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sexta-feira, julho 10, 2020

EVE MERRIAM, STEVEN PRESSFIELD, CHIE YOSHII & INALDA XAVIER



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: AB IMO PECTORE - Inventário do que sobrou: trapos e cacos, coágulos eclodem nas cicatrizes e o sangue a se derramar dos olhos: todos os mortos e mortes comigo e em mim. E era uma vez duas três vezes muitas e todas, resisto e as feridas cobrem a pele, sinal de aprendizado. A voz é rouca, mas é capaz da Dedução de Maiakovski: Não acabarão nunca com o amor, nem as rusgas, nem a distância. Está provado, pensado, verificado. Aqui levanto solene minha estrofe de mil dedos e faço o juramento: Amo firme, fiel e verdadeiramente. Tal como o poeta, sou todo coração.

DUAS: O QUE É DE HOJE NÃO É AMANHÃ – Não há futuro senão agora. O tempo de ontem ou amanhã é o presente, o que ficou ou passou e o que virá, este o instante e a existência, não mais nem menos. Ouvi Rubem Alves: A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente. Por isso, mais do que nunca, eu vivo e voo.

TRÊS: A VOZ EXPLODE O PEITO - Sempre falei de amor, mesmo que olvidassem. Assim, sempre aprendiz: amor&arte, amorarte, o que ainda não sei, dedicado. E me disse Herbert Marcuse: A verdade da arte reside no seu poder de quebrar o monopólio da realidade estabelecida para definir o que é real. E a me confundir entre a verdade e o real, o ilusório e o atual, Degas riscou no meu ouvido: A arte não é o que você vê, mas o que você faz os outros verem. Ah, quisera me salvar entre devires e simulacros. Não dá para calar, agora a voz explodiu o peito. Até segunda. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Fazer ou não fazer o trabalho. Pode ajudar pensar dessa forma. Se você foi destinado a descobrir a cura do câncer, escrever uma sinfonia, conseguir realizar a fusão a frio e não o fizer, você não apenas causará mal a si próprio. Ou até mesmo se destruirá. Você causará mal a seus filhos. Causará mal a mim. Causará mal ao planeta. Você envergonha os anjos que o protegem e contraria o Todo-Poderoso, que criou você e apenas você com seus dons exclusivos, com o único objetivo de empurrar a raça humana um milímetro para a frente, em seu longo caminho de volta a Deus. O trabalho criativo não é um ato egoísta ou um pedido de atenção por parte do ator. É uma dádiva para o mundo e para todo ser vivo que o habita. Não nos prive de sua contribuição. Dê-nos o que você possui. Trecho de A vida do artista, extraído da obra Guerra da arte: supere os bloqueios e vença suas batalhas interiores de criatividade (Ediouro, 2005), do escritor e roteirista estadunidense Steven Pressfield, obra esta que é dividida em três partes: o livro 1, trata da definição do inimigo, a resistência invisível, interna, insidiosa, implacável, impessoal, infalível, universal, nunca dorme, joga para ganhar, alimenta-se do medo, atua em única via e direção; é mais forte na reta final, recruta aliados e procrastina, além de relacionar a resistência com o sexo, aos problemas, dramatização, automedicação, vitimização, escolha de parceiro, a infelicidade, o fundamentalismo, a crítica e a falta de confiança em si, o medo e o amor, ser uma estrela e o isolamento, cera e apoio, a racionalização e a resistência a ser vencida. No livro 2, combalendo a resistência para se tornar um profissional e sua relação com amadores, o dia-a-dia de um escritor, um pobre coitado, amor ao jogo e a relação do profissional com a paciência, ordem, desmistificação, diante do medo a reação, não aceitar desculpas, enfrentar condições que se deparar, preparado e não se exibe, dedica-se a dominar a técnica, não hesita em pedir ajuda, se distancia do seu instrumento, não leva o fracasso ou sucesso para o lado pessoal, suporta adversidade, homologa a si próprio, reconhece limitações, reinventa a si próprio e é reconhecido como aquele que não desiste. No livro 3, trata além da resistência, o reino superior, anjos no abstrato, abordando o mistério, invocando a musa, testamento de visionário, a magia de começar e continuar, vida e morte, ego e self, experiência e medo, território e hierarquia, orientação hierárquica, definição de escrevinhador, orientação territorial, a virtude suprema, os frutos do trabalho, o retrato e a vida do artista.

COMO SE PODE SER POETA?, DE EVE MERRIAM
tome a folha de uma árvore / trace sua forma exata / suas bordas externas / e suas linhas internas / memorize o modo como se prende à haste / (e como a haste arqueia a partir do galho) / como em abril ela se expande / como em julho ela se enrijece / em fins de agosto / amasse-a em sua mão / para que você cheira sua tristeza de fim de verão / mastigue seu talo de madeira / ouça seu tagarelar de outono / veja como no ar de novembro ela se pulveriza / no inverno então / quando não há folha que sobre / inventa uma.
EVE MERRIAM - Poema da escritora estadunidense Eve Merriam (1916–1992), que teve um musical na Broadway, chamado Inner City, baseado no seu livro Inner City Mother Goose. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora visionária surrealista japonesa Chie Yoshii, que possui uma obra inspirada na analogia entre os contos mitológicos e a psicologia humana. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A arte da premiada pintora, ceramista, tapeceira e escultora Inalda Xavier (1930-2017), que participou de exposições coletivas e individuais dentro e fora do Brasil e fundadora da Oficina Guaianases de Gravura.
&
A música do multi-instrumentista, maestro, arranjador, compositor e orquestrador Sivuca – Severino Dias de Oliveira (1930-2006) aqui e aqui.
Reencontro, do escritor e dramaturgo Osman Lins (1924-1978) aqui.
Do amor e suas perversidades, da poeta, psicóloga e editora Dione Barreto aqui.
Mulheres construindo a igualdade – Caderno Etnicorracial, organizado por Celma Tavares et al aqui.
Zona da Mata de Pernambuco; estudo de alternativas de geração de emprego e renda no meio urbano, coordenado por João Policarpo Rodrigues de Lima et al aqui.
&
O papa-figo de Água Preta aqui & aqui.


