecendo Braga no cargo até se ver obrigado a abandoná-lo, em face de algumas diferenças tidas com o donatário de Pernambuco, Duarte Coelho, que o teria mandado desfeitear, aplicando-lhe cutilada no rosto. Não podendo ir ao revide, Francisco Braga, sentindo-se diminuiido no posto e largando-o de mão, embaraçaria para as Índias de Castela, levando em sua companhia tudo quanto fora possível levar e deixando a Capitania de Pero Lopes inteiramente desbaratada, perdida, desgovernada, feito corpo sem cabeça. Ora, ora, ora! Vamos aprumar a coversa e tataritaritatá! Veja mais aqui e aqui.

Imagem: Introspecção, da artista plástica G. Graça Campos.

Ouvindo: Aquarela do Brasil, de Ari Barroso, na interpretação do tenor espanhol Plácido Domingo com a King of Opera Performers. Foto: Vinicius Pereira.

 
Imagem: J. Lanzellotti – Estórias e lendas do Norte e Nordeste.

IANGAÍ, Ó LINDA, OLINDA – As malocas dos caetés amanheceram em azáfama. Até as mulheres atendiam ao chamado dos borés. A valente tribo dos nativos brasileiros se preparava para assaltar o acampamento dos brancos, onde Duarte Coelho Pereira, recém-vindo de Portugal com sua esposa d. Brites de Albuquerque e o cunhado Jerônimo de Albuquerque, tomara posse da Capitania de Pernambuco, doada por d. João III, e dera início à povoação. Os fidalgos e amigos, companheiros do donatário, sabem, por informações dos índios tabaiaras que, além dos morros, existe a poderosa nação dos caetés. É o ano de 1535. Tarde de verão. Duarte Coelho e sua gente descobrem, no morro onde está a Sé, o sinal guerreiro, denunciador das hostilidades dos aborígenes. Todos se preparam e esperam. Um pouco mais, e uma saraivada de flechas dá início ao combate A luta se encarniça. Caem em poder dos brancos, como prisioneiros, muitos índios caetés. Há entre eles também mulheres. E no meio delas está Iangai, a bela índia. Embora prisioneira, Iangai com altivez deliciosa zomba dos brancos. Duarte Coelho é atingido por uma flecha. Recolhe-se, com a ferida sangrando. E a batalha prossegue, sem desfalecimentos. Tabira, chefe dos tabajaras, conduz os prisioneiros à presença do donatário. Este, ao ver Iangai, radiosa de revolta e envolvida pelo frescor de sadia juventude, exclama fascinado: - Ó linda! Pede-lhe Tabira, então, consentimento para sacrificar os prisioneiros. Duarte Coelho, porém, exclui Iangai. E a formosa índia, quando partem seus companheiros para o sacrifício, envolve-os com um olhar doloroso de angústia, seus lábios balbuciam qualquer coisa e uma lágrima cristalina ilumina-lhe a face crestada pelo sol dos trópicos. Entre os condenados à morte está Camura, o eleito do seu coração bravio – um guapo rapagão, de olhar penetrante, tez descoberta e músculos fortes e desenvolvidos. Hajissé e Piragibe, valorosos guerreiros tabajaras, desconfiam sempre dos propósitos de Iangai que permanece fiel ao juramento de amor a Camura. Vigiam-na secretamente. Duarte Coelho se desespera ante o desprezo de Iangai, a quem visita escondido de sua esposa.A índia d. Maria do Espírito Santo Arco Verde, tabaiara, que se havia batizado casando com Jerônimo de Albuquerque, um dia conta discretamente a Duarte Coelho que a sua Ólinda, como ele a apelidara, tenciona matá-lo. Ele, entretanto, não acredita. Ama-a e o amor condescende sempre. Desprezado assim por Iangai, Duarte Coelho se consola em citar o seu nome. E o faz com volúpia. Há naquele apelido um mundo de quimeras que ela alimenta. E quando escreve para Portugal, vai datando as suas cartas: Desta Pernambuco, ou desta Olinda da Nova Lusitânia etc. A nobreza de uma homenagem a quem lhe despertara o amor e o desprezo. Um dia, a notícia se avoluma: o último dos caetés desaparecera – Iangai fugira! Saem em sua perseguição. E, após incessante batida, encontram o cadáver da índia envolta em folhas de timbó, abundante nas matas de Palmira, próximas das atuais ruínas. Iangaí se suicidara. Vencido assi, o derradeiro caeté que fora o próprio amor de Duarte Coelho, este incrementa a construção da cidade e lhe dá o nome do seu sonho: Olinda. Diz-se que ainda hoje, quando o sol se põe, viandantes ouvem, pelas imediações das ruínas de Palmira, juntamente com o sibilar modulado das cigarras, o cantar longínquo duma mensagem de saudade. Mas ninguém ainda pôde identificar aquela voz misteriosa de mulher. (Lula Cardoso Aires, A origem do nome Olinda. Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, vol. XXXII, nº 151/154, p. 43-45, Recife, 1934). Veja mais aqui e aqui. 

A ESTEATOPIGIA É A ALEGRIA BRASILEIRA – Já tratei aqui e aqui a respeito dos estudos acadêmicos desenvolvidos a partir das esculturas paleolíticas da Vênus de Willendorf e da cobiçada Vênus Hotentote do séc. XVIII, realizados por diversos estudiosos, sobre a bunda e suas dimensões maravilhosas, a exemplo do zoólogo e anatomista francês Henri Marie Ducrotay de Blainville (1777-1850) e do filósofo, anatomista e zoólogo frances Barão Georges Léopold Chrétien Frédéric Dagobert Cuvier (1769-1832), afora o paleontólogo americano Stephen Jay Gould do cientista social e escritor pernambucano Gilberto Freyre e Jean-Luc Hennig que escreveu a sua Breve História das Nádegas, entre outros. O também antropólogo, historiador e poeta Antonio Risério debruçou-se sobre o delicioso tema, tratando: “[...] a bunda é fundamental. Bunda – e não nádegas, que é uma expressão plural. Bunda é conjunto. É o “milagre de ser duas em uma, plenamente”, como dizia Drummond, acrescentando: “A bunda é a bunda, redunda”. E é com ela que o Brasil requebra em todas as suas festas. Nada de nádegas, nada da fresse (“fenda”) dos francesses. A bunda brasileira, formada graças à herança genética africana, é massa carnal rebolante – e não bipartição, fenda ou vazio. E, se temos uma estética da bunda, cânones dessa ondulação corporal sedutora, a bunda também remete a uma estética. E esta – como bem viu Jean-Luc Hennig em sua Breve História das Nádegas – é barroca. Sim: a bunda é barroca. Curva e plenitude. [...] O corpo “violão” de nossas mestiças tropicais não é o corpo quadrado de índias e nórdicas. Mas, além do corpo, existe a visão desse mesmo corpo. O nosso modo de lidar com ele. daí que a nossa alegria, manifestando-se em nosso corpo e sua bunda, seja também inseparável da informalidade brasileira (vide Sérgio Buarque), com o seu horror às normas e às distancias interpessoais [...]”. Veja mais aqui e aqui.




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