domingo, julho 19, 2015

MAIAKOVSKI, MARCUSE, GROTOWSKI, LOACH, DEGAS, OS SALTIMBANCOS, LOBISOMEM ZONZO & BRINCARTE DO NITOLINO!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA – AH, SE EM TODO LUGAR HOUVESSE AMOR – Hoje é o Dia dos Povos Oprimidos – de que mesmo?!? Ah, tá, preciso saber do que se trata. Seguinte: buscando acontecimentos históricos, a data de hoje é importante... peraí, deixa eu filar aqui... hum... sim...Pedra de Roseta, Convenção de Seneca Falls e pelos Direitos da Mulher – isso é importante, hum... deixe ver... festa em Bom Jardim, Pernambuco, eita! Terra do Guga Doido, quanto tempo, hem? Que mais? hum...Marilyn, independência do Laos, Guerra do Vietnã, aviões barroam no céu, rebeldes sandinistas depõem Somoza na Nicarágua, etc, etc, etc. É, data importante para reflexão e só pra comemoração dos nicaraguenses que sofreram horrores, a liberdade do povo do Laos e, sobretudo, registro da luta das mulheres. Por tabela, acharam por bem dedicar o dia de hoje pra caridade – como se caridade merecesse ser feita em um só dia. E também pro futebol, afinal em 1992 o Flamengo se sagraria tetracampeão brasileiro. Tá. Mas Dia dos Povos Oprimidos? Como eu disse antes, importante. E a opressão deixou de existir? Mas, isso me lembrou duma coisa que me ocorreu alguns anos atrás. Foi por ocasião do lançamento do segundo volume da antologia Brincarte – II Prêmio Nascente de Arte Infanto-Juvenil, quando a garota à época com 12 anos de idade, estudante da Escola Santa Lúcia – Maceió AL, hoje uma senhorita de 28 anos de idade, Wanessa Roberta M. Melo, me encarou de frente e escreveu: O chão. Em todo lugar tem chão. O céu. Em todo lugar tem céu. O amor. Era bom se em todo lugar tivesse amor. Ponto final. Veja mais aqui.

 Imagem: Prima Ballerina (1878), do pintor impressionista francês Edgar Degas (1834-1917). Veja mais aqui e aqui.

Curtindo o álbum da fábula musical Os Saltimbancos (Phillips, 1977), da peça teatral da dupla Luis Enríquez Bacalov & Sergio Bardotti, adaptada por Chico Buarque. Veja mais aqui.

PGM BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia do programa Brincarte do Nitolino pras crianças de todas as idades. Será a partir das 10hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação simpática de Isis Corrêa Naves. Na programação: Palhaço Carequinha, Altamiro Carrilho, Marina Seneda, Tia Conça, Fernando Fiorese, Hakuna Matata, Meimei Corrêa & A Lenda do Tsuru, Todo dia é dia de ser criança, Teleco Teco, Princesas do Mar, Pimpão & Fumaça, Patati & Patatá, & muito mais pra garotada. No blog não deixe de conferir as edições da antologia Brincarte, resultado do Prêmio Nascente de Arte Infanto-Juvenil, publicadas nos anos de 1998/99, pelas Edições Nascente e, também, o Projeto O Mundo Encantado da Leitura, desenvolvido pelo Sesc Jaraguá, comandado pela diretora Meire Célia. Para conferir tudo isso, ao vivo e online, clique aqui ou aqui.

A ORIGEM DO INDIVIDUO REPRIMIDO – No livro Eros e Civilização: uma interpretação filosófica do pensamento de Freud (Zahar, 1975), do sociólogo e filosofo alemão pertencente à Escola de Frankfurt, Herbert Marcuse (1898-1979), encontro o capítulo denominado A origem do indivíduo reprimido (Ontogênese), do qual destaco o trecho a seguir: [...] O primitivo conceito freudiano de sexualidade está ainda muito distante do de Eros como instinto vital. O instinto sexual é, no começo, apenas um instinto específico (ou, melhor, um grupo de instintos) a par dos instintos do ego (ou de autopreservação), e é definido por sua gênese, intento e objeto específicos. Longe de ser pansexualista, a teoria de Freud, pelo menos até a sua introdução do narcisismo em 1914, caracteriza-se por uma restrição do âmbito da sexualidade uma restrição que é mantida apesar da persistente dificuldade em verificar a existência ainda dependente de instintos não-sexuais de autopreservação. Há ainda um longo caminho a percorrer até chegar–se à hipótese de que os últimos são, meramente, instintos componentes cuja função é assegurar que o organismo seguirá seu próprio caminho, rumo à morte, e impedir quaisquer processos eventuais de retorno à existência inorgânica, além daqueles que são imanentes no próprio organismo, ou o que seria outro modo de dizer a mesma coisa que são eles próprios de natureza libidinal, uma parte de Eros. Contudo, a descoberta da sexualidade infantil e das quase ilimitadas zonas erotogênicas do corpo prenuncia o subsequente reconhecimento dos componentes libidinais dos instintos de autopreservação e prepara o caminho para a reinterpretação final da sexualidade e em termos do instinto de vida (Eros). Veja mais aqui, aqui e aqui.

ORDEM Nº 2 AO EXÉRCITO DA ARTE – No livro Maiakovski vida e poesia (Martins Claret, 2007), do poeta russo Vladimir Maiakovski (1893-1930), encontro o poema Ordem nº 2 ao exército da arte, o qual transcrevo a seguir na tradução de Haroldo de Campos: A vós / - barítonos redondos - / cuja voz / desde Adão até a nossa era / nos atros buracos chamados teatros / estronda o ribombo lírico de árias. / A vós / - pintores - / cavalos cevados, / rumino-relinchante galardão eslavo, / no fundo dos estúdios, cediços como dragos, / pintando anatomias e quadros de flores. / A vós / rugas na testa entre fólios de mística / - micro-futurista, / - imagista, / - acméistas- / emaranhados no aranhol das rimas. / A vós - / descabelando cabelos bem-penteados, / barganhando escarpins por solados, / vates do Proletcult, / remendões do fraque velho de Púchkin. / A vós - / bailadores, sopradores de flauta, / amolecendo às claras / ou em furtivas faltas, / e figurando o futuro nos termos / de um imenso quinhão acadêmico. / A vós todos / eu - / que acabei com berloques e dou duro na Rosta - / gênio ou não gênio, tenho / a dizer: basta! / Abaixo com isso, / antes que vos abata o coice dos fuzis. / Basta! / Abaixo, / cuspi / no rimário, / nas árias, / nos róseos açafates / e mais minincolias / do arsenal das artes. / Quem se interessa / por ninharias / como estas: "Ah pobre coitado! / Quanto amou sem ter sido amado...? / Artífices, / é o que o tempo exige, / e não sermonistas de juba. / Ouvi / o gemido das locomotivas, / que lufa das frinchas, do chão: / "Dai-nos, companheiros, / carvão do Don! / ao depósito, vamos, / serralheiros, / mecânicos!" / À nascente dos rios, /~deitados com furos nas costas, / - Petróleo de Baku! - pedem navios / uivando nas docas. / Perdidos em disputas monótonas, / buscamos o sentido secreto, / quando um clamor sacode os objetivos: / "Dai-nos novas formas!" / Não há mais tolos boquiabertos, / esperando a palavra do "mestre". / "Dai-nos, camaradas, uma arte nova / - nova - /que arranque a republica da escória. Veja mais aqui e aqui.

O NOVO TESTAMENTO DO TEATRO – No livro Para um teatro pobre (Forja, 1975), do diretor de teatro polaco e figura central do teatro experimental e de vanguarda, Jerzy Grotowski (1933-1999), encontro O novo testamento do teatro, no qual o autor revela que: Que significa a palavra teatro? Eis a questão com que nos debatemos frequentemente e para a qual existem várias respostas possíveis. Para o acadêmico, o teatro é um lugar onde o ator recita um texto escrito, ilustrando-o com séries de momentos, destinados a tornar mais fácil a sua compreensão. Interpretado deste modo, o teatro é um acessório útil da literatura dramática. O teatro intelectual é uma mera variação desta concepção. Os que o advogam consideram-no uma espécie de tribuna polemica. Também aqui o texto é o elemento primordial, servindo o teatro apenas de suporte a certos argumentos intelectuais, patenteando a sua confrontação. Trata-se de um regresso à arte medieval do duelo oratório. Para o espectador médio, o teatro é antes de tudo um lugar de distração [...] A própria gente de teatro não tem, de modo geral, uma noção clara do que o teatro vem a ser. Para o ator médio, o teatro é sobretudo ele próprio, e não aquilo que é capaz de conseguir por meio da sua técnica artística. Ele – o seu organismo pessoal – é o teatro. [...] Para o cenógrafo, o teatro é, acima de tudo, uma arte plástica – o que pode ter consequências positivas. Os cenógrafos são adeptos, muitas vezes, do teatro literário. [...] Finalmente, o que é o teatro para o encenador? Os encenadores chegam ao teatro depois de falharem noutros campos. Aquele que sonhou tornar-se dramaturgo acaba geralmente como encenador. O ator que não tem existo, a atriz que já representou a jovem prima-dona e envelhece, volta-se para a encenação. O critico de teatro, que durante muito tempo teve um complexo de impotência relativamente a uma arte que só sabe descrever, eis que se torna encenador. O hipersensível professor de literatura, que está farto do trabalho acadêmico, considera-se a si próprio competente para a encenação. Sabe o que é um drama – e o que significa teatro para ele para além da realização de um texto? [...] Um encenador quer, evidentemente, ser criativo. Logo – mais ou menos conscientemente – advoga um teatro autônomo, independente da literatura, que considera como mero pretexto. Porém, gente capaz de um trabalho realmente criativo é rara. [...] O teatro pode existir sem figurinos nem cenários? Pode, sim senhor. Pode existir sem música de acompanhamento? Pode. Pode existir sem efeitos de luzes? Claro que pode. E sem texto? Também: a história do teatro confirma-o. na evolução da arte teatral, o texto foi um dos últimos elementos a surgir. [...] Mas poderá o teatro existir sem atores? Não conheço nenhum exemplo disso. Poderia referir-se o teatro de fantoches. Mesmo aí, porém, encontramos um ator por detrás da cena, embora de outro gênero. Pode o teatro existir sem público? Em última análise, é necessário, pelo menos, um espectador para fazer o espetáculo. Ficamos, pois, com o ator e o espectador. Logo, podemos definir o teatro como aquilo que tem lugar entre o espectador e o ator. Todo o resto é suplementar – talvez acessório, mas suplementar. [...]. Veja mais aqui e aqui.

JUST A KISS – O drama Just a kiss (Apenas um beijo, 2004), do engajado cineasta britânico Ken Loach, com roteiro de Paul Laverty e música de George Fenton, conta a história de um relacionamento romântico entre duas pessoas pertencentes a comunidades diferentes e opostas mais ou menos diretamente para o seu relacionamento, na Escocia. Ele é um jovem disc jockey filho de imigrantes paquistaneses muçulmanos, com o sonho de começar seu próprio negócio e é prometido a casar com uma prima; eis que uma jovem professora católica vai causar problemas no que foi traçado pela família dele, gerando conflitos com as tradições familiares habituais diante do estilo de vida ocidental. Emerge a sensação de perda da liberdade, os motivos da família, as tradições das comunidades diferentes, a lei religiosa. Interessante história tornando recomendável a assistência atenta para o belíssimo filme. O destaque do filme vai para a atriz irlandesa Eva Birthistle. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Capas do livro da história & peça teatral O Lobisomem Zonzo. Veja mais aqui e aqui.


Veja mais sobre:
O aperto que virou vexame trágico, As estratégias sensíveis de Muniz Sodré, O soldado morto de Sophia de Mello Breyner Andresen, Tecnologias & esquecimento de Maria Cristina Franco Ferraz, a fotografia de Alexander Yakovlev, a pintura de William Mulready & Ângelo Hasse, a arte de Doris Savard, a música de Asaph Eleutério – Ninguém, Ricardo Loureiro & Radio Estrada 55 aqui.

E mais:
Cadê o padre Bidião?, História da criança e da família de Philippe Ariès, O sol também se levanta de Ernest Hemingway, Espelho convexo de Celina Ferreira, O teatro e seu duplo de Antonin Artaud, o cinema de música de Catherine Malfitano & Mawaca, a pintura de Emil Orlik & Miles Mathis, Programa Tataritaritatá & muito mais aqui.
A obra de arte e a reprodução de Walter Benjamin, Philippe Ariès, Neuropsicologia, Educação Sexual, a música de Charlotte Gainsbourg, a pintura de Emil Orlik, o teatro de Ruy Jobim Neto & a arte de Marco Leal aqui.
Literatura de cordel: È coisa do meu sertão, de Patativa de Assaré aqui.
Liberdade para aprender de Carl Rogers, A mistificação pedagógica de Bernard Charlot, a arte de Bernard Charlot, Voyeurismo, Curriculum podre& ficha suja, Zé Bilola toma na tarraqueta & muito mais aqui.
Quase meio dia, As revoluções científicas de Thomas Kuhn, Não morra antes de morrer de Yevgeny Yevtushenko, Os amores amarelos de Tristan Corbière, A consciência da mulher de Leilah Assumpção, a música de Debussy & Sandrine Piau, o cinema de Eric Rohmer & Françoise Fabian & Marie-Christine Barrault, a arte de Dian Hanson & Eric Kroll, a pintura de Hyacinthe Rigaud & Vittorio Polidori aqui.
Big Shit Bôbras - a profissão golpista do marido da Marcela, História Universal da Infâmia de Jorge Luis Borges, O mundo das imagens eletrônicas, a música de Fredrika Brillembourg, a pintura de Siron Franco & a arte de Miguelanxo Prado aqui.
Rua do Sol, Anatomia da destrutividade humana de Erich Fromm, Museu de tudo de João Cabral de Melo Neto, Confissões de Narciso de Autran Dourado, a arte de Ivan Serpa, a música de Dawn Upshaw & a fotografia de Larry Clark aqui.
As flores maio, Os cantos de Ezra Pound, O poço dos milagres de Carlos Nejar, Neurociências, a pintura de Fernand Léger, a música de Marku Ribas, a fotografia de Waclaw Wantuch & a arte de Luciah Lopez aqui.
Quando renasci pra vida depois de morrer pela primeira vez, Presenças de Otto Maria Carpeaux, Moll Flandres de Daniel Defoe, o teatro de Hugo von Hofmannsthal, a música de El Hadj N'Diaye & Érica García, a arte de Antonio Dias & Xul Solar aqui.
O pavor dos acrófobos à beira do abismo, o pensamento de Comenius, Jornada de um poema de Margaret Edson, Toponimia pernambucana de José de Almeida Maciel, a poesia alemã de Olívio Caeiro, a música de Leoš Janáček & Kamila Stösslová, a arte de Pierre Alechinsky & Philip Hallawel aqui.
Forte e sadio que nem o povo do tempo do ronca, Seis propostas para o próximo milênio de Ítalo Calvino, A geografia da fome de Josué de Castro, Poesia Moderna da Grécia, a música de Angela Gheorghiu, a fotografia de Evelyn Bencicova, a pintura de René Mels & Paul-Émile Bécat aqui.
Renascido da segunda morte, João Ternura de Aníbal Machado, Modernidade líquida de Zygmunt Bauman, a música de Jacob de Haan, Comunicação em prosa moderna de Othon Moacir Garcia, a ilustração de Andy Singer, a arte de Chris Cozen & Niki de Saint Phalle aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Brincar para aprender aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Fecamepa – quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.



segunda-feira, maio 04, 2015

MARCUSE, AMOS OZ, MACHADO, SAFO, DALE, HEPBURN, GOLIAS, CHURCH & HARING.

Imagem Sunset Jamaica, July 1865 - Oil on paper mounted on canvas, 12-1/8 x 18-1/8 inches. OL, do pintor estadunidense Frederic Edwin Church (1826–1900). Veja mais aqui & aqui

Todo dia o Sol se põe para uma nova alvorada...

Eu quero aurora dos meus olhos
Viver a eclosão do dia
Esse parto retratado
No rastro meu que se vadia
Pra lá das mãos
Pra lá do mar
Nas veredas desse céu
Que vai além do meu cantar
Da minha voz que traz
Esse céu que desvirgina
As entranhas do meu corpo
Que se perde pelos vales
E só me resta seguir, ir
As veias mornas da manhã
Até abrir as comportas do meu coração
(AURORA, música e letra de Luiz Alberto Machado).
Veja mais aqui e aqui.

Ouvindo o álbum musical Such Sweet Thunder (1999), com as performances da suíte Sarabande de Georg Händel (1685-1759) e a sonata em mi menor de Anton Vivaldi (1678-1741), da violoncelista britânica Caroline Dale. Veja mais aqui.
  
A UMA MULHER AMADA (Imagem: Sappho, do pintor francês François Gerard (1770-1837) - A poeta grega Safo (séc. VII-VI aC), considerada a décima musa pelo respeito que sempre lhe dedicaram é autora desse poema A amada: Ventura, que iguala aos deuses, / Em meu conceito, desfruta / Quem, junto de ti sentada, / As doces falas te escuta, / Goza teu mago sorrir. / Quando imagino em tal gosto / é minha alma um labirinto; / Expira-me a voz nos lábios; / Nas veias um fogo sinto; / Sinto os ouvidos zunir. / Gelado suor me inunda; / O corpo se me arrepia; / Foge-me as cores do rosto, / Como ao vir da quadra fria / Entra a folha a desmaiar. / Respiro a custo, e já cuido / Que se esvai a doce vida! / Arrisquemo-nos a tudo... / Contra uma angústia insofrida tudo se deve tentar. [...] Toca, minha amiga, / as cordas puras da tua lira. / Já a idade fez secar meu corpo, / embranquecendo-me os cabelos que eram pretos, / tornando-me os joelhos mais que frouxos. Também dela esse belo poema A uma mulher amada: Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro! / Quem goza o prazer de te escutar, / quem vê, às vezes, teu doce sorriso. / Nem os deuses felizes o podem igualar. / Sinto um fogo sutil correr de veia em veia por minha carne, / ó suave bem querida, e no transporte doce que a minha alma enleia / eu sinto asperamente a voz emudecida. / Uma nuvem confusa me enevoa o olhar. / Não ouço mais. / Eu caio num langor supremo; / E pálida e perdida e febril e sem ar, / um frêmito me abala... / eu quase morro... eu tremo. Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.

O HOMEM UNIDIMENSIONAL NA IDEOLOGIA DA SOCIEDADE INDUSTRAL – No livro A ideologia da sociedade industrial: o homem unidimensional (Zahar, 1973), do sociólogo e filosofo alemão pertencente à Escola de Frankfurt, Herbert Marcuse (1898-1979), são abordados temas como a paralisia da crítica e a sociedade sem oposição, sociedade unidimensional, as novas formas de controle, o fechamento do universo político, a conquista da consciência infeliz e a dessublimação repressiva, o fechamento do universo da locução, o pensamento unidimensional, o pensamento negativo e a derrota da lógica do protesto, do pensamento negativo para o positivo e a racionalidade tecnológica e a lógica da dominação, a vitória do pensamento positivo e a filosofia unidimensional, a oportunidade das alternativas, o compromisso histórico da filosofia, a catástrofe da libertação, entre outros importantes assuntos. Da obra destaco o seguinte trecho: [...] A ameaça de uma catástrofe atômica, que poderia exterminar a raça humana, não servirá, também, para proteger as próprias fôrças que perpetuam esse perigo? Os esforços para impedir tal catástrofe ofuscam a procura de suas causas potenciais na sociedade industrial contemporânea. Essas causas ainda não foram identificadas, reveladas e consideradas pelo público porque refluem diante da ameaça do exterior, demasiado visível do Oriente contra o Ocidente, do Ocidente contra o Oriente. f: igualmente óbvia a necessidade de se estar preparado, de se viver à beira do abismo, de se aceitar o desafio. Nós nos submetemos à produção pacífica dos meios de destruição, à perfeição do desperdício, a ser educados para uma defesa que deforma os defensores e aquilo que estes defendem. Se tentamos relacionar as causas do perigo com a forma pela qual a sociedade é organizada e organiza os seus membros, defrontamos, imediatamente, com o fato de a sociedade indus-trial desenvolvida se tornar mais rica, maior e melhor ao perpetuar o perigo. A estrutura da defesa torna a vida mais fácil para um maior número de criaturas e expande o domínio do homem sobre a natureza. Em tais circunstâncias, os nossos meios de informação em massa encontram pouca dificuldade em fazer aceitar interesses particulares como sendo de todos os homens sensatos. As necessidades políticas da sociedade se tornam necessidades e aspirações individuais, sua satisfação promove os negócios e a comunidade, e o conjunto parece constituir a própria personificação da Razão [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

DE REPENTE, NAS PROFUNDEZAS DO BOSQUE – No livro De repente, nas Profundezas do Bosque (Cia das Letras, 2007), do escritor e pacifista israelense Amos Oz, é contada a história de uma pequena aldeia atravessada por um rio cristalino e rodeada por um bosque frondoso, onde não há uma única vida animal e dois garotos Mati e Maia enfrentam a proibição de entrar no bosque para enfrentar o temível demônio das montanhas, Nehi. Da obra destaco o trecho: A aldeia era cinzenta e triste. À volta dela apenas montes e bosques, nuvens e vento. Não havia outras aldeias nas redondezas. Quase nunca chegavam forasteiros, nem sequer visitantes ocasionais. Trinta, talvez quarenta casas pequenas se espalhavam ao longo do declive, no vale fechado e rodeado por montes íngremes. Somente a oeste havia uma abertura estrita entre as montanhas, e por essa abertura passava o único caminho que levava à aldeia, mas não ia adiante, porque não havia nenhum adiante: ali terminava o mundo. [...] Vez por outra aparecia um vendedor ambulante, ou algum artesão, ou simplesmente algum mendigo perdido. Mas nenhum peregrino pemanência mais que duas noites, porque a aldeia era amaldiçoada: um “estranho silêncio” pairava sempre ali, nenhuma vaca mugia, nenhum burro zurrava, nenhum pássaro chilreava, nenhum grupo de gansos selvagens cortava o céu vazio, tampouco os aldeões falavam entre si, só o estritamente necessário. Veja mais aqui, aquiaqui.

NÃO CONSULTES MÉDICO – A peça teatral Não consultes médico (1896), do escritor Machado de Assis (1839-1908), conta a história de uma velha casamenteira que autointitula médica, D. Leocádia, curando as pessoas por meio do amor. Da obra destaco o trecho: MAGALHÃES — Por isso mesmo deves sujeitar-te aos seus remédios. Se e não curar, dar-te-ia alguma distração, e é o que eu quero. (Abre a charuteira que está vazia). Olha, espera aqui, lê algum livro; eu vou buscar charutos. (Sai; Cavalcante pega num livro e senta-se). CENA V Cavalcante, D. Carlota, aparecendo ao fundo. D. CARLOTA — Primo... (Vendo Cavalcante) Ah! perdão! CAVALCANTE (erguendo-se) — Perdão de que! D. CARLOTA — Cuidei que meu primo estava aqui; vim buscar um livro de gravuras de prima Adelaide; está aqui... CAVALCANTE — A senhora viu-me passar a cavalo, há uma hora, numa posição incômoda e inexplicável. D. CARLOTA — Perdão, mas... CAVALCANTE — Quero dizer que eu levava na cabeça uma idéia séria, um negócio grave. D. CARLOTA — Creio. CAVALCANTE — Deus queira que nunca possa entender o que era! Basta crer. Foi a distração que me deu aquela postura inexplicável. Na minha família quase todos são distraídos. Um dos meus tios morreu na guerra do Paraguai por causa de uma distração; era capitão de engenharia. D. CARLOTA (perturbada) — Oh! não me fale! CAVALCANTE — Por que?Não pode tê-lo conhecido. D. CARLOTA — Não, senhor; desculpe-me, sou um pouco tonta. Vou levar o livro à minha prima. CAVALCANTE — Peço-lhe perdão, mas... D. CARLOTA — Passe bem. (Vai à porta). CAVALCANTE — Mas, eu desejava saber... D. CARLOTA — Não, não, perdoe-me. (Sai.). CENA VI CAVALCANTE (só) — Não compreendo: não sei se a ofendi. Falei no tio João Pedro, que morreu no Paraguai, antes dela nascer... CENA VII Cavalcante, D. Leocádia D. LEOCÁDIA (ao fundo, à parte) Está pensando (Desce). Bom dia, Dr. Cavalcante! CAVALCANTE — Como passou, minha senhora? D. LEOCÁDIA — Bem, obrigada. Então meu sobrinho deixou-o aqui só? CAVALCANTE — Foi buscar charutos, já volta. D. LEOCÁDIA — Os senhores são muito amigos. CAVALCANTE Somos como dois irmãos. D. LEOCÁDIA — Magalhães é um coração de ouro e o senhor parece-me outro. Acho-lhe só um defeito, doutor... Desculpe-me esta franqueza de velha; acho que o senhor fala trocado. CAVALCANTE — Disse-lhe ontem algumas tolices, não? D. LEOCÁDIA — Tolices, é muito; umas palavras sem sentido. CAVALCANTE — Sem sentido, insensatas, vem a dar no mesmo. D. LEOCÁDIA (pegando-lhe nas mãos) — Olhe bem para mim. (Pausa). Suspire. (Cavalcante suspira). O senhor está doente: não negue que está doente — moralmente, entenda-se; não negue! (Solta-lhe as mãos).CAVALCANTE — Negar seria mentir. Sim, minha senhora, confesso que tive um grandíssimo desgosto D. LEOCÁDIA — Jogo de praça? CAVALCANTE — Não, senhora. D. LEOCÁDIA — Ambições políticas mal-logradas? CAVALCANTE — Não conheço política. D. LEOCÁDIA — Algum livro mal recebido pela imprensa? CAVALCANTE — Só escrevo cartas particulares. D. LEOCÁDIA — Não atino. Diga francamente; eu sou médico de enfermidades morais e posso curá-lo. Ao médico diz-se tudo. Ande, fale, conte-me tudo, tudo, tudo. Não se trata de amores?... CAVALCANTE (suspirando) — Trata-se justamente de amores. D. LEOCÁDIA — Paixão grande? CAVALCANTE — Oh! imensa! D. LEOCÁDIA — Não quero saber o nome da pessoa, não é preciso. Naturalmente bonita? CAVALCANTE — Como um anjo! D. LEOCÁDIA. — O coração também era de anjo? CAVALCANTE — Pode ser, mas de anjo mau. D. LEOCÁDIA — Uma ingrata... CAVALCANTE — Uma perversa! D. LEOCÁDIA — Diabólica... CAVALCANTE — Sem entranhas! D. LEOCÁDIA — Vê que estou adivinhando. Console-se; uma criatura dessas não acha casamento. CAVALCANTE — Já achou! D. LEOCÁDIA — Já? CAVALCANTE — Casou, minha senhora; teve a crueldade de casar com um primo. D. LEOCÁDIA — Os primos quase que não nascem para outra coisa. Diga-me, não procurou esquecer o mal nas folias próprias de rapazes? CAVALCANTE — Oh! não! Meu único prazer é pensar nela. D. LEOCÁDIA — Desgraçado! Assim nunca há de sarar. CAVALCANTE — Vou tratar de esquecê-la. D. LEOCÁDIA — De que modo? CAVALCANTE — De um modo velho, alguns dizem que já obsoleto e arcaico. Penso em fazer-me frade. Há de haver em algum recanto do mundo um claustro em que não penetre sol nem lua. D. LEOCÁDIA — Que ilusão! Lá mesmo achará a sua namorada. Há de vê-la nas paredes da cela, no teto, no chão, nas folhas do breviário. O silêncio far-se-á boca da moça, a solidão será o seu corpo. CAVALCANTE — Então estou perdido. Onde acharei paz e esquecimento? D. LEOCÁDIA — Pode ser frade sem ficar no convento. No seu caso o remédio naturalmente indicado é ir pregar... na China, por exemplo. Vá pregar aos infiéis na China. Paredes de convento são mais perigosas que olhos de chinesas. Ande, vá pregar na China. No fim de dez anos está curado. Volte, meta-se no convento e não achará lá o diabo. CAVALCANTE — Está certa que na China... D. LEOCÁDIA — Certíssima. CAVALCANTE — O seu remédio é muito amargo! Por que é que me não manda antes para o Egito? Também é país de infiéis. D. LEOCÁDIA — Não serve; é a terra daquela rainha... Como se chama? CAVALCANTE — Cleópatra? Morreu há tantos séculos! D. LEOCÁDIA — Meu marido disse que era uma desmiolada. CAVALCANTE — Seu marido era, talvez, um erudito. Minha senhora, não se aprende amor nos livros velhos, mas nos olhos bonitos; por isso, estou certo de que ele adorava a V. Excia. D. LEOCÁDIA — Ah! ah! Já o doente começa a adular o médico. Não, senhor, há de ir à China. Lá há mais livros velhos que olhos bonitos. Ou não tem confiança em mim? CAVALCANTE — Oh! tenho; tenho. Mas ao doente é permitido fazer uma careta antes de engolir a pílula. Obedeço; vou para a China. Dez anos, não? D. LEOCÁDIA (levanta-se) — Dez ou quinze, se quiser; mas antes dos quinze está curado. CAVALCANTE — Vou. D. LEOCÁDIA — Muito bem. A sua doença é tal que só com remédios fortes. Vá; dez anos passam depressa. CAVALCANTE — Obrigado, minha senhora. D. LEOCÁDIA — Até logo. CAVALCANTE — Não, minha senhora, vou já. D. LEOCÁDIA — Já para a China! CAVALCANTE — Vou arranjar as malas e amanhã embarco para a Europa; vou a Roma, depois sigo imediatamente para a China... Até daqui a dez anos. (Estende-lhe a mão).D. LEOCÁDIA — Fique ainda uns dias... CAVALCANTE — Não posso. D. LEOCÁDIA — Gosto de ver essa pressa; mas, enfim, pode esperar ainda uma semana. CAVALCANTE — Não, não devo esperar. Quero ir às pílulas quanto antes; é preciso obedecer religiosamente ao médico. D. LEOCÁDIA — Como eu gosto de ver um doente assim! O senhor tem fé no médico. O pior é que daqui a pouco, talvez, não se lembre dele. CAVALCANTE — Oh! não! Hei de lembrar-me sempre, sempre! D. LEOCÁDIA — No fim de dois anos escreva-me; informe-me sobre o seu estado e talvez eu o faça voltar. Mas, não minta, olhe lá; se já tiver esquecido a namorada, consentirei que volte. CAVALCANTE — Obrigado. Vou ter com seu sobrinho e depois vou arranjar as malas. D. LEOCÁDIA — Então não volta mais a esta casa? CAVALCANTE — Virei daqui a pouco, uma visita de dez minutos, e depois desço, vou tomar passagem no paquete de amanhã. D. LEOCÁDIA — Jante, ao menos, conosco. CAVALCANTE — Janto na cidade. D. LEOCÁDIA — Bem, adeus; guardemos o nosso segredo. Adeus, Dr. Cavalcante. Creia-me: o senhor merece estar doente. Há pessoas que adoecem sem merecimento nenhum; ao contrário, não merecem outra coisa mais que uma saúde de ferro. O senhor nasceu para adoecer; que obediência ao médico! que facilidade em engolir todas as nossas pílulas! Adeus! CAVALCANTE — Adeus, D. Leocádia. (Sai pelo fundo). Veja mais aqui, aqui, aquiaqui.

Ô CRIDE, QUÊDI O BRONCO DINOSAURO? – Uma das figuras mais hilárias presentes desde a minha mais tenra meninice até os dias de hoje, é a do memorável ator e comediante Ronald Golias (1929-2005), que aprendi a assistir na extinta Tv Tupi, vez que ele foi considerado um dos pioneiros da televisão. Também vi e revi muitos dos seus filmes, não perdia um: Golias contra o homem das bolinhas (1969), O homem que roubou a copa do mundo (1962), entre outros, como também suas participações na Família Trapo, o seriado Bronco Total, o Superbronco, Bronco, a Escolinha do Golias e Meu cunhado. Morria de rir com sua irreverência e talento. Saudade do Golias, salve, salve. Veja mais aqui.

BREAKFAST AT TIFFANY´S – A memorável e premiada comédia e drama Breakfast at Tiffany´s (Bonequinha de luxo, 1961), dirigido por Blake Edwards ao roteiro adaptado por George Axelrod do livro homônimo de Truman Capote, com música de Henri Mancini, traz a presença marcante e bela da premiada atriz e humanista inglesa de origem belga Audrey Hepburn (1929-1993), que povoou meus sonhos e imaginário da infância e adolescência. Tanto é que tanto vi e revi a película, dias e dias, sempre curtindo a faceira e belíssima expressão da atriz, dando pausa a cada jeito seu e a cada detalhe de sua exposição na cena. Sonhos de infância e adolescência que passaram a me perseguir por toda vida. O filme conta a história da socialite Holly Golightly que sonha casar-se com um homem rico e tornar-se uma estrela de Hollywood. Com esse desejo ela passa a ser apadrinhada por um mafioso e ela começa a trabalhar rumo aos seus sonhos. Imperdível. Veja mais aqui


IMAGEM DO DIA
A arte do artista gráfico e ativista estadunidense Keith Haring (1958-1990)
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Todo dia é dia dos namorados: crônica de amor por ela aqui.
O amor dos namorados, A arte de amar de Erich Fromm, Sonetos de amor de Pablo Neruda, Cânticos de Salomão, a música de Edith Piaf, o cinema de Derek Cianfrance & Michelle Williams, a arte de Cornelis le Mair, Grupo Femen, a pintura de Julia Watkin & Henry Asencio aqui.
Todo dia é dia dos namorados, Inteligência do amor de Ledo Ivo, Diário de Anne Frank, A ética do anarquismo de Luce Fabbri, A prisão de São Benedito de Luiz Berto, A filha de Solveig Nordlund, a música de Geraldo Azevedo, a pintura de Wellington Virgolino & a arte de Carmem Verônica aqui.
A arte no horizonte do provável de Augusto de Campos & Falando com as paredes de Jacques Lacan aqui.
Sistema tributário & A gramática em cordel de Janduhi Dantas Nóbrega aqui.
Nunca fui e quando inventei de ir não era pra ter ido, Pedagogia dos sonhos possíveis de Paulo Freire, A árvore das estrelas vermelhas de Tessa Bridal, O narratário & teoria da literatura de Vitor Manuel de Aguiar e Silva, a música de Quinteto Violado, a escultura de Pedro Figueiredo, a pintura de Victoria Selbach & a arte de Marcela Tiboni aqui.
A menstruação mental do Robimagaiver puto da vida, Realidade & sonhos de a Muriel Spark. A construção social da realidade de Peter Berger & Thomas Luckmann, Redes & sociologia econômica de Cristina Braga Martes, a arte de Marina Abramović, a música de Han-Na Chang, a fotografia de Greg Gorman & Alfred Cheney aqui.
A correnteza do rio me ensinou a nadar, A flor azul de Penelope Fitzgerald, Entretenimento & tecnologia de Beatriz Polivanov & Vinicius Pereira, Interações & redes na sociedade de Denise Najmanovich & Elina Dabas, a música de Karlheinz Stockhausen & Suzanne Stephens, a pintura de Sue Halstenberg, a arte de Yayoi Kusama & Robert Rauschenberg, Anita Berber & Otto Dix aqui.
O amor todo dia e o dia todo, O homem ativo & intelectual de Antonio Gramsci, Dialética do concreto de Karel Kosik, Contos & novelas de Samuel Rawet, a pintura de Serge Marshennikov & Amélia Toledo, a música de Madeleine Peyroux, a fotografia de Rory Banwell & a arte de Luciah Lopez aqui.
Entre topadas e escorregões, eu insisto, persisto, resisto e até persevero, O discurso e a cidade de Antonio Cândido, História de um louco amor de Horacio Quiroga, O olhar de Marilena Chauí, a música de Catherine Ribeiro, a coreografia de Caralotta Ikeda, a fotografia de Maureen Bisilliat & Spencer Tunick aqui.
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MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

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